Friendzone

2 Estorvo de Cabelos Loiros


Notas iniciais
yoo, pessoas o/ Estou de volta com mais um capítulo de "Friendzone" para vocês :3 Vocês não podem imaginar a minha surpresa e alegria ao descobrir que havia comentários no primeiro capítulo! Sério, eu fiquei toda saltitante de felicidade e quase dancei uns tuts tuts... Quase, pq senão minha mãe me internaria :v Gostaria de agradecer a todas as pessoas lindas que deixaram um review super motivador no primeiro capítulo: Konan Zen, Lilith Rose e Haleth Jhaeion! Tbm a Dani e a Mei que favoritaram, e a Madden que está acompanhando :3 Muito obrigada mesmo gente! Bem, acho que chega de conversa, né? *Boa Leitura*

O Colégio Santuário é uma escola muito prestigiada nacional e internacionalmente, tendo uma excelente média de boas notas, chegando a ficar em primeiro lugar em uma pesquisa feita com instituições acadêmicas de todo o país. Ele é dirigido exclusivamente para alunos abastados e/ou com um histórico escolar impecável que são estrangeiros e que querem fazer a vida nos Estados Unidos, ajudando-os tanto com sua fluência na língua nativa quanto no entendimento da cultura e história local – afinal, é importante saber a história do país que se pretende morar. O Colégio Santuário tem um programa estudantil incrível, ajudando os alunos estrangeiros a concorrerem em pé de igualdade com os nativos por uma vaga nas faculdades prestigiadas norte-americanas.

A arquitetura do lugar era inspirada nas antigas construções greco-romanas, dando ao lugar aquele aspecto de “santuário”, como faziam antigamente para os deuses dos quais eram devotos, e esse foi o motivo pelo qual recebera tal nome – além de também ser considerado um santuário para os jovens estrangeiros. Era bastante refinado para um lugar destinado apenas para alunos no estágio mais complicado da vida, a adolescência, decorado com uma bela fonte de mármore e pátios gramados.

Camus chega ao colégio dez minutos antes de o sinal soar, alheio ou fingindo estar com a atenção que recebia dos alunos que ainda permaneciam no pátio – alguns apenas esperando que ele chegasse para ir para suas respectivas salas. A grande beleza que o rapaz de cabelos ruivos tem é indiscutível, somado ainda a sua personalidade que uns consideravam altiva, outros fria e alguns achavam que eram ambos; mas da qual seus “fãs” consideravam um grande charme a mais, Camus não conseguia passar despercebido por mais reservado e silencioso que fosse.

Camus era bastante conhecido pelos alunos como “o homem do qual quero ser impregnado” e também graças à série de rumores sobre ele ser um libertino que não renegava ninguém que viesse, mas também não perseguia quem optava por ir. Se alguém o desejasse e tivesse coragem o suficiente para se aproximar, não importava o sexo – apenas a aparência – ele não dizia não; chamando-se um praticante de “Amor Humano”. O ruivo não se considerava uma pessoa bissexual, mas sim altruísta.

Desejo era uma coisa muito simples na opinião de Camus, mas que as pessoas tinham a irritante mania de impor limitações e preconceitos, titulando o que podia e não podia; como eles costumam fazer com o resto das coisas no mundo.

Com as mãos escondidas nos bolsos da calça, o aquariano seguiu seu caminho para a sala de aula, onde boa parte dos alunos já se encontravam em seus lugares. Assim que apareceu na porta, algumas meninas suspiraram e outras foram mais ousadas, dizendo alguns ‘oi’ e desejando um bom dia ao ruivo na esperança de que ele as reparasse; mas que ele respondeu apenas com um aceno de cabeça vago.

Camus se senta em seu lugar habitual, uma cadeira no fundo da sala e ao lado da janela para que haja menos possibilidade de ser incomodado por alguém.

O ruivo coloca seus fones de ouvido e enquanto espera que o professor chegue para dar sua aula, ouve Axl Rose cantar a música “November Rain”, que está em primeiro lugar no top 3 das suas canções favoritas. Está tão distraído com a música e a paisagem que sequer nota Milo entrando na sala, atraindo a atenção tanto das meninas quanto de uns poucos rapazes.

Mas Milo já está tão acostumado com esse tipo de atenção que parece não perceber mais, embora ainda se atreva a lançar pequenos sorrisos e olhares para algumas pessoas.

A primeira coisa que Milo percebe quando caminha a frente da sala é uma cabeça coberta por uma incrível cascata de cabelos de cor ardente pertencentes a um rapaz igualmente lindo que está sentado ao fundo e observando o mundo através da janela com um olhar distante. Os raios solares desbotaram as matizes castanhas de seus olhos, deixando-os com um tom de vermelho mais escuro que os seus cabelos, que brilhavam como fogo.

