Fracos

9 Capítulo 9: O momento da verdade


Notas iniciais
Ai que felicidadeeee!!! Meninas, só a Márcia sabia, mas eu fiquei muito doente nessas duas semanas, eu tive uma doença tropical chamada Malária. Vocês conhecem? É horrível! É do mesmo mosquito que a dengue e zika. Fiquei um tempo sem wi fii também, mas isso me rendeu tempo para digitar e como vocês virão pelo número de palavras do capítulo, eu digitei bastante. Esse capítulo ta pronto faz dias e a novidade bombástica é que o 10 também ta pronto, eu vou postá-lo dia 18 as 9h da manhã. Ok? Assim bem pertinho que é pra compensar vcs o meu sumiço, já to trabalhando no 11 Boa leitura. Beijos!

Visão de Hermione Granger

Após o acontecido no campo de Quadribol a última coisa que eu queria fazer seria passar mais um minuto em pé vendo tudo aquilo acontecer ao meu redor, principalmente depois de estar tanto tempo acordada, então voltei para o meu quarto na sala comunal da Grifnória e adormeci.

Dormi a tarde e quase a noite toda, despertei por volta das quatro horas da manhã e não consegui mais dormir depois disso. Tudo o que eu deixei na noite interior sem solução me atropelaram como um caminhão.

Respirei fundo antes de decidir me levantar, observei Gina dormindo na cama ao lado e suspirei. Puxei minha bolsa debaixo da cama, encantada com um feitiço indetectável de expansão, eu enfiei minha mão dentro e retirei uma caixa de madeira.

Desci com a caixa para a sala comunal e sentei no sofá. Completamente sozinha, no silêncio, a meia luz das velas dos candelabros, eu abro a caixa.

Dentro reencontro coisas que não paro para admirar há algum tempo. Desenhos feitos por mim na minha infância, fotos, um par de sapatos de bebê e uma carta.

Pego meu desenho favorito e observo. Definitivamente eu nunca fui boa nisso, não passavam de rabiscos e coisas multicoloridas. O que eu tentava retratar era a família mais permanente em que já estive: Blásio, Isabel e Joseph. O desenho é meu favorito por que foi o último que fiz antes de Joseph, meu pai, morrer no trabalho, assassinado por outro bruxo. Esta foi à primeira morte com que eu já lidei, não foi nada fácil, mamãe sofreu muito, mesmo quando o bruxo foi pego e preso.

A segunda coisa que eu pego é uma fotografia trouxa da família do mundo trouxa que eu vivo desde meus nove anos: Regina e Henrique Granger. Boas pessoas, bons dentistas, Henrique é um velho amigo de Isabel, um bruxo e Regina uma trouxa, são casados, mas não tem filhos, ele abriu mão de viver entre os bruxos para ficar com ela, a minha crença no amor é mais obra deles que da família Zabini.

Eu poderia ter escolhido contar para todos que eu conheço que sou mestiça, filho de um bruxo que deixou a magia para viver com uma trouxa, mas Blásio achou que isso chamaria muita atenção, e eu concordei, de certa forma, foi melhor que todos achassem que sou uma nascida trouxa de uma família de dentistas. Eu sofri muito preconceito por essa decisão, mas foi bom para a formação do meu caráter, me ensinou a ser justa, a única coisa que me arrependo foi não ter contado ao Harry de quem sou verdadeiramente filha.

A última coisa que eu pego é a única carta que eu tenho do meu pai, ele morreu quando eu ainda era um bebê. Releio as mesmas palavras que leio a minha vida inteira e suspiro.

—Já acordada?

Ouço a voz conhecida.

Rony desce o último degrau da escada, abaixa o capuz da blusa e me olha curioso, rapidamente eu ponho tudo de volta dentro da caixa.

—Pois é, eu não consigo mais dormir

—Era de se esperar, você foi dormir ontem muito cedo – ele sentou ao meu lado em uma distancia confortável para nós dois.

—Sim, eu estava cansada depois de tudo que aconteceu.

—Harry me contou o que esta acontecendo. O que vai fazer agora?

—Muita coisa, — suspirei pesadamente desviado os olhos do ruivo para o chão — eu vou refazer várias decisões que já tomei ao longo da minha vida, nem sei como começar. Como Harry esta?

A exibição dos corpos mortos para todos no campo de Quadribol foi um choque, principalmente por um dos corpos ser de Cho Chang, que era muito popular e adorada, Harry pode não estar mais com ela, mas foi visível em seus olhos verdes seu sentimento de luto ao vê-la morta cruelmente com os olhos retirados

—Levando, eu acho. Cho era importante.

—Hoje vou conversar com ele, sobre uma coisa ruim – voltei os olhos para Rony.

—Você não pode esperar?

