Frames do Destino

5 Competição de Biscoitos de Natal


Notas iniciais
Olá, amores! ❤️ Como eu havia avisado no grupo da Família Cupcake, não consegui aparecer antes porque surgiram alguns imprevistos na minha vida pessoal. Por isso, acabei não conseguindo revisar e postar os capítulos que ainda faltavam. Mas hoje estarei de volta às atividades de revisão e reescrita — ajustando tudo o que for preciso — para finalmente concluir a entrega dessa fanfic, desse casal que já mora no meu coração❤️ Beijos ❤️ Boa leitura!

Dezembro de 2008, depois do Grande Colapso.

O CLIMA NA CASA ESTAVA INSUPORTÁVEL.

Pam permanecia sentada diante da lareira, ouvindo o pai abrir na cozinha a terceira garrafa de vinho. Do lado de fora, a mãe fumava nervosamente, andando de um lado para o outro enquanto pedia comida pelo telefone. O avô Philip, por sua vez, estava acomodado em sua poltrona favorita, comendo biscoitos em silêncio enquanto folheava um antigo álbum de família.

Eles haviam acabado de voltar do cemitério. Fazia quase uma hora desde que Sylvia Beesly fora enterrada.

— Minha doce Mee-Maw — murmurou o avô, acariciando o rosto jovem da esposa em uma fotografia antiga, tirada durante uma viagem em família a uma das áreas recreativas e parques aquáticos de Marte.

Pam se levantou e foi até a cozinha. Abraçou o pai, que retribuiu apenas de forma fraca, exausto demais para dizer qualquer coisa.

— Acho que vou pegar uns milk-shakes na casa da tia Babs — comentou a garotinha. — O vovô sempre fica feliz quando toma um.

— Claro… claro. — disse o pai, forçando um sorriso. — Leve este dinheiro com você e traga cinco, por favor, querida.

Ele enviou o pix em silêncio. Ao sair de casa, viu a mãe sentada, o rosto escondido entre as mãos, chorando baixinho enquanto equilibrava um cigarro na boca. Decidiu não comentar nada; apenas caminhou em silêncio por alguns quarteirões até chegar à residência Halpert.

Barbara Halpert mantinha uma pequena sorveteria caseira em casa, que consistia em uma portinhola gradeada, mantida aberta durante o atendimento. Para sua sorte, naquela manhã não havia fila de crianças.

— Bom dia, sra. Halpert.

— Bom dia, Pam! — respondeu a mulher, sorridente, usando touca, luvas e um protetor de boca, para evitar que qualquer gotícula de saliva caísse nos produtos. — Meus sentimentos pela sua avó. Ela era uma das minhas principais clientes.

— Obrigada — Pam sorriu. — Ela adorava seu sorvete de nata com gotas de chocolate e calda de morango.

— Sim. Vai querer o mesmo de sempre? Milk-shake de blue ice com calda de caramelo?

— Na verdade… — levou a mão ao queixo, pensativa. — Vou querer dois milk-shakes do sabor favorito da vovó, um para mim e outro para o vovô; um bem reforçado de chocolate ao leite com leite condensado para o meu pai; e um de morango com pedaços de bombom para a minha mãe.

— Certo. Tudo isso vai ficar em $12,19.

— Ok, vou te enviar o Pix em um minuto — informou, abrindo o aplicativo do banco digital.

Barbara aguardou o comprovante chegar antes de começar a preparar as delícias geladas. Dentro da residência, um garotinho espiava com cuidado pela janela entreaberta, escondido atrás das cortinas da sala. Observava a jovem ruiva com um sorriso no rosto e as bochechas levemente coradas.

— O que você está olhando tanto, hein? — perguntou uma voz feminina infantil.

Jim quase se desequilibrou e caiu do sofá. Virou-se, irritado, para a irmã mais nova.

— Larissa, ninguém te ensinou a ser discreta, não?

A irmãzinha, de longos cabelos castanhos presos em duas marias-chiquinhas, abraçada a um urso de pelúcia roxo, com as bochechas cheias salpicadas de sardas, apenas deu de ombros.

— Aquela é a sua namoradinha?

— Não. E eu já disse que não gosto dela. Só acho bonita.

— A mamãe diz que ela é uma atriz! Já assisti a um episódio de um programa dela. Ela é má nele.

