Freedom
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Bella POV.
Eu saí do apartamento de Edward sem saber o que pensar. Minhas mãos tremiam e por mais que eu tentasse escondê-las no bolso do casaco, não conseguia acalmá-las. Não conseguia me acalmar.
Desde que eu tinha sido dada como inocente e tinha, enfim, fechado esse capítulo da minha história, eu me encontrava... frustrada. Tinha tentado ir ao supermercado, tinha tentado procurar um emprego ou tentar ter meu apartamento de volta, mas parecia impossível. Os jornalistas não me davam paz, todas as pessoas que me reconheciam perguntavam como tinha sido na cadeia, o que eu iria fazer agora...
E isso irritava, porque nenhuma delas parecia realmente querer saber por se importar.
Chamei um táxi após sair do prédio de Edward, colocando o capuz para esconder meu rosto. Mantive-o assim até que estava em meu quarto no hotel. Retirei minha roupa rapidamente e me joguei na cama somente de roupa íntima, enfim deixando que as lágrimas e os soluços escapassem novamente.
Apertei meu rosto contra o travesseiro, tentando abafar aqueles sons. Eu sabia que iria ser difícil com Edward, mas não imaginava que voltar ao normal, voltar à minha vida antiga, seria tão difícil.
Alguns minutos depois, quando enfim me acalmei, coloquei-me de pé, partindo para o banheiro. Deixei que a água quente batesse contra as minhas costas, encostando minha cabeça no box frio demais.
- Por favor – sussurrei no silêncio do banheiro. – Por favor, Edward, veja o CD. Só veja o CD.
Engoli em seco e bufei alto. Por que as coisas estavam sendo tão complicadas? Quer dizer, eu tinha lutado tanto para provar que era, de fato, inocente; tinha lutado tanto para conseguir colocar os assassinos atrás das grades e agora isso acontecia?
Desliguei o chuveiro e me enxuguei rapidamente, puxando um moletom velho e o vestindo. Sentei-me na poltrona diante da janela, observando o tempo lá fora. Senti inveja das pessoas que passeavam nas ruas sem terem que se preocupar com alguém as reconhecendo. Senti inveja das crianças, que riam alto e apontavam para todas as lojas, sem terem que se preocupar com problemas, sem terem que se preocupar com nada a não ser se divertir e crescer.
Suspirei pesadamente, apoiando minha cabeça contra a janela. Lembrei-me de quando eu vi Edward adentrando o prédio, com seus cabelos um pouco mais curtos do que da última vez que o vira... e ele continuava tão lindo. Mais sério, diferente, mas definitivamente lindo.
Passei algum tempo ali, somente observando as pessoas andando. Decidi no dia seguinte procurar um novo apartamento, mesmo com os jornalistas me cercando. Por fim, caminhei até a cama e deitei, torcendo para que eu conseguisse dormir logo.
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Acordei no dia seguinte com o celular tocando em algum lugar do quarto. Resmunguei, enterrando minha cabeça debaixo do travesseiro, esperando que ele parasse de tocar. Não parou, no entanto. Levantei, então, por fim e comecei a procurá-lo pelo quarto, achando-o jogado no sofá. Olhei no identificador de chamadas e sorri ao ver que ela Rosalie.
- Oi, Rose... – bocejei. – Desculpe a demora, estava dormindo.
- Bom dia, Bella – riu. – Sinto muito por ter te acordado...
- Tudo bem – sorri. – Aconteceu alguma coisa?
- Bem... Tem alguém querendo conversar com você...
Engoli em seco imediatamente, meu coração disparando de forma acelerada contra o meu peito. Será que Edward tinha visto o CD? Será que ele iria me dar ao menos uma chance de conversar com ele e explicar tudo o que tinha acontecido?
- Quem? – sussurrei.
Escutei Rosalie suspirar.
- Eu queria muito te dizer que é Edward – disse. – Não é, porém. É... bem, Alice.
Franzi a testa.
- Alice? – indaguei, mordendo o lábio inferior. – Por que Alice iria querer falar comigo?
- Não sei, ela me pediu para te ligar... – murmurou.
Pensei por um momento, suspirando pesadamente.
- Tudo bem... Você pode passar o endereço do hotel para ela? Não acho que essa conversa, seja lá o que ela quer falar, deve ser feita em um café.