—Não

Ainda é desconfortável estar na presença de Rony, seus olhos azuis parecem vidrados em mim, loucos por uma brecha, chega a ser difícil encará-lo. Ambos estamos cientes dos sentimentos diferentes que sentimos um pelo outro, amizade e romance, sentimentos muito palpáveis na atmosfera quando estamos perto um do outro e isso torna nossa relação tensa.

—Quem é essa? – o ruivo perguntou despertando minha atenção

Rony abaixou-se para pegar do chão uma fotografia trouxa, ao ver o que se tratava por impulso pensei em retirar dele imediatamente, mas parecia inadequado e inútil, pois Rony logo saberá a verdade também.

Na fotografia uma mulher de vinte e poucos anos, pele clara, olhos castanhos avelã, cabelos tão curtos que são incapazes de chegar aos ombros, em uma conhecida cor de castanho, muito magra, soando, com olhos cheios de lágrimas e o cabelo desalinhado, mesmo assim, ela parece feliz, com um sorriso muito aberto, deitada em uma cama de uma maternidade segurando cuidadosamente um bebê nu no colo, eu.

No verso da fotografia, apenas o seu primeiro nome “Jane”.

—É sua mãe, — Rony concluiu olhando a fotografia – seu segundo nome é Jane não é? – eu não respondi, e não precisava, ele já sabia a resposta – é engraçado, é a primeira vez que vejo algo dos seus pais.

—Por que ela morreu, no dia em que eu nasci... – eu respondi respirando profundamente em uma tentativa de expulsar as lágrimas, não é o momento, estas lágrimas não são para Rony – Essa é a única foto que eu tenho dela.

—Achei que morasse com seus pais... Você esta chorando? – Rony me olhou preocupado

—Meus pais morreram Rony, quando era bebê, eu não tenho nenhuma memória, – pela primeira vez eu não desviei os olhos do rapaz – e eu sei muito pouco sobre minha mãe, ela era trouxa, papai um bruxo. Jane morreu no dia em que eu nasci, ela foi assassinada. Sabe quantas vezes eu quis voltar no tempo e impedir isso? Fazer as coisas serem mais simples para mim seria tão bom. É difícil respeitar que não posso mexer no tempo quando se tem um vira tempo, mas nunca fiz isso pelo bem do Harry.

—Espere... Como assim? Você nunca nos disse nada, por que esta contando agora?

—Por que o assassino quer assim – respondi com um tom de raiva e ódio – este monstro esta me forçando

—Posso fazer alguma coisa?

—Não... Ninguém pode. – uma lágrima solitária rolou pelo meu rosto e eu rapidamente a enxuguei – Só preciso pedir uma coisa

—O que?

-Tem uma coisa, muitas coisas na verdade, que eu escondi de você e o Harry por muito tempo, — eu me aproximei de Rony e segurei forte sua mão o olhando nos olhos, ele pareceu mais assustado com o rumo das minhas palavras do que meu toque – mas eu não fiz por mal, eu nunca quis mentir pra você, é algo sobre mim e Harry, uma missão que meu pai me deu.

—Quem é seu pai?

—Você vai saber. Só precisa prometer pra mim que não importa o que eu revele hoje, você vai me perdoar, não vai dar as costas pra mim.

—Hermione... Fale o que esta acontecendo.

—Prometa que não vai me deixar, Rony. Não posso pedir isso a Harry, mas posso a você.

—Nunca vou deixar você, eu te amo.

As palavras de Rony mais me incomodaram do que aliviaram meu coração. Soltei sua mão devagar e desviei meus olhos para outro canto da sala

—Você também é como um irmão para mim

—É... Irmão – ele concordou

Rony se levantou e se retirou da sala, mas eu não fui atrás dele.

Visão de Draco Malfoy

Dezoito de setembro de 1998.

Quatro meses desde a morte de Voldemort.

Três meses desde o fim oficial da terceira guerra bruxa.

Dois meses e meio desde que eu fui inocentado e meu pai sentenciado a esperar sua execução em Azkaban.

Exatos dois meses desde nosso último contato.

Hoje é um dia sombrio e não apenas por que corro o risco de ser sentenciado a morte por um crime que não cometi e perder a chance de acordo que salvaria minha mãe. Hoje é um dia sombrio por que é a execução do meu pai.

—Hipnose? – eu indago.

—Sim, é um estado psicológico. – Blásio respondeu normalmente enquanto atravessamos a porta do salão principal — Hermione tem certo interesse no assunto, um talento frágil, longe de ser como do nosso pai, mas o bastante para capturar informações do subconsciente de Pansy Parkinson.

São as primeiras horas do dia, o salão principal já esta cheio e o dejejum já esta a mesa. O meu primeiro movimento ao entrar no salão é procurar a mesa da Grifnória.

