Friends
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“Mesmo que esse sentimento seja tão insignificante, que não valha derramar uma única lágrima...”
O grupo ficou no parque por mais algumas horas depois que a maioria das pessoas já tinham ido.
Estava ficando bastante frio, e ninguém havia trazido casaco suficiente, então resolveram encerrar o encontro de hoje.
Ficou marcado de todos se encontrarem no dia seguinte para darem uma volta e talvez irem ao cinema. Então cada um seguiu para um lado.
Ayumi e Maya seguiram juntas na maior parte do caminho, mas logo chegou à casa de Maya, e Ayumi teve que seguir caminho sozinha, por mais que não quisesse.
“Ah, tenho que admitir que hoje foi um ótimo dia! Até que eles são legais, e tocam bem também! Hunf, guitarrista então! Quem diria que a Maya estaria apaixonada por um guitarrista. Ela não é normal, isso todo mundo nota, mas eu não esperava por um guitarrista. Esperava o cara do karaokê que conhecemos há alguns meses, ou até o filho do dono da confeitaria. Ta, tenho que confessar que estou vendo animes de mais.”
Ayumi já havia chegado em casa, e assim que virou a maçaneta da porta e entrou, deu com Akemi sentada na escada esperando por ela.
-Isso são horas!-disse rispidamente Akemi.
-Ahá! Então a senhora está preocupada comigo!
-Que preocupada! Olhe bem para mim e vê se eu iria me preocupar contigo. Eu só acordei e vim beber um copo de água.
-E cansou de descer tantos degraus e resolveu sentar na escada?
-Ah, para com isso! Eu só tinha que ficar alerta para o caso de seus pais ligarem! Depois eles ficam ligando o tempo todo e dizem: Akemi, nós deixamos nossa filha em suas mãos, e olha como ela está agora! Akemi, nós não conseguimos reconhecer o corpo, mas verificaram e os dentes são mesmo dela.
-Ah, para de agourar!-disse Ayumi dando três batidinhas na porta.
-Ué, não era você que não acreditava em superstições?
-ah, isso foi apenas costume!
-uhu, sei!
-Ah, não fala nada! Você ficou ai até essa hora acordada preocupada comigo.
-Ah, você acha que eu fiquei preocupada é? – akemi se levantou e se aproximou — você acha que fiquei preocupada é? – Akemi agarrou Ayumi pelo pescoço e começou a fazer cafuné na cabeça de Ayumi. – É claro que eu fiquei preocupada! Você acha o que?
-Ah, eu sabia que você se importava comigo!
-fazer o que? Se eu tivesse escolha, mas nem isso eu tenho! Isso que dá conhecer alguém desde criança!
- Olha, ta muito boa essa conversa, mas eu vou dormir. Você também deveria ir, ta com uma cara péssima!
-Não estando parecida com você esta bom!
Ambas foram dormir.
Na verdade, seria errado afirmar isso, já que Ayumi ficou pensando durante um bom tempo em sua cama.
Pensou no seu dia, pensou no amor que Maya estava sentindo por Koichi,pensou também em formas de conseguir arrancar algo dele que fizesse sentido continuar ou encerrar com esse amor todo.
Mas por mais que lutasse contra seu íntimo, toda essa historia de amor mexeu com ela, e logo passou a pensar no que relutou o dia todo.
Mas na verdade, dessa vez veio em sua mente muito mais do que um simples pensamento. Veio à tona uma lembrança. Sim, uma lembrança que ela escondia de si mesma por muito tempo, como uma forma de tentar afastar de si a tristeza a qual ela não precisava nenhum pouco.
“Já está na época das cerejeiras?
Sim –respondeu um garoto de escuros cabelos.- Já é possível vê-las flutuarem pelo céu.
Sempre achei estranho esse fenômeno. Sabe, na Inglaterra não tem isso. Quando uma árvore começa a soltar suas flores ou folhas, elas não chegam a flutuar. Elas passam mais como se estivessem amarradas em um jatinho, entende? Elas viram um Super Man passando por nós.
O garoto sorriu do que Ayumi havia dito, fazendo com que a garota corasse.
Ichirou-kun –disse Ayumi.
Somente Ichirou, Ayumi. Eu já lhe disse isso.
Me desculpe, Ichirou.
Não se preocupe, não é motivo para pedir desculpas.
Ichirou. Er...Você sabe o que sinto por você, não é?
Sim Ayumi. Jamais irei esquecer daquele dia no parque. Significou muito para mim. Obrigado. Mas não era isso o que você queria dizer, não é?
Na verdade não. Ichirou...Por que você fugiu de Osaka? Eu sei que não foi bem fugiu, mas do jeito que foi, acho que o termo fugir se encaixa melhor do que sair.
Foram por vários motivos, Ayumi. Sinto, mas não posso lhe contar. Não que não confie em você, e muito menos por você não ser uma pessoa digna para ouvi-lo, não tem nada a ver com qualquer coisa como esta. Eu...Eu simplesmente não estou pronto para deixar tudo o que conquistei aqui por isto. Por favor, não faça essa cara. Prefiro vê-la sorrindo do que ver qualquer outro sentimento exposto em seu lindo rosto.”
Ayumi continuou a olhar para o teto.
- Mesmo agora... Mesmo agora eu não consigo entender, Ichirou! Se realmente, assim como você me disse, se meus sentimentos são tão importantes para você, por que você não pode simplesmente me contar? Não importa o que fosse, eu ficaria ao seu lado, tenho certeza de que você sabe disso...
Mas... ainda não consigo entender.
Mesmo tentando afastar, Ayumi não conseguiu impedir que lágrimas brotassem em seus olhos, até que o fluxo começou a ser mais forte, assim como suas palavras começaram a soar mais alto.
-Eu não entendo, Ichirou! Eu não consigo entender por que não pode me contar. Qual é o problema comigo? Por que você não pode confiar em mim, por quê?
Ayumi havia dobrado suas pernas e estava com as mãos sobre sua cabeça, enquanto as mesmas palavras, ‘por que’, saiam de sua boca com a mesma intensidade que as lágrimas nasciam nos cantos de seus olhos.
No lado de fora do quarto, Akemi lançava um olhar preocupado para a porta, como se com aquele olhar ela pudesse aliviar o sofrimento que tanto afligia sua amiga. Como se pudesse apagar todas as lembranças e ela simplesmente pudesse voltar a sorrir e xingá-la como fazia todo dia.
Miori se aproximou vagarosamente da esposa e com sussurros se dirigiu a mulher.
- Akemi, acalme-se. Você sabe que não pode fazer nada quanto a isso.
-Eu sei, Miori. Mas não posso simplesmente fingir que nada está acontecendo com ela. Toda noite ela fala as mesmas coisas, e a cada dia piora! Como não iria me preocupar?
Miori abraçou a mulher carinhosamente.
-Não se preocupe querida. Eu sei que não adianta nada falar isso, mas tudo ficará bem. Vamos dormir, não vai ajudar nada se quando ela acordar ver seu rosto abatido e cheio de lágrimas.
O casal foi para o quarto, depois de certa resistência de Akemi.
Ayumi continuou chorando e repetindo as mesmas frases, até que tudo diminui lentamente, e ela conseguiu pegar no sono.
Fale com o autor