Free Fallin' SasuHina

1 Capítulo 1 - Let me go


Notas iniciais
Oi, galerinha! Alguns pontos importantes antes de começarmos: 1º- A história é de minha autoria e é baseada em fatos reais; 2º- Ela está postada no Spirit e no Wattpad. 3º- A foto da capa eu achei no Pinterest. 4º- Eu peço desculpas caso vocês se incomodem com algo. Esta não é uma história romântica. A música do capítulo é Let Me Go - Three Doors Down. Boa leitura!

"Mais um beijo poderia ser a melhor coisa

Ou mais uma mentira poderia ser a pior

E todos esses pensamentos nunca descansam."

Let me go – Three Doors Down

∞∞∞

Konoha, 2020.

Caminhava apressadamente no meio daquele monte de corpos que balançavam ao som de uma música que eu nem prestava mais atenção. Eu estava anestesiada. Eu olhava para frente como se eu pudesse enxergar qualquer coisa, mas eu não via nada. Só a adrenalina e a urgência de sair daquele lugar. Fechei meus olhos. Porque ele fez isso?

Eu continuei a andar e andar até que eu senti o vento bater no meu rosto, e nenhum corpo esbarrava no meu. Abri meus olhos e não estava mais na festa. Olhei em volta procurando alguém. Eu estava sozinha. Onde eu estava?

De repente, minha perna começou a se mover para frente, ao mesmo tempo em que minha cabeça abaixava. Eu não queria andar, mas eu não conseguia parar. A outra perna acompanhou o movimento e eu estava caminhando, lentamente. Levantei o olhar e observei o ambiente. Não me lembro de como cheguei ali e também em nada se parecia com a local da festa em que eu estava há minutos atrás. Agora eu me encontrava em um campo incrivelmente vazio. Ele era tão grande que eu quase não conseguia enxergar as árvores que se encontravam a vários metros de distância.

Senti um arrepio balançar meu corpo com vento gélido que tocou meu rosto e só então percebi que estava sentindo frio, e solidão. Olhei novamente para baixo e percebi que meus pés continuavam a andar como se tivessem vida própria, e eu não sabia para onde eles me levariam.

Então, olhei para frente. E o novo arrepio que atingiu meu corpo não foi causado pelo vento.

A poucos metros encontrava-se um precipício.

Tentei, inutilmente, parar de andar, mas não consegui. Fechei e abri os olhos, na esperança de ser um pesadelo. Mas não era. Eu quis gritar, mas onde estava minha voz? E então eu coloquei um pé para fora. Eu ia cair.

Tudo que eu senti foi uma dor que me rasgava por dentro e, ironicamente, uma sensação de liberdade.

.

.

.

Abri meus olhos. Eu estava ofegante. Meu corpo doía como se eu realmente tivesse caído. Tentei controlar minha respiração e o turbilhão de pensamentos, e sentimentos, que brigavam por minha atenção. Kurenai com certeza ia adorar saber sobre esse sonho na sessão de hoje.

Eu, por outro lado, não sei se estava pronta para lidar com ele.

∞∞∞

"Este mundo cai sobre mim

Neste mundo existe o real e o faz de conta"

Konoha, 2018.

Eu estava em casa assistindo um filme clichê adolescente, daqueles que a gente já sabe o que vai acontecer, mas mesmo assim gosta. Sasuke estava ao meu lado, me abraçando pela cintura, enquanto tinha os olhos vidrados na televisão. Ele não admitia, mas também gostava de filmes assim.

— Ei, seu bobo – cutuquei o braço dele.

—Hm? – ele virou a cabeça para me olhar, um leve sorriso se desenhava no seu rosto.

— Quando você vai admitir que gosta de filmes assim, hein? – falei em tom divertido. Meu namorado só parecia sério, e de fato ele era, mas eu sabia que no fundo, bem no fundo, ele era tão amante de clichês adolescentes quanto eu.

— Eu acho tudo tediamente repetitivo. – ele falou, sorrindo, claramente me provocando. – Mas eu gosto de ver o quanto você gosta.

— Eu gosto de histórias assim. – fiz uma pausa antes de continuar — Tem um pouco de faz de conta sem aquelas magias dos contos de fada. Clichês adolescentes como este fazem os contos serem mais próximos da realidade. Nem sempre as pessoas conseguem ter um relacionamento como o nosso. – terminei sorrindo.

Sasuke deu uma leve risada e apertou minha cintura.

— Eu acho incrível como seus olhos mudam quando você fala de coisas que você gosta. Eles ficam mais lilases. — então eu vi a mão dele indo de encontro com a minha bochecha, terminando num leve carinho. – E gosto também como seu rosto cora.

E então ele me beijou. Foi um beijo leve, cheio de sentimentos. Esquecemos um pouco do filme e ficamos assim, curtindo um ao outro. Até nos separarmos pela falta de ar.

Eu e Sasuke namorávamos desde o 2º ano do Ensino Médio. A gente fazia parte do mesmo grupo junto com Ino, uma loira muito agitada e falante que é minha amiga e vizinha desde que nos entendemos por gente, Gaara, um ruivo que possui olhos verdes e uma tatuagem na testa, é muito na dele, apesar de ser gente boa, namorado da Ino, e Sasori, primo do Gaara, também ruivo e um amante da arte, que hoje namora Sakura, uma amiga que eu e Ino fizemos na faculdade e que é um tanto diferente por possuir cabelos rosa, que por incrível que pareça são naturais.

Sempre fomos muito unidos e foi inevitável não me apaixonar pelo Uchiha. Sasuke sempre foi muito charmoso, com seus cabelos tão negros quanto seus olhos, os traços finos do seu rosto que ao mesmo tempo exalavam masculinidade e mistério. Eu fiquei extremamente surpresa quando ele demonstrou que também tinha interesse em mim. No entanto, Sasuke era muito mulherengo e festeiro. Começamos a nos relacionar no meio do 1º ano, mas só oficializamos no ano seguinte.

O nosso namoro era muito tranquilo, na maior parte do tempo. Eu era muito caseira, apesar de quase sempre me animar a estar com o grupo. E acabava que Sasuke me acompanhava muito nos roles em casa. O nosso preferido era assistir série e filmes na Netflix enquanto ficávamos abraçadinhos. E tínhamos um trato de nunca assistir a série que começamos juntos quando estivéssemos separados. Ou seja, eu sempre morria de ansiedade.

Nós apoiávamos um ao outro, sempre. Quando eu estava em dúvida entre Medicina e Psicologia, no final do Ensino Médio, foi Sasuke que segurou minha mão quando eu me vi perdida. Também tive o apoio da minha família, claro. Mas meu pai, por mais que dissesse que respeitaria minha decisão, queria que eu seguisse a carreira médica. Bom, eu decidi pela segunda opção. E até o meu pai acostumar com a ideia, o que não demorou muito, eu tive o apoio do meu namorado. Assim como ele teve o meu quando decidiu que queria iniciar sua preparação para assumir a empresa da sua família. E para isso ele precisaria cursar Administração na mesma faculdade que seu pai, Fugaku Uchiha, que não era na mesma instituição que a minha. Quando ele me falou que tinha receio de que acabássemos nos afastando, eu o incentivei a seguir, que eu sempre estaria do lado dele. E de fato eu estava.

Uma das coisas mais importantes para mim era que o Sasuke me respeitava. Bem, eu ainda era virgem. Ele, não. E quando conversamos sobre o fato de eu não me sentir pronta, e eu ainda não me sentia, ele me respeitou. E se mostrou muito paciente comigo em relação a isso.