— É só o papel dela, ela não é assim. E não seja insensível: ela acabou de perder a avó.

Larissa se equilibrou no sofá e se juntou a ele na espionagem.

— Ela realmente parece bem triste… Acho que tudo o que ela precisa agora é de um abraço.

— O que eu já te disse sobre sair abraçando todo mundo? Só se pode fazer isso com quem te deu intimidade.

— Mas ela precisa de um superabraço meu e do Douglas! — afirmou Larissa, apontando o focinho do ursinho.

Jim balançou a cabeça em reprovação.

— Em que mundo você vive, hein, garota? — questionou. — A vida não é um filme colorido da Barbie!

Nesse momento, Gerald Halpert chegou em casa. Larissa desceu correndo do sofá e foi abraçá-lo.

— Também estava com saudades da minha menininha — comentou ele, sorrindo.

A porta ainda estava aberta. Foi a deixa para Larissa se soltar do abraço do pai e correr até a calçada, indo ao encontro de Pam, que foi envolvida num abraço inesperado. A jovem ruiva se surpreendeu, mas logo retribuiu.

— Larissa, por favor! — pediu Barbara.

Gerald riu. Jim saiu logo atrás e parou junto a porta principal, cobrindo o rosto com as mãos, envergonhado.

— Você parecia bem triste… — comentou Larissa. — Abraços ajudam a curar dodóis do coração.

Pamela riu.

— Muito obrigada. Isso com certeza me ajuda a me sentir melhor.

Jim abaixou as mãos e sorriu, feito bobo. Pam tinha um coração tão bom. E era linda, com suas madeixas ruivas encaracoladas — provavelmente por causa da escova. Gentil e calma, ela parecia uma princesa.

As duas se afastaram, e agora lágrimas escorriam pela pele alva de Pamela, sem que ela conseguisse impedir. Enxugou-as rapidamente com as palmas das mãos.

— Você é uma garota muito educada, sabia, Larissa? O universo precisa de mais pessoas gentis como você.

— Obrigada. Eu gosto muito do seu programa, e o meu irmão gosta muito de você.

— Larissa! — corrigiu a mãe.

O pai riu novamente, entrando em casa com a mala, enquanto Jim permanecia paralisado no portão, vermelho feito um tomate.

— Sério? Ele é um fã? — perguntou Pamela, curiosa.

— Não, sei que você ainda não sabe — respondeu Larissa, aproximando-se mais. Pamela se agachou um pouco para ficar à altura dela. — Mas você é a namoradinha dele.

— Nossa! — Pamela riu da constatação, não de forma debochada, mas doce. — Não acredito.

— E o sonho dele é se casar com você um dia…

— Chega, Larissa. Entra pra dentro, por favor — pediu Jim, aflito.

Larissa ria, abraçada a Douglas, o urso roxo.

Pamela se levantou e ajeitou a barra do longo vestido preto. Caminhou até Jim, e para o garoto era como se estivesse dentro de uma cena em câmera lenta de um daqueles filmes de comédia romântica que a mãe assistia nas tardes de domingo. Pamela sorriu — um sorriso incrivelmente branco — e estendeu a mão.

— É um prazer te conhecer.

— O-o-o p-p-prazer é t-t-todo m-meu… — Ele apertou a mão dela, completamente suada, enquanto gaguejava e se odiava até a alma por isso. — P-P-Pam… v-v-você é m-m-muito mais b-b-bonita pessoalmente…

— Obrigada — respondeu ela, soltando a mão dele.

Jim jurou que as bochechas dela estavam levemente coradas.

— Querida, seus milk-shakes estão prontos — avisou Barbara.

— Ok, já vou. — Pamela voltou-se mais uma vez para Jim. — Até mais, Jim! Sua irmã é uma fofa.

— A-até m-mais, P-Pamela…

A jovem se virou, e seus cabelos acompanharam o movimento do vento, esvoaçando de forma encantadora.

— Aqui, cuidado para não derramar… — pediu Barbara, entregando-lhe a caixa totalmente lacrada com os quatro milk-shakes.

— Muito obrigada, senhora Halpert.

— Hi-yo, Silver! Vamos! — gritou uma voz masculina ao longe.

Pamela riu. Era Bill Denbrough, que logo cruzou a rua de cima em alta velocidade. Logo atrás dele vieram mais quatro meninos, pedalando de forma desajeitada. Por fim, o último, com uma pochete presa à cintura, parou e acenou para ela.

