From The Bottom Of My Heart
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Notas iniciais
Os dois primeiros meses de aula se passaram tão rápido quanto haviam começado. Mikasa, a única que havia caído em uma turma diferente, tinha ficado realmente furiosa depois de ouvir o motivo do atraso no primeiro dia de aula. Depois de muitas explicações, e de várias maneiras diferentes, finalmente havíamos aprendido o caminho, e íamos todos os dias por ele.
Naquele dia, assim como os demais, havíamos feito o caminho que passava em frente à casa da garota. Chegamos no colégio no horário em que o restante dos alunos chegavam. Nos separamos da garota asiática e fomos andando até o laboratório de ciências, onde fomos instruídos pela professora Hanji de que na primeira aula, todos os alunos de nossa turma teria uma atividade importante a ser feita no locar.
Adentramos o local tentando ser o máximo discretos possível, fazia um ano em que Hanji havia um enorme apego por Eren, todas as vezes que o via no corredor, o cumprimentava com vários abraços e sempre em suas aulas, toda a ajuda que precisava, pedia para o Eren ajuda-la.
Setamo-nos ao fundo da sala, ao lado de Connie e Sasha, que estavam travando uma guerra de lápis, era por esse comportamento que sempre levavam bronca dos professores.
– Eren e Armin, por favor, venham até aqui! — Era Hanji, acenando freneticamente de seu lugar na frente da sala.
Levantamos vagarosamente e nos dirigimos para a mesa da professora. Com o indicador cutuquei Eren no braço e falei o mais baixo possível.
– Por que nos chamar? Até entendo o motivo de querer a sua presença, mas não faz sentido comigo.
Eren apenas sacudiu os ombros em sinal de desdem e assim que chegamos até Hanji, ela começou a praticamente cuspir as palavras em cima de nós.
– O trabalho de hoje vai ser em duplas, vocês dois não estão autorizados a fazer juntos, afinal, o Eren só tem boas notas por sua causa Armin, em vez disso... — Hanji somente parou de falar para lançar um sorriso sinistro — Quero que você Armin, faça o trabalho com Annie, a garota tem ótimas notas, mas poderia ser melhores. Eren vai fazer sozinho e pelo fato de que nunca faz nada em aula, vai fazer o trabalho aqui na escola depois da aula. Podem se sentar, mas antes disso... Armin, vá falar com Annie sobre isso.
– O que? Por que a senhora não fala com ela? — A minha voz transbordava desespero. Depois do primeiro dia de aula, não havia conversado mais com ela, a verdade, é que a presença dela me deixa um pouco nervoso.
– Está com vergonha de falar com ela? Isso é... é... tão fofo! — A professora se inclinou em minha direção e imediatamente recuei alguns passos e acabei me chocando contra alguém atrás de mim. Quando viro-me para me desculpar com a pessoa, vejo Annie me olhando sem nenhuma expressão.
– Tão fofo! — Eren e Hanji praticamente gritaram, atraindo a atenção de todos os alunos presentes no momento.
– Me desculpe! — Nem mesmo noto que também estava gritando com a garota que havia acabado de entrar na sala. Notando isso, peço desculpas de novo, dessa vez, abaixo o meu rosto, fitando os meus pés.
– Não se preocupe com isso. — Annie coloca a mão sobre o meu ombro, sinto meu rosto queimar violentamente, levanto o rosto no exato momento em que Annie retira a mão de meu ombro e me dá as costas indo sentar-se com seus amigos.
Puxo Eren pelo braço enquanto ele ria freneticamente de mim. Será que fui tão idiota assim? Pelo olhar de todos na sala, fui muito pior que isso.
***
A aula do dia acabou bem rápido, depois daquela cena ridícula na frente dos meus amigos, Hanji resolvei ir conversar com a garota sobre o trabalho e ela aceitou tranquilamente fazer comigo. Durante o intervalo, ela veio conversar comigo. Para evitar qualquer tipo de constrangimento desnecessário, o tempo inteiro de nossa conversa, mantive uma distância aceitável entre nós. como o trabalho era um pouco complicado, tínhamos que fazer fora da escola, então à chamei para minha casa depois da aula, e sem esboçar nenhuma reação, ela aceitou.
– Estou indo Eren, boa sorte com a Hanji.
