Fractal

2 Um céu pintado de vermelho e o desastre


A muito tempo atrás, antes de o mundo se tornar degradado e muito mais perigoso, ele era ditado por pessoas poderosas, que conseguiam manipular elementos da natureza à seu favor. Vilas lutavam uma contra as outras em busca de se defender ou manter seu orgulho. Foi em meio a esse caos que nasceu uma menina, uma como qualquer outra, mas, em meio a tudo isso, ninguém esperava o que aconteceria naquela simples tarde.

─ Sasu, cade você? Nosso pai tá chamando e a mamãe fez onigiri. Ela sabe que você adora!

─ Ela fez é? ─ Uma garota de aproximadamente 8 anos sai de trás de uma árvore. Seus cabelos eram longos e negros, seus olhos cor de jabuticaba eram profundos. A pupila esquerda tinha o formato de uma estrela de seis pontas, a do direito simplesmente não existia. Sua pele, normalmente branca como neve, estava rosada devido a agitação da brincadeira de pega-pega com os amigos que havia terminado a pouco tempo. Ela também abrigava no rosto, leves sardas na região das bochechas como se tivessem sido salpicadas ali. Olhava seu irmão gêmeo com um sorriso no rosto. ─ Sendo assim então vamos. ─ Saiu correndo alegremente. ─ Vem logo Suke! ─ Gritou enquanto corria, logo, o garoto foi atrás.


(...)


─ Vocês demoraram. Onde estavam? ─ Itachi soava calmo e equilibrado como sempre.

─ Sasune levou a sério o pega-pega. Saiu correndo tão rápido que ninguém conseguiu alcançá-la. ─ Sasuke exclamou. Ainda ofegante pela correria pra chegar em casa e alcançar a irmã.

─ Eles é que são muito devagar. Minha velocidade é só uma vantagem. ─ A garota fala com um grande sorriso no rosto.

─ Que seja. Vão lavar as mãos antes que a mamãe brigue com vocês. ─ Ele declarou.

─ Ok, ok. ─ Os gêmeos disseram em uníssono.


─ Sasune, Sasuke, fico feliz por terem chegado, mas da próxima vez espero que seja na hora. ─ Mioto, a mãe deles, era gentil, mas quando preciso virava uma fera.

─ Sentimos muito mamãe. Prometemos que isso não vai acontecer de novo! ─ Sasuke afirmou.

─ Então tudo bem. Agora sentem e comam!

─Sim senhora! ─ Falaram em uníssono mais uma vez.

─ Quer dizer que eles finalmente chegaram. Achei que teria que mandar alguém procurá-los. ─ Fugaku, o pai deles, havia chegado já brincando com os dois.

─ Perdões papai. ─ Sasune começou a falar. ─ Me envolvi demais na brincadeira e Sasuke se atrasou por minha causa.

─ Não tem problema, querida. Mas da próxima vez chegue no horário certo.

─ Pode deixar!


(...)


Tínhamos acabado de terminar nosso almoço e já era meio de tarde quando ouvimos um estrondo. Como éramos da família principal do clã Uchirra, nosso pai achou que estávamos sobre ataque.


─ Fiquem aqui! Eu vou ver o que está acontecendo. ─ Anunciou Fugaku.

─ Certo, mas tome cuidado. ─ Mikoto alertou.

─ Não se preocupe. Eu vou ficar bem.


Mal sabiam eles que o verdadeiro pesadelo estava prestes a começar.


Lá fora, o céu estava vermelho, o que não deveria acontecer nesse horário, pois o sol demoraria a se pôr.


─ Isso é muito estranho.

─ O que está acontecendo pai? ─ Itachi perguntou de dentro da casa.

─ Fique aí Itachi, o dia não está normal.

─ Ok mas... o que é "aquilo"? ─Algo parecia estar se aproximando, um grande objeto, uma bola, um meteorito.

─ Mas o que..?


Antes que ele pudesse terminar a frase, o objeto colidiu no chão com um impacto que destruiu toda a casa. A família agora estava soterrada sob os escombros da construção. Alguns mais visíveis do que outros, a estrutura completamente destruída e em chamas.



(...)




O lugar parecia estranho. Uma sala branca sem nada que pudesse ser marcante. A mente dela estava confusa. Tudo parecia um borrão em seus olhos e sua cabeça latejava. Olhou para as próprias mãos, estavam enfaixadas e as bandagens estavam com sangue, o que indicava que precisavam ser trocadas. Se sentou e conseguiu identificar que estava em um quarto de hospital. Olhou ao redor e viu Itachi. O irmão estava sentado em uma poltrona, e, assim como ela, cheio de curativos.


─ Itachi..? Onde estamos? Minha cabeça tá latejando.

