Freaky Christmas week!
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
“You better watch out, you better not cry;
You better pout,, I’m telling you why;
Santa Claus is coming, mmm;
Santa Claus is coming to town;
You better watch out, you better not cry;
You better not pout, I’m telling why;
Santa Claus is coming to town,mm;
He’s making a list, he’s cheking it twice;
He’s gonna find out who’s naughty or nice;
Santa Claus is coming to town, yeah...”
Santa Claus Is Comin’ To Town
By Jesse J.
Aeroporto de Star City (Sábado, 15/12/18 – 15:36 p.m)
Felicity Smoak
Bufo, recusando, pela milionésima vez, a chamada de meu tormento particular que atende pela alcunha de Oliver Jonas Queen, ex playboy mulherengo, candidato à vaga de vice-presidente do recém formado conglomerado Queen-Palmer-Merlyn, maior fusão que se tem conhecimento nos Estados Unidos nos últimos tempos( e mais cara também), firma na qual trabalho há três anos (a primeira no caso), dando meu sangue (e porque não dizer minha vida!), tendo por isto conquistado o respeito e admiração do senhor e da senhora Queen a ponto de me colocarem a frente do departamento de TI!
O que se por um lado me trouxe alegria e orgulho, também me jogou na enrascada na qual me encontro, arriscando meu lindo pescoçinho ao recusar as ligações seguidas do referido tormento já que o infeliz é meio que meu patrão agora.
Aconteceu assim: quando a Queen Consolidate entrou em crise, um ano e meio atrás, o senhor Queen decidiu não apenas cortar os gastos supérfluos como também os privilégios e boa vida de seus dois filhos, Thea e Oliver, impondo-lhes trabalharem na empresa ao invés de apenas gastar (ou devo dizer torrar?) os lucros obtidos através dela.
Cada um foi posto em um setor diferente um tempo a fim de se inteirarem do funcionamento da empresa como um todo para quando assumirem (ele em particular, o que não acho nada justo, diga-se!) estarem preparados. Depois de “rodarem” a empresa toda, departamento por departamento, teriam de escolher um no qual passariam a trabalhar exclusivamente.
Não sei porque cargas d’água, Oliver resolveu ficar a frente do setor de desenvolvimento de projetos, o qual estava intrinsicamente ligado ao departamento de TI, o que por tabela me obrigou a trabalhar praticamente diariamente com ele, quer eu goste ou não.
Pois bem, mesmo com todos os esforços do senhor Queen, a empresa continuava a afundar-se e quando James Palmer propôs uma fusão (por lá também andavam mal das pernas, pelo que descobri), ele não pensou duas vezes para aceitar. Como a Global acabou envolvida no “rolo” não faço a menor ideia!
O fato é que com a inclusão da empresa da família Merlyn no negócio, ganhei de brinde dois playboys pendurados em meus cós posto que a senhora Queen (até hoje não sei porque!) cismou que deveria ser Eu a responsável por ajudar seu querido filho e futuro herdeiro da porra toda (desculpem o palavreado) a se adaptar e entender o setor escolhido pelo traste...digo, filho. Ou seja, sou uma espécie de "Yoda" do “Luke”.
Não, não estou ficando maluca, muito embora ache que meu “pupilo” pretenda me levar a tal estado, nem desaprendi contar. Acontece que o digníssimo melhor amigo do dito cujo, igualmente galinha (e gostoso, admito) veio a tira colo com o loiro! Thomas Merlyn praticamente mudara-se para a QC, sabe-se lá por qual motivo. Evidente que quando estava na empresa ficava em companhia de Oliver e, por tabela, comigo!
Tá, devo admitir que na maior parte do tempo era até agradável tê-lo por perto visto que o infeliz tinha um bom humor eterno e quase inabalável. Ao contrário de Oliver, que se revelara a encarnação do oposto, sempre ranzinza e fechado, raramente sendo visto com um sorriso nos lábios, no que dou graças posto que sempre que o fazia, minha sanidade era seriamente ameaçada...além de causar a perda de várias calcinhas! (na boa, deveria ser crime duas criaturas terem sorrisos tão devastadores, já que Tommy Merlyn nada deixa a dever ao compar...digo, amigo!).
—Ai, meu santo Google! Dá um tempo criatura! Não tem nada melhor pra fazer no final de semana não ?– bufo para o aparelho ao senti-lo vibrar, enrugando o cenho ao ver o número do Merlyn ao invés de Oliver – Mudar de individuo não vai me fazer atender espertinhos! – ironizo, desligando mais uma vez, atentando-me ao sistema de som do aeroporto que anunciava a chegada do voo que esperava – Finalmente! – suspiro, verificando a hora em meu relógio de pulso. O voo atrasara mais de uma hora! – Efeito final de ano! – resmungo, levantando meu traseiro dormente e caminhando até o portão indicado pela voz adocicada – Por que elas tem que falar com essa voz de atendente de tele sexo? – bufo mais forte, parando defronte o portão de desembarque.
Quando os passageiros começam a surgir, procuro-a ansiosa, acenando assim que vejo a cabeleira cor de mel, quase loira, destacar-se em meio ao amontoado de goros e cachecóis, seu sorriso doce e gentil me aquecendo o coração e fazendo-me esquecer a hora de atraso.
—Lis!! – Caitlin exclama, me envolvendo num abraço terno que só ela sabe dar — Senti saudades!! – exclama e anuo, emocionada, afastando-me minimamente.
—Eu também – confesso, examinando sua fisionomia – Como você está? – pergunto, muito embora saiba a resposta.
—Superando. Devagar – confessa, espremendo os lábios num sorriso simples e pequeno.
—É assim mesmo que deve ser amiga. Devagar, pra cicatrizar bem – digo, encarando-a – Você vai encontrar alguém que te mereça. Aquele cretino que saiu perdendo! – esbravejo, meu estomago revirando ante a lembrança da cafajestada aprontada por seu ex noivo, Ronnie.
Conheci Caitlin a mais ou menos sete anos, quando fui tentar a sorte em Central City. Era uma recém formada no MIT, cheia de ideias e sonhos.
A assediara na entrada do laboratório Star, onde trabalhava como pesquisadora ao lado de um de seus ídolos, doutor Harrison Wells, por parecer-me a mais acessível posto que os demais funcionários que adentravam o edifício me ignoravam por completo. Acertei em cheio!
Ela não apenas me deu atenção e ouviu como intercedeu a meu favor e conseguiu meu primeiro emprego pós faculdade. Assim nos tornamos amigas. Fui introduzida em seu seleto grupo do qual faziam parte Barry Allen, antigo crush desde o colegial (e que também nutria sentimentos por ela), Cisco Ramon seu colega de trabalho ao lado de Wells, professor Stein, mentor com quem mantinha contato após se formar, Eddie Thawne, uma espécie de primo/irmão já que foram criados juntos compartilhando os mesmos tormentos no que se referia a pais ausentes e a família West, Joe, sua filha Íris e Cecile, a madrasta, além, é claro, do cafajeste em questão, Ronnie Raymond.
Às vezes me pergunto o que aconteceria se o tapado do Barry, ao invés de arregar quando Ronnie entrou em campo, tivesse lutado por Cait. Certamente ela não teria se deixado encantar pelo nerd gostoso (combinação por vezes fatal para mulheres como nós, admito!) e largado tudo para o seguir numa, como Wells avisou na época, “aventura incerta e com grandes probabilidades de falha”!
Evidente que referia-se a proposta mais que indecente recebida por Ronnie e que o fez largar Wells e as pesquisas que faziam juntos sem pestanejar arrastando Caitlin com ele, pegando quase todos de surpresa (Cisco nunca confiou nele e só não soltou o famoso “Eu te avisei” quando tudo deu errado pra nossa amiga por gostar demais dela). Jamais Wells, ou qualquer um que os via juntos, iria imaginar que Ronnie a trairia pelo primeiro rabo de saia que deu mole pra ele!
—Eu sei Lis – ouço-a dizer, despertando-me do devaneio – Obrigada por me receber em plena semana de Natal. Deve estar uma correria por aqui! – agradece, esticando o extensor de sua única mala, que tomo para mim conduzir apesar de seus protestos, pendurando a bagagem de mão em seu ombro enquanto começamos a caminhar para a saída.
—De nada. Sabe que não costumo comemorar o Natal. Só vou a estas confraternizações para evitar aborrecimentos – digo, enrugando o nariz.
—Mesmo assim deve estar uma correria, ainda mais com essa mega fusão sobre a qual ouvi noticiarem — lembra e faço uma careta – Como estão as coisas na QC? Muito complicadas? – pergunta, parando ao lado de meu impermeável Beetle 2.0 (em segunda mão logico) vermelho .
—Estariam bem mais tranquilas se não tivesse recebido a missão de pajear o irritante filho prodigo e de quebra seu igualmente irritante amigo no mesmo pacote!! – bufo, acomodando sua bagagem no porta malas, rolando os olhos quando sinto o celular vibrar – Mas não se pode nem citar os referidos que eles ressurgem das profundezas do ....
—Lis!! – Cait chama minha atenção, olhando-me duro.
—Desculpa mas é que essa criatura tem roubado meu sossego!– desabafo, fechando a mala – Olha só quantas ligações enquanto esperava seu voo. Como se não bastasse ter de aturá-lo toda a semana, ainda tenho de fazê-lo no final de semana? É demais pra mim!!! – resmungo, entregando-lhe meu celular.
—Acho que deveria atender ou retornar, Lis. Se ele está insistindo tanto deve ser algo importante – aconselha, abrindo a porta do carona enquanto dou a volta pela frente do veículo, assumindo meu lugar no assento do motorista – Não me disse que estão trabalhando no projeto de um chip de segurança ou algo do gênero? Vai que é algo referente a isto – argumenta, entregando-me o aparelho.
Reflito um segundo, torcendo o nariz.
—Ok – anuo — Mas se for alguma bobagem ou futilidade como da ultima vez, juro que arranco a pele dele e viro pelo avesso com minhas próprias mãos! -ameaço fazendo-a rir alto – Tô falando sério Cait. Não tem noção do quanto Oliver Queen pode ser irritante quando quer – afirmo, aguardando o infeliz atender, o que acontece ao terceiro toque, para minha surpresa.
< Até que enfim se dignou retornar loirinha! > ironiza.
—E de quem será a culpa por hesitar em atender? – devolvo na mesma moeda.
< Reconheço que dei motivos, mas desta vez é sério Felicity. Muito sério> enfatiza, algo em seu tom de voz me fazendo dar-lhe credito.
—O que houve? – interrogo, começando a ficar apreensiva.
< Soube de fonte fidedigna que Isabel conseguiu hackear meu computador e roubou nosso projeto > solta a bomba e retenho o ar.
—Impossível!! – exclamo.
< Não pelo que soube > reafirma ele < Ela não apenas roubou mas está alterando para fazer parecer ser dela e de sua equipe > completa e descubro que sei rosnar < Exatamente a reação que esperava! > ouço-o dizer e mesmo sem nos vermos estou certa de que está com aquele meio sorriso que morre no canto daquela boca linda e tentadora....Foco Felicity! Foco! < Estou na QC, em meu escritório, te esperando para darmos o troco na bruxa > avisa.
—Troco é pouco! Vou pisotear naquela vaca com meu salto agulha! Vou dançar hap sobre o cadáver dela e depois atirar os restos aos porcos! – vocifero, dando a partida no carro.
—Jesus! Quero morrer sua amiga! – Cait exclama fazendo-me recordar sua presença.
—Merda! – xingo – Oliver, será que não podemos chegar mais cedo na segunda e resolvermos isto? Estou com visitas – explico.
—Não por mim Lis.
< Não se quisermos ter Nosso projeto aprovado e não o que ela roubou> Oliver e Cait dizem praticamente ao mesmo tempo < Felicity, não sei com quem Isabel está de conluio, não estou conseguindo contato com Raymond e perdi metade da tarde tentando te contatar! Pode já ser tarde demais pelo que sei. Temos que agir agora, neste minuto, ou tudo pode ir por água abaixo > justifica e suspiro, mordendo o lábio indecisa.
—Lis, não se prenda por mim. Posso muito bem pegar um taxi e ficar em casa sozinha – afirma, soltado o cinto de segurança.
—De jeito nenhum Caitlin! Não viajou meio mundo pra ficar trancada num apartamento sozinha, remoendo – digo, sinalizando para que pusesse o cinto outra vez – Vai comigo. De qualquer jeito não dá pra terminar tudo hoje mesmo. Vou ver o que aquela vaca fez, concertar, proteger o projeto novamente e quando estivermos em casa finalizo – decido, pondo o carro em movimento – Oliver, avise a segurança que estou levando uma amiga comigo – peço.
< Ok. Estarei esperando. Enquanto isto tento contatar Ray. Ele precisa saber do que está acontecendo > diz.
—Duvido que Sara tenha permitido que ele levasse celular – afirmo, suspirando – Péssima hora pra brincar de Tarzan e Jane! – bufo fazendo Cait rir – Vou desligar. Não quero levar uma multa ou sofrer um acidente. Até já – me despeço, desligando sem esperar resposta.
