Frankenstain

7 Primavera de 1780


Notas iniciais
Gigante! Mas acho que vai valer a pena ;) Boa leitura :)

Dobram os sinos, Paris despertou ao soar de Notre-Dame.

Já tem peixe fresco e o pão já assou ao soar de Notre-Dame. Sinos grandes com sons trovejantes e pequenos com sons de oração. Parecem divinos os sons dos seus sinos. Os sons de Notre-Dame.

Notre-Dame era uma catedral magnífica. Uma fortaleza para aqueles que a mirassem com maldade no coração e um santuário para quem a mirasse com fé e amor.

Milo não podia estar mais impressionado.

Nunca antes entrara em uma igreja, o que dirá uma catedral. Agora se sentia assombrado por tamanha beleza numa das várias Casas do Senhor.

Suas janelas eram adornadas com vitrais ricos e coloridos. Todos mostrando passagens das Escrituras Sagradas com tamanho carinho que era impossível não se envolver com o que era mostrado.

As paredes altas expressavam a imponência da construção, passavam uma mensagem clara. Aos fiéis daria a proteção e aos infiéis o medo de seu tamanho e poder.

Estatuas adornavam paredes e pequenos salões, onde residia os santos e anjos da fé cristã.

Duas estatuas chamaram a atenção de Milo. Não dentro da catedral, mas fora dela.

Duas estatuas de anjos guardavam as entradas de Notre-Dame. Mirando quem saia e quem entrava num misto de carinho e inquisição.

¬ Mestre Dégel. – Milo chamou um tanto curioso. – É normal estatuas se mexerem?

¬ Do que está falando Milo? – volveu o pequeno nobre mirando as estatuas que haviam prendido a atenção do maior. – Estatuas não se mexem, nem mesmo as de anjos e santos.

¬ Acho que você está cansado, Milo. – sugeriu Kardia. – Andamos o dia todo pela cidade. Fomos na futura escola do Dégel, fomos na futura faculdade, fomos no palácio do Rei e viemos a Notre-Dame pedir benção. Você deve estar vendo coisas e é noite, as sombras enganam.

¬ Não, Mestre Kardia! – disse apontando para as estatuas de anjo. – Elas se mexeram! Estavam olhando para nós incrédulos, como se não acreditassem em algo!

¬ Concordo com Kardia, Milo. – disse Dégel com uma expressão um tanto assustada. – Você deve estar cansado.

¬ Eu não fico cansado! Eu não fico com fome! Eu não fico com sede! – teimou. – Eu juro! Elas se mexeram, Mestre Dégel!

¬ Milo. – disse Kardia também começando a ficar assustado. – Acho melhor irmos embora. Não duvidamos de você, mas quando começamos a ver demais, é bom rezar e acender uma vela e não ficar tentando ver de novo.

¬ Coisas ruins acontecem se eu teimar? – perguntou um tanto inocente.

¬ Talvez. – disse Dégel puxando Milo pela mão para longe da catedral. – Pode ser um sinal de Deus, mas também pode ser de outra coisa. Vamos pra casa, rezar e acender uma vela. Depois vamos dormir e vir nos confessar amanhã, tudo bem?

¬ Se Mestre Dégel acha ser o melhor. – respondeu. – Então irei atender.

Os mais novos acenaram e começaram a caminhar com Milo de volta para a carruagem.

Paris era uma cidade bela como nenhuma outra durante o dia, mas era uma cidade tão perigosa como qualquer outra durante a noite.

Ouviram o relinchar desesperado de cavalos e o bater irritadiço dos cascos misturados a risada de ébrios.

Milo apenas puxou os dois menores para trás de si e assumiu uma postura de proteção, sentia que aquilo não ia acabar bem.

¬ EI!! – gritou com os homens que mexiam com os cavalos. – O que pensam que estão fazendo?! Deixem os animais em paz!

¬ Ora... Ora... Ora... – aqueles homens fediam a bebida e pelas roupas advinham de berço nobre. – O que temos aqui...? Dois projetos e um criadinho...

¬ Por favor. – disse Milo um pouco mais paciente. – Deixem os animais em paz e deixe-nos ir para casa. Está tarde.

¬ E porque ficaram na rua até tarde...? – os homens riram.

Dégel tampou o nariz com o bafo de álcool e fumo vindo daqueles homens, o que não passou despercebido.

