Four Seasons

4 III - Ultima estante de uma Biblioteca


Notas iniciais
Olá meus amores, eu sei que demorei a escrever este capitulo, e lamento muito. Tive de fazer algumas pesquisas tentar encaixar as coisas umas nas outras, então demorou um pouco mais. Uma boa leitura

“Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.” – William Shakespeare

Os meus dedos ágeis flutuavam sobre o teclado do computador transferindo os dados rapidamente para o documento que organizava, “Make a Wish” dava mais trabalho do que outra coisa, e agora o acordo com o Japão o trabalho parecia triplicar. Nossa empresa de eventos sociais estava espalhada um pouco em cada país e, desta vez, iriamos organizar o festival Tanabata, um festival japonês apoiado numa lenda em que dois apaixonados, separados pela via-láctea, podem encontrar-se todos os anos nesta noite.

Eramos ligados a varias fundações, ajudávamos a cria-las e a mantê-las em pé, mais de metade dos eventos são para angariar dinheiro para estas fundações e também realizar sonhos das crianças que estão nos hospitais com patologias tanto oncológicas como neurológicas.

Make A Wish irá realizar desejos de crianças e jovens entre os três e dezoito anos, em que a sua doença coloca a sua vida em risco. Temos tudo definido e as campanhas serão lançadas na próxima terça-feira, o financiamento de um milhão e meio de dólares tinham-se gasto num ápice, e só nos restava vinte mil, que seriam para dar os próximos passos. Uns três mil seriam para comprar brinquedos para as crianças, outros dois mil seriam para levar um grupo de cinco jovens à Disney. E por ai adiante.

O ecrã do meu computador brilhava dando sinal de email, suspirei, tentando dar mais alguma atenção aos papeis nas minhas mãos, peguei no lápis em cima da secretaria e anotei pequenas observações nas folhas, daria a Lara para fazer o resto por mim. Uns cliques no rato e já lia o email ali exposto.

“Assunto: WS

De: Drew Bieber

Enviada: quarta-feira, dezasseis de junho de dois mil e dezassete, às treze horas cinco minutos e um segundo.

Para: Olívia Bieber

Olá minha querida irmã! Já não falamos há um bom tempo, percebo que ainda estejas chateada comigo, mas eu fiquei desiludido contigo, sabes disso. Ainda andas com aquele Ivan ou Jack?

Vem ter comigo a WS hoje às cinco e meia, acho que precisamos de falar e resolver as coisas. A mãe anda preocupa, desapareceste, tu não és a Olívia das Mídias.

Um beijo,

Alexandre Drew Bieber”

Pensei no que responder, mas o meu querido ciumento e possessivo irmão não merecia nem uma hora do meu trabalho. Respirei fundo, pensando na sua proposta, eu teria de aceitar, porque ele veria atrás de mim, para saber alguma coisa. Suspirei, liguei para Lara e pedi que encomendasse alguma coisa para almoçarmos juntas no meu escritório.

Lara é uma jovem simpática, e ajuda-me em quase tudo aqui, devo-lhe muito. É uma mãe solteira de vinte e sete anos, dava-me muito bem com ela e com sua filha, almoçávamos quase sempre juntas e por vezes ate jantávamos.

O batoque leve na porta fez-se soar pelo escritório após uns minutos, “entre”, disse distraidamente amontoando uns papéis e abrir mais emails. “Senhora Bieber posso?” Ouvi a voz doce de Lara, sorri.

