Fracos
7 Capítulo 7: Candelabro da visão
Notas iniciais
Visão de Hermione Granger
O pesadelo acabou. Eu estou bem e segura, porém não posso deixar de pensar que deixei muitas coisas para trás naquele poço, inesperadamente cantei pela primeira vez em anos para alguém, baixei minhas paredes de orgulho, falei da família Zabini e o mais excepcional, deixei o ódio por Draco Malfoy para trás.
Não posso dizer que o tão famoso príncipe da Sonserina é na verdade um príncipe encantado, Draco Malfoy é sim um cretino, mas sem dúvida ele tem algum encanto. Eu também não posso dizer que agora seremos melhores amigos com um lindo final feliz, no entanto, essa experiência nos uniu e nossa relação esta em outro nível emocional, e posso dizer o mesmo de Blásio e Gina.
Meu irmão e a ruiva superaram todas as expectativas, se engoliram e formaram uma boa dupla, o resultado salvou minha vida, mas acho que o crédito vai quase todo para Gina, tenho certeza que a ideia veio dela, pois meu irmão é um grande imbecil quando se trata de relações com outras pessoas.
Gosto de pensar que a experiência assustadora de chegar tão perto da morte e sobreviver fez os quatro mais fortes como equipe.
Abro os olhos e encaro o teto branco, imediatamente sei onde estou. Depois de sairmos daquele pesadelo, fomos levados à ala hospitalar, Draco obviamente precisava mais de cuidados médicos que eu, porém alegando que eu deveria ser medicada por causa do evento traumático, fui examinada e dormi na maca, não sei quanto tempo estou dormindo, mas o sol esta alto lá fora, já deve ser à tarde, que pena, eu estou perdendo as atividades que começam hoje.
Malfoy ainda dorme na maca a um metro de distancia de mim, somos separados apenas por uma mesa com uma bandeja de comida que deve pertencer a ele, mas o que realmente chama minha atenção é a moça loira sentada em uma cadeira do lado maca, de costas para mim.
—Astoria Greengrass?
—oh que susto – a loira virou-se para mim pálida como papel pondo a mão no coração – você me pregou um susto, moça.
—Desculpe...
—Você descansou bastante, — ela sorriu educadamente — espero que esteja se sentindo melhor, as horas presas em um cubículo devem ter sido aterrorizantes.
—Estou sim, obrigado – eu dei um meio sorriso enquanto me levanto da maca — como ele esta?
—Descansando
—Esta há muito tempo aqui?
-Desde que vocês chegaram, — Greengrass suspirou olhando para seu noivo adormecido – eu fiquei tão preocupada, não dormi a noite toda.
—Você deve estar exausta...
—Estou... – ela respondeu com um sorriso amarelo – Mas eu gostaria de estar aqui para quando ele acordar é papel da esposa proteger o marido na família Grengrass.
—Se quiser eu fico aqui, e quando ele acordar eu conto que você esteve aqui e ti chamo na sala comunal da Sonserina.
—Faria isso por mim?
-Sim
—Obrigado – ela sorriu e assentiu com a cabeça educadamente
Astoria Greengrass parecia uma princesa, tão pura e educada, é impossível não sentir sua presença agradável, porém fisicamente, era muito desajeitada, com roupas largas e ósculos de fundo de garrafa, sorri mentalmente quando pensei que Gina adoraria vesti-la como uma boneca.
Observei Greengrass beijar a testa do noivo e afastar-se calada, ela o olhava com muito carinho, imediatamente lembrei-me do que Draco havia me dito sobre o casamento dos dois, por algum motivo isso me deixou desconfortável, a ideia de alguém ter que se casar com alguém que não ama para salvar a vida da sua mãe é perturbadora, mesmo que Draco não acredite em amor, acho que nem ele merece algo assim.
Então Astoria Greengrass dirigiu-se para fora da sala, quase três segundos depois, Blásio e Gina entram pela mesma porta.
—Ele ainda não acordou... – Gina diz para si mesma em voz alta ao ver Draco ainda dormindo na maca, encostou-se a maca do rapaz e olhou pra mim – mas você esta bem?
—Claro, pra alguém que quase morreu estou ótima.