¬ O que foi moleque? – um deles se aproximou de cara fechada. – Alguma coisa não te agrada?

¬ Deixa-o em paz! – Kardia se colocou a frente de Dégel com o olhar venenoso.

¬ O bastardinho late! – os bêbados riram outra vez. – Vamos ver se ele continua a latir?

¬ Não toque neles! – Milo estava com a respiração entrecortada tamanho era seu ódio naquele momento. – Deixe-nos ir embora ou não garanto que saiam ilesos dessa discussão.

Dégel e Kardia arfaram ao verem uma navalha saltar da mão do homem mais próximo. Ele sorria e continuava a segurar a garrafa de bebida, algum vinho barato qualquer.

¬ Tem certeza que quer comprar esta briga criadinho? – perguntou o homem um tanto cambaleante.

¬ Vou pedir pela última vez. – disse Milo. – Deixe-nos ir.

O homem apenas riu para seus colegas e avançou em um rompante.

Milo agiu totalmente por instinto, sentindo algo queimar dentro de si.

Agarrou o braço do homem e o torceu, a navalha foi solta.

Empurrou o peito do homem com o ombro e o abraçou. Torceu o corpo e se jogando no chão. O homem nem teve tempo de ver como foi parar no chão com peito e pescoço doendo.

Milo se ergueu com um impulso a tempo de ver outro homem vindo pra cima de si com outra navalha.

Desviou a navalha de seu rosto por milímetros ao empurrar o braço do homem e o agarrou, jogando-o por cima de seu ombro.

O terceiro não tentou atacá-lo, muito pelo contrario, avançou sobre Kardia e Dégel. Os dois estavam distantes, não daria tempo de alcançar o homem.

Milo apenas apanhou a navalha que fora largada pelo primeiro homem e a atirou com toda força que tinha.

O terceiro homem bateu com força contra a carruagem, chegando a quebrar um dos vidros. A navalha em seu pescoço fazia o sangue esguichar.

¬ O que você fez?! – os outros dois entraram em pânico.

Milo não se arrependeu do que fez.

Estava defendendo seus Mestres, estava defendendo aqueles que mais lhe importavam.

Mas nem por isso deixaria que o homem morresse.

¬ AIDER!! – Milo gritou e foi até o homem, tentando conter seu sangue. – AIDER!! AIDER!!

Os companheiros do homem fugiram no mesmo instante.

Milo continuou a gritar enquanto Kardia e Dégel batiam nas portas das casas e nos portais de Notre-Dame.

Quando a ajuda enfim chegou já era tarde demais.

Milo apenas cerrou os olhos daquele homem e baixou a cabeça em respeito.

¬ Requiescant in pace. – desejou se afastando do corpo e mirando as mãos sujas de sangue.

Logo mais a noticia se espalhou e os guardas apareceram para levá-lo.

A Bastilha não era nada do que ouvira falar.

Para a população parisiense a prisão tinha a imagem da antiga masmorra, das solitárias, das torturas, das chibatadas, das celas subterrâneas escuras e insalubres com seus prisioneiros acorrentados e famintos.

Qual não foi a decepção, e alivio, de Milo quando se deparou com apenas sete presos inofensivos ocupando as celas, sendo que quatro deles eram falsários.

¬ O que fizera para estar aqui rapaz? – perguntou um homem.

¬ Matei um homem para defender meus Mestres. – respondeu coçando a nuca. – E o senhor?

¬ Escrevi algumas verdades sobre a nobreza e não agradei. – o senhor apenas dera de ombros.

Milo não falou mais nada, mas tinha que admitir que ficara curioso quanto ao que aquele homem teria escrito.

Não saberia definir quanto tempo havia se passado, mas já devia ser manhã, pois suas visitas estavam bem vestidas e visivelmente banhadas.

¬ MILO!! – Kardia e Dégel correram até sua cela.

¬ Mestre Kardia. Mestre Dégel. – o maior sorriu. – O que fazem aqui? Aqui não é lugar para vocês estarem.

¬ Não fale besteiras! E não me chame de Mestre! – brigou Kardia. – Estamos preocupados com você! Os guardas nos interrogaram e nos levaram para casa, mas não quiseram falar nada sobre você, ao menos para nós, porque com o avô do Dégel todo mundo quis falar!

¬ Sua Graça os trouxe aqui? – foi a única explicação que encontrou.

