Fragmentos de um Sonho: Foi com Ele que Sonhei
4 A Busca de Alice e o Silêncio do Destino

Numa fase em que Alice estava bem acordada e de olhos bem abertos, ela mais uma vez soltou a história pra sua irmã sobre os sonhos estranhos com aquele cara misterioso. A irmã achou meio estranho, deu uma encolhida de ombros e seguiu a vida. Mas Alice, bem, ela não conseguia tirar isso da cabeça, porque achava tudo muito fora do comum.
Então, ela decidiu pedir ajuda divina. Fez suas preces a Deus, pedindo que se houvesse alguma coisa ruim nesses sonhos, que Ele desse um jeito de tirar isso da vida dela. A incerteza estava mexendo com a cabeça dela, uma mistura de medo e curiosidade.
Ao mesmo tempo, Alice começou a sentir uma saudadezinha. Era como se a curiosidade dela tivesse aberto um buraquinho no coração, causando uma nostalgia precoce. O desejo de entender o que estava acontecendo nos seus sonhos a deixava com um gostinho de saudade antecipada. Até que, passadas algumas semanas, o tal sonho finalmente aconteceu.
Alice se via imersa em uma cidade desconhecida, onde os prédios, com sua arquitetura peculiar, erguiam-se majestosamente ao seu redor. A atmosfera que envolvia o local não se entregava totalmente ao estilo futurista, nem se ancorava em um passado remoto; pelo contrário, assemelhava-se a um cenário tipicamente italiano, com ruas estreitas e fachadas encantadoramente desgastadas, salpicadas por uma paleta vibrante de cores.
Ao percorrer as sinuosas vias entre os edifícios, Alice notava detalhes encantadores, como janelas adornadas por flores coloridas e pequenas sacadas que pareciam convidar para um mundo de histórias a serem contadas. O ambiente era marcado por uma atmosfera acolhedora, onde as cores das construções se misturavam harmoniosamente, criando um espetáculo visual que encantava a cada esquina.
Ao emergir de entre os prédios, Alice encontrou-se em uma animada região comercial. Barraquinhas de feira se alinhavam ao longo das ruas estreitas, exibindo uma variedade de produtos que iam desde frutas frescas a artesanatos locais, todos contribuindo para a vibrante paleta de cores que caracterizava a cidade. O burburinho dos vendedores e clientes criava uma trilha sonora movimentada, enquanto as fachadas pintadas e os toldos coloridos complementavam a atmosfera alegre e acolhedora do lugar. O aroma tentador de especiarias e comidas locais pairava no ar, convidando Alice a explorar ainda mais as maravilhas dessa cidade misteriosa e colorida.
No epicentro da feira, desvendava-se um espaçoso corpo d'água que se estendia em amplidão. Não se tratava precisamente de uma fonte, mas sim de um vasto local onde as águas se espalhavam, delineando uma praça generosa que ampliava a sensação de espaço e luz solar no ambiente.
Essa extensão aquática tornava-se um ponto focal de magnitude, criando uma atmosfera serena e refrescante no coração da feira movimentada. O reflexo do sol sobre a superfície da água pintava um espetáculo de luzes dançantes, adicionando uma pitada de encanto ao cenário.
A praça, agora beneficiada pela presença expansiva da água, transformava-se em um ponto de convergência animado. Bancas coloridas emolduravam esse vasto local, expondo suas mercadorias entre uma variedade de tons vibrantes. A água circundante proporcionava um contraste sereno, adicionando uma trilha sonora suave à agitação e ao burburinho da feira.
Os frequentadores da feira se reuniam ao redor dessa extensão aquática, desfrutando não apenas da visão expansiva, mas também da atmosfera tranquila que emanava do local. O sol, agora mais presente graças à abertura proporcionada pela área aquática, iluminava cada detalhe, conferindo uma atmosfera calorosa e acolhedora ao coração da cidade misteriosa e colorida.
