Frequência do Amor
11 Capítulo 11
Depois que a refeição ficou pronta, eles não comeram na mesa de jantar formal. Taehyung sugeriu que ficassem ali mesmo, na bancada da cozinha, dividindo o espaço onde tudo fora criado. O sabor estava exatamente como JungWoo havia prometido: equilibrado e honesto.
Quando terminaram, o cansaço bom da comida e da conversa tomou conta do ambiente. Taehyung lavou a louça enquanto JungWoo, com aquela sua calma inerente, secava cada peça e as guardava nos lugares certos — ele já parecia ter memorizado a lógica daquela cozinha.
— Vamos para o terraço? O ar está fresco lá fora — sugeriu Taehyung.
Eles se acomodaram em duas poltronas confortáveis, com a cidade brilhando ao longe como um mar de luzes desfocadas. Não havia mais a necessidade de falar sobre técnicas ou sobre o passado. JungWoo estava sentado com os pés recolhidos, os abafadores de som agora esquecidos sobre a mesa de centro. Ele parecia perfeitamente em paz com o silêncio do lugar.
Taehyung o observava de soslaio. O perfil de JungWoo, com a luz da lua destacando os traços delicados, transmitia uma serenidade que Taehyung raramente encontrava em outras pessoas.
— Obrigado por hoje, JungWoo — Taehyung disse baixinho. — De verdade.
JungWoo virou o rosto lentamente para ele. Não havia nenhuma barreira nos seus olhos, nenhum sinal daquela defensiva que Taehyung sentira em outros momentos.
— Eu que agradeço, Taehyung — JungWoo respondeu, e sua voz era quase um sussurro que se misturava à brisa. — Eu costumo dizer que prefiro guardar meu tempo para conexões reais. Hoje... eu sinto que não desperdicei nem um segundo dele.
Houve um momento em que suas mãos, descansadas sobre o braço das poltronas, ficaram a milímetros de distância. Taehyung não forçou o toque, mas a consciência da presença física um do outro era tão forte que não precisava de contato para ser sentida.
Mas a hora do JungWoo despedir-se havia chegado e Taehyung mesmo relutante concordou.
— Você quer que eu te leve em casa? — Taehyung perguntou, embora uma parte dele quisesse que a noite não terminasse.
— Eu gostaria de ir caminhando. Preciso processar o gosto da comida e a conversa — JungWoo sorriu de leve, levantando-se.
Taehyung o acompanhou até a porta. Quando JungWoo estava prestes a sair, ele parou e olhou para Taehyung. Sem aviso, ele estendeu a mão e tocou levemente o ombro de Taehyung, um toque rápido, mas carregado de um reconhecimento novo.
— Até a próxima aula, Taehyung. Tente não esquecer como segurar a faca até lá.
Taehyung riu e ficou parado na soleira, observando JungWoo caminhar pelo corredor com sua postura elegante até entrar no elevador. Ao fechar a porta, o apartamento parecia maior, mas não vazio. O cheiro do manjericão fresco e o eco das risadas de JungWoo ainda estavam ali. Taehyung encostou a testa na porta de madeira e sorriu, percebendo que, pela primeira vez, ele não estava apenas interessado em um homem; ele estava começando a se sentir em casa com ele.
O brilho das telas refletia nos rostos concentrados, e o som dos cliques frenéticos era interrompido apenas pelas vozes no Discord. O Wooga Squad estava em uma partida de PVP normal, o que significava que o clima estava... caótico, para dizer o mínimo. Sem a pressão dos pontos da ranqueada, eles se sentiam livres para testar campeões e, principalmente, para falar da vida.
— Woo-shik, por que você deu facecheck naquele arbusto? O Garen inimigo estava obviamente lá! — Park Seo-joon reclamou, sua voz de "pai" do grupo soando enquanto ele tentava farmar tranquilamente na rota do topo.
