Freedom

18 Capítulo Dezessete


Notas iniciais
Penúltimo capítulo ): Pois é.
Espero que gostem. E se divertem. A gente se fala mais na N/A ♥

Bella POV.

Quando finalmente, alguns minutos mais tarde, fomos liberados e estávamos indo para o hotel, eu percebi o quão cansada eu estava. Não só aquele cansaço físico que você consegue recuperar após algumas horas de sono, no entanto. Era também mais um cansaço mental, emocional.

Encostei minha cabeça contra o encosto do carro, respirando fundo. Desejava chegar ao hotel, tomar um banho longo e deitar na cama, somente para tentar descansar um pouco. Depois... depois eu decidiria o que fazer.

- Está tudo bem, Bella? – Rose sussurrou, fazendo com que eu virasse a cabeça para ela. – Quer dizer, você está calada, séria demais.

Sorri um pouco para ela.

- Só... cansada – sussurrei de volta. – Não consigo acreditar ainda que acabou, sabe? Que finalmente... acabou.

Ela assentiu, sorrindo também.

- Eu te entendo – disse.

- É... – dei de ombros. – Ao mesmo tempo em que parece que tudo passou rápido demais, eu sinto que não, sabe? Não sei... Estou meio confusa. Talvez uma boa noite de sono possa me ajudar a organizar os pensamentos...

Jacob enfim estacionou em frente ao hotel e eu fiquei surpresa ao ver a quantidade de jornalistas.

- Ah, não – gemi, escondendo o rosto entre as mãos. – Eu pensei que teria acabado a essa altura.

Rose riu.

- Ainda não, Bella. Acredito que vai demorar um tempo.

Fui mais uma vez cercado por Jacob e seus amigos enquanto saía do carro e caminhava para dentro do hotel. Corri até o elevador mais próximo, corando a cada vez que sentia um olhar diferente em mim, cada vez que uma pessoa dizia meu nome.

- Eu vou indo para casa. – Jacob disse, assim que estávamos dentro do meu quarto. – Sam vai estar por aqui, caso você precise de algo, Bella.

Assenti. Aproximei-me dele e o abracei, encostando minha cabeça em seu peito.

- Obrigada por tudo, Jake – ri. – Sério... Palavras nunca serão suficientes.

Ele devolveu o abraço, plantando um beijo em minha cabeça.

- Relaxe, Bella – riu também. – Você vai ficar grisalha antes da hora, se continuar assim.

Revirei os olhos, me afastando um pouco e dando um soco em seu braço.

- Temos que conversar depois – disse, séria. – Sobre a indenização e tudo o mais... Quero que você, seus amigos e Rosalie recebam sua parte.

Ele bufou.

- Nem pense nisso – murmurou. – Não quero esse dinheiro.

- Mas...

- Não, senhorita – cortou-me. – Agora eu vou. Qualquer coisa, me ligue, ok? Acredito que você não vá precisar, já que as coisas vão se acalmando um pouco agora, mas caso precise... bem, já sabe.

Ele deu de ombros, finalizando seu discurso. Tornei a abraçá-lo e aos seus amigos, agradecendo por tudo. Por fim, restou somente Rose e eu no quarto, então caminhei até a minha mala, puxando um par de roupas. Virei-me para minha amiga, que se encontrava quieta desde que tínhamos entrado no quarto.

- Está tudo bem? – indaguei.

- O que? – Ela me olhou e piscou, balançando a cabeça.

- Eu perguntei se está tudo bem... – disse, sorrindo um pouco.

Rose assentiu, se colocando de pé.

- Acho que não vou ficar essa noite. – Ela caminhou até sua bolsa, jogando-a sobre o ombro. – Preciso resolver algumas coisas...

Eu assenti imediatamente, entendo o que ela quis dizer, e sorri, mostrando a ela que estava tudo bem.

- Vá – murmurei. – Tenho certeza que Emmett sente sua falta também.

- Hmmm... É – sussurrou. – Talvez eu deva tomar um banho primeiro.

Eu ri um pouco, tornando a assentir.

Alguns minutos depois eu vi Rosalie caminhando até a porta, a abrindo e fechando. Caminhei até o banheiro e fiquei ali por mais tempo do que era necessário. Deixei que a água quente batesse contra mim, de repente sorrindo.

De repente pensando em Edward.

Meus olhos se fecharam e eu passeei meu indicador sobre meus lábios, me lembrando de seus beijos, me lembrando do seu corpo contra o meu. Lembrei-me de seu sorriso, de seus olhos verdes, do jeito que ele gemia contra meu ouvido, seus olhos fechados, sua testa franzida.

