Notas iniciais
Envolvidos: Sasuke, Sakura e um dia frio.
Boa leitura.

Para Sasuke Uchiha, Sakura Haruno era quente. Num sentido bem literal da palavra.

Havia ardor em suas palavras quando ela falava cheia de determinação.

Havia quentura em suas bochechas quando ganhava um elogio dele.

A Haruno também soltava fogo pelas ventas quando Naruto a aborrecia!

E tinha então aquele outro tipo de calor, aquela que se fazia presente em determinadas partes do corpo em certas ocasiões particulares. Para Sasuke, esse calor era o mais intenso de todos, pois começava discreto e de repente mostrava-se avassalador.

O toque da pele dela na dele deixava um rastro ardente maravilhoso.

E os lábios. Ah, os beijos eram capazes de elevar a temperatura de qualquer ambiente.

Sasuke poderia ter dito tudo isso para Sakura quando, em um dia particularmente frio, ele planejara manter seus braços em volta dela a todo momento.

Começou logo pela manhã, o Uchiha despertou e sentiu o vento frio em suas costas antes mesmo de abrir os olhos, tateou o cobertor que estava enrolado em suas pernas e o puxou até que estivesse coberto por completo, dos pés à cabeça.

Depois de totalmente envolvido, Sasuke constatou que estava confortável, mas não quente, pois o ser que deveria estar ocupando o outro lado da cama ausentava-se no momento. O moreno se dispôs a colocar apenas a cabeça para fora de seu abrigo, a fim de verificar se sua namorada estava no quarto, se já havia saído, ou se simplesmente caíra da cama

Outro sopro do vento frio veio da janela aberta e quando olhou para a dita cuja, o Uchiha finalmente avistou a silhueta de Sakura através do vidro da janela, dando-se por satisfeito, Sasuke voltou ao seu casulo de tecido fofo.

Sakura sabia que iria nevar àquele dia, pois vira a previsão do tempo no noticiário da noite anterior. Ela adorava essa época do ano em que o dia estava sempre com aquele ventinho frio e, o melhor de tudo, nada de suor!

Por isso, logo que acordara, ela foi rapidamente ao banheiro, escovou os dentes e depois correu até a janela. Seu objetivo era contemplar a beleza dos flocos de neve caindo, em uma chuva que começava ralinha e depois ia se intensificando até a brancura tomar toda a sacada e a rua lá embaixo.

Essa cena que acontecia todos os anos já estava gravada em sua mente.

Mas infelizmente ainda não havia neve, apenas uma brisa fria que antecipava o gelo que estaria dali algumas horas.

Satisfeita, Sakura voltou para o quarto e fechou a janela, achando um milagre que o namorado ainda não tivesse acordado e reclamado. Sorriu divertida quando voltou para o quarto e o viu todo enrolado deixando apenas um pouco de seu cabelo de fora.

A Haruno se aproximou para verificar se ele estava acordado e soltou um gritinho quando o braço esquerdo de Sasuke surgiu da coberta e agarrou-lhe uma perna, a puxando para a cama. Ela conseguiu se soltar, mas mesmo assim se aproximou da cama e subiu na mesma, ficando sentada sobre o namorado ainda todo embrulhado.

Ao passar uma perna de cada lado dele, percebeu que o mesmo estava deitado de bruços. A Haruno comemorou o fato internamente, ela era simplesmente apaixonada pelas costas de Sasuke. Já o Uchiha dizia que ela tinha uma tara pelas costas dele.

Ansiosa, ela procurou a barra do tecido no lugar onde estaria a cabeça dele e ao encontrar começou a puxá-lo para baixo, a fim de expor o namorado.

— Vem aqui para fora se for homem! — Sakura brincou quando ele puxou o cobertor de volta.

Sasuke se remexeu quase a fazendo cair, mas parou e depois falou em tom abafado:

— Vem você aqui dentro se for mulher.

— Estou tentando, mas você não deixa.

Então ele soltou o tecido e até o abaixou um pouquinho, deixando aparecer toda sua cabeça e um pouco do pescoço.

Sakura rapidamente se enfiou debaixo do cobertor, ela se ajeitou para que pudesse ficar sobre as costas dele e os cobriu novamente.

Lá embaixo estava quente, e o calor parecia emanar da pele de Sasuke.

Bastou ela encostar nas costas nuas dele, para o Uchiha tremer de leve e resmungar.

— Meu Deus, você está gelada, é quase um Jack Frost de cabelo rosa.

— E você está tão quente que poderia fazer cosplay do Motoqueiro Fantasma.

— Você está tão gelada que daria um Fatality no Sub-Zero logo no primeiro round.

— Você está tão quente que acho que vou ganhar um bronze apenas por encostar em você.

— Você está tão gelada que poderia ser considerada um pedaço de geleira solta do polo norte.

A Haruno não tinha mais comparações, e gargalhou diante desta última do namorado. Pedaço de geleira? De onde diabos ele tirou isso?

Vendo-se sem resposta, ela ajustou o rosto para que pudesse falar no ouvido dele.

