Friendship Colored
8 Tendão de Aquiles.
Notas iniciais
Annabeth.
Thalia e eu estávamos sentadas na sala de espera do hospital. Os olhares estavam recaídos sobre nós duas, afinal, não é todo dia que você encontra uma vampira e uma Alice em local público. Mesmo na praia não se encontram pessoas assim, porque se você fosse até lá o máximo que encontraria seria um cara vestido de Homem-Aranha ou Teletubbies, vendendo algodão doce.
Assim que chegamos, entrei feito uma doida no hospital procurando por um médico. A recepcionista, depois de me avaliar com muita cautela, chamou o doutor e alguns seguranças. Todos foram comigo até o carro, e retiraram Percy e Nico – ambos desacordados – de lá, levando-os para dentro. Em seguida o doutor analisou o meu ombro ferido, e me guiou até a enfermagem. Lá, ele tratou de costurar o ferimento e enquanto fazia isso, fui obrigada a contar-lhe o que havia acontecido.
“Tome mais cuidado da próxima vez” sorriu ele “vou cuidar de seus amigos agora”.
***
Fazia um tempo que Thalia e eu estávamos sentadas ali olhando para o nada, absortas em nossa própria preocupação e a espera do médico.
– Você vai me contar o que aconteceu? – Perguntei quebrando o silêncio, e encarando os olhos azuis elétricos de minha prima que estavam cheios d’água.
– Agora? – Ela soluçou, sua expressão tinha um misto de raiva e preocupação.
– Sim.
– Logo depois que você saiu para cumprimentar os convidados, eu fui atrás de Nico. Eu o encontrei conversando com Luke, e me aproximei de ambos. Nico me beijou, e Luke pareceu não gostar muito. Ele deu um soco em Nico, e depois me puxou para si. Nico revidou o soco e me puxou para o seu lado. Os dois começaram a brigar feio, e Luke quebrou uma garrafa de bebida na cabeça de Nico e então ele desmaiou. Percy chegou, e Luke começou a brigar com ele, mas nessa parte você já estava presente.
Percy, que de certa forma havia agido como herói a noite inteira, e não digo isso só porque ele estava com uma camiseta do Homem De Ferro. Ele realmente agiu como herói ao defender os amigos, quando os demais apenas apreciaram a briga.
As cenas da noite em que fiquei ao lado de Percy invadiram minha cabeça tão rápido quanto um tiro. As palavras, os gestos, a sua voz rouca e tremendamente sexy e o beijo. Ah... O beijo. Uma lágrima involuntária escorreu pelo meu rosto.
“Hã-hã” alguém pigarreou. Thalia e eu olhamos para cima, e de um salto levantamos enxugando nossos olhos ao perceber quem era.
– Doutor. – Disse minha prima.
– Meninas, me acompanhem.
Seguimos o doutor por um corredor estreito e branco – como um hospital deve ser – e paramos em um escritório. Lá dentro até que era aconchegante. Possuía uma mesa com um computador, e uma cadeira marrom enorme. Duas poltronas da cor preta em frente à mesa, e ao fundo uma estante de livros com um abajur médio.
– Sentem-se, por favor. – Sorriu ele.
Thalia e eu não demoramos a sentar nas poltronas pretas ansiando por notícias.
– O Di Angelo levou alguns pontos na cabeça, e o Jackson sofreu uma lesão no tendão de Aquiles. Agora como...
– O que é tendão de Aquiles? – Thalia fez uma careta.
– Ele é um grande e calibroso tendão que se localiza atrás do tornozelo, ligando os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar, sua função é levar a ponta do pé para baixo, ou seja, nos ajuda ficar na ponta do pé ou saltar. – Expliquei me inclinando um pouco para frente. – Agora, como o Percy teve uma lesão no tendão de Aquiles, se ele não saltou, correu ou qualquer coisa do tipo?
O doutor me olhou intrigado, como se fosse surpreendente eu saber o que aquilo significa, mas depois prosseguiu:
– Era exatamente o que eu ia perguntar hum...?
– Annabeth.
– Eu iria te perguntar se ele faz algum esporte, já que esse tipo de lesão é mais comum em atletas no ramo da corrida e do salto Annabeth, mas é evidente que não.
– Não que eu saiba.
Nesse instante me senti estúpida por estar apaixonada por alguém que eu mal sei qual é a cor preferida.
– Em fim, ambos vão precisar de ajuda para necessidades básicas como tomar banho.
– Pode deixar conosco. – Sorriu Thalia.
– Eles estão acordados agora, e receberão alta daqui a pouco. Nico precisa de um antibiótico – o doutor estendeu uma receita para Thalia – e Percy de repouso.
– Obrigada Doutor. – Dissemos em uníssono.
– Os garotos estão no quarto ao lado.
Nós levantamos em uma velocidade exagerada e rumamos para a porta.
– Meninas! Se as dores persistirem, voltem aqui o quanto antes.
“Claro, pode deixar” gritamos em resposta.
Thalia abriu euforicamente a porta do quarto 133. Nico estava na cama próxima à entrada, e seus olhos escuros brilharam ao ver a namorada.
Percy estava na cama ao lado. Ele sorriu instantaneamente ao me ver, e eu fui em sua direção. Um de seus pés – o machucado, claro – estava enfaixado até a altura do calcanhar, e o outro de meia.
– Como você se sente? – Perguntei me sentando na beirada disponível em sua cama.
– Melhor agora. – Ele sorriu.
Revirei os olhos, e sorri.
– Sério Perseu, como você se sente?
– Com uma dor estranha no calcanhar, mas fora isso eu estou ótimo.
– Eu fiquei preocupada. – Olhei para a janela.
Percy não respondeu, apenas deslizou os dedos pelo meu braço ferido e permaneceu assim por uns instantes.
– Eu fiquei preocupado. – Disse ele por fim.
Encarei seus olhos verdes. Tão lindos. Seus olhos eram como o mar em um dia calmo e gostoso de verão com o céu azul, onde as ondas batem contra as pedras e a brisa açoita de leve a areia.
– O que foi?
– Seus olhos, são como um dia calmo de verão.
– O seus são cinza como uma tempestade. – Ele respondeu afastando a mecha de cabelo que insistia em cair no meu rosto.
Ficamos nos encarando, até que o moreno puxou de leve meu queixo. Quando nossos lábios estavam a ponto de se tocar, eu interrompi o beijo.
– Percy, qual a sua cor preferida?
– O que? – Ele tinha um sorriso brincalhão no rosto.
– Sua cor preferida.
– Azul e a sua?
– Vermelho.
– Porque isso agora?
– Por nada. – Sorri, e o beijei ferozmente. Sua boca contra a minha continuava a ser uma sensação maravilhosa e inexplicável. Nós nos separamos – infelizmente – porque o ser humano tem uma necessidade básica de respirar.
– Eu estava com saudades disso. — Falei.
– Só faz algumas horas que não nos beijamos. – Comentou ele.
– Duas horas e...
– Ei! – Ele me interrompeu. – Também senti saudade loira.
Percy me abraçou, e era tão bom tê-lo aqui comigo, que eu o apertei como se fosse à última coisa que faria na vida.
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