Edward não corria mais perigo agora que eu estava livre e os Volturi presos. Edward não corria mais perigo agora que tudo tinha acabado. E, mesmo assim, eu me encontrava nervosa. Eu não sabia onde ele morava, onde estava trabalhando. Não sabia como chegar e dizer a ele que tudo o que eu dissera antes fora pelo seu bem, que eu tinha que resolver minha vida antes. Eu não sabia como dizer a ele que era completamente louca e apaixonada por ele.

Desliguei o chuveiro quando a água começou a ficar fria e me enrolei na toalha, me secando e me vestindo rapidamente. Penteei meus cabelos molhados e deixei-os cair sobre minhas costas, indo para o quarto e me jogando na cama.

Tentei dormir, mas o sono parecia ter ido embora. Puxei o notebook então e o abri, começando a escrever.

Meus dedos se moviam rapidamente sobre o teclado enquanto eu continuava a escrever o livro sobre o que tinha acontecido comigo desde que meus pais foram assassinados. Eu queria encerrar aquele capítulo no livro, justamente como tinha encerrado, hoje, no tribunal, mais um em minha vida.

Parei de escrever somente quando meus olhos estavam pesados demais, o sono tomando conta de mim. Encostei minha cabeça no travesseiro e não demorou muito até que estivesse dormindo.

_

Acordei no dia seguinte na hora do almoço. Permaneci um tempo na cama, pensando no que fazer naquele dia. Sabia que tinha que conversar com Edward e esclarecer muitas coisas com ele, mas estava com medo de ele não me aceitar de volta, não acreditar em mim. Levantei-me e caminhei para o banheiro logo após pedir que meu almoço fosse servido no quarto.

Almocei sozinha, depois de conversar um pouco com Jake ao telefone e de ter garantido a ele que tudo estava bem. Por fim, caminhei até a janela, querendo olhar como o tempo estava antes de sair para dar uma volta, como não fazia a tempos.

Entretanto, não saí. A quantidade de jornalistas na porta me assustou.

E nos dias seguintes, eles ainda estavam lá, me impedindo de sair.

Fui ficando mais ansiosa a cada dia que passava, sem saber como fazer. Eu pensara que sendo inocentada me tornaria uma pessoa livre, que poderia sair e viver minha vida novamente, mesmo que fosse retornando-a aos poucos.

Eu queria conversar com Edward.

Eu precisava conversar com Edward.

E ter de permanecer em um quarto de hotel ao invés de ir lá e me explicar com ele, estava me matando.

Suspirei pesadamente, olhando pela janela mais uma vez.

Quando esses jornalistas iriam embora?

Edward POV.

Os dias foram passando e eu fui continuando minha rotina. Jantava constantemente com meus pais e saía com Emmett, Alice e Jasper. As coisas estavam caminhando, eu evitada assistir aos noticiários, ler jornais...

- Vamos lá, Eddie. – Emmett brincou, enquanto dirigíamos até a casa de nossos pais. – Vamos nos divertir!

Eu ri baixinho, revirando os olhos.

- Não é bom trabalhar de ressaca, sabe? – disse. – Você pode estar de férias, mas eu não estou.

Ele bufou.

- Eu volto a trabalhar em duas semanas, tenho que aproveitar! – cantarolou. – E podemos chamar nossa irmãzinha e o cunhadinho para se divertirem com a gente.

Suspirei pesadamente, ficando calado. De uma forma ou outra, Emmett sempre seria uma criança grande. Estacionei em frente a casa de nossos pais e nós descemos do carro, andando até a porta da frente, onde Esme já nos esperava.

Ela estava sozinha naquela noite, já que meu pai estava dando plantão.

- Ei, mãe. – Abracei-a, balançando-a gentilmente.

- Ei, querido – riu. – Oi para você também, Emmett.

Meu irmão riu, beijando a testa dela e se jogando no sofá. Ele ligou a televisão e colocou em um canal de desenhos, fazendo-me rir. Vi minha mãe sorrir ainda mais e revirar os olhos.

- Ele nunca muda – murmurou. – Então, crianças, o que vocês querem comer?

Eu bufei. Emmett riu.

- Qualquer coisa, mãe – dei de ombros. – Não estou com fome realmente.

Eu vi seus olhos preocupados em mim por um minuto, mas fingi ignorar. Eu sabia que ela estava preocupada, principalmente por causa das últimas notícias, mas como eu havia pedido, ela não comentava nada, respeitando meu espaço.

Nós jantamos em meio ao silêncio naquela noite. Eu decidi dormir na casa dos meus pais, assim como Emmett. Nós três sentamos no sofá da sala após ajudarmos minha mãe com a louça, deixando que Emmett escolhesse um filme.

Antes, porém, que começássemos a assistir, a campainha tocou.

- Eu vou atender e volto em um minuto. – Minha mãe se pôs de pé, caminhando até a porta.

Emmett e eu ficamos em silêncio, a esperando.

