Fracos
18 Capítulo 18: Assassinato do assassino
Visão de Pansy Parkinson
Durante toda a refeição nenhum som saiu da boca de Astoria, a moça não disse uma palavra desde o minuto que a vi sentada a mesa para comer – inclusive mal comeu — até o recente momento, de fato ela não é a mais falante do nosso grupo de amigos, até Blásio costuma falar mais a mesa, mesmo que seja apenas para se vangloriar do quanto é inteligente, Astoria não, é de poucas palavras e muitos significados, mesmo assim, eu sinto que ela esta estranha.
Como se não bastasse essa manhã não tê-la visto deitada na cama ao lado e ter notado o sumiço de meia garrafa de uísque, a garota parece ter emudecido.
Não fui a única a notar, Draco também estava incomodado, foi o primeiro a questionar a mesa se algo estava errado, ela negou com a cabeça e disse estar com cólica, Blásio também a observou durante o café, o maldito negro com seu senso de dedução infernal com certeza deve saber melhor o que se passa com ela, mas eu não, eu não estou entendendo nada.
—Eu vou para a competição de nado, você vai? – eu gesticulo a cabeça em direção ao lago
—Não, não – ela negou com a cabeça – eu vou assistir aos duelos.
Posso estar louca, mas acho que ao responder, Astoria olhou diretamente para Rony há alguns metros de distancia no lago, cercado de amigos conversando.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a loira seguiu o caminho contrário para onde os bruxos estavam duelando.
Ok. Tem outro jeito de saber o que esta acontecendo.
Eu vou andando diretamente em direção a Rony, desviando dos outros alunos as margens do lago esperando a prova começar, enquanto arranco minha blusa e a saia no caminho para ficar apenas de biquíni, ele esta conversando com outros quatro alunos meninos da Grifnória, um deles Harry e todos menos Harry ficam encabulados ao ver Pansy Parkinson caminhando em suas direções.
Harry abriu a boca para dizer algo, provavelmente achando que devia se tratar dele, mas eu o corto antes que o momento se torne mais estranho.
—Eu preciso falar com você.
—Agora? – Rony estreitou os olhos. Eu estou surpreso em um ouvir um “agora”, ao invés de “eu?”. Isso só me deixa mais claro que ele com certeza fez alguma burrada com minha amiga.
—Sim, agora.
Os garotos olharam para Rony esperando uma reação, enquanto Harry estava ocupado demais parecendo surpreso.
Rony bufou e retirou a toalha dos ombros dando para Harry segurar.
—Ok, Pansy.
O uso do meu primeiro nome é que fez a boca dos meninos da Grifnória se escancararem, eu segurei o riso para não gargalhar.
Rony e eu nos falamos pouco, apenas por que compartilhamos a mesma amiga, mas aposto que todo mundo do lago que parou para ver a cena deve estar pensando em coisas bem mais picantes envolvendo o ruivo e eu, claro que Rony não é feio, mas não é meu tipo.
Eu me afastei dos outros garotos e ele me seguiu até um ponto mais afastado da margem.
—O que você fez com ela? – eu cruzei os braços — Astoria esta estranha.
—Eu não fiz nada, quer dizer, eu disse uma coisa, — ele coçou a cabeça, desconcertado -mas não era o que pareceu que era.
—Concerte então.
—Ei, eu não sou nenhum imbecil, eu não quis magoá-la.
—Se eu achasse que você é um imbecil não estaríamos conversando.
—Então descruza esses braços e sorria, esta todo mundo olhando e vão achar que estamos brigando.
Eu olhei por cima do ombro e percebi que nossa conversa atraiu atenção de todos que estavam no lago e quando digo todos, é todos de verdade, eles nem se quer sabiam disfarçar.
Dou uma risada baixa, sorrio e descruzo os lábios, por outro lado Rony esta um pouco vermelho.
—Astoria se importa com você, se importa com a sua opinião e tudo o que você faz, então, por favor, cuidado, eu percebi que você é um esquentadinho, se pretende fazer besteira, sai da vida dela agora ou Draco vai acabar com você.
—Eu me importo com ela também, — Rony diz com seriedade me encarando com seus olhos azuis – eu estou do seu lado.
—Que bom...
—Ouviu isso? – Rony se virou para a floresta, alarmado.
—O que?
—De novo. Você ouviu?
Fico em silêncio esperando para ouvir o que quer que fosse, mas nada me veio.
—Não tem n...
—Rony!— ouço uma voz arrepiante gritar de muito longe
Sem pestanejar Rony correu em direção a voz, eu corri também floresta adentro, não sei para onde ir, mas não paro, a voz ainda esta viva na minha cabeça, uma voz anormal, eletrizante.
—Rony! Rony! – a voz gritou outras vezes – Venha!
O que é isso?
—Rony!
A voz parece estar mais alta, nós estamos mais perto.
Eu seguro firme a varinha esperando pelo dono da voz arrepiante, então tropeço em algo e quando me dou conta, caí dentro de um grande buraco de terra com Rony, tudo tão rápido que não sei o que realmente aconteceu.
Por sorte não me machuquei, não foi uma longa queda e o corpo musculoso do ruivo amorteceu o impacto.
—Ei, vocês estão bem? – ouço a voz de Harry e olho para cima, o rapaz esta a beira do buraco olhando para nós, mas ele não é o dono da voz que perseguíamos.
—Sim – eu respondo depois de olhar para Rony e ter certeza que ele não quebrou nada
Rony esta envergonhado pela maneira que caímos – um em cima do outro – não olhou para mim quando se levantou, não posso culpa-lo, é constrangedor levando em conta que ele esta usando apenas uma bermuda e eu estou de biquíni.
O ruivo não ficou nem mais três segundos dentro do buraco, como não se trata de algo profundo, ele escalou com facilidade até o topo, porém eu fiquei sentada no chão tentando assimilar as informações, quem estava gritando afinal?
—Pansy... – a voz me chamou, a sensação de aproximação me fez olhar para trás e me afastar achando que o dono assustador devia estar atrás de mim, mas não havia ninguém. Que merda esta acontecendo aqui?!
Eu estou ofegante, meu coração está acelerado e minha cabeça lotada de pensamentos, eu fecho os olhos e respiro bem fundo tentando sufocar o meu medo. Não quero ficar aqui nem por mais um segundo.