A gente sempre teve um combinado de conversar sobre as coisas que nos incomodavam. Sasuke sempre foi muito ciumento e eu sempre fui muito insegura. Para que isso não atrapalhasse tanto nosso relacionamento, o diálogo era essencial. E a gente conseguiu caminhar bem assim. Até começarmos a faculdade.

Eu confiava demais nele, e acredito que ele também. Mas alguma coisa estava mudando e eu não sabia exatamente o que era. A gente passou a brigar mais e perder um pouco da nossa sintonia. E, bem, no nosso tempo livre a gente tentava ao máximo ficar juntos, já que a faculdade tomava boa parte dele.

Com isso, passamos a fazer mais programas que os dois pudessem ir juntos. Eu passei a ficar menos tempo com minhas amigas, Tenten, uma menina que possui como marca os cabelos presos em dois coques e uma personalidade forte e que estuda na minha sala, Ino e Sakura. Eu só as via na faculdade e quase não ia aos roles de meninas. Apenas saia quando o grupo da escola combinava de se encontrar Acabamos incluindo Tenten e Sakura, foi quando ela conheceu Sasori. Sasuke, por outro lado, tinha mais sorte e conseguia mais tempo para sair com os meninos e apesar de comigo ser um pouco diferente, eu ficava feliz por isso.

Eu ainda namorava a mesma pessoa, me sentia da mesma forma em relação a ele. No entanto, as coisas não eram mais como antes.

∞∞∞

Konoha, 2018.

— Hime, — ouvi a voz do meu namorado assim que atendi ao telefone – os meninos estão querendo sair hoje. Parece que vai ter uma festa bacana de inauguração de uma boate. Você anima?

Eu realmente não estava animada. Mas eu sabia que ele queria se distrair antes do inicio das provas e eu não achava justo que ele não fosse. Mas para isso eu teria que ir junto.

Um combinado, que partiu do próprio Sasuke, era que sempre fossemos juntos às festas. Desta forma um sempre cederia quando não estivesse a fim, seja de ficar em casa ou de sair. Segundo ele, era para evitar estresse. E eu não via problema em relação a isso. Os roles que as meninas declaravam como 'dia das garotas' quase nunca incluía festa e quando era, eu não ia.

— Vamos sim, amor – respondi – Que horas?

— Bem – esperei enquanto ele parecia procurar algo – A festa começa às 23:30. Eu chego à sua casa alguns minutos antes.

— Tudo bem. – pensei por um momento antes de continuar – Vamos encontrar o pessoal lá?

— Vamos sim. Antes que eu me esqueça – ele fez uma pequena pausa e eu pude ouvir um sorriso no seu rosto quando ele continuou – se arrume desde agora, tá? Só esse cabelo de Rapunzel demora cinco horas para ficar pronto. – e riu.

Ele era implicante demais e eu amava isso. Pelo menos na maior parte do tempo.

— Bobo. – dei risada – Não sou eu quem precisa passar creme para deixar meu cabelo pra cima.

— Eu não gasto horas secando o meu, – ele continuou – ele já é extremamente liso. – o ouvi dando risada, antes de completar e desligar. – Te amo, Hime. Te vejo mais tarde.

Eu entrei no grupo para mandar mensagem para as meninas, já usando minhas táticas para persuadir Tenten a ir. Ela dizia que se sentia um castiçal no meio de três casais, mesmo que eu e as meninas nunca a deixássemos sozinha. Passei um tempo conversando com elas até que decidi escolher minha roupa. Ainda eram 15h, mas eu queria deixar as coisas encaminhadas. Eu realmente demoro a me arrumar.

. . .

Estava terminando de fazer uma babyliss nas pontas do meu cabelo. Apesar de gostar dele liso, as ondulações davam um charme diferente. E eu amava. Já tinha feito a minha maquiagem com os meus típicos olhos com delineador gatinho, sem sombra, e com cílios postiços não tão chamativos, daqueles que parecem naturais. Na boca, eu decidi colocar um batom vermelho que puxava para o vinho. Eu amava essa maquiagem que ao mesmo tempo era simples e não era.

Levantei da minha penteadeira e caminhei até a cama, desamarrando o nó do roupão. Eu tinha escolhido um vestido tubinho preto, de alcinhas finas, que desenhava bem o meu corpo e parava no meio das minhas coxas. Por cima eu decidi colocar uma jaqueta jeans que terminavam na mesma direção que o vestido e nos pés sandália de salto médio preta, que tinha uma tira que fechava no tornozelo e outra que passava no meio dos dedos.

Depois de fechar a sandália, caminhei até a cômoda e peguei meu par de argolas de corrente grande. E pronto. Olhei no espelho e fiquei extremamente satisfeita com o resultado. Eu estava incrível.

Peguei minha bolsa verificando se tudo o que eu precisava estava nela e sai do quarto, decidindo esperar Sasuke na sala. Provavelmente papai e Hanabi estariam lá. Quando cheguei ao final da escada, ouvi minha irmã falar.

—Quais são suas intenções para hoje, maninha? – a vi piscar maliciosa e corei. – Está querendo fisgar outras coisas além do coração do Uchiha? – por Deus, Hanabi não controla a língua nem na frente do nosso pai.

Antes que eu pensasse em algo para responder, o ouvi me chamar.

—Hinata. – olhei em sua direção esperando que ele continuasse – Você sabe que horas vai voltar?

—Pai, bem, eu não sei exatamente. – fiz uma pausa – Vai depender de como a festa vai estar.

—Filha, só tome cuidado, tá? – era engraçado o quanto o senhor Hiashi continuaria preocupado comigo, independente da minha idade – E me dê notícias quando chegar lá.

— Pode deixar, papai. – caminhei até ele para beijar-lhe a bochecha.

—Você está linda. – ele fez uma pausa. – Você é linda, minha filha.

—Eca, quanta melação. – ouvi Hanabi resmungar, sentando ao lado dele no sofá.

Revirei os olhos para a minha irmã, sorrindo, e voltei minha atenção ao meu pai quando o ouvi dizer.

—Hinata, posso te fazer um pedido? – eu assenti, esperando que ele fosse estipular algum horário para que eu voltasse ou, sei lá, que eu tivesse juízo. No entanto, ele me surpreendeu quando me pediu algo diferente e estranho. – Saia mais com suas amigas. Faça mais programas com as garotas.

Eu não entendi muito o que ele quis dizer. Eu ia sair com as meninas agora.

— Pai, as garotas também vão. – falei, um pouco confusa.

—Eu sei, eu sei. – ele começou, parecendo escolher as palavras. – Mas os meninos também estarão. Eu quase não vejo você só com suas amigas, Hinata. – ele fez uma pausa – Ultimamente eu só vejo você se dedicar a faculdade e ao seu relacionamento. E não pense que eu não goste do Sasuke, eu gosto. Mas me preocupo com você, minha filha. Você tem uma vida além disso.

— Isso não é verdade, papai. – tratei logo de me defender, mesmo sabendo que talvez, só talvez, ele tivesse um pouco de razão. – Eu também fico com as meninas.

— Quando foi a última vez que saíram só vocês 4? – ele tratou de continuar assim que viu que eu ia responder – Não vale contar os almoços entre os horários de aula e nem os encontros na faculdade.

— Bem, — eu parei para pensar. Realmente fazia muito tempo. – eu não sei. – respondi sinceramente.

—Só prometa que vá pensar sobre isso, tá bem? – ele deu um beijo na minha testa ao mesmo tempo em que o som da buzina tocou lá fora. – E divirta-se bastante hoje. Dê um abraço no Sasuke por mim.

