Four Seasons

2 I - Tempestade


Notas iniciais
Vou postar este capitulo, porque o meu segundo capitulo está quase pronto, então assim que tiver respostas, eu publico. Adoro-vos Beijinhos, boa leitura

“E meu maior erro foi Amar-te como um amante ama sua amada.”

Estava entre a secretaria e a grande janela do meu escritório, esperava pela hora da reunião, eu apenas não estava com paciência para mais nada. Esta semana tinha sido exaustiva, e hoje, dia vinte e nove, um sábado, estava no escritório para receber uns fornecedores muito importantes, era uma exceção que eu tinha aberto, para não ficar em casa a deprimir.

O vestido preto justo marcava as minhas curvas, mas também realçava a beleza que eu tinha, a pele naturalmente pálida contrastava com o preto, e o cabelo preto contrastava com os olhos azuis céu, os saltos acrescentavam dez centímetros ao meu metro e sessenta de altura. “Senhorita Bieber?” Ouvi a voz de um homem, mais especificamente do diretor da empresa. Virei-me, seu sorriso desmanchou-se.

– Meus Deus Liv, o que lhe aconteceu? – como ele conhecia-me, os três anos trabalhando como gestora da empresa tinha lhe dado credito para ser meu grande amigo, sorri meiga

– Nada do que não esperava – disse seguindo até ele para o cumprimentar – Sabe como estava minha vida amorosa – encolhi os ombros, ele sorriu e negou

– Merece alguém muito melhor do que aquele cozinheiro, ele não dava valor ao que tinha – ri-me com seu comentário, ele realmente não gostava de Jack, abriu-me a porta – Vamos? – assenti saindo do escritório

Entramos na sala de reuniões onde um grupo de homens e apenas uma mulher, loira oxigenada, estavam. Sorri, cumprimentei todos eles, os olhos furtivos alcançavam-me, tentando descobrir o que estava por detrás daquele vestido. Sentei-me perto de Albert, logo Lara entregou-me alguns ficheiros e Martha sentou-se ao meu lado, minha companheira de guerra. Sem dúvida nenhuma!

– Falaremos então do propósito desta reunião – Albert disse para por fim às conversas paralelas, o silêncio inundou a sala – A nossa empresa aceita os termos que nos impuseram, no entanto também temos algumas regras, e se elas não forem compridas como está no contrato, bem, os senhores sabem, nossa advogada irá avançar – ele olhou para Martha sorrindo, ela assentiu.

O apartamento Duplex parecia vazio, a sala estava agora livre da roupa de Jack, a cozinha sem o cheiro maravilho dos seus cozinhados, e o quarto, o nosso quarto, já não é o mesmo, ele já lá não está, e as roupas iram embora amanha de manhã. Suspirei tirando os saltos e soltei o casaco bordo em cima da poltrona ao lado da janela.

Desci as escadas que dariam ao resto chão, fui até à cozinha, preparei uma massa fria com camarões. Coloquei o preparado num prato, peguei nos talheres e fui-me sentar no sofá, comia enquanto via as ultimas partes das notícias da noite. Estava a sentir falta do meu cãozinho, Jack é alérgico a pelos de animais, então Dominick foi para casa da minha mãe.

Peguei na chave do meu carro, iria buscar o meu cocker spaniel e ele viria para a sua casa. Calcei as sabrinas que estão perto da porta, ainda bem que eram pretas, o meu casaco preto e sai de casa.

– Oi mãe! – sorri quando ela me abriu a porta, seus braços envolveram-me – Vim buscar Dominick – senti seu pelo raspar na minha perna, ah! O meu bebé está tão grande! Cinco meses mudam muita coisa! Suas orelhas estão enormes, e seu pelo está mais escuro

– Mas Jack não é alérgico?

– É mãe – olhei-a tentando conter o choro

– Oh meu amor! Eu lamento muito – disse abraçando-me

– Tudo bem mãe – tentei dizer – Eu só preciso de companhia lá em casa – sorri – e o meu bebé já deve ter saudades minhas – afoguei a cabeça de Dominick

Entrava no apartamento carregada com as coisas do meu cão, ele saltava e ladrava e saltava outra vez, estava mais entusiasmado do que eu, ri-me e pôs sua alcofa ao lado do sofá onde eu me deitava, sempre, sua caminha foi para o meu quarto, ao lado da poltrona, e suas tigelas para a cozinha. Junto da alcofa juntei seus brinquedos. “Dominick vem” chamei-o, saltou em cima de mim “Meu gordo!” ri-me.

1:35min – o relógio apontava, porque raio a chuva inundou uma noite de primavera? Eu quero a lua, quero me sentir melhor com tudo dentro de mim, mas nem mesmo o tempo queria isso. Seus braços agora dever-me-iam envolver para que eu não tivesse medo da tempestade que está prestes a rebentar. Mas eles não estavam.

