Freezing Passion

5 Capítulo 5 - The Approach


O dia amanhecera calmo e aparentemente tranquilo, mesmo com os acontecimentos anteriores, que serviram como um ligeiro abalo para com o dia-dia de Arandelle. Obviamente, os nativos não deixavam de comentar sobre o súbito ataque ao castelo, e cogitar inúmeras hipóteses acerca do tema, mas isso não fez com que a rotina dos moradores mudassem de alguma forma.

Já no interior do castelo, os nobres e seus convidados se despertaram quase tão afoitos quanto foram se deitar. Elsa parecia estar com a cabeça nas nuvens, enquanto sua irmã, Princesa Anna, castigava suas delicadas unhas, roendo-as de modo angustiante. Jack levantou-se um pouco mais tarde nesse dia, permitindo-se à uma pequena regalia. Quando finalmente se aprontou e se dirigiu ao salão de banquetes, todos já se empanturravam da boa comida.

Peço perdão pelo atraso. –Iniciou suas honrarias, habituando-se aos poucos aos costumes reais. Caminhando lentamente, acomodou-se sobre uma das ricas cadeiras do jogo de móveis e estendeu um guardanapo sobre o colo.

Não se preocupe, Frost. – O tom de voz da monarca agora era demasiadamente preocupado. – Em tempos nada áureos, dormir pode significar o sossego até então inexistente. – Seus olhos cansados caíam até seu pão, de onde uma fina camada de fumaça se estendia à sua superfície. – Coma, se alimente devidamente, precisará de energia para hoje. Devido ao bom tempo que nos agraciou, faremos um passeio pelas montanhas! Aproveitaremos o verão, não?

Verão? Jack rolou as órbitas até a janela –que já fora concertada e com vidros novos e brilhantes-, lá fora o frio parecia reinar. Aparentemente aquelas terras eram açoitadas pelo frio cortante, o que agradava incrivelmente o garoto.

Ah, claro, majestade. Adoraria acompanhá-la. – Sorriu de canto, voltando sua atenção aos belíssimos pratos que preenchiam a grande mesa.

Hoje irei a procura do que realmente nos trouxe aqui. Pelos Céus, estou tão nervosa! – Exclamou a Fada do Dente, levando suas mãos aos lábios como sempre teve o costume. – Espero que tudo corra bem. Pensamento positivo. Pensamento positivo. Pensamento positivo. –Jack sorriu, e capturou um bolinho da sexta.

As horas pareciam passar vagarosamente. Jack ansiava por sair da comodidade extravagante do castelo, e estava pronto para uma aventura, seja ela qual for. Deitou-se sobre sua cama, e recostou sua cabeleira macia sobre o travesseiro de plumas. Não tardou para que algumas batidas em sua porta anunciassem a chegada de sua companhia de andanças por Arandelle, o que o fez levantar-se de um pulo e expulsar seus devaneios.

Hãn...já estou saindo! – Quase tinha se esquecido que havia se despido para se sentir mais confortável. Tarde demais, Elsa já havia adentrado ao cômodo. Em especial, não seria nada demais. Mas levando em consideração sua completa nudez, achou melhor não entrar em hipóteses mais apuradas.

A moça soltou um grito de surpresa, logo levando suas mãos aos olhos, em busca de tapar sua visão da paisagem indecente. Jack, por sua vez, correu para o banheiro, e agarrou suas roupas como se dependesse delas para viver, suspirando logo em seguida. Vestiu-se numa rapidez inarrável e voltou ao cômodo principal do aposento. As bochechas da rainha se encontravam coradas, e suas mãos estavam irrequietas. Será que havia visto mais do que imaginava?

Me desculpe pelo incidente, eu... – Indagou Frost.

Não, eu é quem tenho que pedir perdão, entrei sem sua resposta e...

Enfim, vamos? – Cansado de se sentir envergonhado, Jack deu fim de uma vez por todas à situação constrangedora. Com um aceno de cabeça, Elsa concordou, e ambos deixaram o local.

Caminharam lado a lado pela dimensão do castelo. Desceram as incontáveis escadarias, até chegarem ao grande e belamente decorado hall de entrada. A grande porta de mogno estendia-se do chão ao teto.

Os guardas se tornaram realmente bem afoitos quando anunciei minha saída. Eles temem que um incidente parecido com o da noite passada possa ocorrer novamente. De qualquer modo, dispensei escolta militar, creio que não necessite. Não sei se está à par, mas... – Novamente remexeu com suas mãos inquietas, enquanto parecia encontrar uma posição correta para as mesmas. – Eu tenho certos poderes, posso controlar a neve e tudo mais...

Jack parecia pasmado. Essa costumava ser sua fala. Sempre soube que Elsa possuía certos dons mágicos, mas jamais imaginara que fossem tão semelhantes aos seus. Decidiu calar-se, seria mais bem-vindo do quê abrir sua boca e falar bobagens. Um guarda correu de encontro aos dois, e abriu a grande porta, após reverenciar a rainha.

B-bom, vamos lá. – Ainda incrivelmente surpreso, Jack deu o passo inicial, rumo aos locais inabitados de Arandelle, e Elsa seguiu-o em seu encalço.

Caminharam por algumas horas, mesmo que Jack preferisse levitar. Achou que não seria justo com a pobre rainha, vê-lo voando sem se cansar enquanto tinha de caminhar por auxílio e esforço de seus próprios membros. Além do mais, não sabia ao certo se era capaz de levar a garota consigo, o que seria realmente uma mão na roda.

As paisagens alternavam-se entre neve, neve até os joelhos e nevasca. Em alguns lugares em que passavam, flagravam-se cercados por lindos picos esbranquiçados. Jack sentia cada vez mais vontade de sobrevoar seus topos, tocando as nuvens com as pontas dos dedos. Estava farto do solo firme, queria um pouco mais de diversão e adrenalina.

