Freezing Passion

2 Capítulo 2 - The Arrival


A viagem se sucedia longa e cansativa, exceto pelos poucos instantes de distração que lhe proporcionavam ao encontrar uma criatura das neves ou algo parecido. Um pouco de interação e uma companhia que não fosse um ao outro era sempre demasiadamente bem-vinda no estágio de tédio que se encontravam. Em certos pontos do interminável diálogo –assim como a viagem-, a Fada do Dente até que conseguia voltar a atenção do nosso amigo gelado. Quando tocava nos aspectos de Arandelle e em como o reino era magnífico e gelado, a curiosidade de Jack crescia cada vez mais e o tomava por completo. A magia se extinguia completamente quando o assunto era voltado para a temática da dentição.

Em meio ao vento gélido e a constante baixa temperatura, Frost se sentia em casa. Entretanto, não estava sendo tão divertido como imaginara e esperara. Certamente, esperava ele, ao chegar em seu destino final, tudo mudaria. Pelo que dissera a Fada em alguns pontos intrigantes das conversas, o habitantes de Arandelle era basicamente acostumados com magia e afins. Pelo que chegaram em boatos vindo do local, a própria rainha de Arandelle tinha poderes sobrenaturais diferentes. Ninguém sabia ao certo quais as características dos mesmos ou como a monarca os utilizava, mas era sempre bastante pronunciado.

O sol já nascia e Jack logo despertara. O sol ainda fraco ultrapassava as paredes amadeiradas do seleiro onde encontrara para um merecido descanso. Em uma das outras extremidades, sua companheira curtia um sono pesado e revigorante. Olhou em sua bússola mágica –presente do Coelho da Páscoa. Essa marca o local onde está e sua distância ao seu destino de origem, ao qual é descoberto pelo simples toque e o imaginar-, e pelo que constava, estavam bem perto. Talvez mais algumas quatro ou cinco horas de viagem, isso levando em consideração um ritmo e uma velocidade considerável de vôo. Jack Frost se levantou e caminhou até a moça, que ressonava tranquila.

Ei, Fada. –Cutucou-a no braço repleto de penugem esverdeada. – Acorde! Fada, Fada! – Ao sentir o toque de Jack em seu pescoço delicado, ela pôs-se de pé num pulo. Suas pequenas fadas companheiras puseram-se à voar ao seu entorno, assustadas, porém entusiasmadas com o novo dia. –Pelo que diz aqui, não estamos nada distantes desse maldito Arandelle. Estamos viajando há uma eternidade. Espero que não me arrependa quando finalmente chegarmos. – A Fada, por sua vez, esfregou os olhos e rebateu.

Francamente, Jack, chega de resmungar, por favor. –Seu modo meigo de encarar os fato, dera lugar a um temperamento irritadiço e intranquilo. –Deixe de falar e vamos partir logo. Estou farta de ter de dormir em seleiros. Ora essa, eu sou uma dama! Assim como minhas meninas. – As fadas pequeninas sibilaram em concordância. Sendo assim, tornaram a voar.

Dessa vez, a ansiedade ganhara de todo o resto. Jack cessara com suas reclamações, à pedido da Fada do Dente, que se mostrava prestes à lhe dar alguns tabefes e a Fada roia suas unhas de modo exagerado, demonstrando seu nervosismo. Frost sabia que ela não simplesmente ansiava por chegar ao tal reino e conhecer suas belezas, a Fada queria mesmo é encontrar essa criança abominável o suficiente para fazê-los percorrer tal distância. E assim foram seguindo, calados e absortos cada um em seu pensamento próprio.

Após mais algumas horas de silêncio sufocante, parecia que haviam chegado, enfim. O sol ainda brilhava imponente ao céu sem nuvens –o que não significa que o frio não reinava-, lá em baixo, a neve reluzia, ávida e clara como o habitual. Ao longe, obscurecido pela luz do sol, via-se a silhueta de um grande castelo. Suas torres iam em direção ao céu, e suas curvas minuciosamente construídas eram uma maravilha ao contemplar. As grandes vidraças deixavam com o que o sol entrasse, certamente proporcionava uma sensação deliciosa em seu interior. Os nobres que o preenchiam logicamente eram realmente muito sortudos e bem-sucedidos.

Os dois Guardiões sobrevoaram todo o reino. No asfalto gélido e úmido, os moradores paravam seus respectivos trabalhos e olhavam curiosos para os dois seres que levitavam acima deles. As sacadas das pequenas, porém lindas, casas eram rapidamente preenchidas pelas crianças, que apontavam e cochichavam entre si. Enquanto isso, lá em cima, Jack temia por isso. E se os boatos e conversas sobre a magia do reino fossem simplesmente uma lorota idiota? Eles estariam correndo um grave risco, pondo o sigilo dos Guardiões em vão. Não sabia ao certo se isso era o certo. Entretanto, isso não impediu-os de seguir em direção ao grande e atrativo castelo.

Foram, então, em direção ao solo. Pousaram na escadaria do grande castelo, e logo uma multidão foi crescendo em volta.

Hãn...Fada, será que isso está certo? E se eles nos considerarem uma aberração? – Com seus olhos vacilantes, a Fada observou todas aquelas pessoas.

Não seja bobo, Jack. Eles conhecem a magia, creio que não estamos encrencados...espero. –Nesse instante, uma mulher se prontificou, do centro da aglomeração, e falou pelo restante.

Vocês são Guardiões? – Espera aí! Eles os conhecia!

