Freya
1 Capítulo I
Notas iniciais
Freya
Capítulo I
Acho que nunca pensei muito em como eu morreria. Provavelmente, seria de alguma doença – minha saúde é deveras fraca.
Também nunca imaginei o quanto o mundo mudaria – pelo menos pra mim –, depois de tudo acabar. Ou quase. Tá, pra MIM mudou muito. Se você ler direito, vai entender.
Mas, ao mesmo tempo, sinto que não estou morta. Sinto meu sangue ainda correndo por minhas veias, visíveis por através de minha pele extremamente pálida – ainda assim, sem ser albina. Ainda resta um brilho – ainda que macabro – no meu cabelo louro e olhos mel-esverdeados.
Foi ai que senti alguém sacudir meu corpo.
-- AJ? – a voz dizia – Alice? Alice?! – um suspiro, pensei que ela tivesse desistido, mas não – ALICE JAMMIE FREYA!
Revirei-me por alguns instantes. Então, de fato eu estava viva?
-- Malkia? – sussurrei, minha voz era apenas um fio – O que foi?
-- Pensei que nunca mais fosse te ver! – ela gritou, me abraçando
-- Como? Do que você tá falando?!
-- ELES DISSERAM QUE VOCÊ TINHA MORRIDO! – ela berrou, enquanto chorava e me abraçava ao mesmo tempo – Mas eu nunca acreditei. Nunquinha.
“Como é?” Eu pensava “Morta? Como posso ter morrido se ainda estou aqui?”
Eu não conseguia mais compreender. Como podia estar morta, se estava viva? Senti um calafrio percorrer minha espinha, e virei novamente para Malkia.
-- Malk, onde eu estou? – sentia minha voz vibrar com mais intensidade em minha garganta – E cadê o Caim?
-- Não sei onde ele está.
-- E que lugar é esse? – a vi morder o lábio inferior, algo que ela só fazia quando hesitava, então repeti – Onde eu estou?
-- Não sei direito também, só sei que é um laboratório.
Eu suspirei novamente. Laboratório?! Então, que diabos eu fazia ali?! Abri a boca para questioná-la novamente, mas um alarme tocou. Ai, um cara entrou na sala, e tirou a Malkia dali.
Tentei me levantar, quando a porta se fechou, mas não consegui. Fui puxada novamente em direção ao chão. Decidi, então, analisar friamente minha situação: estava presa na parede por quatro correntes, algemadas em meus pés e minhas mãos.
Dada a situação, a única coisa que me restava era sentar e esperar. E não tardou a novamente abrirem a porta, dessa vez o homem que tirara Malkia do recinto entrou.
-- Quem é você? – sibilei
-- Alguém como você não precisa saber quem eu sou, agora cale-se! – ele urrou, fazendo com que eu me contraísse um pouco – Me dá o braço.
-- Como? – não tive tempo para minha pergunta ser respondida, meu braço direito foi puxado.
O homem retirou um elástico do bolso, o qual usou para fazer um torniquete. Forçou-me a ficar com o braço esticado, então retirou uma seringa, do outro bolso do jaleco. Retirou a tampa que protegia a agulha, e a injetou em minha veia.
Eu não sabia o que era aquilo, mas me deu uma sensação maravilhosa. Sentia como se tivesse levado um choque, que me estimulara de tal maneira que não conseguia parar; e, ao mesmo tempo, tinha visões completamente embaralhadas de algum outro lugar – não aquele teto branco deprimente com aquelas paredes da mesma cor, e aquele vidro espelhado no topo da parede em minha frente.
Mais tarde, descobri o que era aquilo, e da pior forma. Era ecstasy liquido. O suficiente para produzir efeito, mas pouco demais para me dar uma overdose. Seja quem fosse aquele homem, sabia o que fazia.
Eu sabia exatamente o dia que era cada vez que aquele homem entrava no quarto. Acontecia no dia primeiro e no dia quinze de cada mês. Era assim que me situava.
Notas finais
Os capítulos mostraram o presente e o passado da personagem, para, no final, mostrarem o futuro.
Como vai ficar estruturado? Um capítulo mostrará o presente (como é o caso desse inicial) e o próximo mostrará o passado.
Lembrem-se, tanto presente quanto passado são importantes para entender QUEM AJ é. Então prestem atenção, ok?
E não esqueçam da review *__*
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