-Não vai me agradecer? – ela sorriu
—Obrigado Gina, foi muito corajosa. – eu sorri de volta piscando para minha amiga
-Você não estaria lá se Ginerva não fosse tão bisbilhoteira, e eu não ganho nenhum agradecimento? – Blásio pergunta pomposo como sempre – Eu invadi a sala da dona do castelo e eu falo hebraico
—É, obrigado também, — eu soltei um suspiro pesado olhando para meu irmão — quem diria que aquelas aulas de línguas antigas que você fez a mamãe pagar serviriam para alguma coisa.
—Ser poliglota é sempre útil
—Falando em poliglota, — Gina diz por alto — alguma mensagem do nosso assassino que fala francês?
—Nada até agora, mas ele voltará a matar novamente e ouviremos mais sobre ele — Blásio me mostrou um livro — mas tenho uma boa noticia, Celestina Warbeck estava certa, só há apenas um mapa dos tuneis do castelo, porém este livro relata todos os compartimentos secretos que os Piratas sombrios usavam, Pansy deve estar em um deles, só temos que descobrir onde está localizado.
—Ótimo, — eu sorri – vamos procurar pelas passagens agora mesmo.
—Não dá, Adam O’hanoly e sua equipe estão explorando os tuneis que nós achamos, — Gina fez uma cara de nojo – aquele trasgo não vai deixar ninguém chegar perto dos túneis
—De noite então?
—Sem chance, vigias 24h.
—Nós vamos encontrar um jeito – a voz é de Draco surge de repente, ele parece sonolento, mas abre os olhos cinza para nos ver.
—Enfim a bela adormecida acordou – Gina sorriu para o loiro
—Como você esta? – eu pergunto com um tom preocupado
—Muito bem
-Que bom, — eu sorri – sua noiva esteve aqui, ela estava muito cansada, eu a mandei ir embora dormir.
-Tudo bem, eu falo com ela depois.
Abro a boca para falar, porém me calo imediatamente antes que qualquer som saia da minha boca, pois vejo a porta da ala hospitalar abrir outra vez com Harry Potter entrando em passos ligeiros, ele tem um misto de emoções no olhar que vareiam de raiva à preocupação.
—Espero que esteja bem Hermione, nós precisamos conversar – Harry diz diretamente ignorando o resto das pessoas da sala – você quase morreu ontem com o Malfoy, Gina esta estranha saindo com um sonserino e agora eu recebo uma carta estranha, você tem muita coisa para explicar;
—Carta? – eu engulo em seco
-Sim, essa carta.
Harry me entrega uma carta, e antes de ler reconheço a letra, é o assassino:
“Seu senso de aventura esta ti avisando do perigo, Harry? Hermione tem as respostas, ela esta escondendo a verdade, pergunte e saiba o que você tem direito”
Leio em voz alta a carta e suspiro. Sinto Draco olhando para mim e mesmo que ele não diga algo, sei o que ele esta pensando, dentro do poço eu disse que quando saísse contaria a verdade para Harry, mas agora que eu estou aqui, e o belo rapaz esta me encarando com seus profundos olhos verdes, não consigo nem ao menos cogitar a possibilidade de contar a verdade. Como dizer?!
—Eu posso explicar... – foi tudo o que eu consegui dizer
—Sei que pode... – Harry responde com firmeza – Você quase morreu e não pude fazer nada, mereço explicações.
—Eu sei... Você merece
Sou salva pelo som da porta da ala hospitalar abrindo mais uma vez, a diretora McGonagall, Celestina Warbeck, Adam O’hanoly e sua equipe entram em grupo, a presença deles é imponente na sala e imediatamente Harry e eu ficamos em silêncio.
—Muito conveniente encontrar os dois acordados, — Adam O’hanoly, o detetive calvo olha diretamente para Draco, com quem teve uma empatia severa em seu último encontro – imagino que tenham tido uma noite muito difícil, espero que já estejam se sentindo bem.
Draco e eu nos entreolhamos, mas apenas eu respondi ao detetive.
—Agradecemos pela preocupação, Sr. Detetive O’hanoly, mas suponho que tenha vindo para mais que isso
—Sim, Srta. Granger, — ele cruzou os braços e imediatamente sua secretaria Kate Mc Garvey começa a anotar – a diretora de Hogwarts, Minerva McGonagall me informou do registro que o Sr. Malfoy fez alegando o desaparecimento da aluna Pansy Parkinson que ainda não foi encontrada e em seguida, tivemos uma noite alucinante em que vocês estiveram às beiras da morte e foram salvos no último minuto por Ginerva Weasley e Blásio Zabini, eu acho que vocês devem boas explicações.
