Chuck concorda e quando tem certeza de que David está longe, corre por telefone e liga pra Pierre.

- Alô. – diz ele do outro lado da linha.

- E ai, como vão as coisas ai? – diz Chuck animado.

- Ai... Estão tudo ok. E ai?- respondeu Pierre com uma voz fraca.

- aqui também, graças a Deus... Que aconteceu ai?

- Nada...

- tem certeza? Você não está com uma voz muito agradável...

- Ah, é que eu acabei de vomitar. Desci da montanha-russa agora e to passando um pouco mal.

- Ah! – suspira Chuck, com cara de tédio. – Mas amanha vocês vêm ne?

- sim, amanha estamos ai.

- Ah, então ta. – Chuck escuta barulho de chaves na porta. – Vou desligar que ela ta chegando.

- Oka... – e Chuck desliga o telefone e Duda abre a porta. Ele volta o telefone pro gancho rapidamente e assustadamente.

- Que foi Chuck? Que cara assustada é essa?

- N-nada! – responde ele com um sorriso forçado.

- Não vou brigar com você por causa do telefone, relaxa! – diz ela com cara de confusa, indo pra cozinha. – eu hein?

Ele vai na cozinha e fica puxando assunto com ela. Ela olha pra ele e ri.

- O que você ta me escondendo?

- Eu? Nada! Eu não faço isso!

- Mentiroso.

Ela larga de fazer perguntas pra ele e vai guardando as compras que trouxe na geladeira. Chuck a questiona.

- Você consegue morar aqui sozinha?

- Ah... É meio chato... Você sabe que eu não gosto de ficar sozinha... Mas já me acostumei.

- Custou muito?

- um pouco... Às vezes eu chamava meu amiguinho, que mora no apartamento de cima.

- hã... Amiguinho?

- É! Ele é pequeno. Deve ter uns 16 anos...

- Ah ta. Como ele chama?

- Daniel. Mas eu o chamo de Danny.

- Canadense também?

- Não, ele é daqui mesmo.

- Ah, que bom! Você só arranja amigos conterrâneos.

- Fazer o que? Mas ele é bastante meu amigo. Quando eu fico com vontade de ver TV, comendo pipoca ou de jogar jogos de tabuleiro, eu chamo ele. O menino já ate acostumou.

- um novo David na sua vida?

- Não... Mas quase. (:

Depois de guardar tudo, eles resolvem jogar alguma coisa na sala. Eles riam, se divertiam a beça. Lembravam dos tempos que eram “irmãos”. Para Chuck, era engraçado ver ela sempre perdendo no começo, reclamando, mas virando no final, cantando vitoria pra cima dele e ela se achando, mas depois tudo voltava ao normal. Para Eduarda, era a melhor coisa do mundo ver Chuck perder sempre. A campainha toca. Era Pat.

- oi meu bem! – cumprimenta Duda.

- Oi amor! – responde ele, lhe dando um beijo. – Oi Chuck!

- olá. Quer jogar?

- Ou quer ver o Chuck perder de novo? – completa o convite, Duda.

- Os dois! (:

Pat começa a jogar também e conversando sobre o passado, que eles moravam tão próximos, mas se aproximaram só depois de tão longe. Até que Pat toca no assunto da mãe dela. Duda tenta disfarçar de todo jeito.

- A sua mãe era uma que trabalhava lá na escola? Uma mulher loira?

- Não... – respondia ela.

- Então não sei quem é! Pra mim era a mãe do Chuck.

- Ela é minha tia. Eu não morava com minha mãe não.

- Por quê?

- Por que não! – disse ela, já formando lágrimas nos olhos.

- Ai... Ta... É que ninguém conheceu sua mãe, ai queria ver se eu sabia quem era.

- Você nunca vai saber quem é! – disse ela, saindo da sala e indo pra quarto, fechando a porta.

- Pat! Eu mato você! Porque fez isso?- disse Chuck, enfezado.

- Eu fiz o que?

Chuck foi lá e contou tudo pra ele. Pat ficou surpreso. Surpreso e sem graça.

- Ai, eu não sabia disso! Eu só sabia que ela morava com você, mas não sabia o motivo.

- Pois agora ta sabendo. E te peço pra não ficar tocando no assunto. Isso foi muito dolorido pra todo mundo e principalmente pra ela.

- Ta bom. Mas me desculpa!

- Eu te desculpo. O problema é ela agora.

Ela saiu de lá pouco tempo depois, um pouco abalada. Pat pediu desculpas pra ela, dizendo que não sabia do que havia ocorrido. Duda o desculpa, Pat a abraça e eles ficam abraçados, sentados no sofá. Chuck oferece lanche pra eles.

- Você já é de casa mesmo, hein? – diz Duda.

- Por quê? Não posso? – pergunta ele, assustado.

- Pode não. Deve!

David e as meninas chegam e eles lancham juntos.