Fraque

1 Use Somebody


Notas iniciais
Eu sei que eu deveria ter atualizado esse cap em clichês só que eu achei ela tão intensa que decidi postar para que outras pessoas tenham acesso à elas u_u Então eu escrevi outra coisa para clichês u_u espero que meus leitores lindos não me estuprem.

Uma coisa que vocês precisam saber é que eu odeio bailes. Odeio esse tipo de festa fútil aonde você vai para conhecer pessoas, exibir qualquer tipo de diferencial que você tenha. Mostrar suas riquezas, belezas ou arrogâncias. Eu odeio bailes, odeio os falsos olhares direcionados a mim, odeio os falsos amores que surgem no meio dessa farsa. Desde pequeno eu fui ensinado a achar a pessoa perfeita para casar. Eu não teria que amar essa pessoa, mas sim, conhecê-la. Conhecê-la melhor que ninguém, e a melhor forma de conhecer alguém é através dos olhos. Então sempre que eu ia a algum baile, desprazer do qual era obrigado, eu sempre ficava sentado, sem beber uma gota de álcool, coisa que apenas atrapalha o julgamento, a observar as damas e seus olhos. Sempre que via um olhar inocente, daqueles puros e raros eu me ia até ela. Eu não me importava que ela fosse bonita. Ingênua era o suficiente, porque a sua ingenuidade garantiria que ninguém estaria disposto a roubar meu poder. Nem mesmo sua família. Eu teria a garantia de que ela me seria fiel, e ela não tentaria me tirar tudo e qualquer coisa. Mas, claro, meia hora de dança e eu já podia ver a ganância no olhar. O desejo de ter meu sobrenome, meu poder, ou talvez meu corpo, minha beleza para poder se gabar em mais bailes. Foi numa dessas festas que eu encontrei Sir. Buckham.

Eu estava comumente sentado, a observar os olhos de tantas damas quando de repente nossos olhos se cruzaram. Seus olhos eram tão negros e sombrios que chegavam a assemelhar-se com a morte. Prenderam-me a atenção e mais tarde, a alma. Fiquei lá, a fita-lo e ele a fitar-me. Nos seus olhos havia pureza, a pureza do desejo, do desejo que ele sentia por mim. A pureza da luxúria, da perdição. E embora todos esses males rondassem seus olhos, eu fui incapaz de desviar minha atenção. Quando notei, além de seus olhos, eu olhava agora seus lábios, que me davam um sorriso de escárnio. Eu me perguntava que tipo de feição tola eu fazia naquele momento.

Ele agarrou uma taça de champanhe que o garçom carregava na bandeja e veio em minha direção, seu fraque um pouco solto balançando de acordo seus movimentos. Parou em minha frente, sorri um pouco, sem levantar meus olhos, e aceitei a bebida que surgiu em minha frente, sobre uma mão grande e delicada, tal como um homem de negócios. Aceitei minha primeira bebida num baile, e ali foi minha perdição. Obviamente todos notaram. Tomei um primeiro gole da bebida doce e amarga e olhei para cima. Fitamo-nos e logo ele me embebedou com sua doce voz:

– Incomodo? – Ele perguntou.

No meu jeito arrogante, neguei com a cabeça.

– Não. Nunca fui cortejado por homem antes, e esse simples fato serve bastante para aumentar meu ego.

Ele riu um pouco, como se estivesse degustando minhas palavras e como se elas fossem doces. Tomou um gole de sua bebida. Tudo que aquele homem fazia era charmoso. Era encantador e ludibriante. Parecia que o mesmo estava a me prender em algum tipo de feitiço. Bom que eu não acreditava nesse tipo de coisa.

– Massagear seu ego é assim tão importante? – Questionou.

– Depende de quem o massageia.