- Claro, Bella, pode deixar. Eu vou avisar a ela... E qualquer coisa depois te ligo.
Nós nos despedimos logo depois. Joguei o celular na cama e caí sentada na mesma, respirando fundo. O que será que Alice queria comigo? Talvez fosse pedir para eu nunca mais me aproximar do irmão... Eu simplesmente não conseguia pensar em outra coisa.
Levantei da cama e segui para o banheiro, onde lavei o rosto e escovei os dentes. Decidi tomar café no restaurante do hotel, cansada de ficar tanto tempo no quarto. Algumas pessoas continuaram a me encarar, mas poucas se aproximaram. Procurei ignorar tal fato e comi, subindo logo em seguida.
Chequei meu celular e vi uma mensagem de Rose, dizendo que Alice viria logo após o almoço. Suspirei, sentando na poltrona e puxando o notebook, resolvendo passar um tempo na internet. Desisti quando comecei a achar coisa demais sobre o meu caso, sobre os do Volturi. Corri para a televisão, por fim, tentando me atualizar nos programas.
E fiquei assim até que o telefone do quarto tocou e a mulher da recepção perguntou se Alice Cullen podia subir. Depois de desligar, caminhei até a porta e abri, esperando ali. Meus olhos permaneceram grudados nas portas dos elevadores e eu mordia meu lábio inferior, nervosa.
Alguns minutos depois, as portas de um dos elevadores abriram, revelando Alice. Seus cabelos estavam um pouco maiores do que as vezes que eu a vira na delegacia e ela sorria levemente.
- Oi, Bella – disse, parando diante de mim.
- Ei – sorri. – Entre.
Dei espaço para ela e esperei que ela entrasse para fechar a porta. Apontei para o sofá e me sentei na poltrona, ainda mordendo o lábio.
- Então... – comecei. – Eu estou aqui, tentando imaginar o que você pode querer falar comigo.
- Bom... – deu de ombros. – Eu meio que estou tentando imaginar pelo que você passou e está sendo difícil. Vim aqui para ouvir de você...
Suspirei pesadamente.
- Você falou com Edward? – indaguei.
Ela tornou a dar de ombros.
- Sei que você foi falar com ele, mas Edward não contou se vocês conversaram ou algo do tipo – disse.
Assenti.
Respirei fundo, brincando com a manga da minha camisa. Comecei a contar tudo para Alice, desde que eu acordara até os últimos dias. Contei a ela sobre o conteúdo do CD que dera a Edward e que estava sendo realmente difícil sair de casa.
- Entendo... – sussurrou, quando acabei de falar. – Edward não quis escutar?
Neguei.
- Eu tentei falar com ele, mas ele me cortou – expliquei. – Eu espero que ele de uma olhada no CD, porque acredito que ele vá entender... ao menos um pouco. Não sei mais o que fazer.
Ela sorriu.
- Eu meio que fiquei com raiva quando descobri através da televisão que você estava viva, mas agora te entendo. Vou falar com Edward, pode deixar.
- Obrigada, Alice – sorri. – Mesmo.
Ela ficou mais algum tempo, mas logo se despediu. Levei-a até a porta e troquei um abraço com ela, tornando a agradecer. Quando ela saiu, fechei a porta e me encostei ali, respirando fundo.
- Tomara que você consiga convencê-lo, Alice – implorei para o vento. – Tomara...
E eu realmente esperava que ela conseguisse.
Edward POV.
Continuei observando o CD por algum tempo depois que Bella saiu. Não tive coragem de pegar o notebook e ver o que tinha ali, no entanto. Permaneci parado, pensando nela, pensando em tudo o que ela havia falado.
Bem, caso você não queira ver, caso realmente esteja decidido a seguir em frente, eu espero que seja feliz. Realmente espero.
Suspirei pesadamente, passando a mão nos meus cabelos. Puxei meu celular, mandando uma mensagem à Alice, apenas para dizer que não iria mais jantar na casa de meus pais.
Por quê?
Olhei a mensagem que ela respondera, sem saber se contava a verdade ou mentia.
Bella esteve aqui. Já foi embora, mas preciso ficar sozinho agora.
Levantei-me, caminhando até o quarto e me jogando na cama, sem me importar com o fato de estar ainda vestido. Enterrei minha cabeça no travesseiro, esfregando-a ali com força, querendo tirar as lembranças dela da minha cabeça.