– Boa sorte com a Annie. — Após dizer isso, Eren apertou uma de minhas bochechas com a mão, e para faze-lo soltar, tive que lhe dar um tapa com força em sua mão. Fui correndo para a saída do colégio com uma de minhas mãos em meu rosto. Annie me esperava, parecia bastante entediada.
– Podemos ir?
– É claro.
Andamos em silêncio a maior parte do caminho até minha casa. Teria sido bem melhor se Mikasa tivesse vindo conosco, mas quando descobriu que Eren iria ficar na escola por mais tempo, não exitou em falar que iria esperar por ele.
Após alguns minutos de uma caminhada meio desconfortável, chegamos em minha casa. Adentramos o local, e fiquei realmente aliviado ao ver que tudo estava perfeitamente arrumado, como sempre deixava. A casa era bem simples, a cozinha e sala eram juntas, mas o espaço era bem amplo, havia um único corredor que levava até o banhei e aos quartos. Annie se sentou em silênico no sofá me observando atentamente.
– Está com fome? A essa hora costumo cozinhar algo para o meu avô e eu.
– Eu... — A garota parecia exitante em me responder. Ela é tão bonita, observando ela não pude deixar de sorrir igual a um idiota, mas antes de poder voltar a ficar sério, ela já me encarava — O que foi Armin? — O rosto dela ficou levemente corado, tão fofa!
– Nada.
–Certo, irei comer também, obrigada.
Consegui fazer com que ela aceitasse comer tão fácil, por um momento pensei que teria que obriga-la a fazer isso. Enquanto cozinha, a garota ficou sentada no sofá adiantando algumas coisas no trabalho, e ocasionalmente, perguntando algumas coisas para mim, pelas perguntas, notei que o trabalho era realmente complexo, não é atoa que vale metade da nota no semestre.
Depois de mais ou menos meia hora, quando a comida finalmente havia ficado pronta, meu avô abre a porta de casa e entra retirando seu chapéu e o colocando em uma mesa lateral à porta. Antes de falar qualquer coisa, seu olhar vasculhou o lugar e encontrou Annie sentada no sofá, o olhando com a sua habitual expressão, no caso, nenhuma.
–Olá, meu nome é Macao, eu sou o avô de Armin, a mocinha é?
– Annie Leonhardt.
–Então você é a...
– Olha só, a comida está pronta, por que vocês não vem comer rápido antes que ela esfrie? Seria péssimo se isso acontecesse, eu demorei tanto tempo para fazer.
Está certo que metade do que eu disse era desnecessário, mas para fazer com que meu avô não pronunciasse aquela palavra, eu poderia fazer de tudo, pelo menos dessa vez, tudo ocorreu como planejado e ele não havia me envergonhado, até agora.
Comemos o tempo inteiro em um silêncio total. Quando terminamos de almoçar, meu avô se levantou, fez o que deveria fazer em casa e foi embora depois de fazer algumas outras perguntas para Annie. Meu avô é uma pessoa muito carismática, todos os meus amigos que já apresentei para ele, não havia nenhum, que ele não havia gostado, mas com Annie era diferente, ele ficou encantado por ela.
– Vou deixar vocês dois terminarem o trabalho então. Tenho que resolver alguns assuntos fora daqui. Gostaria de te ver mais vezes, não se assuste com o meu neto idiota, volte quantas vezes desejar, será sempre bem vinda.
– Obrigada senhor, não sei se irei voltar aqui mais vezes, mas gostei de te conhecer.
Ele pareceu um pouco chateado com a franqueza que ela falou aquilo, então após se despedir dela, saiu mais uma vez de casa para suas caminhadas infinitas, em toda a minha vida, nunca havia conhecido alguém que gostasse mais de caminhar do que o meu avô.
– Continue fazer o trabalho enquanto eu irei lavar a louça e guarda-la.
– Armin, eu irei te ajudar.
– Por que?
– Pelo motivo de que estou em uma parte do trabalho que não conseguirei fazer sozinha, além disso, seria ingrata se não lhe ajudasse com isso, hoje você está fazendo tantas coisas por mim, muito obrigada.
Ela havia me agradecido de uma forma que me deixou sem palavras, então apenas acenei positivamente e ela veio ao meu lado. Enquanto eu lavava a louça, ela as guardava em seus respectivos lugares. O tempo assim se passou rápido, estava tão nervoso com a proximidade dela ao meu lado, que quase havia quebrado dois copos, mas graças ao susto de deixa-los cair, havia conseguido pega-los com a mesma rapidez que quase os quebrei.