¬ E não só trouxe como também vim negociar sua soltura. – o homem adentrou o lugar como se não passasse de mais um cômodo de sua casa. – Agradeço o que fizera por meu neto, mas entenda que sua situação é difícil. O homem que matara era filho de um nobre, se eu não conseguir soltá-lo é muito provável que seja condenado à morte.

¬ Compreendo. – respondeu bastante conformado. – Obrigado ainda sim, Sua Graça.

Milo não se abalara com a ameaça de morte, afinal, nem mesmo era vivo direito.

¬ Milo. – chamou Kardia quando tiveram que ir embora. – Vamos te tirar daqui de qualquer jeito.

¬ Agradeço seu apreço, Mestre Kardia. – sorriu gentil. – Mas vivo entre os homens, serei julgado por homens e condenado por homens. Meu destino está na mão dos homens.

¬ Não devia confiar tanto assim nos homens, Milo. – disse Dégel agarrando o braço de Kardia para puxá-lo.

¬ Mas meu destino ainda está na mão deles. Confiando ou não, serão eles quem me condenarão ou absolverão. – sorriu e viu os dois partirem.

Kardia e Dégel queriam e muito acreditar na liberdade de Milo, mas sabiam tão bem quanto qualquer adulto que essa liberdade não existia.

Morte por decapitação.

Esse fora o veredito.

O avô de Dégel tentara tudo para livrar Milo, mas nada dera certo e sua condenação fora dada por homens nobres em um tribunal.

¬ Algum último desejo? – perguntou o juiz.

Milo estava acorrentado, o olhar sereno e a expressão calma.

¬ Gostaria que me deixassem partir por dois dias. – declarou em alto e bom som.

O lugar se encheu de murmúrios e protestos, aquilo era um absurdo.

¬ Silencio! – o juiz apenas bateu seu martelo. – E porque devemos lhe conceder tal desejo?

¬ Meu Mestre me deu uma tarefa muito importante e eu gostaria de cumpri-la antes de pagar por meu crime. – respondeu simplesmente.

¬ E qual seria a garantia de que você voltaria? – volveu o juiz.

¬ Minha palavra. – respondeu.

Os presentes começaram a rir. Ninguém colocaria fé nas palavras de um assassino.

¬ Eu fico no lugar dele! – Kardia se levantou no meio das testemunhas, o olhar nunca estivera tão determinado. – Eu acredito nele! Eu fico no lugar dele e serei executado no lugar dele se necessário!

¬ Eu também, meritíssimo. – Dégel também se levantara inspirado pelo azulado.

¬ Dégel! Kardia! Sentem-se agora e peçam desculpas! – repreendeu Krest.

¬ Non! – responderam os meninos. – Temos 14 anos! Sabemos muito bem o certo e o errado! Já sabemos pensar por nós mesmos e tomar nossas decisões! E vamos ficar no lugar do Milo até ele voltar!

Depois dessa frase os dados foram jogados e as apostas foram feitas.

Ninguém acreditava que Milo voltaria.

E essa dúvida começava a assombrar os dois garotos que se ofereceram para ficar em seu lugar.

Amavam Milo.

Mas temiam a morte como qualquer ser vivo.

¬ Kardia. – chamou o mais velho. – Será que o Milo vai voltar mesmo?

¬ Me recuso a acreditar que está duvidando dele! – rebateu largando as grades e mirando o outro indignado. – Milo nos deu sua palavra! Ele vai voltar!

¬ Mas já fazem dois dias Kardia. – a morte assusta. – Em dois dias ele poderia ter ido a um porto e pegado um barco. Em dois dias ele pode ter se escondido em outras cidades ou povo. Em dois ele pode ter ido pra tão longe que não dê tempo de voltar.

¬ Ele. Vai. Voltar! – rebateu irritado, agarrando o braço do outro com força. – Se tinha tanto medo porque não ficou na casa do seu avô? Na sua cama quente e macia! Porque veio pra cá comigo?

¬ Está me machucando, Kardia. – respondeu abaixando a cabeça. – E eu ainda preciso dizer o porquê de vir? É o Milo, Kardia! É você! Essas são as razões deu estar aqui com você!

Kardia o largou apenas quando notou o quão vermelho estava seu braço. Afastou-se e voltou a agarrar as grades da cela.

Horas se passaram e a situação não parecia melhorar.

