Fragmentos de uma Obsessão

3 Parceiras de trabalho


Notas iniciais
Boa leitura!

Como já era previsto Verônica chegara mais atrasada do que o habitual, Caroline a encarava com olhos severos, sabia que a detetive experiente não tolera atrasos. Mas por alguma razão estranha, Verônica ainda era bem quista ali, o que era quase um milagre divino.

– Por enquanto é só. – Encerrou Caroline ao ver Verônica empurrando a porta da sua sala sem bater.

Desliga o telefone.

Típico de Verônica. Pensou.

– Eu sei, eu estou atrasada. – Começou a se explicar.

– Como se já não fosse de esperar. Pegue um café e senta-se, o dia será longo.

Os olhos de Verônica encararam a mulher de olhos castanhos, pele morena e cabelos escorridos de alisamento, seus lábios carnudos ainda eram sexy apesar do tempo — seu sorriso ainda causara uma perturbação deliciosa nos homens. Divorciada e mãe de dois filhos, a detetive era uma mulher que gostara de bons vinhos e uma boa MPB, mas que era muito seria e rígida em seu trabalho, talvez por isso tenha se tornado a detetive mais requisitada do estado de São Paulo – e com aquele caso, não fora diferente.

Com um copo descartável de papelão de café nas mãos, Verônica sentou-se na frente da mulher que agora encarava a tela do computador. Analisando-a por um momento, Verônica pode perceber que a mulher estava séria, parecia digitar algo, um documento, presumiu.

– Caso dos grandes? – Indagara Verônica enquanto tomava um gole do seu café preto que descera quente pela garganta.

– Conhece Carmem Florent? – Começou.

– Aquela ricaça da empresa de tecidos? – Caroline assentiu – O que tem ela? – Continuou Verônica.

– Ela foi assassinada ontem, no meio da sua comemoração do seu aniversário. O assassino ainda não identificado dera um tiro certeiro.

Naquele momento, Verônica sentiu uma pulsação na nuca, era algo que sempre acontecera antes de ser encaminhada para qualquer caso, era quase como um tique nervoso.

– Já pegamos o caso? – Verônica estava com um semblante sério.

– Sim, estamos encaminhados. O nosso setor vai cuidar da investigação. Já mandei os peritos para o local do crime. Mas eu deixei a cereja do bolo para você – Caroline riu com ironia – Toma – entregou para Verônica uma pasta bege sem vida escrito “ Carmem Florent – ai tem tudo que conseguimos até o momento, lista de convidados, funcionários da casa e da festa, ligações telefônicas e as imagens da câmera será fornecida pela equipe de segurança do condomínio.

Detetive Rubens respirou parecendo entediada, trabalhara com isso há tantos anos que já se cansara de assassinatos ou crimes mistérios, nesse momento ela só desejara passar o seu domingo com o novo namorado Marcos – um português cheio de fogo e com um bigode peculiar – beirando os 57 anos, Caroline saberá dos prazeres da vida. E nesse momento Marcos era um deles.

– Por enquanto é só. A agente Amélia vai te ajudar com a investigação – ao perceber o endurecimento da face de Verônica, Caroline continuou – Vocês formam uma boa dupla.

Caroline riu.

Revirando os olhos Verônica levantou-se, com passos pesados e irritados seguiu para fora da sala, batendo a porta que prendia a placa “DETETIVE C. RUBENS.”

– Me mantenha informada! – Gritou Rubens por trás da porta.

Aquilo só podia ser um pesadelo, pensou Verônica enquanto cruzada os corredores da delegacia de homicídios.

Um dos policiais desejou “bom dia” com aquele olhar peculiar de um homem tarada quando via uma lésbica à vista. Mas estava tão perturbada com a ideia de trabalhar com a Amélia novamente que não notou a investida do rapaz.

Verônica e Amélia trabalharam juntas há cinco anos, logo quando Amélia entrou para o corpo de detetives da cidade, Verônica ainda era jovem demais e pouco experiente, fora um caso simples de latrocínio, e as duas saíram muito bem juntas.

Mas isso foi antes de se envolverem amorosamente.

Amélia, talvez, fora a única mulher que Verônica gostara de fato, viveram dois anos juntas, e pensaram até mesmo em se casar e comprarem um apartamento, — coisa de sapatão apaixonada, pensou Verônica com frieza – tudo estava maravilhosamente bem entre elas, viviam um romance ardente, com direito a declarações apaixonadas entre um orgasmo e outro. Verônica exalava felicidade, adorava a mulher e ela parecia gostar de Verônica. Mas tudo mudara em uma tarde de fevereiro, logo depois do carnaval. Amélia terminara tudo.

“Estou apaixonada, Veronica.”

“Quem é ela?”

“Não é ela. É ele.”

A lembrança ainda era dolorosa, Verônica de fato amara Amélia, e a separação caiu como uma bomba em sua vida. Desde então, Verônica nunca mais procurou por Amélia, só sobera do seu casamento com o tal de William por conta do convite que vira na mesa de Caroline. Só sabia que ela havia se mudado para o Rio de Janeiro e trabalhara na delegacia local. Mas, alguns meses atrás começaram boatos que ela havia voltado, e estaria divorciada. No começo, Verônica não acreditara, mas agora, tudo começou a ficar mais claro.

– Verônica?

Verônica sabia a quem pertencia àquela voz doce que surgira atrás de si, mas por um momento sentiu-se relutante a virar. Ela não estava pronta para um reencontro, talvez, mas naquele momento ela só queria ignorar o chamado caminhar em direção à saída e não olhar para trás.

Mas não fora o que fez.

Quando se virou deparou com a figura miúda e de olhos esverdeados que exalavam simpatia, Amélia tinha cabelo de um loiro em um corte Chanel longo, seu sorriso era largo, e seus dentes de tão brancos parecia ter saído um comercial de tevê, sua pele era bronzeada pelo sol, o que a deixara em um tom mel reluzente, sua silhueta era esguia sem grandes curvas. Aquela mulher ainda atraia Verônica, lhe causando raiva e desejo simultâneos.

– Nossa. Como você está? – Amélia a abraçou, mas Verônica permanecera imóvel.

– Bem. – Afastou-se – Vamos começar? Temos muita coisa no que trabalharmos.

– Sim. Eu estou ansiosa para trabalhar com você novamente! – Falou em um tom de sinceridade.

Que pena que não posso dizer o mesmo. Verônica pensou, dando se

Notas finais
E ai, o que acharam? Até o próximo capitulo.