—Olhe! – a voz ordenou
Assustada outra vez eu abro os olhos e encaro a parede de terra na minha frente, baixo os olhos alguns centímetros e percebo que há algo enterrado, uma coisa brilhante esta cintilando debaixo de um pouco de terra.
—O que foi?! – Rony gritou
—Eu achei alguma coisa!
Usando as mãos, puxo a terra de cima da coisa brilhante e encontro algo inesperado, uma chave de ouro, a limpo na minha blusa e encontro um nome escrito: Capitão Killian Bartholomew.
—Pansy? – a voz me chamou outra vez, me ponho de pé e me viro para encarar uma grande bola citoplasmática disparando descargas elétricas, a voz vem dela, eu tento me aproximar, mas recuo quando percebo que a eletricidade pode me machucar – Guarde.
—O que você é?
—Agora eu não sou nada, eu não estou aqui.
Olho para cima e vejo os dois rapazes encarando a bola. Isso é bom, quer dizer que não estou tão louca a ponto de ver coisas.
—Desenterre – essa foi à última palavra da bola energética antes de ela desaparecer magicamente.
Desenterre? Ok.
Estranhamente encontro uma pá encostada em uma das paredes do buraco, seguro o instrumento nas mãos e deduzo.
—Céus... Alguém cavou esse buraco.
—O que esta acontecendo? – Harry pergunta enquanto desce até mim, Rony vem logo em seguida – O que era aquilo?
Não respondo, apenas enfio a pá bem no meio do buraco e começo a cavar, sem jeito para isso, acabo não fazendo nada além de espalhar terra.
Harry tira a pá da minha mão e começa a cavar de verdade, no começo parecia não haver nada, até que algo começou a surgir.
—Ossos – Rony constata fazendo uma careta
—Que cheiro horrível – eu cobri o meu nariz com a mão e grunhi de nojo.
Harry continuou a escavação e só parou até metade dos ossos ser desenterrada, ele tampa o nariz com as mãos e fica calado, a essa altura o cheiro de morte esta insuportável, Astoria vomitaria se estivesse aqui.
É o corpo de alguém que morreu há muito tempo, a carne já se decompôs, deixando apenas ossos e por julgar pelas roupas foi um pirata.
Estreito os olhos ao perceber que em seu colete tem algo escrito, com o nariz tampado, eu fico de joelhos na terra para ver de perto as letras miúdas, está escrito: Capitão.
—Este é o capitão dos Piratas sombrios.
—Ou o que restou dele – Harry completou se apoiando na pá, cansado.
—O que você achou?
—É uma chave... O que será que ela abre?
—O que era aquilo que falou com a gente?
—E quem fez esse buraco?
Visão de Blásio Zabini
—O detetive O' hanoly também está interessada na aparição.
—O que?
A ruiva olhou para mim interessada no assunto, sentando-se eretamente na poltrona.
—Ele cataloga as aparições iguais as que Hermione e eu vimos no laboratório, como eu havia pensado, a mesa receptora capta as ondas de energia.
—E por que você não parece feliz então?
Ginerva levantou-se da poltrona veio até mim, eu estou sentada á mesa do escritório particular do detetive, olhando a mesa receptora e as anotações dos crimes.
—O detetive a chama de esfera de energia mágica, a mesa receptora captou vinte e seis aparições da esfera desde o primeiro assassinato.
—Isso é bom, nós podemos encontrar ela usando como base os lugares em que já esteve.
—Não, não é, O’hanoly teve a mesma ideia que você, acontece que essa coisa apare e desaparece desordenadamente, eu tenho registro de aparições as 1h15 da madrugada, depois as 8h da manhã, 11 da manhã e todos em lugares diferentes, não existe padrão.
—Parece até que tem vida própria.
—Eu pensei a mesma coisa, essa esfera de energia mágica tem consciência e têm mais, fantasmas são almas mortas que estão presos a este mundo temporariamente por uma razão. Certo?
—Certo – Ginerva assentiu com a cabeça
—Fantasmas são a representação espirita de um corpo, portanto enquanto estão neste mundo não podem ter representações de DNA, pois isso pertence a parte física do corpo, mas segundo as leituras de energia dessa esfera, ela tem DNA de bruxo.
—O que? Calma, não estou entendendo, – a ruiva negou com a cabeça – então não é um fantasma, a coisa de energia tem DNA, mas não tem corpo.
—A esfera de energia mágica é a magia pura de alguém.
—Então... Se eu retirar toda a magia do meu corpo vai ser aquilo?
—Isso, a magia esta intimamente ligada à alma e a biologia do seu corpo, cada feitiço que você realiza deixa rastros do seu DNA, porém alguns microscópios demais para serem identificados.
—Esta me dizendo que alguém retirou toda a magia de si mesmo e a deixou perambulando por aí? Por que alguém faria isso? Que horror.
—Bom, é uma teoria. Não é apenas isso, essa esfera de energia mágica costuma aparecer e desparecer do campo da mesa receptora.
—Mas ela não capta na Ilha inteira?
—Exatamente.
—Então para onde isso esta indo? Não da pra aparatar nos limites do castelo.
—Honestamente, eu não sei.
—Isso esta ficando cada vez mais impossível de entender – Ginerva bufou escondendo o rosto atrás das mãos
—Eu ainda não contei o mais interessante da história.
—E fica pior?
—Sim, — eu dei um meio sorriso – a esfera não costuma aparecer no mesmo local sempre, nem por um mesmo período de tempo, mas existe dois lugares que ela foi mais de uma vez.
—Quais?
—A esfera esteve três vezes no covil de Crudelis que explodiu, acho que foi assim que os homens do detetive encontraram o lugar antes que nós, o outro é um quarto da ala masculina da Grifnória, nós podemos começar a procurar lá, mas não sei quando a esfera vai querer voltar já que não existe padrão.
—Que quarto?
—375
—É o quarto do Harry e o Rony! – Ginerva arregalou os olhos surpresa
—Sério? – eu estou tão surpreso quanto ela, não sei como ligar a esfera aos dois grifnórios.
—Absoluta. Acha que eles estão em perigo?
—Bom, ela já esteve lá cinco vezes e eles estão vivos...
De repente ouço o ranger de uma porta distante seguida por vozes familiares, o detetive voltou.
Ginerva prendeu a respiração, assustada, nós demoramos tempo demais.