—Então é um projeto a três? – Cait pergunta e balanço a cabeça afirmativamente – Do que se trata? – quer saber, curiosa.
—Na verdade são dois projetos interligados. Dois chips de segurança, um pessoal e outro empresarial – começo a dizer, atenta a pista – Um servirá para inibir invasões em grades empresas tanto física quanto virtualmente e o outro oferecerá proteção pessoal, que terá um localizador e sensores para detectar sinais vitais a fim de fornecer prova de vida em caso de sequestro – explico, acelerando o máximo permitido.
—Então será implantado nas pessoas? – questiona.
—Ainda não decidimos porque sempre que testamos algo deu errado – conto.
—Testaram? Alguém se ofereceu como cobaia? – espanta-se.
—Não é que tenha se oferecido exatamente – digo, um sorriso diabólico formando-se em meu rosto – Mas era o mínimo que podia fazer já que estava sempre por perto, azucrinando-nos – conto.
—Definitivamente quero morrer sua amiga Lis! – repete, e rimos juntas.
Vinte minutos depois (um pouco mais) estaciono defronte ao imponente prédio da QC, adentrando o mesmo junto com minha melhor amiga.
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Escritório Oliver Queen (16:16 p.m)
Tommy
Estava jogado no sofá, entediado, escutando o embate entre Ollie e Felicity, a loira gotosa do TI (se me ouvisse a chamar assim em alta voz, iria cravar as unhas bem feitas e pintadas de vermelho em mim, o que não seria ruim se o fizesse em meio a um orgasmo na cama! Só que ai seria Oliver a cravar algo em mim e não seriam unhas!)quando algo que ela diz chama minha atenção. Um nome pra ser mais exato: Caitlin!
Ollie fizera a dupla gentileza de pôr no viva voz e não avisar a loirinha. Graças a isto ouvia a conversa e por conseguinte o comentário feito por alguém que estava com ela, descobri de quem se tratava logo em seguida. A partir dali o embate passou a ter minha total atenção.
Confesso que quase pulei de contentamento quando Felicity avisou que a traria consigo, o que não passou despercebido por meu amigo.
—Tommy, posso lembra-lo que estamos aqui a trabalho? – escuto-o dizer e o encaro com fingida inocência – Nem pense em estragar tudo dando em cima da amiga de Felicity ou dela, se sabe o que é bom pra sua saúde! – ameaça e arqueio a sobrancelha em desafio — Merda Tommy, falo sério! Já foi difícil conseguir fazê-la vir até aqui em pleno final de semana. Não vá estragar tudo com cantadas baratas! – reforça e sorrio.
—Um: minhas cantadas não são baratas! – reclamo – Dois: Não vou fazer nada que não queiram – mando o mais clichê dos jargões, atirando-me de volta no sofá, ainda sorrindo, erguendo os braços para me defender do caderno ou sei lá o quê que atira contra mim – Hei, isso podia ter me ferido sabia? Iria estragar este rostinho lindo e adorado por milhares de garotas na cidade e fora dela! – reclamo sem nenhuma modéstia.
—Ok, pra mim já deu! Excesso de ego demais pra suportar em tão pouco espaço – ouço John Diggle, segurança e amigo de Oliver (e meu também) dizer levantando com certo ruído e o encaro fingindo zanga — Vou dar uma volta e respirar ar puro! Quando terminarem, ligue avisando – ordena, abotoando o terno sempre alinhado, me dirigindo um olhar critico – Comporte-se Thomas. Não quero ter que recolher seus pedaços quando voltar muito menos dar guarita pra loirinha e seu amigo por homicídio – aconselha, estapeando minha cabeça ao passar.
—Oush! Só queria saber quando os dois se tronaram dois chatos de galochas! – resmungo.
—Cresça Thomas, cresça! – ainda escuto Dig dizer antes de sumir porta afora.
—Por que e pra que? – retruco, dando de ombros, voltando-me para Ollie, notando que ainda me encarava, desconfiado – Relaxa Ollie, não vou estragar nada. Sei o quão importante este projeto é pra você. Por mais de um motivo – tranquilizo-o, pondo os braços por detrás da cabeça, esticando-me no sofá.
—Como assim por mais de um motivo? – indaga, tenso.
—Qual é Ollie, acha que nasci ontem? Já saquei que está a fim da loirinha. Só não sei porque ir tão longe pra garantir uma transa! – digo, vendo-o se contorcer, incomodado.
—Acontece que ela não é mais uma para mim Tommy – diz, me pondo em alerta – Eu...acho que estou apaixonado de verdade desta vez – admite – Sendo honesto, tenho certeza de que estou apaixonado por ela. Pra valer. Não se trata de mais uma conquista, de mais uma transa de uma noite ou duas. Ela é especial Tommy – declara e o encaro durante alguns segundos antes de cair na risada.
—Está apaixonado pela nerd loira, baixinha e invocada que vai chutar suas bolas caso tente algo com ela, isso se não as arrancar fora com as próprias mãos! – provoco-o — Patético meu amigo! – exclamo, me levantando e indo até ele – Meus pêsames Ollie – digo, tocando seu ombro.
—Vai a merda Tommy! – rosna, livrando-se de minha mão antes de atender ao telefone — Onde diabos você estava Raymond? Não dava pra atender a merda do telefone!? – vocifera e aproveito a deixa para escapar de sua fúria.
—Licencinha, vou tirar a água do joelho! – aviso, saindo de fininho.
No corredor, caminho até um dos janelões do andar de onde dava pra ver praticamente toda a cidade, sentando-me no banco (ou algo do gênero) anexo a ele, recostando-me pensativo.
Havia tirado saro de Ollie por estar gamado em Felicity e dito que era patético mas na verdade quem o é sou eu. E digno de pena. Afinal, ele a tem perto de si diariamente e, mesmo que as turras um com o outro, tem boas chances de conseguir conquista-la...ainda que lhe custe as bolas!
Quanto a mim, tudo que tenho são as lembranças de uma noite que sequer terminou do jeito que gostaria!
**** Flashback On *****
Central City – três anos atrás
—Ei, psiu! Você ai. Dá pra parar de babar em cima do bonitão e vir me servir? Também sou cliente aqui e tô pagando! – a reclamação feita com voz trôpega chama minha atenção e olho por entre a fresta deixada pelo braço da bar tender gostosa com a qual estava flertando desde que chegara – Isso! Finge que não me ouviu. Quem sabe depois de te comer ele também garante um emprego novo pra você – ironiza e estreito os olhos tentando visualizar a dona da voz com mais perfeição, a luz fraca do ambiente não ajudando em nada.
—Vou atender essa maluca e já volto. Não suma – recomenda a garota, piscando antes de afastar-se, rebolando de forma exagerada, em direção a outra ponta do bar aonde a freguesa insatisfeita se encontrava.
Confesso, a curiosidade é um dos meus maiores defeitos. Logo, não resisti. Peguei meu copo e me dirigi, lentamente, até o local onde a mulher que reclamara se encontrava.
A principio sento a certa distância, observando-a sem chamar atenção. Admito: era, de longe, a mulher mais bonita naquele lugar. Talvez a mais bela que já vi até hoje.
O cabelo liso terminava em ondas que caiam sobre seus ombros emoldurando um rosto ao mesmo tempo angelical e sedutor. A pele alva parecia ser macia como um pêssego e a boca...Nossa, que boca! E o sorriso então? Me senti no paraíso quando a vi sorrir durante o monologo que desenvolvia.
—Outra bebida? – escuto a pergunta e me sobressalto, encarando a ruiva que planejava ser minha foda da noite. Isso antes de este anjo sexy aparecer!
—Não, obrigado – recuso, a surpresa estampando-se na face dela – Hã, pensando bem....me vê uma shot tequila – peço, notando que era o que o anjo bebia.
Usando a desculpa de fazer um brinde, seja lá ao que estivesse comemorando, faço menção de me aproximar, estancando quando um cara se aproxima, envolvendo seus ombros como se fossem conhecidos, sua reação fazendo-me vencer a distancia que nos separava rapidamente.
—Algum problema senhorita? – pergunto da forma mais intimidadora que consigo, inflando o peito e empertigando-me a fim de parecer mais alto e forte.
—Sim senhorita, mas já resolvi – responde ela, a voz enrolada me dando a certeza de que já bebera demais – Esse.... senhor, achou que se daria bem porque estou levemente alta mas está re.don.da.men.te errado! – garante, enfiando o indicador no peito do sujeito, que a encara num misto de divertimento e surpresa – Vaza daqui! Não tô disponível pra tarados de plantão. Aliás, isso aqui ô, tá fechado pra balanço por tempo indeterminado! – avisa, apontando o meio de suas pernas e é minha vez de ficar surpreso – Vai embora! Xô! Sair !!- enxota-o, dando vários tapas em seus braços e peito.
—Eu vou mesmo sua maluca! O que não falta aqui é mulher gostosa pra pegar! – escarneia o sujeito fazendo-a avançar sobre ele, arranhando-o, me obrigando intrometer-me entre os dois, segurando-a pela cintura, levando-a para longe quando o sujeito ameaça revidar.
—Acho que chega por hoje. Já bebeu demais – me escuto dizer e suspiro, não acreditando que tais palavras saíram de minha boca.
—Me solta! Eu não te conheço! – protesta ela, debatendo-se em meus braços – O que disse pra ele valerpravoce! – enrola-se ao falar e rio, o que a irrita, aparentemente – Não ria de mim! Ninguém mai vai ri de mim outra vez especialmente um homem! – esbraveja, debatendo-se mais.
—Ei, calma ai gata selvagem! Estou do seu lado. E não ri de você. Ri do que disse, digo, da forma como disse – defendo-me, parando quando já estamos do lado de fora, soltando-a – E não quero transar com você – minto, avaliando-a de alto a baixo – Pelo menos não no estado em que se encontra – murmuro, imaginando minhas mãos passeando por aquelas curvas que mesmo a roupa pouco sexy mal escondem – Porra! Tinha que ser tão gostosa assim!? – deixo escapar fazendo-a voltar-se e me lançar um olhar tão gélido que chego a estremecer.
—Acho que disse não querer transar comigo – repete a frase dita segundos antes, levando as mãos a cintura, tentando ao mesmo tempo fazer uma pose séria e intimidadora e manter-se equilibrada no salto, o que é divertido e sexy....extremamente sexy.
—Tenho olhos mulher. E olhos que enxergam muito bem! – retruco, correndo-os pelo corpo esguio, seu riso zombeteiro chamando minha atenção para a boca tentadora mais uma vez.
—Volte pra sua garçonete Don Juan. Não vai conseguir se dar bem comigo. É preciso bem mais do que um corpo pra me fazer abrir as pernas! Tem que vir um cérebro no conjunto...embora não seja garantia de inteligência! – escarneia, tentando disfarçar as lágrimas – Anda. Volta pra lá. Já fez sua boa ação e certamente impressionou a ruiva boazuda... como se precisasse fazer algo além de sorrir pra ela pular em cima de você.. já estava te comendo com os olhos por detrás do balcão...aliás, me explica porque não pulou pra detrás e traçou ela ali mesmo!? Tenho certeza que ninguém iria notar! – tagarela, me dando as costas, caminhando tropegamente em direção a avenida em frente do bar, gesticulando na tentativa de parar um táxi.
—Eu deveria fazer isto mesmo! Voltar pra quem me quer e não zomba de meu gesto – respondo, irritado não por ter sido menosprezado (já estava acostumado a isso) mas por não conseguir deixa-la como pedia. Algo me impedia – Droga Thomas! Com tantas mulheres te dando sopa foi cismar justo com a única que não te deu bola mesmo estando bêbada e ainda por cima te xinga!?! Devo estar ficando louco – xingo-me, suspirando, indo até ela – Aqui, princesa do gelo, vou te colocar num táxi, embora não mereça – digo, parando a seu lado, sinalizando para o carro que para de imediato.
—Como foi que fez isso?- pergunta, me encarando – Estou acenando a séculos e nenhum parou e ai você só faz ...– exagera, gesticulando desengonçadamente fazendo-me rir – É algum tipo de mágico? – insinua, olhando-me desconfiada.
—Algo assim – brinco, abrindo a porta para ela – Entra – ordeno, erguendo as mãos quando a vejo ensaiar um protesto – Se quiser, evidente – acresço rapidamente, o bufar impaciente me causando riso.
—Ui!! – ouço e me inclino vendo-a deitada sobre o banco traseiro do veículo, rindo descontroladamente.
—Tudo bem ai? – pergunto, preocupado.
—Eu...Eu...quebrei meu salto! – diz, erguendo a perna torneada em minha direção, exibindo bem mais do que o sapato.
—Puta merda! Assim fica difícil senhorita – resmungo, voltando-me ao motorista, que falava.
—Para onde devo leva-la senhor? – quer saber.
—Qual seu endereço? – pergunto, aguardando pacientemente que respondesse – Olha aqui moça, preciso que...- me calo ao visualizar, caminhando em direção a boate, um dos brutamontes de meu pai – Merda! – xingo, entrando no automóvel – Chega pra lá – mando, batendo a porta com certa violência.
—O que pensa estar fazendo? – questiona ela, me encarando.