Meu celular vibrou novamente e eu o puxei, abrindo outra mensagem de Alice.
Está tudo bem? Quer que eu passe aí?
Respondi imediatamente.
Não, obrigado. Eu realmente só quero ficar um pouco sozinho. Vou tomar um banho e dormir, Allie. Obrigado.
Caminhei até o banheiro e tomei um banho rápido. Joguei-me na cama novamente logo em seguida, sem me preocupar em ir até a cozinha buscar algo para comer. Vi que Alice tinha respondido a mensagem com um mero ‘se precisar de algo, ligue. Boa noite’ e me virei na cama, puxando a coberta.
Naquela noite, eu demorei um pouco para dormir.
_
Acordei no dia seguinte sem saber se agradecia o fato de ser uma sexta ou se rezava para a segunda chegar logo. Arrumei-me e segui para mais um dia de trabalho, ficando ali mais tempo do que o necessário. Não queria ter que chegar em meu apartamento e ter que olhar para aquele CD que Bella deixara. Ainda não sabia se iria vê-lo ou se deixava isso para lá.
Voltei para casa mais tarde do que de costume, só querendo comer alguma coisa, tomar um banho e me jogar na cama. Porém, meus planos mais uma vez tiveram que ser mudados. Assim que eu terminara de jantar e tinha saído do banho, a campainha tocou.
E era Alice.
- Boa noite para você também – murmurei, quando ela passou direto por mim, sem falar nada.
- Você vai vir aqui... – Ela me puxou pela mão, seus olhos passeando ao redor da minha sala. Por fim, ela pegou o CD na mesinha do centro e me arrastou até meu escritório. – E você vai se sentar aí.
Ela me empurrou na cadeira, abrindo o notebook e o ligando. Fitei-a, confuso até que ela colocou o CD.
- Veja – disse.
- Alice, eu... – comecei, mas ela levantou a mão.
- Olha, todos nós sabemos pelo o que você passou – murmurou. – Mas você não sabe sequer o que Bella passou e fica nessa!
- Exatamente – ri sem humor algum. – Não sei o que ela passou porque ela nunca contou, nunca confiou em mim. Ela disse que tinha confundido os sentimentos, Alice, e você ainda acha que devo dar mais uma oportunidade?
Alice revirou os olhos.
- Veja o CD – disse. – E depois você pode escolher nunca mais olhar para ela ou conversar com ela.
Suspirei pesadamente.
- Só olhe o CD, Edward – pediu. – Só isso.
Eu observei minha irmã saindo e fitei a tela do notebook. Passei a mão nos cabelos, ainda sem saber se olharia o conteúdo ou não. Respirei fundo e decidi que Alice estava certa. Era melhor ver do que viver na dúvida.
Abri o arquivo, meu coração batendo acelerado quando eu vi o nome: Guilty/Freedom.
Comecei a ler, percebendo que Bella estava contando a sua história quando ela fora presa.
Eu me vi preso em tudo o que ela escrevera, meu coração acelerando quando ela contou como se sentiu quando me conheceu, que ela sentia que podia confiar em mim. Fui lendo cada palavra com atenção, sem nem saber que horas eram. Não me importei com isso; queria apenas ler, queria apenas saber o que passava na cabeça de Bella a todo o momento.
Sei que horas haviam passado e eu mal piscava.
“Não sabia o que sentir, estando nesse cela pequena, acusada de algo que eu não tinha feito. Não conversava com ninguém e não sentia necessidade de tal coisa. Falar para que? Ninguém acreditaria em mim, ninguém iria querer escutar a verdadeira história.”
“Joseph estava apaixonado por mim. Joseph. Meu psicólogo. Eu havia ouvido aquelas palavras vindo dele, eu tinha o visto abrir a boca...”
“Para o bem dele, para que ele pudesse ter uma vida com uma mulher que pudesse lhe dar tudo o que eu não podia, eu tinha que me afastar. Tinha de abrir mão da hora que mais me fazia bem... pelo bem dele.”
“Era errado me sentir assim? Era errado olhar para o meu psicólogo e sentir que mesmo tudo sendo errado, mesmo que tudo fosse acabar em breve, eu estava no lugar certo, eu estava segura?”
“- Não posso lutar contra isso mais. – Joseph sussurrou, nossos lábios a milímetros de distância. – Não lute também, Elizabeth, deixa o sentimento tomar conta da gente.
