Fracos

20 Capítulo 20: A esfera viajante


Notas iniciais
Quem comentou pfv continuem, eu gosto muito, isso me ajuda a escrever mais. Tanto que esse capítulo veio até bem cedo! kkkk Obrigado galera. Aproveitem a leitura. Beijoos

Visão de Draco Malfoy

Eu sei que deveria ter ido à reunião no laboratório, não estamos em um bom momento, eles precisarão de mim para o roubo, porém preciso de um momento sozinho para pensar.

A torre mais alta do castelo é o lugar ideal para isso, eu venho aqui faz algumas noites, deito no assoalho, abro mecanicamente o teto e observo as estrelas com o telescópio, então por alguns segundos, eu imagino que não sou um grande babaca e finjo que tudo isso não está acontecendo por minha culpa, eu finjo que isso não está acontecendo por que em algum momento da minha vida fiz um inimigo, e que agora ele é Crudelis.

O teto ainda está fechado, eu estou encostado na janela sentindo a brisa no meu rosto e suspiro, daqui de cima tudo é mais bonito, mas até aqui eu carrego problemas no bolso, literalmente, pois é do bolso da calça que eu retiro a carta que recebi de Jacob Aurelius, meu advogado.

“Draco, meu amigo, os últimos acontecimentos não foram favoráveis ao seu caso. Receito que seu acordo com o juiz Carlisle Greengrass não será o bastante para livrá-lo da pena máxima, a promotoria tem recebido relatórios vindouros do detetive Adam O’hanoly, a crença geral é que seja culpado pelos assassinatos em serie, faltam apenas provas conclusivas. Eu soube através de um amigo do tribunal que O’hanoly emitiu um pedido de mandado de prisão contra você, mas ainda não obteve respostas. À luz dos fatos recentes, espero por ordens para prosseguir ou não com o plano B”.

Jacob Aurelius é advogado da família Malfoy, os Aurelius são aliados da minha família há gerações e não é surpresa que ele esteja trabalhando neste caso, ele é meu único conselheiro judicial no momento, mamãe perdeu as esperanças sobre sua recuperação e tudo o que sai da sua boca é entristecedor, ou seja, não tenho ninguém para me dizer o que fazer a não ser ele.

Crudelis estragou completamente meus planos, por mais que eu tenha sido absorvido sobre a acusação de comensal da morte e ter certeza que meus registros bancários estão limpos de transações com Voldemort, eu sou visto com maus olhos pelo Ministério, pois meus pais eram o casal de comensais mais influente da mesa de Voldemort, segundo eles.

Por serem processos diferentes, serei julgado duas vezes, quando eu for acusado oficialmente como assassino e levado a julgamento, Carlisle Greengrass não será meu juiz, segundo as leis bruxas, meu caso será julgado por um júri popular.

Não tenho dúvidas, se a situação se elevar a este nível, serei executado e tudo isso terá sido em vão.

O plano B é tentador, algumas semanas atrás ele seria visto como egoísta, mas agora ele me soa como um sacrifício.

—Draco? – Hermione entra timidamente pela porta

Rapidamente enfio a carta no bolso e dou atenção ao telescópio a minha frente, enquanto Hermione Granger, minha mais nova companhia, entra no recinto a passos estreitos.

—Como me achou? – eu tento parecer despreocupado, enquanto regulo o telescópio na altura certa.

—Foi fácil, — ela sorriu timidamente – eu pensei em onde eu iria se quisesse ficar sozinha.

Não respondi, pois não tenho o que dizer, eu sei que meu silêncio é rude e a deixei absolutamente desconfortável, mas sua presença desperta muitas emoções, eu não sei qual delas eu quero reivindicar, ou se devo reivindicar alguma.

—Bom, eu vou abrir o telhado pra você, – Hermione tentou ser simpática, andou até a janela, segurou firme a alavanca que abria o telhado de ferro para a observação de estrelas, mas não teve força o suficiente para puxar – é um pouco duro.

Hermione continuou tentando puxar a alavanca, eu dei um meio sorriso ao ver a cena, era engraçada, coloquei minha mão em cima da dela e puxei a alavanca para baixo, abrindo assim o telhado acima das nossas cabeças, o observatório perfeito para uma noite estrelada.

Um arrepio correu por meu corpo quando nossas peles se tocaram por um instante. Nossos olhos se cruzaram e ali ficaram, sem interrupção, sem desviar os cinzas dos castanhos, focados um no outro por longos segundos, até ambos despertarmos e nos afastarmos rapidamente.

—Eu decepcionei você? – ela perguntou de repente

—Do que está falando?

—Sobre o homem que eu matei – ela piscava enquanto falava, demonstrando seu desconforto profundo em falar sobre o assunto.

Eu fico em silêncio um segundo pensando no que responder.

—Não é isso que me incomoda.

—Como eu ter matado alguém não incomoda você?

—Eu destruí mais vidas do que você, eu não senti arrependimento, você sentiu, acho que isso ti faz alguém melhor do que eu.

Hermione deu um passo à frente, estreitando o espaço entre nós, mas não me olhou nos olhos quando disse:

—Achei que estivesse decepcionado, — diz ela, encarando meu peito — por que você disse que eu não tinha um lado obscuro e eu tenho.

—A perfeição é chata – eu automaticamente respondi o que ouvi minha mãe dizer centenas de vezes.

Sinto o calor do seu corpo perto do meu... Tão perto que posso sentir o perfume doce que está usando, eu tenho uma visão perfeita da pele lisa do seu pescoço e desejo afundar meus lábios nela, seria muito bom.

—Então o que ti incomoda? – ela pergunta apreensiva.

—Viktor Krum.

—Krum? – ela levantou o rosto e deu um meio sorriso – Por quê?

—E você pergunta? – eu fiz uma carranca – Ele... Toca você.

—Não quer que me toquem?

—Não.

—Ninguém?

Eu a segurei com força pela cintura e a puxei para mais perto de mim, tão de repente, que ela bateu seu corpo contra meu peito.

—Só eu – eu disse muito sério, olhando-a nos olhos castanhos.

Devagar nossos rostos foram se aproximando...

—N-não... – sua voz tremeu – Ele vai me machucar.

Ele... Crudelis... Ameaçando-a por minha causa.

Eu trinco os dentes e respiro profundamente, mexendo os ombros, desvio o olhar para o mundo fora da janela e a sinto se afastar de mim.

—Desculpe... – Ela sussurrou

—Por que está se desculpando?

—Não sei...

—Crudelis está tentando ti tirar de mim e conseguiu.