—Isso não será problema – eu respondo prontamente – eu contarei toda verdade, sem hesitar.
—Ótimo, e você aluno, Harry Potter, esta convidado a se retirar.
—Não é necessário, — eu digo prontamente – podemos compartilhar essa informação na presença dele.
—Contem-me tudo
Com cautela e com a ajuda de Blásio, Draco e Gina nós contamos tudo sobre as cartas e a ideia de Pansy estar presa em um compartimento dos tuneis e passagens secretas, omitindo é claro o envolvimento da minha família e o roubo do livro do acervo particular de Celestina Warbeck, a dona do castelo que poderia muito bem nos expulsar por isso.
Durante a conversa observei Harry, a única coisa que ele e Rony — que logo saberia pela boca de Harry o que esta acontecendo – sabiam era que eu estava sendo acusada injustamente de assassinato e havia sido interrogada pelo detive do ministério, nada mais, o rapaz moreno de olhos verdes parecia inconformado com nossa história, muito chateado por eu não ter contado nada, e isso me pesava no coração.
—Um purificador de dióxido de carbono? – Adan O’hanoly pergunta quando terminamos a narrativa – Leitura em hebraico? Cirurgia feita por uma inexperiente com uma faca?
—Sim, senhor, foi isso que aconteceu.
-Vocês devem achar que eu tenho cara de palhaço, — o homem careca este transtornado – uma história tão cheia de atos espalhafatosos... Outros tentaram me enganar inventado contos mais reais antes de vocês
-Mas é verdade! – Gina afirma – Nós temos as cartas e todos ouviram Malfoy e Hermione presos.
—É realmente impressionante Weasley, mas as cartas são facilmente falsificáveis.
—O detetive tem razão, senhores – Minerva McGonagall diz esfregando a palma das mãos nervosa com os acontecimentos – é necessário prova mais concreta sobre o acontecido.
—A perna de Draco não é invenção, veja por si mesmo – eu disse.
-A perna de Draco Malfoy, é em geral o único motivo para os senhores ainda não terem sido levados a Londres para julgamento, vocês ainda são os principais suspeitos.
—Acredite no que quiser, é direito seu, — Draco é arrogante pegando a bandeja na mesa ao lado da maca e colocando no colo – mas somos inocentes e ainda vamos calar sua boca.
—E quanto ao desaparecimento da Srta. Parkinson só será oficial após 24h pós o sumiço
—O que? Ela pode morrer nesse tempo
—Acalme-se Sr. Malfoy, eu sou profissional, um assassino esta a solta na Ilha Pégaso, portanto este caso de desparecimento será adiantado, eu já enviei meus homens para começarem a busca pelo castelo, é meu trabalho crianças, não entrem no meu caminho.
—Eles procurarão nos lugares errados, Pansy Parkinson não esta dentro do castelo, ela esta em baixo – Blásio diz com segurança.
-Eu ouvi meus homens falando sobre você, não banque o detetive nas minhas costas, seus métodos podem parecer interessantes ou você simplesmente sabe o que aconteceu por que você fez isso, continue assim e entrará na minha lista de suspeitos, sua investigação é ilegal e posso prendê-lo por isso, além de que nenhum tribunal aceitará provas adquiridas de forma ilegal.
—Deseja ser lembrado como o detetive do caso Pégaso que deixou uma moça inocente morrer durante um caso?
—Não me provoque, Sr. Zabini, eu estou há tempo o bastante no trabalho para saber seguir os meus instintos
-Este psicopata irá matar novamente, — Draco diz enquanto segura em uma mão um pãozinho da bandeja – espero que não seja Pansy Parkinson, pois eu farei questão de grifar isso no meu testemunho.
—Quando eu terminar meu trabalho você não sentará no banco das testemunhas, será um réu. Vocês estavam dentro dos tuneis do castelo depois do toque de recolher, eu posso usar isso no tribunal. Estejam longe da minha investigação, crianças.
—Dou aos dois suspeitos um aviso, — Celestina Warbeck se pronunciou fazendo o número um com a mão – se mais um evento como esse for ligado a vocês de qualquer maneira, serei obrigada a expulsá-los da Ilha, é meu dever mantê-la segura de loucos sanguinários.
O grupo da mesma maneira que entrou saiu rapidamente e ficamos apenas Draco, Harry, Blásio, Gina e eu na ala hospitalar novamente.
—Temos que fazer alguma coisa – eu disse – e se ela estiver em outro poço sem entrada de ar?