—Relaxe princesa, já falei que não quero transar com você – reitero, vendo-a torcer o nariz de forma encantadora – Hilton por favor, e rápido – indico, tocando o encosto do banco a minha frente.
—Eu não moro no Hilton- protesta ela.
—Eu sim. Por enquanto – digo, voltando meu rosto para ela – Thomas Merlyn – apresento-me após um breve silencio, estendendo-lhe a mão.
—Merlyn??? Quer dizer...como o mago da história?? – pergunta, retendo claramente o riso.
—Não. O meu é com Y – especifico.
—Está explicado porque anda enfiando sua espada por ai!!! – provoca-me, começando a rir – Desculpa – pede, erguendo as mãos.
—Tudo bem. Nem foi tão ofensivo assim – afirmo, recostando-me no assento, desabotoando os punhos de minha camisa e dobrando-os.
—E já encontrou o Arthur pra tirar sua espada da pedra!? – nova brincadeira provocativa seguida por uma gargalhada quando me vê rolar os olhos – Desculpa...desculpa – pede, tocando meu peito – Brincadeira infame – assume, esforçando-se a parar de rir.
—Esqueça senhorita....- gesticulo incitando-a apresentar-se.
—Snow...Caitlin – apresenta-se, estendendo-me a mão delicada – Fique à vontade pra me zoar – libera, mas tudo que consigo fazer é sentir a maciez de seu toque e as sensações em mim provocadas – Sem piadas?? – inquire e balanço a cabeça negativamente, acariciando sua mão, sorrindo discretamente ao ver a pele arrepiar-se – Será que...pode parar de fazer isso? – pede, ficando séria, a mão ainda presa a minha.
—Isso o quê? – devolvo, estendendo a caricia para seu antebraço, surpreendendo-me quando puxa a mão bruscamente somente para apoiar ambas em meus ombros ao mesmo tempo em que senta no meu colo, as pernas ladeando-me, a saia justa subindo, exibindo parte das coxas.
—Vamos acabar logo com isso! – declara, jogando os cabelos para trás num movimento sensual, inclinando a cabeça, atacando (literalmente) minha boca num beijo intenso o qual só interrompe quando o ar nos falta – É isso que queria não é? Me fuder!? – murmura contra minha boca, mordendo meu lábio com força, iniciando novo beijo enquanto rebola em meu colo, provocando-me – Anda, me fode! – sussurra em meu ouvido após haver cessado o beijo, mordendo o lóbulo e mando o resto de sanidade pro inferno!
Se no começo a surpresa me fez paralisar, agora, com o incentivo dela, reajo com a mesma intensidade, tomando a iniciativa de mais um beijo, minhas mãos explorarem suas curvas, insinuando-as por sob sua blusa em busca da pele macia.
—Senhor, chegamos – o motorista avisa, obrigando-me interromper o amasso momentaneamente.
—Certo – sopro, segurando o gemido quando a sinto morder meu pescoço, retirando a carteira do bolso com dificuldade – Aqui, fique com o troco – digo, entregando a nota ao homem sem ao menos reparar o valor, saindo do carro trazendo Caitlin comigo.
Opto por usar a entrada lateral do hotel, evitando o saguão principal, fazendo uso do elevador de serviço, onde retomo os amassos mal as portas fecham, segurando-me para não transar com ela ali mesmo. Além de não estar com nenhum preservativo na carteira (falha imperdoável) havia decidido que a poria debaixo do chuveiro tão logo estivéssemos no quarto a fim de desperta-la um pouco. Não queria que esquecesse, no dia seguinte, o que ocorresse dentro do quarto.
Ainda trocando caricias cada vez mais quentes, seguimos pelo corredor parando em frente a porta de meu quarto, indo direto para a cama tão logo entramos, onde a faço sentar.
—Espere aqui um segundo – peço – Não se mexa – reforço, erguendo o indicador.
Corro ao banheiro, ligo a ducha mudando a posição para frio, sentindo a temperatura da água até atingir o ideal, voltando para junto dela, murchando quando a encontro dormindo profundamente.
—Droga! – suspiro, deixando meus ombros caírem, retornando ao banheiro, desligando a ducha, sentando no colchão a seu lado quando volto para o quarto outra vez.
Olho-a, desolado, sorrindo quando agarra o travesseiro igual uma criança, soltando um suspiro profundo enquanto aconchegasse ao objeto, que agora tem todo meu ciúme e inveja.
Suspiro, despindo-me lentamente, ficando apenas de box, sem desviar o olhar da bela mulher adormecida em minha cama, deitando-me junto a ela, deixando-me abraçar quando sente minha presença, dando-me por satisfeito (apesar da frustração, obvio) apenas em dormir abraçado a ela.
*** Flashback Off ****
O som de vozes me traz de volta a realidade e viro a cabeça em direção ao som, retendo o ar ao ver Felicity parada junto a mesa da secretaria de Ollie, Caitlin a seu lado, ainda mais linda do que lembrava. Seu sorriso, mesmo a distância, tem o efeito de milhares de borboletas batendo asas em meu estômago.
—É Tommy...está tão fodido quanto Oliver!! – sopro, admitindo, finalmente, o que no fundo já sabia desde o dia em que li a matéria anunciando seu noivado: estava apaixonado!
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Caitlin
Saímos do elevador no andar da presidência e paramos junto a mesa da secretaria (suponho), o loiro alto e forte dentro da sala, distraído falando com alguém no computador, não percebe nossa chegada.
—Privacidade zero por aqui hein!? – comento, olhando o ambiente em volta – Me diz que ao menos as portas dos banheiros Não são de vidro!? – peço, fazendo uma careta.
—Não são, fique tranquila – Felicity garante, rindo torto, depositando sua bolsa sobre a mesa –É, em parte, por conta disto que não gosto de vir aqui – confessa, indicando o ambiente com gestos de mãos — Honestamente não entendo o porque disso, mas fazer o quê? Cada louco com sua mania! – exclama, mexendo nas gavetas, dirigindo seu olhar para um ponto as minhas costas repentinamente e me volto, prendendo a respiração ao ver o moreno se aproximar – Ah, mas é logico que você tinha de estar aqui!! – Lis bufa, voltando a mexer nas gavetas.
—Boa tarde pra você também loirinha! – devolve ele no mesmo tom irônico, voltando-se para mim – Oi – diz, simplesmente, após um curto silencio, me dirigindo um sorriso capaz de derreter iceberg – Thomas Merlyn – estende a mão, apresentando-se.
Será que ele não lembra de mim???— Caitlin...Snow – apresento-me pausadamente, retribuindo seu gesto, um arrepio gostoso me percorrendo quando seguro sua mão.
Durante longos minutos nos encaramos, mudos, a maneira como me olhava dando-me uma certeza: ele lembrava sim!
—Cait, não queria ir ao banheiro? – Lis questiona, quebrando o laço invisível que nos mantinha presos e a olho, confusa – No carro. Disse que queria ir ao toalete, lembra? – inquire, segurando duas pastas.
—Ah...sim, lembro – minto.
—Fica pra lá e não vai acompanha-la! – indica, o dedo em riste na direção de Thomas.
—Eu não falei nada!! – defende-se ele, erguendo as mãos.
—Mas pensou, estou certa disso! – Lis acusa, a voz grave fazendo nós três nos voltarmos em direção a mesma.
—Se já terminaram, poderia entrar aqui? Temos muito a fazer e a conexão com Ray pode cair a qualquer momento – Oliver Queen argumenta, me dirigindo um sorriso simples e curto – Felicity, Vem! – enfatiza, retornando para sua mesa sem esperar resposta.
—Sim senhor, meu senhor! – Lis ironiza, batendo continência – No final do corredor, a esquerda e depois direita – indica, estreitando os olhos ao encarar Thomas.
—Vou ficar quietinho sentado aqui. Juro! – assegura, beijando os dedos cruzados, sentando-se na cadeira vazia.
—É bom mesmo – Felicity diz, revirando os olhos ao escutar seu nome – Eu salguei a santa ceia! Só pode! – bufa, entrando no escritório, me fazendo sorrir.
Ao me voltar, deparo-me com Thomas Merlyn me observando atentamente. Sinto meu corpo inteiro aquecer ante a intensidade de seu olhar e tenho certeza de estar vermelha como um pimentão.
—Eu...hã...vou...vou...- balbucio, gesticulando atrapalhada, lhe dando as costas, andando o mais rápido que minhas pernas bambas permitem, ciente, mesmo sem me voltar, que me seguia com os olhos, soltando o ar que mal notara haver prendido quando pego o corredor a esquerda conforme indicado por Lis, deixando seu campo de visão.
—Droga! Tinha de ser ele. Com tanta gente nesta bendita cidade, tinha de ser justamente ele!! – resmungo, virando a direita, entrando no banheiro.
Lá dentro, alivio minha bexiga (que já estava doendo!), aproveitando para molhar meu pescoço e braços quando vou lavar as mãos, aliviando parte do calor que sentia (muito embora todo o prédio tivesse sistema de ar), encarando-me no espelho um segundo antes de sair.
—Oi de novo – escuto e dou um pulo de lado pondo uma mão sobre o peito.
—Que susto! – exclamo, encarando-o mal humorada – Quer me matar por acaso? – dramatizo, o calor voltando ao vê-lo sair da inercia, caminhando em minha direção tal qual um felino fazendo-me engolir em seco...Puta merda! Ele é quente! Muito quente!, penso, o sorriso convencido que dá alertando-me que o verbalizara – Definitivamente preciso colocar uma trava na minha língua! – bufo, fechando olhos e mãos.
—Posso sugerir algo melhor pra fazer com sua língua! – insinua e abro os olhos, a proximidade de nossos corpos me deixando inquieta.
Safado, sem vergonha, duma figa!, xingo mentalmente, não importando-me se acaso o verbalizasse – Acho que não quero ouvir – digo, tentando sair do canto aonde me encurralara – Quer me dá licença!? – peço, evitando toca-lo.
—Quando voltou? Seu marido também veio? Está casada, não está? – interroga-me, apoiando um braço a parede, diminuindo ainda mais a distância entre nós.
—Por que quer saber? Acaso lhe devo satisfações de minha vida? – devolvo, o brilho em seu olhar advertindo-me que deveria ficar alerta – Quer me deixar passar por favor?! – peço novamente, espremendo-me quando se inclina, evitando contato.
—Acho que não casou. Não tem aliança em sua mão – diz calmamente, não movendo um musculo sequer.
—Isto não é de sua conta – repito, não o deixando retrucar – Olha só, o fato de termos Quase transado três anos atrás não lhe dá o direito de querer saber sobre minha vida! Não somos nada um para o outro. Nada – friso.
—Não disse que éramos, disse?- rebate, seguro, sorrindo outra vez – Apenas fiquei...curioso – admite, ficando sério de repente – Desculpe, não quis ser invasivo – pede, afastando-se tão rápido quanto aproximara-se – Eu só...- o raspar de garganta cortando seu discurso.
—Interrompo algo? – uma voz forte questiona fazendo-o voltar-se.
—Não. Nada – respondo, aproveitando sua distração pra escapar, passando pelo homem alto e forte que nos observava com ar divertido, voltando, quase correndo, para junto de Felicity.
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Oliver
Estava falando com Ray no Skype (graças a Deus conseguira uma conexão!), quando me dou conta do movimento fora do escritório, respirando aliviado ao ver Felicity.
—Um minuto Ray, Felicity chegou – peço, indo rapidamente até a porta, escutando parte da conversa entre ela, Tommy e a amiga – Se já terminaram, poderia entrar aqui? Temos muito a fazer e a conexão com Ray pode cair a qualquer momento – alerto, interrompendo-os, sorrindo polidamente – Felicity, Vem – enfatizo, entrando sem esperar resposta, retornando a mesa, ela juntando-se a nós pouco depois.
—Pronto meu senhor! Sua escrava branca chegou! – provoca-me, puxando uma cadeira, sentando a meu lado – Olá Ray – cumprimenta efusivamente (até demais para meu gosto!) – Então, o que a bruxa descobriu? Qual o tamanho do estrago? – quer saber.
—Quase todo o projeto, infelizmente – revelo vendo-a suspirar.
—Tem certeza? – inquire, duvidosa.
—Sem sombra de dúvidas – asseguro.
< Como ela descobriu? Como teve acesso? > Ray questiona.
—Ia perguntar a mesma coisa – corrobora ela, olhando-me desconfiada.
—Não por mim, posso garantir-lhes – afirmo – Honestamente, no momento isto é o que menos interessa. Precisamos solucionar os problemas que ainda temos, mudar o que for preciso e apresentar antes do feriado de final de ano ou todo nosso trabalho terá sido em vão! – pontuo, olhando de um para outro – Depois descobrimos como ela teve acesso ao projeto. De acordo? – pergunto, ambos concordando – Bom. Agora, vamos nos concentrar. Como disse, temos muito a fazer – lembro, erguendo as mangas de meu suéter.
—Mãos a obra! – Felicity exclama, abrindo seu notebook, conectando-o ao meu, pondo o pendrive, Ray fazendo o mesmo no hotel aonde estava.