Disse isso sem medir minhas palavras, mas não porque estava bêbado, um gole de uma bebida tão fraca como champanhe não seria capaz de me deixar bêbado, mas parecia mesmo que eu estava bêbado, mas bêbado de qualquer outra coisa. Quando o fitei eu vi novamente aqueles olhos domados e possuídos pela luxúria e nos seus lábios um sorriso macabro e assustador. Oh, deus! Estava perdido.

Depois daquele dia tudo mudou na minha vida. Continuei odiando bailes, não se enganem. Mas ainda sim era bom ir e vê-lo. Entramos num tipo de teatro tolo e estúpido onde ele massageava meu ego e eu fingia que ele não queria me comer. Perdoem meu palavreado chulo. Apenas a verdade. Eu fingia até mesmo a mim que eu não estava ligando para o fato de que, se algum dia déssemos o primeiro passo, daríamos outros cinquenta de uma vez, e que no quinquagésimo eu seria passivo, com certeza. Eu também fingia que eu não seria passivo, mas quando eu estava sozinho, acabava por admitir que “até que seria uma boa”.

Ele passou a trabalhar para mim. Não exatamente para mim, mas trazia vários documentos dos quais eu tinha que ler, assinar, avaliar, escrever e entre outros tipos de coisas parlamentares. Eu gostava de trabalhar, passar horas e horas a desfrutar de documentos que decidiriam o futuro de um país. Organizar, vender, partilhar, influenciar, ajudar outro país, desfrutar de algumas riquezas. No meu trabalho eu nunca tinha tédio, eu nunca ficava sem ter o que fazer e isso era extremamente excitante. Passou a ser duplamente excitante quando ele começou a trabalhar fixamente para mim. trocávamos farpas várias vezes, passei a odiá-lo e deseja-lo cada dia mais. Seus olhos passaram a desejar-me mais e mais, e meu ego crescia inegavelmente. Era uma coisa meio torta. Era como se houvesse um sentimento enorme de posse, um ciúme desgraçado que corroía nossas almas teimosas, que teimavam em assumir qualquer sentimento. Todo mundo já sabia que eu e ele tínhamos algo, algo forte e intenso, mesmo que, tão paradoxalmente, não tivéssemos nada. Nenhum de nós queria ceder, ceder ao fato de que nos queríamos, ceder era como assumir uma perda. Mesmo que ceder fosse um desejo desesperado de nossas almas desde o dia que nos conhecemos.

Casei-me. Para afastar todas as suspeitas. Ele, é claro, embriagou-se e durante semanas pareceu um louco, e seus olhos não demonstravam mais desejo, eles demonstravam fome. Ele olhava para mim e eu o via faminto. Mas para o bem de nossas almas, eu ignorei e passei a dedicar meu tempo aos olhos de minha nova esposa. Não eram doces como desejava que fossem, mas eram suficientes. O que eu tinha com ele foi ficando mais forte e ao mesmo tempo mais fraco. Estávamos nos afastando, vagarosamente e dolorosamente, mas isso só fazia com que eu me desse conta o quão longe tínhamos ido, o quanto eu estava entregue e estupidamente apaixonado. Uma paixão sufocada tão fortemente que chegava a sufocar o sufoco. Era necessário, eu sabia disso e ele também. Engravidei minha estimada esposa depois de alguns meses de casado e quando a notícia foi dada oficialmente, na frente de todos os empregados, todo mundo comemorou, menos ele. Ele me olhou friamente e saiu, batendo as portas, furioso. Todos sabiam os motivos, mas fingiam não saber. Parabenizaram-me pelo filho.

