From The First Look - Skinny Love
2 Recomeço
Notas iniciais
* Vancouver, Canadá (Nos dias de hoje)
– Não entendo por que de repente os Cullen decidiram fazer essa viagem. – Austin murmurou, como se falasse consigo mesmo.
– Eu te expliquei, amor. – Suspirei – Alguns amigos da família estão nessa cidade. Amigos que não veem há muito tempo, além de que, é o casamento da Rose.
– Eu sei que sim, Claire. Mas é que temos tão pouco tempo juntos...
Parei de andar e olhei para o seu rosto.
– Sinto muito, Austin. Sei que tenho estado distante desde o acidente, mas...
Ele encostou os lábios nos meus, num beijo terno e delicado, silenciando o que eu estava dizendo.
– Ter você por perto é o suficiente. – Sussurrou Austin, afastando alguns fios de cabelo que caíam em meu rosto.
– Acho que sei por que me apaixonei por você. – Toquei nossas testas.
– Por quê?
– Porque você sempre sabe o que dizer e quando dizer.
– Só por isso? – Ele sorriu, zombeteiro.
– Não. – Sorri de volta – Porque você é a pessoa mais fofa desse mundo.
Austin afagou minha bochecha e fechou os olhos, suspirando. Segurei os passantes de cinto de seus jeans e o puxei para mais perto, estalando um beijinho em seu queixo. Ele se inclinou em minha direção e me beijou. Seus braços envolveram minha cintura e fiquei na ponta dos pés, respondendo à urgência de seus lábios.
Austin separou nosso abraço e entrelaçou os dedos nos meus. Voltamos a caminhar.
A noite estava fria e o céu estava fechado, dando a impressão de que logo começaria a chover. Estávamos no mês de dezembro e apesar de o frio estar congelante, a temperatura não nos impediu de sair naquela noite.
Austin viera passar o fim de semana em casa e aproveitamos cada segundo que tivemos juntos. No dia seguinte, ele voltaria para a faculdade e eu viajaria com minha família adotiva para os Estados Unidos.
Estávamos indo para o casamento de Rosalie e Emmett. Ambos eram filhos da família Cullen e, embora não houvesse regras contra o casamento entre irmãos adotivos, aquela situação continuava sendo um tanto quanto curiosa.
– À que horas é o seu voo? – Austin perguntou, tirando-me de meus pensamentos.
– Às nove da manhã. E o seu?
– Às duas da tarde.
– Tudo bem seu eu passar na sua casa antes de você ir?
Surpreendi-me com seu pedido.
– Austin, achei que não íamos nos despedir. – Respondi confusa.
– Eu sei que se despedir pode ser pior, mas acho que se eu não for te ver amanhã antes da viagem é mais um tempo ao seu lado que vou desperdiçar, entende? – Ele franziu a testa como se não houvesse entendido a própria pergunta.
– Acho que sim. – Assenti. – Tudo bem, passe lá em casa pela manhã, então.
Chegamos ao carro e de repente quis que ainda tivéssemos que andar quilômetros. Queria ficar ali na rua e adiar ao máximo a hora de ir para casa e deixar Austin.
Ele abriu a porta para mim e esperou que eu me acomodasse no banco do passageiro. Depois foi para o lado do motorista e assumiu a direção.
A viagem de volta para a casa dos Cullen foi extremamente silenciosa, apenas a música que tocava no rádio. Perguntei-me se aquilo incomodava Austin tanto quanto a mim. E de repente, isso me fez pensar em outra coisa. Depois que nos separássemos amanhã seria sempre assim? Ficaríamos nesse silêncio insuportável?
Fechei os olhos e encostei a cabeça no vidro, e comecei a cantar baixinho, acompanhando a música.
O carro sacolejou por um momento, fazendo uma curva. Abri os olhos. Havíamos chegado.
– Austin, está tudo bem? – Perguntei.
– Sim. É só que... – Ele mordeu o lábio inferior e eu sabia que estava ponderando se devia ou não me contar o que estava pensando. – É difícil saber que eu preciso ir embora outra vez.
– Eu sei. Isso está me matando.
Ele olhou para algo além do meu rosto e comentou:
– A casa está toda apagada.
Olhei para trás. Ele tinha razão. As luzes do andar de baixo estavam todas apagadas e no segundo andar apenas a lâmpada do quarto de Renesmee estava acesa.
– Será que o Sr. e a Sra. Cullen não chegaram ainda? – Murmurei comigo mesma.
