Fracos
10 Capítulo 10: A erva Wakande
Notas iniciais
Visão de Gina Weasley
Os pinheiros ficam próximos ao campo que estão utilizando para corrida de obstáculos, cheio de alunos e outras pessoas correndo pra lá e pra cá e cercando a pista, os meninos estão especialmente animados com as dançarinas profissionais que foram convidadas por Celestina Warbeck para as festividades, elas estão usando roupas minúsculas para serem líderes de torcida.
Viktor Krum é um dos participantes para atividade, ela acena para mim e sorri quando me vê, é um bom rapaz, me respeita como profissional e fica feliz em me orientar a como sobreviver à mídia e pessoas como Rita Skeeter.
Blásio Zabini esta ao meu lado, eu o forcei a andar de mãos dadas comigo, se é para sermos um casal temos que fingir direito, acho que esta dando certo, por que algumas pessoas nos olharam quando passamos por elas.
—Não gosta de esportes? – eu pergunto ao rapaz negro
—É soar que não me agrada – ele respondeu normalmente – você já tem um presente para Hermione?
—Sim, é um livro trouxa que ela tem falado há algum tempo, esta tendo problemas com o presente?
—Hermione sempre me deu presentes impressionantes, eu acho educado corresponder à altura, porém ainda não pensei no que poderia ser.
—Você se importa com ela – eu encrenquei com o garoto que fez uma cara de poucos amigos
Passamos por uma das várias barraquinhas espalhadas ao nosso redor e Blásio olhou interessado para uma com especiarias feitas com uvas, eu vi uma plantação uvas na cidade quando chegamos, o que é curioso levando em conta que estamos em uma Ilha quente, eles devem investir pesado na plantação, recentemente eu provei uma torta e o resultado é excelente.
Não sou boa em assuntos como esse, mas acredito que como não estamos em uma Ilha com problemas com a rota de navios de comercio, os habitantes se viram como podem, Celestina Warbeck fez um bom trabalho com esse lugar, parece bom para se viver.
—Pare com essas historinhas mirabolantes – Blásio parecia estressado
—Desculpe
—Peça desculpas há alguém com sentimentos, eles se importarão.
—cretino – o xingo baixo e reviro os olhos – ela gosta de música, dê algo significativo.
Blásio pareceu pensar na ideia, até que de repente surge um menino loiro e pequeno provavelmente do segundo ano correndo em nossa direção, ele sorria de orelha a orelha animado.
—Cumpriu sua missão? – Blásio pergunta ao garoto
—Estou indo terminar agora, será rápido, eu prometo.
—Ótimo – ele tirou a carteira do bolso e deu ao garoto uma nota de dez – seja cauteloso
—Muito obrigado – o garoto loiro sorriu e saiu correndo para uma direção contrária a nossa
—O que esta fazendo?
—Um investimento, ele esta roubando uma informação valiosa das mortes das meninas da Corvinal para mim.
—Ata... – respondo sem realmente estar entendendo a situação
Paramos a caminhada quando vemos ao longe perto dos pinheiros uma equipe do Ministério da magia, eles provavelmente trabalham para o detetive Adam O’hanoly. O que esta acontecendo? Eles parecem estar cercando a área e procurando alguma coisa mais adentro da floresta, justamente a área dos pinheiros.
Olho em volta procurando alguém que pudesse me dar uma informação e encontro Luna saboreando um algodão doce com sorriso inocente no rosto, perto de uma barraquinha onde ela deve ter comprado, isso aqui parece uma grande colônia de férias, admito, se não fosse esse monte de problemas eu estaria me divertindo muito, afinal tenho muito que comemorar, meus sonhos estão se realizando, serei uma mulher independente fazendo algo que eu amo.
Entrelaço meus dedos aos de Blásio com mais força e o guio para perto da garota sonhadora
—Olá Gina, Zabine – ela nos cumprimenta balançando a cabeça suavemente.
—Olá Luna, você sabe o que os homens do detetive O’hanoly fazem ali?
—Não sei, estão lá algum tempo, — ela diz enquanto abocanha outro pedaço do algodão – algumas pessoas estão dizendo coisas, que estão seguindo uma pista importante.
—Parece que eles não são tão idiotas – Blásio comentou com os olhos na equipe
—Eles cercaram um lugar na floresta que cheira muito bem, — Luna continuou – vocês são um lindo casal. Querem um pouco?
—Não, obrigado – eu sorri educadamente – não é adequado para a alimentação de um atleta.
—Também não estou interessado, obrigado.