— Eu achei que ele tinha voltado base! — Choi Woo-shik resmungou, vendo seu campeão cinza na tela enquanto esperava o tempo para renascer. — Mas sabe o que é? É esse personagem novo do meu drama... Eu não consigo dar lock-in na personalidade dele. Ele tem que ter uma química imediata com o par romântico, mas eu sinto que estou jogando contra um bot. Não tem troca, não tem "gank" emocional. Eu tento uma abordagem e a pessoa não reage como eu espero.
— O problema é que você quer carregar a cena sozinho, Woo-shik-ah — Peakboy comentou calmamente da selva (Jungle), enquanto abatia os lobos. Como o mais velho, ele tinha essa visão artística de conjunto. — Na música e na atuação, se você não der espaço para o outro brilhar, a harmonia não acontece. Você está tentando ser o hypercarry quando a cena talvez peça um dueto.
— Exato — Park Hyung-sik interveio, focado em sua função de Suporte. Ele estava colado no ADC da rodada, que era o Taehyung. — Woo-shik, conexão não é sobre quem faz a jogada mais bonita. É sobre o follow-up. No meu último trabalho, eu só entendi meu personagem quando parei de olhar para o roteiro e comecei a olhar para como a outra pessoa reagia ao meu silêncio. Às vezes, o suporte é quem dita o ritmo da luta, mas você precisa deixar ele jogar.
Taehyung, que estava concentrado em dar o último golpe nos minions, soltou um riso baixo pelo microfone. Ele estava jogando com uma calma que parecia blindada, bem diferente do estilo mais ansioso que costumava ter no passado.
— O Hyung-sik tem razão — Taehyung disse, a voz profunda vibrando no headset. — Às vezes você entra na cena achando que tem que levar todos os itens e todo o dano, mas a conexão real acontece quando você confia no timing do outro. Mesmo que o outro pareça fechado, ele está te dando sinais.
— Olha o nosso maknae dando aula de macroplay da vida — provocou Woo-shik, mas com um tom de quem estava absorvendo a dica. — Mas e se o outro for... difícil de ler? Tipo um campeão que você nunca viu o kit de habilidades e você fica com medo de chegar perto?
— Ninguém é impossível de ler, hyung — Taehyung continuou, e por um segundo ele não estava pensando no jogo, mas no jeito que JungWoo o envolvera na cozinha para ensinar o corte da cebola. — Você só precisa parar de tentar adivinhar o que ele vai fazer e começar a acompanhar o movimento. Se ele recua, você dá espaço. Se ele avança, você sustenta. A conexão não é um script fixo, é um duo onde um aprende o ritmo do outro. Se você for um aluno dedicado, até o professor mais difícil acaba baixando a guarda.
Houve um momento de silêncio no chat, apenas o som dos cliques e dos avisos de "Cuidado" no mapa.
— Taehyungie... — Seo-joon começou, com aquele tom de "pai" que percebeu algo nas entrelinhas. — Isso foi muito específico. Você está aplicando esse conceito de "acompanhar o movimento" em algum projeto novo... ou é algo mais pessoal?
Taehyung sentiu o rosto esquentar, grato por eles não estarem em uma videochamada agora.
— Só estou dizendo que, se você quer que a conexão seja real, você tem que estar disposto a ser "suportado" também. Não precisa ser o herói o tempo todo.
— Entendi... — Woo-shik murmurou, e seu personagem finalmente renasceu e saiu da base. — Menos ego, mais escuta. Vou tentar tratar minha parceira de cena como a hipercarry. Valeu, Tae.
— De nada, hyung. Agora foca aqui, que o time inimigo tá indo pro Dragão e eu preciso que você use sua ultimate agora! — Taehyung comandou, e o grupo mergulhou de volta na partida, rindo e gritando, esquecendo por um momento os dramas da vida adulta para se unirem na tentativa (muitas vezes falha, mas sempre divertida) de vencerem o jogo juntos.
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