Olho em volta procurando onde posso me esconder ou para onde posso fugi, antes que ela abra a porta do seu escritório, onde nós estamos, mas não tem nenhuma janela e a mesa é exposta em baixo. Para onde ir então?
A ruiva me segurou pelo braço e abriu a porta do armário de vassouras, quase dois metros de altura e apenas um de largura, ela afastou os poucos utensílios de limpeza para o lado e entrou, ela me puxou para entrar e eu me soltei dela, não posso entrar ali, vou sufocar até a morte.
Vozes nervosas do detetive e uma desconhecida se aproximam e eu não tenho para onde esconder, a porta do escritório tem a maçaneta começando a girar, sem paciência a ruiva me puxa pelo casaco da Sonserina para dentro e fecha a porta do armário sem fazer barulho.
Está escuro, não vejo nada a minha frente, a única luz dentro do armário vem da pequena frecha da porta e não é o bastante para mim, eu mal consigo me mexer sem esbarrar na garota a minha frente.
Meu coração dispara, minha respiração esta alterada e posso jurar que de repente estou suando. Eu estou em pânico. Está pequeno demais! Não tem oxigênio, estou sufocando! Onde está o ar?
Duas pessoas entram no escritório conversando, mas não consigo ouvi-los, eu estou concentrado em não desmaiar, porém Gina parece respirar normalmente.
—Se acalme! – é Adam O’hanoly conversando com alguém, alterado, nervoso – Se continuar gritando todos irão ti ouvir!
Ginerva segura meu rosto com as duas mãos e com os lábios mudos pede para que eu fique em silêncio, eu sei que preciso me acalmar, mas eu não consigo, é pequeno demais, é insuportável.
Eu nego com a cabeça e abaixo os olhos, é a minha maneira de dizer que eu não consigo ficar ali.
Com a mão na porta, eu começo a empurrá-la para sair, mas Ginerva me segura antes que eu nos anuncie, ela aperta minha mão e me olha profundamente nos olhos como se dissesse “você consegue”.
—Isso, fique calada, — o detetive continuou falando, nós ouvimos o barulho de gavetas, ele esta procurando alguma coisa – tem que manter a calma.
—Calma? Não, nós precisamos agir, hoje à noite vamos voltar para o poder, eu juro.
Mesmo no escuro posso ver os olhos de Gina se arregalarem, ela reconheceu a voz, a ruiva se inclina para olhar pela fresta e eu faço mesmo, é Lilá Brown da Grifnória.
Lilá Brown com o detetive?
—Adam, nós precisamos de uma vantagem, — ela continuou – ou não teremos nada, vamos eliminar a concorrência.
Seja o que for que o que o detetive encontrava ele achou e pôs no bolso, então se aproximou da garota de olhos claros que devia ser quase trina anos mais nova e a beijou nos lábios, ela não recuou.
Nojento...
—Nós vamos vencer – o homem assegurou a adolescente
Os dois deram as mãos e saíram do escritório batendo a porta, no mesmo segundo eu saio do armário ofegante.
—Você viu isso? – Ginerva esta boquiaberta saindo do armário devagar
—Gostaria de dizer que não. – eu respondo ofegante sentando na poltrona e me abanando
—Vamos embora, eles podem voltar.
Não estou bem, não estou nada bem, me sinto fraco, mas sei que preciso sair dali antes que eles voltem e eu precise voltar para o armário, então eu a sigo para fora do apartamento, nós andamos rápidos e só paramos quando estávamos bem longe, mais precisamente na frente da entrada da sala comunal da Grifnória.
—Você esta bem?
—Eu vou ficar.
—Tudo bem, – ela riu – eu preciso ir, ti encontro na reunião.
Eu concordei com a cabeça e girei para ir embora, mas a garota me segurou e me puxou para perto dela, tão rápido que mal pude notar o que ela iria fazer, penas senti seus lábios pressionados aos meus por três segundos... Três longos segundos.
Minha respiração falhou um segundo e eu a encarei assustado.
Ela me beijou?
—Desculpe! – a garota ficou vermelha e tampou a boca, nervosa – Eu ia ti dar um beijo na bochecha.
Eu sei que preciso responder, eu preciso brigar com ela e dizer o quanto eu odeio que se aproximem de mim, preciso dizer que não irei tolerar outro acidente, mas não posso dizer isso, eu não consigo, de repente eu não sei mais como falar.
Os lábios de outra pessoa tocaram os meus, eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo...
E eu não odiei.
—Blásio? – ela me chama quando eu não respondo – Olha, me desculpe, não me odeie.
Meus lábios formigam, estão estranhos. Eu olho para os bens pintados de vermelho vinho, lábios carnudos de Ginerva e fico surpreso comigo mesmo ao notar o quanto são bonitos e convidados, eu nunca havia reparado.
Nunca ao menos havia imaginado gostar de receber um toque tão intimo de alguém, mesmo dela.
Meus lábios e eu queremos mais de Ginerva, eu não consigo me contentar em senti-la apenas uma vez, eu preciso dos seus lábios pressionados aos meus.
Eu nunca senti nada igual.
Eu correspondo beijando os lábios de Ginerva, não por acidente, mas porque eu quis, por que eu preciso. Dessa vez o encontro de lábios durou cinco segundos, cinco deliciosos segundos, mas não foi o suficiente, de quanto eu preciso para ficar satisfeito?
Ginerva esta paralisada, o sangue fugiu do seu rosto que está pálido como papel, isso foi um grande erro, ela não queria ser beijada.
Beijada?
Pelas barbas do poderoso Merlin, eu Blásio Zabini beijei alguém.
Isso é surpreendente demais, eu acho que a assustei.
—Até mais tarde – é o que eu digo antes de me virar e ir embora.
Visão de Draco Malfoy
—Chave de ouro? – eu questiono com descrença a Pansy – Você tem certeza?
—Sim, — ela confirmou com um aceno de cabeça e retirou a chave do bolso mostrando para todos os presentes na reunião – o lugar foi escavado, nós não encontramos sinais de quem era o coveiro, mas ele estava procurando isso – ela balançou a chave dourada em sua mão – aquela coisa que dispara eletricidade nos entregou de beleza.
—Não foi a primeira vez que a vi, — Weasley continuou – essa manhã eu a encontrei no castelo, disse que nós precisamos encontrar um navio.