— Oi, Pam!

— Oi, Eddie!

Ele se afastou do grupo e empurrou a bicicleta até a residência Halpert.

— Quanto tempo, hein?

— Sim… quanto tempo. — Pamela corou, levando uma mecha do cabelo ruivo para trás da orelha e quase deixando a caixa escorregar das mãos, desastradamente.

Eddie foi rápido e a segurou antes que caísse no chão.

— Soube da tia Sylvia… Meus sentimentos.

— Obrigada.

— Você parece precisar de ajuda.

— Ah, sim. — Ela olhou para a caixa. — Preciso levar isso para a minha família. Foi pedido do meu avô… eram os sabores favoritos da minha avó.

— Posso te dar uma carona, se quiser. Vou devagar, pra você se equilibrar e se acostumar.

— Eu agradeceria muito, sério.

Pamela subiu na bicicleta, equilibrando a caixa com cuidado, enquanto Larissa ajudava a firmá-la. Despediu-se de todos, e logo os dois desapareceram ao dobrar a esquina.

Jim sentiu o sangue ferver nas veias, o pescoço esquentar, enquanto fazia uma careta involuntária.

Eles se davam tão bem.

Parecia… não. Não podia ser. Aquele Kaspbrak era tão ridículo. Pamela nunca namoraria com ele. Pamela nunca se apaixonaria por ele. Não a Pamela Beesly.

Ainda assim, a constatação seguinte foi pior.

Ela também nunca teria olhos para ele.

Jim Halpert era um grande ninguém — talvez até menos do que isso — se comparado a Eddie Kaspbrak. E esse pensamento lhe atravessou o peito, perfurando o coração de mil formas diferentes.

— É horrível quando temos o coração partido, não é? — perguntou Larissa, de forma retórica, ao seu lado.

— O que você sabe disso? Você só tem sete anos!

— Mas eu já vi garotos brigando e perdendo a amizade por minha causa, tá bom?

— Claro. Você deve ter quebrado muitos corações lá na creche das fraldas sujas.

— Ei, isso não foi legal. Eu só tô tentando te ajudar. — Ela fez um biquinho. — Toma, vou te emprestar o Douglas por algumas horas, pra te ajudar. Mas nada de rasgar ele, ok? Uma vez eu emprestei pro Tom e ele voltou com uma das pernas descosturada. Mais um pouco, e ele teria se perdido em algum lugar lá na praça.

— Tá, ok, ok. Eu não preciso disso… mas já que insiste. — Jim pegou o ursinho, apertando-o com força.

— Sei que a vida parece complicada agora, Don Juan — provocou Larissa. — A concorrência tá grande! Mas acho que você devia investir e ser sincero com ela logo, antes que isso te sufoque. É o que eu ouvi o Pete dizer enquanto se perfumava horrores antes de ir pro Baile de Primavera na semana passada.

— Tá, tá, tá bom, guru do amor. Agora vê se me erra, garota. Eu preciso de um tempo sozinho. — explicou o jovem Jim, de apenas onze anos, ainda abraçado ao urso, enquanto seguia para o quarto.

— Depois não diga que eu não avisei — respondeu Larissa, satisfeita.

[...]

Pamela olhou para a fachada da residência Halpert com certa nostalgia. O lugar onde antes funcionava a pequena sorveteria já não existia: a antiga portinhola fora arrancada e substituída por tijolos. Provavelmente haviam demolido aquele cômodo para ampliar o quintal ou criar algum quarto maior.

Ela caminhou até a porta da frente carregando uma travessa cheia de biscoitos ainda quentes. Deu duas batidinhas leves e foi atendida por Barbara.

— Pam, que bom que você veio. — Abraçou-a com cuidado. — A Kelly já estava quase arrancando os cabelos à sua procura.

— Tive um pequeno atraso. Passei comprando os enfeites de Natal pra decorar minha casa… depois vou precisar de ajuda.

— Antes tarde do que nunca — riu a mulher. — Entre, por favor. A Kelly está na mesa três.

A sala de estar da família Halpert estava lotada. Havia várias mesas espalhadas, todas cobertas de biscoitos. Os juízes já usavam seus crachás, enquanto chocolate quente, bolos diversos e outros aperitivos ocupavam a mesa principal, sendo avidamente atacados pelas crianças e por Dwight.

