Freedom
13 Capítulo Doze
Notas iniciais
Espero que gostem. Divirtam-se!
A gente se fala mais na N/A ;*
Bella POV.
Meus olhos mal conseguiam se manter abertos enquanto furiosamente eu digitava. Não sabia muito bem quantos erros eu encontraria quando fosse reler e corrigir, mas naquele momento eu não conseguia pensar direito.
Quatro dias.
Quatro dias sem notícia alguma. As lágrimas, quando me dei conta, desceram de maneira furiosa pelo meu rosto, mas eu – por nem meio segundo – parei de digitar. Talvez aquilo fosse bom; talvez não.
Eu só meio que precisava colocar no notebook tudo aquilo que eu sentia e não podia dizer.
A casa parecia cada vez mais silenciosa, ainda mais do que o costume. A maioria das luzes permanecia apagada, a televisão da sala raramente ligada, as janelas nunca abertas.
Tudo quieto.
Tudo silencioso demais.
E isso me deixava mais ansiosa, mais triste, às vezes sem saber exatamente o que sentia. Todos os dias eu ligava a TV só para saber se algo de ruim tinha acontecido, porque era essa a minha realidade agora: algo ruim poderia acontecer a qualquer momento.
Meu celular não saía do meu lado, porque eu esperava que a qualquer momento ele fosse tocar, e eu finalmente teria notícias de Rosalie e Jacob. Eles me diriam que tudo estava bem, que eu estava finalmente livre.
Porém, as coisas não eram fáceis para mim e meu celular nunca tocou.
Todas as noites eu chorava silenciosamente na cama, pensando em toda a família de Jacob, toda a família de Rosalie, todos os Cullen.
Pedia que eles ficassem bem, que as coisas dessem certo, que Rose e Jacob dessem sinal de vida.
E nada.
Eu sentia que piraria a qualquer momento, com tanta falta de notícias.
Acordar, comer, escrever, dormir... tudo isso parecia automático demais.
Eu precisava desesperadamente de notícias.
Precisava muito que toda aquela agonia acabasse.
Os dias estavam parecendo anos e eu realmente tinha perdido as esperanças. Embora nada mais com a marca deles tivesse passado na televisão, eu me convenci de que tudo tinha dado errado, de que mais alguém morrera e Rosalie tinha desistido de me ajudar.
Assim como Jacob.
Então, quase duas semanas depois, um movimento na porta me chamou a atenção.
Congelei imediatamente no caminho da sala para a cozinha, meu coração de repente muito acelerado e eu sem saber o que fazer. Meus olhos fixaram-se na porta e eu pude apenas ficar ali, parada, esperando que eles entrassem e me matassem.
Só que quando a porta se abriu, eu sorri. Porque eram Rose e Jake.
E eles estavam ali. Estavam bem. Estavam vivos.
Eu me vi puxando-os para um abraço, soluçando de felicidade. Não sabia o que dizer e talvez nem eles, porque ficamos em silêncio durante alguns segundos.
- Deu tudo certo – sussurrou Rosalie, finalmente quebrando o silêncio. – Nós temos as provas, Bella. Você estará livre em breve.
Você estará livre em breve.
Será que eu estava sonhando? Era mesmo real tudo aquilo? Aquelas palavras foram realmente ditas?
Porque eu simplesmente não conseguia acreditar.
- É sério? – indaguei.
Porque eu precisava que ela repetisse aquelas palavras. Precisava acreditar que era tudo real.
Eu conseguiria minha liberdade.
Eu seria inocentada.
De repente, eu me vi tendo um futuro com Edward... se ele ainda me quisesse.
- Sim, Bella. – Jacob disse, sorrindo também. – Temos as provas, temos cópias das provas e tudo está bem guardado. Vai dar tudo certo. Você vai ser inocentada.
Eu seria inocentada.
O quão feliz eu estava? Parecia impossível medir tamanha felicidade.
Para ser completa eu só precisava dele. De Edward.
Mas tudo bem, agora tínhamos tempo. Agora tudo parecia lindo demais e certo. Agora eu poderia visualizar um futuro para mim.
Agora eu tinha a chance de ser realmente feliz.
- Por que não nos sentamos? – Jacob indagou. – Podemos explicar tudo para você, caso queira.
Eu assenti, ainda sem parar de sorrir.
E acho que ficaria assim durante um tempo.
Nós nos sentamos no sofá, nós três com um sorriso enorme rosto. Esperei pacientemente pelas palavras deles.
Esperei que eles explicassem por que tudo aquilo acontecera comigo e com minha família.