—Você fala engraçado, gosto de você – ela sorriu para Blásio – estou com uma enxaqueca. Para onde vou mesmo? Ah sim! Meu curso de Clarividência é tão legal! Tchau casal
A menina loira saiu saltitando de perto de nós
—O que fazemos agora? – eu pergunto
—Esperamos que eles façam um trabalho direito, então roubamos informações novamente.
Draco se aproximou de nós com uma mochila nas costas
—O assassino se encontrou comigo
Detalhadamente Draco nos contou sobre seu encontro com o agora chamado Crudelis e nós o informamos sobre a pista que retiramos de Pansy através de hipnose.
—Bom, eu tenho aula de Artes físicas agora – eu concluí pensando em Rony imediatamente, preciso saber como meu irmão esta.
—Eu vou para meu curso de investigação, com licença – Blásio saiu se despedindo de mim com um beijo na bochecha como combinamos, mas mesmo sabendo que ele faria isso, foi tremendamente estranho e um arrepio me subiu a espinha, ele tem um efeito estranho sobre mim.
—Aonde você vai com a mochila? – eu pergunto a Draco
—Nenhum lugar importante, Gina.
Gina... Eis que se passou o tempo de Weasley fêmea.
Visão de Hermione Granger
Mesmo que eu já imaginasse a reação de Harry, não consigo deixar de sentir uma tremenda dor no peito ao ver sua indignação por eu ter mentido algo tão sério.
Harry Potter é meu irmão.
Respiro profundamente.
De qualquer forma, o peso do segredo foi retirado das minhas costas, apenas não consigo imaginar por que é tão importante para o assassino que o Harry saiba a verdade.
Saio do salão usado para o cortejo quando algumas pessoas entram para a retirada dos caixões, elas serão levadas para suas famílias que devem estar devastadas. Não estou com pressa e nenhum pouco interessada em seguir para as atividades, nem mesmo ir a biblioteca estudar para a prova da faculdade parece interessante, coisa que eu quase havia me esquecido completamente, não quero ter que repetir o sétimo ano.
Neste eu quero me afundar e esquecer o que esta acontecendo, eu faria qualquer coisa por alguns litros de álcool.
Olho para trás e vejo que Draco esta seguindo um caminho semelhante ao meu com uma mochila
—Nossa! Você esta horrível – ele diz ao se aproximar
—Realmente você é muito gentil – sou irônica
—Quase tanto quanto sou sexy e gostoso – ele sorriu de maneira cafajeste
—Imbecil. O que esta fazendo?
—Indo me afundar em bebida, eu preciso me desligar de toda essa merda e parece que você também.
—É verdade, vou com você.
***
Sentados no chão Draco e eu começamos a beber algo que eu nem preocupei saber o que era, parecia uma bebida bruxa, do tipo cara, não me interessa como ele conseguiu isso, porque não tem um gosto ruim, na verdade, até me lembra do gosto de uma maçã, apesar de ser queimante na garganta.
Nunca estive aqui antes, é a torre mais alta do castelo, a janela tem uma vista linda do exterior do castelo, a floresta e algumas partes da pequena cidade. Penso que seria bom fazer um passeio pelas lojas do centro, simplesmente para conhecer e esvaziar a cabeça, talvez comprar alguma coisa bonita.
Seria bom voltar a este lugar a noite, tem um telescópio e eu poderia ver as estrelas, seria tão encantador.
—Carlisle planejou uma festa de noivado para mim e Astoria – Draco começa a falar de repente, parecia estar tentando desabafar.
—O que? – eu o olhei me despertando dos meus pensamentos
—O cretino do juiz, pai da Astoria resolveu de repente fazer isso, sem me consultar, é claro – ele respirou fundo e me olhou nos olhos – agora vou ter que convencer um monte de pessoas das quais não me importa nenhum pouco que estou completamente apaixonado pela minha noiva.
Draco olhou para aliança no seu dedo com uma expressão de desdém e tomou outra golada da bebida avermelhada em seu copo de vidro.
—Odeio essa aliança
—Ela é muito bonita, – eu disse – mas acho que casar é a última coisa do mundo que você quer.
—Não quero me prender a ninguém, eu tenho muita coisa para fazer e descobrir na vida. O pior é eu acho que Astoria esta apaixonada por mim, desse jeito ela vai se dar muito mal
—Ela ti disse isso? – eu pergunto antes de tomar outra golada
—Não, – ele suspirou recolhendo os joelhos e olhando para o nada – mas eu estou sentindo isso.
—Ela parece boa, e você se preocupa muito com ela, talvez você devesse lhe dar uma chance.