Navio dos piratas sombrios, claro.
—O navio pirata – Hermione complementou meu pensamento em voz alta.
—O corpo era do capitão? – eu pergunto
—Era o que dizia a roupa – Pansy deu de ombros
—Ele tinha o tamanho certo, — o Potter conta – as roupas estavam desgastados, mas sim, acho que era ele.
—Você pode confirmar isso, Hermione?
—Eu posso analisar os restos e dizer há quanto ele morreu e de quê, mas seria impossível identificá-lo.
—Que nojo... – Gina fez uma careta e escondeu seu rosto com as mãos
—Algo a dizer, Blás? – eu pergunto ao rapaz negro que não disse mais uma palavra desde que contou tudo o que descobriu no escritório do detetive – Tem alguma coisa que o detetive descobriu que pode nos ajudar?
—Ele não descobriu muita coisa, mas algo esta claro, a ligação é com o Weasley, a esfera esteve no quarto por ele.
—Você viu se era homem ou mulher? – Hermione pergunta cruzando os braços – Talvez reconheceu a voz?
—Não, não, — ele negou com a cabeça – eu não consegui ver o rosto e as roupas impediam de ver as formas, não dava para saber o sexo, a voz era...
—Elétrica – Pansy concluiu.
—E despareceu de repente? – eu pergunto retoricamente, pois já sei a resposta – Isso não é possível. Hermione, Blásio, vocês tem alguma teoria?
—Nenhuma – Hermione bufou
Blásio apenas balançou a cabeça negativamente.
—Sobre isso eu não sei nada, mas sei sobre Crudelis.
Todas as cabeças da sala se viraram simultaneamente para uma geração, Astoria Greengrass finalmente disse uma vez desde que chegou.
A moça loira esta sentada atrás do balcão, de cabeça baixa, as mãos com os dedos entrelaçados, juntos em cima do balcão, seus olhos estão avermelhados, o rosto mais pálido que o normal, tudo nela transparecia insegurança e tristeza, é certo que Astoria nunca foi uma garota comunicativa, porém ela não esta no seu estado normal.
Pansy pôs uma mão em cima das mãos entrelaçadas de Astoria, encorajando-a a continuar falando.
—Crudelis me encontrou, falou comigo, eu sei quem ele é, — a loira continuou insegura, levantou o rosto e me encarou diretamente ao continuar – é a Dafne Greengrass.
—O que...
Eu não consigo ter reação pelos cinco segundos seguintes.
Todos ao meu lado começam a discutir e debater sobre a possibilidade da irmã de Astoria ser Crudelis, eles fazem perguntas à garota que responde atordoada com o assunto, mas eu não sei como reagir.
Dafne sendo Crudelis faria tudo ter mais sentindo.
É ela. É ela.
É Dafne Greengrass que eu preciso matar. É Dafne Greengrass que esta pondo em risco as chances de vida da minha mãe, me acusando de assassinato injustamente. Eu preciso mata-la se eu quiser que minha mãe e eu tenhamos uma chance de viver em paz por muitos anos ainda.
—Ela esta confusa, Dafne quer criar um novo mundo com a ajuda de Mérope Gaunt, um mundo que ela possa governar e fazê-lo melhor, ela quis que eu a ajudasse, mas eu recusei, os obliviates dela são ineficazes em mim há muito tempo, eu me auto enfeiticei para me proteger dela quando éramos crianças. Dafne é Crudelis.
—Então, — eu pauso – como nós vamos mata-la?
—Matar? Prender – o cicatriz me corrigiu – nós não somos assassinos, nós vamos entregá-la ao Ministério.
—Ela precisa ser punida, – Gina concordou – aliás, detida.
—Não podemos fazer isso agora, — Hermione esta atordoada com assunto, passando os dedos por algumas mechas de cabelo – nós não temos provas.
—Não podemos simplesmente dizer a verdade? – Rony perguntou
—Não, — Blásio respondeu – isso poderia apenas complicar o caso de Hermione e Draco, sem provas, nada do que dissermos seria apurado para ser usado no tribunal.
—Ela vai matar alguém, a qualquer momento, – Gina diz – ela voltou, eu recebi uma mensagem e outros de nós também, ela vai fazer alguma coisa, talvez hoje.
—É mata-la ou deixar que ela mate alguém – eu disse com firmeza
—Não banque o bom, Malfoy – o Weasley cuspiu as palavras, transtornado comigo, o Potter o segurava na cadeira – você quer isso por você mesmo.
—E isso importa?
—É claro que importa, — Gina me respondeu – não somos assassinos, Draco.
—Dafne é Crudelis. Vocês não a querem morta? Ela matou Chang...
—Você não se importava com ela, cala boca – Harry se irritou.
Esperei que Hermione dissesse alguma coisa, mas a castanha está paralisada, a cabeça baixa, a respiração pesada, os olhos piscando, ela esta pensando no que fazer.
—Calem a boca! – Astoria assustou a todos levantando-se da cadeira com raiva, seus olhos castanhos cintilam emoções novas, coisas que eu nunca havia visto na loira – Ninguém vai matar minha irmã, nem denunciar, nós vamos impedi-la.
—E como espera que façamos isso? – Hermione pergunta de repente
—Você e o Blásio que sãos os gênios, achem uma solução.
Astoria não esperou por respostas, a loira levantou-se e saiu do laboratório a passos largos, eu pensei em segui-la, mas estava com a cabeça cheia demais com a nova informação para lidar com ela naquele estado, principalmente quando nunca a vi assim antes.
Não matar e nem denunciar? Astoria não podia ter pedido algo pior.
Pansy seguiu a amiga, logo depois Potter, Weasley, Blásio e Gina saíram para o almoço, ainda comentando sobre uma maneira de impedi-la, deixando apenas Hermione e eu, sozinho, no laboratório.
Em outro momento, eu usaria esse tempo para agarrá-la, mas não estou no clima, eu estou com raiva, muito raiva, eu quero fazer algo sobre isso, por mais que eu goste de Astoria, seu pedido é inaceitável.
Minutos se passaram e eu permaneci ali, estático, pensando em uma maneira de mata-la sem que Astoria não me odiasse para sempre por isso.
—Draco? – Hermione me chamou a atenção
Eu levanto os olhos para encará-la, sentada do outro lado do laboratório, parecendo apreensiva sobre algo.
