Freak The Freak Out
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ouvi meu celular tocando dentro de minha bolsa. Gemi e
tentei puxar as cobertas para cima para abafar o barulho, mas não as encontrei.
E minha cabeça estava me matando.
Aos poucos, as lembranças do que eu aprontara no dia
anterior pipocaram em minha mente, e me senti envergonhada. Primeiro dia de intercâmbio
e já fiquei bêbada!
Pensei em descer para agradecer Vince por ele ter tirado
aquelas latinhas de veneno de perto de mim, mas a vergonha, somada ao meu
cheiro de cerveja, me impediu e me mandou direto para o banho.
Enchi a banheira com água quente, e mergulhei, relaxando os músculos
rígidos de meus braços e pernas. Mas ainda havia a minha dor de cabeça terrível,
o gosto de álcool na boca e o fato de que eu não tinha remédio algum para dores
de cabeça, já que elas nunca me afetaram.
Ao sair da banheira me senti bem, exceto por aquela dor de
cabeça interminável. Ouvi leves batidas na porta, e sem lembrar de que ainda
estou enrolada na toalha, fui até ela. Percebi
que tudo estava girando. A dor de cabeça estava me deixando tonta, então vi a
porta, e antes de abri-la, caí.
Acordei lentamente, com braços tentando me levantar do chão.
– Vince? – perguntei quando consegui focar minha visão no
rosto cansado sobre mim.
– Você é pesada! Não consigo te carregar! – ele murmurou,
como se estivesse chocado, mas me olhou e soltou um riso brincalhão. Ri junto,
mas minha cabeça latejou.
Suspirei e levantei, poupando os braços fracos de Vince.
Sorri para ele, que olhou meu corpo sugestivamente. Olhei para baixo e corei ao
ver que estava só de toalha. Sorri timidamente, peguei qualquer roupa na mala
aberta, e corri para o banheiro. Vesti-as, escovei os dentes, e voltei para o
quarto, onde Vince ainda estava.
– Desculpe-me... Eu... Você tem... aqueles... remédios?
Sabe, para dor de cabeça? — gaguejei.
Ele estendeu a mão, fechada em volta de algo.
– Você não está acostumada a beber, não é? — ele falou,
soltando um comprimido grande em minha mão enquanto eu assentia — Vá passear.
Tomar um ar fresco, sempre melhora. Mas tome o remédio.
Eu sorri e engoli o comprimido, sentindo-o deslizar por minha
garganta; só depois me lembrei de que precisava de água. Fui até a mesinha de
canto e peguei uma garrafa de água que estava sobre ela.
– Obrigada, Vince – murmurei sincera, depois de beber a
água.
Ele sorriu, e eu o abracei. Repentinamente. Ele me abraçou
de volta, e seus braços lembraram-me de meu avô. Eu o amava, e sofri muito
depois de sua morte. Vince seria um ótimo companheiro durante minha estadia no
hotel.
Soltei-me dele.
– Obrigada. – murmurei novamente. Mas não só pelo remédio. Por
fazer eu me sentir bem e aceita em outro país. Em outro continente. E pela
primeira vez em meses, a ideia de estar tão longe da minha família me assustou.
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