Arrependo-me de minhas palavras assim que elas saem da minha boca, olho para outro lugar para disfarçar o que estou sentindo por dentro. Um flash na minha cabeça me fez imaginar a pequena Astoria nos braços fortes de Draco sendo beijada apaixonadamente e por um motivo desconhecido isso doeu.
Draco não respondeu, ele parecia estar pensando na possibilidade, acho que eu fiz uma grande tolice.
—Você contou ao Harry?
—Sim, nós somos irmãos – eu praticamente cuspi as palavras para fora de mim antes de dar três fortes goladas na bebida que desceu rasgando minha garganta.
—O que? – Draco arregalou os olhos cinzentos virando-se para mim
—É o que você ouviu, Tiago Potter era meu pai, Harry este muito chateado comigo, gritou bastante.
—Ele não devia estar feliz? O Cicatriz era do tipo que queria muito uma família.
—Você não entende Draco, eu nunca menti pra ele, – eu o olhei nos olhos com tristeza – era uma pessoa que ele confiava muito e eu menti todo esse tempo, vendo seu sofrimento por ser órfã, destinado a salvar o mundo bruxo e não disse que ele não era o único Potter, é difícil perdoar isso
—Pois acho que ele tem sorte, não acredito que vou dizer isso, mas você é até bem bacana.
—Draco Malfoy esta mesmo me dizendo isso? O inferno deve ter congelado – eu ri e ele também sorriu tomando o conteúdo do copo outra vez – eu acho que isso acontece quando se quase morre asfixiado com seu pior inimigo
—Acho que esse lance de sangue começou a perder a importância para mim depois de entender o que a obsessão da família da minha mãe fez com ela e até o irmão da Pansy, isso é destrutivo, e eu sou muito esperto para cometer o mesmo erro.
—Eu entendo – eu tomei da bebida outra vez e terminei o que eu tinha no copo
Eu me estiquei para pegar a garrafa e encher meu copo novamente, Draco fez o mesmo.
—O assassino apareceu para mim, — Draco diz com uma repentina raiva nos olhos cinza — o cretino quer que nós o chamemos de Crudelis e disse outras coisinhas, falou que me odeia, quer vingança e que você é preciosa, uma coisa necessária no plano dele.
—Meu Deus... – eu fico atordoada – Eu não consigo entender o que esta acontecendo
—Eu vou mata-lo quando tiver a chance, – Draco bebeu rapidamente alguns goles e fez uma careta de dor quando ela desceu pela garganta – ele estava igual a você, poção polissuco, usando um vestido preto minúsculo, soube na hora que não era você, estava muito gostosa.
—Ei, eu até fiquei bem bonita com o tempo – falo rindo sem realmente me sentir ofendida com o loiro, ele tem seu encanto.
—Eu vou pensar sobre o que disse de Astoria, ela não merece sofrer porque eu sou um grande idiota charmoso. Os pais de Astoria sempre a rejeitaram, ela é diferente, quando tinha seis anos a governanta da casa era uma mulher mestiça que a apresentou ao balé, quando ela tinha treze anos foi demitida por isso, Dafne descobriu tudo, ela é uma cobra invejosa.
—Ela parece realmente muito má, olha pra todo mundo como se fossem insetos.
—É, ela é assim. Astoria não parou de dançar, Dafne a encontrou uma vez dançando e contou aos pais, Carlisle ficou muito zangado, estava bêbado e quebrou uma garrafa na barriga de Astoria, ela foi para o hospital e se recuperou, mas ela tem cicatrizes horríveis que nunca sumirão, os médicos dizem que ela jamais terá filhos, ela não deixa ninguém ver seu corpo, Carlisle cobriu seus rastros, pagou tudo e ninguém nunca mais falou sobre isso.
—Coitada... É por isso que ela é tão acanhada, deve ter sido difícil. E nunca ter filhos... Nossa, eu não consigo imaginar a dor dela.
—Eu fiquei revoltado, mas papai me convenceu que ela mereceu que o balé era um vírus infeccioso para nossa elite, eu tentei convencer Astoria, fazê-la parar e impedir que acontecesse de novo, só que ela é apaixonada por essa coisa e é muito boa nisso.
—Nem sei o que dizer... – eu suspirei deixando a frase no ar – Tanta coisa ruim acontece que se torna difícil ter esperança, fé no amor.
—Eu não tenho nenhuma fé, não quero me decepcionar.
—O amor é para os fortes
—O amor é uma fraqueza, foi que Crudelis disse que preciso me lembrar.
—Blásio já me disse isso, ele leu em um livro do meu pai, do Joseph, mas eu não acredito nisso, amor verdadeiro existe, eu sinto isso, eu vi isso com meus novos pais adotivos e é muito bonito, eu quero isso pra mim.
