Frio jovem... O mundo em perigo!!!!
1 Capítulo 1 - Sozinha em Nunavut
Bóreas estava em um território não muito populado do Canadá. Nunavut. Esta área é praticamente gelo. Sua temperatura raramente ficava acima dos 0°. Mas, hoje estava. Mesmo no meio do inverno Nunavut estava quente.
Bóreas sabia como explicar. Na verdade, tinha apenas um esboço do que poderia estar acontecendo. Hebe, deusa da juventude; estava por ali.
Hebe leva a juventude, juventude leva a adolescência, adolescência leva a rebeldia. E era o que o clima de Nunavut estava. Rebelde!
O traje de Bóreas não era muito diferente do de sempre. Bóreas estava com a aparência de um homem forte, vestia um elegante terno branco que parecia coberto de neve. E suas asas... bem, suas asas estavam em um tom branco bem claro. Porém, um brilho vinha delas, como se quisessem ação. Os cabelos não muito longos e a barba espessa e bagunçada de Bóreas eram permeados de cristais de gelo de modo que ninguém poderia afirmar se eram grisalhos ou pretos. As sobrancelhas arqueadas de Bóreas o deixavam parecer bem mal-humorado. Estava com uma armadura como se estivesse calor. Não tinha mangas e era até o joelho
O local onde ele se encontrava já fora alguma coisa no passado. Era uma arena onde Bóreas e Noto lutaram uma vez. Foi um empate, porém, foi glorioso.
Antes era uma arena escavada no gelo e coberta de pedra. Para que as pessoas não sentissem muito frio. Mesmo em Nunavut Bóreas controlava os ventos. Era uma arena coberta de pedras no meio do gelo. Tinham tochas e o fogo delas era aconchegante. Porém, apenas eram!
A Arena fora coberta pelo gelo novamente, o gelo cobriu-a. Até as tochas que agora estavam "desligadas". Ao por os pés ali o local foi ganhando a forma de arena novamente. Os servos de Bóreas "ligaram" as tochas com um fogo azul. Nada aconchegante. O fogo era frio.
Bóreas olhou para o chão, enquanto esperava Hebe; e fixou os olhos em dois cubos de gelo que deslizavam pelo chão da arena.
Uma pequena chuva de neve começou a cair lentamente do céu. Os flocos que desciam da atmosfera eram perfeitamente bem-feitos. E Bóreas apreciou isso.
Hebe está em uma fase difícil, onde nem ela entende onde sua eterna doçura foi escondida, ou quem possa de alguma forma ter arrancado tal coisa da deusa, assim não é um susto para ela, quando sai do Olimpo, após mais uma discussão com Zeus, que acabe se teletransportando não apenas para um local muito frio, mas com um histórico de batalha, coisa que ela sempre mantem-se distante. No momento em que os pequenos flocos de neve, começam a cair do céu, grudando-se em seus cabelos dourados ela sabe bem quem está por perto. A deusa então adentra na antiga arena, agora refeita pela presença congelante de um velho conhecido, a cauda de seu vestido deslizando sobre o fino gelo que recobre o chão do local, indo até a frente dele, com um sorriso irônico no rosto, o olhar lembrando uma adolescente rebelde sem causa, algo que a muitas centenas de anos, ninguém presenciava nela.
- Bóreas... Bóreas... anda tão entediado que precisa reerger antigas ruínas?
Bóreas observa Hebe. Ela estava vestida com um vestido um tanto brilhante. O sorriso irônico dela quase fez Bóreas explodir de raiva. Na verdade, tudo quase o faz explodir de raiva e claro o deixava com vontade de puxar uma espada e arrancar-lhes a cabeça. na verdade, não necessariamente uma espada. Uma pedra, uma agulha, um vento... qualquer coisa que possa atingir.
Ele resume-se a cerrar os olhos e fingir que a pergunta não foi para ele.