Me despedi dele e da minha irmã e sai de casa, encontrando meu namorado dentro do carro. Entrei, coloquei o cinto e dei um selinho nele, respondendo que estava animada quando ele me perguntou.

No entanto, eu já não tinha a mente tão leve quanto há minutos atrás.

. . .

Estávamos dentro da boate, junto com os nossos amigos, numa mesa cheia das bebidas e os refrigerantes que estávamos consumindo. No meu caso, eu só me responsabilizava pelos últimos.

Eu estava engajada numa conversa com as meninas quando senti que estava sendo observada. Levantei minha cabeça pensando ser meu namorado, mas não era Sasuke que me encarava.

Um rapaz alto, que possuía um corpo definido, nada exagerado, estava a alguns metros de distância de onde eu e meus amigos nos encontrávamos, levando o copo de bebida a boca enquanto não tirava os olhos de mim. Me senti completamente envergonhada e desviei o olhar, ao mesmo tempo que senti um par de braços me enlaçar possessivamente pela cintura.

— Hime – ouvi Sasuke dizer – quem é aquele cara?

—Não faço ideia, amor. – respondi sinceramente enquanto me virava para encará-lo. – Nunca o vi na vida.

— Hm. – ele respondeu, simplesmente, parecendo não estar muito satisfeito. – Ele parece que te conhece.

Quando eu me preparava para responder, ouvi a voz de Ino gritando por cima da música:

—Hina, vem – ela balançava os braços animadamente quando virei meu olhar para ela – essa é a nossa música! Vamos dançar. – terminou fazendo um passo de dança muito engraçado. Eu ri e estava pronta para me desvencilhar de Sasuke quando o ouvi dizer:

—Você não acha que essa roupa – fez uma pausa assim que eu o olhei, esperando-o terminar – é um pouco curta para dançar?

—Sasuke, eu sei me comportar. – eu o olhei incrédula. Não era a primeira vez que ele fazia isso. – Não achava que tinha que afirmar isso para você. – terminei, deixando que a mágoa transparecesse na minha voz.

—Você podia ter escolhido outra roupa. – ele continuou, simplesmente. — Vai chamar muita atenção assim. Não quero brigar com ninguém.

—E você não vai precisar. – respondi, levemente irritada – Até porque eu sei me defender. E eu achei que você tivesse me achado bonita.

—E você está. – ele respondeu antes de continuar — Eu só não quero ninguém desejando o que é meu.

Eu o olhei intensamente antes de responder.

—Você é meu namorado, mas eu não sou uma propriedade sua. – e dei as costas, indo em direção as minhas amigas.

Sabe aquela confiança que eu tive quando me olhei no espelho? Foi engolida pela insegurança. Eu estava me sentindo horrível.

. . .

Eu já tinha voltado da pista quando as meninas chegaram à mesa. Era fato que eu estava mais desanimada do que quando cheguei, mesmo depois de ter conversado com Sasuke e de termos nos acertado. Não queria ficar chateada com ele, muito menos ali.

Eu estava ao lado do meu namorado, que tinha um braço na minha cintura, e todos estavam rindo de alguma palhaçada dita por Ino. Eu estava distraída fazendo algum comentário que nem senti quando Sasuke tirou o braço de mim.

Eu só percebi quando ouvi uma voz dizer.

— Sasuke! – e então uma menina muito bonita, com um cabelo longo, não tanto quanto o meu, e ruivo enlaçou o pescoço do meu namorado e deu um beijo na bochecha dele.- Não esperava encontrar você aqui.

Vi quando Sasuke retribui o abraço e deu um sorrisinho quase imperceptível. Eu não gostei da proximidade e intimidade dele com aquela garota que eu tinha nunca visto. E, bem, eu pensava que conhecia os amigos do meu namorado.

—Karin, que bom ver você. – ele fez uma pausa e prosseguiu – Não sabia que vocês estariam aqui. – e então eu percebi que atrás dessa tal Karin, tinham mais duas meninas que também cumprimentaram Sasuke.

—A gente decidiu de última hora. – Karin respondeu simplesmente e então olhou para mim. – Esta é a sua namorada? Ela é muito bonita.

Sasuke pegou minha mão e me trouxe para mais perto deles.

—Sim, é a Hinata. – virou para mim e disse – Karin e as meninas estudam comigo na faculdade.

Cumprimentei todas três e Karin puxou assuntou com Sasuke, que correspondeu, parecendo esquecer que eu estava ali. E nenhum dos dois fez questão de me incluir na conversa.

Por um momento eu me senti completamente incomodada. Eu estava com ciúmes e me sentia deixada de lado. Eu sabia que se a situação fosse contrária, se eu tivesse encontrado um amigo e não incluísse Sasuke na conversa, depois ele falaria e falaria e me faria sentir culpada. No entanto, eu também me sentia culpada agora. Elas estudavam com ele, não tinha porque eu ter ciúmes.

Então eu me lembrei que Sasuke nunca falou das pessoas que estudavam com ele. E quando eu perguntava se ele não tinha amigos, ele dizia que só andava com Gaara e Sasori.

Eu não gostei de sentir o aperto no meu peito e o gosto amargo que subia por ele.

∞∞∞

Konoha, 2018.

Já era a terceira vez que Sasuke me ajudava a praticar minha direção no carro. Eu tinha passado na prova, mas ainda não me sentia segura para dirigir sozinha. Por isso, Sasuke se ofereceu a colocar sua vida em risco, diga-se de passagem, ao dizer que iríamos treinar até eu me sentir segura.

Bem, hoje era um desses dias.

Eu estava gargalhando no volante porque tinha deixado o carro morrer numa subida. Ela, em si, não foi a culpada e sim o quebra-mola que tinha nela. Por Deus, quem colocava esses troços ali? Já não era difícil o suficiente fazer o carro ficar estável numa inclinação?

A minha risada era de desespero. Eu odeio subidas, principalmente as que têm lombadas. Sasuke rapidamente levantou o freio de mão e o carro parou instantaneamente.

— Hime – eu o ouvi me chamar, e olhei em sua direção limpando as lágrimas por conta do riso. E do nervoso. – Você está indo bem, calma. Só precisa se concentrar mais quando for trocar de marcha.

— Amor, não quero mais. – falei, visivelmente nervosa.

— Vamos, você não pode desistir. – ele falou – Vamos tentar de novo. Liga o carro. – e assim eu fiz. – Agora, você vai se concentrar em soltar a embreagem calmamente enquanto aperta o acelerador.

Respirei fundo, engatei a primeira marcha e segui o conselho do meu namorado. Eu senti o pedal tremer no meu pé, e eu não sabia diferenciar se era ele que tremia, se era eu ou os dois. Mais provável ser a última opção.

— Eu confio em você. – ouvi Sasuke dizer quando percebeu minha hesitação.

Então eu consegui fazer o carro andar e terminar de subir. Parei numa vaga assim que a rua já não tinha mais inclinação.

— Viu?! – me virei para ele assim que o ouvi se pronunciar – Você é incrível! Minha melhor aluna.

— Claro – respondi ironicamente – eu sou a única.

Eu o ouvi ri e o acompanhei. Eu adorava esses momentos. Principalmente porque eu me sentia amparada por ele. Até esquecia que as coisas estavam estranhas.

⁃ Bem, como recompensa pela aula de hoje, — começou dizendo- vou te levar para tomar sorvete.

⁃ Baunilha com cobertura de chocolate e ovomaltine — completei, batendo palmilhas entusiasmada – Ah, e batata frita para acompanhar.

