Taehyung estava submerso até os ombros na água aquecida da piscina de borda infinita. Ao seu lado, Hyungsik relaxava, mas mantinha o radar ligado no amigo. O silêncio do SPA era luxuoso, um isolamento caro que poucos podiam pagar, mas Taehyung parecia processar algo muito mais simples e profundo.


— Você está muito quieto hoje, Tae — Hyungsik comentou, abrindo os olhos devagar. Ele hesitou, medindo as palavras com um cuidado de irmão mais velho. — Como estão as coisas? Quero dizer... de verdade. Teve alguma recaída?


Taehyung sabia que ele se referia aos dias sombrios da depressão, aqueles em que nem o brilho da fama, nem o luxo daquele SPA conseguiam aquecer o que estava frio por dentro.


— Não, hyung. Na verdade, estou me sentindo mais... presente — Taehyung respondeu, observando o vapor que subia da água. Ele deu um sorriso de canto, genuíno. — Surgiu uma pessoa. A gente se fala por mensagem.


Hyungsik arqueou a sobrancelha, o instinto de proteção despertando no mesmo instante.

— Algum artista? Alguém do nosso meio?


— Não. Um estranho. — Taehyung riu baixinho, lembrando do impacto do primeiro contato. — No começo, eu tive certeza de que ele era um mestre espiritual ou um filósofo moderno. A primeira mensagem dele foi como uma revelação, sabe? Ele descreveu meu cansaço de um jeito que ninguém nunca tinha feito. Parecia um sinal direto do universo para eu não desmoronar naquele dia.


Ele se inclinou na borda da piscina, o olhar perdido na vista de Seul.


— Depois eu descobri que ele é só um cara comum. Trabalha no turno da noite, pega metrô de madrugada e se preocupa com o jantar. Mas, de alguma forma, essa simplicidade dele é o que mais me prende. Ele tem uma "verdade" que eu não encontro em mais lugar nenhum.


Hyungsik ouvia tudo com o cenho franzido. Como alguém que conhecia bem os perigos da indústria e a vulnerabilidade emocional do amigo, o alerta de segurança disparou.


— Tae... — a voz de Hyungsik ficou baixa e séria. — Você sabe como isso soa, não sabe? Você estava mal, e agora está encantado por um desconhecido que "apareceu com a resposta certa". Se essa pessoa descobrir quem você é, ou se ela já souber e estiver apenas jogando o jogo da humildade para te fisgar...


Taehyung balançou a cabeça, interrompendo o amigo com um gesto calmo.


— Eu tive esse medo, hyung. Mas a dinâmica é o contrário do que você imagina. Sou eu quem busca as interações. Sou eu quem fica fazendo perguntas, tentando entrar no mundo dele — Taehyung deu um riso seco, olhando para a água. — O JungWoo não me cerca. Na verdade, às vezes parece que eu sou uma distração no silêncio dele. Ele está focado em sobreviver ao turno, em estudar, em cozinhar... ele me trata como uma pessoa comum porque, para ele, eu sou exatamente isso.


Hyungsik mexeu na água, mas seu rosto não relaxou. Pelo contrário, a expressão de dúvida parecia ter se fixado ali.


— Mas você já parou para pensar que "não ter interesse" é a estratégia perfeita para prender alguém como você? — Hyungsik rebateu, a voz carregada de ceticismo. — Alguém que não pergunta nada cria um mistério que te faz querer entregar tudo. Eu não gosto disso, Tae. Os mais perigosos são os que convencem a gente de que são inofensivos.


Taehyung suspirou. Ele entendia o lado do amigo, mas sentia que Hyungsik estava tentando aplicar as regras de um mundo plástico a uma pessoa que era feita de outra matéria.


— Eu entendo o cuidado, hyung. Mas se você visse as mensagens... o jeito que ele fala da comida, do sono... não tem como fingir ser tão comum assim por tanto tempo. Ele não faz esforço para ser interessante.


Hyungsik não se convenceu. Ele apenas desviou o olhar para o horizonte, o maxilar levemente travado. Ele decidiu não discutir mais para não estragar o momento de paz do amigo, mas sua guarda não baixou nem um milímetro. Para ele, aquele "cara comum" ainda era uma ameaça em potencial, um borrão em um radar que ele pretendia manter bem ligado.


— Só tome cuidado — Hyungsik disse por fim, com um tom seco que encerrava o assunto, mas deixava claro que ele continuava desconfiado. — E se ele começar com qualquer conversa estranha ou pedir favores, você me avisa na hora.


Taehyung assentiu, respeitando o silêncio tenso que se seguiu. Ele sabia que a desconfiança de Hyungsik vinha de um mundo onde tudo era calculado. Mas o que o prendia a JungWoo era justamente a sensação de que, naquele mundo silencioso de madrugadas e livros de mecânica, o cálculo simplesmente não existia — mesmo que, por enquanto, só ele conseguisse enxergar isso.