Frankenstain

3 Primavera de 1776


Notas iniciais
Essa iluminação, essa inspiração divina tá muito boa, pena que ela acabou aqui XP Boa leitura :)

Estava sentado na grama verde do pequeno pasto, ao seu redor tinham alguns ovinos se alimentando ou descansando sob o sol. Encostado em seu ombro havia um simples cajado para guiar os animais e em suas mão haviam as mais variadas flores, ele as prendia juntas pelo caule e assim ia tecendo uma pequena coroa.

Ao longe os filhos de seu criador e o pequeno criado da casa se divertiam com o dia límpido.

A menina colhia flores com um sorriso no rosto juvenil, ela também tecia sua própria coroa de flores, mas aquela era para ser posta do túmulo de sua amada mãe. Mais a direita, sobre a sombra de uma enorme macieira, o menino estava sentado na raiz enquanto lia um livro em voz alta e o jovem criado o escutava com atenção do alto dos galhos, onde colhia seus frutos em uma cesta ou comia a maioria do que colhia com todo o gosto do mundo.

¬ M-Milo...

Tinha acabado de trançar uma rosa branca na coroa, aquela seria a principal "joia", e se virou para ver quem o chamava, surpreendeu-se ao ver de quem se tratava.

A jovem empregada estava de cabeça baixa e com o rosto muito corado, as mãos juntas ao peito estavam mais pálidas que o normal e suavam frio. Ela parecia bastante receosa de todos os atos e seu temor era evidente.

¬ Srta. Sasha. — sorriu, não lembrava da última vez que a jovem lhe dirigiu a palavra. — O que deseja?

¬ P-Pode me acompanhar até a cidade? — a jovem mordeu o lábio nervosa e se apressou para explicar. — Preciso fazer compras e Alone está ocupado demais concertando o telhado. Então só me restou você.

Sabia que ela só estava o chamando por não ter outra escolha. Como é que era mesmo o conto? Mil vezes que estivesse chovendo a ter que dormir no escuro?

Entretanto, a verdade é que ela tinha escolha sim. A jovem podia muito bem ir sozinha para a cidade, não haviam perigos para uma moça em pleno dia, mas pensar em chamá-lo era uma evolução grandiosa e considerável.

Merecia toda a atenção.

¬ Claro. — terminou de trançar a última flor na coroa. — Mestra Natassha!

A menina virou-se fazendo um sinal de aguarde, deixou sua coroa pela metade sobre uma pedra e correu em sua direção pouco depois. Quando chegou perto o bastante do maior, este a coroou e sorriu travesso para menina levemente corada. E esta, por sua vez, tocou a coroa com delicadeza e com um lindo sorriso adornando a face.

¬ Que lindo, Milo. Obrigada!

¬ Não há de que. Aliás, poderia entregar o cajado de pastoreio para Mestre Kardia, por favor? — a menina apanhou o cajado e sorriu-lhe uma última vez antes de sair correndo até os meninos.

Viu ela mostrar toda feliz a coroa que tinha ganho e encostar o cajado junto a árvore enquanto parecia repreender o jovem empregado, deu um sorriso com o peculiar trio. Logo depois se virou e encontrou uma Sasha surpresa.

Ela observara o desenrolar daquela cena totalmente desnorteada e sem saber o que falar ou fazer. Não sabia que Milo era capaz de tanto carinho e delicadeza, mesmo sendo um monstro, como ela e o irmão tinham concebido.

¬ Vamos? — questionou, trazendo-a de volta ao presente.

A jovem deu um soluço e apenas acenou em concordância.

Cada um tomou um caminho antes de se encontrarem, a moça foi buscar o dinheiro na casa e ele foi para os estábulos a fim de prender um dos cavalos aos reios da carroça e deixar tudo pronto para sua saída, como sempre fazia antes de Alone ir para cidade.

Nunca antes saíra das terras de seu criador, então estava muito ansioso por estar indo a uma cidade pela primeira vez. Ficava imaginando como seria essa experiencia tantas vezes relatada pelo jovem Kardia, imaginava um lugar colorido e impressionante que, como uma rosa, tinha alguns perigos bem escondidos.