Hermione sumiu ontem após o acontecimento no campo de Quadribol alegando estar muito cansada. Mesmo eu não estando presente no momento, algumas centenas de pessoas testemunharam e me levaram a crer no acontecido, por mais absurdo que seja.

O assassino agora é mais confiante, exibido, e ao invés de me deixar cheio de ódio, estou preocupado, os alunos antes alheios se Hermione e eu sermos ou não culpados começam a me olhar torto, cochichar e até mudar o caminho quando eu passo por perto. O único lado positivo dos acontecimentos é que não vejo forma de eles serem ligados a nós dois, pelo menos desta vez, não há motivo para o detetive nos atormentar.

É claro que não significa que estou com medo e vou baixar a guarda. Draco Malfoy não faz isso, mesmo em um dia sombrio.

Observo a mesa da Grifnória, mas não encontro Hermione ou Gina, por fim me sento à mesa da Sonserina.

Pansy e Astoria que estavam conversando encerram a conversa assim que nos sentamos, mas pelo olhar de Pansy, é fácil de julgar que seja sobre a festa de noivado.

—Então você fez o que pedimos? — pergunto a Pansy sentada a minha frente

—É claro

Pansy reforçou a ideia de que Hermione e eu somos inocentes quando ontem foi à sala da diretora e contou o acontecido, emitindo é claro a parte que Hermione e eu fomos até o local para salvá-la.

—A história oficial é que o assassino me soltou por motivo desconhecido, – a morena diz enquanto enfia o garfo em um doce no seu prato – eu sei fazer meu trabalho, Draquinho.

—Ótimo. Só chega de Draquinho

—Alguém devia me situar do que o negão geek e a rata da biblioteca vão fazer comigo, – Pansy comentou e recebeu um olhar severo de Blásio ao ouvir o novo dos duzentos apelidos que a mesma inventou para o rapaz – não me leve a mal, garoto de opção sexual que todo mundo adora discutir, mas eu realmente ficaria mais feliz se me dissessem que abracadabra vocês planejam usar em mim.

Revirei os olhos, esqueci como é ter Pansy entre nós, ela é a garota que deu um tapa na bunda de Astoria quando chegamos na Ilha, não da pra esperar discrição vindo dela.

—Hipnose – Blásio respondeu

—O que? Não tem nenhum encantamento? Feitiço da verdade?

—Não, feitiços da verdade exijam que você saiba de algo importante e nos conte, a informação que temos esta no seu subconsciente.

Toco repetidamente os dedos na mesa uma melodia qualquer enquanto meus olhos estão presos à janela onde as corujas entram todas as manhãs para trazer o correio. Sinto os olhos de Astoria em cima de mim, mas ignoro, não nos falamos desde a sala de espelhos no dia anterior e não estou em um bom momento para sentimentalismo.

—Draquinho, você vai deixar que esse estranho entre na minha cabeça? – Pansy se dirigiu a mim gesticulando para o rapaz negro com a cabeça

—Da uma chance pare ele Pansy, — forcei um sorriso — esse estranho é bem útil, e é a Hermione que vai entrar na sua cabeça.

—Uou já se tratam pelo primeiro nome, — a garota riu arrumando-se a cadeira – parece que eu perdi muita coisa por aqui, não se divirtam sem mim, garotos.

—Que bom que você ainda é a mesma Pansy – Astoria sorria – você fez falta

A conversa se seguiu e eu estive tão imerso que quase não percebi Gina e Hermione sentarem a mesa da Grifnória, a castanha parecia abatida, mas pelo menos esta viva e bem o bastante para usar hipnose em Pansy, menos um problema para esse dia.

—A Ilha é primeira página, — Blásio anunciou mostrando um exemplar do Profeta diário – é a primeira vez, desta vez ele realmente conseguiu atenção.

—Coitada das famílias – Astoria lamentou – a casa da Corvinal esta arrasada

—Em pensar que viemos para comemorar o fim da guerra... – Pansy divagou espiando a mesa da Corvinal – Soa impossível

—Impossível é encontrar um presente ideal para Hermione, — Blásio diz por alto enquanto folheia o jornal – ainda não pensei em algo que não seja previsível, presentear não é um talento meu.

—Aniversário? – eu pergunto

—Sim, amanhã. Dezenove de setembro, por mais incrível que pareça, só estamos aqui há cinco dias.

—O correio! – eu exclamei quando finalmente vejo as corujas aproximaram-se voando

A carta que eu esperava caiu sobre meu prato a minha frente, mas inusitadamente uma caixa prateada com um grande laço vermelho, endereçada a mim também chegou.

Ignoro a caixa para abrir a carta, minha prioridade. Eu rompo rapidamente selo da família Malfoy e corro os olhos pelas letras que são decepcionantes, a carta que enviei foi enviada de volta novamente.