Nas horas seguintes, nos dedicamos, Ray, ela e eu, a corrigir cada pequeno erro, cada possível falha em nossos projetos ganhando os reforços de Tommy, Dig e até de sua amiga, Caitlin, que retornam, auxiliando-nos em tudo, indo e vindo aos departamentos, buscando peças, chaves, componentes, ajudando a montar os protótipos, a refazer a conexão com Ray sempre que esta caia permitindo a Felicity e eu permanecermos concentrados na montagem e testes dos protótipos.
A certa altura, John sai, regressando minutos depois com sacolas anunciando ser nosso jantar. Somente então me dou conta de que a tarde passara e a noite caíra, mas nenhum de nós cogitou parar. Havíamos feito uma espécie de pacto silencioso para irmos embora apenas quando finalizássemos tudo, o que acontece quando já passava, e muito, das dez horas.
—Conseguimos! – comemoro, após o último teste bem sucedido dos protótipos, a empolgação fazendo-me abraçar e erguer Felicity no ar, beijando-a antes de pô-la de volta no chão, nossos olhos permanecendo presos mesmo depois de cessado o contato.
—Bem que podíamos seguir o exemplo deles, não acha? – Tommy diz, quebrando o clima.
—Vai sonhando! – é a resposta de Caitlin, empurrando-o para longe.
—Quer fazer o favor de me soltar!! – Felicity ordena, fazendo o mesmo – Deveria saber que iria se aproveitar da situação. Típico de você! – acusa, irritada.
—Como se não tivesse correspondido! – rebato, igualmente irritado.
—Eu não correspondi coisa nenhuma! Me pegou de surpresa e não reagi, nada mais – defende-se.
—Se prefere acreditar nisso! – digo, irônico, o que só a irrita mais.
—Não prefiro nada, é verdade! – bufa, fechando seu notebook – Não vou discutir isso! Vamos embora Caitlin – chama, precipitando-se em direção a porta.
—Fe.Li.Ci.Ty!! – soletro, trincando os dentes, seguindo-a.
—Por que ele tinha de estragar tudo?? – ouço Caitlin perguntar.
—Ele? Por que ela tinha de estragar!!? Fala sério, nos todos vimos que gostou tanto quanto ele e agora fica se fazendo de vitima ultrajada! – responde e fecho os olhos, rezando para não me seguirem, o que infelizmente não acontece.
—Não acredito no que estou ouvindo! É muita arrogancia pra uma pessoa só. Sem falar no quanto seu comentário foi machista! – rebate ela e estanco, voltando-me para os dois.
—Façam o imenso favor de ficarem calados! – ordeno, voltando-me para Felicity outra vez, que parara em frente aos elevadores, apertando os botões insistentemente – Felicity, eu....
—Não venha me dizer que sente muito porque além de ser uma mentira deslavada, só iria piorar as coisas! – adverte, cortando-me.
—Não era isso que ia dizer – admito, seguindo-a com o olhar quando vai até a mesa de minha secretaria buscar a bolsa que esquecera – Eu só....Eu não planejei ok? Foi espontâneo. Apenas...saiu. Me desculpa se te ofendi...de alguma forma– digo, sustentando seu olhar mortal.
—A emenda foi por que o soneto! – Tommy cantarola e confesso nunca ter sentido tanta vontade de esganar meu amigo!
—Não acho – Caitlin sai em minha defesa (acho) – Na verdade foi muito bonito o que disse e acredito nele. Ao menos foi sincero, coisa que uns e outros não são! – alfineta.
—Isso foi comigo? Porque se tem alguém aqui que não está sendo sincero, não sou eu! – Tommy devolve, entrando no elevador tão logo este chega.
—Estou sendo sincera quando digo que não quero transar com você Merlyn. Não quis três anos atrás e não quero hoje. Aceite! – Caitlin dispara, fazendo o mesmo que ele.
—Se bem me lembro, não fui eu a sentar em seu colo dentro do táxi e te atacar com tudo! – Tommy devolve, aumentando minha confusão mental.
—Eu estava bêbada. BEBADA!... Seu idiota! Teria atacado qualquer um! – esbraveja ela e abro a boca, espantado.
—Espera um segundo...- Felicity intervém, o dedo em riste.
—De onde vocês se conhecem? – me adianto, olhando de um para outro.
—Se pegaram três anos atrás e não me contou!? – Felicity questiona, encarando a amiga, chocada.
—Não nos pegamos!! – corrige-a – Tinha bebido demais, admito, mas não a ponto de me deixar seduzir por um playboy vazio! – afirma.
—Ah, nos pegamos sim e só não transamos porque Você adormeceu na Minha cama e Eu fui cavaleiro ao não me aproveitar da situação! – meu amigo revela e é minha vez de ficar chocado – Nem a decência de me esperar acordar e agradecer no dia seguinte teve e isto tendo me insultado boa parte do caminho – acusa — Devia era ter te deixado naquele bar pra qualquer fazer o que não fiz! – diz, magoado e magoando a julgar pela expressão feita por Caitlin.
—Não acredito que disse isto! – Felicity exclama – Espantoso como conseguiu subir e cair no meu conceito tão rapidamente Thomas Merlyn! – declara, sacudindo a cabeça.
—Espera ai, ele não tem culpa se sua amiga tinha ido encher a cara e se oferecer em um bar – saio em defesa dele – Saiba que no lugar de Tommy teria ignorado e a deixado por lá. ainda mais se tivesse me insultado. Se foi procurar problemas é porque certamente sabia se defender – minto posto que jamais teria coragem de fazer algo semelhante. Por alguma razão tosca senti necessidade de fazer Felicity acreditar que o faria.
—Pois saiba....
—JÁ CHEGA! – John grita, assustando-nos – Não sei como saíram de um entendimento saudável para isto, mas agora é hora de parar antes que digam algo que não tenha volta – aconselha, olhando-nos um a um – Sugiro que peçam desculpas antes de sairmos deste elevador. Todos sabemos que o que foi dito não reflete a verdade. Não são esse tipo de pessoas. Nenhum dos quatro é – discursa, bravo – Estou esperando – avisa, cruzando os braços e nos encarando.
—Desculpe Caitlin – Tommy pede, mesmo contrariado.
—Eu ...desculpa também – pede ela, a contragosto, recostando-se na parede do fundo do elevador enquanto Felicity e eu trocamos olhares tensos.
—Eu não faria....nunca – afirmo – Nem Tommy – acresço – Ao contrário do que fazem conosco, não pré-julgamos ninguém – digo, triste – As pessoas...Vocês leem as manchetes e logo acreditam... Não sabem nada sobre nossas vidas!
—O digo o mesmo sobre mim e Cait – Felicity declara, encostando-se a lateral, olhando os números no painel central assim como eu fazia, um silencio pesado caído sobre nós , quebrado por um suspiro duplo por parte delas e uma frase dita em uníssimo por nós quatro ao mesmo tempo....
—Se estivesse no meu lugar saberia!!
Mal terminamos de falar e as luzes internas do elevador piscam, apagando e acendendo algumas vezes como se fossem queimar, o som de fios se tocando ecoando pelo ambiente restrito.
—Será que vamos cair ou parar?? – Felicity assusta-se, sua mão buscando a minha, Caitlin fazendo o mesmo com Tommy, todos respirando aliviados quando o estrando acontecimento cessa.
—Deve ter sido apenas algum mal contato no painel – Dig minimiza mas vejo a preocupação em seu rosto, ele e nós relaxando apenas quando saímos do cubículo.
Em silencio, caminhamos para o estacionamento em frente a QC, o frio da noite nos recebendo quando cruzamos as portas de vidro temperado, o mesmo silencio persistindo enquanto caminhamos para nossos carros, despedindo-nos com meros acenos.
—Para casa? – Dig pergunta enquanto Tommy e eu nos acomodamos no veículo.
—Sim – respondo por nós dois já que meu amigo limitava-se a seguir o Beetle de Felicity com o olhar. Como eu também fazia – Para casa – repito baixinho, a pergunta que John fizera ecoando em minha mente: como saíramos de um quase entendimento para uma troca de ofensas???
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Mansão Queen ( Domingo,16/12/18 — 8:05 a.m)
Narrador
O toque agudo do despertado ecoa pelo quarto, despertando um mal humorado “Oliver”, que resmunga, puxando mais o cobertor por sobre a cabeça mudando de posição na tentativa de voltar a dormir, mexendo-se, inquieto, ante o toque insistente do objeto.
Esticando o braço, alcança-o, atirando-o longe, puxando o cobertor novamente, abafando os ruídos e sons matinais que o incomodavam, desistindo, por fim, de tentar dormir novamente.
Sentando-se sobe o colchão, solta um suspiro forte e resignado, mantendo os olhos fechados. Leva sua mão direita ao lado esquerdo da cabeça, forçando-a lateralmente até ouvir o “estalo”, repetindo o gesto com o lado oposto. Após isto, cruza as pernas na posição de Lótus, uni os dedos, entrelaçando-os, esticando os braços para frente e depois para cima o máximo que podia, inclinando-se para um lado e para o outro algumas vezes, soltando-os ao longo do corpo pesadamente ao dar-se por satisfeito, respirando profundamente mais uma vez, a voz da jovem que o observava, em silencio, sentada sobre o puff junto a janela, assustando-o.
—Desde quando começou a fazer este ritual todo ao acordar? – pergunta, olhando-o curiosa.
—Meu santo Google!! Desse jeito vai fazer minha alma fugir do meu corpo!! – exclama levando as duas mãos ao colo, encarando-a espantado – Thea Queen? Que raios faz em meu quarto a esta hora em pleno domingo? Como conseguiu entrar? – interroga, surpreso.
—Tá maluco Ollie!?! Eu Sempre entro em seu quarto quando estou aflita, querendo conversar, ou os dois, como é o caso hoje – rebate a garota, olhando-o confusa.
—Oi??? Como assim sempre entra em Meu quarto? – inquire ele, devolvendo o olhar – E por que me chamou de Ollie?...Nossa, não devia ter exagerado no sorvete ontem a noite! Minha voz tá rouca pra cacete!! – comenta, massageando o pescoço.
—Que porra andou fumando ou cheirando ontem Ollie!?! Pensei que tinha ficado trabalhando até tarde na QC. Mentiu pra mim por acaso? – questiona-o, levantando de um salto, indo até ele – Me diz, por favor, que o desmiolado do Tommy não te convenceu a largar tudo e ir pra farra?! Ollie, se a Isabel....
—Eu não fui pra farra coisa nenhuma!!!– esbraveja o loiro, olhando-a estupefato – E olha essa boca suja garota! Sua mãe não te deu educação não? Onde já se viu?! Primeiro invade o quarto, melhor dizendo, o Apartamento dos outros, fica me chamando de ...
— Por que tá dizendo que você não é você? – interrompe-o — Por acaso implantou o bendito shipp em si próprio e isto é algum defeito colateral?? E por que está me olhando como se estivesse louca? É alguma brincadeira? Se for, não tem graça Ollie. Pare com isso agora! Está me assustando!! – ordena, dando um passo para longe dele.
—Pare você com isso!! – devolve ele, pondo-se de pé, caminhando em direção a porta de mãos erguidas – E eu não sou....- estanca, surpreso, encarando a imagem refletida no espelho do guarda roupas – Oliver??? – indaga, olhando para trás e de novo para o espelho, aproximando-se do móvel devagar – Oliver??? – repete, parando em frente ao móvel, tocando-o e depois a si mesmo – Oliver!!!! – exclama, abrindo olhos e boca – Eu sou Oliver Queen!!!
—Desde que nasceu....Que eu saiba – Thea diz, aproximando-se cuidadosamente – Ollie, levou alguma pancada na cabeça recentemente? Uma queda talvez?– quer saber, preocupada.
—Eu...Eu...- balbucia ele, contorcendo-se – Preciso ir ao banheiro! – exclama de repente, correndo para o cômodo, batendo a porta com força após entrar, encarando sua imagem no espelho lá dentro outra vez –Que merda é essa?? Como? Quando? Onde? – interroga-se, suspirando, descendo a calça do pijama antes de sentar na privada, soltando um grito ao abaixar o olhar – AI MERDA! EU TENHO UM PÊNIS!! ...
Enquanto isso...
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Cobertura de Malcom Merlyn (8:33 a.m)
“Tommy” mexe-se, inquieto, em cima da cama, mudando de posição várias vezes, o sono tumultuado fazendo-o despertar, ofegante e suado, sentando-se sobre o colchão, olhando, desatentamente, o ambiente a sua volta.
—Foi só um pesadelo! – sopra, deixando o corpo cair pesadamente — Droga, será que isso não acaba nunca! Preciso colocar uma pedra em cima deste assunto de uma vez por todas – resmunga, afastando os lençóis, sentando-se com as pernas para fora da cama, estranhando a textura do tapete sob seus pés – Engraçado, não lembrava desse tapete ser tão macio! Nem a cama – comenta a meia voz, levando uma mão a garganta – Humm... acho que vou gripar. Minha voz já está rouca – diz, levantando-se, caminhando em direção ao banheiro, chocando-se com a parede devido a penumbra que envolvia o ambiente – Ai, droga! Cadê a porta do banheiro? – xinga, tateando no escuro, um bocejo escapando por seus lábios ao empurrar a porta entreaberta e entrar, acendendo a luz, paralisando um segundo ao se voltar e deparar com a imagem refletida no espelho, o grito alto saindo antes que pudesse evitar – SOCORRO!!!! – berra, correndo para fora do cômodo, atirando-se sobre a cama, puxando o cobertor sobre a cabeça no exato momento em que Malcom Merlyn adentra o aposento, assustado
—O que foi? Que aconteceu? – questiona o empresário, parando em meio ao cômodo, a morena que o seguia estancando a porta, indecisa – Thomas, o que aconteceu? – insiste, olhando diretamente para o filho.