─ Sasune você acordou! Ainda bem! ─ Ele parecia exausto, mas aliviado.

─ O Que aconteceu afinal?

─ Aquela explosão. ─ Ele cerra o maxilar e fecha as mãos, suas unhas se cravando e arranhando a carne.

─ Ah..! ─ A mente dela volta para aquela memória esquecida. ─ Onde está o Sasuke? E os nossos pais?? ─ Falou já se levantando, mas seu irmão a impediu.

─ Sasuke está em outro quarto. E nossos pais... ─ Ele parecia muito frustrado. ─ Não estão mais aqui.


O peso daquelas palavras deixou o ar denso. A garota começou a ofegar, lapsos de memória da sua casa destruída, a família soterrada e o sangue em abundância que escorria dos corpos de seus pais fazendo com que uma lágrima solitária escorresse de seus olhos.


─ Não é possível... Não com eles.. ─ Ela havia entrado em um estado de negação. Seu corpo tremia, seus olhos estavam nublados por causa das lágrimas e não conseguiam focar em nada, a pupila dilatava e a pele empalidecida.

─ Vou chamar um médico. Você acabou de acordar de um coma e seria bom que te examinassem.


Itachi havia saído do quarto. Sasune não tentou impedi-lo, na verdade não conseguia fazer nada além de remoer a perda de seus pais. Ela já havia perdido o irmão dois anos antes e agora isso. Mesmo assim, sua mente se permitiu vagar as palavras do irmão. "Coma". Ela realmente tinha entrado nesse estado? E se sim por quanto tempo? Estava aflita. Queria ver Sasuke mais do que tudo já que ele e Itachi eram a única família dela agora. Olhou pra porta que se abriu. Não eram nenhum de seus irmãos e sim Sakura, a filha adotiva de Minato Namikaze e Kushina Uzumaki e melhor amiga da garota com olhos de jabuticaba.


─ Sakura..? ─ A voz soou mais surpresa que o desejado, mas ela tentou se manter firme. Si é que isso era possível em seu estado atual.


A garota sem dizer nada se aproximou da amiga e a abraçou de forma brusca, o que assustou e acolheu a garota que se permitiu relaxar em seus braços.


─ Sinto muito pelo que aconteceu... de verdade. ─ Havia melancolia em sua voz, mas, mesmo assim, seu abraço era forte o que fez a outra jovem relaxar.

Ficaram assim por um tempo até a garota perguntar.

─ Itachi disse algo sobre eu estar em coma. Será que pode me explicar isso? Por favor?


Sakura pareceu aflita no começo, mas em meio aos pedidos da amiga resolveu ceder.


─ Depois daquilo encontraram vocês debaixo da casa. Você aparentemente bateu a cabeça com força e por sorte não teve nenhuma sequela. Fizeram o possível pra você ficar bem, mas não conseguiram te fazer acordar de imediato. Ficou em coma por dois meses.


A mente da garota trabalhava a milhão tentando entender tudo o mais rápido possível. Sabia que teria de passar mais alguns dias no hospital e durante esse tempo tempo iria analisar melhor sua situação. Os dias que foram passando estavam estranhos. Calmos e perturbados ao mesmo tempo. Sasuke a visitou, parecia bem e já tinha recebido alta, o que a deixou mais relaxada. Ela ainda precisava passar por alguns exames, mas saber que o irmão estava bem foi um alívio. Foi liberada uma semana depois, "ainda bem", pensou, pois se tivesse ficada mais um único dia dentro daquele lugar, ficaria louca. Logo que saiu foi visitar o túmulo dos pais. O lugar era bem cuidado e deu pra perceber que mesmo após a morte seus pais foram colocados em "pedestais". Viu também que os pais de Saruto, Naruto e Sakura, os senhores da casa Uzumaki, também haviam falecido naquele desastre. Isso explicava o porque de os gêmeos não terem a visitado. Tinham o mesmo sentimento que ela, um buraco no peito e um vazio na alma: o luto se manifestando somente dois meses depois da morte dos pais. Durante suas caminhadas diárias, ela ouvia boatos sobre a "explosão", como tinham definido, havia os criado uma passagem e unido dois mundos. O que ela habitava e um outro, que aparentemente, era habitado por por onis (demônios) e caçadores responsáveis por matá-los. Disseram que um shinobi com a natureza do chakra ligada ao trovão (Raiton), foi morto por um desses caçadores que o confundiu com um demônio foi morto. Sua cabeça cruelmente decepada.

Com isso, ela pode ver que aquele desastre foi o começo de algo muito maior. Algo que ela não podia controlar.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Vou tentar melhorar mais o desenvolvimento do livro.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.