—O que? – ela soa incrédula, eu a olho sobre a luz do luar e percebo sua frustração – Nós nem estávamos juntos, você não quis.

—Eu não disse isso.

—Sim, você disse, – Hermione dá ênfase em cada palavra, ela parece chateada. Como se não bastasse Astoria, agora ela também? – você prefere sua mãe e eu entendo, o pai de Astoria está pagando todas as medicações, enquanto você está com as contas bancárias congeladas, sem a ajuda dele, ela morre.

—Você entendeu errado.

—E o que era pra eu ter entendido?

—Não é só sobre minha mãe, em parte é, mas você não prestou atenção no ponto crucial. Eu não sou homem pra você. Você nem precisa de alguém como eu. Eu sou problema, você acha que Crudelis estaria ameaçando você se não tivesse me beijado? Todos vocês podem fingir que não veem, mas isso tudo é minha culpa.

—As mortes não são sua culpa...

—Eu criei Crudelis, — eu a interrompi – ele me odeia e é por isso que está fazendo tudo isso.

—Ele é um monstro, teria feito de qualquer forma. E eu estava na mira dele antes de a gente se beijar, ele disse que eu era necessária.

—Exatamente, Hermione. Ele não ti machucaria, mas agora vai, por minha causa, por que ele é uma dos milhares de pessoas com quem eu fui um babaca. Você não quer alguém como eu do seu lado.

—Só que essa é uma escolha minha, não sua.

Eu engulo em seco.

Menina teimosa, desse jeito vai acabar morrendo.

—E o que você escolhe? – eu cruzo os braços e uso um tom forte – Ficar aqui comigo é suicídio.

—Crudelis não vai me matar, aposto que nem vou ter uma língua em uma caixa, eu sou necessária, meu único medo é como você reagiria ao meu segredo.

—A outras maneiras de causar dor, Hermione.

A castanha mordeu o lábio inferior e passou a língua, tentadoramente, eu reajo desconfortável, descruzando os braços, ela sorri ao perceber o efeito que tem sobre mim.

—Você me quer? – ela pergunta diretamente, tocando meu ombro e deslizando os dedos no meu braço até minha mão, eu arfo com seu toque.

Incapaz de responder verbalmente, eu apenas assinto com a cabeça. Penso que se eu disser em alto som, não poderei responder por mim, eu vou enlouquecer e agarrá-la agora mesmo.

—Eu não tenho medo de Crudelis, eu não vou deixar que ele faça escolhas por mim. Só... Diga o que você sente por mim.

Um flash assombroso da língua dentro de uma caixa gira em minha cabeça.

—Vá embora – eu peço.

—O que? – ela recuou um passo

—Não posso deixar que machuquem você por minha causa.

Hermione pisca os olhos repetidamente, eles estão marejados e ela caminha lentamente até a porta.

—Droga, Draco! Por que você não torna as coisas mais simples? – a garota rugiu raivosa, olhando-me com os olhos ainda marejados.

—Por que não são.

—Por que simplesmente não diz o que sente por mim? Chega de pedaços e me deixar imaginando o que se passa na sua cabeça. Se eu sair por essa porta, nem pense em ir atrás de mim, não pense em me beijar, tocar ou se quer falar comigo, eu não quero ter mais nada haver com você.

Meu coração se aperta ao pensar em Hermione partindo da minha vida, os últimos oito dias me ignorando foram o bastante para eu sentir na pele o quanto eu preciso dela, eu quase enlouqueci.

—Tudo bem, adeus Malfoy – Hermione virou-se.

—Desculpe!

Desculpe? Eu disse desculpe?

Nem posso acreditar que estou me desculpando por alguma coisa, eu sempre fui orgulhoso demais para pronunciar esta palavra, ela soa errática vindo de mim, mas encaixasse perfeitamente quando se trata de Hermione.

—Eu sei que eu pedi, mas não posso deixar que você vá embora da minha vida, — eu continuei sério, mas Hermione esta estática, de costas para mim – por favor, fica.

Devagar, mas sem sair do mesmo ponto, ela vira-se para mim.

—Por que quer que eu fique?

—Desculpe, — eu respirei fundo, pus as mãos na cintura e continuei com os olhos baixos – eu não posso deixar você ir embora, por que eu preciso de você, eu preciso muito de você, eu não posso ficar sem você, por favor, por favor, fique.

Silêncio.

—Eu sei que eu sou egoísta, o Krum é um cara mais fácil de lidar, mas foda-se, — eu a olho e vejo sua expressão de espanto, uma coragem repentina me preenche e eu continuo — eu preciso de você e tudo bem se você precisa saber disso.

—Precisa de mim? – sua voz enrouqueceu

Em passos curtos me aproximo da castanha, a olho profundamente nos olhos e continuo:

—Eu não sou o homem dos seus sonhos e eu não posso ti dar o amor que você merece, eu não estou ti pedindo para deixar o Krum ou ser suicida o bastante para me tocar como mais do que um amigo, Crudelis é uma ameaça real, o que eu estou ti pedindo é para não ir embora da minha vida... Por que, por Merlin, Hermione! Dessa vez eu não vou aguentar. Eu gosto de você. Você me faz bem. Não me ignore de novo...

Hermione segurou meu rosto e me interrompeu com um beijo.

—Eu também gosto de você, Malfoy. – a grifnória me fitou com seu par de orbes castanho — Eu não vou a lugar algum.

Ela corresponde meus sentimentos, por que eu não estou feliz?

—Não era isso que você queria ouvir?

—Por que você gostaria de mim? – eu estou desconfiado — Eu não sou um bom homem e você é muito esperta.

—Ninguém é todo bom, Draco.

Ela me beijou outra vez e eu correspondi com a mesmo vigor, segurando-a com a força e a puxo para mim, eu estou necessitado do seu toque.

—Não pare, — ela pediu entre um beijo e eu a levanto para cima de uma mesa, me encaixo entre suas pernas – eu quero ficar com você.

Eu interrompo o beijo um segundo e toco seu rosto, Hermione está tentadoramente bonita, seus olhos parecem mais escuros de desejo.

—Então só eu vou poder tocá-la desse jeito? – eu seguro sua coxa direita com a mão, com força.

—Sim... – ela mais gemeu do que respondeu.

Eu selo nossos lábios em um beijo voraz, desesperado. Nossos corpos queimam em contato com o outro, ele toca meu corpo com apertos fortes, arranhando meu pescoço e puxando meu cabelo, eu retribuo segurando-a com firmeza na coxa e cintura, o desejo de ambos é forte, avassalador.