Naquele dia fui chamado para tratar de um assunto na casa de um primo. Eu já sabia que daí viria problema. Esse primo e ele são amigos. Muito bons amigos. Bons até demais. Mas, deixando o primo de lado, vamos a parte do problema. Ele veio ao meu quarto, eu tinha acabado de sair do banho e estava a me vestir. Pus a camiseta e peguei a calça que estava devidamente arrumada em cima da cama. Ele entrou, abrindo a porta e depois a fechando com força, sem sequer olhar para a mesma. Encarou-me, ofegando. Não estava bêbado, pelo menos de álcool. Larguei a calça no chão, de qualquer jeito e sentei na cama. Suspirei. Poucas eram as pessoas que me viam naquele estado, desarrumado, quase desnudo. Nem minha mulher me vira tantas vezes nesse estado, quanto ele. E mesmo assim, ele nunca me tocou, ou eu o toquei. Passei a mão pelos cabelos desgrenhados e úmidos, começando a enrolar pela falta de creme. Olhei para meu colo, e apoiei os braços nas coxas. Se existia uma coisa que eu não deveria sentir, era culpa. Era a minha esposa e eu tinha direito de engravidá-la. Eu tinha direito de ter um filho. Mas ele fazia tudo perder o sentido. Até mesmo o branco parecia azul quando era ele que estava a me contar. Ele alterava até a coisa mais simples de se entender.

Ele se aproximou de mim, se pôs entre minhas pernas. Não tive coragem suficiente para levantar minha cabeça, então apenas fitei o chão, notando suas botas sujas, suas calças de um pano fino e rico, mas já amassadas. Ele pôs a mão entre meus cabelos, apertando-os e puxando com força, doía, e se fosse qualquer outra pessoa ela definitivamente estaria morta, mas ele não. Forçou-me a olhar para cima, e eu o olhei e mesmo sem ver, sabia que em meus olhos havia mudas súplicas de perdão.

– Você a beijou? – Ele perguntou, entrecortado, com raiva, rangendo os dentes.

– Sim. – Disse num sussurro, submisso.

Eu não deveria temer.

– Você dormiu com ela? – Ele perguntou novamente, aproximando nossos rosto como num tipo de tortura. Tão próximo, mas não o suficiente para acabar com tanta agonia.

– Sim. – Dessa vez eu soltei um gemido de dor, mas ainda sussurrado.

Eu não deveria ceder.

– Você quer que eu te foda? – Ele disse.

– S-sim. – Gemi.

Desesperado, inclinei meu corpo para cima e uni nossos lábios num beijo sedento e luxurioso, como estava pedindo há anos. Ele agarrou com mais força meus cabelos, correspondendo avidamente ao beijo e com a outra mão ele agarrou minha coxa com firmeza, me levantando. Esse gesto me fez ter uma onda de prazer tão grande que gemi, gemi de forma que separei nossos lábios, e joguei a cabeça para trás. Logo voltamos ao beijo e em meio a ele eu podia ver seu sorriso macabro. Soltou meu cabelo e agarrou minha outra coxa, abrindo minhas pernas. Não foi preciso muito e lá estava eu, puxando seu corpo para cima do meu, arrastando meu corpo para trás e tentando apoiar o seu, abrindo mais e mais as pernas, como num convite, um convite que estava ansioso e guardado durante tanto tempo. Um convite que sequer era necessário. O melhor de todos os convites. O convite de um corpo para outro.

Separamo-nos, ainda ajoelhados na cama, para tirar com pressa nossas roupas. Ele puxava e arrancava com força os botões de seu colete, e eu voltava a desabotoar minha camisa. Ajudei-o a tirar suas calças e assim ficamos iguais, em roupa, corpo e desejo. Tanto desejo. Tão forte como um veneno letal. Subitamente voltaram a se beijar, passando a mão pelo corpo do outro, sentindo e apalpando, sem medo. Gemendo ao pé do ouvido um do outro. Tocando e levando à loucura. Enlouquecendo e implorando. Não houve palavras naquela noite, apenas gemidos. Dos mais longos e altos, aos mais curtos, sussurrados como num segredo tão íntimo que apenas ele poderia ouvir.