—Não, há apenas uma armadilha de asfixia, e vocês já estavam nela – Blásio me respondeu.
—Ninguém ouviu o que Celestina disse? – Gina pergunta preocupada – Se mais um evento desses tiver ligação com vocês serão expulsos
—Ela pode fazer isso? – Draco pergunta – Nós estávamos presos em um poço sem oxigênio, isso não devia nos ajudar e nos tirar da lista de suspeitos?
—O problema foi nossa história, parece muito fantasioso. Quem vai acreditar que eu fiz uma cirurgia no Draco usando só uma faca?
—O problema pra mim foi você não ter me contado tudo isso antes Hermione, — Harry que estava calado até agora diz de repente – se tivesse me dito antes... Eu poderia ter feito alguma coisa.
—Não se preocupe, santo Potter – Draco diz enquanto saboreia sua refeição na bandeja – da próxima vez que Hermione quebrar uma unha nós os chamaremos
—Já estão se tratando pelo primeiro nome? O que houve com o ódio mortal, hein Hermione?
—Eu tive doze horas aterrorizantes com ele achando que ia morrer, esse tipo de coisa aproxima as pessoas.
—Não consegue acreditar que agora somos amiguinhos? – Draco ergueu a sobrancelha divertidamente – Eu sei que você tinha uma quedinha por ela
—Não seja idiota, Malfoy, não passe dos limites.
-Você ainda não me viu passar dos limites, Hermione – o loiro me olhou seriamente – eu tenho estado muito calmo até agora, não sei quanto a você Weasley, ou qualquer de vocês aqui, mas não vou deixar a investigação para trás.
—É claro, de todos aqui você é o único com a corda no pescoço, — Harry cruza os braços olhando desafiadoramente ao loiro – ser condenado por assassinato lhe levará a ser executado, sem chance de perpetua.
—Calem a boca!
—Bom dia senhores! – a enfermeira nos cumprimentou sorrindo se aproximando com mais uma bandeja repleta de comida, ela olhou para Draco comendo e se surpreendeu – Já lhe trouxeram comida?
—Já estava aqui quando ele acordou, algum problema? – Blásio pergunta enquanto chega mais perto da maca de Draco
—Nada... Mas geralmente nós só oferecemos comida quando o paciente acorda... Bom, tudo bem, aproveite sua refeição.
A enfermeira sorriu para todos nós e voltou com a bandeja para longe de nós
Blásio prontamente pegou a bandeja do colo de Draco, e antes que qualquer um de nós entendesse o que ele estava fazendo, o moreno afastou os objetos de cima da prataria e encontrou uma mensagem escondida no fundo, ele leu em voz alta.
—Aguarde minhas instruções
—Mais uma mensagem do assassino, — eu concluí – nós devemos esperar pelo pior.
—Errado, nem devemos esperar – Draco diz sentando-se confortavelmente na maca – Pansy não esta segura nas mãos de um assassino, e esses idiotas não vão encontra-la.
—Acho que devíamos suspender as investigações um tempo... – Gina começa falar timidamente e todos a encararam com surpresa, ela suspirou e continuou com a voz mais alta – Por muito pouco Hermione e Draco quase morreram ontem, acho que não vale a pena, e se da próxima vez não chegarmos a tempo? Eu vi o livro, tem muitas armadilhas mortais lá em baixo, talvez devêssemos deixar isso para os profissionais.
—Não pode estar falando sério, Pansy pode morrer enquanto damos um tempo.
—O assassino vai jogar novamente, pode ser com ela – Blásio diz por alto enquanto seus olhos estão na mensagem deixada pelo inimigo – a chance da garota morrer é demais de 60% segundo o que vimos.
—Podemos votar pela equipe? – eu sugiro
Não sei com que eu mais me assustei... Sugerir votação ou aceitar em voz alta que realmente somos uma equipe.
—Votar? Não seja tola, Hermione – Draco esta alterado.
—Penso que é uma boa ideia... – Harry diz com um tom sério – A maioria vai estar votando no que é melhor para a equipe.
—Você não esta na equipe – Gina é a primeira dizer
—A ruiva esta certa – Draco concordou – acabou de chegar e acha que esta no controle? Isso não é a sua armada.
—Eu sou Harry Potter, tenho influência, podem precisar de mim, não estou me elegendo um líder, Malfoy.
—Aqueles que estão de acordo em dar um tempo na investigação, levante a mão, por favor.