Hermione deita seu corpo na mesa, eu arranco minha blusa as pressas e deito meu corpo sobre ela, meus lábios atacam os dela, enquanto desabotoo os botões de sua blusa escura.

Finalmente a blusa de Hermione está no chão e eu encaro seus seios medianos em um sutiã branco e sua barriga desnuda, eu enfio uma mão debaixo do seu sutiã, antes de tirá-lo e aperto, Hermione geme, é delicioso, eu me sinto mais excitado vendo-a a se contorcer com meu toque. Eu aperto outra vez para ouvi-la gemer e começo a disparar beijos em sua barriga.

Nós não vamos parar, nós iremos até o fim.

Hermione põe suas mãos no feixe central do seu sutiã, está a ponto de abri-lo, eu mordo meu lábio com força, imaginando que poderei finalmente abocanhá-lo, porém a garota para o movimento dos dedos, pois ouvimos um barulho.

O som do assolhado rangendo com o peso de alguém.

Eu ponho a blusa as pressas e corro até a porta, ainda posso ver no fim da escada uma sombra, eu corro degraus a baixo, mas quando chego ao último degrau me deparo com dois corredores e não sei qual deles devo seguir.

Esforço-me para lembrar com clareza da sombra, na minha cabeça só vejo um borrão. Era um homem? Uma mulher? Parecia um homem, um homem grande como o detetive, mas não quer dizer que realmente era ele.

—Draco? – Hermione desceu os degraus devagar, seu está rosto pálido de preocupação e a blusa com alguns botões fora da casa, ela engoliu em seco e cruzou os braços sobre o peito – Você viu quem era?

—Não.

Hermione respirou profundamente, mas não aliviada, ela encostou suas costas na parede e ficou em silêncio.

—Você está com medo? – eu perguntei, mas sei a resposta, sua reação é clara como cristal.

—Sim... – ela fechou os olhos um segundo, tentando desviar um pensamento ruim.

Eu subo alguns degraus e me coloco na sua frente.

—Então eu acho que não devemos fazer isso.

—O meu medo é perder você. – ela comprimiu os lábios

A abracei, ela enlaçou seus braços ao redor do meu pescoço, eu encostei nossas testas e disse:

—Vai dar tudo certo – apesar do tom de certeza na minha voz, eu não acredito nisso.

—Eu sei... Quer mesmo ficar comigo? Tenho medo de estar brincando comigo.

—Sim, eu quero. Mas agora...

—Eu sei, — ela não deixou que eu terminasse, me olhou nos olhos e continuou – momento errado, lugar errado...

—Eu romperia o noivado agora se eu pudesse.

—O noivado... – sua boca abriu em um “o” – Eu havia me esquecido disso.

—E o Krum?

—Não gosto dele como eu gosto de você.

Eu sorri

—O que eu estou sentindo... Eu não sei como isso aconteceu – eu admiti.

—Nem eu.

Não dissemos mais nada, nós apenas nos aproximamos e nos beijamos mais uma vez, dessa vez não havia luxuria, apenas um sentimento incrivelmente belo, que eu arriscaria dizer ser amor.

Amor... Isso existe mesmo? Eu estou enfraquecendo de amor?

Seja o que for isso, eu gosto...

Visão de Rony Weasley

—Rony?

Devagar, eu desperto do meu sono. Que horas são? Acho que inda não está na hora do treino.

—Acorde Rony.

Eu pisco os olhos involuntariamente, uma luz estranha ilumina o quarto, eu foco minha visão e consigo vê-la, a esfera de energia mágica ao pé da minha cama, em forma de pessoa outra vez, mas ela brilha tanto que não consigo olhá-la diretamente, isso é frustrante.

—Acorde Harry, vocês precisam fazer uma coisa agora.

Rapidamente recordo do que Blásio descobriu no quarto do detetive, ela já esteve aqui mais de uma vez, por mim. Por quê? Que ligação nós poderíamos ter?

Eu jogo meu travesseiro em Harry com força e ele se mexe acordando em um salto.

—O que está acontecendo? – eu pergunto

—Alguém está roubando os ossos do capitão pirata.

—Quem?

Eu vejo Harry pôr os óculos.

—O que houve? – ele ainda está sonolento

—Eu não posso dizer.

—Então diz onde está o navio, — eu insito — ou pelo menos quem você é.

—Eu não posso dar esse tipo de informação. E sobre mim, eu não existo.

—Como não existe? – eu estou confuso – Você está aqui, agora.

—Eu não estou aqui, eu estou em toda parte. Eu não sou importante. Vão! Rápido! Estão levando os ossos dele!

—Por que fariam isso? São só ossos.

—Eu já sei quem você é... – Harry diz de repente – Você é a viajante no tempo que falou com meu pai.

—Sim, Harry. Minhas ações tiveram consequências.

Então é mesmo uma mulher.

—Por que você está nessa forma?

De repente o chão treme e a temperatura cai consideravelmente.

Harry e eu trocamos olhares, isso não parece bom.

Um ser se materializa no vazio da extremidade superior do quarto, formando um buraco negro atrás de si, sugando o ambiente, o pouco de luminosidade do quarto produzido pela viajante do tempo é o bastante para vê-lo, parece um dementador, mas não é.

O rosto é uma caveira esbranquiçada, sua boca é uma linha reta de dentes perfeitos que abrem e fecham fazendo um som assustador, um urro que arrepia até meus últimos fios de cabelo.

Suas vestes não negras, esvoaçantes, ele tem mãos esqueléticas, mas não vejo seus pés, podem estar debaixo do tecido, mas desconfio que a criatura não tenha. Por que precisaria? Ele parece um fantasma que jamais precisou pisar no chão para se locomover.

Eu estou paralisado com o susto. O que é aquilo? Nunca estudei algo assim na aula de Hagrid.

—Riddikulus! – Harry arrisca um feitiço, mas não surge nenhum efeito, não é um bicho papão.

—Expecto Patronum! – eu tento, meu patrono voa pelo ambiente, mas também não surge efeito algum sobre o monstro, que nem se indigna a nos olhar, ele está com os olhos fixos na viajante.

—Estupefaça! Petrificus Totalus! Avada Kedavra!

—Cruciatus!

Nenhum dos feitiços tem efeito.

A criatura voa sobre a viajante, mas ela desaparece, escapou, a criatura solta um urro amedrontador, ele está com raiva, eu salto da cama de medo para longe dele, não sei o que fazer se todos os feitiços parecem não surgir efeito. O que teria tanto poder assim?