—O que você quer? – eu sou grosso
—Vai mata-la?
—Não. – eu menti para que a garota não continuasse o assunto, mas ao invés de aliviada, ela parecia triste, talvez decepcionada, acho que é apenas impressão minha.
—Eu também a quero morta. – Hermione admitiu
Hermione esta estranha, muito estranha. Não furiosa, chateada ou triste, ela esta confusa, pensativa sobre algo sério.
—O que você vai fazer?
Silêncio.
—Ei, não vai me responder?
—Com medo de eu assassiná-la? Não seria um desastre total, você sabe disso, sou muito bom em ser o vilão.
—Qualquer um pode ser muito bom em ser o vilão, só precisa das motivações certas — ela sorriu torto, como se lembrasse de uma piada interna – todos tem um lado negro.
—Você não.
Por algum motivo sinto que minha resposta a atingiu em cheio.
A castanha levanta-se bruscamente e anda da sua cadeira rapidamente para a porta, de repente ela pausa seus movimentos, com a mão na maçaneta, antes de abrir, ela se vira e diz:
—Eu queria conversar sobre algo importante, mas acho que vai ficar para depois.
Eu não respondo, apenas assinto com a cabeça, é bom poupar palavras, pois tenho certeza que seria grosso com ela, assim como serei com todos hoje, não estou com um bom humor.
—Você esta bem? – ela insistiu
—Não. – eu nego e desvio o olhar dela para a parede
—Tudo bem... Se não quer conversar – a garota suspirou e girou a maçaneta.
A observo abrir a porta, ela irá sair, mas fica surpresa ao ver uma caixa embrulhada bem na frente da porta, esperando que alguém abra, disfarçadamente ela tira do chão e esconde na frente do seu corpo, ela não quer que eu veja, eu desconfio.
—O que isso? – eu pergunto
“É do Krum?” é o que eu realmente quero perguntar, mas me policio para não parecer um perseguidor.
Hermione não respondeu de imediato, ficou paralisada, sem responder ou se virar para mim.
Desconfiado, me aproximo.
—Hermione?
—É de Crudelis, — a castanha responde com pesar, segurando firme o objeto nas mãos, Hermione vira-se para me encarar, ela esta receosa, algo me diz que ela já sabe o que a espera dentro da caixa – eu recebi uma igual ontem.
—Abra. Vamos ver o que Dafne ti deu.
—Tudo bem...
Hermione colocou a caixa em cima do balcão e com muito cuidado abriu o presente.
O conteúdo da caixa é muito menor que do embrulho, um pequeno pedaço de tecido está no centro, enrolando alguma coisa misteriosa.
Hermione o pega, desenrola devagar, tremendo.
Eu penso em ajudá-la, mas antes que eu fizesse algo, ela respirou fundo e desdobrou o tecido uma última vez, revelando algo repugnante, ela gritou de susto e o jogou na caixa.
Isso é o que parece?
Uma língua humana.
Sim, uma língua humana enrolado em um tecido, esta cinza, se decompondo, fedorenta, mas com certeza é o que é.
O cheiro ruim entrou em minhas narinas e eu tampei a caixa depressa, mas não antes que Hermione pegasse a carta que estava com o presente.
—Isso era mesmo humano?
—S-sim.
—Você esta bem?
Hermione negou com a cabeça, seus olhos se encheram de lágrimas e ela escondeu o rosto com as mãos.
—Ei, tudo bem, – eu a acalmo, toco seu rosto com as duas mãos e enxugo algumas lágrimas com o polegar – calma, eu estou aqui com você.
Tentando ser discreta, a castanha afastou minhas mãos do seu rosto e enxugou suas lágrimas rispidamente. Ela não quer que eu a toque?
Eu tento disfarçar o desconforto que isso me causou, com êxito, acredito que ela não notou o quanto sua ação me feriu. Eu preciso tocá-la, abraça-la, beijá-la, eu preciso ser o homem que a faz se sentir melhor, mas ela não esta disposta a deixar que eu me aproxime. Eu fiz algo errado? Será que ela esta chateada comigo? Fiz muitas coisas erradas, mas ela nunca reagiu assim ao meu toque.
Esse parece ser o melhor momento para ficar de joelhos e implorar pelo seu perdão, mas nunca se quer pedi desculpas na vida. Eu devia começar agora?
—Eu... Fiz alguma coisa errada?
—Não é isso, — ela negou com a cabeça e me fitou com seus olhos castanhos marejados – eu só estou exausta.
—De que?
—De achar que finalmente vou tomar o controle da minha vida e ter isso arrancado de mim.
—Do que esta falando?
—Alguém precisa fazer alguma coisa
Não sou eu, Crudelis fez alguma coisa, Dafne a esta ferindo.
A raiva me sobe mais uma vez. Dafne não pode fazer isso com Hermione!
A castanha baixa os olhos para a carta em suas mãos, desliza os dedos nas bordas, respira funda e abre para ler.
—O que está escrito?
Hermione não respondeu, terminou de ler com a mesma expressão que começou, ao terminar entregou a carta na minha mão e saiu da sala, provavelmente para que não estivesse aqui no momento em que eu terminasse de ler.
“Você esqueceu o que eu disse? Não se aproxime de Draco Malfoy, não o abrace, não o beije, ou da próxima vez sua língua será entregue em uma caixa. Eu vejo tudo.”
Que porra é essa?
***
—Como não esta aqui? – eu exclamei – Eu disse que voltaria para pegar hoje.
Sr. Doyle, o lojista, com quem deixei o espelho está amedrontado, tremendo nervosamente enquanto me traz o livro de registros da loja.
—Sim, senhor. – o homem concordou arrumando os óculos no nariz – O senhor disse que viria pegar o espelho hoje e pegou, mais cedo o senhor e veio e o levou embora.
—Não. Que brincadeira é essa? – eu estou estressado – Eu com certeza não vim antes.
—Então alguém muito parecido veio, ele levou o objeto encantado e assinou.
O velho abriu nervosamente o livro e folheou rapidamente as páginas, chegando a certa página, deslizou o dedo pelo papel até uma assinatura em particular, então girou o livro para que eu lesse.
A assinatura é de Draco Malfoy, porém com certeza não é minha letra.
Crudelis veio aqui antes, se passou por mim e levou o espelho, ou melhor, Dafne.
