Frank - O Caçador 1ª Temporada

11 Mente Sã, Corpo São (Parte 1)


O odor fétido daquela fumaça amarelada ainda maltratava as narinas daquela mulher encurralada.

As brancas mãos gélidas, trêmulas e molhadas de suor frio tateando desajeitadamente a parede — à sua esquerda — do corredor semi-escuro. Seu nome era Olivia. O espaço ao seu redor parecia inclinar-se em vários lados, dando a impressão de estar subindo, caindo ou descendo. Ao menos era o que sua visão distorcida forçava-a a lidar. Seus molhados cabelos castanhos caíam-lhe sobre os ombros e alguns fios grudavam no suor da testa e do restante do seu branco rosto jovial. Sua respiração ofegante piorava a cada soluço de choro e lágrima caída. Sua mente não parava de repetir: "Alguém faz isso parar... alguém faz isso parar, por favor... por favor... por favor... alguém...".

Quando teve a impressão de reaver o equilíbrio, deu uns passos com segurança acelerando-os em seguida, quase sem precisar depender da parede para se apoiar. Sua visão periférica do lado direito a alertou automaticamente. Naquele lado estava uma mulher agachada cuja face era decrépita, cinzenta e apresentava órbitas oculares vazias com uma escuridão que se alargava dando impressão de serem maiores, além dos cabelos pretos esbagaçados e envelhecidos. Da sua boca golfava sangue fresco e pegajoso. Nas mãos segurava uma amálgama de órgãos vitais, sem ter como Olivia discernir se eram corações, rins ou fígados. Ela mostrava sua "coleção" como quem quisesse oferecer um presente, abrindo a boca que expelia mais sangue rubro.

Olivia gritara alto, correndo e afastando seu olhar daquela senhora assombrosa. Porém, foi barrada por uma aranha caranguejeira gigante cujas patas prendiam no teto, vendo os oito olhos a encararem fixamente. Ajoelhou-se chorando copiosamente com os olhos apertados, rendida ao seu desespero. Viu como única saída andar como um cão assustado, mantendo sua visão fechada e o pranto.

Ao bater a cabeça numa porta, reconheceu ser o banheiro. Ergueu a mão direita à maçaneta, abrindo.

Trancou-se sem esperar que alguém fosse resgata-la daquele pesadelo vívido. Acendera a luz, logo correndo a pia tirar as sanguessugas que mordiam suas mãos. Os bichinhos pretos e moles caíam no fundo através da água corrente, Olivia tirava-os um por um. "Eu vou te pegar... É por sua causa que ele está lá... ", pensou enquanto esfregava bem forte as mãos com sabão, depois dando uma olhada rápida no espelho. Seu rosto parecia o de alguém que não tinha dormido por semanas.

Quando voltou seus olhos para a pia, o baque foi instantâneo.

A água adquiriu uma coloração verde meio amarelado e um caráter efervescente. Ao remover suas mãos imediatamente, as lágrimas voltaram com nova força.

Olivia recuava alguns passos enquanto horrorizava-se com a carne de suas mãos profundamente corroída até os ossos da ponta dos dedos ficarem à mostra.

Emitiu um novo e intenso grito apavorado que ressoou até a rua escura.

***

A casa de Olivia estava ocupada de vários policiais que passavam o pente fino nos cômodos em uma busca esmerada por sinais do provável invasor que, segundo a vítima, a atacou borrifando um gás pútrido e amarelo de suas mãos que pareciam ter buracos no centro das palmas.

Os detalhes do caso estavam prestes a serem anotados por Frank que entrava de "penetra" com um olhar curioso, já sacando seu inseparável distintivo. Na sala de estar apresentou-se a um policial.

— Olá, DPDC. — disse, exibindo a insígnia. O policial assentiu amigavelmente, virando-se á ele. — Alguma outra informação que já não tenha sido repassada ao departamento sobre esse caso?

— Bem, ela se chama Olivia Madson — disse o policial checando o relatório preliminar -, ex-mãe solteira, batalhou pela guarda do filho e perdeu, abusando de álcool e drogas nesse meio tempo em que permaneceu reclusa. A propósito, deve ter visto uma van branca sair daqui agora há pouco. Certo? — indagou ele, olhando como se quisesse que o detetive confirmasse.

— Acho que cruzei com uma na rua... — disse Frank, o polegar esquerdo para trás, pensando no que viu — Espera, eu reconheceria aquele símbolo em qualquer lugar, foi de relance, mas deu pra captar. Aquele carro é do sanatório Eisenhauer. — falou, surpreso.

— Exatamente. — assentiu o policial — Como se não bastasse a ausência do filho, o irmão teve um surto de esquizofrenia, precisou ser internado às pressas. Depois de tanto receio, os tios acharam que a hora certa dele se tratar havia chegado. Isso a abalou, o que, segundo especialistas, pode ter desencadeado essa loucura que chegou ao limite. Não duvido nada vindo de psiquiatras e de loucos.

