Notas iniciais
Hey, gente. Yes, eu aqui mais uma vez! Eu sei, eu sei, vocês devem estar de saco cheio de mim, hehe, porém, trago um tipo diferente de fanfic hoje. Vou tentar explicar para ficar bem claro, mas por onde começar, exatamente, eu não sei. Vamos ver... Ok, como alguns de vocês provavelmente já sabem, eu tenho outra fanfic Pov Dimitri, que se dá durante o enredo de Vampire Academy (quem estiver a fim de ler, basta entrar no meu perfil), mas eu pretendo escrever não só este, como também todos os outros cinco livros da série. Eu, inclusive, tenho as capas prontas e um rascunhão bem básico de muitos deles, alguns com mais coisas escritas do que outros, mas... Bem, vocês não estão querendo saber disso, deixa eu voltar ao assunto... Uns dois dias atrás eu estava ouvindo uma música e tive uma ideia para Blood Promise. Acabei escrevendo ela, mas fiquei com medo de ter exagerado ou algo assim em Dimitri Strigoi. Aí eu tive a ideia de postar uma One no Nyah com esse pedaço. Ela estará inserida em Abismo (o nome da fanfic) e integrará um capítulo bem mais extenso, afinal, esse aqui tem apenas 2000 e poucas palavras e ainda está incompleto, mas eu queria uma opinião, apenas. Eu, sinceramente, acho que vocês DEVEM abandonar aquela ideia de um Dimka todo fofinho e amoroso, afinal, ele é um Strigoi. Ele não se arrepende dos erros dele por acaso em Spirit Bound, há motivos muito obscuros, que eu pretendo criar em minha futura fanfic, então, mantenham a mente aberta, pode ser? Ok. Bem... Com muito medo de errar alguma coisa, eu desejo uma boa leitura a vocês. Espero que gostem. Ah, aconselho escutarem esta música: https://www.youtube.com/watch?v=bmtbg5b7_Aw&hd=1

Free Way to Hell – Capítulo único

Estava caminhando, calmamente, de volta à propriedade de Galina quando, ao longe, um som que há muito tempo eu não ouvia soou. Apesar de ser extremamente conhecido, eu confesso que deixara de prestar atenção nele depois que me tornei um Strigoi.

Eram sinos.

O som tilintante, que vinha da igreja ortodoxa de Novosibirsk, anunciava a meia noite no céu escuro e preencheu meus ouvidos sensíveis em uma batida sincronizada e um pouco irritante. Se, antes, esse mesmo barulho me causava uma sensação de paz e contentamento, agora, uma ira descontrolada se apossava de mim. Bem... Eu achava que era isso, ao menos. Afinal, as piores sensações eram os conflitos que eu tinha a cada segundo em que me deparava com coisas de minha antiga vida. Imagens aleatórias do tempo em que fui tão estúpido a ponto de sucumbir a regras idiotas dos Moroi e tentar sufocar meus próprios desejos, meus próprios sentimentos, eram as mais enlouquecedoras. O pior de tudo era, certamente, o arrependimento e a vergonha que me batiam a cada vez que eu pensava sobre isso. Eu não suportava admitir nem a mim mesmo o quão fraco e incapaz eu fora; odiava olhar para trás e ver um homem cheio de moral; cheio de valores e hábitos vazios. Eu tinha vontade de apagar aqueles momentos e recuperar todo o tempo que perdi sendo um idiota.

Decidido a acabar com as memórias de minha antiga vida, segui, calmamente, o som dos sinos e me deparei com uma construção grandiosa e deslumbrante, folhada a ouro e trabalhada ao estilo germânico característico da Rússia. Se, um dia, eu fora capaz de admirar a beleza nisso e me sentir nostálgico ou feliz, agora, eu queria apenas apagar quaisquer traços sujos dos meus pensamentos e transformá-los em nada, assim como a pessoa “boa” que eu fora um dia. Eu sabia que não poderia entrar ali, afinal, era um local sagrado, porém, tinha em mente algo muito melhor do que isso. E um sorriso surgiu em meus lábios quando eu compactuei a ideia.