Eu queria dizer não – e poderia dar inúmeras razões por isso. Entretanto, ali estava ele. Com aqueles olhos incrivelmente azuis, penetrantes, que me convidavam a me mergulhar ali – e ficar para sempre. Inclinei-me, por fim, e o beijei, sabendo que nada mais precisava ser dito.”
“Eu resolvi lutar – por ele. Eu enfrentei um julgamento novamente, eu repeti a mesma história pela milésima vez... e fui julgada culpada. E fui condenada à morte. E agora não dava mais; era hora de desistir.”
“Desistir não era algo que eu faria antes de tudo isso acontecer comigo, porém as coisas mudaram. Em uma noite eu tinha mãe, pai e um lar confortável quando tudo desabasse. Na outra, eu estava presa. E estava sendo acusada de matar as duas pessoas mais importantes para mim.”
“Eles me pediram para tentar. Minha advogada, Anne, e Joseph... Eles me pediram para não desistir, para buscar minha inocência, mas para que? Nada iria mudar; provas novas não iriam surgir... Por que lutar para algo que era simplesmente impossível? Por que causar mais dor?”
“Quatro meses. Quatro meses que passaram voando. Eu ia morrer. Eu ia. Essa noite.”
“Enquanto eu caminhava em direção à sala de Joseph, local que fora meu refúgio durante todos esses meses, eu pensava no que dizer a ele. Como dizer adeus a alguém que você amava? Como?”
“Nós nos beijamos. Nós nos tocamos. Nós nos despimos. Sussurros escapavam de nossas bocas, nossas mãos tocavam um ao outro. Foi intenso. Foi incrível. Foi a primeira vez. E seria a única. Eu não teria tempo para me arrepender; morreria em breve. Joseph teria e eu só podia torcer para que isso não acontecesse com ele.”
“Nós trocamos um último beijo e fingimos que nada tinha acontecido, cada um se sentando no seu lugar. A guarda chegou. E ela me levou para longe dele. Nós trocamos um último olhar, palavras não podendo ser ditas e não sendo necessárias.”
“E antes de fechar meus olhos, a última coisa que vi foram os encantadores olhos de Joseph.”
“Acordar foi estranho. Encarar minha advogada e ouvi-la contar o seu plano foi mais estranho ainda. Eu estava viva... mas todos achavam que eu estava morta. Incluindo ele: Joseph.”
“Foi difícil viver todo esse tempo à espera de notícias, cada dia podendo ser o último. Mas de alguma forma eu conseguia. Se antes eu tinha diversos motivos para desistir, agora eu tinha todos para lutar.”
“Eu pensava em Joseph constantemente. Queria que ele seguisse em frente ao mesmo tempo em que pedia mentalmente que ele esperasse um pouco mais. Era confuso e doía sentir tantas saudades.”
“Eu o estava vendo. Ele estava ali: diante de mim. Seus olhos azuis haviam perdido o brilho de outrora, mas fora isso... ele estava ali.
- Joseph... – comecei. – Eu...
E então, antes que eu sequer pudesse continuar, ele simplesmente me deu as costas e saiu.”
“Eu queria correr atrás dele, eu queria poder contar tudo. Entretanto, minhas mãos estavam atadas. Minha necessidade de protegê-lo, naquele momento, estava falando mais alto do que qualquer outra coisa.”
“Meus olhos mal conseguiam acreditar no que eu estava vendo. Joseph voltara. Ele daria uma chance de eu explicar que ele tinha de se manter afastado.”
“Eu o vi se afastar, pela segunda vez, e não pude segui-lo. Joseph caminhou em direção à porta dos fundos, enquanto eu gritava para ele contar a todos, as palavras que saíam da minha boca não coincidindo com as que eu realmente queria dizer.
- Eu te avisei, Joseph – sussurrei. – Eu te avisei, desde o começo, que era errado se apaixonar por mim.”
“Eu queria que ele voltasse e queria que ele se afastasse. A cada momento se tornava mais confuso e eu sinceramente não sabia o que pensar, o que fazer. Ficar naquela casa, com as mãos atadas, estava me matando.
Até que eu vi o jornal, anunciando a morte de meu ex-chefe, Blake. Dali em diante, tudo o que eu podia pensar era em protegê-lo.