— Foi nesse mesmo sanatório...

— Que o irmão dela se suicidou. — disparou o policial, fitando o detetive com suspeita.

— Ele também?! — surpreendeu-se Frank — Foi um deles?

— Pior que ela ainda não sabe. É melhor assim, na minha opinião.

— Essa onda de suicídios... afetar até membros da família...

— Pelo que soubemos, só Olivia, única parente de um dos pacientes suicidas, foi afetada por esse maluco que solta gases alucinógenos. Como uma coisa que saiu de um lugar com segurança reforçada 24 horas vem parar numa casa justamente de um dos que se mataram? Tem muita coisa nessa história que não tá batendo. — confessou o policial, partilhando suas suspeitas.

"Pra mim não resta nenhuma dúvida.", pensou Frank, cogitando ligar para Carrie.

— A Olivia alucinou na noite de ontem. Os suicídios ocorreram há 5 dias. É um espaço de tempo curto demais pra deixar passar. — disse o detetive.

— O que pretende fazer pra solucionar? — perguntou o policial.

— Vou dar o meu jeito. — disse ele, vago — De repente, essas vítimas podem ter algo em comum. O idiota que fez isso talvez tenha um comparsa que esteja metido num plano de vingança.

— O Eisenhauer tem um banco de dados completo sobre eles, obviamente vai ter algo sobre o passado de cada um deles nas fichas. — informou o policial, dando um voto de confiança à investigação isolada de Frank.

— OK, assim espero. — disse ele, estendendo a mão direita para um aperto amigável — Muito obrigado pela atenção.

— Eu quem agradeço. — disse o policial, sorrindo de leve — Boa sorte na coleta de pistas.

Perto da soleira da porta foi para onde o detetive se enveredou para discretamente telefonar para Carrie. Deu uma rápida olhadela para trás a fim de se certificar de não estar sendo notado. Colocara no viva-voz em um volume moderado.

— Carrie? Tá fazendo o quê?

— Jogando Pac-Man enquanto as novidades não chegam. — disse ela, claramente mentindo — Brincadeira. Meus irmãos sempre me zoavam por eu sempre perder, então passei a odiar esse jogo tanto quanto odeio aquela tiração de sarro. E aí, o que conseguiu?

— A Olivia era parente de um dos suicidas. Só preciso saber a ordem das mortes, logo se o cara, o irmão dela, tiver sido o último, levando em conta o período de tempo entre as mortes e o ataque do Zeta contra ela... aí vamos confirmar que o desgraçado escapou só parar alvejar pessoas ligadas às suas vítimas.

— Esses carinhas são cheios de truques na manga. — disse Carrie, desconfiada — Mas como um Zeta escaparia? O sanatório tem segurança de fazer inveja a muitos presídios. Não podem ser dois? E por que dois Zetas estariam trabalhando juntos? Vo-você confirmou várias vezes, eles agem individualmente, não é possível que... ai, estou me sentindo cansada, não tô pra teorias hoje.

— As respostas pra essas e mais perguntas eu só vou conseguir se você fisgar um encaminhamento. — disse Frank, não pensando em outra coisa senão em partir para a ação com aquele plano em mente.

— Encaminhamento pra quê? — perguntou Carrie, o tom de apreensão.

— Olha... — disse Frank, dando uma risadinha rápida e nervosa — ... vai parecer loucura o que vou te dizer agora. Mas já aviso que esse é o único jeito.

***

Hospital Psiquiátrico Eisenhauer

Um médico com barba cinzenta relativamente volumosa em sua robusta face, e que usava óculos de alto grau, avaliava o que estava anotando sobre seu mais novo paciente que ali estava à sua frente.

— Muito bem... — disse ele, tirando os óculos e fitando-o com seriedade — Quer dizer então que Danverous City é uma cidade infestada de coisas sobrenaturais?

— Exato, senhor. — disse Frank, seguro na cadeira do consultório em boa postura — E-eu... eu gosto disso, eu adoro esse trabalho secreto... só que já tá começando a... sabe... — fez uma expressão de incômodo — ... começando a fazer mais mal do que bem. Noites mal dormidas... Sustos idiotas. Tipo, eu mal posso olhar pra minha sombra direito que já vejo um ser asqueroso me perseguindo querendo roubar meus rins, não sei como eu sei disso, só sei que eu sinto que ele quer e... ahn... — baixou a cabeça, fingindo não estar à vontade.

— Me fale sobre sua vida dupla. Especificamente, seu trabalho como... caçador de monstros. — pediu o psiquiatra, olhando-o com estudo.

— Ah sim, não chega a ser recompensador, mas agora eu sinto que não dá mais. — disse, inclinando-se para ele — Não recomendo à ninguém. A verdade está lá fora, mas ela é terrível. — falou em tom baixo.

— Então os mistérios que soluciona possuem uma base paranormal? Você tem plena certeza disso?

