Friendship And Love
5 Capítulo 5
Las Vegas era incrível. A cidade estava toda iluminada e com a noite entrando, tudo parecia brilhar. De um lado ouvia-se e via-se gente cantando Elvis. Do outro, famosos andavam pela rua sem realmente parecerem famosos. À nossa frente, o Caesar’s Palace erguia-se estonteantemente, a cascata de água formando imagens de encher os olhos.
Taylor ficou de boca aberta. Mary filmava a reação dela, indo e voltando para a janela do carro.
— Aqui é... — começou Taylor.
— Inacreditável — completou Miley.
— Não temos dinheiro nem para pagar a metade de uma hospedagem no Caesar’s — contabilizou Mary.
— Hotéis fora dos limites da cidade e sem cassinos são muito mais baratos — comentou Selena.
— Digam tchau para as cascatas do Caesar’s Palace por uns minutos — eu disse. — Rach, saia da cidade.
Taylor obedeceu prontamente. Em poucos minutos, estávamos fazendo o check-in em um lugar quem era oito vezes menos o que o Caesar’s era, mas pelo menos podíamos pagar, comprar bebidas e jogar um pouco nos cassinos. Ainda sobrava dinheiro para por gasolina no carro na manhã seguinte. Depois... Bem, contávamos com a sorte e a matemática de Mary.
— Eu vou investir nosso dinheiro — anunciou Mary depois de estarmos instaladas. — Com minha sorte e minha matemática, vamos sair daqui com mil dólares ou mais.
— Acredito em você — falei.
— Eu também — disse Selena.
Mary sorriu com o apoio e saiu animada.
— Vou compra bebidas — disse Taylor. — E dizer à Mary que só hóspedes do Caesar’s podem jogar lá. Miley, venha comigo.
Miley bufou e levantou chateada. Antes de sair, Taylor piscou para Selena e desejou boa sorte em silêncio para mim.
— Estou com a impressão de que elas querem nos deixar sozinha — disse Selena irônica, encostada no batente da porta do banheiro.
— Tenho essa impressão desde que saí de L.A. — respondi.
— Não deveria ter contado que gosto de você — ela murmurou.
Ela sentou na minha frente sem me encarar. Pela primeira vez, eu não sabia o que ela sentia. Entretanto, eu tinha opções: Selena queria dizer que me amava, mas não tinha coragem; ela, muito remotamente, queria me beijar; ou talvez tivesse vergonha de dizer que adoraria ir a um cassino. Eu não sabia qual alternativa escolher.
Ficamos em silêncio por um bom tempo. Selena ainda não me olhava, mas eu a fitei durante o período, observando todos os detalhes dela. A franja que caía no rosto, sem se importar se veria algo ou não. Suas mãos delicadas que me davam a vontade de pegá-las e nunca mais soltá-las. A camiseta de Selena, ídolo de seu pai e inspiração de seu nome e que depois passou a ser seu ídolo também. E seus olhos. Ah, seus lindos olhos castanhos.
Eu poderia passar horas a observando e mesmo assim não cansaria.
Taylor e Miley voltaram pouco depois com garrafas de vodka e vinho.
— Eu amo Las Vegas! — exclamou Miley quando entrou no quarto. — Não usamos praticamente nada do dinheiro nesse tanto de bebida e o cara nem pediu a identidade!
— É Las Vegas, Miles — disse Selena deprimida.
— Cara, eu deixo vocês sozinhas e, quando volto, Selena está triste! — ralhou Taylor colocando a sacola de bebidas na cômoda. — Façam o favor de se declararem uma para a outra logo!
Eu e Selena ficamos vermelhas.
Elas estavam estranhas. Muito estranhas, para falar a verdade. Taylor pulava na cama em que Selena sentava. Miley cantava Highway To Hell num tom que nenhum dos vocalistas do AC/DC conseguira. O mais bizarro, no entanto, foi Taylor juntar-se a ela na cantoria.
— Vamos, Rach — disse Miley, abraçada a uma garrafa de vodka. — Deixemos estas garotas para de encontro a algo que estão evitando: a verdade.
Puxando Taylor, Miley saiu com a garrafa embaixo do braço.
— O que o álcool faz com a pessoa, hein? — comentei, indo fechar a porta que Miley deixara aberta. — Quer o que? Vinho ou vodka?
— Nada — respondeu Selena triste.
— Selly — chamei. — Por mim, por favor.
Ela balançou a cabeça num sim silencioso.
— Vodka. — Estendi um copo pequeno de plástico para ela. — No três.
— Um, dois, três — contou Selena rapidamente.
Viramos de uma só vez. A vodka desceu queimando minha garganta. Selena fez uma careta. A vodka podia ser de Las Vegas, mas a fabricada em Los Angeles era muito melhor.
— Horrível — concluiu Selena.
Coloquei mais vodka no copo dela e no meu. No segundo copo, a bebida queimou muito mais. O terceiro, no entanto, tudo ficou claro e o álcool assumiu um gosto de refrigerante de quinta categoria.
Selena evitava me olhar. Eu não entendi no começo e nem entendia agora, mas já estava me irritando. O que eu tinha feito para ela? Só porque deixara escapar que gostava de mim e havia se arrependido de suas palavras?
Se Selena não conseguia controlar seus sentimentos por mim e saíra para procurar ajuda sobre eles, eu tinha que bater palmas para ela. Isso mostrava que o amor dela era muito maior que o meu, porque eu não tinha coragem de contá-lo a ninguém — muito menos para a própria Selena.
De alguma forma, eu não estava mais com raiva dela; pelo contrário, eu a amava muito mais.
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