Frank - O Caçador 1ª Temporada

17 Especial - Frank & Natasha vs. Strigoi (Parte 2)


Os barulhos incômodos doíam nos ouvidos do garoto que procurava se refugiar em algum canto da vasta mansão mas sentia-se num corredor infinito tentando escapar das garras sombrias da morte.

— Papai! Onde você está? — perguntava ele, em completo desespero.

No final do corredor, na dobra para o outro à direita, um homem de longos cabelos loiros cambaleava para trás e se encostou na parede até sentar tentando tocar seu pescoço. O garoto foi aproximando-se, confuso.

— Papai? O que houve? Tá se sentindo bem? Me conta o que tá acontecendo, por favor!

A cabeça dele fora decepada e naquele instante ela por fim caiu, rolando no chão com sangue trilhando um rastro. O menino fitou atônito e abismado. Mas ele apenas fugiu de volta depois.

Brazileus remoía esse inferno em sua sala particular olhando para a lua cheia da meia-noite enquanto bebia sangue num copo de vidro. O quebrou ao sentir o ódio retornar.

— Caçadores... vão sentir minha ira arder nos seus corpos. Humanos... todos eles vão pagar caro.

Um dos seus subordinados veio importuna-los.

— Mestre, a cobaia 22 está pronta para exame. Algum problema, senhor? Parece...

— Eu já estou indo, me espere lá. — disse Brazileus, virando-se para ele — Acabo de ter uma ideia.

***

No gramado à alguns metros da mansão, Frank e Natasha preparavam-se escondidos perto de um arbusto. Mike ficara com a parte de segurar o detonador digital que conectou à bomba remotamente fazendo com que a explosão deixasse de ser cronometrada e assim ocorresse num ponto mais próximo possível. O detetive mantinha a lança em sua mão direita.

— Muito bem, já são cinco e quinze. — disse ele, olhando no relógio — O sol vai nascer daqui à aproximadamente vinte minutos. Temos tempo de sobra para invadir antes da cavalaria chegar.

— O que achou do apê do meu irmão? — perguntou Natasha, carregando uma sub-metralhadora.

— É sério isso? A gente tá às portas de uma guerra contra vampiros evoluídos que querem dominar geral e você tá preocupada com a minha opinião sobre onde seu irmão mora?! Tudo isso é auto-confiança? Não vamos discutir ou revisar os passos do plano?

— Vou reiterar o que disse ontem: Eu acredito em você. Mais importante que isso, Frank... é estimular em si mesmo o sentimento que eu e o Mike fortalecemos até aqui.

— Tá me babando só por causa da lança. Olha, melhor pararem com isso, desde o momento que retirei a lança vocês ficaram me vendo de um modo diferente, como se eu fosse... especial.

— A linhagem Montgrow, no geral, provavelmente é. Li histórias do seu avô, ele foi a voz que reergueu vários caçadores e os levou em direção à batalha. Pode encontrar esse mesmo espírito de esperança em você, Frank. Bem, chega de bancar a conselheira das horas difíceis.

— É, isso também me cansa. — disse Frank — Com o quê carregou essas armas? Vai tentar descobrir a fraqueza dos Strigois sozinha?

— Não liguei para um grupo de caçadores conhecidos em vão, obviamente dei minha sugestão e eles aceitarem numa boa. Balas banhadas com sangue de lobisomem. Não custa arriscar.

— E se não funcionar? Tá vendo só? Essa é um das consequências de caçar longe de casa. Minha confiança reduz em 500%. Inglaterra é território imprevisível. Não tô dizendo que tenho medo...

— Eu sempre entro numa batalha em conjunto pensando nos sacrifícios que podem ser feitos. — disse Natasha, levantando-se com a arma preparada — Você nunca? — perguntou, logo saindo.

O detetive ficou a refletir por uns instantes até que enfim levantou-se segurando a lança firmemente.

Enquanto a dupla se aprontava para entrar em ação, Mike caminhava por uma trilha de cascalho segurando o detonador. O sinal ainda estava muito e pedia mais proximidade.

— Ah, merda. Uns metros a mais e... vou ter sérios problemas.

De súbito, alguém viera feito um vulto fantasmagórico pro trás lhe pondo um saco preto na cabeça.

O irmão de Natasha acordou sentado num ambiente similar a uma cela. Tocou no seu pescoço desesperadamente. Sem quer percebesse, Brazileus surgiu diante dele em supervelocidade.

— Não, não... — disse Mike apavorado — Por que me apagaram?

O herdeiro Santorum exibiu a bomba numa mão que escondia atrás e jogou-a no chão.