– Estamos dentro do horário. – Austin comentou, abaixando os faróis, em seguida desligando o carro.
Olhei o relógio no painel. 23h15min.
– Ainda temos quinze minutos. – Sussurrou ele.
Soltei meu cinto de segurança e virei-me para o lado, inclinando-me em sua direção e encontrando seus lábios no escuro.
Austin segurou meu rosto nas mãos e aprofundou o beijo, amassando meus lábios nos seus. Uma de suas mãos escorregou até meu pescoço e afastou meu cabelo. O beijo avançou lentamente para meu ombro direito e vários arrepios dispararam por minha coluna. Seus dedos encontraram os botões do meu casaco e ele o desabotoou um a um, fazendo o tecido cair aos meus pés. Sua boca se dirigiu para meu pescoço e eu o trouxe para mais perto, desfrutando da proximidade de sua presença que logo acabaria. Puxei seu rosto de volta para o meu e o beijei de novo, dessa vez por tanto tempo que quando nos separamos, meus lábios estavam doloridos e minha respiração descompassada.
– É melhor eu entrar. – Arquejei.
– Tudo bem. – Ele me deu um selinho e voltou a me beijar.
Empurrei-o, rindo.
– Boa noite, Austin.
– Boa noite. – Ele sorriu e por fim, afastou-se.
Peguei meu casaco no chão do carro e minha bolsa e saí. Fui golpeada por uma corrente de ar frio e corri até a porta, procurando minhas chaves.
Austin buzinou e acenei, entrando em casa.
Acendi a luz da sala, mesmo que estivesse pretendendo ficar em meu quarto. Não gostava da ideia de ficar numa casa tão escura, principalmente quando eu estava praticamente sozinha.
Subi as escadas e pendurei meu casaco no cabide de agasalhos do corredor do segundo andar. Quando passei pelo quarto de Renesmee, ela já estava dormindo, então apaguei a luz e resolvi fazer o mesmo porque já estava tarde. Larguei a bolsa em cima da cama e dirigi-me para o banheiro. Tomei um banho quente e vesti um pijama grosso de moletom, calçando meias e prendendo o cabelo num rabo de cavalo frouxo, enquanto escovava os dentes.
Depois de ligar o aquecedor e apagar a luz, enfiei-me debaixo das cobertas e adormeci.
XXXX
A batida incessante na porta do meu quarto me tirou do sono. Eu não sabia que horas marcavam no relógio, mas meu subconsciente me dizia que ainda era cedo, muito cedo para alguém ser acordado.
– Entre. – Minha voz soou incrivelmente rouca.
Esme colocou a cabeça dentro do quarto, sorrindo sem graça.
– Bom dia, querida. – Disse ela.
– Bom dia, Sra. Cullen. – Sentei-me na cama.
– Sei que ainda é cedo, mas vamos partir daqui a pouco.
– Tudo bem, eu vou levantar.
– Nessie pediu para avisar que está te esperando para tomarem café juntas.
– Obrigada.
Ela sorriu, assentindo.
Quando fiquei sozinha novamente, levantei e fui tomar um banho.
A água quente deixava manchas vermelhas em minha pele clara, mas eu não me incomodava. Olhei os azulejos brancos da parede do box, pensando em como uma sensação de paz me atingiu assim que cheguei na casa dos Cullen. Os tons claros das paredes pareciam me acalmar e apesar de morar ali havia apenas um mês, eu gostava do ambiente.
Três meses haviam se passado desde o acidente em que tia Valerie morrera, mas a dor da perda e da separação ainda eram presentes. Durante dois meses passei pelo serviço social e no fim de toda aquela burocracia e transtorno, eu fui adotada. Os Cullen eram uma ótima família, cada um com um jeito diferente de me fazer sentir que eu era especial de algum modo para eles. Quer dizer, acho que ali todos entediam pelo o que eu estava passando. Os primeiros a serem adotados foram Renesmee e seus dois irmãos, Emmett e Edward. Depois chegaram os gêmeos, Rosalie e Jasper e por fim, Bella e sua prima, Alice. Estar ali e saber que minha realidade era a realidade de todos era meio que... reconfortante. Para falar a verdade, eu já os conhecia; eram a família da minha melhor amiga, Renesmee, e embora eu ainda quisesse estar com minha tia, ter caído numa casa como a deles era o melhor presente que eu podia receber. Além disso, eu tinha Austin Green ao meu lado, o melhor namorado que poderia ter pedido.
