Fragmentos de Um Universo Qualquer
3 Primavera
O inverno nunca foi tão profundo
Vagarosamente a neve cobre tudo o que outrora se via
De floco em floco, minha alma acaba soterrada
Não é como se antes houvesse um sentido no calor do sol,
É só que as pontas de meus dedos já começam a endurecer como nunca
Estou paralisada, nessa congelante e lastimável situação...
Se existe algo ainda vivo dentro de mim, está dormente
Sem me mover, sem respirar
O grito eterno do meu desespero
Ecoa silenciosamente pelo vácuo do que um dia foi minha esperança
E lentamente não sinto mais nada, até a dor me abandonou
Não sei distinguir o hoje de amanhã ou mês passado
Tudo que faço é continuar, subsistir
Sem razão, sem motivo
Nem a loucura consigo alcançar
Sou apenas eu contra mim mesma
Nesse gélido espaço que me rodeia
Fora da realidade, não há nada mais real
Finalmente estou sucumbindo aos meus pesadelos...
Quando uma luz cintila tão intensamente que me cega por completo
“Este é o fim” eu penso, enfim
Mas sua voz me adentra, estremecendo cada partícula do meu corpo
O sangue recomeça a circular
Estou em crise
O coração é tão célere que penso estar morrendo ante a seu sussurro suave
“– Este é o começo”.
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