Frio.

1 Condenado.


Notas iniciais
Aqui estou eu de novo ~para infelicidade de alguns~ estava com saudade de escrever pra vocês, espero que gostem. Boa leitura.

Frio e vazio descreviam perfeitamente os rumos que sua vida tinha tomado.

Não havia um dia em que ele acordasse e não lembrasse a cena que o tornou infeliz e condenado para sempre. Não havia um dia que ele não se culpava pela morte da única pessoa que amou, a morte da sua felicidade.

Frio, vazio, culpa e solidão.

Ele fechou os olhos por alguns instantes e o medo daquelas imagens o consumiam como fogo em papel. Outra vez sua mente o havia traído, o obrigando a lembrar-se de seus piores dias, hoje faria um ano desde o incidente que o levou a ruína.

Vestiu sua melhor roupa preta e colocou seu casaco, bebeu uma dose de whisky para criar coragem, foi em direção a porta e saiu cabisbaixo. Pegou um taxi, pois não teria condições de dirigir.

– Leve-me até o cemitério– Axl disse ao taxista.

– É pra já moço– respondeu o taxista com um tom animador, pois havia reconhecido o grande astro que havia entrado em seu taxi, Axl Rose o
cantor mais famoso da época.

Axl olhava pela janela do carro a neve cair lentamente, tudo fazia lembrar dela.

Evan corria pela neve naquela tarde fria de inverno, ela parecia tão alegre enquanto fugia de Axl. Ele correu e a puxou pela cintura, ela desequilibrou e ambos cairam no chão coberto pela neve, começaram a rir como duas crianças. Ele ficou ali parado olhando para Evan, pele branca como neve que estavam deitados, cabelos longos e lisos que eram negros como uma noite sem luar, olhos verdes como esmeraldas.

Sua aparência celestial o fazia crer que existia algo divino no mundo. Beijou seus lábios suavemente e a abraçou com carinho.

– Venha, vamos para casa, aposto que lá é mais quente– Axl disse com um sorriso.

– Tenho certeza que você poderá me esquentar– Evan respondeu com seu tom malicioso, porém engraçado.

Saíram do jardim da mansão de Axl e entraram em casa, a grande lareira na sala principal dava uma sensação muito boa de calor, eles tiraram as roupas pesadas de frio e sentaram no sofá.

– O que acha de um chocolate quente? Eu posso fazer– sugeriu Evan.

– Boa ideia, eu te ajudo, mas só vou ficar olhando, você sabe do meu desastre em cozinha– Axl respondeu e riu.

Ele observava cada pequeno movimento que ela fazia. Evan sabia que Axl a olhava fixamente e aquilo a deixava mais desastrada que o costume, mas conseguiu fazer o chocolate, ambos se serviram e acomodaram-se no sofá.

– Estava uma delicia, mas você ainda não terminou, pelos céus como você é lenta– Axl disse.

– Estou apreciando meu delicioso chocolate, licença– Evan respondeu.

Então Axl fez cócegas em Evan e a fez derramar chocolate em sua blusa, ele adorava deixá-la com raiva, essa era sua principal diversão.

– Seu idiota, olha o que você fez! –Evan disse com tom de seriedade.

– Eu resolvo isso– ele respondeu e a olhou de cima a baixo.

Axl se aproximou de Evan e lentamente foi tirando sua camisa, beijou seu pescoço, ficou sobre ela e a beijou intensamente. Evan foi tirando a camisa de Axl e arranhou suavemente as costas dele, entre beijos e abraços foram tirando as roupas e em minutos já estavam envolvidos pelo calor de seus corpos.


– Moço, já chegamos– disse o taxista interrompendo as lembranças de Axl.

– Ok, fique com o troco– respondeu Axl dando ao taxista uma nota de cem dólares.

Axl saiu do táxi e foi caminhando até a entrada do cemitério. Cada passo que ele dava parecia que trazia de volta as cenas de todas as brigas e a cena do fim. Dentre vários túmulos que haviam ali, o único que era capaz de o fazer estremecer era o que estava a sua frente, a mármore branca se destacava entre o cinza e preto daquele lugar, havia um anjo de pedra em cima do túmulo e logo abaixo a foto que fez seu coração acelerar e encher de tristeza. A foto de Evan sorrindo, ele venderia a própria alma para ter aquele sorriso de novo, daria a sua vida para tê-la novamente, mas era tarde demais.