—O que você descobriu? Quem encantou?
—Sem um DNA para cruzar com o que eu extraí não pude identificar, mas pelo menos lhe ofereço um meio de encontrar o encantador, o outro de você levou também.
Merda! Merda! Merda!
—Então isso não deu em nada, você deu para a pessoa errada, muito obrigado – eu sou irônico.
—Eu ainda posso ajudá-lo, senhor. – ele levanta o indicador e da um meio sorriso, ao mesmo tempo sua esposa entra pelos fundos da loja trazendo um frasco, a mulher entrega ao seu marido – Esta é a cópia do DNA, o outro de você saiu tão rapidamente que não tive a chance de entregar.
—Vai servir.
Visão de Harry Potter
O prato favorito de Gina é tortilha espanhola.
Seria bom dizer que sou um excelente cozinheiro, um artista na cozinha e já preparei inúmeras tortilhas durante nosso namoro, mas se eu fosse assim, isso não seria um gesto tão bonito. Não acha?
A realidade é simples, eu não cozinho bem. Apesar de ter cozinhado inúmeras vezes na casa dos Dursley, – pois raramente titia fazia o suficiente para todos, já que meu primo comia demais – eu nunca fui bom, sempre errei a dosagem de sal, pimenta e outros temperos essenciais, o que me obrigava sempre a preparar o mesmo prato para mim, geralmente macarronada, mas não daquelas lindas de programas culinários, pois meu macarrão sempre saia grudado e salgado, ou seja, a tarefa de cozinhar uma tortilha não foi fácil.
Arrisco dizer que teria sido mais fácil enfrentar outro dragão do torneio tribruxo, por que eu estraguei vários ingredientes — e consequentemente dinheiro, sou bem menos rico agora — até acertar as medidas e não deixar a batata um purê, isso claro com a ajuda dos elfos, sem eles provavelmente eu não teria terminado a tempo e nem conseguido me arrumar para o grande momento.
—Parece comestível – Pansy concluiu ao analisar a tortilha arrumada perfeitamente em meio ao acompanhamento, bebida e sobremesa (eu comprei a sobremesa, aquilo era impossível de fazer).
—É – eu concordei
Nós nos entreolhamos e começamos a rir
—Que bom que eu não vou comer isso – ela esta ainda esta rindo
—Parece bonita por fora! – eu tentei me defender
—O que importa é o gosto.
—Eu sei, você vai ver, vou guardar um pedaço pra você — eu sorri – você fez um ótimo trabalho.
Pansy abriu um sorriso maior, respirou fundo e disse:
—Obrigado!
Não estou exagerando.
Pansy decorou com velas suspensas no ar por magia, pétalas no chão, aromatizantes, limpou todo o chão, forrou com um tecido vermelho, colocou almofadas, luminárias e alguns objetos brilhantes em volta da comida.
—Não pense que isso vai sair barato.
—Vou precisar pagar?
—Um dia, quando eu precisar de um favor, você vai ter que me ajudar – ela sorriu do seu jeito malicioso e cruzou os braços – entendeu, Harry Potter?
—Tudo bem
Eu sentei em uma almofada para esperar Gina, Pansy contemplou sua obra completa e suspirou.
—Quando eu me apaixonar, quero ser tratada assim.
—Você era pelo Malfoy? – as palavras saltaram da minha boca, não tenho intimidade para tal pergunta, fechei os olhos esperando por uma resposta muito malcriada.
—Talvez, — ela respondeu normalmente, eu abri os olhos, incrédulo com sua facilidade em falar do assunto com um quase estranho – não sei, eu confundi as coisas, não gostava dele como achei que gostava, não foi fácil quando terminamos, eu sei que isso é estranho, mas não é só por que eu gosto de ficar com caras diferentes que eu realmente seja uma vadia, eu não sou uma traidora, acredito em amor.
—Você é bem diferente do que eu imaginava – eu declarei
—Eu sei. Boa sorte, Harry. Eu já vou, Astoria precisa de mim.
A morena acenou para mim e andou para o castelo.
O motivo do meu termino com Gina, pode parecer bobagem, mas não para ela, Gina é a mulher mais forte que eu já conheci. Os problemas começaram quando eu terminei com ela antes da guerra, Gina não suporta que eu tenha terminado com ela para protegê-la, de certa forma, entendo, pois eu também teria raiva, se fosse o contrário eu gostaria de estar com ela para protegê-la.
Mesmo assim nós voltamos, então comecei a agir como um idiota, nós sempre brigávamos, eu queria proteger Gina de tudo e isso a irritava, nosso relacionamento estava por um fio, quando Dino Thomas – ex dela – e ela passaram a treinar juntos para os testes de Quadribol, a meu ver claramente ele dava em cima dela, Gina discordava, isso resultou uma serie de brigas sobre confiança e proteção excessiva, por fim ela terminou comigo.
Hoje parece uma grande besteira, mas na época estávamos de cabeça quente e isso fazia total sentido. Molly Weasley me aconselhou sobre isso, ela disse que todo mundo já teve um relacionamento que terminou por uma bobagem, mas só alguns tinham coragem para corrigir, eu não tive no início, mas tenho agora.
Minutos se passavam e eu começava a ficar preocupado. Será que ela não vem? Calma, Harry, ela só esta sete minutos atrasada.
Gina é a única filha mulher em uma família com seis meninos, ela poderia ter se tornado uma princesinha por isso, no entanto ela me surpreendeu, sobretudo é muito orgulhosa.
Ao longe, no escuro vejo alguém se aproximando. Será ela? A garota chega mais perto e suspiro aliviado ao ver que ela veio, isso é bom, eu ainda tenho chance, Gina ainda gosta de mim. Ferre-se Zabini!
—Você veio! – eu sorri
—Não infle seu ego, eu vim por que precisamos conversar.
—Se sente
Gina olhou o lugar e não expressou reação alguma, sem dizer uma palavra sentou-se ao meu lado.
—Eu quero começar pedindo desculpas, eu agi como um idiota. Não é que eu não confiasse em você, eu só não queria ti perder.
—Você me magoou, – a ruiva me olhou profundamente nos olhos – nós devíamos ser um casal, mas você agia como se pudesse me controlar, eu não sou submissa a ninguém...