— Certeza? O que é isso? — indagou ele, rindo de si mesmo — Eu duvido de tudo, doutor. Não sei mais o que se passa direito na minha mente. É um caminho sem volta. Ontem mesmo eu fiquei fora de mim, não sabia se me matava ou matava alguém, não importasse quem eu achasse na rua, por exemplo... err... um cachorro, um cachorrinho... se eu visse um, eu diria — expressou revolta quando apontou para o nada assustando o doutor — "Ah-há, vai ser você, tem um demônio em você seu pulguento!" E é isso... Esse trabalho virou uma droga e drogas matam... não é?

— De fato. — concordou o doutor, fazendo anotações.

— Tudo demais ferra com tudo. Se torna... um veneno. — disse Frank, tentando fazer da sua atuação a mais convincente possível — Por favor, doutor — fingiu um tom choroso -, não aguento mais... o mundo vai acabar.

— O mundo vai acabar? Presumo que tenha relação com sua vida oculta. — disse o médico, interessado.

— Não! — disse Frank, levantando-se depressa e tocando nos ombros do doutor com as duas mãos — Não só a minha, é a de todo mundo! A do senhor também, a... a... da sua família... são esses terremotos, tudo isso aí é um sinal do apocalipse, doutor! O senhor tem que me salvar, urgente!

— Senhor Montgrow, é melhor se acalmar senão terei de chamar os enfermeiros. — ponderou ele, severo. — Você criou um universo de fantasia na sua mente e se prendeu em si mesmo. Posso garantir que aplicaremos os métodos mais eficientes para tirarmos você dessa bolha de ilusão. Agora fique calmo e relaxe...

— Tudo bem, tá legal... — disse Frank, voltando a sentar, pigarreando — Vou tomar remédios... pra doidos?

— Eu considero seu problema como um caso grave de síndrome do Messias. — disse o doutor, enfático.

— O... O que é que é isso? — perguntou Frank, estranhando.

— Vejo que tem uma vontade incontrolável de salvar o mundo desses monstros que vê. Acredita piamente que foi destinado à ser o protetor da humanidade contra forças ocultas que estão abaixo de nós, são elas as causadoras dos tremores na sua perspectiva.

O detetive o fitou com um olhar estático e vago. Depois formou um sorriso de satisfação.

— O senhor é demais, doutor. Eu sou mesmo um herói. Herói não... Super-herói. Sempre fui meio deslocado e ninguém confiava em mim, achei que eu fosse adotado, e de uns anos pra cá essa teoria fez mais sentido. Fui enviado por aliens a proteger esse mundo, doutor, e-eu... — transpareceu um semblante maravilhado — ... eu sou especial, eu nasci para salvar as pessoas desses monstros que só eu vejo, mas mesmo assim quero me curar disso porque do contrário eu nem estaria aqui.

— Ah certamente não. — disse o doutor, arqueando as sobrancelhas e balançando a cabeça com um não lentamente.

— Mas e então? Quando começa minha estadia?

— Hoje mesmo. — disparou o doutor, carimbando o papel de diagnóstico. — Vou ligar para sua irmã Carrie e pedir autorização. Sua ficha vai estar concluída até o final do dia. É óbvio que sofre de um quadro praticamente maníaco de paranoia e síndrome de Messias. Somado ao fato de quase ter me atacado e de dizer ter pensado em atacar outras pessoas, não posso categoriza-lo como nível intermediário. Em outras palavras, sua "vida dupla" — fez sinal com aspas — ocasionou esse efeito nocivo à sua condição mental gradativamente prejudicando sua distinção do que é real ou não.

— Eu sou perigoso, doutor? O senhor me acha perigoso? — perguntou Frank, nervoso.

— Você apertou meus ombros como se quisesse quebra-los. Ainda tem dúvidas?

— Ótimo... quero dizer, nossa, eu me sinto péssimo. — disse ele, sem jeito. Olhou de repente para as paredes brancas do consultório com um sorriso fechado — Quer saber? Eu acho que vou gostar daqui.

***

Departamento Policial de Danverous City

Abrindo a porta da dispensa — um compartimento pequeno onde existiam armários apropriados para cada tipo de comida -, Carrie arregalou o olhar ao se deparar com uma surpresa que não lhe dizia uma coincidência positiva.

Megan estava saboreando um bombom de chocolate que retirara do armário de congelados. Ao perceber a presença da assistente de Frank, sua postura tornou-se menos tranquila. A secretária jogou o papel amassado numa lixeira de pedal de alumínio e virou-se para ela com certa altivez detectada facilmente pelo queixo levantado.

— Err... Não esperava encontra-la aqui tão cedo. — disse Carrie, fingindo um sorriso. Andou em direção a um dos armários para pegar um saco com amendoins. O local inteiro era revestido de cinza escuro e os armários constituídos de metal reforçado.

A insegurança de Carrie não escapou aos olhos bem perceptores de Megan.