—Tem um homem no meu banheiro, por detrás da por....O que disse?? – questiona, descobrindo-se, não dando chance Malcom responder – Espera um pouco...Quem são vocês e como entraram em meu....Quarto??? – inquire, olhando em volta, confuso – Que lugar é este? Como vim parar aqui? – quer saber.
—Como assim quem sou e onde está?- devolve o empresário – Sou Seu pai e este é Seu quarto — responde encarando o filho.
—Ah, mas não é mesmo!! – teima, pondo-se de joelhos sobre a cama – Quem me trouxe pra cá e como ? – insiste, Malcom observando-o um segundo, tomando forte respiração antes de voltar a falar, entre dentes.
—Thomas, voltou a usar drogas? – pergunta, direto, não escondendo a irritação.
—Malcom! – a morena exclama, escandalizada.
—Não é segredo pra ninguém que meu filho é usuário, Laurel – declara, arqueando a sobrancelha ao ver “Thomas” olhando o próprio corpo, o rosto assumindo uma expressão de terror – O que posso pensar ante este quadro?? – indica o filho com um gesto de mãos, encarando-a.
—Tommy está limpo a bastante tempo que eu sei. Deveria confiar mais em seu filho – admoesta, assustando-se ao ver o rapaz pular da cama retornando ao banheiro.
—Sou eu??? Este ...sou Eu?? – espanta-se, tocando o rosto, beliscando e apertando a pele — Não. Não, não, não, não. Não pode ser!! Isto é um pesadelo! – exclama – ISSO! – grita, assustando a Malcom e Laurel, que haviam se aproximado – É um pesadelo! Culpa daquela comida gordurosa e do excesso de sorvete que comi ontem a noite. É isso. Só pode ser!! – diz, encarando o casal – Eu vou fechar os olhos, e quando abrir, tudo estará normal. Estarei no quarto do apartamento de minha amiga, usando meu bom e velho pijama de flanela! – recita, fechando os olhos, abrindo-os após alguns minutos – Mais uma vez. Vai dar certo! – cantarola, nervoso, repetindo o gesto anterior, demorando-se um pouco mais desta vez – Vocês ainda estão aqui!! – choraminga, voltando a encarando seu reflexo, abaixando a vista – Eu Ainda estou aqui!! – desespera-se, apoiando as mãos na borda do balcão da pia.
—Thomas, que diabos está acontecendo? – Malcom reinquire, olhando-o através do espelho, desconfiado – Primeiro nos acorda com um grito por socorro e depois faz toda esta.... Palhaçada!! Que merda andou aprontando juntamente com Oliver Queen?? – questiona.
—Oliver?? – repete “Tommy”, lentamente – Oliver...Felicity!! Eles devem saber o que houve! – declara, estalando os dedos, passando pelos dois como um raio, saindo do quarto, retornado um segundo depois, pegando a primeira camisa que vê jogada aos pés da cama bem como as chaves do carro, que encontravam-se sobre a mesma, saindo sem nada dizer, deixando Malcom e Laurel estáticos...
Em outra parte da cidade....
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Apartamento Felicity (8:36 a.m)
O som seco e forte de algo caindo ressoa pelo apartamento fazendo “Caitlin” despertar sobressaltada, sentando-se na cama com os olhos fechados, o corpo pendendo para os lados até cair sobre o colchão novamente.
—Ah, merda! Será que dá pra fazer um pouco de silencio!? – resmunga quando o som repete-se, pondo o travesseiro sobre a cabeça, bufando ao escutar nova pancada – SILENCIO, DROGA!! – grita, sentando-se rápido ao escutar o som da própria voz – Mas o que....- cala-se, levando uma mão a garganta – Que diabos aconteceu com minha voz? Por que estou falando tão...fino?? – interroga-se, arqueando a sobrancelha ao notar a decoração do quarto no qual se encontrava – Engraçado, não lembro de ter saído com ninguém ontem! – exclama, pigarreando na tentativa de limpar a garganta – Será que foi algo que bebi? Ou talvez algo que me deram... – pondera, olhando o ambiente outra vez – Onde estará a garota com a qual, suponho, dormi?? – questiona, deslizando a mão sobre o forro e ao fazê-lo assusta-se – Mas o que...??? – ergue ambas as mãos observando-as num misto de surpresa e pânico crescentes – Que porra é essa? – diz, abaixando lentamente a vista por seu corpo – O QUE?? – grita, movendo-se brusca e desajeitadamente, acabando por cair da cama – Ai, ai!! – exclama, fazendo uma careta de dor, retendo o ar ao olhar suas pernas novamente – O que é isso? – volta a questiona, pondo-se de pé, procurando o banheiro, correndo até lá, mirando-se no espelho assim que entra – QUE PORRA É ESSA? !!!! – grita mais alto, a loira no quarto ao lado acordando atordoada.
—Que diabos está acontecendo aqui? Quem tá gritando? Thea?? – inquire, arqueando a sobrancelha ao escutar a própria voz – Quem é, quem tá falando?? – reinquire, tendo um sobressalto – Alô, alô!?! Sou eu?? – testa, levando a mão a garganta, apertando-a – Cadê o...?? – cala-se ao sentir a textura da pele, levando a outra mão ao queixo – Como foi que minha pele ficou tão lisinha assim? – indaga, levantando-se, procurando algo no qual pudesse se ver, encontrando o celular – Felicity? – pergunta ao ver a imagem refletida no visor apagado, voltando-se rápido, franzindo o cenho ao deparar-se com o espaço vazio – Felicity? – chama, ficando estático ao reconhecer a voz que falava – Fe.li.ci.ty?!?! – recita lentamente, olhando em volta, pânico e confusão mesclando-se em seu semblante, assustando-se quando a porta do quarto é aberta de supetão dando passagem a “Caitlin”.
—Me diz que isto é um sonho, pelo amor de Deus loira!! – implora, encarando-a de mãos unidas.
—Se for....é coletivo porque estou tendo o mesmo!!! – “Felicity” declara, olhando o visor do celular mais uma vez, tocando seu rosto novamente.
—Você...não é....Quem é você?? – “Cait” pergunta, dando um passo atrás.
—Se eu disser vai ligar pro hospício vir me buscar – diz – Ou a polícia! – acresce.
—Tenta – sugere a médica, aproximando-se dela, o toque da campainha interrompendo-as momentaneamente – Vamos atender? – questiona, olhando em direção ao corredor, indecisa, o som repetindo-se insistentemente.
—Devemos – “Felicity” responde, encaminhando-se para a porta – A julgar pela insistência e desespero, até já sei de quem se trata!! – declara, caminhando a passos largos para a sala, “Caitlin” em seu encalço.
Mal abre a porta e duas figuras masculinas adentram o ambiente como raios, estancando em meio a sala do pequeno apartamento, olhando-se, confusos e assustados.
—O-Oliver?? – o loiro pergunta, encarando “Felicity".
—Eu mesmo — confirma, contrariada.
—Thomas??? – a médica inquire, apontando “Caitlin”.
—Bingo!! – responde, erguendo os polegares – Agora que sabemos quem é quem....Alguém pode, por favor, explicar que merda está acontecendo aqui?? – questiona, apontando-os.
—Ia fazer a mesma pergunta – ouvem, os quatro voltando-se para a porta, deparando-se com o jovem moreno de cabelos longos os observando atentamente – Por que estão parados no meio da sala usando pijamas?? E por que acho que não vou gostar da resposta???
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Cisco Ramon (9:17 a.m)
—Vai subindo enquanto procuro uma vaga pra estacionar – Barry libera e ergo os polegares em assentimento, vendo-o afastar-se a procura de um lugar pra pôr o carro na rua já movimentada àquela hora em plena manhã do domingo!!
—Só espero que Felicity não me atire pela janela! – suspiro, girando em meu eixo, entrando no charmoso prédio do subúrbio de Starling.
Havia prometido não contar a ninguém que Cait voltara ao país antes de ela descansar pelo menos dois dias. Mas Barry não era exatamente ninguém. Era nosso melhor amigo e quase (por muito pouco mesmo!) tinha casado com ela. Ok, casado é exagero. Mas poderiam ter namorado se o Barry, naquela época, não se achasse tão inferior ao Ronnie. Em minha modesta opinião ele sempre foi superior.
Entro no elevador, aperto o numero do andar dela, recostando-me, tranquilo, na parede lateral, verificando minhas mensagens distraidamente, desviando o olhar da tela quando para.
Caminho calmamente em direção ao apartamento de Felicity. A primeira coisa que noto ao me aproximar é a porta aberta, o que era estranho já que ela não costumava fazer isto (as vezes era meio obcecada por segurança). Em seguida, ouço vozes masculinas, o que me faz apressar o passo, estancando, surpreso, em meio ao batente, presenciando o que parece ser uma discussão.
—Bingo!! – Cait diz, erguendo os polegares de uma forma que nunca a vi fazer antes – Agora que sabemos quem é quem....Alguém pode, por favor, explicar que merda está acontecendo aqui? – questiona apontando de si própria para os demais.
—Ia fazer a mesma pergunta! – digo, chamando atenção do grupo – Por que estão parados no meio da sala usando pijamas?? E por que acho que não vou gostar da resposta??? – inquiro, assustando-me quando os dois caras veem em minha direção.
—Cisco!! – dizem juntos tentando me abraçar mas esquivo-me.
—UOU!! Não é que seja preconceituoso nem nada, mas eu não conheço vocês...Digo, até que os conheço, dos jornais, revistas e tal, mas não temos intimidade então nada de abraços!! – justifico, evitando-os, indo para perto de Caitlin – Leva a mal não!
—Pensei que doutores não liam este tipo de imprensa marrom – Caitlin contesta e a olho surpreso.
—Não lemos e não somos doutores, tecnicamente falando....somos cientistas – Thomas Merlyn a corrigi pondo as mãos na cintura e enrugo o cenho tanto pela correção quanto pelo gesto um tanto quanto...feminino.
—Com todo respeito, títulos são o que menos importam neste momento. Temos que descobrir o que diabos aconteceu conosco e desfazer o mais rápido possível. Hoje ainda. Temos um projeto para apresentar amanhã diante da diretoria na QC – Felicity discursa me causando espanto não pelo discurso em si. Já a vira fazer alguns desde que nos conhecemos. Todos motivacionais. Mas foi a forma como falou e sua expressão corporal que me espantaram.
—Concordo – Oliver Queen anui, estalando a língua – Mas antes eu preciso comer alguma coisa. Sai de casa tão apressada que sequer comi! Não sou ninguém antes de um café!! – afirma, caminhando em direção a cozinha... rebolando??
—Fe .Li. Ci. Ty! Faça o favor de não rebolar!! – a própria recita, seguindo o Queen.
—O que...? Por que ela....ele...- me enrolo, cada vez mais confuso.
—Cisco, sei que parece loucura o que vou dizer, mas Eu sou a Caitlin e quem está a seu lado, apesar de ser o Meu corpo....é na verdade Thomas Merlyn!! – afirma ele, mordendo o lábio tal e qual Cait faz quando está apreensiva ou insegura em relação a algo – É bem louco, eu sei, mas é a pura verdade. Juro – reforça, traçando uma cruz no peito, beijando os indicadores cruzados, sinais que fazíamos sempre que queríamos indicar um ao outro que a informação recebida era digna de confiança.
—Como sabe do nosso sinal secreto? – pergunto de imediato, voltando-me para a mulher a meu lado – Contou pra ele do nossos sinal? Juramos nunca contar...- me calo, olhando de um para o outro alternadamente, reparando suas expressões corporais. A seguir olho “Felicity” e “Oliver” interagindo na cozinha – Ai. Meu. Deus!!! É verdade!! Estão falando a verdade quando dizem que....- gesticulo, confuso, desabando, por assim dizer, na poltrona as minhas costas, segurando minha cabeça com as mãos.
—Imagina a nossa confusão ao acordar!! – ouço “Cait” dizer e ergo os olhos, encarando-a.
—Hoje? Começou hoje?? – pergunto, franzindo o cenho ao ver “Thomas” executar uma dança esquisita – O que há com você???
—Preciso ir ao banheiro! – exclama, contorcendo-se.
—E por que não vai? – “Cait” pergunta, atirando-se displicentemente no sofá e ergo as mãos de forma a tapar os olhos.
—Hã...posso sugerir que troque de roupa Cai...Thom...você ai no sofá! – me enrolo, escutando o estalar de um tapa seguido por um resmungo e não resisto olhar.
—Au! Por que me bateu? – questiona, ele...ela...encarando um ao outro.