Devagar Gina e Harry levantaram as mãos
-Ótimo, continuamos a investigar...
—Não Blásio, — eu suspirei levantando minha mão devagar – nós precisamos de um tempo...
—O que?! Hermione você é suspeita também
-Eu sei... E eu não quero parecer mais suspeita, não vamos atrás de Pansy agora, nós precisamos nos estruturar, fizemos uma grande tolice ontem, foi pura sorte Gina não ter tirado suas coisas da bolsa, se ela tivesse tirado eu não poderia produzir mais oxigênio para mim e Draco, nós teríamos morrido sufocados.
—Sim, mas não morremos, — Draco me respondeu – nós estamos vivos, é o bastante para mim, vamos de novo e dessa vez não tocamos em nada, a gente sobrevive e acha a Pansy antes que morra.
—É perigoso, por vários motivos, talvez ele esteja lá com ela montando guarda, podemos ser pegos, mortos... Talvez ele não tenha feito nada com a Pansy, só a pegou para ti fazer entrar nisso.
—Ou talvez a mate para me fazer entrar nisso, isso é “talvez” e “si” demais para mim.
—Engula isso, Malfoy. Nós votamos e não vamos ir atrás dela por enquanto e ponto final.
—Democracia só funciona quando todos querem que funcione, — ele responde enquanto se levanta da maca, em pé examina a perna recém curada por uma poção – e não estou de acordo com isso.
—Onde você vai? Você precisa descansar
—Eu estou me dando alta, não posso ficar aqui.
Draco me encara seus olhos cinzentos uma ultima vez e anda mancando em direção à porta, sem olhar para trás uma última vez.
—Eu vou com ele – Blásio diz rapidamente acompanhando o amigo até a porta
—Blásio, por favor, não – Gina pediu, porém o moreno não olhou para trás.
O fato do pedido de Gina ter sido ignorado a fez ficar perdida ali, os olhares de Harry e Gina se encontraram, porém logo se desviaram, há uma atmosfera nada confortável no ar por causa disso, então decidi salvar minha amiga.
—Não se preocupe Gina, Blásio só foi conversar com Draco, sabe como os dois são, mas ele ti ama.
—Obrigado, Mione
—Bom, é hora do almoço, não quero perder as atividades dessa tarde – Harry conclui visivelmente desconfortável com o novo assunto – então vamos, por favor.
Visão de Draco Malfoy
Não consigo esperar.
Não consigo esperar.
Não consigo esperar.
Não consigo esperar.
Esperar para fazer alguma coisa? Pensei que Hermione fosse inteligente. Pode existir a possibilidade de Pansy estar bem, mas não quero possibilidade, quero certeza.
Pansy nunca será a melhor pessoa do mundo, muita gente a odeia — eu entendo isso-, a morena é a rainha do deboche e vadiagem, a garota com vários amigos homens, apetite cruel, que sai pegando geral e não liga para o que pensam, às vezes até para mim é difícil suportá-la, pois para ela tudo é questão de diversão, mas ela vale a pena e preciso pagar minha dívida.
Sim, dívida. Quando eu tinha treze anos, Pansy me impediu de fazer algo que eu me arrependeria muito se tivesse seguido em frente. Ela me fez um grande favor, minha conta esta em vermelho, não posso simplesmente sentar e esperar que ela fique bem.
A família Parkinson é razoavelmente rica, não chega aos pés do nível da fortuna dos Malfoy, mas sem dúvida Pansy não precisa de apoio financeiro, pois é a única herdeira de uma fábrica de vassouras, isso tornou nossas famílias próximas, mesmo que não seja de comensais da morte como a minha.
Eu não me lembro de quando nos conhecemos, éramos muito pequenos, mas vivemos muitas coisas de criança juntos.
Pansy também é uma bruxa latina sangue puro, não que isso importe muito para ela, pois isso só a faz lembrar-se de seu irmão mais velho, Robert, ele morreu quando ela tinha oito anos de Lithius, ironicamente a mesma doença que esta matando minha mãe.
A doença da minha mãe foi diagnostica um pouco antes da guerra explodir, isso tornou minha vida um inferno e me fez refletir sobre coisas que eu jamais pensei antes, como meu preconceito pelos mestiços, Pansy esteve comigo em cada momento, me ajudando do jeito desbocado que só ela consegue e isso é algo que não da para esquecer.
—Pansy esta viva – Blásio declarou com certeza na voz.