— O Frank não veio hoje? Qual a desculpa dessa vez?

— Eu não acho... — disse Carrie, engolindo uns amendoins, de costas à ela — ... que isso seja da sua conta. Mas respeitando o seu interesse especial nele... diria que ele está numa missão confidencial.

— Confidencial, eu gosto dessa palavra. — disse Megan, aproximando-se dela para um entrosamento — Sabe, eu não trabalho aqui tanto tempo quanto você, então acho que fiz mal em perguntar.

— Que nada. — disse Carrie, virando-se para ela, com a boca mastigando — Você já é de casa, o diretor já te considera da família DPDC. Está em um cargo superior ao meu, talvez tenha liberdade em querer saber de coisas que não lhe dizem respeito. Sou um péssimo exemplo. Inconveniência às vezes faz parte do meu trabalho, por isso não estou mais certa do que você.

— Realmente admite que o fato de eu assumir um cargo maior pressupõe melhor liberdade? — perguntou Megan, estreitando os olhos.

— Não que eu estivesse afirmando algo assim, mas... — disse Carrie, amassando a embalagem e jogando na lixeira à sua esquerda — ... faz sentido. Podíamos ser mais próximas, sabia? Mal nos falamos desde que nos conhecemos.

— Pois é, também concordo. — disse Megan, caminhando até a porta. No entanto, em vez de girar a maçaneta para sair, girou a tranca em sentido anti-horário. Ao virar-se novamente para Carrie, sentiu-se uma fortaleza intransponível. A assistente estava numa curtíssima distância da secretária, já que estava prestes a ir embora. Carrie deu mais dois passos adiante, mas Megan, de braços cruzados, barrou-a andando para o lado esquerdo. A assistente tentou ir pelo direito — o seu esquerdo — mas Megan insistiu em negar sua passagem.

— Quando eu disse sermos mais próximas quis dizer sermos amigas... — disse Carrie, o sorriso nervoso.

— Eu determino o futuro dessa amizade. Afinal, estou num cargo superior. — retrucou Megan, todo a amistosidade da sua voz desaparecendo e cedendo lugar à uma arrogância nojenta — Fica tranquila, Wood. Não é uma briguinha de egos que eu quero.

— E-então o que você quer de mim? — perguntou Carrie, afligindo-se — Qual o seu problema comigo? Não venha com papo furado pra cima de mim, tenho certeza que você tem alguma coisa contra mim, nem que seja um tiquinho só, mas sem dúvidas tem. Até trancou a porta. Achou que eu não ia perceber?

— É, deu pra ver que observa tão bem quanto tagarela. — o tom de Megan assumiu infâmia. — Quero jogar um jogo legal com você. Se chama: Falando francamente. Quer que eu jogue as cartas primeiro?

Àquela altura, a assistente sentiu uma torrente de arrepios na nuca, sentindo-se ameaçada com o modo adotado por sua colega de trabalho. "Ai, caramba... Ela me encurralou. O que eu faço? Vamos lá, Carrie, não deixa essa vadia falsiane cantar de galo com você, toma uma iniciativa...".

— Quem é você, afinal? — perguntou Carrie, franzindo o cenho, não mais disposta a fingimentos. — Tá, você quer as cartas, aqui vai a primeira: Você tem ligação com as Indústrias Crissman, vi a marca no seu pendrive. Essa não tem erro.

— Certa resposta. Minha vez. — disse Megan, não alterando sua expressão soberba — Vou ser muito bem paga se eu trouxer a sua cabeça ao meu chefe. Figurativamente, claro. — falou, dando de ombros.

A assistente, como que por instinto de sobrevivência, enfiou a mão no bolso do seu bem abotoado sobretudo cinza para pegar o celular e gritar por socorro. Megan agilmente a impediu, agarrando o antebraço direito de Carrie antes que ela retirasse o aparelho.

— Me larga. — disse ela, os dentes cerrados.

— Por que? Só estamos começando. — disse Megan, formando um sorriso de canto maquiavélico.

Neste instante, o celular de Carrie tocou. Megan a soltara devagar, voltando a cruzar os braços.

— Atende. Vai que seja o Frank. Só não fale do nosso joguinho.

Carrie lentamente foi levando o celular ao ouvido enquanto lançava um olhar de repulsa contra aquela misteriosa e prepotente mulher travestida de boa moça.

***

Encenando uma desorientação para fazer de sua performance como louco um sucesso, Frank perambulava pelo espaço aberto, que era tanto um playground quanto um refeitório, com paredes e pisos em cerâmica quadriculado totalmente brancos. Sua veste consistia da mesma dos vários pacientes ao seu redor: Camisa de manga curta e calça comprida, ambas brancas, além dos sapatos pretos de borracha. Ao olhar descontroladamente para os arredores, o detetive se esforçou para não comprometer o disfarce prevendo uma adaptação conturbada. "Onde foi que amarrei meu bode?", pensou ele, desapontado com a situação ao assistir loucos fazendo "artes" que se esperavam deles, como um em cima da mesa usando uma bandeja de alumínio como guitarra em um show alucinante para seus companheiros e alguns ursinhos de pelúcia colocados em fileiras.