— Sabe como gosto de tratar informantes? — perguntou ele, sorrindo cinicamente — Eu os deixo livres.

— Como é? Ficou doido, seu vampiro desgraçado? Eu quero mesmo saber como a acharam.

— Não existe um ponto discreto nessa casa que escape aos nossos atentos olhos. — disse Brazileus, aproximando-se — Câmeras de vigilância... nunca aderi, me chame de antiquado. O que não chega a ser necessário, temos um faro equivalente a mil leões. Você será um dos primeiros a sair pela porta da frente ou dos fundos... e testemunhar o nascimento da revolução.

— Tem caçadores vindo... Eu juro.

— Queria nos varrer com um simples explosivo. O que explica você com um detonador correspondente ao sistema da bomba perambulando pelo meu gramado? Eu não quero suas justificativas, Mike. Pra mim basta que saia como um bom perdedor.

— O que você tá querendo dizer? Me deixar livre e ileso!?

Brazileus fingiu pensar por uns segundos dando olhadelas para cima.

— Ileso... Confesso que pensei nesse caso... mas sou muito volátil. — disse ele, logo mostrando seus olhos azuis e avançando contra Mike, afundando suas presas pontiagudas no pescoço do jornalista.

No jardim, Frank avistou uma van preta circulando à alguns metros. O detetive andou em direção à entrada da mansão portando a lança sem se preocupar se ficaria exposto ou não. Acionou seu celular para comunicar-se com Natasha.

— Caça-vampiros na escuta?

— Ainda tô viva e armada. O que foi?

— A cavalaria vai ter que se antecipar. Tem uma van fazendo ronda do lado de fora, logo mais vai entrar ou arrombar o portão por ter percebido um de nós dois. Serão mais cobaias pro pacote?

— Vamos considerar tudo que estiver dentro das possibilidades. Cobaias, armamento... ou até mesmo as joias do poder originais trazidas dos Estados Unidos. Já vou ligar pros reforços. Além disso, tô entrando pelos fundos. — disse Natasha, abrindo a porta-dupla devagar com o cano da arma.

***

Brazileus chutara a porta do laboratório assustando seu subordinado — um descendente de asiático com roupas de médico — que avaliava as condições da cobaia. O empregado tirou a máscara bucal, empolgado com a visita-surpresa.

— Nossa, senhor, por um momento achei que tinha desistido. Muitos progressos hoje. O organismo continua estabilizado e cada vez mais a apto a reagir positivamente à inserção.

— Cancele a experiência. — disse Brazileus, pegando uma seringa vazia — Temos uma situação com intrusos, o que requer... medidas drásticas. — enfiara a agulha no braço esquerdo da cobaia — uma mulher de cabelos negros que acordou sobressaltada e disparando a "serpente" sugadora com suas três presas quase tocando o teto. O subordinado levou um tremendo susto.

— Ma-mas senhor... O que pretende fazer? São os caçadores que estão invadindo...

— Fecha essa matraca, Matsuri! — vociferou Brazileus, conseguindo uma boa quantidade de sangue — A revolução se encontra ameaçada, preciso apelar para métodos com resultados imprevisíveis. — destacou a seringa — Serei eu o triunfo da nova espécie! — logo injetou em si mesmo, no braço. As veias de todo o corpo do líder ficaram altamente saltadas.

— Não leva em conta nem os efeitos colaterais?

— Eu estou bem, Matsuri! Sugiro que se afaste... — disse ele, meio trêmulo, em seguida direcionando um olhar malévolo com sorriso para o subordinado — Não, venha cá...

— Se-senhor... Não pode estar no seu juízo perfeito, apostar nessa ideia é loucura...

— Então essa loucura me levou ao fortalecimento! Consigo sentir... o poder fluindo em cada centímetro do meu corpo! — disse Brazileus, logo aproximando de Matsuri e o pegando pelo pescoço.

— Me-me... me ponha no chão, por favor!

— Eu não esvaziei a seringa em mim para não fazer um pequeno teste de força. — disse ele, rapidamente jogando-o contra uma mesa cheia de ferramentas hospitalares que foi derrubada. — Fascinante! Esplêndido! — falou, os olhos arregalados. Arrancou a décima-joia do poder — uma diminuta pedra negra e lisa — do seu anel e a engoliu. A intensa reação implodiu no corpo o fazendo debater-se até cair ao chão de joelhos. Arrastou-se, as mãos quebrando ladrilhos do piso, à medida que sofria mudanças radicais, dentre elas um par de asas semelhantes as de morcegos crescendo nas costas. Matsuri se arrependeu de não ter fugido, assistindo terrificado o processo horrendo de mutação cuja potência paranormal afetava o sistema elétrico ocasionando em "pisca-pisca" de luzes.