Interrompo meu caminho pelos corredores do castelo para ouvir o que moreno tinha a dizer.
—Ele não vai mata-la
—Como posso ter certeza? – eu pergunto
—Não pode
—Não posso esperar.
—Aguarde as instruções do assassino, é importante. Eu também não vou ficar parado olhando o tempo passar enquanto eu não tiver resolvido o mistério, você pode contar comigo, Draco, mas dessa vez ouça o que eu estou dizendo, ele vai entrar em contato com você em algumas horas, fique alerta.
—Como sabe disso?
—A mensagem na bandeja era direcionada unicamente a você, ele vai entrar em contato novamente, — ele sorriu aproximando-se de mim para terminar a frase – meu palpite é que ele ti dará a localização de Pansy.
—Por que ele faria isso?
—Um teste... Convite talvez. A intenção do assassino é irrelevante neste momento, você tem uma oportunidade e precisa usá-la com sabedoria, capture o máximo de informação possível dele para mim.
—E o que vai fazer enquanto isso? Esperar eu trazer uma pista?
—Você me ofende, Draco, – ele sorriu convencido – tem alguém que estou interessado em investigar, nos veremos muito em breve.
—Tipo quem? – eu pergunto enquanto ele já caminha para longe de mim no corredor
O moreno simplesmente não respondeu e continuou seu caminho me ignorando completamente.
Tudo bem... Então preciso agir normalmente até o assassino fazer contato... Eu consigo fazer isso.
É meio dia e o salão principal deve estar cheio, o tipo de lugar que eu quero evitar por um tempo. Não estou com fome, porém ir ficar sozinho no meu quarto esta fora de questão, minha cabeça esta cheia de pensamentos violentos se tratando do maldito assassino e ficar sozinho só me levará a fazer uma besteira homicida, como ir atrás de Pansy agora mesmo.
Sem rumo, ando arrastando minha perna que ainda dói pelos corredores do castelo. Não sei que direção tomar quando me vejo em um andar qualquer que por acaso é o mesmo do estúdio onde Astoria costuma praticar balé, o som muito baixo chega aos meus ouvidos, teclas de piano tocando uma suave melodia.
Minha bailarina esta praticando... Estranho, Hermione disse que ela estava muito cansada.
A porta esta trancada, porém só bastou um alohomora para abri-la silenciosamente.
[https://www.youtube.com/watch?v=lZGGNkB-vzo]
Astoria Greengrass suavemente dançava em cima de um par de sapatilhas rosa sem ponta, acompanhando delicadamente o som do piano que ditava seus seguintes movimentos, a bailarina parecia completamente desinteressada ao que acontecia a seu redor, seus olhos estavam baixos e desanimados.
Ainda estou pensando se devo me anunciar, quando seus olhos castanhos me fitaram através do espelho, Astoria sabe que estou aqui, porém não parou de dançar por minha causa, ela seguiu seus movimentos começando rodopios até terminar perfeitamente seu solo com a primeira parte da música.
A loira não voltou a me olhar, sou incapaz de imaginar Astoria com raiva de mim, então só posso concluir que ela esta triste com algo.
—Que bom que esta bem – ela diz enquanto levanta sua perna direita na barra e se inclina até alcançar os dedos do pé fazendo parecer muito fácil
—Soube que você foi me ver
-Sim, eu fui...
Ela alterna a perna na barra enquanto a música continua a soar.
—O que aconteceu? — eu fui direto
—Eu... Recebi uma carta do papai – ela soltou um suspiro pesando pousando a perna esquerda no chão, mas ainda não olhava para mim, concentrada em seguir seu exercício na barra.
—O que ele disse?
—Nos deu um novo compromisso, uma tarefa a cumprir. – ela diz enquanto fica na ponta dos pés se poiando na barra para uma nova posição
—Que tarefa?
Astoria respirou profundamente, retirou a mão da barra e posicionou seus pés normalmente no chão, ela levantou os olhos castanhos para olhar nos meus cinzentos, e só assim vejo que seu rosto branco esta molhado com algumas lágrimas.
—Uma festa de noivado – ela declarou enquanto toca seu anel na mão
—O que? – eu respondo sem conseguir ter uma reação imediata
—Eu sei, é assustador.
-E desnecessário! Eu já aceitei casar. – esbravejo alterado andando de um lado para o outro — O que mais ele quer? Um neto?!
Astoria não respondeu, apenas escondeu o rosto com as mãos.
—Quanto tempo ele nos deu?