Esbarou de leve em um enfermeiro. Propositalmente, claro.

— Opa. — disse Frank, percebendo ao olha-lo — Quer dizer... Me desculpa. — arregalou os olhos — Não me joga na solitária, por favor.

O homem — um rapaz de rosto meio redondo, cabelo castanho e estatura mediana — sorriu quase querendo dar uma risada.

— Quê isso? De boa, novato. Não leva a gente a mal, somos um pouco rígidos mas sensatos. — disse ele, dando uma batidinha no ombro de Frank — Aí, vem cá... — aproximou-se — Melhor tomar cuidado.

— Está se referindo aos... aos outros ali? — perguntou Frank, fingindo não saber, olhando de soslaio para os demais pacientes que bagunçavam o refeitório com brincadeiras absurdas. — Pra mim são perigosos, olha como se movem...

— Eles são o menor do seus problemas. — garantiu o enfermeiro, revirando os olhos — Falo da coisa que aparentemente mora nos dutos de ventilação ou no almoxarifado.

— E por que tá falando isso logo pra mim? Sou um calouro na faculdade dos doidos.

— Você, pelo visto, vai receber o certificado de sanidade mais cedo que qualquer um aqui. — disse o enfermeiro, encarando-o confiante e um tanto suspeitoso — Estamos nos falando há mais de 30 segundos e não me atacou, hoje é meu dia de sorte então.

— Olha, amigo, me conta mais sobre essa coisa. É algum monstro?

— Não tenho certeza... — disse ele, pensativo, cofiando o queixo. Deu de ombros — Os caras viam coisas onde não tinham, apontavam para monstros invisíveis a nós e depois, cerca de poucas horas... — usou o indicador direito "cortando" o pescoço para simbolizar o suicídio, fazendo um barulho de "creck" com a boca — Se mataram com o que encontravam pela frente ou o que tinham à disposição. Enforcamento e faca na jugular foram os mais comuns.

Frank assentiu, tomando a seriedade perante o caso. Depois lembrou que estava interpretando um "personagem" do qual não deveria fugir.

— Nenhum de vocês arriscaram investigar?

— E quem iria comprar a teoria do cara menos remunerado desse pardieiro? — questionou o enfermeiro, sentindo dó de si mesmo. — Só te avisei porque você me parece são demais para morrer num lugar como esse. Boa aparência nem sempre é sinônimo de boas intenções, mas você é fácil de ler nesse ponto. Minha dica é: Não se misture. Se você morrer, só vai ser mais um no necrotério de loucos e, como sempre, não vou ligar. Todos aqui estão condenados ao abismo sem fundo da loucura. Faça com que seja diferente com você, prove a eles que estão errados ou morra tentando. É assim que a banda toca por aqui. — disse ele, logo batendo de leve no ombro de Frank novamente e andando.

Aquelas palavras fizeram o detetive imergir em reflexões profundas sobre aonde se meteu.

Ao erguer o olhar com mais atenção, viu um homem cuja fisionomia tornava-se familiar a cada segundo, a cada fragmento nebuloso de lembrança que ia se clareando. Foi dando alguns passos adiante, parecendo reconhece-lo à medida que chegava mais perto. O cabelo liso castanho na cabeça quase calva do homem reavivaram a memória do detetive.

— Morris? É você mesmo? — perguntou Frank, olhando-o suspeito.

O homem parara de fazer o que estava fazendo ao se empertigar por ter ouvido a voz de Frank.

— É quem estou pensando que é? Tenho medo de me virar e acabar descobrindo ser uma alucinação.

— Que nada, seu idiota, olha eu aqui. — disse Frank, andando para mostrar-se com um sorriso contentador.

— Quem diria. — disse Morris, um homem de meia idade com olhar penetrante e lábios finos, estudando o amigo de longa data que o acompanhara em diversas caçadas pela cidade — O destemido Frank Montgrow acabar num hospício. — estendeu a mão direita para apertar a de Frank.

— Nossa, no começo mal acreditei, pensei que seria uma alucinação. — disse Frank, sentando na cadeira à frente, apoiando seus braços na mesa — Eu soube do Jack ter vindo parar aqui. Aliás, esperava que isso acontecesse com ele cedo ou tarde, ele não tinha o preparo necessário que eu e você carregamos no sangue. Mas... você?

— Preparo não é o bastante, Frank. Você é o Frank, não é?

— Por que não seria? Olha, não fui afetado pelo Zeta que está escondido e nem você foi pelo que dá pra perceber. Na verdade, eu não pirei.

— Ah sim... — disse Morris, soando meio desanimado ao desviar o olhar — Entendi. Está aqui a trabalho.

— Isso. — confirmou Frank, assentindo — Mas quero saber de você. Não jogou sua vida no lixo a toa.

