Notas iniciais
Olá pessoas! Quanto tempo!! O.O Decidi trazer um conto curtinho... Para nos fazer pensar um pouco... :3 Espero que gostem. Estava com saudade de escrever.

O que você pretende fazer com tudo isso? Pensava a jovem, observando as bilhões de fotos que tinha na mesa. Nada disso vale. Nem um pouco. A menina riu, espalhando um pouco mais as fotos. Agora, algumas, caiam no chão.

— Elas me amaram? — Perguntou-se. Olhando cada uma das pessoas nas fotos de sua mesa. — Por que se enganar? — Agora suspirou, saindo da cadeira em que estava e juntando as fotos do chão, em seguida, juntando as fotos da mesa e por último, colocando todas em uma caixa.

A vida é feita em flashes. A vida dela era feita de flashes. Não importava onde estivesse, ou com quem. Todas as suas memórias eram assim, pequenos pixels de luz que formavam uma imagem, às vezes triste, às vezes feliz, mas sempre, memórias.

Uma vez, conheceu um jovem de cabelos castanhos, era narigudo, mas alto, gentil e sorridente, animava seus dias, a fazia sonhar. Primeiro flash.

Conheceu, ainda, um jovem baixo, cabelos castanhos, tinha alargador nas duas orelhas, andava de skate, safado, sempre se dava bem, era glutão, gritava, mal-educado, mas quando a viu chorar, tentou acalmá-la, se importava, era no fundo, um dos mais gentis. Segundo flash.

Outra vez, conheceu uma menina, cabelos castanhos, alta, forte, gostava de jogar handball, mas teve que parar por romper o ligamento do joelho, a achava fofa, sempre a cumprimentava, era viciada por um moletom marrom. Terceiro flash.

Conheceu um asiático, tímido, quieto, o conheceu no metrô, ele tinha um alargador na orelha direita, era meigo, bonito, e sorriu para ela no dia em que percebeu que ela o encarava a viagem inteira. Quarto flash.

Conheceu um cara alto, mais velho, falante de alemão, amigo, complicado, deprimido, inteligente, príncipe para todas as suas amigas, para ela, um estorvo, mas que a fazia rir todos os dias. Quinto flash.

Conheceu outra menina, morena, gorda, risonha, professora, gentil, boa com programação, não se falavam muito, mas ainda assim... Sexto flash.

Mais uma vez, conheceu outro asiático, baixinho, rosto redondo, ele era japonês, mas gostava da Coréia, atirado, muito mais atirado que qualquer outro, no dia que se conheceram ela o chamou de gatinho e ele a ela, de linda. Sétimo flash.

Uma outra vez, conheceu um rapaz, loiro, olhos pretos, comilão, magro, alto, divertido, a fazia rir, estudante de alemão, e apesar de tantas risadas, não sabia o dignificado da palavra lachen, tinha namorada. Oitavo flash.

Conheceu mais uma pessoa, alta, tinha uma pinta na perna esquerda, falava alto, mesquinho e pouco ouvinte, a chamava de nanica, mesmo assim, era uma das melhores pessoas com as quais já conviveu, o adorava, porque, quando o assunto era sério, ele estava lá. Nono flash.

Apresentou-se para mais um jovem, forte, gostava de hóquei, era um ótimo palestrante, tornou-se amigo, gostava de lhe dar viagens de cavalinho, divertido, usava barba, ela não gostava, ele se mudou. Décimo flash.

Conheceu outro rapaz, nunca haviam se falado, mas ela já o adorava, bom cozinheiro, alto, cabelo longo, olhos puxados, mãos grandes, mas os dedos finos, tinha uma voz linda, mas nunca tinham se falado, apesar disso, ele também, mudou sua vida. Décimo primeiro flash.

Houveram outras, muitos outras, baixas, gordas, fortes, altas, loiras, ruivas, morenas, falantes, quietas, românticas, grosseiras, gentis, amigos, amigas, houveram tantas outras pessoas.

Mas, para ela, pareciam apenas flashes.

Ela não conseguia se apegar. Ao mesmo tempo em que também, não conseguia desapegar. Percebeu que havia feito a pergunta errada.

— Eu já as amei? — A resposta foi um silêncio descomunal. A menina não sabia dizer.

Porque, afinal, tudo que ela fazia, era vê-las queimar. Uma por uma... os flashes, junto das fotos, queimavam, mas a lembrança... simplesmente, não ia junto.

Ficava. E isso, era o que mais magoava.

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