Mesmo que o loiro não tivesse interesses românticos para com Camus, parte dele desejava fazer amizade com o ruivo. Além do mais, o seu irmão é professor daquela escola, o que é algo que não queria que ninguém soubesse e por isso não podia ficar conversando com ele no colégio, e seria mais simples tentar se enturmar com alguém que já conhecia, mesmo que vagamente. Não que Milo tenha problema em fazer amizades com as massas discentes, o magnetismo comum que o rodeava somado ao carisma natural sempre tornou muito fácil para ele fazer com que as pessoas gostem dele, mas dessa vez ele queria optar pelo caminho mais fácil e ao mesmo tempo saber mais sobre o francês.

Enquanto caminha entre as carteiras percebe que Camus está com fones de ouvido, suas feições estoicas não dando nenhuma pista do que poderia estar passando por aquela cabeça ruiva.

Milo se senta na carteira ao lado do rapaz, seu corpo em uma pose completamente desleixada, mas que ele julga confortável. O escorpiano pesa os prós e contras de incomodar Camus enquanto ouve música, mas por fim dá de ombros achando que o seu problema de “aluno novo” é muito mais importante do que quer que ele esteja ouvindo. O loiro o cutuca com o dedo indicador para chamar sua atenção, ciente de que o que está fazendo está no top três das coisas mais irritantes do mundo, mas ele não tem muita paciência para esperar que o aquariano perceba sua presença.

Camus solta um suspiro baixo e então retira um fone, questionando-se quem seria a pessoa infeliz que está interrompendo sua paz; e seus olhos se abrem um pouco mais (quase imperceptível) e seus lábios se entreabrem um pouco com surpresa ao perceber que se trata de Milo Karedes, a pessoa que esperava nunca mais ver de novo – comparado ao salto de susto que seu coração deu no peito, até que ele conseguiu conter bem a sua surpresa.

O escorpiano usa uma calça jeans clara, coturnos de couro e uma camisa cinza e sem mangas com o logotipo da banda Rolling Stones; uma boca vermelha aberta com a língua para fora. Ele deve ter guardado a jaqueta de couro que usava anteriormente no armário; afinal estava um dia abafado demais para usar uma peça de roupa tão quente sem desmaiar.

Camus tentou não olhar para os braços bem definidos de Milo, que mesmo sendo esguios parecem tão fortes quanto o do treinador Aldebaran, ou como sua pele clara parece macia como seda sobre a firmeza férrea que de seus músculos.

– Hey, Camus! – Cumprimenta animado, e o de cabelos vermelhos percebe a intimidade que o loiro deu a si mesmo para chama-lo como se já fossem amigos. – Parece que estamos na mesma turma!

– É, parece que estamos. – Responde, mas sem a mesma animação.

Camus belisca furtiva e brevemente a ponte do nariz simétrico, o único gesto que entrega a sua frustração e desagrado por saber que ele teria que aturar Milo cinco dias por semana, seis horas por dia. O aquariano não aprecia nem um pouco as sensações que o loiro desperta em si, mesmo que ele tivesse certeza que não fossem qualquer coisa referente à paixão e que não passam de efeitos colaterais de desejos físicos por sua aparência de anjo, tão resplandecente quanto o dia lá fora, somado àquele meio sorriso um tanto diabólico com um toque de arrogância.

Milo sequer nota o incômodo do aquariano com sua presença, parecendo muito satisfeito com o que o destino fizera por ele, dando-lhe uma segunda chance de desvendar o mistério de Camus em sua vida.

– Essa escola é bem maior do que a minha última lá na Grécia – comenta calmamente, os olhos avaliando o espaço ao redor, e aquela informação atrai a atenção de Camus; que não havia imaginado que aquele sotaque diferente na voz de Milo era grego. – Mas e você, Camus? Está nesse país há muito tempo?

Aquele interesse foi estilhaçado no segundo seguinte, assim que Milo quis mudar o foco da conversa para o aquariano, que não gosta de falar sobre si mesmo e relembrar as desventuras que o levaram para a América.

– Faz três anos – responde vagamente.

Camus volta-se para frente, notando durante seu percorrer de olhos breve pela sala que boa parte dos alunos olhava para eles, a sala zunindo com as conversas sussurradas; coisa que Milo parece ignorar ou não perceber.

Todos estão um pouco catatônicos pelo escorpiano ter sido tão ousado a ponto de se sentar ao lado do ruivo mais cobiçado do colégio e iniciado uma conversa com uma naturalidade admirável. “Seria o garoto novo um despudorado ou corajoso o bastante para começar um dialogo mesmo com aquela aura intimidante que rodeia Camus?”, cochichava um grupo de meninas no canto.

– E o que te fez vir para a América? – Inquere Milo, os olhos agora atentos ao rosto de traços fortes e impecáveis do mais velho.

Essa é a pergunta que Camus não gosta de responder, pois remete ao seu passado nem um pouco agradável e do qual ele evita com todas as suas forças lembrar.

– Por que você veio para a América? – Desvia o foco da conversa, a sua voz impassível.

O aquariano sabe que não havia sido nem um pouco sutil em sua tentativa de mudar o foco da conversa, mas não estava se importando tanto com isso naquele instante, apenas sentia que tinha que fazê-lo para evitar até mesmo que ele não pensasse naquelas coisas. Ele volta seus firmes olhos castanhos avermelhados para o mais novo, e percebe que este já o encarava com curiosidade, aqueles ardentes olhos azuis perscrutando seu rosto a procura de alguma pista do porque Camus está evitando dar respostas mais explicativas, e ainda sentindo aquela louca sensação de reconhecimento a cada pequeno traço.