—Boa sorte – ele soou irônico tomando sua bebida
—Sabe, você é muito diferente do que eu imaginava, é bom conhecer quem você é de verdade
—É legal conhecer você também, eu me sentia muito solitário, é bom que tenha ouvido isso por que nunca mais vou repetir.
—Tudo bem – eu ri
Respiro fundo tomando coragem e seguro a mão de Draco, ele olhou para nossas mãos por dois segundos e apertou com força.
—Nós estamos juntos nessa
—Com certeza.
Não sei quando tempo ficamos ali, mas bebemos muito, ficamos completamente bêbados rindo de coisas completamente sem nexo e caímos no sono.
***
Acordei com o sol do meio dia entrando pela janela fritando meu rosto, ainda estou me acostumando à temperatura ambiente da Ilha, é muito quente comparado aos lugares que já estive e estar naquela posição desconfortável com a luz nos meus olhos não ajudava em nada.
Draco esta descabelado, com a blusa azul manchada com a bebida, dormindo lindamente ao meu lado, quase me sinto culpado por ter que acordá-lo, eu mexo nele algumas vezes até que ele abre os olhos assustado, senta-se com pressa olhando ao redor.
—Dormimos muito? Que horas são?
—Julgando pela temperatura, acredito que devemos estar perto do meio dia. Vamos, eu preciso de um banho e estou com fome
Nós nos recompomos e descemos a infinita escada. Eu estou com enxaqueca, preciso tomar alguma coisa para passar essa maldita ressaca, eu estou pensando se Gina tem algo assim em sua caixa de remédios e primeiros socorros quando tropeço no último degrau da escada, eu estou prestes a me chocar no chão, porém sou salva por Draco.
—Pelas barbas de Merlin! Você não consegue olhar por onde anda?
Meu coração se acelerou quando seus olhos cinza encaram os meus com intensidade, não é a primeira vez que faço papel de boba na frente dele e mais uma vez nós temos esse momento tenso, meu corpo e alma chamam por ele e sinto que ele sente o mesmo.
Draco desliza seus dedos sobre a pele do meu rosto fazendo os pelos do meu corpo inteiro se arrepiar com seu toque
—Você se tornou uma mulher encantadora, Hermione – Draco sussurrou parecendo honesto e meu coração parece querer saltar do meu peito.
—Você é um homem que eu adoraria descobrir mais – respondo igualmente no mesmo tom de sussurro segurando sua mão em meu resto
Eu me aproximo e ele inclina-se em direção dos meus lábios, nossos lábios se tocam e roçam gentilmente em algo que se tornaria um precioso beijo, porém Draco se afasta com os olhos cintilando pesar.
—Eu gosto de você, — ele desabafa olhando para o chão — se tornou minha amiga, não posso fazer isso com você, ti ferir desse jeito... Você não merece. Se existe alguém que merece amor verdadeiro não sou eu, é você e eu só estou no seu caminho para atrapalhar.
Draco me olhou uma última vez antes de dar as costas para mim e seguir em frente.
Ah Draco é tarde demais, eu estou desenvolvendo sentimentos por você.
Visão de Blásio Zabini
Depois de algumas aulas Ginerva e eu nos encontramos no campo de Quadribol onde esta acontecendo um jogo amistoso entre um time formado pela Sonserina e outro pela Lufa Lufa, desta vez Lufa Lufa esta vencendo por alguns pontos a frente do seu adversário, Ginerva esta concentrada no jogo, enquanto eu estou saboreando uma fatia de torta de uva que eu comprei em uma barraca, é deliciosa.
O lugar é perfeito por que no topo da arquibancada onde estamos sentados é possível ter uma visão privilegiada do terreno, isso inclui os pinheiros, os homens desapareceram, mas sabemos que eles estão floresta adentro procurando alguma coisa.
—Isso parece muito bom, pode me dar um pedaço?
Não respondo, apenas dou meu prato para ruiva que se delicia com uma colherada.
—Eu achei que não comece essas coisas – eu comento olhando para a partida
—Apenas controlo minha alimentação, é importante me manter em forma.
—Posso não ser um amante de esportes, porém admito que respeito seu trabalho, você , é uma grande batedora, a vi em ação algumas vezes.
—Obrigado – ela sorriu comendo outro pedaço
Não sou inclinado a qualquer opção sexual, porém não posso negar que Ginerva Weasley é uma moça muito bonita com um muito bem cuidado cabelo ruivo, ele é fascinante, às vezes me perco espiando movimento dos seus fios.