—Porque estou usando apenas a parte de cima do pijama e calcinha, seu retardado! – Thomas/Cait ralha e rio – Isso não tem graça Cisco!! Meu corpo está sendo ocupado por um cara que tem a mentalidade de um adolescente encrenqueiro!! – bufa, girando dramaticamente, indo em direção ao corredor do apartamento.
—Isso não é totalmente verdade ...e pare de rebolar!! – é a vez de Cait/Thomas ralhar, levantando de um salto, e sacudo a cabeça, zonzo.
—Caramba! Se essa maluquice demorar muito Todos ficaremos malucos! – exclamo, quase caído da poltrona quando Barry adentra de repente – Puta merda! Assim você me mata Bar!! – reclamo, atirando a primeira coisa que minha mão cata contra ele.
—A porta estava aberta – justifica-se, franzindo o cenho – Por que a porta estava aberta? – questiona mas não tenho tempo responder porque neste instante “Cait” retorna devidamente vestido, digo, vestida com um conjunto moletom – Cait, que bom te vê!! – Barry exclama, abraçando-a antes que possa impedir – Senti sua falta. Muito – declara ele, sem solta-la, afastando-se o suficiente pra olhar em seu rosto – Tudo bem Cait? Está ...estranha – nosso amigo diz, não esperando resposta – Ainda está brava comigo pelo que disse quando aceitou o pedido do Ronnie? – questiona e mordo o dedo.
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—Não é da sua conta! – “Thomas” surge, parando ao lado deles – Nem pense que vou deixa-lo se aproveitar da situação pra descobrir coisas da minha vida, está ouvindo? – alerta, sorrindo para Barry – Oi Bar. Evidente que não estou zangada com você. Nunca consigo ficar por muito tempo – diz, pegando todos de surpresa ao beijar o rosto de nosso amigo.
—UOU! Que foi isso? Eu nem te conheço!! – Barry declara, confuso, afastando-se, encarando ambos.
—O café da manhã está pronto – ouvimos – Bar? Sério Cisco? Não consegue guardar segredo mesmo né?? – “Oliver” reclama, me encarando e rio sem graça.
—O que....tá acontecendo aqui??? Por que eles estão falando como se fossem.... – Barry questiona, olhando em direção a cozinha – E desde quando Felicity sabe cozinhar?
—Não sabe. Ollie sim – “Cait” diz, dando de ombros, indo sentar-se no banco alto junto ao balcão da cozinha – Será que poderiam fechar a porta antes que mais alguém apareça!? – sugere.
—Sério, que brincadeira bizarra é essa? É algum tipo de vingança, aposta?? Por que estão agindo como se fossem pessoas diferentes? – Barry bombardeia, seguindo “Oliver” com o olhar quando este vai fechar a porta, o toque de um celular sobressaltando-o.
—Ai merda! – “Oliver” exclama – É Thea o que digo?? – questiona, encarando “Felicity”.
—Nada. Deixe tocar – responde ela/ele, apoiando-se ao balcão ante o olhar de censura que recebe – Vai dizer a ela que veio pegar seu corpo de volta ou inventar uma mentira pra explicar seu comportamento quando acordou? – questiona e é minha vez de encarar “Oliver”.
—A irmã dele estava no quarto quando acordei e digamos que posso tê-la assustado um tantinho assim!! – explica-se, respirando aliviada quando o aparelho para de tocar.
—O que me lembra: talvez devesse ligar para seu pai – “Thomas” sugere, voltando-se para “Cait” – Eu meio que acordei ele e a namorada com meus gritos mais cedo! – confessa.
—Namorada?? – inquire “Cait”, franzindo o cenho – Meu estava com uma namorada?
—Ao menos acho que era – “Tommy” dá de ombros, torcendo o nariz, outro gesto característico da Cait – Mas que dormiram juntos, dormiram – conclui, sentando na ponta do balcão – Uma morena alta e bonita. Ele a chamou de Laurel, se não me engano – conta e mesmo sem a...o conhecer, sei que ficou em choque. E não apenas ele.
—Laurel? Tem certeza disso? – “Felicity” questiona, tão chocado quanto “Cait” ante a confirmação.
—Uau! Como se já não tivéssemos bastante problemas pra resolver?? – “Oliver” diz, suspirando.
—Disse algo errado? – questiona “Tommy”, preocupado.
—Não, nada – “Cait” diz, embora sua fisionomia indicasse o contrário.
—Alguém, em algum momento, vai me explicar que confusão é esta? – Barry pede, lembrando-nos sua presença.
—Melhor você sentar Bar. A coisa é complicada e estranha. Muito estranha. Ainda estou digerindo e tentando entender o que está acontecendo – aconselho, puxando-o para o sofá enquanto o quarteto permanece em volta do balcão da cozinha, comendo em um silencio estranho.
Uma hora depois..... (Narrador)
Sentado na poltrona, as mãos no rosto, Barry refletia acerca do que acabara de ouvir, olhando as quatro pessoas a sua frente enquanto Cisco caminha de um lado para o outro na sala.
—Então você é Felicity e não Oliver Queen – aponta o loiro, que anui com um aceno – E você é Oliver e não Felicity – repete o gesto, a resposta sendo a mesma – O mesmo vale pra vocês dois – indica o outro casal, recostando-se pesadamente no sofá, sem parar de olha-los.
—De alguma forma, em algum momento no dia de ontem, eles misteriosamente trocaram de corpos – Cisco conclui, parando – A questão é saber como fizeram isso para que possamos destrocar.
—Não foi em algum momento, foi durante a noite – “Felicity” o corrige, fazendo aspas no ar – Até a hora em que fui dormir eu ainda era Eu!! – frisa.
—Digo o mesmo – “Oliver” anui, abrindo os braços.
—O mesmo vale para nós – “Thomas” acresce, apontando a médica, bufando – Quer parar de apalpar meu seios, faz favor!.
—Foi mal. Desculpa – “Cait” pede, incomodada – É que...eles parecem meio...grandes!! – exclama.
—Tá me chamando de peituda!?! – “Tommy” resmunga, ameaçando bater-lhe.
—Dá pra pararem com isso? – “Felicity” pede, irritada – Temos que descobrir coisa mais importante para discutir neste momento – lembra, massageando as têmporas.
—Então estava tudo normal até irem dormir, correto? – Barry reinquire, eles confirmando com acenos – Certo....certo...- pondera, passando a mão no queixo, pensativo – Desculpa, mas preciso saber: dormiram juntos? – pergunta, encolhendo-se ante a resposta enfática dos quatro.
—NÃO!!
—Calma ai pessoal! Eu só quis estabelecer um parâmetro – pede, erguendo as mãos – Porque se estava tudo normal até irem deitar-se, e cada um dormiu em seu próprio quarto, sozinho...
—Como podem ter trocado de corpo??? – Cisco completa, sentando-se ao lado do amigo – Tecnicamente deveriam estar no mesmo lugar ao mesmo tempo ...a menos....
—Que o processo de troca tenha sido iniciado em outro local aonde estiveram juntos – Barry finaliza o raciocínio de Cisco, tocando a mão do outro no ar – Foram a algum lugar juntos ontem, antes de dormir? – interroga-os.
—QC – “Oliver” responde – Busquei Cait no aeroporto por volta das três e meia da tarde e de lá seguimos direto para a QC...
—Aonde eu estava com Tommy e Diggle – “Felicity” completa, cruzando as mãos atrás do pescoço – Passamos toda a tarde e parte da noite lá, resolvendo os problemas do projeto a fim de apresenta-lo na segunda – recorda.
—Eram quase onze da noite quando saímos. Viemos direto para casa. Dividimos um pote de sorvete, nos trocamos e fomos dormir – “Thomas” enumera.
—Tirando o sorvete também fomos para casa – “Cait” diz, apontando de si para “Felicity” – Até cogitei ir a Verdant, mas desisti. Estava com muito sono – lembra.
—Também estava sonolento quando cheguei em casa – “Felicity” comenta – Tanto que mal dei atenção a Thea quando veio até mim querendo conversar – lembra-se.
—Por isso ela foi a meu...seu quarto, logo cedo. Não lhe deu atenção quando chegou – “Oliver” conclui, apertando o queixo com o indicado e polegar – Agora que mencionaram, também estava bastante sonolenta e lembro de Cait ter comentado algo sobre isto – revela, pondo-se de pé num salto – Será que já era a troca acontecendo!?! – pressupõe.
—Saberiam se fosse ...acho – Barry pondera, sacudindo a cabeça – Talvez fosse o efeito do que ocasionou a troca...- silencia um segundo – Acaso lembram de algo estranho enquanto estiveram juntos na empresa?
—Não, nada – “Felicity” diz, erguendo o dedo ao mesmo tempo em que pede o celular a “Oliver”, destravando-o e indo para a discagem automática.
—Pra quem está lig....- “Oliver” começa questionar, dando um “pulo” – Diggle!! – exclama, a loira confirmando com um gesto – Ele estava conosco praticamente o tempo inteiro. Só saiu pra comprar comida – esclarece ante os olhares inquisidores de Barry e Cisco – Pode ter sido afetado também – acresce.
—Posso não ser um gênio ...- “Cait” começa dizer, “Tommy” interrompendo.
—Não me diga!!! – ironiza recebendo um olhar entediado.
—Como dizia, posso não ser um gênio, como alguns presentes – devolve a ironia, “Tommy” arqueando a sobrancelha – Mas acho que pra ele ser afetado seja lá pelo que fomos, teríamos de estar em número par, não é não!? – indaga.
—Faz sentido – Cisco concorda, silenciando, assim como os demais, ao escutarem a voz forte.
< Bom dia Oliver. Algum problema? > John Diggle pergunta, “Felicity” sinalizando para “Oliver” responder.
—Hã...acho que não. Parece que não – responde – John, por um acaso notou algo diferente com você quando acordou hoje? Assim, sente-se você mesmo? – interroga.
< Como assim sentir-me eu mesmo? > devolve.
—Tipo, ainda tem seu pênis!!? – “Cait” exclama, recebendo alguns petelecos de “Felicity” e “Oliver”
—Hei, não batam em mim!! – ralha “Tommy”, estapeando-a – Só eu posso bater em mim mesma! – diz ante o olhar indignado de “Cait”.
< Thomas e Caitlin estão com você? Por que? O que está acontecendo? Onde está Felicity? > interroga o segurança, tenso.
—Estou aqui John e ...estamos bem. Dentro do possível! – “Oliver” responde – Desculpa te incomodar num domingo de manhã mas é que...nós ...Dig, lembra se algo diferente ou estranho aconteceu ontem enquanto estávamos na QC? – pergunta.
< Tipo??? >
—Não sei... Algo não...normal – responde a loira, girando os dedos lateralmente a cabeça.
< Além do fato de não terem se matado, não > brinca o segurança.
—Há, há, há! Muito engraçado grandão! – “Cait” exclama, tapando a boca ao perceber o que fizera.
< Ok, isto foi anormal! > comenta ele < O que está acontecendo com vocês? E não me digam nada porque está claro que é mentira! > dá bronca, “Oliver” soltando um suspiro resignado.
—John, escute, vai parecer estranhamente maluco o que vou dizer, mas a verdade é que eu, Cait, Tommy e Oliver trocamos de corpos ontem depois que saímos da QC e pensamos que poderia ter acontecido o mesmo com você, mas como você me parece ser realmente Você, posso concluir que apenas nós fomos afetados, seja lá pelo quê ou por quê, e agora temos que descobrir como desfazer essa loucura sendo que sequer sabemos o que a causou em primeiro lugar. Por isto Oliver te ligou já que, supostamente, algo na QC, dentro do prédio, provocou essa troca, mas como você não lembra de nada anormal muito menos nós....Estamos fritos! – conclui, suspirando novamente, um longo silencio se fazendo presente – Dig, ainda está ai?? – “Oliver” pergunta.
< Onde estão? > quer saber o segurança.
—No meu apartamento com...- cala-se ao escutar o som indicando que a chamada fora encerrada.
—Muito bem Felicity! Agora ele sabe pra onde deve mandar a ambulância do manicômio! Bravo!! – “Tommy” ironiza, batendo palmas, ruidosamente.
—Ele não faria isto com a agente...Ou faria?? – questiona “Felicity”, encarando “Oliver”.
—Honestamente, Eu mesmo estou a ponto de ligar para o primeiro sanatório da lista telefônica e pedir que nos busquem – admite, pondo-se a caminhar de um lado para o outro – Alguma coisa deve ter acontecido. Algo que não estamos lembrando...
—Ou que pareceu inocente num primeiro momento – Cisco interrompe – Algo que não tenha parecido ameaçador na hora...
—Ou até possa, mas não em grande escala, entendem? – Barry complementa – Um cheiro, som, onda elétrica ...uma coisa que não causou problemas na hora em que aconteceu – conclui, olhando-os um a um – Não? Nada? Nadinha? – questiona ante o silencio deles, suspirando.
—E quanto as suas casas? Quando chegaram, vocês duas aqui e vocês em suas respectivas casas? Nada de anormal além do sono? – Cisco questiona.