Milagrosamente, a criatura nos olha por alguns segundos e vai embora pelo buraco negro por onde entrou, então desapareceu.

—Vamos embora – Harry pulou da cama e começou a colocar os sapatos.

—Para onde?

—Você esqueceu? Os ossos.

—É mesmo!

Quando Pansy encontrou a chave, nós achamos melhor esconder os ossos, então o escondemos debaixo de folhas fora do buraco.

Harry e eu corremos para a floresta, conjuramos luz em nossa varinha, mas quando chegamos onde deveria estar os ossos, vimos que ele já não estava mais lá e não havia ninguém a vista.

Visão de Gina Weasley

—Os ossos sumiram? – minha voz é um misto de surpresa e susto, eu busco mentalmente por um motivo para alguém fazer algo assim e meu estômago se embrulha – O que ele faria com isso? Nenhuma magia é capaz de ressuscitar alguém.

Harry está com os olhos fundos, cansado, ele com certeza não dormiu, desde a aparição no seu quarto.

É cedo de manhã, dia primeiro de outubro, nós marcamos de nos ver esse horário na sala comunal da Grifnória, é um bom horário para conversar, pois a maioria dos grifnórios ainda está dormindo, então nós podemos ficar juntinhos, sem ter alguém que ache que eu estou traindo meu namorado.

—Eu sei disso, a morte é um estado impossível de mudar, — ele concordou positivamente com a cabeça – mas eu acho que não é isso o que ele quer.

—E o que ele quer então?

—Eu acho que ele conseguiu um meio mais rápido de achar o navio, talvez ele queira invocar o fantasma do capitão.

Meu estômago se revira mais uma vez e eu me acomodo no sofá.

—Isso é muito nojento, — um grunhido sobe pela minha garganta, eu só penso em uma pessoa, meu irmão Fred – os mortos devem ficar mortos.

Fred... Fred...

Eu pisco para afastar as lágrimas ao pensar em meu irmão, então sacudo minha cabeça para afugentar as lembranças da guerra.

—Blásio, já tem um plano para o roubo?

—Talvez, — eu soo irônica – ele nunca me conta seus planos até me jogar para dentro dele.

—Ele parece irritante.

—Ele é — eu dei um meio sorriso, mas ao olhá-lo percebo que ele está sério – eu gosto dele, Blásio é uma boa pessoa.

—Ele é um sociopata.

—Eu sei, a gente brigava muito por isso, — eu dei um risinho – mas ele se tornou alguém importante para mim.

O assunto se tornou desconfortável e nós devíamos o olhar um do outro.

—Você falou com ele sobre nós?

—Eu tentei, mas antes que eu pudesse dizer, eu soube que vou jantar essa noite com minha sogrinha – eu soo sarcástica e Harry ri – eu sei, eu também não consigo imaginar isso.

—Então, nós vamos voltar? – ele segurou minha mão carinhosamente.

Eu encarei nossas mãos entrelaçadas e sussurrei um:

—Indecisa.

Eu recordo do beijo que Blásio me deu e sinto minhas bochechas corarem, aquilo me surpreendeu muito. Será que ele queria testar? Para fingir melhor nosso namoro? Parece ser a resposta mais adequada para seu repentino gesto de afeto, eu gostei, mas não devo esperar por mais que alguns beijos para despistar dúvidas sobre nós, Blásio jamais se apaixonaria por mim, isso é impensável.

Eu levanto o olhar e encaro o par de orbes verdes mais lindas que já vi, ele me hipnotiza.

—Você é tão bonita, — ele acariciou meu rosto — eu sei que você me ama.

Ele está certo, eu o amo, tanto que chega a doer, desde meus onze anos, eu imagino entrando de vestido branco em uma igreja, enquanto ele espera por mim no altar, mas a memória das nossas brigas ainda estão vivas na minha cabeça, estou confusa.

—Você vai me esperar?

—Sim.

Harry está diferente, isso é evidente.

—Caras como você não existem, — eu ri – eu devo estar sonhando.

—Eu tenho um presente pra você.

O moreno tira uma caixinha preta do bolso, parecida com as que se carrega uma aliança, mas é maior, ele abre e eu vejo um cartão prateado, eu começo a rir.

—Compras! – ele diz de um jeito engraçado – É para a melhor loja da cidade, eu quero você linda no noivado do Malfoy.

—Nem acredito que fomos convidados, — eu sorri largamente – obrigado, por acaso está tentando me comprar?

—Claro que não, — ele negou – mas eu posso fazer isso? Quantos vestidos até você voltar comigo? Eu posso comprar a loja se você quiser

Eu volto a rir, eu sei que ele está brincando. Harry sabe que eu amo moda.

—Hum... Isso é muito tentador – eu entro na brincadeira

Harry apenas ri.

—Você sabe que eu estou brincando, minha ruivinha, — ele me beijou carinhosamente sobre os lábios – mas compre seu presente, é uma gentileza, quero você ainda mais linda.

—Eu amo você.

As palavras escapam da minha boca, eu a tampo com a mão, ao perceber o que acabo de dizer, o sorriso de Harry se alarga, ele está radiante.

—Eu também te amo.

Nós começamos a nos beijar e curtir um ao outro.

Após um tempo, nós seguimos caminhos diferentes, algumas pessoas começaram a descer e eu esperei por Hermione, então nós fomos juntas para o Salão principal.

—Você está radiante, — eu comentei – ainda pensando na sua noite com o Malfoy?

—Claro! – ela sorria – Quase aconteceu... Estava sendo perfeito, nós dissemos que gostamos um do outro, isso é tão... – ela suspirou apaixonadamente.

—Você diz como se fosse virgem – eu ri

—Tá, eu não sou, mas eu não sou muito experiente e ele é... Incrível.

Nós nos sentamos juntas a mesa e começamos a colocar nosso desjejum no prato.

—Rony e eu só aconteceu uma vez, então eu ainda me sinto insegura, não é como você e Harry.

Rapidamente algumas lembranças de nossas noites de amor voltam para mim e eu sinto uma necessidade de cruzar as pernas.

—Eu vou jantar com sua mãe hoje.

—Ela deve estar louca para conhecer você, — Hermione sorri e toma uma golada de suco – prova de que ele não é gay e ela terá netinhos legítimos.

—Pena que vai ser uma mentira.

—Talvez não seja, vocês se beijaram afinal.

—Céus... Por que eu ti contei isso? Agora vai ficar falando disso.