— Você não é homem, rá!

— Não foi isso que você disse ontem — ele retrucou, ainda com a voz abafada, pois continuava com a cara enterrada no travesseiro. — Você disse "Sasuke, mesmo sendo o homem da casa, você também tem que fazer faxina" e então saiu.

— Você nem fez nada!

Era verdade, Sasuke havia pagado uma das vizinhas do prédio que era diarista. Quando ela chegou à noite, a casa estava brilhando, o que evidenciava que aquele trabalho de limpeza, obviamente, não fora obra do Uchiha.

O Uchiha não rebateu, o apartamento estava limpo, era isso que importava. Sakura também não disse mais nada, o calor já estava transpassando também para seu corpo, diminuindo a frieza de antes.

Ficaram naquele silêncio confortável, quase voltando a dormir. A Haruno vez ou outra dava um beijinho na nuca de Sasuke, e ele estava passando os dedos de leve na perna esquerda dela que estava grudada na lateral de sua costela.

Eles não tinham aula àquele dia, e o Uchiha estava gostando de poder ficar deitado até mais tarde, poderia ficar o dia todo ali, só curtindo.

Entretanto, Sakura tinha outros planos.

— Vou fazer o café, e você trate de levantar também, vamos sair. — Ela anunciou já se levantando. Acabando por despertar Sasuke, que realmente já estava quase voltando a dormir.

...

Sakura estava colocando o pó na cafeteira, quando o namorado entrou na cozinha. Ele se aproximou pelas suas costas e espiou sobre seu ombro.

— Coloca mais uma colherada de café — ele disse, e ela pôde sentir seu hálito com aquele cheirinho gostoso de menta do creme dental.

— Não, você tem que beber café normal, como pessoas normais.

Sasuke Uchiha era um consumidor compulsivo de café. E não era qualquer café, não. Tinha que ser o preto, puro, meio amargo e muito forte.

Sakura tinha convicção de que se ele já fosse gente na década de vinte, todo aquele café não teria sido desperdiçado em 1929. E também que talvez a Revolução de 30 nem mesmo acontecesse e até hoje viveríamos da política cafeeira.

Obviamente esse pensamento era exagerado.

Quando ainda estavam se conhecendo e a Haruno expos o pensamento para Sasuke, ele a olhou como se a mesma tivesse enlouquecido.

O Uchiha retrucara que não teria tanto dinheiro para comprar tantas plantações, além do mais, a bolsa de Nova York estava quebrada, então, no fim das contas, a culpa era toda dos EUA. Dessa vez, foi Sakura quem o olhara como se ele tivesse ficado louco.

Um mês depois começaram a namorar.

— Qual a graça de tomar um café que só tem gosto de água e açúcar?

— Vai acabar virando um zumbi. Não vou dividir um apartamento com um zumbi, vai que você queira comer o meu cérebro?

Sakura ligou a cafeteira, sem adicionar a colherada extra de café, e se virou para ele. Percebeu que Sasuke havia tomado banho.

— Por que eu iria quere o cérebro, se tem tantas outras partes para, hun, comer?

Sem lhe dar a chance de indagar ou bater nele, Sasuke segurou a cintura da namorada e a puxou para um beijo.

— Bom dia — ele disse, depois de separar seus lábios dos dela. — Vamos sair? — Perguntou como se nada tivesse acontecido.

A Haruno fora pega desprevenida, afinal seu namorado não era do tipo agarrador. Hoje ele estava um chiclete, tanto que, apesar de terminado o beijo, ele ainda não a havia soltado.

Ela não estava achando isso nada ruim, obviamente.

— Nossa, bom dia, né. Ui. Então, quero ir àquela livraria hoje, decidi finalmente comprar aquele livro do qual falei, lembra? Só faltam dois para completar minha coleção.

Sasuke não lembrava, mas anuiu assim mesmo. Ela continuou:

— E você vai comprar o outro, que é a continuação dele. Considere como meu presente de aniversário antecipado.

— Seu aniversário é só mês que vem, Sakura.

— E você acha que vou conseguir ficar um mês esperando?

— Não posso só te dar o dinheiro?

— Não, não se dá presente assim.

Ele não queria ir, estava com preguiça e com frio. Agarrou-se ainda mais nela, enterrando o rosto em seu pescoço.

— Ok. — Respondeu, abafado.

— Quem é a pessoa hot da relação agora, hein? — Ela alfinetou ao sentir a pele fria e úmida das costas dele.

— Você, Katniss Everdeen. — E a apertou mais.

Sasuke só a soltou minutos depois, quando a cafeteira apitou anunciando que o café estava pronto.

[...]

Sakura dirigia e Sasuke cochilava no banco do passageiro. A Haruno estava há pelo menos cinco minutos procurando uma vaga no shopping em que a livraria ficava.

Quando um carro enfim começou a dar a ré e seguir em direção ao portão de saída, Sakura praticamente atropelara um homem que passava e quase batera na traseira de uns cinco veículos para poder pegar a vaga recém-adquirida.