– É uma história bem longa – Milo conta com aquele meio sorriso iníquo erguendo um canto dos seus lábios rechonchudos e rosados. – Mas resumindo tudo: meu irmão morava na Califórnia há um bom tempo e eu achei que minhas oportunidades seriam melhores aqui do que na Grécia em seu estado atual de crise.

Finalmente o professor de Inglês, Mu, entra na sala, encerrando o zumbido das conversas alheias e a responsabilidade de Camus de responder a tagarelação de seu novo colega de classe com alguma palavra monossilábica vaga.

As garotas suspiram em uníssono com a chegada do calmo professor com um incomum cabelo lilás, mas que surpreendentemente combina com ele – Camus acredita que Mu deve ter um currículo excelente para ter conseguido o emprego como professor naquele colégio prestigiado apesar de sua aparência.

O homem tem seu longo cabelo preso em um rabo-de-cavalo baixo combinando com as roupas sociais dele – uma camisa branca de botões, calça jeans cinza e sapatos fechados, – os óculos lhe davam um ar de seriedade conjunto daquele olhar sábio, apesar de ser tão jovem.

– Bom dia a todos – Fala Mu com um sorriso suave enquanto se dirige a sua mesa, onde deixa seus pertences. Seus olhos vagam rapidamente pela sala antes de encontrar a figura desleixada de Milo – Ora, um aluno novo.

Todos os olhares da turma se dirigem para o loiro, que não se incomoda nem um pouco com o excesso de atenção alheia, era quase como se não se importasse em ser o centro das atenções.

Milo abre aquele sorriso que Camus odiava para o professor como resposta e ergue dois dedos em cumprimento.

– Gostaria de se apresentar para a turma? – Inquere Mu com seu tom suave habitual, sabendo que a maioria dos adolescentes odeia ter que se apresentar.

Mas Milo apenas dá de ombros, então apoiando as mãos na mesa ele se põe de pé, caminhando para frente da sala. Seu andar era fluido e decidido, tão autoconfiante que até poderia ser considerado arrogante; então se pôs de frente para os alunos que o observavam com curiosidade.

– Eu sou Milo Karedes, tenho dezoito anos e vim da Grécia. Milo significa “maçã” em grego, e o fruto proibido é representado por essa fruta desde sempre. Talvez isso diga alguma coisa sobre mim – então abriu um vagaroso e largo sorriso malicioso que fez as meninas e alguns rapazes da sala prenderem a respiração.

Camus não queria admitir para si mesmo, mas sua respiração também ficou presa na garganta, e por isso decidiu que também odiava aquele sorriso.

Mu deixou escapar uma breve risada nasal do “grande” discurso de apresentação que o escorpiano deu para a turma, um ínfimo movimento de cabeça com o quão divertida achava a autoestima do rapaz. O ariano pediu para que Milo fosse de volta ao seu lugar e então começou sua aula sobre literatura, fingindo não notar os olhares lascivos que algumas garotas mais ousadas lhe lançavam a cada passo que dava pela sala, envolvendo a todos em sua explicação.

Ou quase todos...

Camus não conseguia ouvir muita coisa do que o professor dizia, em parte porque já lera o livro que Mu contava para a turma, e em parte porque não consegue se concentrar. Sua mente voava para o rapaz a uns centímetros de si, questionando-se porque aquele estorvo de cabelos loiros insistia tanto em fazer amizade consigo, e também o que ele tinha na cabeça para ter reações tão estranhas quando o escorpiano apenas abria aqueles sorrisos.

Ele está ciente de que Milo é de longe a pessoa – homem ou mulher – mais linda que ele já viu em toda a sua vida, mas o aquariano não é tolo de acreditar que seja devido apenas a sua aparência admirável ou aquela aura peculiar que rodeava Milo e informava a todos que ele é a encrenca em pessoa. Camus sempre foi muito sensato e inteligente, com um autodomínio de mestre e a necessidade de organizar tudo em sua vida; mas dessa vez ele não tem ideia do que está acontecendo consigo.

“Eu não posso estar tão encantado por ele!”, pensou um pouco irritado.

Ele olha furtivamente para Milo, que está concentrado na explicação do professor, e o aquariano tenta avaliar sua situação.

Não era apenas atração... Havia algo mais, mas Camus não podia dizer o que era.

Notas finais
Acho que Milo nunca ouviu falar da palavra "humildade" hehehehehe Mas eu o entendo, ele nasceu gato demais :v Enfim, acho que tem um certo aquariano que está ficando caidinho pelo escorpiano, mesmo com toda a sua "sensatez"... Ou melhor, ele já é caído pelo nosso gato de olhos azuis ;) Espero que tenham gostado desse capítulo e eu mereça alguns reviews *olhinhos pidões* Até a próxima, gente linda o/