Desliguei a água e me enrolei em um roupão, voltando para o quarto.
No closet, escolhi uma calça jeans escura, uma blusa preta de mangas compridas, um sobretudo de cor carvão e botas até o joelho. Prendi o cabelo num rabo de cavalo alto e calcei luvas pretas. Peguei minha bolsa e meu celular e desci as escadas.
Nessie estava sentada no sofá, conversando com o Carlisle.
– Bom dia. – Cumprimentei.
– Bom dia. – Eles responderam.
Na cozinha, Esme fritava ovos e bacon, enquanto cantarolava baixinho. Terminando, ela distribuiu o conteúdo da frigideira em dois pratos e colocou um deles diante de mim, acompanhado de um grande copo de suco de laranja.
– Obrigada.
Renesmee entrou na cozinha, sorrindo para mim e se sentou ao meu lado.
– Meninas, onde vocês deixaram as malas? – Perguntou Esme.
– No corredor lá em cima. – Renesmee respondeu.
Esme assentiu, saindo da cozinha.
Na noite passada, eu e Renesmee havíamos feito as malas. Fui instruída a colocar apenas roupas pesadas para suportar o frio congelante de Forks no inverno e por um momento me perguntei por que Rose escolheria o mês de dezembro para se casar em uma das cidades mais chuvosas dos Estados Unidos.
– Animada com a viagem? – Nessie perguntou, ela própria ficando animada.
– Feliz por Rose e Emm. – Respondi, mordendo uma fatia de bacon e tomando um gole do meu suco. – E você?
Ela assentiu, sorrindo feito uma criança.
– Isso tem alguma ligação com o fato de que você reverá Jacob Black?
– Com o que mais eu estaria feliz?
– Com o casamento do seu irmão?
– Bom, isso também. – Ela riu.
Sorri comigo mesma.
Jacob era o melhor amigo de Nessie e a visitara várias vezes. Eu o vira em algumas das vezes em que ele viera a Vancouver, mas até onde eu sabia eles haviam se conhecido quando eram mais novos, no período em que os Cullen moraram nos Estados Unidos.
– Você ainda é apaixonada por ele, não é?
– Claire! – Ela enrubesceu.
– Por que você está corando, então?
– Não é nada disso, tudo bem? – Ela desviou o olhar para seu prato – Jacob é um grande amigo do qual sinto uma imensa falta e estou animada pelo fato de que teremos mais um tempo juntos. Nada de mais.
– Tudo bem. – Abafei uma risadinha, bebendo o restante do meu suco.
– Como foi o encontro com o Austin?
– Legal, mas a despedida vai ser difícil.
– Vai? – Ela arqueou a sobrancelha.
– É. Ele ficou de passar aqui hoje antes de irmos.
– Acho que ele acabou de chegar.
Olhei para ela e nesse minuto a campainha tocou.
– Você é boa nisso. – Sorri.
– Ouvi o barulho do carro. – Ela piscou.
Levantei-me do banco e lavei meu prato, seguindo para a sala. Austin cumprimentava Carlisle, enquanto falavam algo sobre a faculdade.
– Ei, bom dia. – Sorri, aproximando-me.
Ele retribuiu o sorriso e deu três passadas longas até mim, tirando-me do chão ao me abraçar.
– Vou deixar vocês sozinhos. – Carlisle disse, subindo as escadas.
– Como você está? – Austin perguntou, me dando um selinho.
– Acho que a fica caiu.
Ele assentiu.
– Não vamos pensar nisso, tá legal?
Assenti e uma lágrima rolou por minha bochecha.
Austin a secou com um beijo.
– Amor, vamos manter em mente que eu vou voltar para a faculdade. A gente ia se separar de qualquer maneira.
– Eu sei. – Choraminguei.
– Ainda vamos nos ver no natal.
Outra lágrima escapuliu, então várias outras a seguiram. De repente, me vi chorando descontroladamente.
– Shhh. – Austin me puxou para si e enterrei o rosto em seu peito, a fim de abafar meus soluços. – Calma, amor. Não estou terminando com você. Ainda vamos continuar juntos.
Agarrei sua camisa com força, torcendo o tecido entre os dedos.
– Shhh... Shhh. – Ele afagou meu cabelo. – Olhe para mim, Claire.
Levantei os olhos para os seus.
– Você não vai embora para sempre, está bem?
Assenti uma vez.
– Vamos nos falar todos os dias. – Ele beijou minha testa. – Eu prometo.
– Eu amo você, Austin. – Solucei.
