Friendzone & Friendship
3 [CAPÍTULO] A Barreira
Notas iniciais
Narração de Danilo
Eu sentia o toque dos dedos de Dante sobre os meus braços, que eram recolhidos com o arrepio provocado pelo rapaz. Eu me sentia vivo, independente, amadurecido perto dele, não é atoa que é o meu primeiro amor verdadeiro — Sabe o que eu não entendo?– Perguntei para ele, pousando levemente a minha cabeça sobre o seu peitoral enquanto era mimado com uma carícia no rosto — Pergunte, meu bem. — Eu o encarei por alguns segundos e esbocei um sorriso de canto — Se nós nos demos tão bem, por que não assumimos a nossa relação? – Dante respirou ofegante e revirou os olhos, levantando do sofá e direcionando para a Cozinha, eu o segui e sentei sobre a cadeira que era posta em frente a uma bancada que ligava a Cozinha da Sala – Hein, me diga. — Pressionei - Veja bem, nós dois não temos um futuro e sim um presente, temos que aproveitar esse momento enquanto somos jovens e não temos independência na nossa vida, pois breve, principalmente você, passará por uma mudança onde terá que escolher entre o Amor e o Estudo. — Notei que a sua respiração estava ofegante, parecia que estava escondendo algo — O que é você? — Eu demonstrei uma expressão séria no rosto, deixando Dante um pouco assustado — Cadê aquele cara eu me apaixonei? Que pensava no futuro enquanto presenciava o momento? Que pensava nas consequências? Que era doce? Que era divertido? Que era.. – Eu pausei por alguns instantes a espera de uma resposta do rapaz que permanecia calado — Quem é você?– Eu não pensei duas vezes, apanhei os meus pertences e sai do local sem pronunciar qualquer palavra, durante os tais acontecimentos Dante permaneceu imóvel e pensativo. Aquilo já era meio previsível, ninguém é perfeito a esse ponto e quando envolve sexo ou amor, as pessoas se tornam mais falsas do que são. O amor é falso. Eu estava completamente perdido, não sabia em quem mais confiar, eu vagava pelas ruas chorando constantemente por todos os cantos, eu fui derrotado pelo amor, mas fortalecido por uma voz.. - Danilo, o que você tem?– Eu cobri o meu rosto para que a minha vergonha não fosse vista, percebi que era um menino com aparentemente doze anos de idade, ele estendeu as suas mãos e me levantou - Qual foi, se esqueceu de mim?– O tal menino na verdade era Deyvid, um vizinho que me incomodava com seus gritos todos os dias que eu me encontro com Dante — F-Foi mal, é que estou um pouco.. – Silenciei, deixei que ele me guiasse até um canto para que eu me acalmasse — Obrigado. — Agradeci com um movimento com a cabeça e um sorriso — Você tem a maior sorte do mundo por não sofrer por amor, por ainda ser uma mera criança. — O menino soltou uma risada, mostrando uma expressão alegre no seu rosto na qual me deixou mais calmo - O amor não é ruim, é que você não conhece. Quer que eu lhe apresente?– Ele estendeu as mãos para mim e eu questionei meio desconfiado — E o que seria isso? – Não esperei a resposta e deixei com que ele me guiasse até esse tal "amor". Ao ver o local indicado pelo garoto, logo percebi que era apenas falsidade por sua parte e que aquilo era apenas um falso periodo psicológico que são implantados por seus pais para que seguisse a doutrina de um personagem bíblico, não era aquilo que eu queria naquela hora, eu só queria um lugar para me divertir. Eu respirei profundamente antes de apertar qualquer passo em direção a Igreja, aquilo poderia ser a minha mudança de vida ou apenas mais uma experiência fracassada — Você está bem? – Perguntou o garoto que pareceu meio angustiado por conta do meu estado — Eu não sei — Os meus dedos foram cerrados entre os do garoto e este me levou adentro da Igreja, sentando na fileira inicial e próxima a uns instrumentistas que me olhavam com surpresa, principalmente o baterista que tinha as feições faciais do Dante, era como se o Dante fosse clonado, só que aprimorado. Eu me sentia um invasor em terras inimigas naquela igreja, como um pobre pecador como eu viveria em harmonia com uma igreja que poderia te matar se descobrisse as suas origens passadas? Bem, foi isso que me deixou inquieto, eu levantei e agradeci ao garoto pela assistência, seguindo para a saída do local até sem amparado por mais um rapaz, só que dessa vez parecia ser mais velho que eu, ele mostrava uma expressão carismática no rosto e não parava de sorrir — Onde pensa que você está indo?