Sasuke contorceu a cara em uma expressão de nojo muito engraçada antes de dizer:

— Você quem manda. – o vi se aproximar e então nossos lábios se tocaram. Um simples selinho que logo foi aprofundado por Sasuke. E foi um beijo tão apaixonado, tão incrível. Nos separamos.

—Eu te amo, Hime — ele fala, ainda com o rosto próximo — Você é única e por isso eu te amo.

Eu sorri antes de dizer que também o amava.

∞∞∞

"Eu viro as costas para te amar

Como esse amor pode ser uma coisa boa?

E eu sei o que estou passando."

Konoha, 2018.

Fiquei um bom tempo pensando no que meu pai me disse no dia da festa. Eu realmente estava ficando pouco com as minhas amigas e eu só fui perceber o quanto sentia falta hoje.

Estávamos eu, Ino, Tenten e Sakura no chão do quarto da loira. Combinamos de fazer uma noite das meninas, ou seja, todas nós íamos dormir lá. Escolhemos alguns filmes e várias guloseimas para virar a noite.

Eu amava minhas amigas. Elas eram tão diferentes de mim e isso que as faziam especiais, porque eu me sentia transbordar. Eu aprendia muito com cada uma delas e eu sabia que também aprendiam comigo. Com certeza eram pessoas que eu queria guardar num potinho de tão especiais que eram.

Não tinha percebido o quanto sentia falta de momentos assim. Não tinha percebido o quanto sentia falta de uma Hinata que eu não estava tendo contato mais. Ultimamente as coisas estavam bem estranhas. E, bem, as meninas estavam sempre ali comigo. Mesmo quando eu não fazia o mesmo por elas.

Eu ficava incomodada com algumas coisas, principalmente quando elas tentavam conversar da minha relação com o Sasuke. Sempre começava quando eu contava algo que me incomodava no meu relacionamento, o que estava acontecendo com bastante frequência, e eu via o olhar preocupado de Tenten, que era mais reservada, ou então ouvia as coisas que Ino falava, já que era mais desbocada. Ou então sentia o abraço terno de Sakura, que dizia mais do que qualquer coisa que ela pudesse externar. Eu tinha a sensação que elas enxergavam algo que eu não enxergava. E mesmo eu sendo ausente e às vezes injusta com elas, elas ainda estavam ali. Elas seguravam a minha mão.

Eu tinha a sensação que elas se mostrariam mais presentes na minha vida do que eu pudesse imaginar. E eu não sabia como seria possível.

— Meninas, – fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi Sakura falar. Ela estava mexendo no celular e logo atraiu a atenção de todas nós – o barzinho que costumamos ir vai ter especial karaokê hoje. Que tal dar uma animada na nossa noite?

— Eu tô dentro. – ouvi Tenten dizer – Vai ser ótimo cantar com minha voz incrível.

—Ten, você vai é pagar mico. – disse Ino – Eu também topo.

—Vou pagar mico, mas com vocês. – Tenten deu a língua e olhou na minha direção – Então, Hina?

Eu fiquei um pouco preocupada. Bem, eu tinha dito ao Sasuke que dormiria na casa da Ino e ele me incentivou a ter um momento com as meninas. No entanto, não sei como ele reagiria caso eu dissesse que mudamos um pouco os planos. Se bem que o barzinho era um programa que a gente fazia bastante, até eu começar a furar com elas. E ele nunca viu problema. Talvez eu estivesse me preocupando atoa.

— Eu vou também. Vai ser animado. – respondi, sorrindo sinceramente para as minhas amigas e pegando meu celular – Só vou mandar mensagem para o Sasuke avisando.

— Hina, — ouvi Tenten falar. O tom de voz dela ficou sério. – você não tem obrigação de avisar ao Sasuke.

— Ten, só não quero ter estresse com ele. – respondi, sinceramente.

— Hinata, você está com a gente. Ele já sabe que vamos ter a noite das meninas. – ouvi Ino dizer – Não acho que você precise pedir permissão ao seu namorado para ir.

— Amiga, — olhei para Sakura assim que ela me chamou – você já foi outras vezes nesse mesmo barzinho com a gente. Você não acha que é meio estranho ter que avisar todos os seus passos para o Sasuke?

— Meninas, — endureci um pouco o olhar. Não estava entendendo. – eu não estou pedindo permissão ao Sasuke. – retruquei – Eu só vou avisar que mudamos os planos, para que não haja estresse. E, bem, não acho que ele reclamar. E eu também não aviso todos os meus passos a ele.

Eu vi quando as meninas me olharam preocupadas, mas assentiram e não comentaram mais nada.

Como não tinha levado roupa para sair, já que só iríamos dormir, eu pedi uma blusa emprestada a Ino e utilizei a mesma calça e o tênis que eu estava quando fui para casa dela. Eu logo me arrumei e enquanto esperava as meninas, sai do quarto para ligar para o Sasuke.

Ele demorou um pouco para atender.

— Hime – o ouvi dizer assim que o bip parou – tá tudo bem?

— Oi, amor. – não sei por que eu me sentia nervosa. Eu não tinha feito nada. – Tá tudo sim. Eu só queria falar com você que as meninas decidiram ir naquele barzinho que sempre vamos. – eu estava escolhendo minuciosamente as palavras.

— Hinata, — o tom de voz dele mudou. Parecia um tom acusatório. – você disse que iriam fiar em casa e dormir.

— Bem, esse era o combinado. – eu definitivamente estava nervosa. – Mas hoje vai ter um especial karaokê e a gente animou de ir.

— Você é tímida demais para cantar. – ele prontamente respondeu seco. – Não sei por que decidiu ir.

— Bem, Sasuke, todas elas querem ir. Inclusive a dona da casa. Eu não vou ficar aqui sozinha, até porque eu animei de sair com elas. – eu podia sentir a irritação crescendo dentro de mim.

— Então vá. – ele respondeu ríspido – Só não reclama depois.

— Amor, por favor, eu não quero brigar. Não é como se eu fosse a uma festa...

— Ta bem, Hinata. Você faz o que quiser. – ele me cortou – Você se manda.

Eu não tive tempo de responder por que ele desligou.

. . .

Já estávamos no barzinho, mais precisamente sentadas na mesa esperando nossos petiscos.

Logo após a ligação do Sasuke, eu voltei para o quarto e encontrei as meninas quase prontas. Elas me perguntaram porque eu estava meio desanimada e eu desconversei, dizendo que estava um pouco cansada. No entanto, prometi para mim que eu iria me divertir. Eu devia isso a elas. E, bem, a gente estava conseguindo. Fazia tempo que eu não me divertia tanto, que eu não me sentia tão leve. Mesmo que não tenha falado mais com Sasuke depois, ou melhor, mesmo que ele não tenha respondido a mensagem que eu mandei.

— Eu sei que não tenho falado muito isso, — respirei para recuperar o fôlego depois da crise de risos – mas eu amo estar com vocês. Parece que eu consigo ser eu mesma.

Vi quando minhas amigas me abraçaram e falaram o quanto eu era importante para elas. Logo nossos pedidos chegaram e como de costume todas nós pegamos o celular para tirar uma foto e publicar no story do Instagram. Era quase um ritual.

Assim que eu abri a minha conta, vi que tinha um story do Sasuke, algo que era raro já que ele quase não publicava. Quando eu cliquei, senti meu coração gelar.

