Freezing Passion

6 Capítulo 6 - The Lust


Apesar de, no momento, não precisar de absolutamente nada, Jack se sentiu bastante tentado à mandá-la entrar. No exterior do quarto, era notável que Margareth possuía o mesmo desejo. Entretanto, não fora necessário uma devida permissão para que a criada adentrasse do mesmo modo.

Sinto que quer me dizer algo, Senhor Frost. – Suas sardas pintavam-lhe o rosto de uma forma impressionante, seus cabelos cor de ferrugem caíam-lhe em cascata pelos ombros. –Tem certeza de que não quer me dizer? – Frost engoliu em seco, após a dama sentar-se em sua cama, onde ainda pairava estirado, um tanto quanto exausto.

No momento, parece que não... –Seus claros olhos quase perfuraram a pele da moça, onde um decote extravagante em demasia cortava-lhe o busto. Seu sorriso era indecente e malicioso, certamente gostava do estado em que deixava o Guardião.

Margareth debruçou-se sobre os cotovelos na macia cama. Jack ainda fitava seu corpo belíssimo. Sabia o que tinha que fazer, mesmo que o passeio do dia tenha deixado-o abalado emocionalmente. Sem mais rodeios, ergueu-se, indo em direção à Margareth como um cão feroz. Seus braços envolveram-na pela cintura, trazendo-a para si, enquanto depositava beijos por seu pescoço e ombros. A criada parecia gostar, pois permita-se a pequenos gemidos de prazer. O garoto ergueu sua cabeça, envolvendo os lábios da moça com os seus. Suas línguas desejosas formavam uma dança harmoniosa, repleta de luxúria.

Minha intuição nunca falha. – Diz Margareth entre as risadas. – Sabia que precisava de algo, Jack.

Jack Frost ignorou-a, desnudando seus ombros ao afastar as mangas de seu vestido. Beijou-a pela clavícula e pescoço, sentindo-se cada vez melhor. Sem aviso-prévio, a ruiva despiu-o de seu moletom, traçando com seus dedos finos e delicados o contorno de seu abdome definido. Seguindo os passos da mulher, Frost afastou mais um pouco as suas vestes, deixando seus seios nus. Margareth suspirou ao sentir o toque dos lábios de Jack em seus mamilos, acariciando seus cabelos esbranquiçados. A moça virou-se, deixando com que Jack ficasse sobre ela. Remexendo-se como uma víbora, se livrou do restante do vestido. Jack, por sua vez, levantou-se, retirando suas roupas aos poucos. Margareth observava-o, mordendo os lábios vez ou outra, ou fazendo comentários pervertidos. Frost desabotoou suas calças, e as retirou rapidamente. Fez-se o mesmo com as cuecas, as quais já mantinham-se avolumadas por motivos óbvios.

Quanta animação, senhor.

Novamente não dando muito ênfase, Jack deslizou sua boca pelo corpo desnudo da moça, percorrendo cada uma de suas sardas com a língua. Voltou-se para sua face. Segurou-a pela nuca, repleta de mechas arruivadas. Seus corpos envolviam-se em uma explosão de desejo, enquanto movimentavam-se unidos um ao outro. Suas bocas seladas em um arfante e demorado beijo. Ambos, cansados e ofegantes, deitaram-se lado a lado, logo após o clímax do prazer. Jack sentia-se mal, por alguma razão ainda inexplicável.

Eu...creio que tenha de me arrumar para o baile da Rainha. – Disse, numa escapatória simples.

Oh, não sinta-se privado pela minha presença, Jack. Arrume-se, gosto de sua companhia. – Seu sorriso era sincero demais para ser real.

Jack ergueu seu corpo ainda despido, e seguiu até o banheiro, localizado ao cômodo vizinho. Abriu a elegante torneira da também elegante banheira, e observou enquanto a água quente deslizava pela superfície da banheira de cerâmica, enchendo o recinto com um denso vapor.

Mas, conte-me, senhor. Qual foi mesmo o motivo que lhe trouxe aqui? – Ela parecia interessada em demasia. Notando o súbito interesse, Jack respondeu:

Na verdade, o problema ao qual resolver por aqui é destinado à Fada do Dente. Vim como uma espécie de acompanhante para com ela. À pedido do nosso líder, Papai Noel...Mas qual o motivo da pergunta...? – Margareth parecia deslocada.

Não é nada demais. Sabe...? Curiosidade feminina. Esses servos do castelo são muito fofoqueiros, várias hipóteses surgiram pelos corredores, só queria mesmo comprovar. – Sorriu-lhe, um sorriso amarelo.

Jack desligou a fonte de água, e adentrou à banheira em seguida, suspirando pela sensação revigorante. Encostou-se em uma das bases e permitiu-se uma breve relaxada. Sentia a exaustão se apoderar.