Alice, parada em meio à cidade desconhecida, deixava seu olhar percorrer as ruas movimentadas, absorvendo os detalhes do ambiente. Foi então que avistou um dos acompanhantes do misterioso rapaz que frequentava seus sonhos. Num instante de reconhecimento, ela percebeu que, no sonho anterior, eles aparentavam ter idades próximas. No entanto, na realidade diante dela, notou uma mudança sutil em sua aparência. Ele não ostentava sinais avançados de idade; em vez disso, revelava-se como um jovem adulto, como se tivesse acabado de adentrar essa fase da vida.
O rapaz, agora em carne e osso, destacava-se na multidão com sua presença marcante. Vestia-se com uma indumentária que remetia a um sacerdote ou algo parecido, lembrando até mesmo as vestes da realeza. A elegância de seu traje transmitia uma aura de autoridade e importância. Seus traços faciais, antes talvez mais juvenis nos confins do sonho, ganhavam agora uma profundidade que indicava a transição para a maturidade. Um olhar mais maduro, postura firme e uma expressão que denotava experiências recentes marcavam sua figura.
O encontro iminente entre os dois, marcado pela presença notável do rapaz em trajes formais e dignos de nobreza, prometia revelar mais segredos e mistérios!
Alice, imersa na cena intrigante diante dela, não se limitou a ser uma mera espectadora. Sentindo uma mistura de curiosidade e coragem, ela dirigiu-se ao jovem com uma expressão questionadora: "Ei, você se lembra de mim?"
O garoto, com seu semblante enigmático, pareceu pausar por um momento, como se estivesse tentando resgatar memórias de algum lugar distante. A cidade agitada ao redor continuava com sua rotina, enquanto Alice aguardava ansiosamente pela resposta. Como se a indumentária imponente do rapaz indicasse um papel de destaque, a troca de palavras entre eles poderia desvendar ainda mais os segredos dessa trama envolvente, como se o desfecho dessa conversa pudesse abrir portas para revelações surpreendentes.
Alice persistiu com sua abordagem decidida: "Sabe sobre o seu amigo?"
O garoto imponente, elegantemente trajado e envolto em uma presença que emanava autoridade, respondeu com firmeza: "Ele é quem governa este lugar; mostre mais educação!"
Diante dessa repreensão, Alice, sentindo-se constrangida, baixou a cabeça em sinal de humildade e pediu com gentileza: "Desculpe. Pode dizer a ele que estou aqui e com saudades?"
O garoto importante, mantendo uma postura séria, apenas resmungou um "uhn" antes de se afastar. O diálogo entre Alice e o rapaz não apenas se destacava pela formalidade, mas também pela atmosfera tensa que permeava cada palavra trocada.
Naquele momento, um silêncio quase solene envolvia a cena quando o jovem voltou seu olhar para o céu. As nuvens, como se obedecessem a um comando divino, começaram a se abrir lentamente, revelando um cenário celestial. O garoto misterioso, ansiado por Alice, emergiu da abertura celestial, acompanhado por uma comitiva de homens que flutuavam graciosamente no ar. A atmosfera ganhava contornos etéreos, enquanto o grupo se aproximava vagarosamente do solo e, mais especificamente, em direção a Alice.
Cada passo descendente daquele ser enigmático parecia carregar consigo uma carga de mistério e magia, transformando o ambiente ao redor em um palco mágico. A curiosidade de Alice crescia à medida que a figura do rapaz se aproximava, e a visão dos homens que o acompanhavam, levitando com uma elegância sobrenatural, adicionava uma dimensão surreal à cena.
A cidade ao redor, antes pulsante com sua vida cotidiana, parecia ceder espaço para esse espetáculo celestial que se desenrolava diante dos olhos de Alice. Cada segundo que passava alimentava ainda mais a expectativa e o fascínio, deixando no ar a sensação de que algo extraordinário estava prestes a acontecer.