Era uma selfie dele segurando um copo de bebida. Ele não me falou que ia sair. No entanto, o que me fez ficar mais chateada foi o vídeo que ele postou logo depois da foto. Nele era possível ver que ele estava numa social com algumas pessoas que eu não conhecia, mas uma em especial me chamou atenção. Era Karin, a ruiva que encontramos na boate. Ela abraçava o pescoço do Sasuke e falava algo que eu não ouvi porque o volume do meu celular estava baixo.

Deslizei a tela e respondi o story dele: "Você é um hipócrita.".

Voltei ao meu perfil, tirei a foto com as meninas, postei e desliguei o celular.

Eu estava extremamente puta, irritada e magoada. Eu não sabia o que estava acontecendo e eu me sentia extremamente sufocada e sozinha. Mesmo que eu estivesse naquele bar cheio de gente, com as minhas amigas que sempre estiveram do meu lado.

Eu sabia que isso que eu estava sentindo só eu poderia resolver. Só eu poderia enxergar. Só eu poderia sair.

E pela primeira vez eu quis me desligar de Sasuke.

∞∞∞

Konoha, 2018.

— Então, Hina – me senti ser abraçada pelos ombros. Olhei para cima e vi Kiba com um sorriso enorme. Sorri timidamente. Eu o adorava, ele é um grande amigo. – Vamos sair eu, o Shino e a Matsuri. Estávamos pensando em ir num barzinho que abriu aqui perto depois da aula do nosso último turno. Queremos você e a Tenten com a gente. Você topa?

Olhei para o meu amigo atentamente. Não estava no clima para sair. Por outro lado, acho que me distrair um pouco dos problemas do meu relacionamento me faria bem. E qual distração seria melhor que estar rodeada dos amigos cantando no karaokê? Além do mais, hoje era um dos dias que eu tinha aula na parte da manhã e no turno da tarde. Em plena quinta-feira. Não seria problema, seria?

— Eu adoraria! – falei, sinceramente – Vou comentar com a Tenten. Tenho certeza que ela vai querer ir também.

— Okay, vou esperar sua resposta. – me deu uma piscadela e completou – E, bem, sem querer ser indelicado, mas seria legal ir você e a Tenten, sabe? Sem, hm.. namorados. – observei-o ficar nitidamente sem graça. Bem, eu percebi que ele enfatizou o . E a única que namora sou eu. Suspirei, eu entendi o recado.

— Pode deixar, Kiba – respondi um tanto quanto sem graça – Eu não tinha pensado em chamar o Sasuke. Eu sei que ele pode ser um tanto quanto sem educação quando quer.

Eu não podia esquecer o dia que eu levei Sasuke para sair com o pessoal da faculdade e o apresentei para os meus amigos, mais especificamente Shino, Matsuri, que não era tão próxima, e Kiba. De cara ele não gostou do Inuzuka. Todas as vezes que Kiba chegava perto de mim para falar algo, Sasuke fechava a cara e me puxava para mais perto. A princípio, eu pensei que seriam só ciúmes e achei graça da situação. Mas não. A coisa piorou e muito.

Eu não podia falar que iria fazer trabalho com Kiba que ele reclamava. Se ele visse alguma notificação de mensagem do Inuzuka no meu celular, mesmo que fosse do grupo da turma, ele fechava a cara. Inclusive já chegou a apagar o número dele do meu telefone. O que, sem dúvidas, acarretou em mais uma briga, dessas que estavam ficando constantes.

Eu tentava explicar que Kiba era apenas meu amigo, mas parecia que eu falava com uma parede. Então eu simplesmente deixei quieto. Eu não iria me afastar de alguém que sempre me respeitou e me tratou bem por ciúmes do meu namorado. E eu também não teria que apelar para manter a minha amizade com Inuzuka contando ao Sasuke que, na realidade, Kiba gostava do Shino. Eu sempre achei que ele deveria confiar em mim acima de tudo. E, não menos importante, ele não era meu dono. Mesmo que agisse como se fosse.

— Desculpa, Hina. Não queria ser indelicado. – ele me abraçou e me deu um beijo na bochecha – Fale com a Tenten, tá bem? Espero sua resposta. Já sei que será um sim. – e saiu da sala.

Eu teria duas coisas para fazer agora. Primeiro ligar para a Mitsashi. Onde é que ela estava que não assistiu à última aula? Precisávamos nos encontrar para almoçar. E, bem, falar com Sasuke. Isso eu faria questão de adiar. Não queria mais discutir. Só que eu precisava avisá-lo que ele não precisaria me buscar na faculdade hoje.

Peguei meu celular e decidi por enviar primeiro a mensagem para Sasuke e liguei para a Tenten. No segundo toque ela atendeu.

—Hina, aconteceu alguma coisa?

—Aconteceu que a senhorita não assistiu a última aula – falei em tom de sermão. Ela sabia que era brincadeira. – E eu estou te esperando para almoçar. E também tenho um convite para você. – terminei a frase sorrindo.

— Nem vem que não vou sair para segurar vela hoje. – eu podia sentir a cara emburrada da minha amiga. – Desculpa, miga, mas não às vezes é chato sair com o Sasuke, sabe?

—Não é para sair comigo e com o Sasuke – falei, revirando os olhos. Eu sei que ela não falava por mal, mas ás vezes incomodava – Quer dizer, você vai sair comigo sim. Mas o Sasuke não vai.

— Opa, agora fiquei curiosa. O Uchiha deixou você sair? – esta era claramente uma pergunta irônica

— Tenten, o Sasuke não tem que deixar nada! – falei, demonstrando meu aborrecimento. Poxa, eu tinha voz. Não tinha?

—Desculpa, Hina. – percebi que ela ficou incomodada. – Não queria te magoar. Te encontro em 10 minutos na porta da sala e você me conta que convite é esse, okay?

—Tudo bem, Ten. – suspirei e desliguei a ligação. Quando tirei o telefone do ouvido, vi que tinham três notificações de mensagens. Todas do Sasuke.

Como assim eu não preciso te buscar, amor? [12:20]

Você vai sair com quem e pra onde? [12:20]

Hime, me responde. [12:23]

Respirei fundo. E lá vamos nós.

Sasuke, vou sair com o pessoal da faculdade. Não precisa

se preocupar, amor! Eu ficarei bem. [12:29]

Percebi que ele logo visualizou minha mensagem e já estava digitando.

Quem vai e onde vocês vão? [12:29]

Eu, Tenten, Matsuri e os meninos. E vamos a um barzinho. [12:30]

Hime, eu não quero você perto daquele garoto. [12:30]

Eu estarei te esperando quando você sair da faculdade. [12:30]

Como é?! Não acredito nisso! Eu iria sair com os meus amigos sim.

Sasuke, eu vou sair com eles. Você não pode me proibir de

estar com os meus amigos. Eu já disse que sua implicância

com o Kiba é besteira. [12:31]

E, sinceramente, você não pode simplesmente dizer

o que eu tenho que fazer como se

eu tivesse que te obedecer.

Isso é um relacionamento! Não uma prisão. [12:32]

Eu não quero brigar com você, amor.

Nos vemos a noite? [12:32]

No entanto, eu não obtive resposta, apesar dele ter visualizado. Suspirei. As coisas estavam ficando mais complicadas. Eu o amo, como ele pode duvidar disso? Às vezes parece que esse sentimento vai me engolir e, sinceramente, não é possível que ele não perceba o quanto eu me esforço para o nosso relacionamento dar certo.

Fui tirada dos meus pensamentos quando Tenten me chamou para irmos almoçar. No meio do caminho, ouvi minha amiga falar sobre algumas coisas da vida e eu interagia com ela, tentando ao máximo deixar o que aconteceu há pouco de lado. Não podia permitir que Sasuke estragasse meu dia.