Agora mais do que nunca.”
“Eu tinha que protegê-lo. Por amá-lo, por querer seu bem, eu tinha de mentir, por mais que fosse doer. Era para o bem de Joseph. E por ele, eu faria qualquer coisa.”
“Eu não devia ter feito isso e sabia assim que tinha terminado. Mais uma vez que as mãos de Joseph estavam em mim, qualquer plano tinha escapado de minha mente. Eu ainda teria que mentir, mas por mais egoísta que soasse... teria a lembrança das duas vezes mais perfeitas da minha vida, com ele.”
“As coisas pareciam tão assustadoras. Anne e Carton aparentemente conseguiram uma prova, algo que me ajudaria a provar que sempre fora inocente. Porém, antes mesmo que pudéssemos conversar mais, esclarecer as coisas... eu vi a morte de mais um na televisão: o médico que ajudara a mim e a Anne, foi encontrado morto em seu consultório. Isso não acabaria nunca?”
“Estar sozinha era assustador. Não ter notícias e achar que qualquer barulho fosse o fim... era ainda mais.”
“Os Connor haviam matado meus pais e várias outras pessoas; talvez milhares. Saber enfim, tudo o que acontecera... era simplesmente demais.”
“Eu ouvi as gravações, ameaçando o meu pai. Eu vi o vídeo, eu ouvi os barulhos, eu vi o sangue escorrendo de cada ferida. E era dolorido, assustador, traumatizante. Por mais que vivesse 100 anos, eu nunca seria capaz de esquecer aquelas cenas: as mortes dos meus pais.”
Parei de ler por um momento, limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Bella passara por tanto! Eu não conseguia acreditar que ela vira o vídeo que mostrara a morte de seus pais, não conseguia acreditar que ela fora capaz de tal coisa e ainda continuar firme.
Respirei fundo, vendo que estava no final já e me foquei novamente naquelas páginas, me preparando para ler o resto.
“Eu estava a caminho de mais um julgamento e isso soava tão assustador. Queria Joseph comigo; queria que ele estivesse aqui e pudesse segurar a minha mão.”
“Foi doloroso, mas enfim eu consegui. Eu consegui dizer tudo o que eu passara em frente àquelas pessoas. E valeu a pena só de ouvir no final, que eu estava livre de todas as acusações.”
“Anne, Carton e eu nos livramos de todas as acusações sobre o fato de ter forjado minha morte e ter permanecido escondida por tanto tempo, somente pelo fato de ter ajudado a prender os Connor; grupo que eles tentavam prender há anos, mas antes não tinham provas.”
“- E agora? – indague a Anne. – O que acontece?
Ela suspirou.
- Você vai ser testemunha no caso contra os Connor – disse. – Deve acontecer o mais rápido possível. Provavelmente, eles já estão planejando como invadirem a casa de cada um deles para descobrirem se têm mais vídeos.
Eu a encarei, respirando fundo. Teria de esperar até que tudo tivesse terminado, até que fosse seguro... para poder procurar Joseph e explicar tudo a ele.”
“Era oficial: estávamos livres. Eu estava livre. Depois de meses de lutas, depois de tudo pelo o que eu tinha passado... enfim poderia retornar à minha vida.”
“Sair parecia impossível. Fotógrafos me perseguiam, jornalistas, pessoas que tinham me visto pela televisão e queriam saber sobre tudo o que tinha acontecido. Será que elas não poderiam me deixar em paz ao menos uma vez, somente para eu ir conversar com ele?”
“Dias se passaram e estava na hora. Eu teria de me esconder usando uma blusa preta, com capuz, para não ser reconhecida. Estava na hora de ir conversar com Joseph e fechar o capítulo dessa vida, desse livro. Agora tudo o que eu queria era começar um novo capítulo... com ele. Joseph.”
Reli as últimas palavras, mal conseguindo raciocinar, mal conseguindo articular uma frase. Meus olhos pareciam incapazes de piscar, minhas pernas não se mexiam. Bella tinha terminado o livro antes de vir falar comigo. E eu... eu tinha o terminado de forma tão trágica. Respirei fundo, olhando o relógio e percebendo que já se passava das quatro da manhã.