– Eu também te amo, meu anjo. – Ele segurou meu rosto e secou minhas lágrimas com os polegares.
Fiquei na ponta dos pés e o beijei, puxando sua cintura e o trazendo para mais perto de mim. Sentia o gosto salgado das minhas lágrimas, mas não me importava. Continuei a beijá-lo. Beijá-lo como se aquela fosse a última vez.
– Quanto tempo ainda temos? – Ouvi Esme perguntar a Carlisle.
– Mais alguns minutos. O trânsito pode estar intenso hoje e não seria bom perdermos o voo.
Separei-me de Austin, mas ele manteve um braço sobre meus ombros.
– Querida, precisamos ir. – Esme disse, descendo as escadas junto com Carlisle.
– Tudo bem. – Sequei as lágrimas e forcei um sorriso.
Austin tinha razão. Não era definitivo.
– Nessie, você está pronta, meu bem? – Chamou Carlisle, um pouco mais alto.
– Já vou descer.
Depois de quase dois minutos, Renesmee desceu as escadas, pulando de dois em dois degraus.
– Podemos ir? – Esme perguntou.
– Sim, podemos. – Respondeu Nessie.
Olhei a casa por mais alguns segundos, me despedindo silenciosamente, mesmo sabendo que dentro de algumas semanas estaríamos de volta à rotina da família Cullen, que para mim ainda era de completa estranheza.
Austin me acompanhou até o carro de Carlisle, que estava parado em frente à casa, e abriu a porta para mim.
– Eu te amo. – Sussurrou ele, prendendo uma pulseira em meu pulso.
Olhei para o objeto e depois para ele.
– Eu te amo também. – Sussurrei de volta.
Austin me beijou uma última vez e fechou a porta quando entrei no carro, desejando boa viagem a todos nós.
Carlisle deu a partida e acenei para Austin, enquanto o carro ganhava velocidade.
Curiosa, analisei a pulseira que ele havia colocado em meu pulso. Uma corrente de ouro branco com um pingente de coração. Havia uma frase escrita dentro:‘Eu nasci para dizer que te amo’.
XXXX
A viagem para Forks foi tranquila e eu dormi quase o percurso todo, no confortável assento da primeira classe. Nos primeiros minutos, Nessie tagarelou sobre como a cidade era linda, embora estivesse chovendo na maior parte do tempo. Eu ainda me sentia incomodada com o fato de ter deixado Austin, mas acabei deixando Renesmee falar sobre tudo que ela adorava nos Estados Unidos. Depois de um tempo, acho que ela percebeu que o sono estava começando a me dominar, pois se calou. E então, quando acordei já estávamos no aeroporto, indo para o carro.
Eu já havia me recuperado o suficiente e decidi tentar aproveitar a viagem, principalmente em consideração aos Cullen.
– Tudo aqui é tão puro, natural… — Murmurei comigo mesma, enquanto olhava pela janela – É lindo.
– Eu disse que era lindo. – Nessie sorriu e começou a olhar por cima do meu ombro a paisagem lá fora.
O tempo estava fechado, com nuvens carregadas, enquanto floquinhos de neve caiam do céu. Mesmo com o carro fechado e o aquecedor ligado, os vidros começavam a embaçar. Recostei-me no banco e apoiei a cabeça contra a janela, deixando que o quase imperceptível barulho do motor me embalasse. Tia Valerie me prometera que um dia visitaríamos os Estados Unidos e embora eu tenha nascido naquele país, podia apostar que no fim ainda preferiria o Canadá.
O carro roncou mais alto quando entrou numa estrada de terra que estava meio lamacenta. Olhei novamente pela janela e a alguns metros, uma imensa casa se erguia por entre uma floresta verde com abetos gigantescos.
– Uau... – Sussurrei.
Carlisle freou, estacionando o veículo. Descemos e eu admirei boquiaberta a mansão diante de mim, mais linda do que a que eles tinham em Vancouver.
– Essa é a casa de vocês? – Perguntei.
– A nossa casa. – Corrigiu-me Esme.
– É linda...
Não era exagero. A mansão era realmente linda. Portas duplas, janelas imensas, pintura clara, com alguns adereços de madeira, tudo de vidro. A casa era rodeada por uma espaçosa varanda, decorada com plantas naturais e artificiais.
– Pagamos um senhor para limpá-la durante um período de tempo, mas não é a mesma coisa de quando morávamos aqui. – Carlisle explicou.