Após o fim oficial da guerra, quando todos os comensais da morte foram capturados e as ações terroristas neutralizadas, a sociedade começou seu período de reconstrução e os processos de julgamentos foram iniciados. Nesta mesma época, o estado da minha mãe se agravou e meu pai a colocou no hospital bruxo mais rico que achou, durou pouco.

A doença da minha mãe se tornou motivo de brigas entre mim e meu pai, estas foram verdadeiras enxurradas de gritos e palavras cheias de fúria. A última vez que o vi foi no julgamento da Família Malfoy, minha mãe estava incapaz de comparecer ao julgamento, então estávamos sozinhos perante o juiz, a sentença foi dita e meu pai ficou furioso comigo.

“Traidor! Eu ia fazer de você um grande império!” ele gritou repetidas vezes enquanto era retirado a força do tribunal, porém eu não respondi, nem ao menos me de dei ao trabalho de olhar, continuei sentado no banco de réu, suspirando de alívio por ser inocentado, esta foi a última vez que o vi.

Segundo as circunstâncias, mamãe foi transferida para um hospital público. Quase duas semanas após o julgamento, ela vomitou sangue pela primeira vez, escrevi uma carta cheia de ódio para meu pai em Azkaban, o culpando pelas escolhas que ele me forçou a fazer, o que eu recebi de volta foi à mesma a carta que eu enviei, ele nem ao mesmo a abriu tomado pelo sentimento de traição que sentia por mim.

Sou um Malfoy, pedir desculpas não é opção para mim. Ontem eu enviei uma carta novamente para meu pai, eu dizia que o perdoava, mas ele mais uma vez a rejeitou e a enviou de volta.

Mesmo no dia da sua morte, Lúcio Malfoy se recusou a receber uma carta do filho “traidor”.

Sinto a delicada mão de Astoria repousar no meu braço e apertar seus dedos. Levanto a cabeça e vejo seus olhos castanhos sobre mim, marejados, sentindo pena.

Não tenho mais o que fazer no Salão principal.

Levanto-me e saio sem me dar ao trabalho de saber para onde estou indo, atravesso a porta fechada com violência e não olho para trás.

Não sei para onde estou caminhando, mas preciso ir, preciso ir seja onde for.

—Draco, por favor, espera! – ouço Astoria chamar por mim

—Vai embora – respondo sem olhar para trás

—Me escuta! – a loira correu e se pôs na minha frente com as bochechas vermelhas de tanto correr atrás de mim – Não sei o que você esta sentindo e não sou ninguém pra dizer como as pessoas devem agir, mas a tia Narcisa ainda esta no hospital, eu juro que gosto dela quase tanto quanto você.

—Aonde você quer chegar?

—Não perca a cabeça! Não sei como lidar com isso e preciso de você, por favor, tia Narcisa esta morrendo, – Astoria suplicou olhando para todos os cantos sem saber o que dizer – preciso de você, Draco.

Seus olhos castanhos pareciam frenéticos e pararam bruscamente, fixando-os atrás de mim. Viro-me para ver o que se trata, quando vejo a caixa prateada flutuando a meio metro de distancia de mim, irradiando uma cor esverdeada similar a casa da Sonserina, eu estico o braço e a pego no ar, parando de irradiar a cor.

—O que é isso?

—Não sei – eu respondo honestamente procurando alguma etiqueta de identificação – veio pelo correio

—Deve ser importante... – ela deixa a frase no ar se aproximando para ver a caixa melhor – abre logo

Desfaço o laço vermelho e abro a caixa, dentro dela apenas um objeto, um espelho de mão.

Um espelho aparentemente comum, apenas um pouco mais pesado dos que eu já tive em mãos. O cabo e a armação são verdes, material de ferro, pequenas pedras prateadas formavam uma serpente e um perfeito vidro refletor, um espelho. Porém de repente meu reflexo desaparece, e letras formam-se:

“Este espelho foi encantando, apenas você pode ler o conteúdo. Mande Astoria voltar ao Salão, não tente me enganar, eu estou ti vendo”

Devo obedecer?

Se for o assassino?

Não posso deixa-lo me controlar.

—O que foi? – Astoria pergunta curiosa – Só vejo meu reflexo

“Vou mata-la, Malfoy”

—Nada, um presente, – eu respondo com uma mentira – por que não volta para o Salão? Preciso de um momento sozinho

—Tudo bem... – a garota soou triste, mas obedeceu.

“Bom, rapaz. Eu quero uma audiência com você. Siga sozinho para a torre mais alta do castelo, deixe sua varinha no canteiro de flores azuis a sua esquerda, não pare, não tome um caminho longo, se eu suspeitar que esta tentando entrar em contato com alguém, faço você se arrepender”

Merda!

Sem conseguir pensar em um plano, decido obedecer.

Deixo a varinha no canteiro de flores e suspiro, o maldito esta me observando, jogando comigo, ele não poderia me pegar em um dia pior.