-- Bem Hebe. Tu sabes que não estou tão entediado. Estamos no inverno, sempre tenho cosias a fazer. Porém, percebi sua presença rondando "meu" -- Bóreas faz questão de sinalizar as aspas -- ... território. E claro, vim lhe dar as boas vindas! -- Exclama ele ironicamente
A deusa aproxima-se mais dele, ainda mantendo o sorriso irônico em seu rosto, o "gelo" que ele tenta dar nela, apenas alterando ainda mais o humor tão inconstante da deusa nesse período estranho pelo qual ela está passando. Com uma voz melodiosa, ela sussurra para Bóreas, até mesmo em desafio, para testar, ou melhor, brincar com a paciência tão volátil dele.
- Teu território? Ah sim.... o inverno, seu tão querido inverno... destruido pela primavera... sabe o que dizem da juventude? Que é a primavera da vida.... — ela passa então ao lado dele, como que deslizando parando próxima ao seu ouvido, onde fala de uma maneira que apenas ele possa lhe ouvir. — Parece perturbado com minha pequena... digamos... invasão.
Bóreas ouve tais palavras de Hebe e sente um pouco de escárnio. Ele vira a cabeça para olhar para Hebe e cerra os olhos.
-- Primeiramente! -- Sussurra ele com um tom áspero -- A primavera não destrói o inverno... o inverno se retira para que a primavera seja instaurada. Por eu apenas saber que tem de ser feito. E se você é a primavera da vida digamos que agora está um pouco coberta de neve! -- Zomba Bóreas.
Ao vê-la andando ao seu lado ele mantem a cabeça na mesma direção e nem a acompanha com os olhos. Ao senti-la se aproximando Bóreas mentem a posição, porém, com a mandíbula tensionada.
Ao final das palavras de Hebe ele move a cabeça para a direção dela bruscamente novamente e a afasta com o braço sem machucá-la ainda.
-- Ah não... Eu não estou nem um pouco frustrado com a sua invasão! Se eu tivesse você já não estaria mais aqui! -- Exclama Bóreas com um tom calmo.
A deusa após ser afastada por ele, com uma nem tão fingida ira já brotante nele, apenas faz ela lançar-lhe uma gargalhada. Ela afasta com a mão alguns flocos de neve que estão na manga de seu vestido, como se fossem moscas inoportunas, numa mostra real de que pouco importasse com o frio provocado por Bóreas.
_ Ah sim... "Lorde Bóreas" — diz debochadamente — porque eu seria facilmente retirada de onde queira estar por ti, sem lutar contra tal.... hmm... grosseria sua.
Hebe vira-se para o deus, sem aproximar-se, mas já com os olhos demonstrando um estresse anormal nela, poucas vezes um ser, seja de que hierarquia presenciou ela agindo assim.
_ O que eu deveria fazer, caro Bóreas, ajoelhar-me como uma mortal ante teus pés, agradecendo o frio do inverno, para que possa andar... onde bem entender?
- Não deboche de mim! Posso muito bem dizer verdades que você não irá gostar. E só faça o que queres. Dentro dos limites. Lembre-se, é como os mortais dizem, os seus direitos acabam quando as minhas ordens começam! Ah, digamos que não é assim. Porém, eu adaptei! — Bóreas muda o peso de um pé para o outro.
_ Se não o conhecesse a tantos... invernos... diria que alguém está um tanto quanto, esquentado hoje! — ela sustenta o olhar direto nele, não demonstrando medo algum do deus, mesmo estando nos domínios do mesmo — E suas ordens? Não sou uma de suas servas Bóreas, não vejo porque deva obedecê-las...
Bóreas gargalha interrompendo Hebe no final:
-- Mesmo que não fosse uma de minhas servas... ordens devem ser obedecidas! Sem exceções! -- Exclama Bóreas -- E se achas que estou esquentado é um pouco quanto estranho não? A deusa da juventude sempre anda bem esquentada!
- Iria me obrigar Bóreas? Seria divertido vê-lo tentar... ainda mais se sou tão esquentada como falas.
Um sorriso torto pode ser notado nos lábios de Hebe ao terminar a frase, o propósito de instigar o deus a irar-se, desconhecido até mesmo para ela, mas como há tempos não tem uma troca de "gentilezas" como aquela com ninguém, ela resolve, cada vez mais provocar o vento.