—E você não? Blásio nunca nem abraça ninguém e ele ti beijou.

—Nem foi de língua!

—É o meu irmão, ele nem deve saber beijar de língua. Vai me dizer que você não está nem um pouquinho interessada nele?

—Eu amo o seu outro irmão, queridinha. Esqueceu? É com o Harry que um dia eu vou ter filhinhos.

—Eu sei, — ela riu – vou ter sobrinhos ruivos de olhos verdes. Eu não estou ti pedindo para ficar com o Blásio, eu só quero que admita, você também sente algo por ele.

—Hoje você está elétrica, viu? – eu revirei os olhos – Só por que deu uns pegas no Malfoy ontem.

—Não posso estar de bom humor? – ela fez uma careta – Depois daqui, eu preciso pegar minha bolsa e ir fazer a prova mais importante da minha vida, então me dê um desconto.

—Tá, está bom. – Eu suspirei, coloquei meus cotovelos na mesa e continuei – Eu admito, Blásio também faz meu coração bater forte.

Hermione fez um som fofo, juntando as mãos e piscando seus cílios pintados de rímel.

—Calma, — ela riu – fique sabendo que você não é a primeira.

—Como assim?

—Você acha mesmo que é a primeira a cair nos encantos do Blás?

Eu engulo em seco.

Aonde ela quer chegar com isso?

Eu avisto o rapaz negro comendo em outra mesa e o imagino com outra menina, como isso seria possível?

—Blás é bem charmoso para algumas meninas, mas nunca uma o fisgou.

—Vocês ficaram sabendo? – Harry aparece de repente com Rony sentando-se na nossa frente

—O que? – Hermione pergunta interessada.

—Lilá Brown está morta – Rony revelou

—O que?! Você está brincando?

—Não, o corpo dela foi achado essa manhã, os olhos foram arrancados, é uma vítima de Crudelis.

—Isso definitivamente a tira da nossa lista de suspeitos, — eu digo baixinho – isso é horrível.

—Quem mais morreu? – Hermione pergunta

—Maya Woods, uma menina do terceiro ano, ela foi encontrada com Lilá...

—Nós acabamos de saber, todo mundo está falando disso.

—Ninguém merece morrer assim... – Hermione suspira

—Thomas Masen e Kyle Edwards, vocês conhecem? – Harry pergunta

Hermione e eu nos entreolhamos, então negamos com a cabeça.

—Um advogado e um morador de rua, pois eles também morreram, ontem, sacrificados também, Crudelis esteve bem ocupado.

—Quatro? – eu estou surpresa – Nunca houve quatro vítimas antes, não em uma noite, agora faltam só quatro para ele ter as doze almas.

—Perdi o apetite. — Hermione larga o garfo no prato, sem ter ao menos tocado na sua comida direito.

—Coma, Hermione. – eu assumo meu tom de menina mandona – Você vai passar o dia fazendo uma prova importante.

Eu sei o que eu disse, eu sei que estou certa, mas mesmo assim a comida passa a ter gosto de serragem na minha boca, eu perdi completamente minha alegria pela primeira refeição do dia.

Crudelis está muito a frente de nós. Nós precisamos fazer alguma coisa, rápido.

Visão de Draco Malfoy

Gregory Goyle não quer me ver, desde a morte de Crabbe ele só tem me olhado com ódio, como se eu fosse culpado por ele ser um pateta que morreu no próprio incêndio que provocou, ele não me faz falta, os dois só passavam de cachorrinhos para mim, na época isso era o bastante, agora Blásio é o meu melhor amigo e toda vez que ele nos vê juntos, nos encara.

Talvez eles tenham tido importância em minha vida passada, apesar de eles não serem aprovados pela minha família, entretanto agora percebo que eles não me acrescentavam em nada.

Goyle não quer me ver e eu também não fiz questão de pedir perdão, porém o mundo dá voltas e agora eu preciso da ajuda dele.

Eu saio de uma partida matinal de um jogo de Quadribol, tomo banho, me visto no vestiário e vou para a arquibancada, eu mandei um bilhete para ele esta manhã, preciso conversar com ele, Goyle não respondeu, tudo que eu posso fazer é esperar que ele venha me encontrar.

São quase 14h, o sol está desgastante, mas não vou desistir.

Hermione deve estar fazendo a prova na cidade. Será que ela está indo bem?

Eu sorrio com o pensamento, é claro que ela está.

—Me deixem em paz! – ouço uma voz infantil e chorosa – Eu vou contar para o papai!

—Ela vai cantar para o papai, ouviu? – ouço uma voz zombeteira – A orelha de abano não sabe fazer nada sozinha.

Eu estou determinado a ignorar as crianças idiotas, quando vejo um menino loiro de olhos escuros rindo descontroladamente de uma menina, que está chorando, com as mãos cobrindo o rosto, ele parece ser o líder de uma gangue de meninos do primeiro ano.

A primeira coisa que eu penso é como o menino loiro parecia comigo quando criança, a segunda é sobre como eu queria que eu não tivesse sido tão imbecil com Hermione nessa idade.

—Ei seus vermes, — eu levantei do banco e olhei diretamente para as crianças – deixem ela, ou vão se arrepender.

—Quem vai nos fazer se arrepender? – o loiro, mesmo sendo mais de vinte centímetros menor que eu, me desafiou.

—Eu.

Ele riu em resposta, zombando de mim.

Respondo com um sorriso maldoso, eu agito minha varinha e mesmo sem a pronuncia de palavras o menino se transforma em uma doninha, os outros garotos entram em pânico, um deles pega o amigo e sai correndo, enquanto a menina só ri.

Volto a sentar e relaxo o corpo na cadeira sorrindo, eu não espero que ela agradeça, eu já estou bem feliz em ter feito isso.

—Muito obrigado, Malfoy. – a menina diz docemente, ela usa uma trança no cabelo, expondo o que o menino chamou de orelha de abano, em dois segundos a encarando reconheço-a, a menina que fica com Hermione na biblioteca. – Eu sou Letícia.

—Draco – eu acenei com a cabeça.

A menina sorria tanto, tanto, que me pergunto se o rosto dela não irá ficar dormente.

—Você é bonito!

—Você tem bom gosto – eu comentei

—E eu não acho que você seja assassino... – ela continuou

—E é perceptiva também...

—Então você não vai pra Azkaban.

—Claro, eu ficaria horrível com o macacão laranja da prisão.

—Você é engrado — ela riu

—Não ouço isso com muita frequência, geralmente ouço que sou irritante, orgulhoso, narcisista e outras coisinhas que crianças da sua idade não devem ouvir.