— Pam! Aqui! — gritou Kelly, esticando o braço no ar.

A ruiva foi até ela.

— Ainda bem que você chegou! Estou tão ansiosa… Nem acredito que quase viramos a noite fazendo e refazendo fornadas. Tenho certeza de que este ano posso desbancar a Hedda Schrute.

— Por favor, se acalme. Respira — pediu Pam, colocando a travessa sobre a mesa e guiando a amiga em alguns exercícios de respiração. — Vai dar tudo certo. Pensamento positivo.

— Você trouxe mais biscoitos? — reparou Kapoor.

— Bom, seu discurso foi tão inspirador ontem à noite que eu decidi pegar uma receita antiga da vovó e testar minhas habilidades culinárias. Fiz mais só pra treinar, sabe? E também porque a Barbara estava com medo de não ter biscoitos pra todo mundo.

— Ela sempre tem esse medo, mas no fim sempre sobra um monte. Ainda assim, melhor sobrar do que faltar. Devem ter ficado ótimos!

— É… você deve se lembrar bem de que eu nunca fui lá muito boa na cozinha.

— Que isso, menina! Devem estar ótimos — disse Kelly, abrindo o pote e pegando um dos biscoitos coloridos.

Nesse momento, alguém surgiu por trás de Pam e cobriu seus olhos com as mãos.

— Adivinha quem é?

— Ah, Jim! — respondeu ela, rindo. Afastou as mãos e se virou para ele. — Parece que você é o faz tudo por aqui, até juiz de biscoitos.

— Sim. Infelizmente, o Michael exagerou na gemada ontem e acabou tendo problemas sérios com o banheiro… se é que você me entende.

Pamela fez uma careta.

— Então, você está participando dessa vez? — perguntou Jim. — Vi que a Kelly já está atacando os biscoitos.

— Sim, mas eu acho que mais a atrapalhei do que ajudei. Não tenho muitos dotes culinários.

— Que isso! Deve ser pura modéstia. E vi que você trouxe um prato a mais para a mesa de convidados. Minha mãe vai agradecer e muito!

— São sim.

— E aposto que são de cobertura de blue ice com calda de caramelo?

— Como adivinhou?

— Eram os seus favoritos. Sim, eu guardei isso na memória.

Pamela sentiu as bochechas corarem.

— E tenho quase certeza de que a Kelly está adorando os biscoitos que você trouxe. — garantiu Jim

— Ah, ah… sim, sim — disse Kelly, com a boca cheia, indo apressada atrás de um copo d’água, os olhos levemente lacrimejando. — Estão… fantasticamente suculentos.

— Vocês estão sendo só gentis.

— Não seja tão modesta, Pam. — Jim sorriu, pegando um biscoito do pote aberto. — Aposto que estão no nível dos da Hedda. Eu adorava os que a sua avó fazia nesse estilo.

Ele colocou o biscoito inteiro na boca. A careta que fez em seguida fez Pam arregalar os olhos, alarmada.

— Você se engasgou?! Meu Deus, vou pegar água!

— N-não, não precisa… — respondeu ele, tentando manter a compostura.

— Então o que foi?

— Nada. Nada. Só… não estou acostumado com sabores tão… exóticos! E…

— Eles estão horríveis, Pam! — decretou Kelly, sem rodeios, ainda sem fôlego.

Pamela franziu o cenho.

— Por quê?

— Porque isso aqui está uma salmoura. Desculpa, mas é verdade.

— Droga! — Pam arfou. — Eu devo ter confundido o sal com o açúcar. Minha mãe não colocava identificação nenhuma naqueles potes idênticos de porcelana importada… Me desculpem, sério. Ainda bem que esses biscoitos não estão participando da competição.

— Hm… — Dwight surgiu do nada, analisando o biscoito com seriedade. — Snickerdoodles de canela com pasta americana. Interessante. Um sabor ousado. São meus favoritos. Posso pegar um?

— NÃO! — gritaram os três ao mesmo tempo.

Dwight recuou lentamente, ajeitando os óculos.

— Claro. — Pigarreou, erguendo o queixo. — Isso é… previsível. Exclusão social baseada em níveis de popularidade e em erros do passado. Erros pelos quais eu já te pedi desculpas, Pam, por aquela bolada!

Ajeitou os óculos e deu um passo para trás.