- Bem... – começou Jacob. – Não sei se explicamos direito, mas Riley realmente sempre fora a chave de tudo. Ele tinha a caixa que te libertaria e iria entregar para a gente...
- Só que ele morreu – murmurei, sem deixar que Jacob dissesse aquilo. – Mas o que o Riley tinha a ver com eles? Por que estava ajudando?
Jacob deu de ombros.
- Aquela empresa que ele construiu foi com a ajuda de Aro Volturi – disse. – Anos mais tarde, quando precisou de ajuda, Aro cobrou de Riley. Ele simplesmente teve que ajudar.
Assenti.
- Então – continuou Rose –, você sabe mais ou menos sobre os Volturi. Sabe que eles devem ser o grupo, por assim dizer, mais perigoso do mundo, por mais que isso soe exagerado. Têm regras rígidas, sempre tiveram, e quando alguém não as segue...
- Eles morrem – tornei a completar, afundando-me ainda mais no sofá.
- Sim – suspirou. – E seu pai, Bella, sempre fora um bom policial. Uma jovem foi assassina poucos meses antes dos seus pais... A moça era jovem, como você, e isso me leva a crer que seu pai levou esse caso para o pessoal, por ela ter sua idade na época.
Engoli em seco, acenando com a cabeça, apenas incentivando-a a continuar.
- Ela foi morta a facadas – sussurrou. – Seu pai mergulhou a fundo nesse caso, juntando peças, pesquisando...
- E eu nunca vi isso – disse, de repente a beira das lágrimas. – Porque estava ocupada demais trabalhando.
- Não, Bella... – Jake passou um braço pelos meus ombros, sorrindo gentilmente para mim. – Seu pai escondeu isso muito bem, parece que nem sua mãe sabia.
- O problema é que os Volturi sempre se fixaram nesse método – continuou Rosalie. – Facadas, cordas... Um padrão, entende? Sempre o mesmo. Isso é um pouco estranho, na verdade... Um grupo manter o mesmo padrão é fora de comum. Geralmente eles evoluem, então com pesquisas minhas e de Jacob e com tudo o que vimos na caixa hoje... Bem, descobrimos que somente dois dos Volturi matavam.
- Caius e Marcus – sibilou Jacob. – Eles agem como uma verdadeira dupla. Não sabemos quem dá as facadas, quem amarra as vítimas. Não sabemos se eles fazem ser uma morte dolorosa ou rápida demais também.
Estremeci, a imagem de meus pais caídos no chão, sofrendo, me atormentando novamente.
- Eu teria escutado – sussurrei. – Eu teria escutado se eles tivessem gritado ou algo assim, por isso acho que eles matam de forma rápida e depois...
Eu realmente não conseguia dizer o resto.
E não precisei, porque ao que parece, Rosalie e Jacob entenderam.
- Aro dá as ordens finais, embora todos eles tenham essa pose de família – suspirou Rose. – E seu pai chegou muito perto, Bella. Seu pai chegou perto demais. Eles não tinham alguém chegando tão perto há muito tempo...
- Eu entendo isso – sussurrei, lembrando-me mais do que nunca dos meus pais. – Mas ainda não consigo entender porque logo Riley, porque eles não me mataram também. E porque Riley tinha essa caixa que poderia me inocentar, mas nunca fez nada.
- Eles vinham deixando muitas pistas para trás. – Jake deu de ombros. – Deixar que a culpa recaísse sobre você deixaria os policiais e todo o resto envolvidos, muito confusos. Eles não tinham como te culpar pelos outros assassinatos, então ficou essa dúvida. Por que usar o mesmo método usado em tantos outros crimes, entende?
Assenti.
- Tanto que quando você foi presa, as coisas esfriaram – continuou ele. – Nenhuma morte, nenhuma pista, absolutamente nada. Talvez eles tenham matado e eu realmente não duvido disso, mas provavelmente encobriram essa morte muito bem para que ninguém desconfiasse deles.
“Eles provavelmente ficaram muito atentos com tudo o que acontecia com você na delegacia. O seu relacionamento com o Edward, eu até acho que eles nunca ficaram sabendo, mas sobre os julgamentos, sua pena de morte... Eles estavam atentos a cada detalhe, porque eles precisavam de você para despistarem.
“Eles planejavam, de acordo com os papéis que encontramos com Riley, mudar o método depois de sua morte. Planejavam mudar de direção, chamar menos atenção, porque, na cabeça deles, se seu pai conseguira chegar tão perto, em breve mais policiais poderiam e eles acabariam perdendo todo o controle da situação. Por isso, acompanhar seu caso era importante, seguir de perto... Se surgisse alguma prova de que você não havia matado seus pais, de algum modo eles sabiam. Sabiam que pensariam neles.”