—Eu gosto de você – ela declarou sorrindo, ela parece uma boa menininha.

—Escuta garotinha, por que não vai encontrar suas amiguinhas? Eu estou esperando alguém.

Ela concordou com a cabeça, me abraçou, me deu um beijo na bochecha e saiu correndo.

Menina legal até...

—Seu gosto por mulheres caiu miseravelmente... – ouço Gregory Goyle se aproximar andando a passos lentos pela arquibancada – Agora também ataca garotinhas do primeiro ano, Malfoy?

—Malfoy? – eu repeti meu nome – Por que tanta formalidade? Eu sou o mesmo Draco. Eu vejo que as chamas do incêndio trouxeram efeitos negativos para nossa amizade, Crabbe deve estar rindo de nós enquanto nos assiste do inferno – eu soo ácido..

—Amizade? Nós não somos amigos.

—Ah Gregory... – eu toquei no meu peito e fingi dor – Assim você parte meu coração.

—Corta essa, Malfoy. O que você quer?

—Um favor.

Ser Draco Lúcio Malfoy era cansativo, meu pai me pressionava a ser um herdeiro pomposo e orgulhoso de nosso sangue, nem sempre eu era bom nisso e às vezes tudo que eu queria era fugir da minha própria identidade.

Quando eu tinha quinze anos comecei a fugir, não de casa, mas da minha identidade, Gregory conseguiu documentos falsos para mim, então algumas noites por semana, eu me disfarçava e saia para alguns lugares sob o nome de Daves Washignton.

Eu preciso que Gregory faça isso por mim de novo, eu preciso de uma nova identidade para fugir de Crudelis e o Ministério se a situação piorar, como eu acho que vai.

—Favor? – ele forçou uma risada, pôs as mãos no bolso e sorriu para mim – Você tem muita coragem em vir pedir um favor de mim. Vincent está morto.

—Vincent Crabbe era um cãozinho fiel, ele disse que morreria pela causa se preciso, convenhamos, ele cumpriu a promessa.

—Vincent e eu só nos tornamos comensais por sua causa, éramos fieis e enquanto Vincent ardia em chamas, você nem olhou para trás e teria me deixado também, se o trio de ouro não tivesse feito uma boa ação e salvado nossas vidas.

Poderia ser ele? Não poderia? Gregory Goyle me odeia, ele tem motivos para ser Crudelis.

Hum... Mas muitas pessoas também têm.

—Então faça em homenagem aos velhos tempos, — eu dei um meio sorriso – eu recompensarei você.

—Sua conta bancária foi congelada como a minha, eu não sou idiota.

—A sua não tem nada, querido, com seus pais em Azkaban você está sozinho e completamente ferrado, a minha não, eu tenho dinheiro o bastante para comprar três ilhas no mar do Caribe e o que mais eu quiser, quando minha conta ser liberada, como nós sabemos que vai ser, eu serei podre de rico de novo.

Gregory não respondeu, ele desviou o olhar o olhar de mim e engoliu em seco.

—O que você quer? – ele pergunta a contra gosto.

—Você sabe o quê.

—Eu não trabalho mais com isso.

—Mas você sabe quem trabalha.

Ele me olhou com seus olhos escuros, cruzou os braços e respondeu com firmeza.

—Dez mil euros.

—Eu ti dou vinte mil, os outros dez são pela Hermione.

—Hermione? – ele deu um sorriso debochado – Vocês andam próximos demais.

—Cala a boca. Você faz, eu pago, sem perguntas.

—Eu vou precisar dos dados dela.

—Eu vou conseguir isso para você.

Gregory concordou com a cabeça positivamente.

—Vocês irão fugir, — ele riu sarcasticamente – que romântico. Quem diria que o Malfoy cairia de amores por uma garota de sangue sujo.

—Não fale dela desse jeito – eu o corto autoritário.

—Seu pai deve estar si revirando do túmulo, ouvi dizer que ele morreu cheio de ódio do filho.

—Não me importo com ele, — eu menti – eu também o odiava.

—Me dê cinco dias e os documentos irão estar prontos, mande os dados para mim essa noite.

—Ok.

Os documentos de Hermione são uma medida de segurança, espero que ela nunca tenha que usar.

Não quero fugir, eu realmente não quero, não quero viver para sempre longe das pessoas que eu amo, mas se eu for embora, Crudelis não terá motivos para continuar com isso, o caso dos assassinatos vai ficar estagnando até finalmente ser arquivado e Hermione vai poder ter uma vida normal, Jacob Aurelius irá usar parte da minha fortuna com minha mãe e Astoria vai poder seguir sua vida como bailarina, eu sou a única coisa que os atrapalha.

É claro que isso é apenas meu plano B, se tudo falhar essa é a única alternativa que me resta.

Visão de Pansy Parkinson

—Ouvi dizer que sua amiguinha é a primeira da turma em Adivinhação – eu comentei por alto.

Gina Weasley está sentada à mesa, a mesma que eu, saboreando um sorvete de chocolate, ela já estava surpresa com meu convite repentino para passar um tempo juntas e agora está ainda mais com o que eu acabo de dizer.

—Luna Lovegod? – ela põe uma mecha do seu cabelo ruivo atrás orelha e endireita-se na cadeira – Sim. Por quê?

—Ela será liberada em dez minutos, eu estou pensando em fazer algumas perguntas para ela.

—Por quê?

—Por que ela pode nos dizer alguma coisa sobre o futuro que pode ser útil – eu disse como se fosse à coisa mais óbvia do mundo e realmente é.

—Então você quer que eu vá com você, — ela concluiu – eu sabia que você não me chamaria para tomar sorvete por nada, mas por que eu?

-Astoria está de luto, Blásio está no laboratório estudando sobre o ritual que Crudelis vai usar, Harry e Rony estão no treino de Quadribol, a Granger foi fazer a prova de vestibular, não sei onde Draco se meteu, então sobrou você.

—Sou sua última opção?

—Não somos exatamente amigas.

—Isso é verdade – ela concordou

—Vamos, gatinha, — eu sorri e lambi um pouco de sorvete que derretia na casquinha – quem sabe isso seja o início de uma amizade.

—É, quem sabe – a ruiva me olhou desconfiada.

—Sou mais amigável do que imagina, pergunte ao Harry.

—Harry?

—Sim, alguém precisava dar uma força para ele fazer aquela surpresa pra você.

—Você sabe? – ela ficou corada

—Eu sei, — eu soo convencida — eu sou surpreendente.