Estavam deitados na cama de palha sem conseguir fechar os olhos. Milo ainda não voltara e a execução era logo ao amanhecer.

¬ Já vai amanhecer. Em breve virão nos buscar. – comentou Kardia encostado na parede com o olhar perdido.

¬ Ainda acredita que Milo esteja a caminho? – perguntou Dégel se virando para encará-lo.

¬ Piamente. – respondeu. – Está com medo? – perguntou depois de algum tempo.

¬ E você não? – volveu. – Amo o Milo como a um irmão. Mas isso não me impede de sentir medo.

¬ Morrer será uma incrível aventura. – comentou Kardia.

¬ Porque não me surpreendo com isso vindo de você? – respondeu.

¬ Mas... – chamou a atenção do mais velho. – Quero viver uma aventura antes de me aventurar na morte.

¬ O que? – perguntou curioso.

Dégel não teve tempo de ver, apenas de sentir.

Os lábios de Kardia cobriram os seus com cuidado, quase medo, e se afastaram não muito depois.

Voltou a unir as boca, dessa vez com mais coragem e avidez. Chegando a infiltrar a língua morna na boca quente do outro, que começou a se tornar mais participativo.

Separaram-se apenas pela falta de ar. O coração batendo forte no peito, quase atravessando os ossos.

¬ Agora morrer será uma incrível aventura. – Kardia sorria de leve.

¬ Mas viver juntos também seria uma incrível aventura. – volveu Dégel sorrindo um pouco mais abertamente.

A manhã chegou de forma lenta, tingindo o céu de vermelho sangue.

¬ Milo, servo da Casa de Aragon e da Casa de Wyvern, será decapitado em requerimento de seus crimes nesta manhã do ano de 1780 de Nosso Senhor Jesus Cristo. – anunciava o carcereiro-chefe. – Por cometer o crime de assassinato do Marques de Auer terá seu encontro com Nosso Senhor Deus Pai apressado. Que os céus tenham piedade de sua alma e daqueles que deixara morrer em seu lugar.

Kardia e Dégel estavam esperando atrás no palanque feito para exemplificar suas mortes.

O azulado sentiu sua mão ser segurada com força e encarou o menino ao seu lado.

¬ Morrer será uma incrível aventura. – Dégel lhe sorriu carinhoso.

¬ Mas viver juntos também seria uma incrível aventura.– volveu Kardia sorrindo em resposta.

Apertou a mão do mais velho com igual carinho e gentileza, desde que estivessem juntos estava tudo bem.

Logo levaram os dois a frente do povo que viera assistir. A única figura de destaque na multidão era Krest, o avô de Dégel, seus criados e guardas que trouxera consigo.

Foram postos de joelhos e empurrados para frente.

Os carrascos pararam de afiar seus machados e agora se posicionavam ao lado dos dois garotos, apenas esperando o sinal.

Jogaram o peso do machado para trás, prontos para descer as laminas contra os dois garotos, que se miravam intensamente.

¬ PAREM!! – uma voz soou ao longe.

Kardia e Dégel se ergueram na mesma hora.

Milo fazia o cavalo se esforçar ao máximo.

As narinas do animal estavam dilatadas e sua respiração era ouvida de longe. Milo parecia tão desesperado quanto, jogando o corpo para frente e gritando com os oficiais.

¬ Parem! Eu voltei! – pulou no cavalo e subiu o palanque, apontando acusativo para os carrascos. – Abaixem as armas e soltem meus Mestres!

Não precisou dizer uma segunda vez.

¬ Milo! – os dois garotos voaram para seus braços.

¬ Mestre Kardia! Mestre Dégel! Graças a Deus! – ele vasculhava os dois, procurando sinais de que lhes fizeram mal. – Vocês estão bem?

¬ Ótimos. – sorriram para o maior, sorrisos que morreram pouco depois ao se lembrarem do que estava por vir. – Mas Milo...!

¬ Não. – os cortou no mesmo instante. – Eu vou pagar. Não vou fugir. Fiz o que tinha de ser feito.

Fez um leve carinho em seus cabelos e se afastou com um leve sorriso.

¬ Milo... – tentaram agarrar suas mangas em vão.

¬ Venham meninos. – o avô de Dégel os chamara para junto e pousou as mãos em seus ombros.