Paralelamente, Mike caminha trôpego por um corredor em direção à saída. Os primeiros fachos do sol já alcançavam o chão. "O que a Natasha vai pensar a respeito? Minha vida acabou!"

Enquanto sofria com as amplificações dos sentidos, imaginava milhares de pesadelos envolvendo a descoberta de sua irmã. "Ela é minha família... Brazileus, seu miserável!"

Esticou o braço direito à luz do sol matutino, fechando os olhos apertadamente. O curioso foi que nenhuma reação adversa como ardência ou queimadura ocorreu. Isso por um minuto inteiro.

— Não pode ser... — disse ele, incrédulo olhando para a mão. Andou alguns passos, totalmente ficando exposto — Impossível... Tenho sede, mas... O sol não me mata. Hum... acho que sei porque. — virou o rosto de repente, assustando-se com gritos histéricos de um exército de vampiros que saía por uma das portas alternativas rumo ao jardim. Mike ficara encostado num dos pilares observando. — O Frank tá lá... — checou os bolsos encontrando o celular, ligando para Natasha — À essa altura já deve ter detonado com vários deles. Assim espero. — desligou, irritado — Merda, ela desligou. Mau sinal.

Frank encarava a multidão de vampiros de bocas abertas que vinha ao seu encontro. Ergueu a lança com a mão esquerda, completamente engajado.

— Toda a minha vontade de caçador... OK. — disse ele, esforçando-se para canalizar sua essência.

A pedra rubi incrustada na lâmina da lança emitiu seu brilho aos poucos... até que por fim sua dourada luz resplandecente explodiu em fachos extensivos, o que fez Frank virar o rosto mantendo os olhos bem fechados. Tão forte quanto o sol, a luz atingia cada vampiro que se aproximava do detetive, trazendo-lhes um inferno em plena terra. Seus corpos queimavam e explodiam em cinzas.

No corredor onde Natasha atirava granadas com cinzas de lobisomem que causavam efeito de ácido corrosivo nas serpentes de sucção que cada Strigoi lançava, os fachos atravessavam as janelas no alto das paredes conseguindo atingi-los. Natasha parara de atirar, protegendo os olhos.

— É como um milhão de sóis. — disse Mike, perplexo, vendo a luz diminuir após aniquilar todos — Nós vencemos? Todo o exército do Brazileus foi massacrado?

Natasha corria ao encontro de frank largando o lança-granadas vazio.

— Frank! Pelo visto, nós conseguimos. Mas ainda falta...

A terra tremeu repentinamente.

— Ainda falta a parte difícil dessa treta. — disse Frank, atordoado — E é das grandes!

A parede da mansão fora destruída num golpe só, os escombros rolando junto com a poeira que logo se dissipou revelando a figura que vinha. Um ser pálido com veias saltadas, apenas a calça rasgada que sobrou após a transformação, orelhas similares a de um elfo, presas para fora e rosto enrugado num aspecto monstruoso com olhos de esclera azul e pupilas negras.

— Mas que... merda é essa? — perguntou Frank, olhando para um Brazileus evoluído — De onde foi que isso veio? Da Nárnia ou da Terra Média?

— Brazileus. — disse Natasha, sacando uma espada — Sem estar afetado pelo sol... quer dizer que tornou-se um híbrido. Responda, sua abominação. — apontou a espada para ele — Bebeu do sangue das suas crias, não foi? Além disso, presumo que está com a décima-primeira joia.

— Se eu não dissesse que é uma excelente observadora... — disse Brazileus, fazendo aparecer a pedra no centro da sua testa — ... estaria mentindo.

— Espera aí, esse brilho meio translúcido é familiar. — disse Frank — Isso não é joia do poder... é o Prisma Negro. Tá explicado agora porque você se transformou num vampiro mutante.

— Conseguimos quantidade ideal na fenda de Danverous City e sabendo do seu potencial, forjei uma joia que os Crimson jamais imaginariam. Ela completa. E quando eu me apoderar das outras dez joias, nada nesse mundo, nenhum caçador ou brinquedinho místico conseguirá me fazer um arranhão. — disse Brazileus, soberbo.

— Só existem dez joias. — ressaltou Natasha — Sei o quanto está desesperado. Aquela van por exemplo...

— Então traziam as joias?! — disse Frank.