À medida que o garoto misterioso descia das nuvens, uma onda de reverência parecia se espalhar pela cidade. Um a um, os habitantes interrompiam suas atividades diárias, atraídos pela presença celestial que se desdobrava diante deles. O movimento frenético das ruas dava lugar a uma cena de respeito e adoração, à medida que todos, sem exceção, se ajoelhavam em sinal de deferência. A transformação não poupava nem mesmo o rapaz com quem Alice havia iniciado a conversa; mesmo ele, envolto pela aura imponente do recém-chegado, não resistiu a se curvar diante da figura extraordinária que emergia das alturas. A cidade inteira, agora unida por um gesto coletivo de humildade, testemunhava a chegada do rapaz com um misto de reverência e fascínio, dando àquela jornada um caráter ainda mais divino e enigmático.
Enquanto o garoto misterioso pousava diante dela, Alice percebeu de imediato a marcante mudança em sua aparência. O que antes poderia ser lembrado como uma figura infantil nos confins dos sonhos, agora se manifestava como um jovem adulto diante de seus olhos. A metamorfose era notável, e cada detalhe, desde a expressão mais madura até a postura firme, evidenciava a transição daquela figura enigmática. Além disso, seu rosto exibia expressões mais sérias, como se o peso de experiências recentes tivesse deixado uma marca palpável. O instante em que ele se colocou diante de Alice não só confirmou a evolução física, mas também trouxe consigo um ar de mistério e revelação, consolidando ainda mais a singularidade desse encontro.
Alice, diante da presença imponente do jovem misterioso, sentiu-se envolta por uma mistura de fascínio e perplexidade. A metamorfose do rapaz, sua transição de uma figura onírica infantil para um jovem adulto, deixou-a momentaneamente atônita. Perante esse espetáculo surreal, Alice debatia-se entre a incredulidade e o desejo de compreender a natureza daquele encontro. O silêncio pairava entre eles, tornando o ambiente carregado de expectativas. No entanto, algo notável capturou a atenção de Alice: o rosto do jovem, agora mais maduro, permanecia notavelmente sério. Ao contrário dos últimos sonhos, nos quais ele demonstrava alegria e um desejo evidente por sua presença, agora não exibia qualquer emoção visível. Seus olhos intensos, fixos em Alice, transmitiam uma seriedade que contrastava com o fervor emocional dos sonhos anteriores. O impasse tornava-se palpável, e a atmosfera densa sugeria que esse encontro transcenderia as fronteiras entre o real e o onírico.
Alice, ao observar a postura imponente do jovem diante dela, sentiu-se compelida a seguir o exemplo dos demais habitantes da cidade e se ajoelhou. No entanto, seu gesto não foi apenas físico; mentalmente, uma torrente de dúvidas a assaltou. Enquanto seus joelhos tocavam o chão, uma pergunta ecoava em seus pensamentos: "Será que era isso que deveria fazer?" A incerteza pairava no ar, envolvendo Alice em um dilema entre a obediência às convenções daquele momento extraordinário e a busca por compreender o significado mais profundo de suas ações diante do enigma que se desenrolava diante dela.
O menino, ao passar por Alice com indiferença, deixou uma sensação de desconcerto pairando no ar. Seu gesto, aparentemente ignorando a presença dela, desencadeou uma onda de perplexidade e confusão nos sentimentos de Alice. Enquanto ele seguia adiante como se não a conhecesse, uma mistura de insegurança e dúvida se instalou em seus pensamentos. Nesse instante singular, a conexão que Alice buscava estabelecer parecia dissipar-se, deixando-a confusa e questionando se havia cometido algum equívoco ou se estava no lugar errado para encontrar aquele que procurava. Após todos esses sentimentos tumultuados e inseguranças, Alice despertou do sonho, deixando para trás um rastro de incertezas que a acompanhariam mesmo no mundo desperto.
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