Sasuke saiu do carro de olhos arregalados e mãos trêmulas, refletindo que talvez ele devesse dirigir na volta para casa.

Atrás deles, a mais ou menos quinze metros o quase-atropelado dirigia impropérios para o casal e o Uchiha agarrou a mão da namorada e a puxou em direção à entrada do shopping antes que a mesma começasse uma briga de estacionamento.

Já dentro do estabelecimento, seguiram para o elevador, a livraria ficava no terceiro andar. Havia mais duas pessoas no elevador e mais uma garota entrou junto com eles. Sasuke se encostou em uma das paredes e puxou Sakura para seu peito, passando os braços pela cintura dela, ele estava com um pouco de frio agora e já se arrependia de ter decidido usa uma camisa tão fina.

Quando o elevador parou no andar deles, a Haruno seguiu quase saltitando para a livraria, rezando para ainda ter os seus livros no estoque.

Os tão desejados objetos de leitura faziam parte de uma saga de Andrew Lane, intitulado "O Jovem Sherlock Holmes" e conta as desventuras do eterno personagem de Sir Arthur Conan Doyle.

Nesta saga inovadora, Holmes ainda é jovem e já mostra seu talento para investigação que o levara ao futuro sublime de detetive.

Sasuke topou com ela já enfiada em um dos vários corredores do lugar, ele sabia que a namorada gostava dali, pois os clientes poderiam dar uma lida no livro antes de comprar havia pufes e mesas com cadeiras espalhados por toda a livraria.

Sakura pegou primeiro o livro que ela iria comprar "Tempestade de Fogo" de capa amarela bem chamativa com uma caveira cromada em dourado no centro. Ela começou a folheá-lo e com certeza ficaria ali até ler pelo menos o prólogo. Sabendo disso, o Uchiha sentou em dos pufes e ficou à espera.

Depois de alguns minutos, quando ela já havia mudado de livros e agora olhava um de capa verde, Sasuke percebeu que estava com mais frio ainda devido o ar da loja.

Ele levantou de seu lugar e se aproximou da namorada, já sabendo como acabar com aquele frio.

— Já achou os livros?

— Aham, e pelo começo parecem superar minhas expectativas. Estou louca para chegar em casa e começar a leitura! — Ela disse toda empolgada.

Sasuke sorriu.

— Vem aqui, vem. — Ele disse enquanto a observava devolver o livro ao seu lugar na prateleira.

— Que foi que deu em você, hein? — Ela perguntara quando ele a puxara gentilmente para um abraço aconchegante.

— Frio. — Foi o que ele respondeu.

A Haruno franziu o cenho, mas havia um sorriso em seus lábios. Não é como se a atitude do namorado não fosse totalmente aprovada por ela.

— Pois deveria usar roupas mais grossas. — Comentou, enquanto passava a mão no tecido fino da camisa que ele usava, era quase como se ela estivesse tocando sua pele.

— Aa.

Ele pegou a mão dela que estava em seu peito e a levou até a bochecha esquerda. A palma macia dela estava quente, é claro.

Sakura começou a acariciar o rosto dele e desceu para o pescoço, apreciando os pelinhos negros na nuca. Sasuke fechou os olhos amando o toque, estreitou mais os braços na cintura dela e se inclinou para tocar seus lábios.

Quente. Muito. Quente.

As sensações que Sasuke estava tendo com apenas aquele beijo reafirmava tudo que pensara anteriormente. Ela era quente. Ponto.

Sakura enterrou mais os dedos em seu cabelo e puxou os fios levemente. Ela adorava o cabelo dele. E as costas. E o resto do corpo.

Depois disso a temperatura estava tão alta que seria capaz de causar um incêndio na livraria.

Livraria.

Eles estavam no shopping, um lugar público.

Pareceu que o pensamento havia passado pelos dois, pois logo ambos foram diminuindo a intensidade do beijo até se tornarem apenas selinhos inocentes.

O Uchiha afrouxou o abraço enquanto Sakura falava com os lábios ainda nos dele:

— Você está muito carente hoje.

Sasuke sorriu levemente e levantou o rosto para beijar o cabelo dela.

— Só estou com frio — ele disse e depois enterrou o rosto no pescoço dela, para que pudesse falar em seu ouvido: — Você me esquenta?

Sakura então saiu de seu abraço e o encarou.

— Pois eu acho que deveria deixá-lo com frio mais vezes...

O Uchiha comprimiu os lábios ante o comentário e pendeu a cabeça para o lado, uma expressão tão fofa que Sakura não conseguiu se conter. Ela se aproximou dele e colocou seus braços ao redor de sua cintura novamente. Levantou o rosto e deu um beijinho em seu pescoço.

— .... Porém, eu não sou tão má assim.

Mas a verdade era que ela também desejava passar aquele dia frio agarradinha nele enquanto lia seu livro.

Afinal, para Sakura Haruno, Sasuke Uchiha era quente. Num sentido bem literal da palavra.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!