Ela riu.

Nós pagamos pelos nossos sorvetes e atravessamos os jardins do castelo, que está lotado de pessoas em suas atividades diárias, ao que parece os quatro assassinatos repentinos não chocaram o bastante para o fim do festival se tornar sombrio.

—Nós temos alguns minutos, — Gina avisou — eu preciso ir para a reunião dos organizadores do show de talentos.

—Quem está no lugar de Lilá Brown? Ela era a líder.

—Não sei, mas McGonagall não vai deixar que o show não aconteça.

Eu observo à ruiva e percebo um hematoma roxo em seu antebraço, parece dolorido.

—O que foi isso? – eu pergunto

—Treino, — ela fez uma careta – essa manhã eu me distraí um segundo e um balaço me pegou.

—Li seu nome no jornal, você vai ser profissional, não é?

—Sim, eu vou conhecer meu time esse mês, — ela sorriu, animada – o primeiro jogo da temporada é em três meses, eu estou ansiosa. Você já sabe o que fazer no ano que vem?

—Não, quer dizer, sim, — eu me corrigi – eu vou viajar, conhecer o mundo, eu ainda não estou pronta para a faculdade, eu preciso de um tempo pra mim.

—Eu sempre sonhei em ser jogada de Quadribol, você nunca sonhou em ser alguma coisa?

—Sonhei em ser livre.

O alarme toca.

Nós apressamos o passo e chegamos a tempo de ver os alunos de Adivinhação saindo da sala, mas não vejo a menina loira de olhar sonhador, eu me inclino porta adentro e a vejo guardando suas coisas.

Gina e eu entramos, deixo a ruiva ir à frente, pois sei que ela saberá o que dizer a menina, então antes que Gina pudesse dizer algo a tal Luna Lovegod começa a sorrir e bater palminhas como uma lunática.

—Vocês chegaram! – ela comemora com um sorriso que vai de orelha a orelha – Sentem-se.

—Você sabia que viríamos?

—Claro! Querem chá?

A loira oferece para nós uma pequena xicara azul, totalmente vazia. Será que ela está se oferecendo para ler folhas em uma xícara de chá?

—Não, não, — Gina tocou a mão da menina e abaixou devagar para mesa a sua frente – queremos prever o futuro com um instrumento mais...

—Bonito? – a lunática a interrompe com uma pergunta – Realmente essa não é minha melhor xícara.

—Preciso – Gina terminou a frase.

—Você tem uma bola de cristal? – eu pergunto

—Claro!

A loira retirou da sua bolsa uma bola de cristal e a colocou em cima da mesa.

—O que vocês querem saber?

—Eu achei que você sabia...

—Eu não leio mentes! Eu estaria tirando a privacidade das pessoas.

—Ok... – eu tento ignorar a excentricidade da menina – Nós queremos saber onde está o navio pirata.

—hum... – a menina fez um biquinho enquanto encarava a bola, sem nenhuma cerimônia. Ela é mesmo a melhor da turma? Parece uma trambiqueira – De pirataria eu não sei nada.

—Tem certeza? – Gina insistiu – Se concentre Luna, é importante.

—Onde está seu namorado? – ela salta na cadeira e junta as mãos na mesa — Eu não tenho o visto muito.

—Ele está ocupado, o deixe pra lá, se concentre no navio pirata.

—Que navio pirata? – ela arregala os olhos azuis — Não sei de navio pirata.

—O navio Crudelis dos Piratas sombrios, a tripulação do Capitão Killian Bartholomew.

—Não... Não sei nada – ela deu de ombros.

—Isso é inútil! – eu revirei os olhos – Foi uma péssima ideia, vamos embora.

—Não quer saber o seu futuro? – a loira olha diretamente para mim e segura meu pulso – Ele está aqui, na bola de cristal.

Gina e eu nos entreolhamos, ambas olhamos diretamente para a bola e vemos uma nuvem cinzenta, que para nós não significada nada, mas deve significar algo para Luna Lovegod.

Meu futuro? O que poderia ter aí?

—O que você vê? – eu pergunto com um tom interessado

Sem deixar de segurar meu pulso, Luna concentra sua atenção na bola de cristal e seus olhos não parecem mais tão sonhadores.

—Eu vejo que você terá uma nova família, não de sangue, mas de união, amigos-irmãos que irão precisar de você, na verdade, eles dependem de você.

—Por que de mim? O que eu tenho?

—Eu não sei onde está o navio pirata, não consigo vê-lo por que ele não pode ser achado, ele está coberto por um véu impenetrável, mesmo para uma vidente.

—Véu?

—Magia? – Gina interpreta – Ele foi enfeitiçado para nunca ser encontrado?

—Ele teria se perdido para sempre, — Luna ignorou a pergunta — mas você tem a chave, ela se tornou sua quando a tocou, a chave é a única que pode ti guiar até onde está o navio, é com ela que você irá abrir o cofre.

—O cofre do candelabro? – eu pergunto.

—Sim.

—Como eu faço a chave me indicar o caminho?

—Não sei... – Luna estreitou os olhos, se esforçando para entender o que a bola de cristal tinha a dizer – Siga a instrução.

—Que instrução? Não tem nada escrito nela.

—Onde você guardou a chave? – Gina pergunta para mim

—No meu sutiã, — eu tirei a chave do meu peito e mostrei – Crudelis já esteve no meu quarto para deixar um recadinho para Astoria, eu não quis arriscar guardar lá.

—Esperem! Tem mais uma coisa importante! – Luna arregala os olhos, alarmada – O candelabro não é a única coisa no cofre. Tem alguma coisa com ele, é forte, poderoso, sombrio, mortal...

—O que é?

Luna solta meu pulso, mas seus olhos continuam fixos na bola de cristal, sua respiração se altera, mas ela não se acovarda, aproxima seu rosto do instrumento e continua tentando ver.

—Nunca senti tanto poder. Não é um objeto, nem um bruxo, é uma criatura com consciência.

—O que é Luna? Se concentre.

—Não consigo ver, é muito forte, está me bloqueando. Ele está preso, quer sair de lá.

Seu corpo relaxa e ela pisca algumas vezes antes de dizer:

—Perdi o contato.

—Como assim? O que era?

—Não sei, não me deixou ver.

—Que tipo de criatura é essa? – Gina levanta-se da cadeira – Deve ter um grande poder psíquico. E se a gente abrir e tentar nos matar?

—Aquela esfera de energia mágica quer que achemos o navio, — eu respondo — ela nos mostrou onde estava à chave, então ela quer que a gente abra o cofre, a tal criatura não vai matar a gente.