Elsa, estou prestes à fazer algo que não sei se teria seu consentimento.

O quê seria...? – Sem mais delongas, Frost agarrou-a pela cintura, içando-se ao ar em seguida. Seu cajado erguido à frente, como uma espécie de herói. Esperava pelos gritos de histeria da moça, mas esses não foram ouvidos. Ouvia-se apenas a leve risada e o farfalhar de seus cabelos claros. O sorriso grande e contagiante era exposto ao semblante de Elsa. Seus olhos azuis brilhavam em reflexo de tanto branco. Uma visão de tirar o fôlego. –Jack! Jack Frost! Isso é incrível! Meu Deus, como isso é legal. – Se um pingo de nobreza ou realeza, Elsa deixou escapar um grito de exaltação, um berro de alegria. Estava realmente se mostrando, mostrando a verdadeira Elsa, a mulher. Deixando, dessa vez, a rainha e governante de lado.

Jack avistou um dos picos, e decidiu que era hora de observar com mais afinco a imensidão gelada. Pousou seus pés sobre o gelo vacilante, em seguida depositando Elsa em segurança ao mesmo.

Não é incrível? – Suspirou o garoto. – Como se sente ao pensar que até onde nossa vista alcança pertence à você? – Elsa, por sua vez, separou seus lábios, pronta para respondê-lo, mas se recatou novamente, pondo-se à simplesmente observar. – Onde quer ir agora? Temos muitas horas antes do pôr do sol, podemos nos divertir um bocado.

Tem um local, um local onde não visito há um grande período de tempo. – Ergueu a cabeça para olhar nos olhos do Guardião.Pode me levar ao Campo de Gelo? O nome pode ser um pouco estranho, mas é um local exuberante! Lá é onde nossos trabalhadores retiram o gelo em blocos, diretamente do lago congelado. É um dos meus lugares favoritos em meu reino...

Claro...só peço que me indique a direção.

Sem problemas, hum...vamos voando, certo? Creio que é um pouco distante para seguirmos à caminhada. – Jack se iluminou ao ouvir isso, e permitiu-se um sorriso.

De modo algum deixaria que cansasse seus reais pés. – Debochou Frost, rindo-se. Sem dar a oportunidade da moça rebater a brincadeira, agarrou-a pela cintura novamente. Apesar de seus poderes gelados, seu corpo era quente. Seus pés deixaram o solo firme, e ambos voaram com seus grandes sorrisos estampados ela face.

Elsa o guiou perfeitamente pelas suas próprias terras. Sendo assim, a viagem não fora muito longa. Chegaram enfim ao local tão estimado pela rainha, e logo voltaram ao chão. Aterrissaram, dessa vez, sobre um imenso lago congelado. Seus olhos tão adaptados à neve completamente clara, agora se confundiram ao vislumbrar aquele tom tão próximo do azul. Podia entender os motivos que levavam Elsa a gostar tanto desse local específico.

Uau. – Foi a única coisa que Jack conseguiu cuspir. – Perfeito para uma boa patinada...o que acha?–Elsa fitou-o interessada.

Seria ótimo, mas não vejo patins por aqui, meu querido. – Cruzou os braços defronte ao tronco e sorriu.

Não seja por isso! – Jack agachou-se, e estendeu a palma de sua mão até a sola de seus sapatos. Não fora necessário grande concentração para que uma fina camada de névoa deslizasse até os sapatos e formassem ali as bases de um patins, com um diferencial: Feitas de puro gelo. –Simples!

Magnífico! Brilhante ideia, rapazote. – Vangloriou-o. – Vejamos o que consigo fazer...- Seguindo os passos de Jack Frost, a rainha fez o mesmo, tendo um resultado incrivelmente semelhante aos improvisados patins do garoto. –Pronto, Guardião? – Sem esperar uma resposta, deslizou com glória pelo local, permitindo-se até mesmo manobras e pulos. Jack não ficou para trás, anuiu-se e pegou impulso, deslizando numa incrível velocidade pelo lago.

Se divertiram praticamente a tarde inteira. Patinaram, dançaram e se deliciaram com o belo lanche trago por Elsa. Exaustos, deixaram o Campo Gelado, sobrevoando-o, com a promessa de que retornariam. Teriam de estar prontos para o baile, um evento de magnitude inarrável. Seria realmente astuto da parte da rainha realizar um feito de tal importância após a ameaça de um ataque tão próximo? Ninguém tem a coragem suficiente para questionar a rainha, ora!

Regressaram ao castelo, chegando até lá rapidamente. Adentraram o mesmo por uma das janelas, já que vieram pelo ar, a janela a qual dava entrada ao quarto de Jack Frost.

Foi um grande prazer tê-lo como companhia, Jack. Espero vê-lo mais tarde. Com sua licença, tenho de me aprontar.

O prazer foi todo meu, Elsa. E eu...tenho que fazer coisas. – Um sorriso nervoso brota em seus lábios gélidos e ressecados. – Até mais ver. – Elsa ergueu a barra de seu vestido azul e deixou o cômodo. Jack jogou-se contra sua cama, logo sendo incomodado por novas batidas à porta. – Entre. – Disse ,com a cara no travesseiro.

Senhor Frost, precisa de alguma coisa? – A bela serva ruiva observava-o. – Posso ser-lhe útil? Lembra do que disse? Para qualquer coisa. – Seu sorriso travesso animava Jack de uma forma inexplicável.

Notas finais
Será que Jack cederá aos caprichos da serva? Será que poderá segurar-se para não fazer o que certamente não deveria, mas tanto deseja?