Sim, somos, Senhora. –Jack respondeu, um tanto quanto assustado. Muitos “Aah!” e “Ooh!” vieram da multidão, que abriram largos sorrisos e puseram-se à falar alto e numa alegria estranha. Alguns resolveram seguir seu rumo, ou voltar ao trabalho, mas outros decidiram ficar e iniciar uma série de questionários contra os Guardiões.

O que estão fazendo aqui, Guardiões? –Dessa vez, a Fada respondeu a pergunta, no seu modo bondoso de ser, e sempre enfatizando as partes que diziam respeito aos dentes. Entre uma maré de perguntas, uma voz reinou sobre as outras, fazendo-as se calarem instantaneamente.

Já chega! – Num misto de surpresa e admiração,todas as pessoas presentes se ajoelharam em reverência e murmuraram um duvidoso “Majestade”. Entre todos aqueles súditos, Jack e Fada continuaram de pé, atônitos e surpreendidos. Entre o mar de cabeças baixas, uma mulher se destacava. Não só por sua exuberante beleza, mas pelo respeito e admiração que emanava por seus poros e que, com toda a certeza, contaminava todos aqueles que a obedeciam como monarca. Sem dúvidas aquela era a Rainha. –Ora, vejo que temos uma ilustre visita. – Seu sorriso era tão branco e perfeito como de Jack Frost. – Por qual motivo tenho a honra de tê-los presentes em meu humilde reino, senhores Guardiões? – A mulher caminhou, deixando com que a barra de seu vestido azul escuro, de mangas curtas, deixando seus braços nus, e um quase imperceptível decote, arrastassem pelo solo molhado.

Parece-me que a minha amiga, Fada do Dente, encontrou uma incumbência ao qual resolver em seu reino, hãn..., Majestade. –Frost não saia o modo certo ao tratar uma figura tão importante. –Espero que não se importe. Não nos demoraremos, espero eu. – Para ser franco, o garoto não fora nem um pouco com a cara da Rainha. Achava-a bastante metida à besta e estúpida para seu gosto, mas jamais poderia negar sua beleza de tirar o fôlego. Seus cabelos eram exatamente do mesmo tom que o de Jack, e seus olhos eram claros como o céu anil acima de seus crânios.

Não se preocupe, caro...–Jack completou com um ligeiro “Jack Frost” -Isso, Jack Frost, é uma honra recebê-los em Arandelle. Daremos a vocês aposentos devidamente aconchegantes em meu castelo, claro, se aceitarem. –Um sorriso intrigante brotara em seu semblante belo. Jack se viu hipnotizado por um segundo, mas expulsou qualquer devaneio reverente.

Oh, muito obrigada, Rainha. Eu e Jack ficaremos realmente muito gratos. Uma noite bem dormida é tudo que precisamos. –A fada suspirou, e suas amiguinhas deitaram exaustas em seus ombros. – Ah, e pelo que sei, meu amigo está realmente bastante ansioso para explorar suas terras. –Sorriu à nobre, que retribuiu. – Eu posso iniciar meus preparativos e minha procura amanhã...assim que o sol brotar ao horizonte. – A Fada era realmente cativante. Muito gentil, sabe como tratar uma pessoa.

Sem dúvida alguma, Senhorita Fada do Dente. Providenciarei um desjejum ao feitio de Guardiões. –A Rainha não era o monstro ignorante ao qual Jack imaginara, mas, mesmo assim, seu modo de agir o intrigava. – Ao chegar da noite, tratarei de incumbir minha irmã, Princesa Anna, de preparar um deleitoso banquete, como honraria a vós. Afinal, não é todo dia que recebemos Guardiões. – Sua risada ecoou pelo silêncio estático. – E, vocês, por quê ainda estão aí parados? Fiquem à vontade para se retirarem e voltarem às suas funções de origem. – Ambos estavam tão distraídos que até mesmo se esqueceram da multidão ajoelhada, que se mantiveram ali até que a sua rainha os mandassem se retirar. –Sigam-me, os guiarei eu mesmo até seus aposentos reais.

Sem pestanejar, Jack e sua inseparável comparsa, seguiram-na pela escadaria de mármore até a entrada do castelo. Ao adentrarem aos mesmo, se deleitaram com a rica decoração e arquitetura. Ao chão, caminhavam por uma belíssima tapeçaria, que seguia até mesmo sobre os degraus das grandes escadas presentes no interior do local. Subiram algumas dessas escadarias, até chegarem a um longo corredor. A tapeçaria elegante, dera espaço à um grande tapete vermelho, grosseiro e comum. Obviamente, não questionariam, até porque não fazia a mínima diferença.

Bom, aqui estamos. –Cessaram seus passos, ao pararemos defronte à duas grandes portas de mogno escuro. –À Senhorita Fada do Dente, reservei um dos meus melhores quartos. –Numa reverencia de gratidão, a Guardiã fora logo deixando-os à sós e adentrando ao seu cômodo exclusivo. –Não menos importante, ao Senhor Jack Frost, tenho um dos meus melhores quartos, como honraria à sua figura ilustre.

Oh, muito obrigado, Majestade. –Em geral, Jack se flagrou bastante interessado em seu nome verdadeiro. –Deseja que a trate como Majestade ou outro tratamento semelhante, senhora? –A moça agarrou sua trança que descia pelas costas, e a posicionou sobre o ombro esquerdo.

Na verdade, é senhorita, Senhor Frost. – Sorriu. Um sorriso deveras encantador. – Para ser franca, não me importo muito com tratamentos reais ou o que quer que seja. Pode me chamar de Elsa.

Notas finais
No terceiro capítulo, um acontecimento nada conveniente atinge a realeza de Arandelle. Como irão reagir?