É integrante que uma atleta tão determinada que alcançasse um posto que antes só fosse de homens seja tão vaidosa, era de se esperar que ela fosse mais masculina, no entanto é uma moça muita feminina e apaixonada pelo eleito Harry Potter, embora ela não goste de falar sobre isso e eu não faça perguntas, foi ela quem teve a ideia de fingir esse relacionamento, é útil para mim, então não tem por que questionar a não ser que ela decida contar para mim.
Bill, o garoto loiro do segundo ano entrou em minha linha de visão, ele estava sorrindo e correu para nós.
—Obrigado – eu agradeci quando ele me entregou o papel
—De nada, me chame quando precisar de mim de novo.
—Claro, não vou esquecer-me de você.
O loiro sorriu de maneira brilhante e seguiu seu caminho para algum lugar que não me interessa.
—O que ele conseguiu? – Gina me pergunta deixando a torta de lado
—A numeração das meninas da Corvinal
Retiro o dicionário de francês da minha bolsa, abro na página das letras do alfabeto francês e começo a analisar ligando a numeração.
—O que esta fazendo?
—Testando uma teoria
Pouco depois que fecho a boca ouve-se uma grande explosão. Levanto meus olhos para a região dos pinheiros, uma fumaça negra sobe entre as árvores e o fogo queima a madeira e as folhas com facilidade, isso pode se tornar um grande incêndio, ele parece estar sendo contido, porém não posso ver por quem, a equipe deve ter encontrado algo grande.
Curiosos correm em direção à explosão, Ginerva e eu nos misturamos entre os outros para nos aproximar.
Há fumaça por todo lugar, seguimos os outros e encontramos o lugar onde fogo terminava de ser apagado. Há uma cratera a dois passos à frente, dentro destroços por todos os lados, algumas pessoas feridas, duas desacordadas, algumas pessoas correm para o castelo em busca de ajuda médica e outras descem para ajudar a retirar os feridos do local.
Ginerva é uma delas, a ruiva corre para um dos desacordados, um homem de cerca de trinta anos, moreno, com o rosto sujo de poeira e cinzas, o sujeito tem graves queimaduras nos braços, sozinha ela levanta uma tora de madeira que impedia o homem de mover suas pernas e começa a tentar reanima-lo.
Desço ao local, porém não com o intuito de ajudar os feridos, vasculho entre os destroços alguma coisa que pode explicar a explosão. Ninguém esta me espiando, estão todos muito desesperados para notar.
Agacho-me em um ponto onde a explosão parecia ter iniciado, seguro as cinzas em meus dedos e a esfrego procurando uma inofensiva faísca amarelada, o cheiro também é revelador, este lugar recebeu um feitiço poderoso para explodir caso alguém tentasse entrar.
Há estilhaços de vidro, caldeirões e livros queimados por todos os lados, tenho dificuldades em empurrar alguns destroços, porém consigo e encontro um baú, o conteúdo é uma grande coleção de facões de prata e ferro, retiro um deles e analiso a lâmina, sem dúvida foi afiada recentemente. Olho atentamente para o resto da coleção e encontro uma gota de sangue em uma das facas.
Sorrio com a descoberta, abro a mochila de Ginerva que estou carregando, retiro um saco plástico para coletar provas e guardo a faca sem que ninguém veja, então fecho o baú.
Quando me viro vejo a ruiva levantando o homem nos ombros e andando lentamente para equilibrar o corpo, ela subiu por uma escada de pedras levando a vítima para cima com determinação no rosto.
Quase não reconheço o detetive Adam O' hanoly há dois metros de distancia de mim, ele esta de joelhos, abatido, seu rosto esta queimado gravemente e tenta sem sucesso reanimar um corpo, é sua secretária Srta. Kate Mc Garvey, ela também esta quase irreconhecível com o corpo inteiro e roupas queimadas, não sou aplicado em medicina, mas sei reconhecer um morto e ela está.
É o momento perfeito para me retirar, porém tropeço em algo que mesmo parecendo banal desperta minha atenção, imprensada em lascas de madeira e vidro retiro com cuidado um recipiente plástico dos destroços, a temperatura e o fogo poderiam tê-lo destruído, mas deve ter sido revestido por feitiços que o protegeram durante a explosão, julgo que o conteúdo do frasco seja igualmente importante a faca, então guardo comigo.
Subo as escadas, Ginerva já me espera. O homem que ela salvou esta acordado e recebendo auxilio médico. Bom trabalho.
—O que encontrou lá em baixo? – a ruiva pergunta
—O covil do assassino, preciso ir ao laboratório fazer testes no que encontrei.
—Agora? É hora do almoço, eu estou com fome – ela reclama com a mão na barriga.
