Frase
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Near gosta de você, Mello.”
Todos com quem Mello conversava sobre o rival repetiam essa mesma frase. O loiro não compreendia seu real sentido, no entanto. Ele costumava pensar que diziam isso para tranquilizá-lo, fazê-lo parar de se humilhar por ser o segundo na linha de sucessão de L. Sua mente, tão capaz como era, achava que a resposta era um simples consolo por parte de seus companheiros. Seu coração, cuja impulsividade sobrepujava a racionalidade, insistia em lhe dizer que não.Que, no fundo, Near realmente gostava dele.
Tais pensamentos atordoavam Mello e subiam à cabeça quando ele ouvia a maldita frase, dita por quem quer que fosse. Mesmo guiado pelas emoções, como muitos costumavam dizer, ele não conseguia decifrar quais seus verdadeiros sentimentos por aquele que sempre está uma posição acima da sua nos rankings do orfanato. Talvez, se conseguisse decifrá-los, pudesse finalmente perder seu complexo de inferioridade e a sua típica competitividade.
Nem os maiores gênios conseguiam solucionar todos os problemas e ter todas as respostas; o loiro certamente não era uma exceção. Entretanto, a diferença entre tais gênios e Mello era que o último sabia onde encontrar suas respostas, no instante que as desejasse.
Era isso. Um pouco apressado, Mello pôs um casaco sobre seu pijama preto e calçou um sapato qualquer. Procurou por uma de suas inseparáveis barras de chocolate, logo encontrando uma em sua gaveta. Abriu-a e nem viu que direção a embalagem dela tomou. Abriu a porta do seu quarto devagar; não desejava ser notado. Então, aproveitou que o corredor estava vazio e correu como nunca havia feito antes. Só parou e respirou quando chegou na frente da porta do quarto do albino.
Deu três batidas e aguardou uma resposta. Passados alguns segundos, ouviu um “entre”. Nesse momento, o coração de Mello disparou. Ele pensou em dar meia-volta e desistir daquilo, mas sua vontade de ficar foi maior e o fez girar a maçaneta com firmeza. Entrou no quarto de Near e fechou a porta atrás de si, recostando-se nela para dar uma prazerosa mordida no chocolate que comia.
Near o olhava inexpressivo, embora não estivesse entendendo o que o outro queria. Mello também o fitava. O loiro, por fim, resmungou um “Tsc” e se sentou no chão.
— Near, eu estou confuso — admitiu. Antes de continuar falando, jurou ter visto uma ponta de curiosidade nos olhos do rival. — O que há por trás da nossa relação? O que sentimos um pelo outro? — Mello indagou. Seu coração, agora, sentia-se mais aliviado e até voltara a bater em um ritmo mais tranquilo.
O albino pegou suas infinitas peças de dominó e passou a montar uma espécie de coração com elas. Não demorou para terminá-lo, pois era ágil em montar aquilo.
— Podemos chamar esse sentimento de amor, Mello — logo respondeu. Sua objetividade surpreendeu o loiro, que realmente não esperava que a resposta fosse tão simples. — Mas é um amor extremamente diferente dos demais — e tornou a enrolar uma das mechas de seu cabelo, como sempre fazia.
— Entendo.
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