Bati os dedos contra a mesa, pensando se deveria dormir primeiro ou conversar com Bella. Depois de alguns minutos, tomei a decisão. Fechei o notebook, sem me importar em desligá-lo, e me dirigi até o meu quarto, puxando um par de jeans e uma camisa qualquer. Vesti-os rapidamente e depois comecei a procurar todos os jornais que haviam sido entregues, mas que eu nunca olhava.
Olhei cada um deles, lendo cada coisa que publicavam sobre Isabella Swan, a mulher que havia sido julgada de forma injusta e que agora estava livre. Olhei uma das fotos, dela entrando em um hotel e anotei o nome, torcendo para que ela ainda estivesse ali.
Dirigi o mais rápido que eu podia, respirando fundo, meus dedos a todo o momento apertando o volante. Cheguei ao hotel alguns minutos depois, já estacionando e correndo para dentro do mesmo.
- Olá – disse, sorrindo um pouco. A moça da recepção sorriu também. – Eu gostaria de saber se você poderia ligar para o quarto de Bella Swan.
- Hmmm, senhor... está tarde – murmurou, piscando. Segurei-me para não revirar os olhos. – Ainda é de madrugada.
Inclinei-me mais no balcão, sorrindo torto.
- Pode quebrar esse galho? – sussurrei. – Eu realmente preciso falar com ela.
Ela piscou alguma vezes, mas por fim assentiu. Fiquei ali, esperando, enquanto ela puxava o telefone e o colocava no ouvido, digitando algumas coisas.
- Alô? Desculpe acordá-la, senhorita Swan, mas alguém aqui parece que tem muita pressa em conversar com você... Quem? – Ela fez uma pausa e me olhou. – Como você se chama, querido?
Sorri.
- Edward Cullen.
Ela tornou a assentir.
- Edward Cullen – disse ao telefone. – Hmmm... Posso falar para ele subir, então? Certo. Ok.
Ela desligou o telefone e voltou para mim, ainda sorrindo.
- Quarto 305, pode subir – piscou.
Agradeci e corri até o elevador, revirando os olhos ao pensar na mulher da recepção piscando. Apertei o botão do terceiro andar, minha perna batendo ansiosamente contra o chão, minha mão direita passeando contra o cabelo de minuto em minuto. Eu veria Bella. Eu conversaria com ela, mesmo não tendo ideia do que iria falar.
Saí do elevador assim que as portas se abriram, meus olhos buscando o número 305. Andei até o meio do corredor e parei diante da porta, respirando fundo. Eu a veria. Ela estaria diante de mim dentro de alguns segundos.
O que eu falaria?
Estendi a mão, pronta para bater à porta quando a mesma se moveu, revelando Bella. Meus olhos subiram de seus pés descalços, passaram por suas pernas despidas, seu short jeans e pela sua camisa branca e larga, onde estava escrito Fresh, para enfim pararem em seu rosto. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e seus olhos estavam arregalados, ansiosos, seus dentes superiores mastigando o lábio inferior.
Nenhum de nós disse nada enquanto ela se afastava, um convite silencioso para eu entrar. Adentrei o quarto, olhando a cama de hotel um pouco bagunçada. Olhei o pequeno sofá e a poltrona que tinham ali, assim como uma mesa, onde um notebook repousava. Uma porta estava aberta, mostrando um pouco do banheiro e havia uma outra fechada, que eu julguei ser o closet.
Voltei-me para ela, que se encontrava parada próxima a porta ainda, seus lindos olhos castanhos ainda arregalados.
- Edward... – murmurou. – Eu...
Avancei até a ela, pressionando seu corpo na porta e mergulhando minha língua em sua boca. Ela correspondeu alguns segundos depois, gemendo entre o beijo e passando seus braços em volta do meu pescoço, puxando-me para mais perto dela.
Infiltrei minhas mãos em sua camisa, acariciando suas costas e subindo até o sutiã. Apertei seus seios em conchas, por cima do sutiã e gemi ao escutar o gemido alto que escapou de seus lábios. Queria puxá-la para meu colo, jogá-la na cama e me perder nela.
Porém, eu não podia. Nós tínhamos que conversar primeiro. Beijei-a durante mais alguns segundos, retirando minhas mãos de seu sutiã e passando-as novamente para as costas, agora por cima da blusa. Por fim, suspirei, quebrando o beijo, encarando seus lábios inchados, seus olhos febris de desejo.
- Nós temos que conversar.
Bella POV.