— Se é que eu tive uma. — retrucou ele, pouco disposto a conversar a respeito — Frank, é essa a punição pela vida que escolhi, a vida que priorizei. Não tenho nada contra você, fomos grandes irmãos de caçada, mas eu acabei trilhando meu caminho em direção à minha própria cova.

— Tá achando que pode ser a próxima vítima?

— Pode ser eu, você ou o Jack, ele está no quarto branco há dois dias e vai sair hoje. — informou Morris, sério. — Bem, sei que está querendo a verdade. Eles descobriram.

— O quê? — indagou Frank, franzindo o cenho para o amigo.

Morris assentiu com veemência.

— Senti na pele o preço desse caminho sem volta. Ou ele começa quando sua família desmorona ou ele termina quando você é banido dela. Quando ouvi sua voz, Frank, fiquei feliz mas ao mesmo tempo preocupado. Jack era fraco, ainda é, mas você... — apontou para ele com o indicador esquerdo — ... era o melhor de nós três. Não me importo em ficar com a medalha de prata.

— Vamos parar com isso. — disse Frank, fechando os olhos por um segundo — Não sou melhor do que você. Não sei porque escolheu viver aqui, mas...

— Eu não escolhi. — disse Morris, interrompendo-o — A vida me forçou. Aqui é meu expiatório. O Jack está querendo voltar a ser são, mas eu... tenho planos diferentes. Quero aprender a ser tão louco quanto os que morreram nos últimos dias, por ser a única coisa que vai me anestesiar dessa culpa. Consegue me entender?

O estado auto-flagelador de Morris dificultava o modo como Frank lidaria com ele e seu problema.

— Só te digo que não sabe o quanto está errado. Desculpa a franqueza, você é meu amigo, mas... se eu fosse você... não me acovardaria tanto assim. Todo mundo ganha uma chance de recomeçar. Mesmo longe deles, mesmo sem caçar monstros, você ainda pode se reajustar pra uma nova vida. Bem, eu não sou psicólogo, tentei te ajudar, mas você é quem deve se ajudar na maior parte disso.

— Vou refletir sobre a opção recomeçar. — disse Morris, sentindo um nó na garganta devido a emoção — Obrigado, Frank, sabia que podia contar com você.

— Não há de quê. Agora podemos conversar sobre o bicho que anda pegando por aqui? — perguntou, instigando uma improvável nova parceria investigativa.

***

— Então quer dizer que Frank se internou por livre e espontânea vontade para desvendar um mistério sem saber que pode acabar sendo dado como louco de verdade. — disse Megan, provocativa no sorriso e no semblante. — Se ele morrer cedo demais, vai acabar frustrando os planos.

— Que planos? — indagou Carrie, fitando-a com raiva — Está metida em algum complô contra o Frank? Você é pau mandada das Indústrias Crissman que é pau mandada de alguma organização desconhecida. Então quero saber tudinho, tim-tim por tim-tim. Desembucha ou eu chamo a segurança. Devo te lembrar que tem câmeras aqui também? Alguém vai notar algo estranho e mandar suporte. A vigilância interna tem olhos em cada... centímetro... desse prédio. — falou, desafiadora.

— Bom, me convenceu. — disse Megan, mais flexível. — Mata-la aqui mesmo e agora só faria o diretor me jogar no olho da rua e como estou numa missão que exige muito estudo... não posso me deixar levar pelas emoções.

— Você só é uma boa menina quando te deixam encurralada? — perguntou Carrie, sarcasticamente.

— Nem sempre. — disse Megan, mantendo a postura arrogante — Pare de achar que me conhece só por se gabar de conseguir ler as pessoas com facilidade. Você é um estorvo, em algum momento eu vou ter que mata-la. É assim que gente que sabe demais precisa acabar.

— Eu sei demais?! — disse Carrie, surpresa, arqueando as sobrancelhas — Eu acabei de conhecer a verdadeira Megan, a secretária que o diretor adora cortejar, e tudo que sei não chega nem perto da ponta do iceberg, então não me venha com acusações infundadas.

— Você tem algo que me pertence. — declarou Megan, o tom duro.

"Sim, uma mão bem fechada socando esse seu rosto coberto de hidratante."

— Tá falando do quê?

— Checo o histórico do computador do diretor todas as noites. Ele com certeza não instalou um dispositivo de conexão e baixou minha ficha curricular no dia 22 de Dezembro do ano passado. Como teve tanta sorte? Não disse que pontos cegos não existem no prédio?

— Digamos que subornei o cara que estava no comando das câmeras naquela hora. — confessou a assistente de Frank, meio retraída pela vergonha humilhante.

— Oh, isso devia ir pra minha lista de "razões para Carrie Wood ser demitida". — disse Megan, sorrindo cinicamente.