— O que houve? Não iam trazer reforços? Eu li a mente de vocês. — disse o líder — Mas claro, com a lança do Sacre tudo se facilitou num instante. Você por acaso assumiu a alcunha?

— Quero distância de feitiçaria. — disse Frank, preparado. — Hora de você fritar também. — ergueu a lança, tentando novamente canalizar. O detetive fechou os olhos achando que funcionaria. Abriu um deles, estranhando — Ué? O que aconteceu? Compartilhei minha vontade de caçador! Por que não dá mais?

— Acho que o poder só pode ser acionado uma vez a cada dia. — falou Natasha — Desculpa ter lembrado disso agora. Ele não tá blefando sobre as joias. Se nos derrotar aqui e as pegar... aí teremos sérios problemas, com nossos recursos vamos apenas atrasa-lo. Será o fim da cidade se perdermos.

— Vocês não são estorvo suficiente. Não passam de insetos. — disse Brazileus, logo usando o o poder do Prisma Negro provocando uma onda supersônica que derrubou Frank e Natasha jogando para longe. Logo usou supervelocidade para pegar Frank pelo pescoço e joga-lo contra uma pilastra.

— Não percebe que está distorcendo o propósito da sua família? — perguntou Natasha, levantando e em seguida balas de prata contra ele que não surtiram efeito. Depois tentara as com cinzas de lobo. O corpo de Brazileus tremia um pouco com os disparos, mas nenhum dano grave.

— O propósito... é a evolução! Não me desvirtuei do que meu pai almejava. Ele estaria orgulhoso se sua raça de baratas não tivesse o matado! — disse Brazileus, logo avançando contra Natasha. Frank resolveu atirar a lança, mas o super-vampiro a impediu que ela o atacasse afastando-a com uma mão.

O cabo da lança batera forte numa outra pilastra gerando um som agudo que incomodara Brazileus por um segundo, mas ele voltou sua atenção à Natasha que distribuiu socos e chutes que nada acertavam. Brazileus rebateu com uma cabeça e logo a pegou com seus pés, voando como uma águia que apanha sua presa.

— Me larga! — disse Natasha, mandando outra saraivada de balas da pistola, mas nada. Brazileus voara na altura do segundo andar da mansão e a lançou contra uma janela quebrando o vidro.

Frank, por outro lado, estava focado na lança e em como ela agiu para subjugar Brazileus.

— Cacetada... Achei teu ponto fraco vampirão! — anunciou ele, empolgado, correndo para reaver a lança. — Se prepara! — disse, desafiador, enquanto Brazileus pousava impactante no solo.

— Será uma delícia mata-los lentamente. Meu sonar diz que a van entrou na garagem. A bomba do seu amigo, o falso caçador, foi desativada antes que ele detonasse. Chegou perto, mas fomos mais rápidos. Essa cidade é minha! Nem a lança do lendário Sacre, o homem que meu pai temeu por 183 anos, tem algum poder sobre mim! Se quiser tentar, eu te deixo à vontade. O que estão atrasando é apenas a morte.

— Deixa de ser convencido. Além disso, é mentiroso. — disse Frank, confiante — Um caçador de verdade não se dá por vencido, enfrenta qualquer parada e você tá na frente de um!

— Os vampiros são os paranormais na mais alta escala. Não é melhor do que o Sacre por ter erradicado mais da metade do meu exército.

— Para de pose, morcegão. Eu vi quando jogou a lança e ela bateu... — disse Frank, sério — Sentiu uma dorzinha nos ouvidos? Vamos ver até onde isso vai. — bateu a ponta do cabo no chão com toda força.

A vibração ressoou em Brazileus destruindo seus tímpanos e afetando seriamente seus sentidos.

— Vamos fazer barulho! Muito barulho! — disse Frank, batendo a lança numa pilastra.

— Pare! Seu inseto miserável! — gritou Brazileus, as mãos nos ouvidos, tendo sua visão prejudicada e quase caindo de joelhos devido a alta reverberação sonora.

Natasha assistia do quarto no segundo andar, preocupada. Mike também não desgrudava os olhos.

Após duas, três, quatro, cinco... incontáveis batidas, Brazileus finalmente caíra contorcendo-se.

— Isso prova que tem muito morceguinho se achando o Drácula. — disse Frank, enfiando as três pontas da lança no abdômen do vampiro abriu a boca para gritar mas nenhum som saiu. — Filhinho do papai, tá chorando? Se junta à ele agora... no Inferno.