—O problema é que um evento isolado afetaria os afetaria individualmente ou em dupla, no caso de Cait e da Lis – aponta-as – Mas os quatro foram afetados. Houve uma dupla troca de corpos, o que significa dizer que os quatro estavam juntos quando a corrente, onda, o que quer que seja, os atingiu – assegura o perito, coçando a cabeça – Mas o que e por que?? – reinquire, o toque da campainha pegando-os de surpresa – Estão esperando alguém?
—Não – “Oliver” responde, indo atender.
—A menos que a ambulância tenha chego sem fazer alarde – “Cait” cogita, recebendo olhares de censura.
—Hã...só por segurança, vê quem é antes de abrir Oli...Fel...- Cisco pede, sacudindo as mãos.
—Eu Sempre verifico – pontua “Oliver, olhando através do olho magico, franzindo o cenho – Diggle!?! – espanta-se, abrindo a porta, o segurança adentrando antes mesmo que terminasse de fazê-lo.
—Me diz que não trouxe brutamontes com camisa de força grandão!! – “Cait” pede, pulando para detrás do sofá fazendo-o arquear a sobrancelha.
—Não – responde direto, voltando-se para “Felicity” e “Oliver”, observando-os atentamente, fazendo o mesmo com “Tommy” e “Cait” – Quem vai me explicar que historia de troca de corpos é essa!? – interroga, fechando os olhos, apertando sua ponte nasal quando todos começam a falar ao mesmo tempo – UM POR VEZ! – grita, silenciando-os – Um por vez e devagar...Ou realmente vou cogitar ligar para uma clinica de repouso no mínimo! – ameaça.
—Justo – “Cait” diz, dando de ombros.
—Melhor sentar John – “Felicity” aconselha, estancando quando ia sentar-se – Mas antes vou trocar de roupa – anuncia, lembrando que permanecia de pijama, retirando-se.
Quando regressa, também usando um conjunto de moletom, os demais estão concluindo a explicação a John, este permanecendo estático, em silencio por um longo tempo antes de falar.
—Então essa suposta ....essa troca – corrige-se – Começou no prédio da QC e terminou enquanto dormiam? – indaga.
—Presumivelmente sim, já que foi o único local aonde os quatro estiveram ao mesmo tempo – Cisco confirma – Mas não estão lembrando de nada estranho que possa ter provocado isto.
—Estranho em que sentido? – questiona.
—Algo que pareceu inofensivo, ou não, na hora em que aconteceu – Barry explica.
—E eles deveriam estar juntos na hora? – quer saber o segurança, pensativo.
—Preferencialmente sim – Cisco diz, ficando de pé num salto – Você sabe! – aponta-o – Digo, você provavelmente sabe, mas não tinha consciência de que sabia até ...
—Ele já entendeu! – “Felicity” corta-o, suspirando – O que lembrou John?
—O elevador – diz – Em determinado momento as luzes piscaram e ouvimos o som de curto. Felicity cogitou se podíamos cair ou parar – lembra.
—De fato – anui “Oliver”, estalando os dedos – Estávamos entre os andares intermediários, sexto para o quinto, acho, quando as luzes piscaram, até apagaram muito rapidamente e depois voltaram ao normal – conta.
—Verdade – “Tommy” corrobora – E lembro de pensar no quanto o elevador parecia mais lento que o normal – acresce – Terá sido ai que tudo começou? – indaga.
—Pode ser – Barry diz – Se não foi, ao menos temos uma pista por onde começar.
—Começar o que cara pálida!? – “Cait” questiona.
—A investigar, o que mais? – devolve Barry – Mais ainda: podemos ir até lá hoje a noite, refazer o trajeto no mesmo horário e vê o que acontece. De repente a reversão pode ocorrer naturalmente – sugere, empolgado.
—Ou podemos ficar quietinhos em casa esperando tudo voltar ao normal, que acham? – “Oliver” sugere
—Do que tem medo? –“Felicity” questiona.
—De piorar as coisas caso tenha sido lá mesmo que essa loucura começou – assume – E se ao invés de ajudar piorar ir até lá? Se destrocarmos de novo só que errado novamente? Se ao invés de voltar para mim for pra ele? – aponta Tommy – E se....
—Hei, acalme-se – “Felicity” pede, segurando em seus braços – Sei que a troca tanto pode dar errado novamente como nem ocorrer. Mas precisamos tentar. Temos que tentar! – frisa, tocando seu rosto carinhosamente.
—Sou só eu a estar achando isso esquisito? – Cisco pergunta, erguendo a mão, Dig e Barry fazendo coro.
—O que há de esquisito nisso? – “Tommy” indaga.
—Pois é, o que há? – “Cait” corrobora, envolvendo a cintura de “Tommy”, recebendo um beliscão – Ai! Oush! Só estava sendo carinhoso!
—Carinhoso, pois sim! Já disse que não vai se aproveitar da situação não disse? Só porque me conheceu num momento de fraqueza não significa que vou dar mole pra você espertinho! – lembra, empurrando delicadamente.
—Eu preciso de uma bebida. E bem forte! – John declara, indo a cozinha.
—Se achar, também quero! – Cisco anui, seguindo-o.
—Idem! – Barry exclama, encarando-os sacudindo a cabeça antes de seguir os dois.
Algumas horas depois..... (Narrador)
—Boa noite senhor Oliver – o segurança cumprimenta assim que o loiro adentra o prédio da QC – Veio verificar alguma coisa? Quem são seus amigos? – pergunta, indicando Barry e Cisco, acenando a John.
—Hã...amigos, como disse e sim, viemos verificar uma coisa em meu escritório – confirma “Oliver”, pigarreando – Não vamos demorar – avisa, sinalizando ao grupo para o seguir.
—Para. De. Rebolar! – “Felicity” rosna entre dentes.
—Não estou rebolando – retruca “Oliver” , apertando o botão do elevador -Talvez só um pouco! – acresce, rindo.
—Isso não tem graça! – “Felicity” diz – Queria ver se fosse o contrário!
—Já está sendo, ou acha que ando dura feito um robô?? – reclama, entrando mal as portas abrem, os demais fazendo o mesmo.
—Não ando como um robô! – retruca “Felicity”
—Mãe, pai, não vão começar a brigar agora vão? Olha o mal exemplo pro casal em formação aqui!! – “Cait” brinca, recebendo uma cotovelada.
—Casal uma ova! – resmunga “Tommy”, empertigando-se.
—Você bem que poderia parar de fazer isso não é? – resmunga “Tommy” – Pode não rebolar tanto quanto ela, mas essa mania de se empostar me faz parecer afeminado!
—Olha o preconceito! Posso te denunciar – ameaça “Cait”
—Eles são sempre assim quando estão juntos? – Cisco questiona, olhando-os de sobrancelha erguida.
—Oliver e Felicity sim. Esses dois estão começando agora – responde o segurança, respirando aliviado quando chegam ao andar da presidência.
Lá, refazem seus passos na hora em que saíram na noite anterior, descendo e subindo algumas seguidamente, chamando atenção dos seguranças.
Como nada acontece, decidem ir embora, combinando ligarem no dia seguinte.
Ao chegar na mansão, “Oliver” é recebido por uma estressada e irritada Thea, que o xinga e se diz arrependida de ter avisado sobre o roubo do projeto.
—Então foi por você que descobri sobre o roubo! – exclama “Oliver” surpreso.
—Claro que foi....quer dizer, não exatamente por mim – Thea diz, sem graça – Na verdade foi Roy quem descobriu – confessa – Ele está se pegando com um dos lacaios da bruxa e o cara soltou pra impressiona-lo. Ele por sua vez me contou e eu a você – revela.
—Deixa vê se entendi: seu ex está se pegando com um cara??- interroga “Oliver”, surpreso.
—Qual a surpresa Ollie? Te contei meses atrás que Roy é bi. Por isso terminamos – lembra a garota – Não por ele ser bi, mas porque se apaixonou por esse cara e...- é interrompida pelo abraço forte do irmão – Ok, estamos emotivos não?!
—Obrigad..o Thea. Muito obrigado – agradece sem soltá-la – E pode ficar tranquila. Isabruxa não vai se dar bem – assegura.
Enquanto isto, Tommy e Malcom tem uma conversa franca sobre seu relacionamento com Laurel.
—Não foi planejado nem proposital Thomas. Apenas aconteceu – diz o empresário – Sei que deve estar chateado, mas espero que compreenda.
—Por mim tudo bem...pai – responde “Tommy” – Vocês são adultos e donos do próprio nariz. Além do mais, meu...lance com ela já terminou – declara.
—Estou surpreso com sua maturidade Thomas. Esperava uma reação, digamos, menos comedida. Muito bom filho vê que está amadurecendo filho – elogia, sorrindo antes de retirar-se do quarto do rapaz.
Antes de irem dormir, os quatro conversam em uma conferência via celular, combinando como seria o dia seguinte caso não houvesse mudança na situação deles, planejando passo a passo o que fariam e como fariam, encerando-a perto da meia noite, quando recolhem-se.
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Segunda-feira(17/12/18 – 7:15 a.m)
Mal o dia amanhece, “Oliver”, “Felicity”, “Tommy” e “Cait” despertam, todo animo que sentiam esvaindo-se ao perceberem que nada mudara.
Desanimados, retomam suas rotinas, “Oliver” e “Felicity” encontrando-se com Raymond e Diggle pontualmente as oito na QC, planejando como seria a apresentação do projeto ante a diretoria.
—Deveríamos dar um jeito de adiar essa apresentação Oliver. Não sei se vai dar certo. Eu sei que não vai dar certo. Já estou até vendo a bruxa comemorando a vitória sem precisar mexer um musculo daquela cara de broa escondida debaixo daquela tonelada de maquiagem de segunda que usa! – “Oliver” tagarela, andando de um lado para o outro, apertando as mãos nervosamente.
—Fe. Li. Ci. Ty! – “Felicity” soletra, segurando-lhe os braços – Relaxe. Basta que façamos conforme combinado e tudo dará certo – tranquiliza – Qualquer coisa, Ray assumira a apresentação. O importante é que mantenha a calma...e por tudo que é sagrado, tente não ser tão...feminina! – pede, acrescentando rápido – Não me entenda mal, amo seu jeitinho atrapalhado e doce de ser. Mas não neste momento – diz, olhando para os lados antes de tomar sua mão e beija-la.
—Vou tentar – “Oliver” promete, sem graça – E você tente não ser tão machão! – pede, rindo discretamente – E obrigada por não se vestir como um ogro – agradece.
—Gostou do terninho? – questiona, abrindo os braços – Confesso que não consegui entrar em seus vestidos mesmo sabendo que ficariam demais! Justamente por saber que ficaria demais! – elogia, o limpar de garganta chamando atenção de ambos.
—Raymond está vindo – Diggle alerta – Ah, seu amigo Cisco disse que namorada virá ainda hoje – avisa, posicionando-se de lado para o moreno adentrar, indo sentar-se em sua poltrona de onde podia observar toda movimentação do andar.
No apartamento, Cisco, Barry, “Cait” e “Tommy” refazem mais uma vez os passos dos quatro no sábado até bem perto do almoço, quando a namorada do primeiro chega, unindo-se a eles na “investigação”.
Durante a apresentação do projeto, tanto “Oliver” quanto “Felicity” titubeiam em alguns momentos, recuperando-se com ajuda de Ray e o apoio discreto de John, a diretoria aprovando por unanimidade ambos projetos, deixando Isabel furiosa.
—Parabéns. Aos três – diz polidamente, saindo após apertar-lhes as mãos.
—Tomara que não morda a língua ou vai morrer envenenada! – Sara, que assistira a toda reunião sentada em um canto discreto, cumprimenta, dando um selinho em Ray – A propósito, amei o terninho loira – elogia, piscando – Almoço pra comemorar? – convida, os dois hesitando um pouco antes de aceitar.
Ao final do dia, o grupo reúne-se no apartamento da loira, trocando mais informações, contando como passaram o dia, Gipsy, namorada de Cisco, convencendo-os a participarem de um pequeno ritual de seu povo na tentativa de descobri o que acontecera-lhes.
—Me explica de novo: como um cientista nerd namora uma cigana e como deixamos os dois nos convencerem a participarmos disso? – “Cait” sussurra, ganhando dois beliscões em resposta
—Pra começar, Gipsy é tão nerd quanto ele, não que isto tenha importância – “Tommy” sussurra de volta.
—E pra terminar, a esta altura do campeonato, topo qualquer coisa pra ter meu corpinho de volta, sem ofensas – “Oliver” diz, olhando diretamente para “Felicity”.
—Não me senti ofendido, não se preocupe – garante – Até porque também quero o meu de volta...apesar de estar adorando descobri seus segredos loirinha! – pisca, sorrindo-lhe.
—Também estou descobrindo algumas coisas bem interessantes a seu respeito, senhor mal humor! – brinca de volta, levando uma bronca da namorada de Cisco.
—O que está sentindo meu amor? – pergunta o cientista, curioso.
—Energia, muita energia. Um fluxo estranho que passa pelos quatro....
—É este fluxo o responsável pela troca? – Barry questiona, ansioso.
—Provavelmente sim...é uma energia forte e estranha...um tipo de ...Magia!! – exclama ela- Posso tentar neutralizar a o fluxo com um ritual mas não sei....