— De qualquer forma, biscoitos são uma distração inútil. Açúcar em excesso enfraquece o corpo e a mente. Lá em casa, chamamos isso de armadilha moderna. É por isso que minha mãe vai ganhar essa competição de novo este ano.

Virou-se para sair, murmurando:

— Eu nem queria um… — Fez uma breve pausa. — Mas anotarei isso. Todos os envolvidos. — Apontou o indicador para os três. Kelly revirou os olhos.

— Dwight, espera, não é isso… — Pam tentou explicar.

— Deixa ele pra lá, é o Dwight. Ele supera — disse Jim, despreocupado.

— Eu pego essa energia ruim dele e passo pro próximo. — afirmou Kelly, dando de ombros. — Claramente, isso está gorando a minha vitória de hoje.

— Por favor, Kelly, se acalme. O importante não é vencer, e sim se divertir — corrigiu Jim.

Pamela riu e olhou ao redor, passando os olhos pelas mesas. Notou que a placa com o nome Kaspbrak estava vazia.

— O Eddie e o Richie não vêm?

— Aaah, não. Eles foram visitar alguns amigos de outro distrito — respondeu Jim. — Você ainda mantém contato com esse seu… ex-namoradinho?

— Ele nunca foi meu namoradinho.

— Parecia que era, quando a gente tinha doze ou treze anos.

— Éramos só bons amigos…

— Só amigos — interrompeu Kelly, com um sorriso sugestivo.

— Tá, nós nos beijamos algumas vezes, ok? Mas isso foi há muitos anos.

— Claro, claro — Kelly respondeu, nada convencida.

— E seus irmãos, Jim? Pete, Tom e Larissa? Não vão passar o Natal aqui em Scranton? — perguntou Pam, mudando de assunto.

— Infelizmente, não. O Pete é casado e mora em outra estação. O Tom virou engenheiro de naves e vive trabalhando em cargueiros. E a Larissa se mudou para Marte, tentando a sorte no ateliê de artes dela, depois de terminar a faculdade.

— E o seu pai?

— Depois do divórcio, ele teve um AVC e hoje é cuidado numa casa de repouso especializada. Depois da competição, vou levar alguns biscoitos que sobrarem pra ele… menos os seus, Pam. Não me leve a mal, mas ele não pode mais correr o risco da pressão subir demais.

— Engraçadinho! — acusou a ruiva, fingindo indignação. — E meus sentimentos pelo que aconteceu ao seu pai.

— Tudo bem, ele está melhor hoje em dia. — Colocou as mãos nos bolsos do sobretudo marrom. — Bom, agora eu preciso escovar os dentes rapidinho pra tirar esse gosto de sal da boca e analisar os outros concorrentes — informou Jim, fazendo uma careta exagerada enquanto apontava para a própria boca. — Já volto.

— Combinado. E desculpa, de novo. Droga de potes de porcelana… — Pam murmurou, batendo de leve a mão na própria testa.

Jim riu baixo antes de se afastar.

— Gata, ele tá tão na sua! — sussurrou Kelly, inclinando-se na direção dela e soltando um uivo contido.

Pam revirou os olhos, tentando esconder o sorriso bobo que ameaçava surgir.

Antes que pudesse responder, Hedda se aproximou, passos firmes e expressão séria.

— Beesly? — chamou, cruzando os braços. — Posso conversar com você rapidinho? Em particular.

— Ok, claro — respondeu Pam, ajeitando o cabelo atrás da orelha.

Hedda a conduziu até os fundos da casa, para a varanda bem decorada, iluminada por luzes natalinas. O frio leve do comecinho do dia contrastava com o burburinho abafado da competição do lado de dentro.

— Está tudo bem, Sra. Schrute? Precisa de ajuda com alguma coisa? — perguntou Pam, apoiando as mãos no parapeito.

A senhora fez uma breve careta diante da gíria.

— Eu queria saber quando vamos falar sobre o desfile do boneco de neve — disse, direta.

— Certo. Que tal mais tarde, hoje à noite? — sugeriu Pam, inclinando a cabeça.

— Não. — Hedda foi categórica. — Eu nunca planejo nada depois do concurso de biscoitos.

— Por quê não? — A ex-atriz franziu a testa.

— Se eu perder, não estarei em condições de fazer absolutamente nada.

— Que bom que você é sincera…

— Mas eu nunca perdi! — continuou Hedda, erguendo o queixo. — Estou confiante. Sou invicta há quinze anos.