Ir ao encontro do assassino sem uma varinha parece suicídio, mas sei que ele não me matará, ele não se deu ao trabalho de me incriminar por nada.

Sigo a rota mais rápida para a torre. As escadas parecem intermináveis, não estou com pressa, pois reviso mentalmente tudo o que aconteceu desde que chegamos aqui, procurando uma ligação entre mim e Hermione, e principalmente alguma pista de quem é o assassino, não encontro nada.

O último degrau e a porta. Respiro profundamente antes de virar a maçaneta, a sala esta clara, a luz entra pela janela, não me parece um esconderijo. Surpreendo-me ao ver Hermione usando um decotado e curtíssimo vestido preto, um aceno de varinha da moça bastou para porta atrás de mim se fechar... Na verdade, apenas parece Hermione, mas não é ela.

—Hermione... – o nome da castanha salta nos meus lábios

—Pareço mesmo com ela?

Olho outra vez. Os mesmos olhos, o mesmo cabelo, os mesmos lábios, o mesmo corpo, até a mesma voz, mas não é Hermione, o assassino esta usando uma poção.

—Não – eu respondi seguro – poção polissuco

—Exatamente – a mulher sorriu

—Por que me trouxe aqui?

—Não fique ansioso, ainda não é hora de matar você. – a mulher igual à Hermione andou alguns passos em direção à janela — Eu só queria conversar com você, Draco Malfoy.

—Qualquer discurso que preparou, não estou interessado em ouvir. Por que não enfia no seu...

—Opa, por que tanta fúria? – a mulher me interrompeu severa aproximando-se de mim com a varinha apontada para o meu coração – Lembre-se que somente eu tenho uma varinha aqui, não atrapalhe minha diversão, ainda não é hora para matar você.

A mulher igual à Hermione parece muito tranquila, vestida como uma vadia, me deixando louco de vontade de matá-la. Olho ao redor discretamente, mas não há nada cortante e mortal, a não ser um telescópio no fundo da sala, porém ela me pegaria antes que eu chegasse perto do objeto.

—O que você quer? – eu pergunto pausadamente, o som da minha raiva esta em cada palavra, a mulher sorri, mas não responde – Você não queria conversar? Eu já estou aqui.

—Estou apenas esperando o horário, — ela encosta-se ao batente da janela e olha o relógio no pulso – eu quero muito uma coisa de você, Malfoy, uma coisa muito justa.

—O que?

—Lágrimas, eu quero que você sofra – seus olhos são duros e a respiração pesada, eu sinto sua vontade de me matar pulsando, mas ela não fará isso – eu quero que seja condenado por assassinato como seu pai, você é uma desonra, me destruiu, me decepcionou e eu odeio você.

—Quem é você?

—Não pretendo dizer a você. Sabe, sua nova amiguinha Hermione Granger esta dentro do meu plano por que ela é necessária, eu sei o que ela esconde de todos e o Potter, sua alma é muito preciosa, sua presença é necessária, mas você não, eu escolhi por você nisso, você merece essa humilhação.

—Eu vou matar você.

—Não, não vai – ela riu – não seja tolo, eu tenho sido muitas pessoas, cometendo os assassinatos, vigiando vocês, cobrindo rastros, vocês não vão me pegar, nem mesmo com a dupla de irmãos brilhantes. Depois de ontem, Hermione não tem escolha a não ser contar a verdade e tudo será do jeitinho que eu quero.

—Eu vou matar você – eu digo novamente com a mesma confiança – eu não tenho medo de você, vai cometer um erro, então pegamos você e não importa o que aqueles idiotas dizem, quando eu achar você, ti mato.

—Ah! Estamos bem na hora – ela sorriu – olhe o seu presente, é bem interessante. Não acha?

Não quero tirar os olhos dela, não quero que ela fuja, mas sou tentado a olhar o espelho.

Levanto-o devagar, enquanto o espelho para de me refletir e me mostra uma coisa nova. Não existe som, porém é impossível entender o que se passa, meu pai esta em cima de uma plataforma de aço, ao redor alguns homens fardados que apontam suas varinhas para ele, um deles o empurra para ele dar mais um passo em direção a corda preparada que irá tirar sua vida, o assassino esta me mostrando a execução de Lúcio Malfoy.

Meu pai olha o homem que o empurrou com frieza nos olhos, da maneira que somente ele é capaz de fazer, então caminha em direção à corda, enrola no pescoço, Lúcio respira pesadamente uma última vez e ainda com os olhos cheios de frieza pula da plataforma de aço, o peso do seu corpo é o bastante para que seu pescoço quebre quase instantaneamente, não ouço nada, mas quase posso sentir os ossos se quebrando, a expressão final de Lúcio é de dor, uma única lagrima rola pelo seu rosto branco antes de morrer.

