From The Inside
11 Cap 11
Notas iniciais
A viajem ficou marcada e começamos a ajeitar as malas; John não entendia nada, ficava me olhando esperando algo de mais, mas não tava com cabeça pra isso.
Meu celular tocou e lá estava o numero de Matt. Corri para atender.
− Alô, é do celular da Mellody?
− Sim
− Bom, Mellody é a Ana, mãe do Matt, ele pediu para que ligasse para você. Mellody ele ta no hospital, ele ta com tuberculose...
− O que?! − Meu coração se acelerou e todos se assustaram com o grito que dei.
− É is... − Então Ana começou a chorar(ao menos foi o que ouvi) − Ele vai ficar bem... mas ele perguntou se você podia vir visitá-lo.
− Sim! Eu vou.
− Obrigada...
Então ela desligou o celular.
Stacy entrou no quarto junto com Annya e Claire.
− Mellody o que foi? − Ela perguntou.
− O... o Matt ta com tuberculose. Ele pediu para que fosse o visitar...
Annya deu um gritinho e começou a chorar.
Stacy rapidamente me colocou no carro e me levou para o hospital. Estava muito preocupada com Matt, achava que já estava passando da hora de ele contar para os pais. Tinha muito medo de que algo o acontecesse. Chegamos ao hospital e já na porta me encontrei com Ana; ela me levou até o quarto de Matt. Ao chegar lá não segurei as lágrimas.
Matt estava pálido, fraquinho e dava umas tossidinhas mais ou menos a cada 40 segundos. Quando ele me viu um sorrisinho se formou.
− Oh Matt! − Disse chorando.
− Mel que bom que você veio. Mãe, a senhora podia nos deixar sozinhos?
Ana balançou a cabeça afirmativamente e saiu do quarto.
− Matt por favor conta pra ela − Disse desesperada correndo até ele − Se for o caso mente e diz que foi com uma menina.
− Eles vão brigar do mesmo jeito − Então seus olhos se inundaram de lagrimas.
Olhei nos olhos dele, a situação não estava nem um pouco boa.
− M... Matt, você sabe que pode mo...morrer... − Ao terminar a palavra caí em lágrimas. Nunca tive tanto medo que perder alguém. Talvez estivesse assim por ter acabado de perder minha mãe. − Você não pode morrer...
− Prefiro a morte a contar para eles − Matt disse revoltado.
Chateada e muito nervosa saí do quarto de Matt e resolvi ir embora.
− Meeeel!!! Onde você vai? − Ele perguntou.
− Não fale comigo enquanto não contar para seus pais − Falei baixinho.
Quando cheguei no carro de Stacy lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto, estava muito triste.
Chegamos em casa e todos ficaram bastante preocupados com Matt. Não sabia como conseguiria ter uma boa viajem pensando no estado dele. John ficou me olhando percebendo que estava terrível. Cansada e triste resolvi ir para o quarto. Amanhã faltaremos aula e iremos para o aeroporto pela manhã.
Entrei no quarto e fechei a porta. Me joguei no colchão e fiquei lá.
Ouvi a porta se abrir e fechar novamente.
− Ele vai ficar bem Mel− John disse.
− O que ta fazendo aqui?
− Primeiramente o quarto é meu, e vim te ver. Acho que você anda muito deprê esses dias. Mel a gente vai viajar não fica assim.
Então ele se sentou no colchão de Noah. Então começou a passar a mão no meu cabelo.
− Imagino o quanto esses problemas devem tar acabando com você. As vezes eu sinto que tem algo sobre seu amigo Matt que você esconde; não sei se pode me contar, mas saiba que to aqui pra qualquer coisa.
− Obrigada John. − Disse baixinho voltando a chorar− Minha vida ta uma porra! Eu me sinto um lixo.
− Se você fosse mesmo um lixo eu não te amaria− Ele disse baixinho no pé do meu ouvido. − Não fica assim. Olha sei que é difícil não pensar num amigo doente, mas Matt vai ficar bem. Me promete uma coisa?
− Hum...