Foi um pouco difícil dormir naquela noite. Consegui tal coisa somente após meia noite e esperava poder permanecer na cama até mais tarde naquele dia. Entretanto, acordei no meio da madrugada escutando o telefone tocar. Franzi a testa, completamente confusa, mas estendi o braço, resmungando um pouco, torcendo para que não fosse nada de grave.
Ouvir da recepcionista que Edward estava ali, que ele queria subir... Foi simplesmente surreal.
Corri para o banheiro assim que desliguei o telefone, escovando meus dentes e meu cabelo ao mesmo tempo. Puxei o cabelo em um rabo de cavalo e corri até o closet, puxando um short jeans e colocando por cima da minha calcinha. Peguei o sutiã que eu deixara na cadeira quando fui dormir e coloquei-o por baixo da blusa. Caminhei até a porta, parando diante dela e respirando fundo, tentando controlar minha respiração.
Será que ele tinha visto o CD? Ou será que ele tinha vindo aqui me devolver e dizer para eu não procurá-lo nunca mais?
Abri a porta, vendo-o ali. E nada mais naquele momento importava. Deixei que ele entrasse, sem saber como falar alguma coisa. E quando tentei, ele simplesmente me empurrou contra a porta e me deu um beijo.
Um beijo apaixonado.
E então ele se afastou, dizendo que precisávamos conversar. E eu somente assenti, sem saber o que dizer.
- Não é que eu não quero, mas... – Ele gaguejou, sua mão passando pelo seu cabelo e deixando-o ainda mais bagunçado. – É que parece que a gente sempre faz isso e depois alguma coisa dá errado...
Sorri um pouco.
- Tudo bem, Edward – murmurei. – Eu entendo.
Caminhei até a poltrona e me sentei ali, puxando minhas pernas para cima. Apontei o sofá para Edward e esperei até que ele estivesse sentado para começar a falar.
- Então... – comecei. – Eu... hmmm... Você está aqui para?...
- Eu li o livro que você escreveu – sussurrou. – Eu, bem, estou um pouco surpreso... E...
- E? – incentivei, mordendo o lábio inferior com força.
- Eu lhe devo desculpas – disse tão rápido que eu precisei parar por um momento e ver se eu tinha entendido certo. – Eu estava meio que com raiva e magoado por você não ter me contado nada, não ter me procurado, que te julguei... Não deixei que você falasse.
“Ler tudo o que você escreveu me ajudou a entender muita coisa. Me fez te admirar ainda mais, também. Nunca seria capaz de passar por tudo o que passou, Bella, e nesse momento... eu sinto tanto orgulho de você que palavras me faltam. Não sei bem o que te dizer e talvez tenha me perdido na primeira palavra, mas... eu só meio que precisava dizer algo. E precisava estar aqui agora, com você.”
Engoli em seco, sentindo as lágrimas tomando conta de meu rosto. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
- Eu...
- Não, por favor. – Edward ergueu a mão, me interrompendo. – Só... só me deixe terminar de falar.
- Eu tentei, por meses – sussurrou –, te esquecer. Nunca saí com outras mulheres, porém. Acho que isso nem passou pela minha cabeça. Eu só me mergulhei no trabalho, acreditando que um dia o fato de você estar morta se fixaria em minha mente e em meu coração, e eu poderia seguir em frente.
“Só que eu estava errado. Você estava sempre lá, não importava aonde eu estivesse... E quando eu descobri que você estava viva, eu só não sabia o que pensar, o que fazer e muito menos sabia o que exatamente estava sentindo naquele momento.”
- Eu entendo, Edward – sorri. – De verdade. Sei que passou por muito e não ajudou o fato de eu ter mentido, mas já que você leu o livro, pode entender por que eu tinha tanto medo de você se aproximar.
Ele assentiu. Nós então tornamos a ficar em silêncio, ninguém certo do que deveria ser dito.
- Você acha que a gente pode fazer isso funcionar? – indagou, alguns minutos depois. – Quer dizer, a gente passou por muito e eu não sei mais como você se sente, então queria que soubesse que eu ainda te amo. Ainda mais do que antes e eu realmente não sei como tal coisa é possível.
Deixei que as lágrimas escorressem, meu coração acelerando com as palavras dele. Eu ainda te amo. Ainda mais do que antes.