— Claro. Então, se você ganhar…

— Se eu ganhar? — Hedda arqueou uma sobrancelha.

— Desculpe…? Não. Quero dizer quando. — Pam ergueu as mãos, rendida.

— Não diga isso, garota — interrompeu Hedda. — Ninguém te ensinou que dá azar?

— Certo, certo. Eu só estava…

— Por favor.

— Ok, desculpa.

Hedda respirou fundo.

— Então, que tal assim: depois que o concurso acabar, a gente conversa. — sugeriu Beesly, amistosa.

— Parece ótimo pra mim.

— E se você estiver bem consigo mesma, e vai estar, podemos nos encontrar na sua casa à noite, depois que eu terminar de decorar a minha esta tarde. O que acha?

— Tá bom.

— Certo. — Hedda assentiu uma última vez.

— Te vejo depois lá no pódio, com o troféu. — disse Pam.

— Não começa de novo… — pediu Hedda.

— Ok, perdão. Foi sem querer. — A ruiva se encolheu.

— Ótimo. — A senhora jogou o cachecol para trás do ombro e ergueu o queixo para cima. — Garota atrevida!

Então, virou-se e retornou ao interior da casa, onde os primeiros jurados já começavam as degustações.

Pamela ficou alguns segundos parada, depois balançou a cabeça e cruzou os braços, respirando fundo antes de entrar novamente.

[...]

— Muito bem, pessoal, chegou a hora! — anunciou Barbara, erguendo a voz.

Todos se aproximaram, reunindo-se ao redor das mesas repletas de doces. Ao lado de Barbara estavam Jim e Dwight, ambos com tablets nas mãos.

— Todos aqui deram o seu melhor — continuou ela. — As votações já foram feitas, e eu sei que não foi fácil escolher um favorito entre tantas receitas maravilhosas. Mas precisamos coroar um vencedor para o Concurso de Biscoitos Natalinos deste ano.

— Toquem os sinos. É hora da verdade — decretou Hedda, cruzando os braços.

— Que o melhor biscoito vença — desafiou Kelly, inclinando-se sobre a mesa e arqueando uma sobrancelha em direção a Hedda, que a fuzilou com o olhar em resposta.

— Por favor, meninas — interveio Pam, tentando apaziguar. — É só uma competição de biscoitos.

Barbara pigarreou.

— O terceiro lugar vai para… Holly e Michael Scott!

— Eu consegui! — gritou a loira, pulando de alegria junto dos dois filhos.

— Terceiro lugar, isso aí! — comemorou Michael, levantando-se com cuidado da cadeira para evitar movimentos bruscos. — Meus parabéns para nós, querida. — Beijou a testa de Holly.

— Obrigada, amor!

Holly subiu até o pequeno palco improvisado e recebeu o troféu de bronze.

— Os spiced ginger snaps foram uma surpresa para mim — comentou Barbara. — Qual foi o ingrediente secreto?

— Pimenta ghost nepalesa, querida — respondeu Holly, piscando. — Funcionou perfeitamente. Eu disse ao Michael que precisávamos arriscar. Pena que ele teve… um pequeno incidente depois disso.

Barbara mordeu o lábio, segurando o riso; não queria soar maldosa com o pobre Michael.

— Certo — retomou ela. — Agora, o segundo lugar…

— Ninguém quer o segundo lugar — murmurou Hedda para sua pequena ajudante de longos cabelos pretos encaracolados e olhos verdes esmeraldinos. — Pode ir se preparando, Kelly… porque vai ser seu. De novo.

Kelly respirou fundo, claramente se controlando para não xingar, já que havia crianças por perto.

Barbara abriu o envelope.

— Hedda e Mari Schrute, pelas luxuosas trufas de eggnog!

O silêncio foi imediato.

Hedda ficou estática, pálida. Dwight arregalou os olhos, incrédulo. Kelly caiu na gargalhada, enquanto Pam tentava segurá-la, puxando-a pelo braço.

— O quê?! Não pode ser! — Hedda praticamente gritou. — Algo está errado. Eu exijo uma recontagem!

Sua pequena ajudante correu para ampará-la, puxando uma cadeira antes que ela desabasse.