— Ora essa, não é louca de contar pro diretor se... — disse Carrie, na tentativa de coloca-la em suas mãos — ... eu te dar o pendrive com o arquivo que copiei. O pendrive... em troca do seu silêncio. E aí, o que acha?

***

— Eu já cacei mais Zetas do que posso contar. — disse Morris, as mãos com dedos entrelaçados sobre a mesa do refeitório — O que posso dizer dessas mortes é uma teoria que talvez seja tão real quanto o clima de terror que se instalou nesse lugar. — se inclinou para falar mais de perto — Se você acha que está imune à loucura, é aí que você se engana.

— Como assim? Explica isso direito. — disse Frank, ávido por mais informações.

— Frank, nós somos dois homens sãos num antro de insanidade. As razões pelas quais estamos aqui não importam, podemos estar igualmente alvejados. O Zeta que pode ter atacado aqueles caras deixou um rastro imenso que se fortalece quando alvos potenciais sentem mais medo.

— Bem, até onde eu sei, o medo é a fonte de alimento do Zeta — disse Frank -, mas ele se alimenta somente quando a vítima está alucinando. Essa de rastro invisível servir de fonte pra ele é completamente nova pra mim. De onde você tirou essa ideia?

— Começou quando estranhei não ter visto o nome do Jack no prontuário de médicos. — declarou Morris, permanecendo sério — Mas eu o vi, é claro, ele está aqui há anos. Mas nunca vi nenhum médico interagir com ele, conversávamos às vezes e sempre um dos enfermeiros me olhava estranho, acho que era um estagiário que foi chutado meses depois.

— Insinua que... — disse Frank, desconfiado — ... o Jack não seja real? Então é isso que esse rastro da fumaça do Zeta faz?

— Exatamente. — confirmou Morris, assentindo — A gente tá preso numa espécie de redoma de loucura. O rastro só cobre alguns corredores e alguns quartos, mas o refeitório também está afetado.

— Então porque está me dizendo isso? Não acredita que eu seja uma miragem?

— Não, eu confio totalmente em você, Frank. — disse Morris, olhando fixamente para o amigo — Nós somos reais. O Jack não. Estou alucinando com ele. O rastro... parece estar se espalhando aos poucos, enlouquecendo você aos poucos até você avançar em todas as camadas e, enfim, se matar.

Frank não sabia por onde continuar a conversa devido ao peso que aquele sanatório o fazia lidar.

— Bem... Segundo a sua suposta alucinação, O Jack sai hoje do quarto branco.

— Ao que tudo indica, sim. — respondeu ele, pigarreando depois — Ontem mesmo perguntei a um dos homens de branco se tinha alguém na solitária. Ele respondeu não. E isso fora da fronteira. Acredite em mim, conheço esse lugar como a palma da minha mão, acho que já pisei na maior parte.

— Então... Talvez precisemos de um plano. — disse Frank, imaginativo por um instante, depois voltando os olhos para Morris. — Que tal uma caçada secreta como nos velhos tempos?

***

— Vai ter que me provar que não leu nada. — disse Megan, resistente à tentação.

— Eu? Provar? Está falando com Carrie Nikson Wood. A assistente do agente mais requisitado do departamento mais importante da cidade que não tem absolutamente nenhuma obrigação de provar nada a ninguém quando tem uma vantagem suculenta nas mãos. É pegar ou largar. Ou podemos marcar um encontro. Pode ser na minha ou na sua casa, aí você traz um detector de mentiras. De qualquer forma, se você garante ficar de boca fechada, eu não digo o que sei... a ninguém. — sorriu de modo misterioso.

Megan estava demonstrando cansaço de todo aquele jogo.

— Significa que admite ter xeretado o arquivo? Sim ou não? — sua voz ficara ríspida.

— É tão grave assim o fato de eu saber mesmo jurando minha palavra? — questionou Carrie, sentindo-se poderosa por estar no controle da situação.

— Eu tenho ordens explícitas a cumprir. — disse Megan, irritando-se — Frank não pode cruzar a linha de chegada para se vingar.

— Se vingar? — indagou Carrie, sendo pega de surpresa — Ma-mas se vingar de quê? O que diabos você sabe do Frank que logo eu, a melhor amiga dele, não sabe?

— Assim como não tem obrigação de me provar não ter visto o arquivo, também não tenho de dar informações privilegiadas. — disse Megan, levantando uma sobrancelha — É justo, não acha? Você terá apenas meu silêncio como prêmio por ter escapado. Viu como sou esperta? Eu saio perdendo recebendo uma bronca que pode descontar do meu salário alternativo e você fica se contorcendo de curiosidade sobre o segredo do seu não tão honesto amigo. Esperava dar uma dica depois que você saboreasse a pose de dona da situação em não querer dizer a verdade.

Carrie estava paralisada de tensão ao pensar nas milhares de possibilidades a respeito do tal segredo.

"Frank numa vingança secreta?! Mas de quem?"