− Vai tentar sorrir nessa viajem... Vai?
Ele me olhou nos olhos.
− Vou tentar...
− Não, me promete que vai!
− Mas eu não sei − Disse nem percebendo que já estava rindo.
− Você tem
Então como eu já esperava ele me beijou. Um beijo intenso e delicado ao mesmo tempo. Naquele momento tudo que queria era destruir minhas magoas com aquele beijo, queria esquecer o resto do mundo. O beijo foi ficando mais intenso e apaixonado. Paramos pelo simples motivo de não termos mais ar. Arfamos durante alguns instantes e como também já imaginava voltamos a nos beijar.
John me deitou na cama e ficou encima de mim. Estávamos animados e juro que poderíamos acabar cometendo erros se o celular não tocasse no exato momento em que John ia tirando minha blusa.
Levemente empurrei ele e me levantei para pegar o celular. Era do celular do Matt, meu coração se acelerou.
− Alô?
− Oi Mel, você me disse que só voltaria a falar comigo se eu contasse pros meus pais. Bom, eu contei... eles ficaram muito bravos e faltaram arrancar minha cabeça. Fiquei sabendo que você vai viajar, poderia vir aqui falar comigo?
− Talvez, vou tentar. Mas como você ta?
− Vou ser liberado hoje de tarde! − Matt falou feliz
− Serio!!? − Disse pulando e deixando John assustado.
− Sim!!!
− Vou fazer de tudo pra ir ai te ver!!!
− Tenho que desligar, tchau.
− Tchau!
Então desliguei e sentei ao lado de John dando mais um beijo nele.
− Adoro essa sua felicidade, mas diga-me, qual o motivo? − Ele perguntou sorrindo.
− Matt ta bem!!! − Disse com um sorrisão.
− Eu disse...
Então ele me beijou mais uma vez.
− Vamos ficar a tarde inteira nessa− Disse sorrindo.
− Por mim tudo bem, poderia passar a eternidade nessa...
− Só se eu não existisse − A voz de Noah veio da porta − E que tal se parassem com a agarração?
Então eu e John nos afastamos, Noah ficou olhando pra gente.
− Não posso deixar vocês fora do meus olhares nenhum instante que vocês ficam se pegando?
− Owu Noah, não vai me matar?
− E te matar adiantaria? − Ele perguntou, então ele se sentou no meu colchão. − Só peço uma coisa de vocês: não façam “aquilo” tão cedo. E se fizerem por favor usem camisinha.
− NOAH!!! − Gritei com raiva.
− Mel! Essa é minha função! E alem do mais já não viu que seu namoradinho é meio atrevido?! − Noah disse.
− Hump, me recuso a ouvir isso.
Então me levantei e fui para a cozinha.
Naquela tarde ainda consegui convencer Stacy a me levar no hospital novamente. Os pais de Matt estavam meio tristes, Matt estava bem melhor.
Na manhã seguinte corremos para o aeroporto, todos estavam desanimados.
Finalmente chegamos a Guarapari as 14:57, eu saí do avião correndo. Eu morria de pavor de aviões, na verdade eu adquiri esse medo depois da morte da mamãe; quando ela tava perto eu não morria de medo.
Fomos para o hotel, eram apenas três quartos e cinco camas. Foi uma completa confusão para arrumarmos quem ficaria em cada um. No fim ficou assim: Stacy e Annya dormiriam na cama de casal; eu e Claire cada uma em sua cama; John e Noah cada um em sua cama.
Noah reclamou querendo ficar com a cama de casal junto com Claire mas de nada adiantou; as vezes achava Stacy muito paciente conosco, principalmente com Noah.
− Crianças eu vou fazer alguns horários pra gente.... − Stacy disse pegando um papel.
− Mãe, eu tava falando com o Lucas, ele perguntou se hoje nós eu e o Noah poderíamos ir com ele pra uma festa.
− Quem é Lucas? − Perguntei curiosa.
− Meu primo. − Claire respondeu.
