Notas iniciais
Eu ainda não sei se estamos no meio ou no final kkk
Eu acho que no meio.

Enfim, boa leitura :)

Doença

Era uma manhã quente em Belgrado; afinal, aquela cidade estava quase vazia. Não tinha quase ninguém que se atrevesse a sair. As pessoas tinham medo dos soldados nazistas que lá estavam.

Naquela manhã de sábado, Vencelau estava no sótão da casa de seus pais. Encostado na parede, lendo um livro. Enquanto Andrija conversava com Janez sobre os assuntos colegiais.

Até que se assustaram com o acesso de tosse de Elizabeta. Eram tosses fortes, mas não eram tosses quaisquer; nesses acessos de tosse, saia sangue da boca de Elizabeta.

Ao ver aquilo, Andrija logo foi para o lado de Elizabeta.

– Elizabeta, você está muito mal.

Elizabeta tentou sorrir para ela.

– Eu estou bem...

Vencelau saiu de onde estava, caminhou até elas e se ajoelhou ao lado de Elizabeta.

– Não, não está. — Ele disse.

Elizabeta parou de sorrir; até tossir de novo. Dessa vez, não houve sangue, mas foi preocupante. Ela começou a respirar forte, o que não era bom.

– Janez, vem cá! — Falou Andrija, que já estava preocupada.

Janez não sabia o que se passava; foi até eles e observou o sangue escorrendo pela boca de Elizabeta, enquanto ela respirava forte.

– O que você acha que é? — Perguntou Vencelau, olhando para Janez.

Janez engoliu em seco, não querendo acreditar no que estava pensando. Seria mesmo o que ele estava pensando? Não pode ser. Mas na verdade, pode.

– Parece ser... Tuberculose. — Ele sussurrou.

Andrija entendeu todas as palavras dele, e olhou para o irmão, aflita. Voltou rápidamente o olhar para a irmã, que já tinha melhorado um pouco com a respiração.

– Não pode ser... — Ela falou.

– Espero que não seja. Se não for, parece. — Falou Janez.

Vencelau logo se lembrou de que sua mãe já foi uma enfermeira de guerra; Emilie poderia ajudar. Levantou-se.

– A minha mãe já foi enfermeira, talvez ela ajude. — Falou antes de sair do sótão.

– Tem certeza, Janez? — Andrija forçava a não acreditar.

Ele assentiu, com um pouco de dúvida ainda.

Vencelau foi até a cozinha, onde estava Emilie. Logo, a chamou:

– Mãe, Elizabeta está doente. Você poderia ver o que ela tem?

Emilie olhou para o filho, de forma séria, porém bem comum. Ela se aproximou dele.

– Tudo bem. — Ela não acreditava que seria algo assim tão ruim.

Eles forão até ao sótão e Emilie imediatamente observou Elizabeta. O sangue na boca dela, já se teria uma ideia do que era. Emilie ergueu as sobrancelhas.

– Por acaso ela estava tossindo?

– Sim. — Respondeu Janez.

Emilie voltou o seu olhar para Elizabeta. Fez um "não" com a cabeça. O olhar da britânica estava decepcionado.

– Tuberculose... Não há dúvidas. Eu sei de uma quando a vejo.

Andrija e Janez engoliram em seco. Observaram Elizabeta, que estava com os olhos cobertos de lágrimas, mas que ainda não jorravam pelo rosto.

Emilie suspirou, pegando um pano que estava no bolso de seu vestido e limpava a boca ensanguentada de Elizabeta.

Vencelau olhou para a sua mãe:

– Tem certeza, mãe?

– Tenho. — Ela respondeu rápidamente. — Já antendi vários soldados com tal doença.

Andrjia estremeceu. Estava ficando muito preocupada. Elizabeta tentou tranquiliza-la:

– Não se preocupe Andrija. — Ela sorriu. — É só isso que eu quero, que fique tranquila.

Emilie suspirou, erguendo-se e indo até a porta do sótão. Abriu-a e jogou a escada. Deu uma olhadela neles.

– Eu já volto, tudo vai ficar bem. — Não falou com segurança, mas pelo menos era alguma coisa.

Após a ida de Emilie; Elizabeta virou o olhar para Vencelau, ainda com um sorriso. Mas os olhos dela estavam banhados de tristeza.

– Vencelau... Me responde uma coisa?

Vencelau levantou uma sobrancelha.

