Frios
1 Capítulo único
Ele fitava os olhos escarlates, outrora tão belos. Lembrava-se daquela noite passada há tantos anos em que a cor dominara seu coração. Agora os papéis se invertiam. De algoz, transformara-se em presa. A aranha devorada pelo pássaro. Sorriu. A morte nunca fora sua inimiga. Ele não hesitaria em deixá-la adentrar sua casa.
— Acabou, Lucilfer. Você não tem para onde fugir.
Kuroro quase riu.
— E por que fugiria?
Ele sentiu as correntes apertarem seu corpo, e um filete de sangue escorreu pelos lábios feridos. Encarou os olhos escarlates. Mesmo naqueles minutos, o líder Ryodan era capaz de ler o Kuruta.
— O que pretendes fazer depois de me matar?
— Isso não é da sua conta.
Kuroro fechou os olhos. Apesar de tudo, estava calmo.
— Eu lhe darei uma ordem. Se você obedecer, viverá mais um pouco.
Kuroro abriu os olhos de leve.
— Implore por perdão.
Outro quase riso.
— Kurapika — disse e teve a satisfação de ver os orbes escarlates dardejarem —, não seja ingênuo.
A lança perfurou seu coração. Kuroro viu a cor mais uma vez, mas não sabia se era do Kuruta ou de seu sangue. Seus olhos permaneceram abertos. Frios e calmos. E frio também era o coração do Kuruta. Mas a calma não estava ali.
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