Jacob tomou fôlego e estendeu a mão para Rose, que pegou sua bolsa – que estava ao seu lado – e a abriu, puxando uma pasta. Ela entregou-a a Jacob e me fitou, um sorriso tomando conta do seu rosto. Eu realmente tentei sorrir de volta, mas ainda estava tentando ligar todos os pontos.
- Riley tinha informações precisas, importantes – murmurou ele. – Coisas que inocentam você, que provam que a culpa é dos Volturi. Gravações, vídeos, folhas e mais folhas de provas. Absolutamente tudo, Bella.
Eu respirei fundo, tentando assimilar as coisas que Jacob e Rosalie me disseram naquela noite.
- Mas por quê? – indaguei novamente. – Eu ainda não entendo por que Riley guardou tudo isso.
Jacob encolheu os ombros.
- Riley queria guardar essas provas com ele – disse. – Sabia que mais cedo ou mais tarde a verdade iria surgir e como pensava que você estava morta, ele tratou de contratar investigadores, realmente profissionais, para o caso de os Volturi quererem ligá-lo a algum futuro assassinato. Ele não fez nada pensando em você, é claro, queria apenas se proteger. Mas acabou ajudando, mesmo que indiretamente.
Assenti.
Riley, meu ex-chefe, com quem eu havia sempre mantido um relacionamento pessoal, me ajudara, mesmo sem saber e realmente querer.
- Depois da sua morte – continuou Rose, enquanto Jacob abria a pasta que estava em sua mão –, os Volturi realmente sossegaram e Riley guardou o que tinha conseguido através dos investigadores. Nunca saberemos se ele iria ajudar você ou alguma coisa assim, porque ele só conseguiu a prova essencial depois que você “morreu”
- Que prova? – indaguei, ajeitando-me contra o sofá, ansiosa demais.
Rose e Jacob trocaram um olhar intenso e depois olharam para mim, suspirando pesadamente.
- Bella... – Rose se aproximou, sentando-se ao meu lado e fazendo com que eu olhasse em seus olhos. – Na caixa que Jacob encontrou, há folhas da pesquisa de seu pai, até coisas sobre os relacionamentos de vocês, gravações em voz de algumas ameaças que seu pai recebeu passou a receber dois meses antes de morrer, que exigiam que ele parasse de pesquisar... Há também vídeos da casa deles, o que nos fez perceber que os Volturi estavam vigiando a vida de seus pais...
Engoli em seco, com medo do que estava por vir.
- E o último DVD que olhamos ontem... – sussurrou gentilmente, prendendo seus olhos nos meus. – Bem, tem a noite que seus pais foram assassinados.
A noite que seus pais foram assassinados. A noite que seus pais foram assassinados. A noite que seus pais foram assassinados. A noite que seus pais foram assassinados.
Minhas mãos tremiam e eu não sabia se estava chorando naquele momento, porque eu não conseguia acreditar. Era muito para mim. Muito para assimilar enquanto cada peça daquele quebra-cabeça que outrora parecera infinito, começava a se juntar.
A morte de uma jovem. A necessidade do meu pai de resolver o caso. Ameaças. Câmeras escondidas em sua própria casa. Facadas, sangue, morte. Meus pais, assassinados. Os meses que passei presa, os dois julgamentos que enfrentei. O fardo de ter que viver escondida e fingindo estar morta, longe de Edward.
Era muito.
- Eu não quero ver – disse, ficando surpresa comigo mesma por ter conseguido dizer aquilo de maneira firme. – Não quero.
Eles suspiraram.
- Talvez, Bella... – Rose mordeu o lábio inferior. – Talvez você devesse se preparar e ver, porque... bem, você vai enfrentar outro julgamento e provavelmente vamos ter que passar esse vídeo para todos verem.
Estremeci.
- Eu não quero falar sobre isso agora – sussurrei. – Terminem de contar tudo, por favor. Quero saber por que exatamente Riley morreu, por que Bree morreu, como chegaram até o médico que me executou, por assim dizer. Só contem tudo logo, por favor.
Jacob assentiu, tornando a fechar a pasta. Imaginei que ali estavam os vídeos da casa de meus pais, as gravações, mas nem perguntei. Não queria ver ou ouvir nada agora.
- Não tem como afirmar isso – disse, encolhendo os ombros. – Podemos apenas supor, claro, já que apenas os Volturi sabem disso. Achamos que eles descobriram que Riley andara pesquisando e decidiram matá-lo, provavelmente porque estavam certos de que ele não tinha repassado nada a ninguém. Ele só ia repassar para a gente, porque tínhamos prova dessa sua ligação com os Volturi.