— Sinto muito, Hedda — disse Jim, com cautela. — Conferimos duas vezes, e os resultados estão absolutamente corretos. — Pegou o trofeu de prata de cima da mesa e levou até a mulher, que nem fez questão de olhá-lo.

A pequena ajudante o pegou com prazer.

— Obrigada, Jim!

— De nada, Mari. Vocês merecem. — Sorriu, desarrumando rapidamente os cabelos da menininha, que riu em resposta.

Dwight, ainda em choque, apressou-se em buscar um copo de água com açúcar para a mãe.

— Ok… muitas emoções e reviravoltas por aqui hoje, não é? — comentou Barbara, forçando um sorriso profissional. — Mas vamos ao que interessa. A vencedora, em primeiro lugar, por suas meias de noz-pecã absolutamente perfeitas… Kelly Kapoor e Pamela Beesly. Sim, isso é uma novidade e tanto!

Kelly soltou um grito tão alto que algumas crianças taparam os ouvidos. Em seguida, agarrou Pamela e Michael em um abraço apertado demais, pulando de um pé para o outro como se tivesse acabado de ganhar uma medalha olímpica.

— Eu ganhei! Eu realmente ganhei! Muito obrigada, meu Deus, isso é surreal, eu não estava pronta pra isso! — dizia, quase sem fôlego, enquanto gesticulava demais e por pouco não se desequilibrava.

Nesse exato momento, Hedda desabou dramaticamente nos braços do filho.

— Uma ambulância! Alguém chame uma ambulância, por favor! — gritou Dwight, com os óculos finos tortos no rosto. — Ela é cardíaca!

Jim correu até ela e discou o número de emergência, enquanto verificava os batimentos da senhora.

— Impressionante como essa mulher ama ser o centro das atenções — comentou Kelly, ajeitando o cabelo e revirando os olhos. — Tipo… é sempre sobre ela. Muito conveniente.

— Meu Deus… — murmurou Barbara, tentando manter a compostura enquanto pegava o troféu de ouro e o entregava a Kelly. — Kelly, gostaria de dizer algumas palavras?

Kelly segurou o troféu com força, emocionada.

— Sim. Quero agradecer a todos que acreditaram em mim — começou, solenemente. — Aos meus avós, pelas receitas. À minha dedicação. À minha perseverança. À minha melhor amiga Pam, por ter acreditado no meu potencial desde o início. E… engole essa, Hedda Schrute!

Hedda, que havia erguido levemente a cabeça após alguns tapinhas discretos do filho, “desmaiou” novamente.

— A minha mãezinha precisa de um hospital urgente, Jim! — anunciou Dwight, em pânico, balançando os dois ombros de Jim para trás e para frente, o atrapalhando a segurar o celular.

Não demorou muito para que uma ambulância chegasse e levasse Hedda, acompanhada do filho, ao hospital mais próximo.

Quando o tumulto finalmente diminuiu, Barbara voltou a falar:

— Obrigada a todos por terem vindo, e desculpem a confusão. Tenho certeza de que a Hedda ficará bem… foi muita pressão para ela.

— E bota pressão nisso! — gritou Kelly, empolgada, levando imediatamente uma bronca baixa de Pam.

Barbara pigarreou e continuou:

— Espero que todos tenham guardado biscoitos para o Papai Noel, porque ele estará aqui em seis dias!

Todas as crianças gritaram com as mãos para cima, em uníssono.

— Agora… campeãs, que tal uma foto? — sugeriu a Halpert.

Ryan Howard assumiu o papel de fotógrafo, ajustando a câmera com cuidado. Holly, Mari e Kelly ficaram ao centro, erguendo orgulhosamente seus troféus. Pamela e Jim posicionaram-se à esquerda, enquanto Barbara, Michael e as crianças ficaram à direita, alinhados diante da mesa repleta dos doces vencedores. Todos sorriram.

As mãos de Pam e Jim acabaram se tocando por causa do empurra-empurra dos filhos de Michael. Foi sem querer. Ainda assim, eles ergueram os olhos ao mesmo tempo e se encararam exatamente no instante em que Ryan registrou o momento.

Notas finais
Larissa e Douglas são os melhores cupidos que existem! Sim ou claro?❤️ E esse plot twist a nossa queridissíma Hedda Schrute não esperava ksksksks Eu ri escrevendo, ri relendo e minha beta/melhor amiga Faila riu também quando avaliava! Enfim, beijos ❤️ Até mais!