E mesmo deixando sua imaginação correr, não deixou de notar o nervosismo palpável da jovem ao seu lado.

Ela estava quase caindo do banco da carroça por tentar manter uma distancia hipoteticamente saudável e não tão ofensiva, permanecendo de cabeça baixa com leve tremor nas mãos que não paravam de torcer os dedos.

Suspirou.

Ainda era um monstro aos olhos da garota.

¬ Eu não mordo, Srta. Sasha. — comentou depois de longo silencio, o que a assustou. — Não precisa ficar tão longe.

A jovem corou mais do que acreditava ser possível. Morria de medo dele. Ainda mais por saber que o braço quebrado de Kardia era culpa dele, mas não conseguia deixar de se ver em conflito.

A todo o momento via que Milo não era humano. Ele não precisava comer, beber ou dormir, era absurdamente forte e rápido, aparentemente não sofria com intemperes e machucados não passavam de arranhões. Ele não era humano.

Porém, ele se comportava como um humano e sempre provava que era mais do que aparentava.

A empregada queria conversar com ele ao menos uma vez como pessoas “normais”, ele não podia ser tão ruim quanto o seu Mestre pregava. Só que seu medo sempre era maior e raramente sua razão triunfava.

¬ Desculpe-me, Milo. — o conflito em sua mente machucava e ela podia ver isso. — Mas é que... que... O fato de você não ser humano é o que mais me dá medo, Milo. — confessou. — Eu tenho medo do que você é e do que é capaz de fazer.

Outro suspiro escapou de seus lábios.

¬ Eu sei que não sou humano, Srta. Sasha. — respondeu desanimado. — Sei que sou perigoso e que não deveria existir, mas já que eu existo, eu quero tentar fazer algo de bom. Eu quero fazer a minha existência valer a pena, apesar de desconhecer o porquê de continuar vivo.

O restante da viagem foi silencioso, com exceção dos sons emitidos pelo cavalo e pela carroça, é claro; além das instruções da jovem para que não se perdessem no caminho.

Por fim chegaram ao tão aguardado destino.

Estava maravilhado com a cidade.

Já tinha ouvido, e muito, seus pequenos mestres falarem das cidades, mas aquilo era muito mais do que imaginava. Precisou disfarçar seu entusiasmo para não soar estranho às pessoas dali, porém o brilho em seu olhar denunciava sua curiosidade infantil e a admiração juvenil.

A jovem empregada o deixou responsável pela compra de mercadorias mais pesadas e que ela não tinha força ou condições de carregar, como os sacos de farinha e grãos. Enquanto que ela se responsabilizou por mercadorias mais leves, como frutas, temperos e leveduras.

Tinha que se policiar para agir normalmente quando realizasse uma compra e não se comportar como se tudo fosse a coisa mais extraordinária do mundo. Tinha que se conter para não envergonhar a jovem Sasha quando estivessem juntos, sem se comportar como uma criança louca para sair correndo e ver tudo o que fosse possível.

Andar na cidade estava sendo muito complicado, mas, ao mesmo tempo, estava sendo muito divertido.

Cada um tinha cerca de quarenta táler's, mais do que o suficiente para pagar as mercadorias necessárias e ainda folgar. Porém, o mundo em que viviam estava em constante mudança e isso incluía a economia instável das especiarias. Mercadores viviam alterando seus preços e eles nunca eram os mesmos.

Não sabiam dizer quem fazia mais caro. O português que se aventurou pelo Cabo das Tormentas, enfrentou o gigante Adamastor e ainda se aventurou na Ilha dos Amores. O italiano galanteador que apenas as recebeu com um sorriso e distribuiu com um sorriso maior ainda. Ou o comerciante estrangeiro, vindo de terras longínquas com sua mercadoria e um mal humor anormal para qualquer ser.

¬ Ei! — gritou o homem baixinho e gordo. — O preço aumentou e isso aqui não paga nem metade! — ele atirou as moedas ao chão com desprezo. — Estava me roubando?!