- Emmett? – Ela chamou, de repente. – Por que você não vem até aqui, filho?

Meu irmão e eu trocamos um olhar confuso, antes de ele se levantar e ir ver o que nossa mãe queria. Acabei o seguindo, mesmo minha mãe não tendo me chamado. Meus olhos se arregalaram até que eu vi quem estava ali, meu coração batendo de repente muito acelerado.

Porque se Rosalie estava ali... Bella podia estar também, certo?

- Rose! – Meu irmão correu até a porta, puxando-a para seus braços e a beijando. – Oh, Rose!

Eu desviei os olhos imediatamente, procurando ao redor deles, procurando por ela, sentindo meu coração batendo cada vez mais rápido.

Só que Bella não estava ali.

Engolindo minha decepção, eu voltei para a sala, assim como minha mãe, deixando Emmett e Rosalie sozinhos.

- Está tudo bem, querido? – minha mãe indagou.

Eu assenti, tentando sorrir para ela.

- Está sim, mãe – ri sem humor algum. – Só estou um pouco cansado.

Eu a escutei suspirar.

- Acho que vou me deitar – sussurrei. – Estou me sentindo bem cansado.

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, dei um beijo em sua testa, desejei boa noite e corri para o meu quarto. Joguei-me na cama, tentando mentir para mim mesmo que estava tudo bem.

Não me convenci, porém.

Já haviam se passado dias desde que ela fora julgada como inocente e ela não havia me procurado. E por mais que eu dissesse a todos que estava tudo bem, que eu não ligava para isso, eu ligava.

E muito.

_

Mais dias se passaram e Bella não me procurou, assim como eu não tive mais notícias dela. Rosalie voltara a aparecer constantemente, sempre perto de Emmett. Meu irmão voltara a sorrir verdadeiramente, mal podendo se conter em manter as mãos longe da namorada.

- Edward?

Eu me encontrava na cozinha, querendo me manter o mais afastado possível dos dois, porque infelizmente a presença da minha cunhada me lembrava – ultimamente ainda mais – que Bella não estava aqui.

E dessa vez era porque ela queria.

Virei-me, dando de cara com Rose, que sorria. Eu tentei sorrir de volta, mas acho que não a enganei muito bem.

- Oi, Rose – murmurei. – Aconteceu algo?

Ela balançou a cabeça, se sentando em frente a mim, ainda sorrindo.

- Olha... – começou. – Eu não sei o que está passando na sua cabeça agora, mas... eu só meio que queria que você soubesse que Bella ainda não te procurou porque não teve como e...

- Está tudo bem, Rose – sorri, interrompendo-a. Eu não queria que ela criasse desculpas para Bella. – Eu consegui enfim superar, então não há problema algum.

Ela arregalou seus olhos azuis, demorando alguns segundos para se recompor.

- Oh – sussurrou.

Dei de ombros.

- Não se preocupe, de verdade – ri. – Está tudo bem. Demorou, bastante, mas eu estou conseguindo seguir em frente.

Rosalie abriu a boca novamente, mas Emmett a chamou antes que ela pudesse dizer algo. Eu agradeci ao meu irmão mentalmente, certo de que não conseguiria mentir por muito tempo mais.

Os dias novamente foram se seguindo, até que uma quinta chegou. O trabalho no hospital estava bem tranqüilo e eu fui embora para casa mais cedo. Dirigi rapidamente até o meu apartamento, decidido a tomar um banho antes de ir jantar com meus pais. Estacionei o carro em frente, então, ao invés de deixá-lo na garagem, já que eu não ia demorar. Adentrei a portaria e sorri para o porteiro, acenando.

- Eh... Senhor Cullen... – Ele chamou, fazendo com que eu voltasse. – Há alguém esperando por você.

Eu ergui a sobrancelha e o vi apontar para um lugar atrás de mim. Virei-me, meu coração de repente muito acelerado, minha boca seca. Congelei imediatamente.

Porque Bella estava ali.

Seus olhos castanhos se fixaram nos meus os meus se ficaram nos dela.

E nenhum de nós falou nada.

Engoli em seco, quando senti que era capaz de me mover, analisando cada detalhe daquela mulher que mudara minha vida por completo. Seus cabelos castanhos estavam maiores, quase chegando a cintura, o que a deixava ainda mais linda. A calça jeans que usara marcava as curvas que eu tive a chance de ver duas vezes, de tocar duas vezes.

Duas vezes... somente duas vezes. E mesmo assim eu nunca seria capaz de esquecer.

- Eu... – A voz de Bella tirou-me de meus devaneios. – Eu posso falar com você?