Andei até um posto de gasolina ali perto, tomando o cuidado para esconder minha fisionomia diante a luz fluorescente dos postes ou dos faróis dos carros. Eu sabia que era uma atitude exagerada, afinal, eu poderia compelir qualquer pessoa a esquecer do ocorrido – ou mesmo matá-la de uma vez –, mas meu objetivo era mais importante e eu não estava disposto a perder tempo com bobagens como essas. Alcancei facilmente um dos frentistas entediados e me esgueirei sobre ele rapidamente. Ele nem ao menos teve tempo de se assustar com minha aparição, pois eu logo mirava seus olhos escuros, puxando aquela onda tão conhecida de poder de dentro da minha mente e dizendo calmamente:

– Eu quero que você encha alguns galões com gasolina.

– Claro. – Ele respondeu, iniciando imediatamente a ação que eu ordenara.

Eu sorri largamente ao vê-lo em movimento. Era tão fodidamente fácil enganar um humano e fazê-lo agir de acordo com o que eu quisesse que eu me sentia um pouco estúpido ao usar compulsão. Eles fariam o que fosse preciso para se tornar como eu, mesmo sem influência nenhuma. Pelo menos eles sabiam apreciar o bom da vida, ou melhor, da imortalidade. Se eu soubesse disso antes de ter sido transformado à força, certamente me ofereceria livremente a um Strigoi qualquer, como a maioria desses idiotas, nem tão idiotas, que eu estava acostumado a ver pelas propriedades de Galina.

Aos poucos, o frentista foi enchendo uma dúzia de galões e os colocando a minha frente. Nenhum dos outros homens estranhou sua atitude, afinal, era natural alguém aparecer com galões. O que não era comum, na verdade, era a pessoa em questão sair sem pagar. E quando eu estava caminhando em direção à igreja mais uma vez, carregando os doze recipientes em uma espécie de carrinho de metal, um dos outros homens se aproximou rapidamente de mim, gritando:

– Ei, moço! Você aí, com os galões! – Revirei os olhos, parando de caminhar por tempo o suficiente para que ele estivesse a poucos passos de mim. Em seguida, dobrei a esquina em um beco qualquer. – Ei, aonde pensa que vai? – Ele continuou a me seguir.

Eu soltei uma gargalhada baixa, divertido com o jogo que eu tinha em mente. Segui mais fundo no corredor – não rápido o suficiente para ele me perder de vista – a fim de nos esconder muito bem nas sombras. Depois de me deparar com um encontro de esquinas e uma tela alta – sem saída – virei-me em direção a ele com uma expressão de pesar fingido.

– O que pensa que está fazendo, moço? Saiu sem pagar, é? Pois saiba que nós temos uma taxa de renda para a empresa e se o senhor não colaborar, nós... – Sua frase parou bruscamente quando eu sorri para ele, expondo minhas presas em uma expressão que eu esperava ser um pouco assustadora. Ele engoliu em seco. – Bem... Eu acho que podemos deixar assim, então... É... Até mais.

Ele se virou velozmente, correndo o mais rápido que suas pernas poderiam alcançar. Meu sorriso se alargou ainda mais. Eu adorava brincar de gato e rato. Segui-o calmamente, sabendo que o beco em que estávamos era extenso e possuía várias curvas sem saída e, para minha sorte ainda maior, ele logo dobrou uma que daria em uma parede grossa de tijolos. Seus passos eram tão ruidosos contra o chão que eu não precisava fazer muito esforço para me aproximar dele. Ao contrário, eu aproveitava cada respiração pesada de medo que ele exalava, além de seus soluços chorosos, para assustá-lo ainda mais.

“Humano patético”, eu pensei.