Dos pés à cabeça, o corpo de Brazileus petrificou-se. Frank tirou a lança antes que a petrificação alcançasse o ponto onde feriu. Natasha dera um pulo, caindo com firmeza e correndo à Frank.

— Estratégia inteligente. — disse a caçadora, sorrindo leve.

— Valeu. — disse Frank, suspirando de alívio — Eles capturaram o Mike. Tem mais uma penca de vampiros. Agora que o estrelinha se foi, podem querer transferir pra um dos candidatos a barão.

— Ainda falta mais uma coisa. — disse Natasha, sacando uma pistola .40 e logo disparando contra a estátua que virou Brazileus, mirando em cada parte do corpo. — Nunca se sabe.

— Não dá pra confiar em estátuas bizarras. — disse Frank.

— Ei, pessoal! — gritou Mike, correndo até eles.

— Mike! — disse Natasha — Onde você estava? Verdade que pegaram você?

— Sim, mas já tá tudo bem. Viu só? Limpinho. Ficaram... me intimidando quando despertei todo o meu ímpeto de caçador e dei um jeito em pelo menos dois deles. Deve ser atávico.

Natasha sorrira abertamente ao ver o irmão ileso.

— A cavalaria já vem ou ficaram presos no engarrafamento? — perguntou Frank.

— Tiveram um contratempo. Recebi mensagem há cinco minutos. Tudo indica que vampiros num carro os identificaram e tentaram acidenta-los. Se desculparam pelo atraso e já estão a caminho. Tenho munição sobrando para 10 vampiros.

— Passou uma van pelo jardim. — disse Mike — Ouvi vocês falarem das joias do poder... Se eles souberem...

— É exatamente que você, eu e a sua irmão estamos pensando. — disse Frank — Posso voltar a usar meus bebês? — perguntou, abrindo o sobretudo para mostrar as armas.

— Tá liberado. — disse Natasha.

— Eu também posso? — perguntou Mike que recebeu um olhar duvidoso de Frank — Ela já me deu aulas de tiro.

— Então toma aí. — disse o detetive entregando uma pistola — Se sua irmão estivesse lidando com isso sozinha talvez não permitiria, mas como sou um cara legal...

— Está bem. — disse Natasha — Ajudando a construir os primeiros passos da carreira do Mike.

— Não fica com ciúme, maninha. — disse Mike, puxando a trava da arma — Vamos lá matar uns vampiros?

Frank deu um sorriso fechado para o rapaz e seguiu na frente com duas pistolas carregadas de balas de prata e a caçadora à sua esquerda.

— Será que há mais Strigois ou híbridos lá dentro? — perguntou Mike, temeroso — Brazileus não seria idiota, se abre a qualquer probabilidade, pode ter deixado umas surpresas.

— Vi nos olhos dele. Estava loucamente agoniado. Nessa condição, ninguém é capaz de arquitetar um plano mega-genioso e infalível. No fim das contas, estava pensando somente nele. — disse Natasha.

— Melhor a gente terminar isso ainda hoje. — disse Frank — Tenho um amigo pra visitar.

***

Algum tempo depois...

Uma caixa de papelão fora colocada na mesa de escritório de um delegado da polícia local de Londres. O peso dela estremeceu-a.

— Idiota, quase derrama meu café. — disse o homem caucasiano, cabelos grisalhos, rosto fino e quadrado usando camisa de manga longa com suspensórios. Ele se levantou irritado. — O que é isso aí? Não pedi nenhuma encomenda.

O visitante era um homem negro careca com semblante sério.

— Eu fui um dos remanescentes. Tem novos caçadores na área: Um cara com aparência de detetive e uma garota gostosa vestindo couro dos pés ao pescoço.

— Isso me anima. — disse ele, sorrindo torto — Mas o que tem a ver com esse troço?

— Eles o mataram. — disse o vampiro — Precisamos dar um enterro digno à ele. Quantos litros você tomou nos últimos meses?

— A sede aumentou como nunca ultimamente. Tomei porres e porres de sangue como um viciado.

— Isso é animador pra mim. Sinal de que está mais forte. As joias o querem.

— Não vá criando expectativas. — disse o delegado — Ser barão está... além do meu alcance.

— Mas você será. Querendo ou não. As regras mudaram. — disse o vampiro, abrindo a caixa.

— Não pode ser... — disse o delegado, aturdido — Venha comigo. Conversar num local mais discreto.

Ambos saíram da sala, mas o visitante esquecera a caixa aberta na qual estavam os pedaços petrificados de Brazileus com a cabeça virada para cima.

Os olhos abriram-se de repente tonalizando num azul sombrio como a noite.

XXXXX

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