—O tempo não para, Ginerva.
***
Rendida à curiosidade, Ginerva trouxe seu almoço para o laboratório e comeu em silêncio enquanto eu fazia meu trabalho, ela também trouxe consigo minha irmã. Hermione parece melhor do que eu imaginava, mas é fácil encontrar vestígios nela mesmos após o banho que ela consumiu bebida alcoólica esta manhã, provavelmente com Draco.
Hermione pesquisa em livros a erva que encontrei no recipiente de plástico enquanto realizo alguns testes químicos na mesma
—Eu encontrei, — Hermione avisou – teste com algumas gotas de óleo de carneiro, vejamos a reação.
Pego o frasco de óleo de carneiro e adiciono em uma erva virgem dos meus testes de cor lilás, a reação demora alguns segundos, a erva toma uma coloração esverdeada e morta.
—Uma erva sul africana, chama-se Wakande, usada principalmente em rituais de magia negra – Hermione fechou o livro e respirou fundo – é coisa da pesada, pelo menos conseguimos tirar dele
—E se ele tiver mais? – Ginerva estica-se no balcão para olhar a erva mais de perto
—Não, ele não protegeria tão bem se não fosse tudo o que tem. Talvez a ação dos homens do detetive no seu covil atrase um pouco suas futuras investidas e assassinatos, ele vai demorar em conseguir uma erva como essa novamente, eu acredito que atrasamos o ritual.
—É uma ótima notícia – Hermione sorriu para mim
—Eu não tenho o código genético das vítimas, mas tenho quase certeza que esse sangue tem DNA de alguma delas, — eu digo com certeza e suspiro – infelizmente não tem digitais, ele usou luvas.
—Tiveram sucesso em conseguir os números da Chang e a Maximorff?
—Sim, irmã. Creio que tenho uma teoria que sustenta os fatos
—Então por que não diz logo? – Ginerva arregalou os olhos
—Possivelmente desvendei a numeração, é francês, — eu tiro meu caderno de anotações da bolsa e mostro para as duas garotas que se aproximaram para olhar de perto — cada número representa uma letra do alfabeto francês, esta espelhado, isso significa que o número 1 significa a última letra do alfabeto, é um molde antigo para códigos.
—Dezembro, novembro, outubro, setembro... Cada alma representa um mês, — Hermione concluiu o raciocínio – Cho fazia aniversário em setembro.
—Conheço Amanda, boa jogadora, ela fez dezenove anos em dois de outubro, tenho certeza, dei um laço de cabelo de presente, – Ginerva diz pegando o caderno para ler minhas anotações com mais cuidado – ele esta coletando almas representando os meses do ano para um ritual. Que tipo de ritual poderia ser?
—Isso parece impossível... – Hermione pensa alto organizando os fatos em sua mente – E ainda tem a erva Wakande com altíssimos poderes de regeneração, existe uma tese sobre um ritual como esse. Você acha que é verídico Blásio?
—A essa altura creio que Crudelis seria capaz de qualquer coisa.
—O que é? – Ginerva pergunta preocupada
—Uma tese não testada. Eu acho que ele esta tentando reconstruir um ritual de invocação para despertar o poder de uma orcrux, é supostamente usado para quando o corpo de um bruxo poderoso é cremado e é deixado para trás uma orcrux inativa contendo fragmentos da alma que podem trazê-lo de volta a vida.
—Os restos de Voldemort foram cremados... Ai meu Merlin
—Nós destruímos todas as orcrux, o Harry até morreu, — Hermione começa a andar de um lado para o outro – como seria possível que deixamos algo para trás? Não, não. Voldemort com certeza esta morto, tem que ser outro bruxo.
—É possível, mas tudo o que nos resta é especular.
Visão de Hermione Granger
O sol se põe no horizonte terminando mais um dia corrido na Ilha Pégaso. A minha tarde foi preenchida por inúmeras atividades, às vezes eu até conseguia me distrair em alguma coisa ou outra, porém minha cabeça esteve cheia quase o tempo todo de pensamentos conflitantes.
O ritual das trevas planejado por Crudelis que talvez tenha sido adiado pelos homens do detetive, o fato de Harry Potter ter me evitado o dia inteiro e meu novo problema: Draco Malfoy.
Nunca na minha vida pensei que poderia pensar em Draco Malfoy desta maneira, ele sempre foi motivo de nojo, o tipo de homem cruel e preconceituoso que eu deveria manter distancia, jamais pensei que isso um dia pudesse mudar. O loiro ainda é arrogante, metido, sarcástico, mas não é só isso, depois ter visto tantos defeitos nele nunca pensei que acharia algo bom, no entanto Draco tem um lindo coração, sensibilidade, eu sinto que posso tocá-la e trazê-la para a superfície.
