Fragmentos de um Sonho: Foi com Ele que Sonhei

2 O Encontro Onírico que Despertou um Amor Eterno


Este foi o primeiro encontro onírico de Alice com essa pessoa misteriosa, registrado pela primeira vez em 2011, quando ela tinha cerca de 15 anos. Naquela época, Alice aguardava ansiosamente pela tão esperada festa de aniversário, que, em sua imaginação, poderia ser o cenário para o encontro com seu príncipe encantado. No entanto, foi em seus sonhos que ele se formou, revelando-se como a figura que preenchia os anseios de seu coração.

Em um passeio encantador com a escola, Alice mantinha sua habitual distância dos colegas. Ela sempre acreditava que não valia a pena se engajar em conversas superficiais com eles, preferindo, assim, seu isolamento.

Durante a excursão, três de seus colegas encontraram um amigo. Ele era alto, moreno, e tinha olhos pretos penetrantes. Os rapazes estavam animadamente compartilhando histórias sobre as inúmeras conquistas que tiveram nas baladas.

Alice ouvia o amigo deles dizer que aguardava a pessoa que amava. Quando seus olhos encontraram os dela, Alice rapidamente virou o rosto, tentando esconder sua presença. No entanto, algo naquele olhar indicava que ele havia despertado um interesse por ela.

— Quem é aquela menina? — perguntou ele.

— É a Alice — respondeu o primeiro colega, fazendo pouco caso.

— Você ficou interessado nela? — provocou o segundo colega.

— Ela não conversa com ninguém e ainda bate em quem mexer com ela.

— Eu vou beijar ela — disse o garoto misterioso.

— Hahaha, ela vai te bater se falar isso — o colega debochou.

Alice encarou o colega, e ele se escondeu rapidamente atrás do outro.

— Você acha ela bonita?

— Eu gostei dela — respondeu o garoto misterioso, andando em direção a Alice.

— Eu não vou beijar ninguém! — Alice já se preparava para se defender.

O menino sorriu e disse:

— Hum, gostei de você. Agora quero ainda mais o seu beijo.

— Grr, só se você me derrotar em uma luta — desafiou Alice, desacreditando que ele aceitaria lutar com ela.

— Tá — respondeu ele.

Imediatamente, ele correu em direção a Alice e desferiu uma voadora. Alice segurou o ataque com a mão e revidou com um chute. O menino, ágil, pulou para trás, desviando do golpe, e seus olhos se tornaram castanhos. Com um soco, Alice acertou-o de raspão, deixando-o surpreso pelo quase impacto.

— Nada mal... — disse o garoto, com um pouco de sangue saindo da boca. Seus olhos ficaram verdes claros.

— Eu falei — lembrou um dos colegas.

— Que isso? Ele é muito forte! — exclamou o outro colega, admirado pela coragem do menino em enfrentar Alice de frente.

— Para de tentar me beijar, tá lutando só por causa disso? — Alice exclamou, frustrada e sem entender nada do que estava acontecendo.

O menino se preparou para dar outro soco.

— Sim — respondeu ele, com os olhos ficando castanhos.

Dando um salto para trás, Alice reagiu com um soco. Ele agarrou a mão dela e tentou puxá-la para um beijo. Rapidamente, Alice se desvencilhou, empurrando-o para longe.

— Hum, vou pegar pesado — o garoto declarou, posicionando as mãos para baixo.

— Você vai usar magia? — perguntou um colega, assustado.

O garoto sorriu, e luzes começaram a aparecer ao seu redor, com seus olhos ficando vermelhos. Alice percebeu a seriedade da situação e se sentiu ameaçada.

— Chega, chega! Tudo bem... — ela disse.

Ele parou e seus olhos clarearam.

— Eu deixo você me beijar — disse ele.

Ele se aproximou devagar.

— Que bom — respondeu Alice, enquanto ele pegava seu queixo. — E depois disso, quero te mostrar o que tenho para você.

Olhando nos olhos do menino, Alice não suportou ver seu rosto tão próximo ao dela. Um calor sutil subiu às suas bochechas, e uma onda de timidez se apoderou dela, fazendo-a recuar levemente, desconfortável com a proximidade inesperada.

— Não dá, eu não consigo! — Alice exclamou, empurrando-o no impulso.

Uma voz ecoou no sonho dela:

— ACABOU O TEMPO!

— Não, me dê mais tempo! Eu quase a beijei — ele gritava, com uma expressão de medo e bastante agitado.

Um enxame de ratos surgiu dos recantos mais sombrios, voando em um grande grupo. Eles se lançaram como uma sinistra tempestade sobre ele, obscurecendo o cenário e derrubando-o no chão.

— O que é isso? — Alice pensou, sentindo as coisas ficarem cada vez mais sem sentido para ela.

— Por favor, me beije! — ele gritava, estendendo uma mão para ela.

À medida que os ratos percorriam o menino, eles se transformavam em insetos, e o corpo dele desaparecia lentamente. Alice ajoelhou-se ao lado da cabeça do menino, com o coração pulsando desesperadamente enquanto tentava decifrar o que deveria fazer. Com olhos suplicantes, ele clamava por salvação. Num impulso, Alice abaixou-se e o beijou. O momento tenso foi preenchido pelo escurecimento de seus olhos, que se tornaram profundos e negros como a própria noite.

— Obrigado, você me salvou. Por isso eu vou poder voltar — disse ele, enquanto os insetos terminavam de passar por ele e ele desaparecia.

— O que ele quis dizer com isso? — Alice se perguntou, confusa.

Após esse sonho, Alice voltou no tempo para o mesmo cenário, tentando alertar o garoto sobre os ratos. No entanto, algo sempre interferia, impedindo-a de modificar a cena que se repetia com outra Alice, que ela observava como se estivesse fora da história. Ela tentou escapar e antecipar a manifestação dos ratos, mas percebeu a presença de bruxas por trás daquele encantamento, embora não conseguisse encontrá-las. O sonho se encerrou sem oferecer qualquer explicação.

Ao despertar, Alice compartilhou o estranho sonho com sua irmã, mas decidiu deixar para lá e seguir com seu cotidiano, até que o segundo sonho chegou.