Olhei para cima. A casa parecia ter três andares, ou talvez eram dois andares e o sótão, não era possível dizer, mas sua extensão era gigantesca.
– Acho que entendo porque vocês falam tanto dessa casa. – Disse.
– Venha, vamos ver o interior. – Renesmee puxou minha mão, entrando na casa.
Na espaçosa sala, uma TV de plasma ocupava uma parede e sofás de couro branco estavam elegantemente dispostos em volta. No canto leste, um piano de calda preto, que imaginei ser de Edward. Um computador no canto oeste de frente para uma janela imensa que dava para a lateral da propriedade. Alguns vasos de plantas espalhados e uma linda escada de madeira.
– A cozinha fica ali. – Nessie explicou, apontando para uma porta branca perto da escada. – Há um banheiro no fim do corredor, uma sala de computadores e uma sala de jogos na porta ao lado. Os quartos ficam em cima.
Subimos as escadas e ela foi apontando os quartos de cada um. Havia uma biblioteca, uma saleta, o escritório de Carlisle e cinco quartos de hóspedes. Paramos diante de uma porta de madeira polida.
– Esse é o seu quarto.
– O que? Eu tenho um quarto? – Perguntei – Achei que só íamos ficar alguns dias. Eu poderia dormir em um colchonete.
– Eu sei que sim. – Ela riu – Mas você conhece a Esme. Ela adora um bom motivo para fazer uma reforma.
Ela abriu a porta, revelando um quarto perfeito. Suas paredes eram brancas, mas a que se encontrava a cama era vermelha, com milhares de adesivos de coração. Duas portas, as quais imaginei ser um banheiro e um closet. Um computador, uma TV e um sofá branco com dezenas de almofadas vermelhas de coração. Uma porta dupla de vidro que dava para uma sacada particular. Em uma das paredes brancas, um espelho que ia do teto ao chão, uma penteadeira e uma cama imensa com lençóis vermelhos e brancos.
– Esse é o meu quarto?
– Sim. – Esme respondeu, aparecendo atrás de nós. – Eu sei que vamos ficar por pouco tempo, mas quem sabe não voltaremos no futuro? Acho justo você ter um quarto nessa casa assim como todos os meus filhos.
Sorri para ela.
– Obrigado, Sra. Cullen. É simplesmente… Perfeito!
– De nada, meu anjo. – Ela pousou minha mala no chão. – Suas roupas estão aqui, mas acho que vai encontrar algumas no closet que Alice fez questão de mandar.
– Aposto que sim. – Ri comigo mesma.
– Nessie, vamos deixa-la um pouco sozinha. – Ela disse – Você pode me ajudar em uma coisinha lá em baixo?
– Claro.
As duas fecharam a porta e desceram. Ainda boquiaberta, andei cautelosamente pelo quarto, ainda não acreditando que ele era meu. Resolvi desfazer as malas, começando com os porta-retratos e objetos pessoais que eu havia trago. Depois de guardar as roupas da mala no closet, encontrando várias peças inéditas, como Esme havia me dito, resolvi ligar para Austin.
Ele não atendeu, embora eu tenha insistido muito, então resolvi deixar uma mensagem.
'Já cheguei e estamos bem. Te liguei, mas você não está atendendo, então assim que vir a mensagem me retorne. Já estou com saudades, meu amor.
Amo você’
Peguei meu exemplar de O morro dos ventos uivantes, que havia ganhado de tia Vall no meu aniversário passado e sentei-me no sofá, derrubando várias almofadas de coração no chão. Ri sozinha.
Naquela noite, pulei o jantar e fiquei até bem tarde na varandinha observando a neve cobrir o quintal, mas quando o frio tornou-se insuportável, resolvi entrar. Depois de tomar um banho e vestir um pijama, apaguei as luzes e me enfiei debaixo do edredom. Meu corpo levou alguns segundos para se aquecer, mas por fim eu estava confortável.
Na manhã seguinte meus novos irmãos chegariam e era a primeira vez que todos estariam em casa desde que eu fora adotada. Eu já conhecia todos, mas não podia deixar de ficar nervosa ao imaginar o dia de amanhã. Peguei-me pensando em minha própria família e desejei ter conhecido meus pais. Eu não tinha uma foto sequer, mas no fundo suspeitava que eles não tiveram a aparência que eu imaginava. Tudo o que eu sabia sobre o incêndio no qual eles morreram era muito vago e minha curiosidade me castigava. Perdida em pensamentos, caí na inconsciência.
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