Estranho se adaptar tão bem ao modo da rainha. Vocês parecem se dar realmente bem. Bom, ela não parece-me uma pessoa compreensiva, por assim dizer. –Ele não gostava do rumo em que a conversa seguia.

Na verdade nos entendemos realmente bem. Elsa é gentil e generosa comigo, assim como com a Fada. Para ser franco, gosto bastante dela, especialmente após nosso passeio de hoje. – Uma pausa estratégica. – Às vezes penso que o motivo sejam nossos poderes, afinal são muito parecidos. – Margareth arregalou os olhos e sentou-se ereta sobre a cama, apoiando-se à cabeceira.

Poderes!? – Indagou, surpresa. Jack ergueu as sobrancelhas.

Como é possível que não saiba dos poderes? Além de ser natural de Arandelle, trabalha no Palácio. Achei que todos soubessem dos poderes de Elsa. Espero não ter contado demais... – Estava preocupado.

Ora, Jack, é claro que sabemos. Só gostaria de saber um pouco mais...me aprofundar no assunto. –Estreitou os olhos e respirou fundo.

Elsa, assim como eu, pode controlar os poderes do gelo, basicamente. Podemos criar nevascas de uma hora para outra, congelar elementos, criar qualquer tipo de coisa a partir de um simples aglomerado de neve. – Jack despejou um pouco de sais de banho de um recipiente na água morna.

Poxa, bem interessante, não? – Margareth levantou-se.

Sim, realmente. – Respondeu Jack Frost.

O Guardião se limpou devidamente e finalmente saiu da água, já com a pele dos dedos enrugadas. Assim que chegou ao quarto novamente, deparou-se só. Margareth já havia ido. Encolheu os ombros e partiu até seu armário, prestes à se vestir para a ocasião. Encontrou então o gibão escolhido pela própria Princesa Anna. Calças de couro e botas aconselhadas pelo Príncipe Kritof. Devido à sua insegurança, caminhou até o espelho, somente para uma ligeira olhadela.

Deparou-se com seus cabelos claros perfeitamente alinhados e seu belo rosto. Seus olhos azuis refletindo a fraca lâmpada, seus lábios perfeitamente desenhados e rosados, e finalmente seu sorriso tão elogiado. Seu corpo era esguio e musculoso, e seus braços fortes. Não se dava ao luxo de importar-se com esse tipo de futilidade, mas acabara de perceber o quão bonito sempre fora.

Desviando-se desses devaneios narcisistas, deixou os aposentos. O Castelo ainda era consideravelmente labiríntico o suficiente para que pudesse se perder, entretanto sabia o exato caminho à percorrer para chegar ao Salão de Bailes. Caminhou, então, pelo chão atapetado e virou várias esquinas pelos corredores. Em uma delas a grande porta dupla, regida por dois criado, um de cada lado, era visível e chamava toda a atenção. Certamente era ali onde seria sediado o evento tão planejado.

Sendo assim, com um aceno de cabeça para um dos criados, abriu-se as portas de mogno, onde um anunciante disse em alto e bom som:

Jack Frost, Guardião da Nevasca.

[...]

Em um ponto oposto, ainda no castelo, uma bela moça ruiva deixava o ofício, deveras cansada pelo dia de trabalho.

Até amanhã, Marg! – A cozinheira, uma velha corpulenta e de cabelos maltrapilhos despediu-se da mais nova, que retribuiu-lhe com um aceno de mãos, sem dar-se ao trabalho de se virar. Sua cabeça transbordava em ideias e pensamentos. Por debaixo da camada ruiva de mechas rebeldes, um turbilhão de planos pareciam borbulhar.

A moça caminhou pelas ruelas sujas e mal-cheirosas de Arandelle, sem sequer uma companhia. Seus olhos estreitados, vislumbrando atentamente cada passo de um desconhecido. Em um dos becos, que todavia teria de seguir normalmente, relaxou seus músculos pressionados. Com uma última olhada ao redor, murmurou palavras ininteligíveis. Palavras certamente desconhecidas pela maioria da população, mas que sobrepôs um efeito extraordinário.

Aos poucos, a bela pele clara e repleta de sardas, fora abandonando-a, e transformando-se em uma pele mais escura e livre de manchas. Seus cabelos alaranjados escureciam, agora num tom de castanho, e ligeiramente mais curto. Seu corpo ainda tinha suas curvas, mas suas feições já não eram tão jovens. Era uma mulher de meia-idade, uma mudança drástica em fração de segundos. Apesar de tudo, ainda permanecia bela.

Creio que tenho boas novas.

Notas finais
Enfim! Baile! Isso pode significar uma nova aproximação entre a Rainha e o nobre Guardião?