Draco é uma droga viciante, eu só quero descobrir mais e mais sobre ele. Eu estou me apaixonando? Não sei como posso estar realmente pensando nesta possibilidade, sendo por dinheiro ou não, Draco esta noivo de uma moça que não merece sofrer.
Ele valeria a pena? Nem sei se ele pensa o mesmo de mim. A atração entre nós é evidente, sei que ele se preocupa e quer o meu bem, chega ao ponto de me considerar uma amiga, isso não é prova de que ele esta desenvolvendo sentimentos amorosos sérios por mim.
O que eu estou pensando? Ele é Draco Malfoy! Draco não acredita em amor, seria perca de tempo, o melhor que eu faço é seguir a minha vida e deixar que ele faça o que quiser com Astoria, na verdade eu até deveria considerar a ideia de me aproximar outra vez de Viktor Krum, nós temos um relacionamento especial e sei que ele gosta de mim verdadeiramente, talvez eu devesse dar uma chance a esta relação, seria como um conto de fadas, muitas garotas dariam a vida para ter um encontro com o famoso jogador de Quadribol Viktor Krum e entre todas, ele me escolheu, uma nerd.
Sou uma mulher forte e decidida, eu posso esquecer uma atração boba.
O campo de Quadribol esta lotado. Hoje teremos uma partida de Quadribol entre times da Grifnória e Sonserina, Gina jogará como batedora pela Grifnória hoje, a ruiva esta muito animada, ela fez questão de fazer Blásio vestir um casaco da Grifnória para apoiá-la, isso me fez dar boas risadas.
Blásio esta na arquibancada ao meu lado com uma cara de entediado, eu estou saboreando uma pipoca doce e conversando com algumas meninas da Grifnória sentadas perto de mim, elas são divertidas e me distraem, o que é ótimo.
Parvati Patil e Lilá Brown dividiam o dormitório comigo em Hogwarts, Parvati é muito simpática, gosta de se vestir e paquerar, Lilá é muito sensível, romântica, sufocava o Rony, por um tempo não nos damos bem por isso, mas isso mudou quando a salvei durante a guerra, já Padma é da Corvinal, mas sempre anda com a irmã Parvati, ela é mais calada e sempre segue a irmã.
—Então, eu vi você dançando com o Krum no baile, — Parvati insinuou e Lilá deu uma risadinha fofa – esta rolando alguma coisa entre vocês?
—Bom... Ele é muito doce comigo – eu fiquei corada e comi algumas pipocas de uma vez
—Ah não vê que ela e o Malfoy têm sido vistos juntos? – Lilá diz a melhor amiga de forma animada
Quase engasguei com a pipoca, tossi duas vezes e bati no peito. Meu Merlin! Isso esta na boca dos alunos?!
—Mas o Malfoy sempre a tratou mal – Parvati faz uma careta
—Idaí? Seria uma reviravolta tão romântica, – Lilá suspirou apaixonadamente – ele é noivo, mas isso não é problema para o amor verdadeiro, seria tão lindo!
—Bom... Ele é muito bonito, seria bem interessante ele com a Mione – Parvati pensou alto.
—Que isso meninas! – eu ri tentando disfarçar a vergonha – Draco e eu somos só amigos, você sabe que as pessoas estão achando que nós somos os culpados do que esta acontecendo e estamos unidos por um bem maior.
—Você já o chama de Draco? – Lilá suspirou novamente – Seria tão romântico!
—Não se preocupa, fofa. Nós fomos companheiras de quarto por anos, nós sabemos que você é do bem – Parvati me confortou pondo a mão no meu ombro.
—Eu também acredito – Padma confirmou finalmente entrando na conversa
—Eu também, me conte tudo se rolar alguma coisa bonitinha.
—Obrigado meninas – eu sorri
—Tenho uma boa notícia, — Blásio me chama atenção, ele esta outra vez saboreando uma torta de uva, Gina me contou que ele havia gostado muito do prato – eu conversei com a mamãe sobre o que esta acontecendo, ela esta planejando nos visitar.
—Isso quer dizer que ela esta bem – eu suspiro de alívio – quando ele virá?
—Não sei, talvez na próxima semana, ela esta ocupada com o trabalho. Espero que ela venha logo, precisa conhecer minha namorada.
Alguém me cutuca por trás, sou surpreendida ao ver alguém que não vejo algum tempo, Letícia. A menina pálida de olhos verdes e longos cabelos negros, ela usava um grande laço vermelho na cabeça.