Sasha estava assustado com o comportamento repentino do homem. Tinha acabado de comprar açúcar e pimenta, duas especiarias caras da quais seu Mestre e filhos gostavam. Não sabia que o preço tinha aumentado, fazia tempo que não ia à cidade.

Tentou argumentar, falar que voltaria logo com a quantia certa, no entanto, um forte tapa calou a voz que mal fora emitida. A jovem foi erguida do chão pelo colarinho de seu vestido, o que causou alguns rasgos no mesmo, continuou a ser esbofeteada e xingada. Não conseguia falar, o homem não lhe deixava falar.

A multidão se reunia a sua volta, alguns cochichavam maldades, outros pêsames e outros ficaram assustados ou curiosos. Todos ali a conheciam, mas ninguém se prontificava em ajudá-la, ninguém ali gostava de mexer com mercadores estrangeiros.

Sasha sentiu ser solta. Estava jogada de qualquer jeito no chão, machucada e completamente humilhada, nunca passara tamanha vergonha na vida. Quando ergueu o olhar, só viu uma mão vinda em sua direção.

Serrou os olhos com força.

O que esperava não veio.

Precisou de coragem para reabrir os olhos e presenciar algo que a marcaria pelo resto da vida.

Milo tinha erguido o homem do chão com apenas uma mão. O mercador se debatia em busca de ar, mas Milo não folgava em nada seu aperto, apenas o olhava com olhos injetados.

¬ Eu não faria isso de novo se fosse o senhor.— rosnou furioso.

Soltou o homem e se abaixou ao lado de Sasha. Segurou seu rosto com uma delicadeza que não lhe era normal e examinou-o meticulosamente com um olhar triste e culpado, como se estivesse pedindo perdão.

¬ E quem é você?— questionou o mercador em meio a tosse. – É amigo dessa ladrazinha?

Milo ergueu-se. Aproximou-se vagarosamente do homem, todo o seu ser e postura possuíssem um ar de ameaça, a diferença de tamanho e poder entre Milo e o mercador baixinho era gritante.

Se Milo quisesse, poderia matá-lo em instantes.

¬ Sou.— sua voz era profunda, aumentando ainda mais o ar de ameaça. – Mas ela não é uma ladra.— ditou firme, examinando o homem dos pés à cabeça. – O senhor deve ser de fora. Se fosse daqui saberia que ela com certeza pediria desculpas e voltara com a quantia certa em menos de cinco minutos, como a vi fazer muitas outras vezes em que os preços aumentaram.— afirmou, mesmo que um pedacinho de nada fosse mentira; nunca viu Sasha ir buscar dinheiro, só sabia disso porque Kardia lhe contava. – Mas já que o senhor não acredita nela...

Milo tirou um colar de seu pescoço, sendo a corrente e o pingente de ouro. O mesmo colar e pingente ganhos do viajante cuja roda da carroça tinha estourado.

Quebrou um pedacinho da corrente e o atirou no rosto do homem. Amarrando o restante da liga no braço e guardando o pingente junto ao peito.

¬ Fique com isso.— recolhia as moedas desprezadas enquanto o homem examinava a pequena liga com os olhos brilhando de ganância. – Imagino que paga todo o gasto.— pegou Sasha no colo, mandou um último olhar macabro para o homem e deu-lhe as costas. – Nunca mais voltaremos aqui. Com licença.

A carroça não estava longe. Já estava carregada com tudo o que precisavam.

Milo deixou Sasha na parte de trás, recostada a lateral e com seu casaco cobrindo a jovem, uma maneira que ele encontrou para que ela escondesse sua vergonha.

¬ Milo...— tentou chamá-lo.

¬ Shhh...— ele posou o dedo indicador sobre os próprios lábios. – Você está bem?— confirmou; ele agora a olhava magoado e preocupado, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha da jovem. – Aquele maldito bateu-lhe com força... Pra que? Por causa de moedas?— seu tom era uma mistura de ódio e tristeza. – Isso é horrível. Espero que se algum dia eu for humano, eu não fique assim.

Milo subiu na carroça e bateu as rédeas, fazendo o animal andar. Bateu novamente para que ele trotasse. Queria chegar logo às terras de seu criador para que este pudesse examinar a jovem.