Milo se colocou de joelhos e inclinou o corpo para frente, deixando o pescoço bem a vista do carrasco ao tirar o longo cabelo dourado da frente.

Enquanto o carcereiro-chefe voltava a proclamar o discurso, a população cochichava entre si, bem próxima dos ouvidos dos garotos.

¬ Ele não foi o homem que foi cumprir uma tarefa pro Mestre dele?

¬ Dizem que ele teve como último desejo a realização da tarefa.

¬ Então ele cumpriu com a tarefa e com a palavra, pois cá está ele.

¬ Que exemplo de lealdade!

Falavam e falavam, mas nada faziam.

¬ VÃO MESMO MATAR PESSOA TÃO LEAL?!

Uma voz de homem protestou em meio a multidão em alto e bom som, excitando a mente das pessoas, fazendo-as pensar.

¬ É CERTO MATAR ALGUÉM QUE POSSUI UM SENTIMENTO TÃO DURADOROURO?! – outra voz de homem se uniu à primeira.

O povo começou a murmurar mais alto, chegando a entrar em acordo com quem falava.

¬ LEALDADE NÃO SE COMPRA COMO CARGOS!! – uma mulher próxima de Dégel bradou.

¬ PESSOAS LEAIS SÃO AQUELAS QUE EM MEIO A QUALQUER SITUAÇÃO PERMANECEM AO LADO DE QUEM LHE VALE!! – disse um pequeno grupo mais atrás.

¬ VÃO MATAR, DESTRUIR, TAMANHO EXEMPLO?! – as duas primeiras vozes ainda desconhecidas se manifestaram novamente.

¬ LIBERTÉ!! – bradou alguém na multidão.

Foi o que bastou para um pequeno tumulto se formar.

Soldados começaram a sair da Bastilha na esperança de conter o povo, antes que as ideias se tornassem ainda mais absurdas.

Dégel e Kardia foram puxados para longe, mas ainda conseguiam ver o que se passava.

O povo não avançava, mas também não recuava. Apenas fazia uso de sua voz para intimidar e conseguir o que queriam.

¬ LIBERTÉ!! – bradava o grupo de forma quase rítmica. – LIBERTÉ!! LIBERTÉ!!

Uma carruagem bastante rica se aproximou e abriu suas portas. Dela saio um homem de postura invejável e parecido com Unity e Serafina.

¬ O que meu filho faz de volta tão cedo? – comentou Krest com simplicidade.

O homem subiu no palanque e ficou apenas esperando ser notado e aquele tumulto se dar por encerrado.

Notado pelo povo ele não fora, mas fora pelos oficiais.

¬ Lord Garcia! – o carcereiro-chefe e alguns poucos soldados se curvaram respeitosos.

¬ Mas que algazarra é essa? – indicou a cena com um meneio.

A população se opunha ferozmente aos soldados cada vez mais preocupados com uma reação mais violenta.

¬ O povo não quer que façamos o cumprimento da lei. – se apressou em responder.

O homem olhou rapidamente para os carrascos, o olhar tão frio quanto o gelo.

¬ Quem será executado? – perguntou.

¬ Aquele homem. – apontaram.

Milo continuava ajoelhado, não mais inclinado, apenas observando o desenrolar com curiosidade.

¬ Então retirem a acusação. – declarou o homem, agora sim, chamando a atenção de todos e fazendo o povo se calar. – Este jovem partira para falar comigo em Versalhes e logo em seguida voltou para socorrer os inocentes que ficaram em seu lugar.

¬ Mas Lord Garcia...! – tentaram discutir.

Com um único gesto de mão o homem os calou.

O silencio reinava e a expectativa pairava no ar ao aguardo do veredito.

¬ Por ordem de sua majestade, o Rei. – conclamou com a voz poderosa. – Milo, servo da Casa de Aragon e da Casa de Wyvern, está perdoado por todo e qualquer crime que tenha cometido. – o povo voltou a murmurar bastante animado. – Por demonstrar tamanha lealdade para com seus Mestres merece a vida mais do que qualquer outro.

O mais velho apenas aproximou-se de Milo e estendeu-lhe a mão com um sorriso discreto no rosto, admirando sua coragem e lealdade em voltar.

¬ Levanta-te homem. – declarou quando Milo apanhara sua mão. – És livre e inocente. Fez o que fez por lealdade e amor. Merece os respeitos até mesmo de nosso amado Rei.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3