Chegamos ao restaurante que sempre almoçávamos, mas hoje seríamos apenas eu e a Tenten. Ino e Sakura estavam em um congresso de medicina sei lá onde. Nossos pedidos chegaram e começamos a conversar.

—Hina, você tá bem? – perguntou Tenten, visivelmente preocupada – Está com um olhar perdido. Aconteceu alguma coisa.

Esta não era uma pergunta. Tenten tinha um olhar muito perspicaz, e ela me conhecia bem. Quase nunca conseguia esconder algo dela, mesmo que quisesse. Contei sobre a situação com o Sasuke e percebi minha amiga ficar pensativa.

—Hina, — ela começou calmamente – eu não queria falar isso, mas ele está sendo babaca. E, bem, ele não pode esperar que você faça tudo do jeito dele. E vai ser tão legal se você for hoje.

—Eu não disse que não iria, miga. – tratei logo de responder – Só não queria brigar com ele. Não entendo porque o Sasuke está agindo assim ultimamente.

Observei Tenten me olhar com ternura. Mas seu olhar não me preparou para o que veio a seguir.

—Amiga, eu não queria te falar isso — observei que ela parecia escolher as palavras com cuidado. Senti meu coração acelerar. – Mas ele está sendo um pouco abusivo, você não acha? Parece que ele tenta te manipular.

Eu parei de respirar por um momento. Não era possível.

—Tenten, claro que não! – falei rapidamente – O Sasuke é muito ciumento sim, mas nosso relacionamento não é abusivo. Eu tenho uma vida além dele. E, bem, eu não deixo de fazer as coisas. Além do mais, ele nunca me agrediu. – terminei de falar, incrivelmente incomodada com o que minha amiga disse. Como ela poderia pensar isso?

—Hina, você sabe que existem outras formas de agressão que não são físicas. E, bem – ela fez uma pausa, respirando. Eu percebi que ela estava sendo cuidados, mas mesmo assim me machucava — eu só queria que você pensasse em algumas coisas. Quando foi a última vez que você saiu sem ele? – vi quando ela pegou minha mão em cima da mesa, acolhendo entre as delas – Nós, eu e as meninas, estamos sentindo sua falta. Você está tão distante ultimamente, mesmo quando está conosco. Só estamos preocupadas. — ela acariciava minha mão por cima da mesa.

Não falei nada. Meu coração pesou com essa conversa e eu não estava conseguindo digerir bem. Eu realmente não sabia o que falar. Terminamos o almoço com um clima estranho.

As aulas da tarde pareceram transcorrer calmamente, no entanto, eu estava o oposto. Minha ansiedade aumentava a cada minuto. Sasuke não tinha falado mais nada comigo e nem eu tinha mandado mensagem. Sendo assim, quando o sinal da última aula tocou, indicando que estávamos liberados, me juntei ao grupinho pronto para irmos.

Eu estava distraída rindo de alguma piada que o Kiba fez, mas acabei esbarrando nas costas de Tenten. Olhei para cima para ver o que tinha acontecido, mas minha atenção foi para além da minha amiga. Parado no estacionamento da minha faculdade, encostado no carro, estava Sasuke.

Puta merda.

Ele me olhava com os olhos semicerrados. Foi então que eu percebi que Kiba estava com os braços envoltos no meu pescoço. Eu fiquei bem nervosa, mesmo que dissesse para mim mesma que não tinha feito nada. Eu me sentia culpada e nem sabia pelo que. Olhei para os meus amigos antes de falar.

—Eu vou ver o que ele quer. Qualquer coisa, vocês vão na frente e eu encontro vocês lá. – olhei para cada um deles.

— Hina,- ouvi Tenten me chamar. Olhei para ela esperando que continuasse – Estaremos esperando você, tá bem? — minha amiga me abraçou, seguida dos outros. Quando chegou a vez de Kiba, ele falou no meu ouvido:

—Não deixe de ir, tá? – e me deu um beijo estalado na bochecha.

Observei meus amigos saírem e quando virei para o meu namorado, ele me encarava com cara de poucos amigos. Eu senti que talvez as coisas não fossem sair como eu queria. Caminhei lentamente até ele.

— Amor, — comecei calmamente – falei que não precisava vir me buscar. Esqueceu que eu vou sair com o pessoal? – dei uma de desentendida. Eu sabia que ele não tinha esquecido.

— Eu já disse que não gosto de te ver com este teu colega de turma. – ouvi Sasuke dizer calmamente.

—Mas, Sasuke, ele é meu amigo. Não é um simples colega.

-Hinata – ele faz uma pausa. Seus olhos estavam endurecidos e eu consegui ver o controle que ele estava tendo para não se exaltar – Eu sou seu único amigo, entendeu? Não existe amizade entre homem e mulher sem que haja interesse envolvido.

— Então você está me dizendo que você tem interesse na Karin? – perguntei ironicamente. Eu estava começando a ficar cansada. Céus! Será que eu estava doida? Será que era tudo coisa da minha cabeça eu estava inventando moda? Será que eu dava motivos para o Sasuke sentir ciúmes, mesmo que eu não percebesse?

— Quê?! – ouvi-o exclamar, perdendo a paciência – De onde você tirou isso? A Karin é uma amiga da faculdade, já te disse. Você tá inventando coisa!

— E o Kiba é um amigo da faculdade, oras. – respondi prontamente

—Que quer te comer! – Sasuke começou a gritar, passando as mãos nervosamente no cabelo – Porra, Hinata, você é ingênua ou se faz de?

—Eu simplesmente não estou entendo aonde você quer chegar. – falei, visivelmente magoada. Ele não tinha porque me insultar.

— Eu estou dizendo para você se afastar dele. – ele fez uma pausa – Eu não quero você perto daquele cachorro.

— Você não pode controlar minhas amizades, Sasuke! Não pode implicar com os meus amigos e esperar que eu me afaste deles porque você quer. – falei, começando a me exaltar. – Você não pode simplesmente esperar que eu faça tudo que você queira.

— Você é minha namorada! E eu não quero você perto dele. – neste momento ele desencostou do carro e segurou fortemente meu braço – Eu não quero mais saber sobre esse garoto.

— Sasuke – arregalei meus olhos, sentindo meu braço começar a doer sob seu aperto – você está me machucando. – o vi afrouxar o aperto, mas não me largar.

— Vamos, vou te deixar em casa. E estamos conversados. – terminou de falar, entrando no carro.

Fiquei um momento parada. Minha cabeça estava muito confusa, não conseguia ordenar meus pensamentos. E eu fiz o que não queria, entrei no carro.

Eu me sentia exausta. Eu queria gritar, queria dizer que ele não podia mandar em mim. Que ele não podia invadir meu espaço. Mas eu não conseguia. O bolo na minha garganta não me permitiu. E eu tinha medo. Então eu simplesmente olhei para a janela, observando a chuva do lado de fora quando o carro começou a se movimentar.

Tentei me lembrar de quando a nossa relação começou a ficar assim. Eu acho que tava começando a fantasiar as coisas. Será que tudo não era coisa da minha cabeça? Será que a culpa era minha? Fechei os olhos querendo acreditar que tudo não passava de um pesadelo e tentando manter o mais longe possível de mim o que Tenten me falou.

Suspirei. Precisava avisar Tenten que não iria sair. Peguei o celular e digitei rapidamente uma mensagem, travando-o em seguida. Eu não queria ler o que eu já sabia que minha amiga ia falar. Eu não queria lidar com aquilo.