Nossa perseguição estava durando tempo demais e eu já estava entediado de brincar. Logo, apressei meus passos, audivelmente para que ele ouvisse, e estreitei a distância entre nós rapidamente. O homem ainda teve a capacidade de tropeçar sobre os próprios pés e cair com tudo contra o piso asfaltado, mas mais do que depressa se levantou e continuou a correr em direção ao fundo do beco. Eu estava empolgado. De fato, eu adorava quando minhas presas corriam de medo e se auto encurralavam em qualquer lugar, esperando para morrer com desespero nos olhos. Obviamente, com esta aqui não foi diferente. Depois de chocar-se contra a parede e perceber que não tinha outro modo de escapar, ele se virou para mim com pavor e juntou as duas mãos, pedindo para que eu não fizesse o que estava pensando em fazer.

– Por-por fa-favor, moço. – Ele gaguejou debilmente. – Eu tenho família. Uma mulher e dois filhos. Eles precisam de mim. Por favor, tenha piedade.

– Está pedindo piedade ao Satã? – Perguntei com escárnio, meu sorriso se alargando ainda mais. – Ouvi dizer que ele não costuma ser muito compreensivo com os pecadores.

Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.

– Oh, meu Deus, aceite minha alma, por favor. – Balancei a cabeça, divertido.

– Você acha que Deus irá ouvi-lo agora? Sinceramente? Ele lhe mandou às favas, meu senhor. Você vai para o inferno, assim como eu, assim como sua mulher estúpida e seus filhos estúpidos.

– Não! Por favor, não... Não faça isso, por favor! – Seus berros desesperados aumentavam à medida que eu me aproximava, lentamente, dele. – Se foi pelo dinheiro da gasolina, bem... Pode ficar com tudo, eu cubro, mas, por favor, não me... Não me-me mate.

Agarrei a gola de sua camiseta e o puxei até estarmos cara a cara. Suguei, mais uma vez, aquela mesma onda de poder de minha mente e olhei fundo em seus olhos.

– Diga-me onde estão seus filhos e sua mulher.

Imediatamente, seus olhos ficaram vidrados e ele me respondeu:

– Tsentralnyy rayon, 3049.

– Muito bem. – Eu disse. – Mais tarde, eu farei uma visitinha a eles. Espero que não se importe, afinal, assim eles não estarão perdidos, não é? Sem você, digo. Vocês quatro estarão juntinhos mais uma vez.

– Não, por fa...

Ele não pôde terminar a frase, pois o joguei com toda a minha força contra a parede. Consegui ouvir, claramente, o som de um ou dois ossos se quebrando e, ainda, o barulho seco de seu corpo caindo no chão. Ele ainda estava vivo, eu podia ouvir sua respiração irregular e seus gemidos de dor. Aproximei-me lentamente, fazendo meus sapatos ecoarem propositalmente contra o piche. O tremor em seu corpo me fez dar uma gargalhada.

Geralmente, eu aproveitaria ainda mais o meu tempo e veria a vida deslizando para fora de seus olhos à medida que eu sugava seu sangue, mas eu estava com um pouco de pressa e já havia perdido tempo demais em meus joguinhos estúpidos. Por isso, quebrei seu pescoço rapidamente, aproximando meus lábios da sua jugular saltada e me alimentei depressa. O gosto não era tão agradável como o de um Moroi, ou mesmo um Dhampir, mas servia.

Depois de saciado, retornei ao ponto do beco onde eu deixara os galões de gasolina e voltei a empurrar o carrinho calmamente pelas ruas movimentadas de Novosibirsk. Mesmo à noite, o fluxo de pessoas era consideravelmente fluente; algo de cidades grandes. Ninguém pareceu perceber a estranheza da minha situação, então, segui até a igreja, que parara a muito tempo de soar seus sinos, parando de frente a ela novamente, a fim de admirar seus detalhes uma última vez.

Duas torres grandes, formadas por padrões geométricos, compunham a fachada, seus topos pontudos em dourado. As grandes portas de madeira estavam fechadas, mas aquilo não importava muito. Ela tinha uma mistura de tons claros, o azul e o branco compondo a maioria dos desenhos em espiral nas paredes. Havia anjos em toda a extensão da frente, olhando para mim com seus sorrisos inocentes. Eu sabia que o velho Dimitri encararia a construção com orgulho e contemplação, mirando cada detalhe para gravar em sua memória, mas eu queria afundá-lo até se afogar dentro de mim; queria mandá-lo embora para nunca mais voltar.