– Claro. O que?

Ela revirava os olhos, tentando conter as lágrimas.

– O Roderich morreu, não foi?

Vencelau engoliu em seco, como responder? De qualquer forma, ela iria saber mesmo.

– Sim... Já faz algum tempo, em 1941.

Elizabeta deixou as lágrimas caírem. Sabia que Roderich estaria morto; mas sorriu novamente.

– Me desculpe... — Falou Vencelau.

Elizabeta fez que não.

– Não se preocupe...

Mas o que Elizabeta estava pensando? Bem, se ela morrer, pelo menos irá se encontrar com Roderich.

Lembranças fraternais

Hannelli estava em um cemitério, naquela mesma semana. Era um cemitério comum, pequeno, mas era bem arrumado. Um dos cemitérios mais visitados de Belgrado.

Ela carregava flores e uma foto. Caminhou pelo cemitério, e fácilmente encontrara o que queria. Após alguns segundos de caminhada, ela chegou ao local onde se encontrava um túmulo em especial.

Nele, estava escrito:

David Dracuela

1º de Dezembro de 1913 — 23 de Março de 1931

Aquele era o túmulo de seu irmão mais velho, que havia morrido de tifo aos dezessete anos de idade. Ela pôs as flores por cima do túmulo e segurava a foto. Nela, estava Hannelli e David com os seus pais; naquela foto, ela tinha apenas sete anos de idade, enquanto David tinha onze. Ela a segurou com força. Começou a falar:

– Olá irmão... Quanto tempo. — Ela falava baixinho. — Eu me tornei a mulher que você sempre disse que eu ia me tornar. Você tinha razão, eu achei uma pessoa. — E fechou os olhos, com um sorriso. — Eu ainda me lembro da sua voz e do seu sorriso. Se Deus não te deixou viver por muito tempo, era porque você não precisava. Você é um anjo. — E abriu os olhos novamente. — Você o conhece, eu tenho certeza. Mas agora, quero que o proteja... Eu não quero perde-lo assim como eu te perdi.

Ela se ajoelhou diante ao túmulo, suspirando fundo. Pôs a mão na barriga, acariciando-a.

– Ele é o pai desta pequena pessoa que estou esperando. O seu sobrinho ou sobrinha. Por favor, esteja do lado do Alexis, não deixe ele ser morto por um soldado soviético ou algo assim. — Uma lágrima caiu do rosto dela. — Eu sei que de onde estás, pode ver tudo. Sendo assim, observe Alexis, por favor.

Aquilo já estava ficando ridículo; como um morto pode salvar alguém? De qualquer forma, esperava que tudo desse certo.

– Estou com saudades, irmão. Muitas, muitas mesmo. Suas brincadeiras, suas babaquices, suas ironias... Eu sinto saudades suas, por inteiro. Eu te amo, ainda.

Depois daquilo, fez uma pequena oração. Ficou de pé e ficou um minuto em silêncio. Virou-se logo em seguida, dando uma olhadela no nome de seu irmão.

– Até mais, David.

E depois, caminhou até a saida do local.

Um feixe de contradições

Olga estava em seu escritório, muito ocupada com várias coisas. Mas nada podia tirar da sua cabeça o fato de que ela tinha se apaixonado por um judeu.

Mas não podia evitar os olhos de Scepan. O judeu sempre a desfiava e Olga adorava isso, adorava o jeito frio dele. Aquilo tudo estava a deixando louca.

Ela bateu a caneta na mesa, dando um forte suspiro e largando os óculos de qualquer jeito. Passava as mãos pela cabeça.

Scepan estava vendo todos aqueles atos através da porta. Olga estava muito estranha e nada tinha dito a ele. Era uma mulher muito misteriosa, até para os soldados que lá trabalhavam para ela.

Tomou coragem para se aproximar dela, com um olhar sem preocupação, falava com ela:

– Aconteceu alguma coisa, Olga?

Ela largou sua cabeça, ouvindo o que ele perguntava. Seu tronco ficou ereto. Não o olhava ainda, esperava ele falar mais alguma coisa.

Mas foi a mesma coisa:

– Aconteceu alguma coisa, Olga?

Desta vez, Olga levantou-se violentamente, olhando para Scepan logo em seguida.

– Você... — Olhava com ódio e desejo fumegantes.

Scepan não gostava nada daquilo; se afastava, ou tenatava se afastar. Olga percebeu o ato e gritou:

– Fique aqui! Fique aonde está!