“Pesquisaram mais sobre o passado de Riley, é o que nós achamos, e acabaram descobrindo sobre Bree. Ficaram um pouco atentos com ela, apenas para o caso de ela ser vista indo para a delegacia. O que os levou a matarem foi descobrir que havia a possibilidade de você estar viva.
“Não sabemos exatamente como. Talvez eles tenham ido até o cemitério onde você supostamente está enterrada, talvez contrataram alguém. Mataram Bree por precaução e mataram o médico que fez acordo com Rosalie porque achamos que ele se recusou a falar alguma coisa sobre quem o contratou.”
- Exatamente. – Virei-me para Rose e ela sorria. – Nunca vou entender por que ele não contou que era eu quem o contratara. Talvez ele soubesse que ia morrer de qualquer jeito e decidiu ser fiel a promessa que me fizera, de nunca contar a ninguém.
- Como pode ter tanta certeza? – indaguei-a. – E se eles souberem que você quem me ajudou, Rose?
- Não sabem, Bella – revirou os olhos. – Acha que eu estaria viva para contar a história?
Suspirei pesadamente.
- Eu sinto que ainda tem coisa para eu saber – suspirei. – Sei que explicaram tudo o que sabem, mas queria entender esse sentimento estranho no peito... esse vazio.
Rose sorriu docemente para mim.
- É normal, querida – afagou meu ombro. – Você esperou tanto por isso, queria tanto saber porque viveu, porque seus pais morreram... Acho que vai levar um tempo até você se acostumar.
Assenti.
- Acho que vou dormir um pouco – suspirei, me sentindo muito cansada. – Vocês se importam?
- Não. – Rosalie negou. – Vou ficar por aqui também, ok? Vou estar no outro quarto, caso precise de mim.
Levantei-me do sofá e voltei-me para aquelas duas pessoas que haviam feito muito por mim. Eu nunca seria capaz de agradecer a eles.
- Obrigada por tudo – sorri um pouco. – Mesmo. Nunca serei capaz de agradecer a vocês da forma que merecem.
Jacob revirou os olhos.
- Relaxa, Bella. Vá dormir e depois a gente conversa mais, ok?
Assenti mais uma vez, sorrindo mais uma vez para eles antes de me virar e subir até o meu quarto. Sentia-me cansada, pesada, com muito para assimilar e muito para pensar.
Retirei minha roupa lentamente e entrei no jato de água quente. Fiquei ali por um tempo, respirando fundo, sem saber exatamente o que pensar.
Depois, vesti meu pijama e me joguei na cama.
Pensei que iria ficar rolando por horas, sem conseguir relaxar. Porém, assim que fechei os olhos e me aconcheguei, estava dormindo.
Rose POV.
Eu e Jacob assistimos Bella subir as escadas e logo em seguida nos fitamos.
- Achei que ela agiria de outra forma – comentou ele. – Achei que choraria ou algo assim.
- Eu também – encolhi os ombros. – Mas nunca se sabe, não é? Bella tem sido forte por muito tempo, tem agüentado por muito bem.
- Pois é – suspirou. – Então, preparada para enfrentar o que está por vir?
Respirei fundo.
- Acho que sim. Temos um julgamento para enfrentar, explicar por que escondemos que Bella estava morte, que a ajudamos a fugir... Ainda temos um bom caminho para frente, não temos?
Ele assentiu.
- Acredito eu que vai dar tudo certo – continuei. – Hora de juntar todas as provas e procurar as pessoas certas.
- Deixe essa parte comigo – sorriu. – Você vai ver, logo tudo estará terminado.
Nós conversamos durante mais alguns minutos, planejando tudo. Por fim, Jacob se levantou e se despediu, me desejando uma boa noite. Puxei a mochila que eu trouxera e minha bolsa e subi para um dos quartos. O que ficava bem ao lado de Bella.
Troquei-me e rapidamente me enfiei debaixo das cobertas.
Em breve, tudo estaria acabado.
Em breve, Bella teria sua liberdade.
Notas finais
Não vou me demorar por aqui, porque acho que esse capítulo já diz tudo e estou meio lerda pelo sono, hahahaha. Enfim, ainda tem o julgamento, outras coisinhas a mais para acontecer, mas ok. Vamos passo a passo.
Quem quiser spoiler, só deixar email e tudo o mais.
A gente se fala mais na semana que vem!
Besos ;*
N/B: AAAAAAI! Tava muito ansiosa para betar esse capítulo desde quando eu ainda betava a GU ♥ Agora é só esperar que tudo vai se acertar...
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