“E nada melhor do que destruir o que o deixaria contente, não é?” Eu pensei com um sorriso.

Com essa nova perspectiva, eu agarrei um dos galões com gasolina e comecei a jogar o conteúdo nas paredes da capela. O mesmo aconteceu com outros nove. Depois que toda a construção estava cercada pelo líquido, arrombei a porta da frente e comecei a jogar o restante para dentro, tomando o cuidado para que caísse em locais inflamáveis, como bancos ou tapeçarias. Contente com o resultado, eu alcancei um isqueiro em meu bolço, acendi-o e deixei que fizesse o seu trabalho. Admito, ele não me decepcionou. Logo, o fogo entrou em contato com toda aquela gasolina e as labaredas começaram a se alastrar rapidamente, cercando todos os objetos ao redor em lambidas incandescentes e alaranjadas.

Algumas pessoas que passavam arregalavam os olhos e, imediatamente, alcançavam seus bolsos à procura de um telefone celular, mas eu as compelia a continuar andando normalmente. Obviamente, a ação não serviria para todos, já que havia os motoristas de carros e motos na rua, mas a demora foi suficiente para que o fogo consumisse grande parte da igreja, incendiando-a em minutos. Eu gargalhava como uma criança travessa, mirando meu antigo santuário e vendo-o ferver como no inferno, junto de meu antigo eu. Aquilo era tão revigorante, tão insuportavelmente bom e prazeroso, que eu poderia até mesmo apreciar o fogo se ele não fosse tão nocivo a mim. Depois de um tempo, uma série de gritos começou a vir de dentro da capela, provavelmente, um bando de padres, bispos ou freiras assustadas. Eu não me importava, realmente.

Era até cômico. Um lugar de Deus fervendo em chamas do Diabo.

Aquilo era tão encantador que me fazia sorrir; tão renovador e revigorante que eu podia sentir a adrenalina fervendo em minha corrente sanguínea. Eu encarava o prédio em chamas e prestigiava sua lenta destruição, apreciando cada choro e cada expressão desolada. As poucas pessoas que saíram ainda receberam de mim pequenas doses de gasolina em suas roupas, que pegavam fogo instantaneamente. Gritos e mais gritos surgiam, inflando minha mente de desespero e pavor. De fato, um som muito apreciado pelo novo Dimitri, pois este era o certo; este era o poderoso, este era o caçador, o predador; este deveria reinar sobre o outro mais fraco e se tornar invencível.

As sirenes à distância despertaram-me do torpor no qual eu estava e, rapidamente, saí correndo de lá até meu novo e último destino da noite.

A casa do frentista.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Eu realmente, realmente, REALMENTE, quero suas opiniões. Eu PRECISO delas para saber se este Dimitri permanecerá tão mau na minha fanfic. Sim, eu sei que vai demorar um pouquinho para ele aparecer, afinal, ainda preciso acabar Inopino e postar os outros dois povs que estão entre as duas fanfics, mas mesmo assim eu escrevo em todas elas meio que ao mesmo tempo, e gostaria de saber se eu estou acertando ou não. Só uma coisinha: aquele endereço que o frentista deu ao Dimitri é uma rua de Novosibirsk, eu procurei no mapa, mas ela é aleatória. Tipo assim, eu escrevi a primeira que eu vi, ou seja, não é um dado muito real. O mesmo - ou quase - acontece com a igreja. De fato, ela existe, mas eu não sei como é o movimento por lá e muito menos se há padres ou freiras e tudo o mais... Foi uma invenção dessa caxolhinha aqui, ok? Estou esperando as suas opiniões, hein!! Não esqueçam do quadrinho lindo aqui embaixo. Até mais tarde, meus lindos. Roberta Matzenbacher.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!