E foi o que ele fez. Mesmo que se ela o atacasse, não teria jeito, Scepan estava fraco demais, magro demais, mas nada deixava ofuscar o brilho de seus olhos. E eram aqueles olhos que Olga "detestava".

E sem que Scepan pudesse perceber, ela chegou mais próxima dele. Sem cerimônia, agarrou o rosto dele violentamente e beijou os lábios dele. Scepan arregalou os olhos, e não conseguia reagir, estava incrédulo demais.

Ela afastou o seu rosto do dele.

– Olga... — Foi a única coisa que Scepan conseguiu pronunciar antes de ela lhe dar outro beijo.

Após isso, ela o jogou contra a parede, fortemente. Jogou-o próximo a porta. Aproximou-se dele novamente e fechou a porta com força.

– Olga, o que você... — Não conseguia terminar uma frase sequer.

Olga o jogou no chão, com as costas encostadas na parede.

– Você me pertece, lembra? — Pôs-se sobre ele, beijando de forma contínua a boca dele. — Abra a boca, seu rato imundo!

Sem forças para poder revidar, ele teve que obedecer as ordens dela. Feito isso, sentiu a língua dela invadir a sua boca, obrigando-o a responder a este ato.

Ela agarrou a gola da camisa dele, ainda beijando-o. Logo, o jogou com força no chão, com as mãos presas na vestimenta listrada dele. O olhar dela continuava com profundo ódio e desejo, enquanto ele já não estava com um olhar incrédulo. Sentiu os lábios dela sobre o seu pescoço, e a tendência era fazer com que aqueles lábios decessem mais.

– Olga... Não... — Falava baixinho. — Não, pare...

Mas ela não dava ouvidos, ao descer com os lábios, ela rasgava a camisa frágil dele com as unhas, fazendo o tórax dele ficar praticamente despido. E ela passava os lábios por toda aquela parte do corpo. Suas unhas arranhavam o corpo dele, machucando-o.

– Ei! Pare! — Gritou Scepan. — Não pode fazer isso!

Olga parou, olhando nos olhos dele, ainda aqueles olhos.

– Então por que fez isso comigo?

Ele não sabia do que ela estava falando.

– "Isso" o que? O que eu fiz? Do que você está falando?

Ela rosnou, como que se ele tentava dar uma de sonso. Ela preparou um punho, para que o soque. E assim fez, batia no jovem com uma enorme força. Uma mulher bem forte e um homem bem fraco, que estava fraco e praticamente doente.

– Seu judeu do inferno! Olha o que fez comigo! — Já havia sangue pelas mãos de Olga.

Após aquilo, ela agarrou o pescoço dele, respirando forte.

– Por que eu fui... me apaixonar por você?

Ele a olhou incrédulo.

– O-Olga... — Não conseguia falar direito.

Ela o soltou e saiu de cima dele. Dirigiu-se até a janela do escritório, pondo a mão no rosto. Enquanto o deixava lá, deitado. Ele respirava normalmente, mas seu corpo doía. O sangue jorrava pelo chão.

E depois de alguns minutos de pura agonia, ele conseguiu se levantar. Olhou para Olga. Logo depois, se aproximava dela.

– O que você tinha dito? — Ele perguntou. — Se apaixonou por mim?

Ela estava com o pulso tremendo, estava dolorido. Ela depois olhou para o retrato de Hitler; sentiu-se mal pelo que fez.

– Vá embora. Quando eu precisar de você, eu te chamo. Rato imundo...

– Mas...

– Vá embora! — Ela gritou.

Ele nâo pôde fazer mais nada. Cambaleou até a porta e conseguiu sair, de alguma forma.

Ela tinha enlouquecido. Caminhou até a sua mesa e jogou todos os papeis que lá estavam no chão, depois as canetas. Como se aquilo a acalmasse.

Depois, ela viu os pedaços de roupa rasgados que estavam no chão. Pegou o maior deles e sentou-se na sua cadeira. Olhou fixamente para aquele tecido durante alguns segundos. Até que o levou a sua face, esfregando-o delicadamente dela. Fechou os olhos, com um tom vermelho na face.

– Scepan Petrovik... Aquele rato imundo.

Notas finais
Yay! O que acharam? :D
De novo eu aqui escrevendo na madrugada kkkkk

Até o próximo capítulo :)