Sentamo-nos no sofá e começamos a fazer a atividade como deveria ser feita, passamos horas assim, eu respondia enquanto Annie consultava livros e a internet, mesmo com essas ajudas, somente havíamos feito metade.
Olhei no relógio acima da geladeira, marcando que já era sete horas da noite, e alem do horário, mostrando que já estava na hora de Annie ir para sua casa. A acompanhei até a estação de trem e esperei junto a ela até seu trem chegar, antes que isso acontecesse ela se vira para mim e diz:
– Amanhã você pode ir na minha casa fazer o trabalho, não gastaria de abusar de sua boa vontade indo todos os dias por lá.
E como de costume, ela conseguiu me deixar sem respostas. O trem dela parou e as portas se abrem, a garota continua me encarando e só assim, percebo que ela está esperando por uma resposta minha.
–Claro, até amanhã.
Ela entra no trem, as portas se fecham e ele começa a se movimentar. Enquanto ele se afastava de minha visão, pude jurar que havia visto um pequeno sorriso em seus lábios. Em vez de voltar para casa, peguei um trem e fui de volta para o colégio.
Chegando lá, avistei Eren saindo da escola com Mikasa ao seu lado, enquanto a professora Hanji acenava freneticamente e sorria sinistramente. O garoto parecia totalmente abatido, seus cabelos estavam bagunçados, seu olhar totalmente sem brilho e andava como se estivesse carregando algumas pedras em suas costas. Fui correndo até eles, e assim que Mikasa me viu, ficou notavelmente confusa.
– Não me diga que também estava esperando o Eren?
– É claro que não, estava com Annie na estação e então resolvi vir até aqui sabe como as coisas estavam indo com a professora Hanji.
Quando Eren ouviu o nome dela, se encolhei e falou totalmente desanimado:
– Aquela professora é louca, me fez estudar tanto, fiquei o dia inteiro na biblioteca procurando em todos os livros possíveis respostas para aquelas perguntas, como pode ser tão difícil fazer as coisas sem você Armin?
Ao ouvir aquilo, não pude deixar de rir da cara do garoto. Todos já sabiam a resposta da pergunta, as coisas eram difíceis de serem feitas sem eu, por que ele nunca fazia nada, então começou a rir comigo, enquanto uma Mikasa totalmente sem sendo de humor nos observava. Despedimos-nos da asiática um pouco antes de nossas casas, e continuamos andando, permanecemos em silêncio durante o caminho.
Em vez de Eren entrar em sua casa, foi para a minha, então imediatamente entendi, aquela noite ele iria dormir em minha casa. Como eramos vizinhos há anos, já era comum dormimos um na casa do outro sem falar para o meu avô ou para os pais dele, ninguém parecia se importar com isso...
Entramos em minha casa, meu avô estava sentado no sofá assistindo televisão. Peguei algumas coisa para comermos e sentamos ao lado dele. Ficamos conversando e rindo a maior parte do tempo, assim acabamos não percebendo que finalmente deu o horário de irmos dormir. Arrumamo-nos para irmos dormir, coloquei um colchão no chão ao lado de minha cama para Eren e depois de estarmos totalmente acomodados e quase dormindo, quebrando o silêncio e me despertando. Eren me chama sussurrando, para ter certeza de que estou acordado, o respondo positivamente.
– O que tem acontecido com a Mikasa? Ela está meio diferente recentemente, não desgruda de mim, chega até a ser irritante, como por exemplo hoje, insisti tanto para que ela fosse embora, mas não resultou em nada.
–Não sei, talvez ela tinha alguma coisa para se fazer na escola, vai saber,
–Como foi você e a Annie aqui? Aposto que o seu avô gostou muito dela, ele gosta de todo mundo.
– Foi bom, estamos quase terminando o trabalho. Acredita que ele pensou que ela fosse... a... minha... você sabe.
– Sua namorada? Eu gostaria de ter visto isso, você deve ter ficado com a maior cara de idiota, não é mesmo? — Depois de falar isso, Eren deu uma risada nada silenciosa, me levando a manda-lo calar a boca.
– Ela me chamou para ir na casa dela amanhã.
– Você aceitou?
– Claro, temos que terminar o trabalho rápido.
Uma pequena parte de mim dizia que gostaria de ir na casa dela por outro motivo desconhecido, ainda bem, que a parte sensata ignorava por completo isso.
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