Odeio Lúcio Malfoy pelas coisas que me faz, mesmo tendo dito na última carta que o perdoo, é uma confusão de sentimentos conflitantes dentro de mim, mas eu não queria que ele morresse. Sinto um grande aperto no coração, é muito lamentável, mas não desejo chorar.

Levanto a cabeça e encaro a mulher que sorri e neste momento a dor é substituída por ódio

—Lembre-se do que sente agora quando pensar em mim, Malfoy – a mulher sentou-se a janela – chega de me chamar de assassino, me chame de Crudelis e lembre-se: O amor é uma fraqueza.

Então a mulher joga-se da janela. O que ela esta fazendo? Esta é a torre mais alta do castelo.

Corro para a janela e vejo a tempo de ela pousar em uma vassoura e sair voando para longe, em direção ao mar, provavelmente para despistar.

Este encontro não foi inútil. Hermione é necessária, sua alma por algum motivo é preciosa, mas eu sou um motivo pessoal de vingança.

Quem é Crudelis?

Visão de Astoria Greengrass

Seguindo o pedido de Draco, eu volto à mesa da Sonserina onde Pansy e Blásio estão me esperando. A mesa da Sonserina esta quase vazia, as pessoas estão voltando para seus quartos para se preparar para as atividades do dia, minha primeira aula é de pintura, acredito que será bom. Blásio é concentrado lendo as notícias do Profeta diário, enquanto Pansy esta terminando de saborear um doce de abobora, seu favorito.

Apesar de Pansy Parkinson ser completamente o oposto de mim a considero minha melhor amiga, aliás, minha única amiga. Não sou boa para fazer amizades, sou tímida e me perco com as palavras, mas ela é uma ótima ouvinte e me deixa feliz, além de entender minhas dores.

Sento-me a mesa e suspiro pesadamente encarando o embrulho que recebi esta manhã, o selo dos Greengrass estampa o embrulho e me faz ter medo de abrir.

—Isso não morde – Pansy diz enquanto termina oficialmente sua refeição

—Deve ser algo sobre a festa de noivado, que coisa tortuosa, vou estar na frente de um monte de pessoas e com certeza vou bancar a boba

Blásio fecha o Profeta diário visivelmente frustrado com alguma coisa. Blásio é um negro bonito, tem olhos negros penetrantes, uma boca carnuda e é muitíssimo inteligente, Pansy acredita fortemente que ele é gay e estou inclinada a acreditar que sim, seria um desperdício para a população feminina, apesar de ser por vezes arrogante e excêntrico o acho agradável.

—Vou conversar com a Hermione, se estiver pronta nós começamos a sessão antes das atividades começarem – Blásio avisou a Pansy antes de sair da mesa

Mais uma vez me sinto um peixe boiando na conversa, pois Draco insiste em me deixar longe do caso.

—A festa não será tão ruim, pode ser divertida – Pansy tenta me animar – e vai estar com Draco, sei que é caidinha por ele.

—Mas ele não, e eu disse para ele que não sinto nada pra deixar as coisas mais confortáveis, ontem ele gritou comigo, mas ainda não pediu desculpas.

—Draco nunca pede desculpas

Olho outra vez o embrulho e decido abri-lo, tenho uma grande surpresa ao achar um vestido rosa que minha mãe usou em sua festa de noivado, com ele havia uma carta, o fotografo chegará amanhã para fazer as fotos do convite.

Ainda estou surpresa com a decisão repentina da minha mãe de enviar seu próprio vestido para a sessão de fotos quando ouço um som que me prega um susto, olho para trás e vejo minha irmã Dafne, ela deixou um copo cair.

Dafne me odeia profundamente e nunca escondeu, ela é lindíssima, e desde que éramos crianças venceu vários concursos de beleza, com seus sedosos cabelos loiros dourados ondulados e grandes olhos azuis, olhos típicos da família, sou a única ter olhos castanhos. A irmã mais velha é motivo de orgulho, já eu sou o patinho feio que gosta de uma dança trouxa.

—Esse vestido é meu, o que esta fazendo com ele, bailarina? – ela diz com raiva

—Mamãe me deu

—Isso é meu, nem cabe em você, coisa pequena, ela me prometeu.

—Vou casar primeiro que você, — mantenho a calma ao tentar explicar – eu vou devolver, eu prometo.

—Pregas vão dar um jeito, — Pansy diz ao meu favor – cai fora Dafne, ninguém ti quer aqui.

—É evidente que estou falando com minha irmã e não com você, vadia – Dafne apontou o dedo para Pansy sendo dura – e você Astoria, não pense que vai passar por cima de mim, não precisa me devolver o vestido, ele pelo menos vai esconder as cicatrizes monstruosas que você tem, bailarina trouxa.