—Ei, eu sei disso, você é segura de si, — eu me aproximo devagar enquanto falo, sem desviar os olhos dela, eu levanto a mão devagar e toco seu rosto suave, Gina fecha os olhos alguns segundos sentindo o toque – eu não sei o que estava fazendo, não sei o que parecia, mas precisa acreditar em mim quando eu digo que não quero mudar nada em você.
—Eu não posso aceitar como uma boba — ainda com os olhos fechados, a garota tirou minha mão do seu rosto, mas não a soltou, abriu os olhos – tem muita coisa que precisa ser concertada.
—Se aceitasse não seria você
—Nada mais vai ser como antes, Harry.
—Exatamente, nada vai apagar o que aconteceu, nós só precisamos fazer tudo isso valer a pena, eu só sei que Hermione me deu uma carta do papai, dizia que eu deveria lutar por quem eu amo, é o que eu estou fazendo.
—Você parece diferente – ela admitiu
—É eu me sinto diferente também.
—Espera que eu termine com o Blás?
—Eu espero que você me dê uma chance.
—Você esta me pedindo muita coisa,- ela desviou os olhos e ficou surpresa ao reconhecer seu prato favorito – você conseguiu uma tortilha.
—Eu que fiz – eu estufo o peito todo orgulho.
—É seguro comer?
Eu desmancho completamente desconcertado e Gina começou a rir.
—É claro que é!
—Desculpe, — ela ainda esta rindo – você é péssimo nisso.
—Aposto que vou surpreender você
—É mesmo?
—Não, — eu ri – parte de mim esta com medo de você comer e achar que eu tentei ti envenenar, então você nunca mais vai querer falar comigo.
—Bom, eu vou ter cuidado.
Gina esta sorrindo, isso deve ser um bom sinal.
—Eu não estou namorando de verdade, — Gina admitiu. Pansy estava certa! – eu estou ajudando Blásio com uma coisa.
—Então... Você quer ser minha namorada?
—Eu posso pensar sobre isso?
—Você tem todo tempo do mundo.
Isso é o bastante para mim, eu me aproximo da ruiva e roço meus lábios nos dela, não sou o único a estar ansiando por esse beijo, Gina me segura firme pela blusa e aprofunda nosso beijo abrindo passagem para minha língua, nossas línguas lutam uma batalha por espaço, insaciáveis, mais rápido do que qualquer outra vez Gina já esta no meu colo, é o beijo mais urgente e apaixonante que nós já trocamos.
Visão de Hermione Granger
A língua do cadáver?
Eu cheguei ao meu limite, se Crudelis continuar se intrometendo na minha vida vai acabar comigo e se eu quiser ter alguma chance de sobreviver a essa catástrofe vou ter que mudar o jogo, a reunião de hoje deixou claro que não posso esperar pela equipe e com certeza não posso confiar meu segredo a todos, já basta eles saberem sobre minha paternidade, mais um segredo revelado e será fatal para minha vida social também.
Gina vai ter tentar me impedir se souber e eu não posso incluí-la nisso, para o bem de todos, só eu posso estar em risco.
Após uma tarde inteira no laboratório, fui para o quarto, amarrei o cabelo, coloquei uma roupa apropriada, coloquei o frasco de DNA que eu extraí no bolso e roubei a vassoura de Gina, eu odeio voar, mas esse é o melhor jeito de entrar no quarto de Dafne Greengrass sem ser barrada.
Eu devia me envergonhar por isso, mas vou deixar para sentir remorso mais tarde, agora eu preciso matar alguém, cruzar o DNA e enviar anonimamente para o Ministério, deixa-la viva aumenta 80% as chances de ela contar meu segredo, isso cai para 0% se ela estiver morta.
Eu subo na vassoura de Gina e levanto voo até a sacada que entra direto para o quarto da Greengrass, eu tenho sorte da sua mania de estrelismo tê-la feito escolher esse quarto, isso facilita as coisas.
Ao chegar sou pega de surpresa, a porta da varanda já esta aberta, isso é suspeito, eu acho que ela está me esperando. Eu seguro firme minha varinha e silenciosamente adentro o quarto, mas está escuro.
—Lumus
Minha varinha irradia luz, estou com os joelhos agachados e as mãos preparadas para o ataque inimigo, mas de primeira eu não encontro ninguém. Ela esqueceu a porta aberta?
No chão, estirada, encontro Dafne Greengrass, pálida, imóvel.
—Merlin...
Eu ponho um par de luvas que eu trouxe especialmente para não deixar digitais e tento sentir a sua pulsação, não tem nenhuma, a Greengrass esta morta, alguém chegou primeiro e atingiu com um Avada Kedrava.
—Hermione?
Sou pega de surpresa por Draco Malfoy, ele adentra no quarto por onde eu entrei há cinco minutos e me encara surpreso.
—Ela já estava morta quando eu cheguei.
—O que...
Draco não pôde terminar sua frase, de repente a porta atrás dele se fecha e as frestas começa a irradiar uma luz esverdeada, a porta principal que leva o corredor também começa a irradiar luz verde.
Eu corro para a porta da varanda e tento abrir.
—Alohomora.
—Finite Incantem.
—Finite encantem maximus
—Não esta funcionando, nós estamos presos.
—Alguém prendeu a gente do lado de fora, vai nos acusar do assassinato dela. EI! Abra! – eu gritei a última parte batendo na porta
—Isso não faz sentido, ela não pode estar morta – Draco se aproximou do corpo.
—Não toque em nada, ninguém pode saber que entramos aqui.
O loiro parou a mão no ar antes que tocasse o rosto da garota morta
—Tem certeza que ela não esta fingindo?
—Não tem pulsação.
Draco olhou em volta e deu atenção para algo que eu havia ignorado no corpo, em uma das suas mãos ela segurava um espelho de mão com serpentes, ele tirou dela e quando tocou, o espelho começou a reluzir uma luz estranha.
—O que é isso?
Eu me aproximei e li no vidro
“Vocês realmente pensaram que ela sou eu?”
Não acredito... Dafne não é Crudelis.
—Não... Astoria não pode ter mentido.
—Talvez ela só não soubesse a verdade.
“Eu sou melhor do que uma criança mimada”
—Fomos enganados – eu concluí
Ajoelhei-me no chão e arranquei um fio de cabelo do cadáver e adicionei ao meu frasco, a poção reagiu em segundos negativamente, o sangue na faca não é dela.