− Pode mas falarei com ele pra deixar a hora de volta definida. Olha hoje eu tava querendo ir naquele restaurante que a gente foi da ultima vez que viemos pra cá; queria saber se posso confiar e levar a Annya deixando esses dois sozinhos? − Stacy perguntou para Noah.
− Calma mãe não vou comer a Mel.... pera, talvez eu coma mas só se ela deixar. − Ele disse com um sorriso malicioso no rosto.
− Cala a boca seu lesadooo! − E dei um tapa no braço dele.
− Ai! − Então ele fez biquinho.
− Não sei... acho que não posso confiar em John − Noah disse desanimado.
− Hey, é claro que pode confiar, falo serio quando digo que não vou tentar nada com a Mel. Não faria isso Noah. − Olhei pra John.
− Noah, ou ele é bom ator ou ta falando a verdade.
− John nunca atuou bem− Claire defendeu.
− Espero que seja mesmo a verdade...
Depois de toda aquela conversa Stacy ligou para seu sobrinho Lucas e foi confirmado, Noah e Claire iriam para a festa. Logo eu fui ajudar Claire a se maquiar e arrumar a roupa; quando terminei Claire estava linda. Então Annya pediu que eu a arrumasse também, no fim as duas estavam lindas.
Noah e Claire saíram e logo depois Annya e Stacy.
Eu sempre ficava observando o quanto Annya era amada pela mãe, na verdade acho que ela era a queridinha da família. Stacy a tratava como uma princesa e a levava pra todo lado. Cansada fui pegar minha toalha para tomar banho.
− Onde você vai − John veio atrás de mim.
− Ora, vou tomar banho.
− Ah, entendi. Quer fazer algo de legal?
− Tipo o que?
− Ah sei lá, não sei!
− Legal! Vou tomar banho e depois nos vemos.
Tomei banho e saí do banheiro de toalha já dando de cara com John. Ele me seguiu ate o quarto.
− Quiê, vai mesmo entrar?
− Não vou te esperar na porta− Ele disse sorridente.
Me troquei e abri a porta pra ele; ele entrou e ligou a TV do quarto então se deitou na minha cama.
− Ei! Essa e minha cama− Olhei desconfiada para ele.
− Vem, deita aqui do meu lado.
Então me deitei encostada no peito dele, ele passou a mão pela minha cintura e começou a falar.
− Calma inicialmente prometi pro seu irmão que não faria nada, e não farei. Sabe Mel, as vezes acho que seu irmão é neurótico.
− Meu irmão é neurótico.
Começamos a rir.
− Adoro quando você ri, é ruim quando chora; e o pior é que você vive chorando o tempo inteiro. Queria que nunca mais você chorasse.
− Vou tentar.
− Quer namorar comigo?
− Ahn...? − Olhei para ele confusa, ta que já era de se esperar mas é um pouco assustador ver ele me pedindo em namoro. Hello! Ele é um dos queridinhos das populares da escola. −Siim...?
Ele me olhou sem entender.
− Sim pergunta ou afirmação.
− Não sei − Disse mais confusa ainda.
− Achei que tecnicamente já estivéssemos namorando.
− Eu também.
− Então diz se sim ou não!
− Já disse que sim.
− Não você perguntou se .... você aceitou?
− Não eu disse sim mas não quero namorar. É CLARO QUE ACEITEI IDIOTA!
− Ta calma!
Olhei entediada pra ele.
− Bem que agora que estamos namorando poderíamos ter ido aquela festa.
− Se tivéssemos ido você não me pediria em namoro.
− Pediria.
− Mas não do mesmo jeito que agora.
− An?
− Aquela hora era passado agora é presente, você me pediu em namoro no presente não seria possível que no passado estivéssemos namorando se você me pediu em namoro no presente.
Ele me olhou com a cara de lesado.
− Ah deixa pra lá!
Então ficamos assistindo TV juntinhos. Estava feliz pois nunca havia namorado antes, não daquela forma. John parecia realmente gostar de mim, aquilo me deixou bem feliz.
Fui caindo no sono sem nem perceber. Era para que eu tivesse sonhos legais, mas isso não aconteceu....