Dafne seguiu caminho com suas amigas igualmente loiras que se levantaram e a seguiram.

—O que ela dizer com cicatrizes? – Pansy me perguntou

—Não é nada, — eu minto tocando o vestido para não ter que olhar para Pansy – não ligue para o que minha irmã diz.

Blásio volta à mesa da Sonserina acompanhado de Hermione Granger e Gina Weasley

—Hermione esta pronta, vamos.

Visão de Hermione Granger

Pansy esta afobada, nervosa na minha frente sem conseguir se sentar e relaxar, comportamento típico de quem será hipnotizado pela primeira vez. Gina solta um risinho, mas Blásio esta sério, com os braços cruzados, provavelmente se perguntando se a investida dará ou não certo.

—Comece logo, — Pansy diz em pé ao meu lado trocando os pés de posição, claramente desconfortável — você esta me matando.

—Não, tudo bem, tudo bem – eu repito com a voz calma pondo as duas mãos nos ombros da morena – eu não vou ti hipnotizar agora, você esta muito estressada.

—Não? – ela pergunta com a voz mais serena e relaxada

Os olhos castanhos de Pansy se suavizam, mais relaxados, porém sem perder contato com os meus

—Não, — eu transmito confiança com um sorriso e mexo devagar meus dedos em seus ombros – terá que tirar todo estresse do seu corpo, devagar, deslizando. Talvez se eu contar de 100, 99, 98... Vamos dar algumas voltas e mais voltas. 94, 93, 92... Escute-me Parkinson, — eu tiro a mão direita do seu ombro e passo na frente do seu rosto, mas ela não tem reação, perfeito, então volto minha mão à mesma posição em seu ombro – todo o estresse tem que sair, nada pode afetar você, tem que se sentir calma, relaxada e segura. É quase impossível, não estou hipnotizando você, Parkinson. Isso não pode acontecer, então relaxe.

Devagar a morena fecha os olhos, sem lutar e sinto seu corpo completamente relaxado entrando em estado de transe.

—Parkinson, você não esta em profundo estado de transe, – eu continuo a falar, a morena pisca os olhos algumas vezes parecendo desorientada – Pode dormir, você esta segura, tudo bem.

Pansy Parkinson inclina-se em minha direção com os olhos fechados em profundo transe, ela encosta-se ao meu corpo e eu a seguro delicadamente pelas costas.

Blásio ainda esta sério como no início da sessão, no entanto Gina esta com os olhos dilatados de surpresa, pois é a primeira vez que ela me vê fazer algo assim.

—Tudo bem, — eu sussurro no ouvido de Parkinson e a deito com muito cuidado em uma poltrona, ela não responde.

Sento-me ao seu lado em uma cadeira e faço sinal de silêncio para Gina que concorda com a cabeça

—Agora você esta descendo as escadas, respirando profundamente relaxada em cada degrau, agora você esta no chão. O último degrau é o lugar mais tranquilo em que já esteve. Como se sente?

—Calma... Bem – a morena responde baixo com os olhos ainda fechados

—Bom. Vai ficar nesse lugar calmo, enquanto lembramos a noite anterior, você pode repassar cada detalhe como se fosse um filme, tudo muito nítido e em foco, pode ir pra frente, para trás, parar, aumentar e abaixar o volume do som. Você esta no controle.

—Sim, estou no controle.

—Bom. O que vê?

-Estou amarrada em uma cadeira na cela, meus pulsos doem e eu estou pensando em como escapar. Será que Draco me encontrará? Os mascarados estão há alguns metros de distancia, parados há tempo demais, como se fossem estátuas

—Vamos mais rápido. Alguém esta vindo. Certo?

—Sim, alguém. Um mascarado põe uma sacola negra na minha cabeça, eu acho que eles vão me matar.

—Tudo bem, você esta segura.

—Sim... Eu estou. Alguém esta entrando na minha cela, não ouço nenhuma voz, mas eu sei que não são os mascarados, esse alguém não tem o mesmo cheiro, a presença dele é diferente, eu pergunto o que eles querem fazer comigo, ninguém me responde, eu repito e digo outras coisas. Por que ninguém responde?

—Você disse que ele não tem o mesmo cheiro. Que cheiro ele tem?

—Me lembra... Lembra-me Natal, as ceias de Natal de quando era criança... É pinho.

—Pinheiros?

—Sim, é com os pinheiros da Ilha, cheiro bom. Eles não me respondem, vão usar crucius em mim para eu me calar.

—Tudo bem, tudo bem, – eu me levanto e toco a testa quente da morena – acorde.

Pansy Parkinson abre os olhos, ainda esta em estado de relaxamento, mas fica surpresa ao ver que agora esta na poltrona.

—Vocês já sabem o que fazer, — eu olho para Blásio e Gina – eu tenho algo a fazer agora.