Os gemidos, ah, os gemidos. O que seria dos amantes sem eles? Os gemidos nos condenam. Nosso grau de entrega e de excitação. Nosso grau de ardor e paixão. São como o choro de um bebê faminto, ou como as rezas de uma mãe desesperada pela saúde um filho à beira da morte. Os gemidos são as súplicas de uma alma perdida e entregue. Os gemidos não podem ser contidos, disfarçados ou fingidos. Fingir um gemido deveria ser um crime. Um crime com pena de morte pelo assassinato de algo tão delicioso quanto um gemido.

Foi naquele momento que a perdição caiu de fato sobre mim. Estava apaixonado, cegamente apaixonado. Foi enquanto apertava os lençóis e admirava o homem acima de si, enquanto gemia, que percebi o quão estúpido estavam sendo, o quanto o amava, e o quão pouco me deixara amar. Ele entrava e saia, numa dança macabra e doentia, com seus gemidos macabros e seus olhos luxentos, e tudo que eu lhe implorava era que não parasse nunca mais.

Quando acordei, ele estava deitado sob meu peito, abraçando-o sem força por estar dormindo. Passei a alisar seu rosto suavemente, com medo de acordá-lo.

– Agora que seu desejo se foi, o que você sentirá por mim? – Questionei para ele, não esperando uma resposta.

Mas ela veio, em seus olhos, como nos comunicávamos. Neles, não havia nada, mas havia tudo. Meio tolo e inexplicável eu sei. Mas foi suficiente para mim. Ele apertou minha cintura e levantou um pouco o rosto. Ficamos nos encarado, sorrindo um pouco e sentindo e calor do corpo alheio. Aqueles minutos foram os momentos mais felizes da minha vida. Logo eles acabaram.

– Filho, sua esposa está... – Meu pai, abriu a porta do quarto, nos pegando nus na cama, sem sequer um lençol para nos cobrir.

Ele puxou meu corpo sobre o seu, como se isso fosse proteger-me do meu pai, ou do que ele viu. Sua feição estava apavorada, mas eu apenas sorri, aceitando meu infeliz destino. Puxei seu rosto pelo queixo dizendo:

– Pobre tolo. – Beijei-o, julgando ser a última vez.

Vocês podem supor o resto. Gritaria, choradeira, desgosto por parte da minha esposa, fúria pelo meu pai, culpa pelo meu primo, arrogância pelos meus subordinados. Nada não imaginado, nada não pensado. Tudo muito claro e simples, onde no fim de tudo isso o fim se dará pelo começo de algo que era para ter começado tão antes, mas que acabaria antes mesmo de ter um começo digno. Iríamos morrer.

Estávamos nas celas, as tão famosas celas das quais nunca tive o desprazer de ver enquanto líder e agora estava eu aqui. Ele estava na cela ao meu lado e era apenas nós dois. Demos as mãos em meio as grades. Ele chorava e eu penava por sua alma jovem.

– Não quero morrer. – Dizia.

– Eu sinto muito. Se eu pudesse eu salvaria sua vida e tomaria esse fardo por nós dois. Fiz tudo que pude. Juro-lhe. – Eu supliquei seu perdão. Ele negou com a cabeça, soluçando.

– Não. – Me olhou. – Não viveria nesse mundo sem ti. – Apertou minhas mãos. – Prefiro a morte.

Foi nesse momento que demos nosso primeiro beijo. Primeiro beijo como amantes, como amantes entregues e verdadeiros. Nosso primeiro e último beijo. Levaram-no pouco depois.

Eu irei daqui a pouco também. Mal enfrentamos esse inferno e eu já sinto a falta do seu calor e do seu sorriso macabro, sorriso que no fundo possuía algumas gotas de amor.

Notas finais
Entãaao, né ♥ sou ótima com mortes na forca. Inspiração nunca me falta KOPAOPKSOPKAPOKSPOK' Ninguém me odeia neeeé? *-* Eu espero não ter deixado ninguém tão deprimido quanto eu, etc e tal. Espero que ninguém me odeie ♥ podem vir me abraçar tbm hehe :3 qlqr erro me avisem pls.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!