Freedom

1 Coming Undone


Notas iniciais
Botei +16 porque tem muitas pessoas que podem se ofender com esse texto. Bem, boa sorte. (?) Juro que não sei de onde saiu tudo isso. Só sei que amo muito tudo isso. Música: Coming Undone - Korn. Link: http://www.youtube.com/watch?v=CSJXle3LP_Q&feature=fvst

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- Ela vai pular! Ela vai pular da ponte, mãe! – um garoto desesperado, gritava.

- Ela deve ter seus motivos. – indiferente, sua mãe respondeu. – Deixe-a em paz.

E foi embora.

Afinal, ninguém se importa mesmo.

Continuo agüentando firme

Enquanto meu cérebro está pulsando feito uma bomba

Acho que os pensamentos obscuros vieram para me pegar de novo

Doces palavras amargas

Nada diferente do que já ouvi

Continue cantando, seu pássaro zombeteiro

Você não me afeta

NÃO! Sufocante.

Era duro respirar aquele ar pesado. Pessoas à sua volta, como em um formigueiro. Mas nenhuma trabalhava, nenhuma pessoa estava ali para garantir sua sobrevivência, como fazem as formigas. Elas estavam ali por coisas fúteis, insignificantes. Argh, como era sufocante conviver com aquelas pessoas.

Tinha vontade de se atirar no fundo do poço. Ninguém sentiria sua falta.

Amie começou uma caminhada para fora daquela estufa tóxica. Saíra do Café em que estava, cambaleante. No final das contas, era isso o que ela sentia. Ânsias viam à sua garganta. Colocou a mão sobre a boca e recostou-se numa parede próxima a si. Escorregou, até sentar-se ao chão. Abraçou os joelhos, com esperança de sumir. Ninguém se importaria.

Enfim, levantou-se, ainda cambaleante. Apoiando-se naquelas paredes imundas, voltou ao seu trajeto inicial. Mantinha os olhos cabisbaixos. Afinal, de nada adiantaria mantê-los erguidos. Nada mudaria. Ninguém se importa. Sua vida não iria mudar se ela fosse mais inteligente, mais destemida, mais corajosa, mais fútil ou mais falsa. Seria desprezada da mesma maneira, e estaria se lixando, de qualquer maneira.

Seu sangue fervia de ver tudo aquilo. Queria sacudir a cabeça de um, gritar em seu ouvido: Por que você está aqui?!

...Por que estamos aqui?

Qual nossa função? O que quero realizar? Serei capaz? Terei medo? Serei útil? Quero morrer. Quero afundar. Não. Não quero. Só morrer.

E então... Liberdade. Quem a tem? A capacidade de fazer o que te der na telha... Se liberdade é isso, então creio que ninguém a possui. Outros afirmam que liberdade deve ser dosada com responsabilidade. Mas, se formos raciocinar assim, isso não tem nada de liberdade. Não é... completo.

A tatuagem em sua nuca, que simbolizava liberdade em japonês de repente começava a latejar. Mas, provavelmente, era apenas psicológico.

É isso aí!

Mire bem no meu coração

Por favor, atire!

Seja cauteloso

Espere!

Estou me desfazendo

Que raiva!

Estou me desfazendo

Tarde demais!

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado

Ela começou novamente a observar as pessoas. Casais apaixonados, mães e filhos, pais e filhos, irmãos, solitários. Cada um possuía sua história e suas ambições. Queria gritar a todos para que parassem de viver com essa utopia de um mundo perfeito. Abram os olhos. Não existe esse mundo utópico que vocês mesmos criaram. Tudo mentira. Nada é completo. Nada. Nem mesmo Deus. Nem mesmo o Universo, embora esta não possa provar.

Conversas. Frases soltas. Xingamentos. Declarações de ódio. Declarações de amor. Mais conversas. Calem a boca. Calem.

- Não quero escutar. Não quero. – como uma garota mimada, Amie apenas repetia palavras sem sentido, parada em meio à multidão, ocultando o rosto com as mãos. As pessoas que passavam ao seu lado, ocasionalmente lançavam-lhe olhares de repreensão. Esta é louca, deduziam.

Mas não, ela não era louca. Só estava cansada. Cansada de lutar. Exausta, é o termo certo. Não queria mais tentar.

Então não tente. Uma voz maligna sussurrou em sua mente. Ninguém sentirá sua falta mesmo.

Alguém deveria se importar. Deveriam considerar uns aos outros. Mas contestar isso não a deixava triste. Pelo contrário, deixava-a satisfeita por saber que sua tese, desenvolvida por anos a fio por toda sua existência, estava correta. Todos eram desprezíveis. Escória. Mimados. Interesseiros. Irritantes. Egoístas. Hipócritas. Desgraçados. Incompletos.

Espere!

Estou começando a sufocar

E logo eu percebo

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado

Sufocado, mais uma vez sufocado

Eu descubro que os demônios eram meus amigos

Me suportando no final

Eles estão lá fora pra me pegar

Desde que eu era jovem

Tenho experimentado o sofrimento em minha língua

E não há nada tão doce que possa me proteger

Recomeçou sua caminhada sem destino certo. Uma hora ou outra, era empurrada. Sem ser digna de desculpas. Pessoas estúpidas. Morram. Afinal, todos podem morrer a qualquer momento. Aí, tudo o que você lutou para conquistar, todos seus bens materiais... Tudo acaba e vai pousar nas mãos de um outro egoísta. É um ciclo vicioso sem fim. O egoísmo é sua palavra chave.