-A viajante no tempo... Você tem razão, quem sabe até a criatura seja uma aliada.

Visão de Astoria Greengrass

A sensação de perda é nauseante. Eu sinto como se alguém tivesse arrancado meu coração do peito e jogado para os crocodilos, onde foi estraçalhado.

Eu toco a madeira da mesa, onde sei que ela tocou inúmeras vezes, quando ia pentear o cabelo e os pelos do meu braço se eriçam, eu posso sentir sua presença, eu posso sentir seus olhos azuis olhando para mim, suplicando para que eu ficasse do lado dela, como na última vez que nos vimos, Dafne me amava, mas ela sofria, tinha inveja de mim e não sabia como lidar com tudo isso.

Um rosnado baixo sobe minha garganta, é raiva, muita raiva, meus pais fizeram isso conosco.

—Solicitaram que eu tire as coisas dela do quarto... – eu sinto a voz sombria de Maggie em meios às lágrimas, estas sim são lágrimas de verdade, a única de todas as meninas da Sonserina que andava com ela por amor – Eu não consigo, deixei tudo do jeito que ela deixou.

-Eu entendo...

Maggie enxuga as lágrimas do seu rosto com as costas da mão, sua pele antes branca como a neve está muito vermelha, os cabelos loiros lisos presos desalinhadamente em um toque e nenhuma maquiagem, ela está em luto.

—Ela havia sido aceita em uma universidade americana de moda, sabia? – ela dá um sorriso tímido – Dafne amava moda, ela desenhava roupas incríveis, mas sabia que seus pais não concordariam.

—Dafne sabia desenhar?

Maggie me empurrou um caderno de desenhos, eu folheio algumas páginas e fico encantada com a riqueza de detalhes em cada um dos modelos.

—Desculpe pelas coisas que nós fizemos a você, — Maggie lamenta – nós fomos muito maldosas.

—Tudo bem... – eu engulo em seco.

Eu viro de costas, engulo o choro e me concentro em fazer o que eu vim fazer aqui.

Sei que Maggie está me observando, mesmo assim eu começo a vasculhar a mesa, abro uma gaveta e encontro a câmera instalada, Crudelis não a deixaria aqui, essa câmera era de outra pessoa.

—Essa câmera era da Dafne? – eu pergunto diretamente, Maggie vê a câmera em minhas mãos e se silencia por alguns segundos, sua reação me diz que ela sabe a verdade – É sua?

—Dafne instalou algumas câmeras aqui, — ela mordeu o lábio inferior – eu não sei se devia falar sobre isso.

—Dafne está morta, — eu sentei ao seu lado na cama — você precisa me contar tudo que você sabe.

—Não sei muita coisa... Dafne estava agindo estranhamente antes de morrer, ela saia de noite, para encontrar alguém.

—Um namorado?

—Eu suspeito, mas não sei, quando a questionei não quis dizer quem estava encontrando, disse que era perigoso para mim, mas era alguém que a deixava com medo e nós sabemos que isso não era fácil, um dia Dafne comprou essas câmeras e instalou no quarto, falou que para a nossa proteção.

—Disse contra quem era a proteção?

—Não, mas disse que estava com medo de virem atrás dela.

—E pelos visto vieram.

—Draco e a Granger a mataram, eu enviei a foto para o Potter, eles são perigosos.

—O que? – eu estou surpresa – Foi você? Como sabia o que escrever na carta?

—Como você já sabia? – ela sacode a cabeça negativamente – Não, eu não escrevi carta alguma. Eu só enfiei dentro do armário.

—Por que fez isso? – eu estou confusa – Se acha que o Draco e a Hermione mataram ela podia ter dado para os investigadores do Ministério que vieram ti fazer perguntas sobre o caso.

—Por que eu estava com medo, — ela soltou os cabelos e respirou profundamente, Maggie está nervosa – Harry Potter é um herói, ele saberia o que fazer, afinal a Granger é próxima dele. Se eu entregasse as autoridades, eu correria risco de ser a próxima a morrer, antes de morrer Dafne disse que eu não deveria confiar no detetive Adam O’hanoly, eles devem trabalhar juntos, por isso nenhum dos casos ainda foi solucionado.

—Draco e Hermione não mataram minha irmã, eles são inocentes.

—O Potter não mostrou as fotos pra vocês? Eles estavam aqui, eles mataram minha melhor amiga.

—Não, você está enganada, — eu toquei seu braço – eles caíram em uma armadilha. Onde está a outra câmera? Por que não conferiu em outro ângulo?

—A câmera tira uma foto a cada um minuto, ela teria fotografado se tivesse outra pessoa aqui dentro naquela noite.

—Não se foi no intervalo da câmera. Onde está a outra?

—Eu não sei, só achei essa.

—Então vamos procurar.

Maggie está convicta que sabe quem matou a Dafne, mesmo assim eu a convenci a procurar comigo, nós ficamos procurando por horas, até Maggie finalmente achar uma escondida magicamente na porta da varanda.

Eu passei as fotos de trás para frente, vi Draco e Hermione encontrando o corpo, volto mais algumas fotos e finalmente encontro alguém que eu não imaginava ver, Lilá Brown, a fotografia está nítida, ela levanta sua varinha irradiando a luz esverdeada em um Avada kedrava.

Lilá Brown é a verdadeira assassina e agora ela está morta. O que está acontecendo?

—Quem é essa? Não é a menina da Grifnória? – Maggie tira a câmera das minhas mãos e analisa o rosto da assassina.

—Sim, Lilá Brown... – eu respondo baixo, minha cabeça está girando, não sei o que isso significa.

—A garota morta? – Maggie se surpreende – Não... Não...

—O que foi?

—Isso não faz sentido, Dafne me contaria se elas fossem inimigas. Eu sei o que vi...

—Do que está falando?

—Uma das noites ela voltou cheirando a um perfume masculino, ela tinha a marca de um chupão no pescoço, por isso eu sei que ela estava encontrando um homem – ela bufou – quando eu vi a foto com a Granger e o Draco, eu pensei que fosse ele.

Um homem?

O detetive? Não, apesar de isso ligar as duas não consigo imaginar minha irmã com ele.

Eu penso na conversa que Gina e Blásio ouviram de Lilá Brown e o detetive, então a conversa que Pansy ouviu com Celestina Warbeck e isso forma um nó na minha cabeça.

—Não era o Draco... Crudelis é um homem.

Notas finais
comenteeem