Um vento bate levemente balançando as asas de Bóreas, antes que o deus dirija-se a Hebe.
-- Ah Hebe, vamos lá. Sem joguinhos. Seja sincera. Qual o seu propósito aqui? Não tenho muito tempo para brincar!
A rajada leve de vento, é suficiente para balançar os cabelos dela, que fica olhando firme para ele, agora séria, mas sem disposição para dar maiores explicações a ele.
_ Não sou eu quem faz joguinhos Bóreas, ou sou?
-- Bem, digamos que aparecer aqui não é um jogo... é uma visita. Qual seu propósito? -- Instiga Bóreas -- Por ocultá-lo já faz disso um joguinho.
_Sabes bem o que me trouxe aqui Bóreas, tem algo que me pertence, foi a presença do que me foi tirado que me lançou nesse fim de mundo gelado, que tens por domínio.... e eu, quero de volta o que é meu! *A deusa sabe que ele tentará enganá-la, se não for direta, assim seus olhos demonstram toda a ira sentida pelo que considera ser uma traição dele.*
-- Primeiramente... não é um fim de mundo. Mas, creio que se não encontrar o que lhe pertence todo o mundo acabará assim! -- Provoca Bóreas -- Mas, não. Eu não roubei. Você que anda perdendo suas coisas! E bem, digamos que se lhe trouxe aqui você deva procurar... mas, estão em meus domínios. O que é lançado no gelo fica no gelo! -- Exclama Bóreas elevando uma mão e um pequeno funil vai até ela formando uma espada azulada. -- E ninguém tira!
_ Ousas dizer que colocará todos em risco, porque algo está no gelo?
Ela fala em fúria, uma névoa verde, da cor de uma maçã, desce dos céus, revelando assim que some, na mão da deusa a Espada da Juventude, uma arma que até hoje ninguém havia visto a deusa empunhar, já que sempre é tão pacífica. Mas anos servindo Ares e Atena, foram suficientes para que a deusa soubesse manejar tal arma, sempre escondida em seus domínios, longe de suas mãos.
_ Se é meu Bóreas, pode ter certeza que não pertence ao seu reino.
- Bom, se é seu porque deixaste cair? -- pergunta Bóreas -- Porque fora tão desleixada? Se não houvesse caído estaria em seus domínios. E não. Não tenho certeza! — o deus fala sorrindo, um tanto debochado em direção a ela.
_ Deixei cair? Não.... não mesmo.... alguém invadiu meus domínios e pegou algo que não devia. Mas tu bem sabes disso não é?
Hebe sabe que ele tentará usar de seu humor atual para que ela perca o controle, assim, a deusa prolonga o debate o máximo possível, precisa colher informações.
-- Bom. Pode estressar-se mais. Não fui eu! Mas, deveria procurar mais antes de dizer!
- CHEGA DE MENTIRAS BÓREAS! — a deusa grita em meio o ar gelado entre os dois, já cansada daquele jogo de palavras entre eles — Eu pude sentir em meus aposentos o cheiro dele, do seu Guardião, aquele que vive nas terras mais geladas sobre seus domínios. Não ouse dizer-me que ele foi até lá sem sua ordem.
Bóreas ri. Uma nevasca caia agora sobre eles e uma tempestade girava
-- Bom. Você não está em condições de me dar ordens. Ouso dizer sim! Ele não teve minha ordem. Mas, sabe... isso já não importa mais.
Bóreas eleva a espada e gira com ela fazendo a tempestade mexer-se junto. Hebe posiciona sua espada para receber o impacto. Mas, já era tarde.
Bóreas de longe mesmo convoca uma lufada de ventos do norte. Preparados para congelar. E lá estava Hebe. De olhos e boca abertos. Congelada. Apenas gelo. Podia ser quebrada facilmente.
Bóreas anda até o centro da arena e agacha pondo a mão no centro das marcas. O chão treme e racha de lá sai algo que Bóreas pega sorrindo e guarda.
-- Eles que venham pegar! -- devaneia o deus.
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