Liberdade. Hipocrisia. Sinônimos, no final das contas. Pessoas “libertas”. Ela sentia nojo ao pensar nisso. É hipocrisia pensar que somos livres. Somos todos prisioneiros de nossos desejos, ambições, ou como queira chamar. Não somos livres para fazer nada nessa vida. Não regemos nossa vida; ela nos rege, conforme as regras impostas pela sociedade opressora, disfarçada por uma democracia.

“Todos iguais perante a lei”. Mentira. Deveriam mudar para “Todos iguais, desde que não sejam pretos, defeituosos nem revolucionários”. Sim... Agora está certo.

Todos são tolos por acharem que a lei atende a todos. Dementes. A lei apenas atende quem a apóia, extorquindo as tolas pessoas, que dão dinheiro de graça, pensando estarem contribuindo para um mundo melhor. Sim, estão contribuindo... Para um mundo cada vez mais demente e prepotente.

Começou a andar sobre uma ponte. O cheiro do mar monopolizou suas narinas. O mar devia ser o único exemplo concreto de liberdade. Suas ondas vão e vêm na freqüência definida pelo mar, e podem alcançar alturas assustadoras. Depende apenas do humor do mar. Ela queria sentir, nem que seja uma única vez na vida... O que é liberdade.

Sucumbir à loucura é um objetivo palpável para ela; possível. Lógico que não haveria um palco digno de seu último ato, mas isso era o que menos a importava. A peça sim, seu conteúdo, era o mais importante. E ela faria questão de não desapontar ninguém que se dignasse a assisti-la. As cortinas não se abaixariam antes do encerramento. Não desta vez.

É isso aí!

Mire entre os meus olhos

Por favor, atire!

Seja rápido agora

Espere!

Estou me desfazendo

Que raiva!

Estou me desfazendo

Tarde demais!

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado

Espere!

Estou começando a sufocar

E logo eu percebo

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado

Bem na beirada da ponte, começou a observar aquela tão curiosa atitude do mar. Tão... independente. Ele sim, era completo. O único.

Debruçada sobre a ponte, começou a fazer uma retrospectiva de toda sua vida. Não tinha muito o que falar. Nasceu, estudou, tirou notas medianas. Solitária, desprezava as que se intitulavam “populares”. Elas eram as mais solitárias. Cresceu... Apenas. Negava compartilhar sua existência medíocre com mais alguém.

Não realizou nada. Ela tinha certeza de que ninguém se importaria se ela desaparecesse. Nem mesmo seus pais. Arrisca dizer que eles iriam ficar felizes. Menos um peso nas costas.

As pessoas começaram a notar sua presença, enfim. Algumas que passavam, olhavam para ela e paravam por um segundo. E continuavam suas intermináveis caminhadas em direção ao nada.

Um garoto de dez anos, mais corajoso, desvencilhou-se da mãe, gritando:

- Ela vai pular! Ela vai pular da ponte, mãe!

- Ela deve ter seus motivos. – indiferente, sua mãe respondeu, puxando-o de volta para a multidão. – Deixe-a em paz.

E foi embora.

Afinal, ninguém se importa mesmo.

- Liberdade... – ela começou a sussurrar para o vento. – Eu quero senti-la... Pelo menos uma vez.

Abriu os braços. Seu corpo estava leve como uma pluma. A brisa aumentara, tirando seus cabelos lisos do rosto. Sentia-se pura, livre daquele lixão de pessoas que a rodeavam.

- Deixe-me ser... – inclinou-se para frente. – Ser... Livre. – e se jogou.

Não foi um trajeto difícil. Ela sabia o que queria, e sabia que conseguiria. O mar a acolheria e mostraria-lhe o que é liberdade. Ela, enfim, estava livre de todos que desprezava. De todos aqueles egoístas. De toda aquela hipocrisia e o fingimento de uma sociedade “feliz”.

“Deixe-me ser... Livre.” Aquelas foram suas últimas palavras, e ainda ecoavam em sua mente. Livre de toda a mediocridade, fingimento, idiotice e futilidade. Capaz de ser feliz. Agora, sim. Liberdade... Em sua plenitude. Ela sentia que era capaz de tudo e nada ao mesmo tempo. Sentia que podia mudar tudo e nada. Sabia que podia fazer qualquer coisa, mas preferia ficar ali, emergida naquelas águas envolventes.

Pela primeira vez, fora feliz.

Pela primeira vez, fizera jus ao significado daquela agulha que traçara tão caprichosamente os dizeres japoneses.

Eu estou tentando me manter firme

A cabeça mais leve que uma pena

Parece que não estou melhorando

Não estou melhorando!

Espere!

Estou me desfazendo

Que raiva!

Estou me desfazendo

Tarde demais!

I\'m coming undone

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado...

- Ela pulou! Ela pulou! Alguém chame a polícia! – as pessoas gritavam, lá de cima.

Em meio àquelas águas escuras, ela desapareceu.

Um último sentimento de indignação permeou por sua mente.

“E ainda tentam me resgatar de minha liberdade... Idiotas. Eu já fui embora, e não são vocês que irão me levar de volta para o inferno”.

Espere!

Estou começando a sufocar

E logo eu percebo

Estou me desfazendo

O que parece tão seguro, tão delicado...

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