Sozinha no escuro....
Me lembrava claramente da noticia da morte de Matt; havia algo acontecendo ao meu redor.
Não me lembrava de muita coisa, mas uma dor terrível me invadia. Não era no corpo mas sim na alma; era uma feriada terrível, na verdade talvez fosse mais de uma. Me lembrei do que tinha acontecido...
John havia me trocado por Melissa, papai havia invadido a casa de Stacy e tirado a mim e a Noah a força de lá... algo dentro de mim reclamou...
O papai estava na minha frente, ele me xingava dos mais terríveis palavrões. Ele tinha uma faca na mão, então ele resolveu me atacar, ele desferiu o primeiro golpe cortando minha carne e provocando uma dor terrível; então quando ele foi desferir o segundo algo o impediu. Era a mamãe.
Ela estava linda, parecia um anjo, então ela jogou o pai bem longe e veio ate mim; ela curou a ferida que ele havia feito, então começou a desaparecer, começou a sumir...
Eu gritei mas ela não ouvia... eu gritei mais alto mas ela não atendia... por que?
Acordei assustada John me segurava e Stacy estava na minha frente.
− Shhh− John disse.
− Meu deus ela está com 40º de febre− Stacy disse.
− Isso é ruim − Noah disse.
− O que esta havendo? − Perguntei confusa.
− Você tava delirando, ai quando a mamãe chegou eu chamei ela correndo. Sua febre tava em 42º. Ai mamãe deu um remédio, ai ela foi baixando, mas faz duas horas que você ta assim. − Disse John preocupado.
− E não gostei de saber que estavam dormindo juntos! − Noah disse rabugento.
− O que importa é que eu e o John não fizemos... Eu to cansada...
− Mas não vai dormir até essa febre baixar. Vem vou te colocar debaixo do chuveiro com água gelada, quero vem se não baixa. − Disse Stacy.
− Noah e John vamos levem ela até o banheiro.
Quando os dois me levantaram senti uma fraqueza tão forte que minhas pernas não me agüentaram. Quase caí no chão de tanta fraqueza. Os meninos tiveram um trabalhão pra me levar pro banheiro.
− Coloquem ela debaixo e segurem.
− Mas não vamos ter que tirar a roupa dela? − John perguntou.
− Não.
Então Stacy ligou o chuveiro.
Senti a água fria escorrer por meu corpo, tremi e quase congelei. Estava muito frio, eu tentei sair mas John não deixou. Estava encharcada quando eles desligaram o chuveiro; meus cabelos estavam completamente molhados, minha camisola estava encharcada.
− John você vai dormir com ela, qualquer alteração vai me chamar. − Stacy disse.
− Com toda honra.
Então Claire me deu uma roupa, eu a vesti e fui pra cama. John se deitou de frente pra mim e ficamos nos olhando.
− O sonho da minha vida era isso. − Ele disse.
Sorri e ele passou a mão em meu rosto.
− Te amo... − Ele sussurrou no meu ouvido.
Beijei ele.
− Meu bem eu to meio cansada, não sei to me sentindo estranha... estou com sono mas não quero dormir.
− Porque?
− E se aqueles pesadelos vierem de novo?
− Eles que se atrevam, vão ter que passar por mim primeiro. Comigo aqui você não vai ter sonhos ruins.
Então me aninhei nos braços dele e dormi.
Como ele disse os sonhos ruins não vieram... foi um sono tranqüilo e gostoso.
Na manhã seguinte acordei assustada; John não estava ao meu lado. Me levantei e corri para a cozinha da cozinha do apartamento e para minha tranqüilidade tava todo mundo lá.
− Conseguiu dormir noite passada? − Stacy perguntou.
− Oh, sim. Consegui.
− Nós vamos no hospital hoje.
− Não precisa não, isso sempre aconteceu com a Mel, as vezes ela ficava com febre e do nada desaparecia. Não se preocupe. Se algum outro sintoma aparecer a gente leva ela. − Noah disse.
− Então ta.
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