– Eu o encarei antes de lhe responder - Sair daqui, esse não é meu lugar. — Ele me interrompeu, pondo o seu corpo em minha frente e me olhando seriamente sem perder a expressão — Lá fora não é o seu lugar. – Eu segurei a sua mão e cumprimentei — Muito obrigado, só que não. — O garoto pareceu ser persistente e não saiu do lugar - Eu estou falando sério, seu lugar não é lá fora, seu lugar é aqui, comigo, conosco.– Eu revirei os olhos, mas não perdi a pose e continuei a tentar escapar dali - Você está me prendendo aqui é? – Ele fez um movimento de "talvez" com os ombros - Isso aqui não é uma prisão, é o seu abrigo. — Eu bufei, retornando para o meu lugar um pouco transtornado por causa daquele "idiota", mas aos poucos percebia que ele estava correto, aquele era sim o meu lugar independente do que eu era. Esse é o meu lugar. A minha vida depois daquele ponto mudou, eu me sentia mais confiante a ponto de enfrentar um leão, aquele garoto depressivo e apaixonado de antes havia desaparecido, o meu passado era apenas um relato e as minhas origens renovadas. O jovem daquela portaria que persistia tanto que eu não deveria sair daquele lugar fez parte da minha história, só que de modo oculto que fui descobrindo aos poucos, este era o filho de uma dona de um Salão de Beleza que eu frequentava e também um companheiro de Fliperamas antigo dos meus primos que mais tarde se tornou um rival meu nas competições de Futebol do bairro, Tato era seu nome. Tato aos poucos foi revelando um dom incomum que era dado aos poucos, de alegrar as pessoas que estão ao seu redor, principalmente eu. Eu via em Tato o que eu sonhava em Dante, só que sem maldade e apenas amizade, eu via que ele era o amor da minha vida, o garoto que vai me acompanhar por um bom tempo sem se esquecer de mim, ele era mais que um amigo, e superior a uma namorada, ele era um irmão, um pai para mim. Ele me acolhia nos momentos difíceis onde eu não podia suportar, que eu surtava, onde repreendia aquilo tudo com apenas um sorriso ou uma palavra. Os tempos foi passando, passaram-se dois meses, três meses e eu já me sentia completamente renovado, agora na companhia de amigos fiéis e que me fazem sorrir a todo instante até na hora de um enterro e aos poucos eu sentia que fugir de um amor era inevitável, eu descobri que uma simples troca de olhares poderia dizer mil palavras mas também iludir mais que um "Eu te amo" e que as consequências ruins existem até em lugares que não deviam existir.
E vocês se lembram daquele tal baterista com as feições do Dante? Bem, esse se tornou um grande problema.. durante a minha transição para essa nova fase, percebi que fugir do amor era inevitável que uma simples troca de olhares bobas que rolava entre nós poderia rolar uma química. Rico é seu nome, este é o primo de Tato e seu ex-fiel escudeiro que agora contém a sua propia gangue desde que Tato evoluiu e passou a dar menos tempos para as suas amizades e aprofundar mais ao trabalho, ele é completamente problemático só pensava em se divertir e se divertir com os amigos, deixando as coisas mais sérias sumirem a num passo de mágica. Em alguns momentos quando eu interagia com Rico eu me sentia como se tivesse magnetizando algum metal, parecia que fomos feitos um para o outro, ele era misterioso e tinha coisas nele que me confundia como por exemplo as vezes que eu lhe cumprimentava e ele retribuía com nervosismo, ou também as vezes que ele gaguejava sempre que falava comigo, uma paixão estava a ser nutrida de uma forma impressionante, mas a barreira ainda era superior, e nesse caso a barreira é Tato.
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