Não poderia ser verdade, poderia?

∞∞∞

Konoha, 18 de abril de 2018.

Hoje era um dia importante. E eu estava extremamente nervosa porque tinha tomado uma decisão que eu tenho certeza que seria uma surpresa para o Sasuke, mas não para mim. Eu já vinha pensando sobre isso durante um tempo, mas não tinha conversado com ele ainda. Agora eu me sentia pronta.

Estávamos fazendo aniversário de namoro e neste momento eu estava dentro do carro enquanto ele nos levava para seu apartamento. Há um tempo ele morava sozinho para ficar próximo a faculdade.

Diferente das outras vezes que comemoramos, Sasuke propôs que ao invés de sairmos para jantar, que eu o deixasse preparar um jantar na casa dele. E eu aceitei, claro. Seria algo diferente e incrivelmente romântico. Só nos dois.

No entanto, eu estava tentando fazê-lo falar qual seria o prato principal, já que eu sabia que meu namorado não era muito chegado na cozinha.

— Vamos, amor – eu suplicava, sabendo que seria inútil – me fala. Não me diga que você fez um omelete para mim? – falei fingindo surpresa.

Ele soltou um risinho antes de dizer: — Hime, faz parte da surpresa. Não vou falar e pronto.

Fiz um biquinho, claramente infantil, e bufei. Bom, a parte positiva é que já estávamos chegando ao apartamento dele. Eu ficava mais ansiosa, e não era porque eu não sabia o que ia comer.

Sasuke entrou na garagem, estacionou o carro e subimos o elevador. Quando chegamos em frente ao apartamento dele e ele abriu a porta, me dando espaço para entrar primeiro, eu fiquei sem reação.

A luz estava apagada, mas o ambiente não estava escuro. Pelo contrário, ele estava bem iluminado.

Um jantar a luz de velas.

Eu não sabia o que expressar. Virei pro meu namorado, o encarando maravilhada.

—Isso tudo é para mim?

— Sim, pequena. – ele me abraçou assim que pulei em seu pescoço.

—Eu amei, eu amei demais. – distribui vários beijinhos pelo seu rosto. O vi sorrir de canto.

— Vamos que a surpresa não acabou. – ele falou, me conduzindo até a mesa e me fazendo sentar em uma das cadeiras. Percebi que algumas pétalas de rosas estavam em cima da mesa e no chão e meu coração se encheu de amor. Estava melhor do que eu poderia imaginar. — Vou buscar nosso jantar.

Observei Sasuke caminhar até a cozinha, voltando minutos depois com uma travessa contendo arroz e outra com purê. Hm, então seria uma comida ocidental? Bem, só tem uma comida que eu amo e que tem esses acompanhamentos.

— Parmegiana?! – falei assim que o vi colocar a última travessa. – Amor, eu amo! Meu Deus.

— Eu sei, por isso me esforcei em fazer. – ele falou – Sei que não vai estar bom como o seu, mas eu espero que goste.

— Eu já estou amando. – eu falei, sorrindo abertamente. Dei um selinho nele e comecei a me servir, vendo-o fazer o mesmo. – Espero me controlar e não comer tudo sozinha.

Ele sorriu e eu me preparei para a primeira garfada. Estava muito bom.

— Céus, está incrível.

Começamos a comer enquanto conversávamos sobre a nossa semana, coisas da faculdade. Eu relembrava algumas histórias engraçadas do nosso relacionamento e Sasuke me acompanhava. Quando terminamos, bem satisfeitos, ajudei Sasuke a lavar a louça e fomos para a sala procurar algum filme para assistirmos.

Estávamos no sofá, Sasuke encostado com as pernas esticadas e eu no meio, quando me virei um pouco para olhar seu rosto.

— Obrigada por hoje. – comecei falando. – Foi perfeito. Está sendo. Eu te amo tanto. Você me faz muito feliz.

— Hime, — ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – eu amo você. – e me beijou.

O beijo começou lento e foi ganhando um ritmo sensual, ao mesmo tempo em que íamos nos acomodando no sofá. Quando nos separamos pela falta de ar, eu falei:

—Sasuke, — respirei antes de continuar. Eu já tinha tomado minha decisão. – eu quero você.

— Eu já sou seu, Hinata. – ele me falou, olhando diretamente nos meus olhos.

— Não, amor. Eu me sinto pronta.

Eu vi quando ele entendeu o que eu queria dizer.

— Você tem certeza? – ele perguntou, cuidadoso.

— Nunca tive tanta certeza na vida.

E quando meu corpo encontrou o colchão da cama dele, eu sabia que aquele era o momento. Eu o amava e ele era importante demais para mim, por isso eu queria que fosse com ele. Eu não me arrependeria da minha decisão. Mesmo que algo acontecesse.

Naquele momento éramos só eu e Sasuke, e o presente. Eu não queria pensar no depois. Porque quando nossos corpos se misturaram numa dança bem sensual, eu sabia que, ali, eu era dele e era meu. E isso me bastou.

∞∞∞

"E não importa quanto eu tente

Eu não consigo escapar destas coisas de dentro [...]

Mas todas as peças desmoronam"

Konoha, 18 de maio de 2018.

Era a festa de calourada da minha faculdade, onde os veteranos recepcionavam os calouros. Sem trotes, apenas alguns jogos alcoólicos e competições de dança. Eu particularmente me mantinha distante destes tipos de atrações porque, primeiro, não bebo e, segundo, sou tímida.

Eu estava com meu grupo inseparável, vulgo Ino, Tenten, e Sakura. Além de Gaara, Sasori e Sasuke. Por incrível que pareça, eu estava bem animada. A festa, num todo, estava muito boa. Música alta, gente alegre e muita diversão. No fundo, no entanto, eu sei que estava feliz por estar com os meus amigos. E com o Sasuke. Amava esses roles com todo mundo junto.

—Hime. – ouvi Sasuke me chamar e virei para trás, já que estávamos andando em fila – Você quer comer alguma coisa? Posso ir ao caixa comprar algumas fichas para deixarmos guardadas.

— Pode ir, amor. Eu vou querer refri e cachorro quente – abri um sorriso grande -Vou seguir com o pessoal para encontrarmos um lugar. – falei, dando um selinho nele e o vendo se afastar. Me aproximei de Sakura, que estava na minha frente, e segurei sua mão.

— Cadê o Sasuke, Hina? – ela olhou para trás para falar comigo

— Foi comprar fichas. – respondi simplesmente enquanto continuávamos a andar. Ela assentiu e voltou a olhar para frente.

Paramos na reta do pequeno palco que tinha na festa, mas estávamos distante. Preferimos ficar mais para o fundo por questão de espaço. Olhei em volta e vi que a quantidade de gente que começava a aumentar enquanto alguma música animada tocava. Vi várias pessoas bebendo e dançando. O clima da festa estava agradável.

Sasuke parou do meu lado com um copo de bebida na mão e me deu um selinho. Engajou em uma conversa com os meninos, enquanto eu me aproximava das meninas para dançar. Ficamos um bom tempo nos divertindo, balançando ao som animado até que os meninos se juntaram. Sasuke enlaçou minha cintura e se aproximou, me puxando para mais perto do seu peito, enquanto me acompanhava no ritmo da música. Ficamos dançando agarradinhos por um bom período até que decidimos comer alguma coisa. Avisamos ao pessoal que iríamos à barraquinha de cachorro-quente e já estávamos voltando.

Entrelacei minha mão na dele e sai apressadamente.

