Friendship And Love
9 Capítulo 9
Selena saiu pela noite de Las Vegas, com Miley em seu encalço. Taylor ainda não sabia o que estava acontecendo, pois dormia e roncava sem constrangimento. Mary acompanhou minha busca com o olhar pela rua, a fim de ver onde Selena e Miley estavam. Claro, sempre com seu celular.
— O que você fez? — Mary perguntou.
Olhei para ela, perplexa.
— Las Vegas inteira ouviu e você não?
— Então vamos pelo começo. — Ela pigarreou. — Porque falou aquilo tudo?
— É a verdade, sabe disso. Não falei nada além do que ela própria pediu.
— Qual é Demi, olhe para vocês. — Mary apertava os botões do celular com violência. — O amor entre vocês é tão puro e real. Duvido que já sentiu-se assim antes.
Corei ao murmurar “não”.
— Eu disse, Selena é perfeita para você e a recíproca é verdadeira. Não se pode ir contra o destino.
— Acontece que nossos destinos são diferentes — argumentei.
Mary tirou os olhos de seu jogo, mas não pareceu se importar. Ela me fitou por alguns segundos.
— Melhores amigas de verdade nunca se abandonam. São além da vida.
Ela voltou sua atenção ao jogo como se tivesse dito um simples “oi”. Quando eu abri a boca para dizer à Mary que ela estava mais ou menos errada, Miley entrou pela porta, cansada. Não tinha sinal de Selena atrás dela.
— É você, Demi — ela respondeu ao meu olhar indagador. — Só você.
Fiquei sem reação. Selena estava mesmo indo embora. Não, ela não podia ir. Nos conhecíamos há anos, como ela poderia deixar uma briga boba daquela interferir no nosso amor, ou melhor, na nossa amizade?
Mas eu sabia que ela não aguentaria tanto tempo. Selena estava solta em Las Vegas, nem ela aturava essa liberdade. Sorri internamente. Selena voltaria logo, logo. Ela não terminaria nossa amizade daquele jeito, não mesmo.
Mais tarde, eu dormi na varanda. Taylor havia apossado da cama que Selena e eu dormimos na noite passada. Mary insistiu em ficar comigo lá fora, porém com o barulho da cidade e da estrada, só ela conseguiu realmente dormir.
Ouvir o ronco de Mary se misturar a algazarra externa estranhamente me fez refletir sobre tudo o que estava acontecendo naquela viagem.
Tínhamos saído de Los Angeles há duas semanas. Qualquer pessoa normal já teria chegado à Nova York, assistido a uma peça na Broadway, visto uma propaganda na Times Square e ido alimentar os pombos no Central Park.
Esse era nosso truque. Não éramos normais. Seis meses antes da formatura, todos sabiam para qual universidade ir e qual curso. Nós sequer havíamos feito o P.S.A.T. — a exceção de Selena. Ninguém sabia qual carreira seguir. Ninguém queria realmente ir para a faculdade.
Esse era o motivo da viagem. O motivo maior. Esquecer que, depois de uns anos, o colegial passa a ser seu refúgio para sonhar com o que queria. Antes de ter de viver a vida que Selena queria a partir de agora.
— Ah, Selena — suspirei quando Mary soltou um ronco gutural. — O que eu tenho que fazer?
— Tente me esquecer — disse uma voz.
Me virei para o portal da varanda e deparei com Selena olhando fixamente a paisagem. Eu não sabia o que sentir, a não ser a vitória interna. Selena voltara. Ela era minha outra vez. Quase sorri, mesmo sabendo que o momento não pedia um sorriso.
— Sabe que não consigo.
Ela caminhou até a barra que nos impedia de cair, sem me olhar.
— Somos duas, então — ela falou. — Miley disse que temos de ser distintas. Que faz parte da amizade. Quanto mais diferente, mais tempo dura.
— Mary falou que amizades realmente verdadeiras nunca acabam. São para sempre.
Aquela era uma forma estranha de pedir desculpas, mas era o nosso jeito. Mas, não dava para saber se Selena me perdoara ou não.
Respirei fundo duas vezes. Uma voz em minha cabeça perguntou se ela me amava. Respondi que sim sem hesitar. Ela era minha Selly, completei. Nunca iria me abandonar.
Do mesmo jeito que eu dissera que nunca iria abandoná-la.
— Vamos embora — eu disse repentinamente.
— O que? — perguntou Selena abobada.
— Não quero mais ficar em Las Vegas. Ficar aqui piorou tudo em nossa vida. Antes, eu te amava escondida. Agora, eu estou brigada com você. Não tem tanta graça assim. Quero ir embora.
Ela me encarou por um minuto inteiro.
— Está certa. Quando voltarmos a viajar, não passaremos por Las Vegas.
Selena sorriu, o sorriso mais lindo e sincero que eu já tinha visto nos últimos meses. O mais real, também. Sorri. Não tinha tanta certeza, mas a briga havia acabado ali, com ela dizendo que viajaria comigo.
— Ótimo — falou Mary. Nem Selena nem eu percebemos que ela estava acordada. — Vou fazer as malas.
— Eu te culpo por isso, Mary — falei, me divertindo ao ver a expressão confusa dela. — Sim, você que convenceu Taylor a passar por Las Vegas.
— Mas ganhamos sete mil dólares! — exclamou ela exasperada.
— Não, você ganhou sete mil pratas. — Selena entrou no jogo.
— Dividiremos, sabe que não sou mesquinha.
Selena e eu sorrimos. Mary mudou a expressão confusa para uma bem mais nervosa. Ela começou a correr atrás de nós na sacada.
— Ninguém merece vocês quando fazem as pazes.
Parei na frente de Mary e concordei.
— Como eu já disse, a culpa é sua.
Selena não conseguiu frear seus tênis sem aderência e caiu em cima de mim.
— Mas não se ofenda, estamos felizes por ter alguém para culpar.
— Como você mesma disse, você é especial de algum jeito. Para mim, você é a garota que nos arranja dinheiro e a melhor conselheira do mundo. — Sorri, com Selena ainda em cima de mim.
— Nós te amamos por tudo isso — Selena disse.
O peito de Mary se encheu de orgulho. Miley e Taylor apareceram com a cara de sono, mas sorriram ao ver eu e Selena juntas outra vez.
— Vamos embora — repeti para as duas.
Elas deram de ombros.
— Las Vegas nunca mais — disseram.
— Onde está seu dinheiro, Mary? Temos que chegar a Nova York!
Selena me deu um beijo e me abraçou, no chão mesmo. Por trás do ombro dela, vi que Mary estava mais que certa. Amigas de verdade nunca te abandonam.
Nunca.
Notas finais
Último capítulo, gente :(
Mas amanhã tem uma surpresa, não abandonem a fic, ok? q
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