***

[Jason walker – Down]

[https://www.youtube.com/watch?v=M8He7KJwhqc]

O salão é vazio, os alunos estão em suas atividades lá fora, mas Harry Potter não.

O perfume de flores enche meus pulmões, há pétalas pelo chão e buques para expressar as condolências, além de um leve aroma de incenso, dessa vez foi diferente, Cho Chang e Amanda Maximorff eram adoradas, a Corvinal organizou um cortejo durante a madrugada enquanto eu dormia, os caixões ainda não foram transportados para suas famílias e os alunos vem aqui deixar flores.

Falta meia hora para os caixões serem transportados e Harry esta aproveitando cada segundo. Seus olhos verdes estão avermelhados, revelando que ele chorou, o cabelo um pouco bagunçado e sua mão esta apoiada no caixão negro de Cho Chang.

Eu me aproximo devagar e ponho a mão no seu ombro com cuidado

—Cho foi muito importante para mim, meu primeiro beijo foi muito bom, ela era gentil, apesar de ter me chutado, depois nos tornamos bons amigos, sabe? Apesar de achar que eu caía de amores por você. Não acredito que ela morreu

—Sinto muito... – é tudo que eu consigo dizer – mas nós precisamos conversar, é algo muito serio.

Harry levantou os olhos verdes e enxugou as lágrimas para então olhar para mim

—É sobre o assassino? – ele perguntou

—Não... É sobre mim, — eu respiro profundamente – eu escondi um segredo por muito tempo, não sou o que vocês pensam, Granger é sobrenome da minha mãe, eu não pude receber o do meu pai.

—Pode confiar em mim, — ele foi sincero – tudo bem.

—Não, eu menti pra você – uma lágrima solitária rolou pelo meu rosto e eu dei um passo para trás – você sofreu muito por que achava que estava sozinho, mas eu podia ter aliviado sua dor, mas decidi seguir a missão que meu pai me deu.

—E qual era?

—Proteger você, me certificar que você viveria e que você cresceria forte para derrotar Voldemort e corrigisse a linha do tempo.

—Linha do tempo? Quem era seu pai? – Harry ficou mais sério

—Meu pai era jovem quando recebeu a visita de uma mulher que se dizia ser de um futuro mal e queria corrigi-lo, acho que você morre nesse futuro, não sei bem, ela lhe deu uma missão, ele devia ter um filho com uma mulher trouxa, Jane Granger, dizem que nos parecemos muito, uma cientista forense da Scoland Yard.

—Deve ter sido muito inteligente, como você é – ele concordou – mas o que isso tem haver comigo?

—O jovem era Tiago Potter

Harry ficou pálido como papel, piscou uma vez, se afastou cambaleando assimilando a informação, mas não disse nada.

—Eu não podia ti contar a verdade, isso podia estragar a linha do tempo, mas eu quis muito dizer que você não esta sozinho, que somos irmãos – eu tento me aproximar.

—Não se aproxime, – ele avisou, sua voz começa a ter um tom de raiva, então começo a chorar, é como eu imaginava – você mentiu tanto tempo, eu confiava em você e me deixou acreditar que eu estava sozinho!

—Era para seu bem...

—Hermione você tem ideia de como foi ser eu?! Como foi ser Harry Potter?! O único de pais mortos e criado por tios que me tratavam feito lixo?! Mesmo com meus amigos, eu ainda era só, tem ideia da dor de quando eu perdi o Sirius?! Senti toda a dor de estar sozinho novamente e você me deixou sofrer! E você viu como eu sofri, como fiquei furioso, sozinho, devastado! Sem saber que eu tinha alguém, mesmo com todo dinheiro que meus pais me deixaram! No meio de uma família enorme e feliz dos Weasley! Você me deixou sofrer! O sonho da minha vida é ter uma família e você sabe disso!

—Harry me perdoe, por favor – eu digo entre lágrimas.

—Você me deixou sofrer, tem ideia do quanto amo e confio plenamente em você?! Você me traiu, Hermione. Eu não posso acreditar nisso! É muita informação! Não acredito que me deixou passar por isso assim! Família não importa para você?

—Claro que importa, eu amo você Harry! – eu cubro meu rosto para não ver seus olhos verdes cintilarem de revolta

Harry quebrou um vaso de flores com raiva, como quando Sirius morreu e quase destruiu todo o escritório de Dumbledore. Vejo todos os momentos em que o vi desesperado e triste por não ter uma família e uma imensa culpa enche meu coração.

—Eu achei que você e Rony nunca mentiriam por mim... – ela diz mais para si mesmo do que para mim com a mão no peito — Você me traiu... Meu coração... Eu tinha uma irmã... E não estava só... Você mentiu... Eu preciso ir

Harry andou a passos largos para a porta do Salão e saiu da minha vista me deixando aos prantos.