- Eu sempre te amei, Edward – murmurei. – Sempre. Mas você sabe que minha vida ainda vai ficar maluca por alguns tempos, não sabe? Eu estou literalmente fugindo de jornalistas...
Ele sorriu, saindo do sofá e se ajoelhando diante de mim. Suas mãos começaram a acariciar minhas pernas despidas, seus dedos roçando de leve minhas coxas. Suspirei pesadamente, jogando a cabeça para trás e aproveitando mais daquele toque; aquele toque que eu tanto sentia a falta.
- A gente vai dar um jeito – sussurrou. – Fiquei tanto tempo sem você, Bella, e mesmo quando estivemos juntos haviam tantas limitações. Não me peça para me afastar nem por um minuto mais. Estou cansado de ficar longe de você.
Sorri, ainda de olhos fechados. Desci minhas mãos do meu colo e entrelacei seus dedos nos meus, puxando-o para cima. Os lábios de Edward se encontraram com os meus de imediato, suas mãos me puxando para o seu colo. Nós ficamos ali, ajoelhados no chão simplesmente nos beijando, matando toda aquela saudade que sentíamos um do outro.
- Eu te amo tanto – murmurei. – Tanto.
Ele mordiscou meu queixo, suas mãos passeando pelas minhas costas.
- Eu também te amo, Bella. Demais.
Afastei-me um pouco, deixando que ele retirasse a blusa que eu usava. Seus olhos brilharam quando viram meu sutiã e ele logo estava beijando a curva de meus seios, fazendo com que eu gemesse alto.
De repente, Edward se pôs de pé, puxando-me para seu colo e me levando até a cama. Ele deitou por cima de mim, um sorriso nos lábios, os olhos verdes brilhando de forma intensa. Movi minha mão, meus dedos acariciando seu rosto, demorando em cada detalhe. Naquela noite, éramos só nós dois. Não havia necessidade de ter pressa nem nada do tipo. Tínhamos todo o tempo do mundo.
Desci minhas mãos e comecei a tirar sua camisa. Ele se afastou um pouco, aproveitando para retirar os tênis e as meias também. Voltou a se deitar em cima de mim e por um momento ficamos ali, apenas nos olhando, apenas nos acariciando. Apenas curtindo o momento.
Foi calmo, foi único, foi intenso. Os beijos mais demorados, as carícias prolongadas... Cada detalhe que eu guardaria comigo sempre. Quando terminou, Edward rolou para o meu lado, me puxando para os seus braços e depositando selinhos ao longo de meus ombros e rosto.
Seus olhos foram se fechando, sua respiração se tornando pesada aos poucos. Eu fiquei acariciando seu rosto, seus cabelos, seus ombros. Mal conseguia acreditar que agora estaria começando uma nova história, um novo capítulo.
E dessa vez eu estaria com ele.
Aconcheguei-me mais contra seus braços, apoiando minha cabeça em seu peito. Depositei um beijo no local onde ficava seu coração, deitando minha cabeça ali logo em seguida, sentindo a batida contra minha orelha. Suspirei, não imaginando um cenário onde eu estaria mais feliz.
Fechei meus olhos, deixando para pensar nas outras coisas depois. Sabia que ainda tínhamos de dar um jeito de ter paz com os jornalistas e que ele ainda tinha que explicar tudo para a família dele.
Porém, não importava o que acontecesse, agora seríamos nós dois juntos.
Notas finais
Espero que tenham gostado, suas fofas. Ainda tem o epílogo e tudo o mais, e não sei se alguém vai querer spoiler para epílogo, mas se quiser... só pedir. E bem, abram essa imagem (http://d10vow1orod6ms.cloudfront.net/content/dam/fourseasons/images/web/BOR/BOR_100_1280x486.jpg/jcr:content/renditions/cq5dam.web.1280.1280.jpeg) e me digam o que acham que acontece no epílogo hehehehe. Vamos ver quem acerta, né?
Besos pra vocês, suas lindas.
Até semana que vem, onde postarei epílogo e prólogo da nova fanfic!
N/B: eu simplesmente não acredito que é o último. Sei que fica meio clichê falar isso em todo final, mas é difícil se apegar a algo e de repente isso acaba *chorando* Foi tudo muito lindo, sofri horrores com a Bella e quis pegar o Edward no colo forever *mimimi* Espero que tenham gostado, e que venha o epílogo! Beijos, Friida.
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