¬ Milo...— pronunciou-se depois de algum tempo. – O seu colar... ele...?

¬ Eu ganhei como pagamento de um serviço.— explicou sem muito interesse, lembrando-se do dia em que o estranho viajante apareceu. – Não me incomodo de despedaçá-lo se isso for poupar a senhorita de alguma humilhação como aquela. Eu já não gostava de mercadores estrangeiros quando Mestre Kardia falava deles. Agora, não gosto de mercadores estrangeiros por causa disso, ainda mais se todos forem assim. Se só pensam em dinheiro, algo tão tolo, e são capazes de matar por uma misera moeda.— não via muito sentido em bens matérias, se para ajudar alguém ele precisava dar algo em troca, ele daria sem pensar, o que era um bem material para quem supostamente não era vivo e não tinha alma? – O dinheiro é uma droga para eles, não podem viver sem.

A conversa deu-se por encerrada.

Milo nunca tinha entrado na casa. Não lhe era permitido.

Então, quando encontrou Kardia cuidando das ovelhas, pronto para levá-las aos estábulos, pediu que o guiasse até seu criador o mais rápido possível. O menino só precisou olhar para a jovem com o rosto e braços feridos no colo do maior para disparar em busca de seu Mestre.

Pela primeira vez, Milo pode entrar na casa.

Subiu correndo as escadas, logo atrás de um Kardia desesperado. Agora estava no que seria o escritório de seu criador.

¬ Mestre! Mestre!— Kardia praticamente arrombou a porta para abrir passagem.

¬ Kardia! Quantas vezes eu...?— o homem estava pronto para repreender o menino quando percebeu o porquê daquilo. — S-Sasha?! O que...? Seu...

Milo já tinha depositado a jovem no pequeno divã que havia no escritório quando sentiu algo bater em seu rosto, um latejar e um zunido incomodo nos ouvidos.

Ele quis devolver o soco, mas assim ele não seria melhor que seu criador. Apenas deu espaço para o homem trabalhar. A única coisa que Milo dignou-se a mandar para seu criador foi um olhar venenoso, mas ainda sim velado.

¬ Não!— Sasha se adiantou, antes que o mais velho batesse em Milo novamente. – Mestre, por favor, não! Não foi culpa dele! Seria pior se ele não tivesse me ajudado!

O homem dirigiu-lhe um olhar indignado. Primeiro porque naquela casa ninguém grita além dele. E segundo porque ele não entendia como Milo não foi o culpado por aqueles machucados.

¬ Explique.

¬ Milo se provou mais honrado do que homens supostamente honestos.— ela contorcia o rosto de leve, os machucados doíam. – Eu estou assim porque faltaram moedas no pagamento de duas mercadorias. O comerciante não me deixou ir atrás de Milo para pegar mais e me bateu.— a jovem agora chorava com a lembrança de como fora humilhada por um estranho. – Se não fosse por Milo, tenho certeza de que teria sido muito pior.

O mais velho ficou ali, mirando a jovem, vendo a verdade refletida nos olhos juvenis. Pode-se ouvir um pequeno rosnado saído do dono daquela casa, porém, o motivo de seu profundo ódio era desconhecido.

¬ Retirem-se.

Kardia foi tão rápido na hora de sair, como na de entrar. Milo, no entanto, ainda demorou-se um pouco ali, pedindo mais desculpas com o olhar para Sasha. Sentia-se um tanto culpado por tê-la deixado sozinha, tinha certeza que isso não aconteceria se ele estivesse por perto. Apesar de ver no olhar dela que já estava perdoado por qualquer que fosse o crime.

Sua mente tinha dado um nó. Honrado? O que era isso? Já ouvira Mestre Dégel falar disso, mas não sabia bem o que era.

Precisava de um lugar calmo para pensar e de onde poderia ver se Sasha estava melhor. Ele escalou o telhado e ficou sentado ali, acima da janela da cozinha.

O céu estava tão bonito. O céu só era mais bonito do que aquilo ao amanhecer.