O corpo de Dom, Dominick, estava deitado junto aos meus pés, aquecendo-me, sua respiração era calma, o que me dizia estar a dormir. A serie “Sobrenatural” dava na TV ligada para som de fundo, e mesmo sendo umas das minhas series preferidas, eu não conseguia ficar atenta a ela.

A campainha suou por todo o espaço, levantei-me devagar, não queria ter ninguém ali agora. Abri a porta devagar, olhei e a pessoa que eu menos esperava estava ali, bem na minha frente. “Ivan” sussurrei “Liv” Ivan era o meu, digamos vizinho e companheiro de mundo paralelo, digamos assim. “Trouxe algo que te vai aliviar” ele disse, eu sabia muito bem o que ele me trouxera, eu podia sentir seu cheiro, seu perfume de Lacoste com o cheiro a menta, seu sangue sempre soube a menta. Jack tinha cheiro a Hugo Boss com o cheiro a chocolate branco, meu preferido devo dizer. “Entra” abri a porta.

3:15min – olhei o relógio, a tempestade já estava no seu auge, e os braços do meu querido Ivan circundavam-me, mantendo-me segura. “Ainda lembras-te?” Sua voz sussurrou ao meu ouvido. Sorri, eu lembrava-me muito bem, eu estava num bar qualquer na rua principal do nosso quarteirão, e a minha bebida já estava quase a acabar, então um belo par de olhos verdes chamaram-me a atenção. Envolve-mo-nos nessa noite, e houve mais que isso, ele se tornou meu amo, transformou-me dando a eternidade que eu tanto queria.

“Tu lembras-te não é?” Ele sabia disso, porque para além de ele saber tudo o que eu sinto, por causa da nossa ligação, ele poderia ver o sorriso pela memória. “Devo dizer que foste a minha última submissa e minha última criação?” Olhei-o, “Porque?” Perguntei tentando decifrar o que ele queria dizer com aquilo. “Oras, já vivi trezentos e noventa e sete anos e continuo a parecer um jovem de vinte e cinco, encontrei minha ama, o que mais eu poderia querer? Tenho-te a ti como minha predileta, não preciso de mais.” Ri-me com sua resposta, ele sempre via algo positivo nas coisas.

A campainha suava alto de novo, será que eu não poderia dormir!? Desci da minha cama, olhei o relógio, eram dez da manha, deveria ser Jack vindo buscar suas coisas. Abri a porta, “não tens a chave?”, perguntei deixando a porta aberta e indo para a cozinha.

– Tenho, apenas achei que seria desrespeitoso entrar sem mais nem menos na tua casa.

– E tens toda a razão, podes ir fazer as tuas malas, deixa a chave no chaveiro – disse pegando os cereais do armário e pôs-los dentro do leite. Ouvi seu suspiro, ele ainda estava ali, tentando dizer alguma coisa – Apenas vai – sussurrei, ouvi as patas de Dom descer as escadas – Tem cuidado com Dominick – disse passando por ele, quão complicado aquela manhã iria ser? Com ele ali, no meu quarto, a fazer suas malas.

Eu queria ir lá acima e dizer-lhe para não ir embora, para ficar comigo, mas eu não podia, iria contra os meus princípios, se era isso que ele queria, iria ser assim. Suspirei, pousei os ficheiros que espalhei pela mesa da sala, chamei Dom para o meu colo. “O que eu faço? Hum?” Seu olhar me encarava como duas pérolas, suspirei de novo, neguei tentando tirar aquilo da minha cabeça, ele mantinha-se ainda a fazer as malas, será que demoraria muito mais tempo? Ouvi uma porta a bater, e o cheiro a menta vindo da porta, não poderias vir em melhor altura Ivan.

Abri a porta, “Oi Liv” seu sorriso transbordou, “Oi Ivan, Rosalie!” “Minha querida, que saudades” a voz doce de Rose perfurou a casa, “Jack está cá, então vamos tentar” não acabei pois seus passos foram ouvidos atrás de mim

– Olá – sua voz rouca fez-se ouvir, pude ver inquietação e desconforto – Sou Jack Vintage – ele disse após olhar para mim, cumprimentou Ivan e Rose

– Já arrumaste as tuas malas? – perguntei tentado fazê-lo perceber que não o queria ali, seu olhar de desconfiado e possessivo penetrou-me

– Já, estava a pensar se não – Ivan interrompeu-o, pondo a mão no seu ombro

– Acho melhor pegares nas tuas malas e saíres – seus olhos intensificavam – Liv não precisa de sofrer mais com a tua presença – ele disse diretamente a Jack, que se contraiu – Não faças perguntas de quem eu sou, porque de certeza que não vais querer saber a resposta – seu olhar verde alterou-se, eu podia prever o que aconteceria se Jack continuasse ali, para além de eu entrar em combustão, ele seria morto a carne fria.

Notas finais
Espero que tenham gostado, o próximo capitulo vai-se chamar "Rosa Vermelha" e vão descobrir o porque do nome da Fanfic.