Frequência do Amor
5 Capítulo 5
Capítulo 5: O Mestre das Estrelas (Versão Lapidada)
Taehyung saiu da sala de reuniões com os ombros pesados e a mente saturada de prazos e conceitos visuais. Foram horas discutindo o novo álbum, analisando cronogramas e coreografias até que a exaustão física se tornasse aquele vazio mental familiar. Assim que se jogou no banco traseiro do carro, buscou o celular. Precisava de algo que o arrancasse daquele estado automático, e só havia uma pessoa capaz de fazer isso agora.
"E aí? Sobreviveu ao turno ou o café não deu conta?", enviou para JungWoo.
A resposta veio com uma foto de um telescópio montado sob um céu absurdamente estrelado. "O café foi substituído por frio. Estou no topo da montanha perto do observatório. Chuva de meteoros hoje."
Taehyung rapidamente se viu impressionado. JungWoo não era apenas um curioso; ele falava sobre constelações e a mecânica das lentes com uma precisão fascinante. Para cada pergunta de Taehyung, JungWoo tinha uma explicação técnica e clara. Taehyung ficou ali, lendo sobre nebulosas, admirado com o quanto aquele homem era virtuoso em seus interesses silenciosos.
"Uau, você realmente sabe o que está fazendo", Taehyung digitou. "Pelas fotos, parece que você capturou o universo inteiro aí."
"É um hobby prático", JungWoo respondeu. "Ajuda a lembrar que nossos problemas são pequenos perto disso tudo."
A conversa seguiu leve, até que o intervalo entre as mensagens começou a aumentar. Taehyung estranhou, até que veio o texto seguinte:
"Os meteoros já passaram. O problema é que agora está um breu total e eu não consigo descer a trilha com segurança. Eu vi umas cinco pessoas subindo quando cheguei, mas agora não vejo nem sinal de luz de lanterna de ninguém. Devem estar bem longe."
Taehyung sorriu, mas a próxima mensagem mudou o tom.
"Para ser sincero... o silêncio aqui fora está começando a ficar barulhento demais. O vento bate na lona da barraca e eu fico achando que tem alguém andando em volta. Acho que não foi uma boa ideia vir sozinho. Estou com um pouco de medo, Taehyung. Não foi minha melhor decisão."
Taehyung sentiu o coração apertar. O homem que explicava a órbita dos planetas com tanta segurança agora admitia uma vulnerabilidade muito humana. Ele não pensou duas vezes.
"Segura aí, mestre das estrelas", Taehyung escreveu. "Vou te ligar por vídeo agora. Assim eu te faço companhia e você não fica ouvindo o barulho do vento sozinho. Atende aí."
Quando a imagem finalmente estabilizou e o rosto de JungWoo preencheu a tela, Taehyung sentiu o ar escapar por um segundo.
JungWoo tinha um rosto limpo, com traços que misturavam uma juventude inocente com um olhar focado e sério. O cabelo estava bagunçado pelo gorro e a luz da lanterna destacava a clareza dos seus olhos. Taehyung ficou impressionado com a simetria orgânica daquele rosto; ele parecia alguém que não tinha a menor ideia do quanto era atraente. Era uma beleza crua, sem filtros, que parecia a única coisa sólida no meio da névoa de exaustão que Taehyung sentia.
— Oi... — JungWoo sussurrou, a voz saindo trêmula pela tela. — Você ligou mesmo.
— Claro que liguei. Achou que eu ia te deixar sozinho com os fantasmas da montanha? — Taehyung respondeu, forçando a voz a soar natural enquanto processava o impacto daquela imagem. — Apoia o celular em algum lugar. Eu não vou desligar. Vou ficar aqui falando besteira até você esquecer que está no meio do nada.
JungWoo obedeceu, encostando o aparelho na mochila. Ele parecia visivelmente mais relaxado, embora ainda desse olhadas rápidas para os lados.
— Eu me sinto um idiota — JungWoo confessou, fazendo um biquinho pensativo que Taehyung achou absurdamente espontâneo. — Passei horas te dando uma aula de astronomia e agora estou assustado com o barulho do vento.
— Não é idiotice, é o contraste — Taehyung disse. — Dez minutos atrás você era o mestre das estrelas. Agora você é só um humano numa barraca fria. Eu prefiro esse JungWoo de agora, sabia? Ele é muito mais real.
— Já que você está preso aí e eu no trânsito, vamos fazer um jogo — Taehyung propôs. — Um quiz. Eu tento adivinhar coisas sobre você e você sobre mim. Se errar, tem que contar uma história vergonhosa.
Taehyung apostou em azul e gatos para JungWoo, mas errou: era verde-musgo e cães. JungWoo apostou em cinza e comidas caras para Taehyung, errando feio ao descobrir que a cor era roxo e o desejo era um simples Japchae.
— Espera aí... se os dois erraram, os dois perderam! — Taehyung riu, vendo JungWoo finalmente relaxar os ombros. — Vou cobrar minha história depois, sou um cobrador implacável.
JungWoo deu um meio sorriso, observando Taehyung através da tela com um olhar mais suave.
— Justo. A lógica diz que houve um empate técnico na falta de conhecimento mútuo. Mas, Taehyung... obrigado.
— Okay. Mas ainda não acredito que você se enfiou aí sozinho, sem nenhum preparo — Taehyung comentou, e o tom de brincadeira deu lugar a uma preocupação genuína. Agora que JungWoo tinha um rosto, a ideia dele passando risco naquela montanha parecia muito mais tangível.
— Eu só pensei nos meteoros — JungWoo justificou, as bochechas ganhando um tom de vermelho pelo frio ou pela vergonha.
Taehyung sorriu. Aquela mistura de intelecto brilhante com falta de senso de autopreservação era o que tornava JungWoo único.
— Promete que da próxima vez você me avisa antes? Se eu souber antes, posso ficar de vigia desde o começo.
JungWoo desviou o olhar, ajeitando-se no saco de dormir, vencido pelo conforto da voz de Taehyung.
— Prometo — ele sussurrou. — Acho que... não vou mais tentar ser um aventureiro sem um plano B.
Eles ficaram em silêncio por longos minutos, apenas as luzes de Seul passando pela janela do carro e o som do vento na barraca. Nenhum dos dois queria desligar. Era o início de algo que já não cabia mais apenas em textos, uma conexão que brilhava mais do que qualquer meteoro que tivesse cruzado o céu naquela noite.
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