Na cozinha, dois meninos discutiam e logo o mais velho saio, olhando desanimado para o telhado e pousando os óculos no batente da janela. O outro estava ocupado com um serviço que já devia ter feito há muito tempo e agora era ele quem estava tendo que fazer loucuras, enquanto ouvia o Sr. Alone repreender Kardia por não ter cumprido com sua tarefa mais cedo e Srta. Sasha tentar acalmá-lo.

Suspirou. Pobre Sr. Alone. Estava desesperado com a irmã, mas não era louco o bastante para entrar no escritório do Mestre exigindo respostas e nem de ficar pressionando-a pelas mesmas respostas. Só tinham um ao outro, a preocupação era justa.

Voltou a encarar o telhado. Vendo um par de pernas balançando displicentemente em sua beirada.

¬ Por que o telhado?— comentou em um muxoxo.

Milo não demorou a perceber a presença do menino escalando o telhado. Apenas o esperou chegar. Não pode evitar soltar um pequeno riso ao escutar os sinais de esforço do menor.

¬ Ufa!— ouviu e sentiu algo tombar ao seu lado, mas nem se preocupou em olhar. – E então?

¬ Então o que?

¬ Srta. Sasha me contou o que você fez por ela.— disse o menor. – Não vai falar nada? Nem mesmo cantar vitória?— negou. – Kardia está se corroendo de curiosidade na cozinha!— puderam ouvir o grito injuriado do outro lá embaixo, foi impossível não rir. – Eu bem que falei para ele cortar aquelas batatas mais cedo...

Mais risos e silencio.

O céu estava tão bonito. Era difícil acreditar que tamanha beleza pudesse existir.

¬ O que é honra, Mestre Dégel?

¬ Honra?— questionou o mais novo, para logo em seguida rir; Milo saia com cada pergunta de vez em quando. – Bem, é um principio de conduta da pessoa que se comporta de modo virtuoso, corajoso e honesto, cujas qualidades são consideradas, socialmente, virtuosas.

¬ Então se alguém falar que você é uma pessoa honrada ela estará te elogiando?— era engraçada a forma com que ele tombava a cabeça em momento de duvida.

¬ Não só isso, como também te dando o título máximo perante a sociedade.— afirmou convicto de suas palavras. – Se você é uma pessoa honrada, você é automaticamente respeitado, pois os demais sabem que você é uma pessoa em que se pode confiar e espelhar o comportamento.— agora o olhava com curiosidade velada nas íris violáceas. – Mas porque a pergunta, Milo?

¬ Por nada.

O pequeno fechou a cara. Kardia o atazanaria por dias se voltasse para cozinha apenas com aquele “por nada”. Aguentar o azulado não era fácil, ainda mais quando ele estava curioso. Dégel merecia um premio em reconhecimento a sua santa paciência.

¬ Odeio quando você responde “por nada”.— tentou imitar a voz do maior só para irritar.

¬ Foi uma péssima imitação.— mas ao contrario do esperado, Milo riu.

¬ Idiota.— deu uma leve cotovelada nas costelas do maior e logo o estava acompanhando nos risos.

Ainda ficaram ali mais um tempo. O céu estava muito bonito.

E Kardia não parava de reclamar em como descascar batatas era chato, tirando risos de seus ouvintes.

¬ Bem, eu vou descendo.— afirmou o menor, já se dependurando na beirada do telhado. – Kardia deve estar comendo o próprio cabelo de curiosidade. Se me permite, usarei o seu “por nada”.— mais uma imitação mal sucedida antes de cair em segurança e entrar.

¬ Continua uma péssima imitação!— gritou para que fosse ouvido pelo menino que entrava na casa.

Soltou um pequeno riso.

Agora mirava o pingente que lhe fora dado. Jamais confessaria isso, mas doeu-lhe estourar a corrente e dá-la a aquele homem no mercado.

¬ Desce logo dai, Milo!— Kardia ainda estava na cozinha, mas nada lhe impedia de gritar com o maior. – Eu quero saber o que aconteceu!

¬ Vai ficar querendo, Mestre Kardia!— respondeu risonho.

¬ PARA DE ME CHAMAR DE MESTRE!!

Agora, não tinha viva alma naquelas terras que não risse do pequeno azulado e suas aflições.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3