—Duas semanas
—Fale mais, Astoria, mais!
—Uma festa de gala para lançar nosso noivado à alta sociedade bruxa, — a loira virou-se para mim encostando suas costas ao espelho – será realizado em um salão de festas da Ilha, um evento grande e espalhafatoso.
—Pra gente fingir que se ama pra umas quinhentas pessoas?! Seu pai é um idiota, isso não estava no acordo.
—Eu sei... Mas...
—Mas o que? Não vou aceitar isso. Prefiro morrer a essa humilhação, ele já havia insistido em um casamento grande, e já esta muito bom, fui generoso, isso tudo é uma mentira, por que ele insiste em fazer tudo isso se nem ao menos é real? Assinar no cartório já deveria ser o bastante.
Dou a costas para a loira por um minuto, tentando controlar os nervos e continuar minhas perguntas, mas quando me viro, ela já não estava mais no mesmo lugar. Consigo ver apenas o borrão passando rapidamente pela porta.
—Astoria, volta aqui!
Mal atravesso a porta e sou parado por Celestina Warbeck, a mulher negra agarra minha blusa e me segura no mesmo ponto.
Bufo quando vejo Astoria desaparecer virando o corredor
—Você me deve explicações, Malfoy – furiosa Warbeck aponta o dedo no meu rosto – onde esta o mapa?
—Eu não estou com o mapa
—Onde esta o mapa, Malfoy?!
—Acha que se eu tivesse o mapa teria quase morrido com a sangue-ruim em um poço sem oxigênio? Com licença, eu tenho coisas maiores para me preocupar agora.
—Fique aqui, Malfoy – tento escapar, mas a mulher me segurou no mesmo lugar e me empurrou para trás com força – não brinque comigo, eu sou perigo para você.
—Fantástico verso, querida. Por que não compõe uma música sobre isso? – eu sou sarcástico encarando a negra
—Você é o assassino? –ela é direta
—Obviamente não.
—É a Granger?
—Você consegue imaginar a Granger com o seu uniforme de Hogwarts banhado no sangue das vítimas? Muito sexy de se imaginar, mas impossível na prática. Você não acha?
—Admiro que você ainda não tenha perdido a língua afiada e a pompa de um Malfoy, mas você não é mais nada nessa sociedade cheia de buracos pós-guerra, querido. Eu tenho contatos políticos que me devem favores, usando as palavras certas levaria você a Azkaban em pouquíssimo tempo, essa é minha Ilha, meu castelo, minha cidade, dentro desse pedaço de terra no oceano, eu sou a lei.
—Lindo monólogo, nota 7, cheio de paixão, eu quase tremi de medo, SE eu tivesse algo para ter medo. Não sou assassino, Hermione não é a assassina, e não temos o mapa, então seja o que for o que você tanto quer naquele mapa, eu não sou o bruxo dessa cidade que pode ti dar respostas.
—Você esta mentindo.
—Não, não estou.
A mulher hesitou.
—Me siga
—Aonde vamos?
—Minha sala, — ela vira-se andando calmamente enquanto eu a sigo – alguém a invadiu recentemente, é a segunda vez, mas desta vez não sei o que sumiu.
Blásio e Gina pegaram o livro dela...
Não respondo apenas caminho ao lado da mulher, quando chegamos a sua sala que esta curiosamente aberta, ela acelera os passos pisando firme no chão e escancara a porta para entrar e ver o invasor no ato.
—Finalmente vocês chegaram, eu estava começando a ficar entediado.
Surpreendo-me ao ver Blásio sentado confortavelmente atrás da cadeira principal, com os pés sobre a mesa e uma expressão entediada.
—O que você faz aqui, invasor?
—Apenas seguindo uma linha de investigação, se não se importa, você é minha suspeita – ele sorriu pondo os pés no chão e se levantado – e se você se importa, bem, você continua sendo suspeita.
—Quem é você?
—Depende do que você quer saber, – ele sorriu saindo de trás da mesa – agora quem é você? Uma mulher rica, egocêntrica, com mania de poder e um gosto muito peculiar para uma cor primaria que por acaso é uma cantora famosa que se chama Celestina Warbeck.
—O que você esta fazendo? – eu pergunto
—Eu vou chamar o detive...
—Talvez você queira me ouvir antes, — ele a interrompeu pondo as mãos para trás mantendo a postura – o livro que emprestei hoje da sua prateleira foi muito instrutivo, eu o encontrei facilmente entre os outros, por que curiosamente ele é o único livro de história do seu acervo.