Eu cheguei a abrir a boca, pronto para dizer que ela falasse ali mesmo, já que não confiava em mim mesmo para ficar em um lugar fechado perto dela. Porém, notei o porteiro encarando Bella com os olhos um pouco arregalados, o que me fez pensar que ele sabia quem ela era. Suspirei pesadamente, por fim assentindo. Gesticulei para o elevador, me sentindo incapaz de dizer alguma coisa.

Bella se levantou e andou um pouco a minha frente. Nós adentramos o elevador, que pareceu demorar anos até chegar ao meu andar. Abri a porta do meu apartamento, deixando que ela entrasse primeiro. Engoli em seco e fechei a porta atrás de mim, sem saber o que falar.

- Hmmm... Sente-se – murmurei por fim.

Bella mordeu o lábio inferior.

- Eu... Eu só queria te explicar umas coisas... Não preciso sentar e...

- Só fale logo, então – cortei-a. – Eu planejava jantar com meus pais essa noite.

Bella corou e arregalou os olhou, fazendo com que eu me sentisse imediatamente culpado. Passei a mão nos cabelos, suspirando pesadamente, mas não disse nada.

- Sinto muito – sussurrou. – Vai ser rápido.

Assenti, sentando-me no sofá e me virando para ela.

- Então... – começou. – Eu queria pedir desculpas por aquele dia... Eu só queria que você ficasse seguro e para isso você precisava ficar longe.

- Aquele dia? – murmurei.

- É... – suspirou. – Eu meio que menti para você.

Suspirei pesadamente.

- Acho melhor você ir embora, Bella – disse. – Eu realmente estou custando a seguir em frente e não estou a fim de ouvir.

- Mas...

- Olha... – Levantei-me. – Eu corri atrás de você durante tanto tempo, passei por muito por você, e você sequer uma vez pensou em mim.

- Não pensei em você? Eu fiz tudo isso pensando em você, Edward!

- É mesmo? – ri alto. – E me avisar, procurar... nada passou por sua cabeça, não é?

- Estou cercada por jornalistas! – gritou. – Não importa aonde eu vá, há milhares deles por todas as partes. Estava esperando tudo acalmar.

- Até para pegar um telefone, não é? – gritei também. – Olha, Bella, talvez seja melhor você ir embora. Eu realmente preciso ir jantar com os meus pais.

Ela suspirou, me fitando durante alguns segundos. Por fim, puxou a bolsa que trazia no ombro e retirou um CD, o colocando na mesinha de centro.

- Talvez você pudesse olhar esse CD – sussurrou. – Talvez assim você pudesse entender.

Eu somente a encarei, não dizendo nada.

- Está sendo difícil me imaginar vivendo aqui – continuou. – Aonde quer que eu vá há jornalistas, pessoas me encarando, querendo saber o que passei na prisão, como consegui as provas, como me livrei. Eu não tenho meus pais mais, não tenho mais meu apartamento e nem meu emprego...

Ela respirou fundo.

- Só que eu pensei que eu realmente poderia tentar e continuar aqui, por você. Eu não sei pelo que passou enquanto estivemos separados, Edward, mas se for sequer metade do que eu passei... Posso entender... Não posso te obrigar a me perdoar e tentar entender o meu lado e nem quero também. Espero que depois de olhar esse CD, você possa estar disposto a me ouvir...

Ela caminhou até a porta e se virou para mim.

- Você é a única coisa que me prende aqui... Eu... Bem, acho que já disse tudo. Desculpe-me por ter feito você passar por tudo, Edward.

Bella abriu a porta e eu fiquei ali, somente a olhando se afastar.

- Temos coisas a discutir e resolver – suspirou. – Eu sei disso... Mas se você pudesse ao menos ver o CD, ler... Bem, caso você não queira ver, caso realmente esteja decidido a seguir em frente, eu espero que seja feliz. Realmente espero.

Ela então saiu e fechou a porta. E eu somente fiquei ali, repetindo cada palavra que ela havia dito em minha mente. Alguns minutos depois, movi-me no sofá, pegando o CD que ela deixara para mim. Acariciei a capa, me perguntando se eu realmente devia ver ou se deixava, de uma vez, tudo para lá.

De repente, ir jantar na casa de meus pais não era algo que eu queria mais.

Notas finais
N/A: Inhá, não odeiem menino Edward ): Sei que devem, mas enfim... Próximo capítulo - último D: - tá prontinho e tá amor :') Amei, amei, de verdade.
Não vou demorar por aqui, porque né... haha, semana que vem a gente se fala mais, meninas!
Quem quiser spoiler, já sabe: email, comentar alguma coisa sobre o capítulo e blá blá blá.
Besos ;*
N/B: ainnnn não creio que é o penúltimo ): Esse Edward foi meio grosso, entendo o que ele passou, mas ele julgou a Bella sem nem ao menos pensar. O que será que tem no CD, uh? Ai ai