—Faça!! – dizem os quatro ao mesmo tempo, sobressaltando-a.
—Ok – concorda, recuperando-se – Cisco, ajude-me – pede, preparando e executando o ritual com ajuda do namorado e de um reticente Barry.
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Terça-feira (18/12 )
—E nada mudou! – “Tommy” diz, suspirando, resignado, dirigindo-se ao banheiro, preparando-se para mais um dia, “Felicity” “Cait” e “Oliver” fazendo o mesmo em suas respectivas casas.
Novamente, ao final do dia, reúnem-se tendo o acréscimo de John Diggle, revendo a tarde e noite do sábado novamente.
—Preciso ir até o prédio e examinar este elevador – Gipsy comenta, pensativa.
—Por que cismaram com este elevador? – “Cait” pergunta.
—Porque foi o único lugar aonde estiveram por um tempo considerável juntos além do fenômeno com as luzes e tudo que sucedeu depois – enumera – Não é mera coincidência. Não pode ser – explica ela, sorrindo.
—Olhando por este ângulo!! – “Cait” concorda.
—Podemos arranjar isto – “Felicity” diz, massageando o queixo, enrugando o nariz – Amanhã pela manhã vai comigo – determina.
—Isto se não destrocarmos até lá – “Tommy” teoriza, cruzando os dedos, os demais imitando-o.
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Quarta-feira(19/12)
A quarta amanhece cinzenta, nuvens carregadas encobrindo o sol. Uma garoa fina cai mansamente.
Na QC, “Felicity” e “Oliver” conduzem Gipsy e Cisco mais uma vez ao elevador, ao passo que Barry é chamado de volta a Central City por seu capitão.
Novamente refazem os passos, parando em quase todos os andares a fim de a garota examinar os locais com o que “Cait” apelidara de sua varinha mágica, buscando capitar o mesmo fluxo de energia que captara nos dois casais.
Enquanto isso, “Tommy” tentava administrar Verdant.
—Espera, não posso assinar nada – diz, afastando o talão que Roy punha a sua frente.
—Como não boss? É sempre você quem assina os cheques de pagamento de funcionários e fornecedores. Como vou pagar efetuar os pagamentos sem isto? E quanto ao salario e o abono que liberou para os funcionários? – questiona o rapaz, estranhando a atitude do moreno.
—Roy, escute...- pede, o toque de seu celular interrompendo a conversa – Um segundo – pede, afastando-se ao ver de quem se tratava – Por que não me avisou que era responsável pelo bendito clube?? – reclama antes que “Cait” pudesse falar.
< Não briga comigo não! > pede em tom de suplica.
—O que foi? Por que está chorando? – preocupa-se.
< Eu tô morrendo Cait! > choraminga fazendo-o reter o ar < Vem me ajudar por favor! > implora.
—Chego ai num segundo! – avisa, desligando – Roy, tenho que sair. É urgente – diz.
—Mas e os cheques, os pagamentos..- preocupa-se o DJ, assustando-se quando o moreno pega o talão de suas mãos, saindo praticamente correndo.
Ao chegar no prédio, sobe as escadas, impaciente e ansioso demais para aguardar o elevador, usando sua chave extra para abrir a porta.
—Thomas, cheguei. Aonde está? – interroga, escutando o gemido alto vindo do quarto, seguindo-o – O que houve? Caiu? Cortou-se? Já disse que deveria pedir comida e não tentar cozinhar – adoesta, indo sentar-se ao lado de “Cait” na cama.
—Não briga comigo! Tô mal. Tô muito mal – repete, encolhendo-se mais, a pequena mancha de sangue sobre o lençol tornando-se visível.
—Mas o que...?? – “Tommy” indaga, inclinando-se, não conseguindo conter o riso ao entender o que se passava.
—Está rindo? Sério? Eu aqui me acabando de dor, quase morrendo, e você rindo? – “Cait” choraminga.
—Que morrendo coisa nenhuma! Isso é apenas cólica menstrual – explica, levantando-se e fazendo-a levantar – Vem, preciso trocar os lençóis e você tomar um banho gelado. Vai aliviar a dor – enumera – Anda, levanta – insiste “Tommy”, fazendo “Cait” levantar ir para o banheiro onde enche a banheira, deixando-a “de molho” enquanto limpa a cama e escolhe outra roupa limpa, optando por um absorvente externo, não conseguindo conter o riso mais uma vez ao ver a cara de nojo quando explicava como colocar e retirar o mesmo.
—Tome isto, vai pôr fim a seu sofrimento – promete, entregando um comprimido e água – Agora deite-se – ordena, puxando o coberto sobre seu corpo encolhido – Você me assustou. Pensei que algo grave tinha acontecido – “Tommy” ralha, afagando o cabelo levemente úmido, pegando a toalha e sentando sobre o colchão, trazendo a cabeça de “Cait” para seu colo.
—Pra mim Isto é grave sim. Muito – declara “Cait”, gemendo – Como vocês suportam isso? Como doí!! Pensei que o comprimido ia tirar a dor – resmunga.
—É remédio, não mágica – “Tommy” brinca.
—Não fale essa palavra perto de mim por favor!- pede, ambos rindo – Muito obrigado por ter vindo em meu socorro – agradece.
—De nada – diz, beijando-lhe a testa, enrugando o cenho – É estranho me beijar!
—Mas eu gostei – “Cait” diz, virando-se para poder encara-lo – Depois que essa loucura passar...se passar...
—Vai passar! – diz “Tommy” , firme.
—Se passar – insiste “Cait” – Promete que vai me dar uma chance, que vamos ter um encontro, de verdade, eu e você. Sem ideias pré-concebidas, sem reservas e ressalvas. Promete!? – pede, fazendo bico.
—Como posso resistir a essa carinha de cachorro que caiu da mudança? – “Tommy” brinca, ficando sério a seguir – Confesso que fazia uma ideia bem diferente de você... – admite, afagando o cabelo novamente – Prometo – diz, por fim – Agora tente relaxar. Daqui a pouco a dor vai passar.
—Vai ficar comigo até dormir? – questiona, aconchegando-se mais ao colo que lhe acolhia.
—Vou – garante, descalçando os sapatos, acomodando-se melhor, ambos adormecendo pouco depois.
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Segunda-feira(24/12 – 18:12 p.m)
Narrador
Os dias passam sem que consigam destrocar os corpos por mais que tentassem.
No sábado, Barry retornara trazendo o convite de Harisson Wells para que Caitlin voltasse a trabalhar no Star Labs após as festas de final de ano.
No domingo é Eddie Thawne quem chega, complicando um pouco mais a vida do quarteto.
Cisco, Gipsy e Barry esforçam-se em tentar entender e encontrar uma solução para o problema, esbarrando sempre no mesmo ponto: o elevador.
—Algo está passando batido ou sendo esquecido – ponderara o técnico forense – Mas o que?? – pergunta a si mesmo.
A véspera de Natal chega e com ela a tradicional festa realizada pela família Queen em sua mansão.
Apesar de toda situação envolvendo-os, o quarteto não tem como evitar comparecer ao evento e por este motivo encontravam-se no apartamento de Felicity, preparando-se para tal.
—Uau! Estão lindas! – Eddie elogia ao ver “Felicity” e “Cait” surgirem na sala trajando elegantes vestidos de gala, longos, a loira usando um modelo vermelho com uma fenda lateral que ia da metade da coxa até o final do tecido enquanto a médica usava um modelo em azul escuro, quase negro, com um generoso decote nas costas – Melhor cuidarem bem destas duas joias ou arrebento os dois! – ameaça, apontando de “Tommy” para “Oliver”, elegantes em seu ternos de corte perfeito.
—Quanto a isto, fique tranquilo – assegura o loiro, piscando para “Felicity”, que sorri com o canto da boca.
—Bom, vou indo na frente, já que não quero queimar meus dedos segurando vela! – brinca o detetive – Obrigado pelo convite Queen – agradece, saindo ao passo que John adentra.
—Prontos? – inquire, olhando em volta – Barry, Cisco e Gipsy, não vão? – quer saber.
—Vamos sim! – ouve e vira-se, deparando-se com o trio – Quantas chances teremos de participar de uma festa na mansão Queen? – Barry brinca.
—No que depender de mim, várias – “Felicity” declara – As portas estão sempre abertas para os amigos.
—Grato por isso – diz o técnico, ajustando o blazer.
—Vamos indo? – John convida, sinalizando para saírem.
Durante o trajeto, o assunto da troca vem a baila, acabando por dar início uma pequena discursão entre o quarteto, fazendo Diggle brecar bruscamente.
—Ai, ai! Poxa vida grandão, pra que isso? Se queria que nos calássemos bastava pedir! – “Cait” diz, ajeitando-se no assento
—Pois é – Cisco anui.
—A briga! – exclama o segurança, voltando-se para encara-los – Estavam discutindo quando entramos no elevador aquela noite. Gritei calarem-se e ordenei que pedissem desculpas uns aos outros e pediram...- silencia pensativo.
—E??? – Gipsy instiga-o prosseguir – Houve mais alguma coisa? – quer saber.
—Ficaram em silencio um tempo e quando voltaram a falar, disseram a mesma frase, os quatro – lembra – Não lembro as palavras exatas, mas era algo do tipo...
—Se estivesse em meu lugar saberia!! – “Felicity” sopra – Desejei que ela estivesse em meu lugar para que soubesse o que sentia, como me sentia – admite.
—Desejei o mesmo!! – “Cait” admite, olhando-os.
—Acho que.... talvez...nós tenhamos desejado o mesmo – “Oliver” admite.
—E logo depois houve toda aquela coisa de luzes piscando e som de curto – Diggle completa.
—Está explicado! – Gipsy declara, estalando os dedos – Foi ai que a coisa começou! A troca, quero dizer.
—Então basta desejarmos e tudo isso acaba? – “Tommy” interroga.
—Não é tão simples assim ou já teria acontecido – Cisco pondera.
—Claro que não. Tem que ser feito como da primeira vez, de coração. Não da boca pra fora – avisa a garota, olhando-os um a um – E hoje eu diria ser a noite perfeita para isto, afinal, milagres acontecem na noite de Natal! – exclama.
Durante a festa, os quatro refletem acerca da conversa no carro, pensando em como fariam para destrocar os corpos.
A certa altura, Thea Queen convida todos a dançarem, convencendo os irmãos e suas acompanhantes abrirem a pista.
Enquanto deslizam pela pista de forma surpreendentemente coordenada e sincronizada, “Oliver” e “Felicity”, “Tommy” e “Cait” sorriem, leves, pela primeira vez na semana, cada um tomando uma direção diferente ao final da dança.
Enquanto “Oliver” e “Felicity” se refugiam em seu quarto, “Tommy” e “Cait” passeiam de mãos dadas pelo jardim acabando por refugiarem-se quando a neve começa a cair mais intensamente no antigo chalé no final da propriedade.
—Prontinho. Agora estamos protegidos e aquecidos –“Cait” declara, sentando-se sobre o tapete após acender a lareira elétrica, recostando-se em “Tommy”, envolvendo lhe o pescoço com os braços, beijando o queixo, bochecha, até alcançar os lábios, intensificando o gesto gradativamente ao mesmo tempo em que deitavam-se sobre o tapete.
—Eu... não sei se posso! – sussurra “Tommy”, temeroso.
—Pode sim. Basta fechar os olhos e se deixar levar – “Cait” garante, retomando as caricias, ambos relaxando lentamente, amando-se sem pressa.
O quarto, “Felicity” e “Oliver” fazem o mesmo, entregando-se um ao outro entre beijos e juras de amor.
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Manhã de Natal (Narrador)
O ar matinal invade o quarto acariciando a pele sensível da loira, que aconchega-se mais ao corpo másculo a seu lado, sorrindo minimamente, o som de risos e gritos de euforia vindos de fora fazendo-a abrir os olhos, levantando-se enrolada ao cobertor, olhando através da fresta na cortina o casal brincar feliz sobre a neve acumulada no jardim, atirando-se ao solo juntos, desenhando anjos com os movimentos de braços e pernas.
—Perderam o juízo! – escuta John ralhar, surgindo logo em seguida com dois casacos – Vistam antes que peguem um resfriado – ordena, sendo prontamente derrubado pelo casal.
—Acabou grandão! Acabou! – Tommy comemora – Somos nós mesmos outra vez! – diz, erguendo Caitlin no ar, fazendo a loira reter o ar e voltar-se para a cama, abrindo a boca ao visualizar o loiro que a observava sorridente.
—Oliver?? – indaga, olhando para si mesma.
—Acabou amor – declara ele – Seja lá o que tenha acontecido acabou – reforça, estendendo-lhe os braços num convite mudo, que é prontamente aceito – Feliz Natal!
—Feliz Natal! – retribui ela, beijando-o, sorrindo ao escutar os gritos de alegria vindos do jardim.
—UHU!! FELIZ NATAL!
“...He sees you when you’re sleeping;
He knows when you’re awake;
He knows if you’ve been bad or good;
So be good for Godness sake!
You better watch out, you better not cry;
You better not pout, I’m telling you why;
‘Cause Santa Claus is coming to town, yeah!..”
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