***

— Se eu conheci o irmão da garota nova do pedaço? — perguntou Morris, franzindo a testa ao pensar por um segundo — Só de vista. — falou ele, dando de ombros — Vai mesmo perder tempo interrogando ela? Podemos ir direto ao plano, eu deixo você ser o líder se quiser.

— Pior que não sei como fazer isso. Digo, chegar até ela de um jeito que meu disfarce não se comprometa. — disse Frank, preocupando-se.

— Então esquece essa parte, vamos só nos concentrar em pegar o Zeta. O que ela vai dizer pode nem ser relevante pro caso, se é que você pode chegar nela facilmente. Pedir pra ser sua colega de quarto? Os loucos não tem voz ativa aqui. Só vai estar perdendo tempo e talvez até arruinando sua investigação.

— Tá legal, estou convencido. — cedeu Frank, erguendo de leve as mãos — Olivia descartada. Mas não vou ficar com essa pulga atrás da orelha mesmo com o Zeta fisgando a isca. Se existe só um nessa história, então como explica o que atacou ela?

— Eu posso estar falando bobagem, mas teve um cara que recebeu um certificado de sanidade há poucos dias, no período dos suicídios. — revelou Morris, olhando para os cantos a fim de se certificar que ninguém estaria com os ouvidos apurados na conversa. — E se for ele? Zetas são inteligentes. Pode ter hipnotizado um cara aleatório que passou no último teste de avaliação psicológica.

— Bem lembrado. Eles também controlam pessoas. — disse Frank, tentando ligar as pontas. — E quando fazem isso, as vítimas ganham suas habilidades temporariamente. Mas porque o Zeta levaria um cara a atacar um parente da última pessoa que ele atacou nesse hospício?

— Não sei não... — disse Morris, um pouco imerso em pensamentos — Esses desgraçados costumam ser vingativos... Falo por experiência própria, Frank. De todos os Zetas que cacei, sempre tiveram uns que escapavam e voltavam fazendo você pensar que era diferente, mas só vinham pra dar o troco. — estreitou os olhos para o companheiro — Por acaso você tem um que sempre falhou em matar?

***

O jogo estava terminado para Carrie.

— É melhor nós voltarmos aos nossos postos. Vai que tenha alguém observando a gente conversar. É no mínimo estranho, nesse ponto de vista, ver duas pessoas ficando de papo na dispensa em pleno horário de trabalho.

— Então me mostre onde está. — exigiu Megan, arisca, descruzando os braços — Depois que eu matasse você, não me importaria de perder esse emprego, mas me custaria uns bons anos numa cela. Eu deveria ter forjado uma pane geral no sistema. Nem precisaria usar minhas mãos pra isso.

— Agora é tarde, querida. — disse Carrie, dando uns passos para sair. Destrancou a porta, depois virando-se para ela — Eu juro não mais meter meu nariz onde não devo. Pelo Frank.

— Juro não dar com a língua nos dentes pro diretor sobre você. — prometeu Megan, frustrada.

— Ótimo. — disse Carrie, sorrindo fechado — Anda, me segue. Nem pense em me esfaquear pelas costas.

A assistente saíra da dispensa, com Megan caminhando por trás. A secretária fechou a porta, séria e cautelosamente estudando o ritmo dos movimentos de sua rival.

***

— Pra dizer a verdade... — falou Frank, ficando meio temeroso — ... eu sinto que há um deles que nunca consegui pegar. Ah, safado... — voltou-se para Morris, batendo sua mão direita aberta na mesa de leve — Tá na cara, isso é uma armadilha. Os suicídios, a alta do cara misterioso, a internação da Olivia, foi tudo um golpe pra me atrair a um lugar onde faz todo o sentido ele agir livremente. Pode até ser o mesmo Zeta que você andava caçando. — disse, apontando para o amigo.

— Mas fosse o caso, ele já teria me pego, estou vulnerável. — argumentou Morris — Ou só lançou a nuvem, o rastro invisível para criar a redoma e acabar com nós dois. Dois coelhos numa só paulada.

— É, pode ser. — concordou Frank, determinado a seguir com o plano — Temos que nos reunir com o Jack. Tem algum lugar onde a gente possa entrar sem ser visto?

— A sala de cirurgia quase sempre está destrancada.

— Beleza. Quando você ver o Jack, você chama ele, ignore quem rir de você e daí entramos. Eu não vou ver outra pessoa, o Jack e eu não éramos muito chegados tanto quanto eu e você éramos, mas se fui afetado por essa tal nuvem eu também vou vê-lo.

Um enfermeiro parou no meio do espaço e soprou seu apito de ruído estridente e agudo.

— Acabou o recreio, pessoal. Circulando, circulando... — disse, dispersando os pacientes dali.

A dupla de caçadores estava decidida com os próximos passos na captura do Zeta.

— Tá combinado, então? — perguntou Frank, tocando-o no ombro.

— Fechado. — disse Morris, fazendo que sim com a cabeça e apertando a mão direta de Frank.

CONTINUA...