—Oi! Eu queria muito falar com você
Blásio se afastou e a menina Letícia sentou entre nós
—A minha família tem um costume especial, nós somos cristões, sei que é estranho por ser uma bruxa, mas da certo, sabe? – ela diz com calma segurando um embrulho pequeno nas mãos, ela me olha nos olhos e me da o embrulho – Nós contamos os dias começando a partir de um por do sol, para minha família hoje já é dezenove, sexta feira, então esta na hora de eu dar seu presente de aniversário.
—Nossa... – não sei o que dizer, ela é tão adorável.
Abro o embrulho e encontro uma corrente, o pingente é em formato de retângulo, similar aos que usam os militares, a marcação na prata diz: Guerreira.
—Eu acho que você é um exemplo, uma bruxa guerreira, eu quero ser assim também, — a menina diz com segurança e de repente da um sorriso – me da um pouco de pipoca?
—Claro – eu respondo um pouco boba, acabo por entregar o pacote inteiro – você é muito gentil, muito obrigado pelo presente.
—De nada, você ainda quer?
—Não... Pode ficar pra você.
—Obrigado, isso é muito bom – ela saboreia a pipoca doce lambendo os dedos – Olha já vai começar!
O jogo foi acirrado, Draco jogou pela Sonserina e Harry pela Grifnória, por volta dos quarenta e cinco minutos a Sonserina estava se dando melhor, porém Harry tomou o pomo de ouro e a Grifnória venceu, Letícia ficou muito feliz. Grande noite!
Visão de Astoria Greengrass
É tarde, passou da hora de recolher, Pansy deve estar surtando por eu ainda não ter voltado para o quarto. É minha culpa! Entrei por volta das 20h na sala de espelhos e perdi completamente a noção do tempo, dançar esvazia minha mente e é a forma mais saudável que eu tenho para tirar Draco e a festa de noivado na cabeça.
Os corredores estão escuros, uso minha varinha para iluminar o local, mas se eu ouvir qualquer movimento e sairei gritando e correndo, já pensou se encontro o tal assassino por aí procurando uma vítima? Como sou boba de demorar tanto tempo para voltar para o quarto, agora estou aqui aterrorizada.
Pego a esquerda em um novo corredor, irei passar pelo maldito quadro de Killian Bartholomew, o capitão pirata da tripulação dos Piratas sombrios, fundadores da Ilha. Este quadro me mete medo de dia, imagine a noite.
O quadro tem bordas de bronze e é pintada com uma técnica de pontilhados, a retratação é perfeita, o homem tem cerca de quarenta e cinco anos, longos cabelos negros ondulados, pele pálida, barba mal feita, cicatrizes acima da sobrancelha esquerda e olhos negros, não existe sorriso, na verdade a impressão que eu tenho é que o capitão jamais sorriu, o lado bom é que o quadro significa que não estou longe da Sala comunal da Sonserina.
Tomo um susto e grito quando sinto uma mão no meu ombro, viro-me e uma mão tampa minha boca abafando meus gritos.
—Cala boca, vão descobrir a gente! – ouço uma voz familiar, mas não sei quem é.
Ilumino o rosto e reconheço Rony Weasley da Grifnória, ele parece bobão demais para ser um assassino.
—O que esta fazendo? – eu digo com medo
—Voltando para a Sala comunal da Grifnória, acabo de fugir de uns homens que estão fazendo ronda e encontrei você. O que esta fazendo? – ele me olhou de cima abaixo e viu que eu segurava na mão minha sapatilha de pano – Pra que isso?
—Não importa – eu fico nervosa – e você?
—Perdi a noção do tempo, estava treinando para Artes físicas.
Ouvimos um barulho e nós dois nos abaixamos ao mesmo tempo
—São eles! – ele gritou em sussurros
—Não posso ser pega!
Ando para trás e tropeço em algo, de repente sou sugada pelo quadro, agarro a blusa soada do ruivo Weasley, mas ele acaba por ser sugado pelo quadro como eu.
Ambos caímos de mau jeito num lugar que no começo é escuro, porém tochas se ascendem com fogo magicamente. Bom, não sei onde estamos, porém pelo menos não serei castigada por estar fora do meu quarto a essa hora da noite.
—Nossa mãe!
—O que foi? – eu pergunto ao ruivo que já estava de pé
—Olha só o que nós achamos!
Ainda no chão, viro-me para ver o que se trata e meus olhos se enchem de uma coisa inacreditável. Amontoados de moedas de ouro, objetos brilhantes, joias, prata, bronze, diamantes, objetos estranhos... É a sala do tesouro pirata.
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