— Calma, Hime – ouvi-o dar uma risadinha. — O cachorro-quente não vai fugir.

—É que eu 'tô com muita fome. – parei, o olhando e fazendo um biquinho. Ele riu. Com a mão livre acariciou minha bochecha e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Você é linda. – eu o vi se aproximar e senti seus lábios tocando delicadamente minha testa antes de ouvi-lo dizer – E fica incrivelmente mais bonita fazendo essa carinha.

Eu sorri e fiquei na ponta dos pés para alcançar seus lábios. Dei um selinho e quando estava pronta me afastar, senti uma mão de Sasuke na minha nuca, me puxando para mais perto, ao mesmo tempo que me abraçava pela cintura. E então ele aprofundou o beijo. Pediu permissão com a língua para explorar a minha boca e eu me suspirei. Enlacei seu pescoço com os braços e cedi. Eu o senti me beijar com mais vontade, a ponto de quase parecer desespero. Ele me apertava em seus braços como se eu fosse sumir a qualquer momento. E eu só conseguia corresponder, envolta no turbilhão de emoções que a nossa bolha me proporcionava.

Nos afastamos quando o ar se tornou urgência. Eu estava de olhos fechado, ofegante. Que beijo foi esse? Tão diferente. Quando abri meus olhos, Sasuke me encarava. E eu não consegui identificar o sentimento que estava nas orbes negras.

— Eu te amo, Hinata. – ele sussurrou – Acho que ninguém nunca vai te amar como eu.

. . .

Eu estava dançando com Ino e Tenten. Sakura estava agarrada com o Sasori, enquanto Sasuke e Gaara conversam. Eu queria manter um pouquinho de distância do meu namorado. Algumas atitudes dele estavam me irritando.

Primeiro que ele não era tanto de beber e incrivelmente hoje decidiu exagerar. Ele não estava bêbado, mas eu conseguia perceber uma leve alteração. E aí que entra o segundo motivo da minha irritação: ele não estava me respeitando. Quando me via dançar, queria que eu dançasse agarrada nele. De início, eu não me incomodei. Até que eu percebi que ele não se importava com o fato de que em alguns momentos eu não queria. Ele me forçava e pronto. Não estava conseguindo me soltar como no começo da festa e quando eu reclamei, ele virou e falou:

— Você é minha namorada. – fez uma pausa antes de continuar. – Não estou fazendo nada demais. Não sei por que te incomoda.

Essa questão era fácil responder: eu estava me sentindo invadida. Mas não iria adiantar explicar ao Sasuke, deixaria para conversar com ele no outro dia. Então, quando o Gaara se aproximou, eu aproveitei para ficar mais próxima das meninas.

— Hina, tá tudo bem? – Ino perguntou enquanto dançava.

— Eu tô incomodada com o comportamento do Sasuke. – falei me aproximando mais das meninas para que elas me ouvissem sem que eu precisasse aumentar o tom. Não queria que ele ouvisse. – Ele 'tá agindo estranho. Tá me forçando a ficar agarrada nele, não respeita se eu estou me sentindo incomodada. – com certeza minha expressão era um misto de irritação, confusão e tristeza.

— Ele tá meio alterado, né – respondeu Tenten. – Mas isso não justifica nada. – observei que ela logo tratou de completar.

Olhei para as meninas. Eu percebia a preocupação que elas tinham comigo. Suspirei antes de falar:

— Vamos esquecer isso. – tentei esboçar um sorriso – Vamos continuar dançando e curtir a noite que está incrível. – abracei as duas e voltamos a nos movimentar.

Depois de um tempo, Sakura se juntou a nós e elas me fizeram esquecer meu incômodo. Percebi que a festa estava lotada e eu estava me divertindo, mesmo com as questões com o Sasuke.

Senti quando ele chegou perto de mim, colocando a mão na minha cintura e aproximando a boca da minha orelha.

— Hime, vou ao banheiro e já volto. – eu o observei saindo e voltei a dançar.

Percebi que as meninas estavam tentando uma coreografia e eu fui acompanhar. Mais rimos do que dançamos. A música trocou uma, duas, quatro, seis vezes, e nada do Sasuke. Eu sentia que algo estava errado. Será que o Sasuke estava passando mal? Será que ele estava precisando de ajuda? Eu comecei a ficar em alerta.

Eu percebi quando Kiba se aproximou do nosso grupo, até então eu só o tinha visto no começo da festa. Ele estava estranho. Eu vi quando ele deu um uma tentativa de sorriso na minha direção, mais pareceu uma cara triste, e cochichou algo no ouvido de Tenten. Percebi ela arregalar levemente os olhos e olhar algo no celular dele. Vi que sua expressão endureceu e que logo depois ela falou algo com ele e ele saiu. Alguma coisa estava estranha.

Observei quando Tenten se aproximou de mim e parou ao meu lado.

—Tem, aconteceu alguma coisa? – falei, um pouco angustiada. Eu não estava gostando da sensação que crescia dentro de mim e sentia que ia piorar.

— Não foi nada, Hina. – observei que seus olhos, quando me encararam, eram pura preocupação. E o que eu li neles não foi fácil de digerir. Não podia ser.

— Aconteceu alguma coisa com o Sasuke, né? – falei, deixando que a angústia, a ansiedade e o medo tomassem conta de mim. – Ele está passando mal?

— Hina.. – então eu vi minha amiga abaixar a cabeça. Tudo ao meu redor parecer estremecer.

—Ele.. – minha voz falhou — Não! Não pode ser. – e eu saí apressadamente em direção ao banheiro que eu nem sabia onde ficava.

Eu ouvi quando Tenten me chamou e segurou meu braço, mas eu me desvencilhei dela assim como fiz com todos os corpos dançantes que estavam no meu caminho. Minhas pernas tinham vida própria, pela primeira vez. Eu não sabia para onde estava indo, mas eu sentia que eu ia desmoronar.

Eu cheguei onde havia uma placa que indicava a direção do banheiro, que estava a minha esquerda. Virei.

Então eu o vi.

Ele estava de fato no banheiro. Ou melhor, encostado na parede perto dele. Com uma garota que eu nunca vi entre seus braços. Eles estavam se beijando.

Eu esperei, sem reação, até que eles se separaram. Vi quando Sasuke deu um selinho nela depois do beijo. Ela falou algo e ele riu, virando o rosto.

Foi quando nossos olhos se cruzaram. Só deu tempo de ver a surpresa nas orbes pretas antes que eu andasse apressadamente.

Minhas pernas não me obedeceram pela segunda vez naquela noite, e quando dei por mim estava em queda livre.

Eu caí do precipício.

E tudo que eu senti foi uma dor que me rasgava por dentro.

.

.

.

"Você me ama, mas você não sabe quem eu sou."

Notas finais
Então? O que acharam? Essa história é baseada em algumas coisas que aconteceram comigo, e eu queria muito voltar a escrever fanfic. Bem, foi isso que saiu. Desde já peço desculpas por qualquer erro ou qualquer situação que possa ter incomodado vocês. Eu pretendo falar um pouco mais no próximo capítulo. O que vocês acham que a Hinata vai fazer? O segundo capítulo vai mostrar um pouco mais das amizades e do desenvolvimento da nossa personagem. Falando nele, eu já tenho algumas cenas prontas e eu já sei o que quero fazer, só não sei quando vou postar. Prometo não demorar, mas estou tendo algumas atividades da faculdade para fazer, além do tcc. Se cuidem, cuidem dos seus e fiquem em casa, quem puder. Beijos, e até o próximo.