—Aonde você quer chegar com isso? – ela se aproximou dele com os olhos escuros ardendo de raiva
—Repetindo, o único livro de história, o que acha, Draco? – o moreno dirige a palavra para mim ignorando a mulher
—Não sei... Ela não gosta de história?
—Muito bem observado, mas por que uma mulher que não gosta de história compraria uma ilha histórica marcada pelos Piratas sombrios? Bastante intrigante, já que essa cidade nessa Ilha foi um investimento muito arriscado levando em conta que estamos fora da rota original dos navios comerciais, e a Sra. Celestina Warbeck sempre fez investimentos seguros na sua carreira até onde eu sei. Ela escolheu esse lugar por uma razão especifica.
—Faz sentido – concordo.
—Eu foleei o livro, e encontrei uma página arrancada, o sumário indica que era um capítulo breve sobre o cofre do tesouro.
—Tesouro?
—Sim, aposto que Sra. Celestina Warbeck não mencionou isso. – ele olhou diretamente para a mulher que esta séria, apesar de algo nos seus olhos também demonstrarem surpresa – Porém suponho que o mapa não indique onde o cofre esta exatamente. Estou certo?
—Sim... – ela respondeu hesitante – Você esta certo, é um rapaz muito inteligente
—Sim, eu sou brilhante.
—E muito humilde – eu comentei ironicamente – este tesouro, estamos falando de ouro?
—Moedas de ouro, joias, artefatos históricos... E algo em especial que ela quer.
—O que?
—Não tem fotografias aqui, somente trabalho, você não tem família, mas deve ter alguém especial, – ele diz olhando diretamente a mulher – por que o que você quer do tesouro é...
—O Candelabro da visão – Celestina interrompe o monólogo de Blásio e olha diretamente para mim – um artefato mágico que foi roubado pelos Piratas sombrios de um navio francês, as lendas dizem que foi o único artefato que jamais chegou a ser negociado pelos Piratas, quando viram tamanho poder, eles guardaram para si, foi um grande instrumento de guerra.
—O que ele faz?
—Ele encontra pessoas, vivas ou mortas onde quer que estejam, no mundo trouxa ou bruxo, não importa quem seja, é infalível.
—Nossa querida dona da Ilha precisa do mapa para impedir que encontrem o tesouro antes dela e consequentemente o Candelabro da visão – Blásio concluiu com um sorriso.
—Não seria justo que alguém ache antes, é a busca da minha vida, eu estou me arriscando há dez anos e nunca encontrei o cofre. Eu mato qualquer um que puser as mãos no meu tesouro antes de mim
—É um tesouro histórico, mesmo estando em terra dela, o Ministério da magia tomaria posse, é por isso que ela recorreu a você Draco e não um profissional.
—Parece que agora tanto você quanto eu temos o outro nas mãos – eu sorri olhando para a mulher negra que não parecia se quer se sentir ameaçada com nossa descoberta
—Talvez – ela afirmou
A porta da sala abre-se devagar.
Todos olharam na mesma direção simultaneamente. Hermione Granger entra no recinto passando os olhos pelos três bruxos presentes da sala, e suspira pesadamente ao encarar seu irmão.
—O que você fez Blásio? – a castanha é direta
—Você chegou um pouco atrasada, mas não tarde demais – ele sorriu tirando um papel do bolso – vamos, nós temos coisas a fazer
—Ok.
Celestina Warbeck não disse nada enquanto nos observava sair de sua sala
—O que aconteceu lá dentro? – Hermione pergunta quando estamos andando no corredor
—Draco terá o prazer de ti contar mais tarde, agora vocês tem um compromisso.
—Que compromisso?
—Este compromisso – Blásio entrega a carta para mim – eu encontrei na porta do nosso quarto, Draco.
—O que é? – Hermione esta curiosa
—É do assassino – eu respondi enquanto lia o papel
“15-78. Pansy Parkinson esta aqui”
—O que é isso? – pergunto para Blásio
—Coordenadas para um local do jardim, os feitiços do Draco estão sendo monitorados, então Hermione vai junto como reforço.
—Acredita que a Parkinson realmente esta lá? – Hermione diz ao mesmo tempo em que examina o papel – Pode ser uma armadilha.
—Um conselho: Não morram
—Excelente conselho, irmão.
—Vamos Hermione, temos que salvar a Pansy.
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