—Eu posso tentar?
Eu respondi entregando o frasco para o loiro e suspirei.
De volta à estaca zero.
—Deu negativo – Draco diz enquanto esvazia os bolsos da garota e pega um papel amassado
—O que?
—Eu deixei esse espelho com um lojista na cidade, para descobrir quem encantou, alguém pegou o espelho antes de mim, usando uma poção polissuco para parecer comigo, o resultado para o encantador do espelho deu negativo, mas a Dafne esta com o recibo da loja no bolso.
—Ela se passou por você, por que esta trabalhando para o verdadeiro Crudelis.
—Isso é ridículo, Dafne não trabalharia pra ninguém.
—Parece que alguém a convenceu.
—Ou ela tinha medo, alguém colocava tanto medo em Dafne que a fez se arriscar pra pegar esse espelho mesmo não sendo ela que o encantou.
Alguém começou a bater na porta do corredor
—Ai meu Merlin, quem será? – eu sussurrei nervosa
—Dafne? Ei, eu preciso entrar.
—É a Maggie, — Draco respondeu em sussurro – colega de quarto dela.
—Por que a porta esta brilhando? Dafne, abre.
Eu começo a olhar em voz pensando em onde me esconder e encontro alguns lugares muito desconfortáveis que serviriam em um momento de desespero.
Draco me cutucou, eu olho para o espelho de mão e vejo outro recado surgindo.
“Meus pequenos assassinos favoritos estão assustados? Eu posso ser seu salvador”.
—Dafne! – a voz de Maggie parece preocupada – Você esta bem? Você não foi jantar. Ok, eu vou chamar o monitor.
—Nosso salvador? — eu bufo – Nós fomos idiotas, ele nos atraiu até aqui pra isso, nós caímos direitinho.
“Ninguém precisa saber que estiveram neste quarto, é só aceitarem minha ajuda.”
Draco e eu nos entreolhamos, é óbvio que ele esta tramando algo para nós, mas nós estamos podendo recusar ajuda em uma hora dessas?
—Draco, precisamos dizer sim.
—Quer mesmo barganhar com o diabo? Crudelis não é bonzinho, ele vai ganhar alguma coisa com isso.
—Você acha que eu não sei? Mas aquela garota vai voltar com o monitor, se abrirem e nos encontrarem com uma garota morta, sabe o que vai acontecer? Azkaban, eu ganho perpétua e você a morte.
—Tem que ter alternativa.
—Claro que tem, aceitar a ajuda dele e dar um jeito de sairmos bem nessa.
A contragosto o loiro concordou.
“Só tenho uma condição. Hermione Granger, conte seu segredo sujo para Draco Malfoy”.
Isso só pode ser piada. Que tipo de monstro é esse?
—Do que ele esta falando?
—Tem uma coisa sobre mim que talvez você deva saber.
—Fala logo, eles já vão voltar.
Eu olho para porta, respiro fundo e então encaro os olhos cinza de Draco, ele esta muito interessado em saber meu segredo.
—No quarto ano, durante o torneio tribruxo, não só Rita Skeeter, mas outros repórteres escreviam sobre mim, eles faziam muitas especulações sobre meu envolvimento com Viktor Krum e Harry Potter...
—Continue
—Ok, — eu assenti com a cabeça procurando por coragem – um homem, um entusiasta que queria agradar seu chefe editor estava determinado a escrever uma matéria completa sobre mim, ele pediu uma entrevista e eu recusei, então ele começou a estudar a fundo sobre mim, ele se chamava Emmett Howard, esse homem encontrou meus registros de nascimento, começou a perceber que haviam falhas na papelada, ele tentou entrar em contato comigo, eu recusei de novo, fiz isso várias vezes, e todas vezes ele dizia que havia encontrado algo novo sobre mim, até que encontrou um registro de um hospital bruxo que me acolheu quando eu era criança quando eu tive pneumonia, a minha responsável era Isabel Zabini, ela estava listada como mãe.
Howard não sabia tudo sobre mim, mas o bastante para acabar com minha missão, isso estragaria tudo. Na noite do baile do torneio, eu me despedi de Viktor para ir pro meu quarto, mas encontrei Howard no caminho para sala comunal da Grifnória, ele havia dado algum jeito de passar pela segurança da festa, ele tentou falar de novo comigo e me ameaçou, disse que se eu não começasse a falar, ele escreveria o que tinha e me denunciaria de falsidade ideológica, nós brigamos, quando eu disse pela última vez que não diria uma palavra sobre isso, ele virou de costas para mim para ir embora com uma promessa, a de que eu seria presa, eu nem pensei direito na hora, peguei minha varinha... E o matei.
Draco recuou alguns centímetros de perto de mim, surpreso e atordoado com a notícia.
—Merlin sabe o quanto eu me arrependo por isso, — eu continuei na esperança que eu algo que eu dissesse pudesse amolecer seu coração — ele era um homem desprezível, mas não merecia morrer, eu descobri que ele era pai, duas crianças são órfãs desde aquele dia, eu me arrependo muito, foi a pior coisa que eu fiz para me proteger e ao Harry.
Eu estou chorando, mas Draco está surpreso demais com minha revelação para se importar com isso.
“Esta é a verdadeira, Hermione Granger. O que você vê agora, Malfoy?” o espelho declara.
—Desculpe Draco, acho que eu decepcionei você.
O loiro não respondeu, nem olhava para mim, isso doeu mais do que se ele respondesse.
—Dafne? Abra a porta! – nós ouvimos outra voz feminina na porta
Draco e eu nos levantamos rápido e corremos para que a porta da sacada abrisse sozinha, mas nada aconteceu.
“Mais uma condição.”
—Você disse que era só uma – Draco falou para o espelho
“Eu menti. Eu quero que façam uma coisa por mim, se tentarem me enganar, se arrependerão.”
—Eu vou abrir a porta! – a voz avisou
“Eu quero que roubem as velas Jesouhaite do museu para mim”.
—Sim. Sim – Draco e eu respondemos na euforia enquanto ouvíamos a chave da monitoria ser encaixada na outra porta do quarto
A luz esverdeada da porta se apagou e nós corremos para pegar as vassouras e saímos voando.
Eu saí com a certeza que além de assassina, teria que me tornar uma ladra.
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