Evan tinha as chaves da mansão de Axl e resolveu fazer uma surpresa para Axl, entrou e não viu ninguém.

– Axl cheguei, fiz uns bolinhos que você gosta e adivinha eles vão lançar meu livro, estou tão feliz. – Evan gritou com a intenção de que alguém ouviria.

Ela resolveu procurar pela casa para encontrar algum sinal de Axl, foi subindo as escadas em direção ao quarto de Axl e ao abrir a porta se depara com algo que fez seu coração partir e as lágrimas rolarem livremente por seu rosto.

Axl estava na cama com uma prostituta, viu Evan correr e foi atrás dela num ato desesperado de explicar o inexplicável. A agarrou pelos braços e olhou nos olhos de Evan que agora mais pareciam cachoeiras.

– Não me toque, estou com nojo de você– Evan disse soluçando.

– Evan, por favor... – Axl respondeu desesperado a procura de uma desculpa, mas não tinha nada a dizer

– Cala a boca e me deixe ir– disse Evan. Ela soltou-se dos fortes braços de Axl e correu para fora dali.


Evan sempre fora muito tímida e conheceu Axl por acaso na livraria onde ele estava lançando sua biografia. Ela não estava ali por ele, estava apenas comprando mais um livro literário para sua coleção e isso chamou a atenção de Axl, ela se destacava por não se importar com o que ele era ou o que fazia, era um desafio para ele a conquistar e ele amava desafios. Ele voltou na livraria algumas vezes na intenção de encontrá-la novamente e conversar sobre o pouco que ele entendia por livros. Ele a encantou pelo esforço que fazia para tentar ser intelectual, então ele a chamou para um encontro e daí que começou o sentimento que sentiam um pelo outro.


Axl ficou semanas pensando no erro que cometeu, ele realmente não precisava daquele sexo impuro que o fez perder a sua amada Evan. Sentia a falta de Evan todos os dias, deixava mensagem na caixa postal, mas ela ignorava totalmente. Não tinha motivos para continuar vivo, não sem ela.

Era difícil para Evan ignorar Axl, mas aquilo era o certo a se fazer.

Ele iria fazer uma loucura para tê-la novamente, nem se fosse a força. Dirigiu até a casa de Evan, abriu o porta luvas do carro e pegou sua arma, enfiou no bolso de seu moletom e saiu do carro. Respirou fundo e foi em direção a porta, bateu com força e ela finalmente abriu, Evan ia fechando a porta se não tivesse visto Axl apontar a arma contra a própria cabeça.

–Axl, não faz isso, não se mata, por favor – Evan disse na tentativa de acalmar Axl.

–Não me matar? Por que eu não me mataria? Eu não tenho motivos para viver, você teve chances para me perdoar, mas eu cansei de tudo, cansei da vida – Axl disse com frieza.

Após dizer isso Evan puxou Axl para dentro de casa e agarrou seus braços na tentativa de tirar a arma das mãos de Axl. Eles lutavam pela arma, ele lutava para morrer e ela lutava para mantê-lo vivo. Foi então que a arma disparou contra o peito de Evan.

Evan estava sangrando em seus braços, o brilho de seus olhos desaparecia lentamente, era cada vez mais difícil de respirar, sentia a dor matando-a aos poucos, ela tinha apenas uma coisa a falar antes da escuridão a levar.

– Axl, eu te perdôo – essas foram as últimas palavras de Evan.


Suas últimas palavras, seu último suspiro.


Axl estava ajoelhado diante do túmulo de Evan e sem perceber estava chorando, ele havia saído do pesadelo de suas lembranças que insistiam em aparecer. Ele foi condenado a sofrer todos os dias ao lembrar-se de Evan e assim pagar por todos seus erros.

Rezava para que a morte um dia o pegasse e o levasse para perto de Evan, sentia que só seria feliz ao lado de sua amada, só encontraria felicidade na morte.

Notas finais
que triste, vamos chorar ~sniff sniff~ ok, vamos parar com isso
Foi escrito com coração e espero que todos tenham gostado
té a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!