– Claro entra, o almoço já chegou? – perguntei olhando para ela, ela assentiu fechando a porta, pousou na mesa entre um sofá e uma poltrona um saco branco

– Eu já tinha mandado vir, estava à espera da encomenda Senhora – sentei-me na poltrona de frente para Lara

– Estamos na hora de almoço Lara, somos amigas já me podes tratar por Liv – ouvi sua risada, ela assentiu

– Eu esqueço-me sempre – ela encolheu os ombros e riu de novo, neguei sorrindo, ela tinha razão

Falávamos de diversas coisas, até ela me chamar a atenção, “Jack esteve cá, perguntou por ti”, ela murmurou olhando-me com atenção, desviei o olhar para longe, “disse que estavas em uma reunião em NY”, sorri, ela sempre ajudava-me a safar-me de um problema, murmurei um obrigado. Bebia tranquilamente uma chávena de café, a cheiro a café torrado invadia-me tranquilizando o stress acumulado. Lara olhava-me no entanto estava perdida em seus pensamentos.

– Como vai a Bia? – ela sorriu automaticamente ouvindo o diminutivo de Beatriz

– Está uma peste, cada vez mais crescida e mais inteligente, não lhe escapa nada – rimo-nos – Tens de vê-la, ela vai adorar ver-te – sorrimos – ela pergunta varias vezes pela tia Liv – ri-me ela sempre me tratara por tia Liv

– Temos de combinar alguma coisa, o que me dizes um almoço no sábado? – ela assentiu, levantou-se e suspirou olhando o relógio, suspirei de seguida percebendo o que aquele suspiro era um pedido de socorro não querendo trabalhar mais – Já não és a única

– Se me permite Senhorita Bieber – ri-me, assenti e ela saiu com o lixo

Apaguei o computador depois de horas a tratar de pormenores do festival Tanabata, fui até ao pequeno frigorífico e tirei do compartimento um pouco do líquido vermelho para um copo, juntei um pouco de whisky, e bebi. Tinha de relaxar se queria ir ter com Drew à WS. Peguei nas minhas coisas devagar, vendo o ponteiro quase atingir os cinquenta minutos, eu estava atrasada como sempre, mas isso não importava à pessoa em questão, eu poderia ir às sete horas lá e ele ainda estaria há minha espera.

Entrei no carro, não queria ir a pé, apesar de não ser longe, o parque de estacionamento perto da biblioteca estava praticamente vazio, sim era quarta-feira quase as seis da tarde, ninguém estaria agora numa biblioteca. Estacionei perto de um Ferrari preto com pormenores cinza.

Apenas a zona de estudo estava com o mesmo movimento de sempre, o que não me admirava. Fui andando para o ultimo andar da biblioteca, e dirigi-me para as ultimas estantes, a zona de William Shakespeare.

– Tens de dar sempre um retoque teu aos carros não é? – perguntei encostando-me na ultima estante, eu como sempre não o surpreendi, ele sabia que eu vinha

– Já sabes como é – encolheu seus ombros dando um sorriso brincalhão, revirei os olhos – Não me respondes-te à pergunta que te fiz – meu semblante tornou-se serio, respirei fundo querendo manter o controlo.

– “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada” – citei, não querendo responder à letra. Ele sorriu

– “O diabo pode citar as Escritas quando isso lhe convém” – esta ele tinha citado na hora H

– Não há nenhum Ivan ou Jack – suspirei endireitando-me, passei por ele e fui até ao fundo do corredor, o escuro circundava-me com carinho

– Mas havia, não era? – ele murmurou, suspirei, sim tinha existido, e agora o que eu poderia fazer?

– “Todo o mundo é capaz de dominar uma dor, menos quem a sente” – respirei pesado, tentando ignorar aquele momento de solidão e tristeza que se abatia à velocidade da luz em mim.

Ouvi seus passos, seus braços envolveram-me, o meu ciumento possessivo e protetor irmão estava ali, na altura certa com as palavras certas, como ele sempre fazia. “Chorar é diminuir a profundidade da dor” citou num sussurro no meu ouvido, chegando-me para mais perto dele. Minha garganta embrulhou, a água salgada já escorria pela minha face molhando a camisa social de Drew. “Está tudo bem pequenina, eu estou aqui” segredou.

Notas finais
As citações expostas são de William Shakespeare, ele é um dos dramaturgos que eu mais gosto, eu meio que venero Shakespeare :p Espero que tenham gostado.