O inverno nunca foi tão profundo

Vagarosamente a neve cobre tudo o que outrora se via

De floco em floco, minha alma acaba soterrada

Não é como se antes houvesse um sentido no calor do sol,

É só que as pontas de meus dedos já começam a endurecer como nunca

Estou paralisada, nessa congelante e lastimável situação...

Se existe algo ainda vivo dentro de mim, está dormente

Sem me mover, sem respirar

O grito eterno do meu desespero

Ecoa silenciosamente pelo vácuo do que um dia foi minha esperança

E lentamente não sinto mais nada, até a dor me abandonou

Não sei distinguir o hoje de amanhã ou mês passado

Tudo que faço é continuar, subsistir

Sem razão, sem motivo

Nem a loucura consigo alcançar

Sou apenas eu contra mim mesma

Nesse gélido espaço que me rodeia

Fora da realidade, não há nada mais real

Finalmente estou sucumbindo aos meus pesadelos...

Quando uma luz cintila tão intensamente que me cega por completo

“Este é o fim” eu penso, enfim

Mas sua voz me adentra, estremecendo cada partícula do meu corpo

O sangue recomeça a circular

Estou em crise

O coração é tão célere que penso estar morrendo ante a seu sussurro suave

“– Este é o começo”.